Como destruir em pedacinhos a educação de um país

Esta postagem também foi publicada no blog “Mundo Analista“, bem neste link.

hi manOlá, pessoal! Hoje vou ensinar-lhes como destruir em pedacinhos a educação de um país. Eis o passo a passo:

(1) Estimule o surgimento de famílias desestruturadas. Como fazer isso? Há vários caminhos. Um deles é incentivar a promiscuidade. A promiscuidade gera a objetificação das pessoas. Cada indivíduo começa a enxergar o outro como apenas um meio de prazer próprio. Um meio descartável. Assim um usa o outro e depois se descartam mutuamente como um pedaço de papel de bala.

A promiscuidade também gera a banalização do sexo e das relações humanas. Mas o principal: a promiscuidade aumenta o número de pais egoístas, irresponsáveis e até mesmo de pais que não gostam do fato de terem tido filhos. Aqui está o pulo do gato. Quanto mais pais assim, mais filhos problemáticos teremos. E quanto mais pais ruins e filhos problemáticos tivermos, mais famílias desestruturadas teremos. Haverá brigas, ódios, rancores, falta de limites, falta de respeito mútuo, falta de valores morais e, claro, falta de educação. Quando esses filhos entrarem na escola, já serão verdadeiras pestes. E quando se tornarem pais, provavelmente serão péssimos pais também. Assim criamos um ciclo.

(2) Procure incentivar culturas, músicas e danças que ensinem as pessoas a serem promíscuas, maldosas, egoístas, rancorosas, vingativas, materialistas, desrespeitosas, viciadas em drogas, traficantes e etc. Se as crianças tiverem acesso a isso, melhor ainda! Funk proibidão deve tocar em festa de criança. Não intervenha nisso de forma alguma, mesmo que esteja em lei. A sociedade precisa aceitar a destruição da inocência das crianças. Isso é ótimo para destruir a educação. Se possível até estimule os pais a introduzirem seus filhos nessas coisas.

(3) Retire toda a autoridade do professor dentro e fora de sala de aula. Como fazer? Use o discurso de que a educação deve ser menos “repressora” e o aluno precisa ser mais livre. Limites apenas traumatizam crianças e adolescentes. Elas precisam ser donas de si mesmas e escolher o que querem fazer. Não se preocupe se você não acredita nessa baboseira. Finja que acredite. Você contará com o apoio de uma horda de psicólogos, psiquiatras, antropólogos e sociólogos que o ajudarão a implementar isso. E com esta medida você deixará o professor refém dos alunos. Os alunos o verão como um “bundão” que não tem autoridade para nada e passarão a aula inteira conversando, quebrando cadeira, afrontando o professor, brigando com o colega e etc.

(4) Lembre-se que quando tiramos a autoridade do professor e não damos limites aos alunos, a tendência é que os bons alunos se tornem desestimulados. Afinal, os maus alunos irão atrapalhá-los a estudar. E todas as besteiras que fizerem serão aceitas. Assim, o bom aluno não verá diferença alguma entre ser estudioso e respeitoso, ou desleixado e abusado. Faça de tudo para manter esse quadro! Os bons alunos precisam ser os mais desestimulados possíveis para que seu número diminua.

(5) Infelizmente, você não conseguirá transformar todos os bons alunos em maus. Paciência! Não se desespere! Eles são um perigo sim, pois provavelmente irão para faculdade e lá influenciarão muita gente. Mas há como contê-los. Sabe como? Doutrinando-os desde os ensinos fundamental e médio a acreditarem que todos os problemas sociais devem ser resolvidos com a ação do Estado. Ele precisa aprender que quanto maior a ação do Estado, melhor. Se há algum problema, o Estado deve ser mais presente. Uma das formas de levá-lo a pensar dessa forma é criando um material didático que apresente o capitalismo como algo ruim e o marxismo como algo bom. Também é importante que os livros de história falem de Jean-Jacques Rousseau e Karl Marx, mas nunca de Ludwig von Mises, Friedrich Hayek e Eugen von Bonh-Bayerk, Erik Voegelin (que refutaram Rousseau, Marx e outros revolucionários). Não os deixe saber da existência desses homens! No máximo fale de Adam Smith, mas deixe claro que o liberalismo econômico é algo que não deu certo, que só causa pobreza e desgraça e que todo mundo hoje em dia sabe disso. E faça-o pensar que só quem defende o liberalismo econômico e o capitalismo são os grandes empresários, que querem massacrar os trabalhadores.

Fazendo isso, esses bons alunos entrarão na faculdade já com uma mentalidade pró-intervenção estatal. Lá suas cabeças serão totalmente moldadas pelos professores marxistas que lá existe. Ah, isso é importante! Tire a autoridade de professores de ensino fundamental e médio, mas não a dos professores universitários. Por que? Porque o objetivo é formar pessoas burras e ignorantes no fundamental e médio. A universidade é para pegar os inteligentes que escaparam para transformá-los em pessoas que vão lutar pela manutenção de um Estado gigante e poderoso. Eles se tornarão professores no futuro e poderão dar continuidade à obra de doutrinação ideológica nas faculdades.

6) Tire autoridade dos bons pais. Um grande problema para você pode ser os bons pais. Eles ensinarão tão bem os seus filhos que os mesmos crescerão com valores morais, cívicos e religiosos, além de muito inteligentes. Isso os impedirá de aceitar qualquer tolice que você tentar ensinar. E isso coloca em risco o seu poder. Por isso, você precisa ser estratégico. Sabe a ideia de dar liberdade às crianças e adolescentes nas escolas? Comece a trabalhar nisso no âmbito caseiro. Crie gradualmente uma cultura que puna os pais que educam bem aos seus filhos. Você deve atacar tanto o conteúdo do que eles ensinam aos seus filhos como a forma como eles passam esse conteúdo. Use rótulos. Chame o conteúdo e a forma deles de ensinar de retrógrada, fascista, repressora, inadequada, ultrapassada, traumatizante, ditatorial, fanática, exploradora e etc. Lembre-se: o Estado precisa se intrometer na educação que o cidadão dá ao seu filho. Faça os cidadãos entenderem, aliás, que eles não devem e não podem fazer nada sozinhos. O Estado é a única autoridade competente para dizer como os pais devem educar aos seus filhos.

7) Centralize o poder das escolas nas mãos do governo. Não deixe que cada unidade escolar tenha autonomia. Nada disso! Quem manda na escola não são os professores e quem está de frente com os desafios diários. Quem manda são burocratas que nunca entraram numa sala de aula e ficam atrás de um gabinete o dia inteiro dando canetadas.

8) Jamais isole adolescentes criminosos da sociedade. Eles precisam ser “reeducados”. kkkkkkkkkkkkkk. Desculpa, não me contive. Mas eles precisam ser reeducados, da mesma forma como foram educados na escola… kkkkkkkkkkkkk. Sim, é muito efetivo. Com isso, você vai gerar nos adolescentes a impressão de que vale mais à pena cometer crimes do que estudar. O que é verdade. 😀

9) Desestimule valores morais e religião. Tudo o que servir de freios para as pessoas, desestimules. Crie militâncias nas faculdades contra qualquer ideia conservadora que venha impedir as pessoas de darem vazão aos seus desejos mais sórdidos.

10) Sempre, eu disse, sempre se lembre de fixar na mente das pessoas que a culpa da educação está ruim é do capitalismo, do conservadorismo, da religião. Use e abuse da palavra capitalismo. Ela se tornou uma palavra tão elástica, que é possível você colocar qualquer mal na conta do capitalismo e depois relacionar capitalismo com qualquer coisa que você não goste. Fascismo também.

11) Estimule crianças e adolescentes a fazerem muito sexo, desde bem pequenas. Faça elas pensarem nisso mesmo que não saibam nem fazer conta de dividir. Distribua camisinhas, incentive novelas e filmes em que crianças e adolescentes tenham diálogos sobre sexo e a necessidade perderem logo a virgindade (“com responsabilidade”, usando camisinha. kkkkk).

12) Você sabe que a coisa mais importante para uma pessoa é desenvolver apreço pela leitura, saber expressar suas ideias por escrito e saber fazer contas básicas. Quem domina bem isso, consegue ir bem em qualquer coisa quando se esforça. Então, faça de tudo para não debater à fundo essas questões. A escola não pode criar nenhum projeto efetivo que leve os alunos a desenvolverem bem essas habilidades.

13) Sempre alguém pode perceber sua estratégia para manter a educação ruim. Para evitar isso, mostre que você se importa sim. Como? Primeiro, sempre diga: “Vamos investiram mais em educação”. E invista mesmo! Quanto mais dinheiro você destinar para a educação, melhor. É mais dinheiro para você poder desviar. E é mais número para você comparar com o governo anterior: “Viu? Meu governo investiu mais que o anterior”. As pessoas caem nisso. É moleza. Segundo, crie sempre “novos” modelos de educação. Nunca modelos efetivos, claro! Mas invente algo, consiga apoio de psicólogos, psiquiatras, pedagogos e antropólogos imbecis por aí e ponha em prática. Quando as pessoas perceberem que não deu certo, bote a culpa nos resquícios de educação repressora herdados pela ditadura, pelo neoliberalismo, pelo imperialismo americano, pelo capitalismo malvadão, pelo fascismo, pelo nazismo, pelo cristianismo e etc. Terceiro, crie políticas afirmativas. Use e abuse delas. Cotas são uma ótima maneira de fazer as pessoas acreditarem que você está fazendo algo pela educação sem que você faça nada. Você não resolve o problema e fica todo mundo feliz com você.

14) Embora seu objetivo seja formar o máximo possível de burros, você precisa colocar pelo menos uma coisa na cabeça de todos esses burros: eles precisam do Estado. Mesmo que eles não entendam nada de política e não saibam quem foi Karl Marx, eles precisam ter isso em mente: se há um problema, é a presença do governo que irá resolver.

15) Não deixe ninguém perceber que os dois problemas principais da educação não estão sendo atacados por ninguém: a crise administrativa e a crise pedagógica. A crise administrativa diz respeito ao fato de que a sociedade não tem controle de quanto dinheiro o Estado gasta com cada escola em especifico. Ninguém tem acesso às contas da escola. A crise pedagógica diz respeito ao fato de que o professor hoje foi transformado em um “bundão” dentro e fora de sala. Não deixe ninguém perceber isso, pois é precisamente por causa da manutenção desses problemas que você está hoje no poder.

Que benefícios esse passo a passo gera?

Milhares!

As crianças e os adolescentes se tornarão cada vez mais idiotas, burras, ignorantes, maliciosas, violentas, promíscuas e sem interesse em estudar. Os professores não poderão ensinar. A maioria dos pais não vai querer dar educação aos filhos. A minoria que quiser dar educação será reprimida pelo governo e pela própria sociedade. Assim, a educação vai para o ralo. E a educação indo para o ralo, faz com que o povo não tenha capacidade de mudar seus políticos e ache que a resolução de tudo está em dar mais poder para o Estado. Em outras palavras, isso faz com que o seu poder seja garantido por décadas e o seu partido ou posicionamento ideológico ganhe hegemonia. Seguindo esse passo a passo, você será um político de esquerda muito próspero e feliz. É isso!

Na próxima aula, ensinarei dicas de como manter a segurança um caos e os benefícios disso.

Abraços!

A socialização de analfabetos motores

Alessandro Barreta Garcia*

Antes de falar sobre o aprendizado motor, vou expor algumas considerações sobre alfabetização no Brasil. Uma frase muito usada pelos construtivistas que ensinam o ler e o escrever é: “ninguém ensina ninguém, o aluno constrói o seu próprio conhecimento”. Observo que estes termos se aplicam a um universo comum de construtivistas de carteirinha, e nesse sentido, apresentam essa ideia como uma verdade incontestável. Quase que religiosa.

Para o construtivismo: “Os demais níveis de organização da linguagem que subjazem à semântica – tais como o nível fonológico, ortográfico, morfológico, sintático – simplesmente não seriam considerados importantes” (OLIVEIRA, 2002, p. 10). Como resultado, segundo Sebra e Dias (2011), o construtivismo endossa uma educação pela incompetência. Para estas autoras, este movimento “pedagógico” é um dos principais responsáveis pelos baixos níveis educacionais nos testes internacionais. Destacam ainda, que o movimento construtivista é rejeitado pelos principais países no mundo.

Para uma alfabetização desejável, é necessário o reconhecimento dos grafemas e fonemas. O método fônico, por exemplo, ensina a correspondência entre letras e sons de forma a desenvolver uma maior e melhor consciência no aprendizado da linguagem. Para tanto, é necessário um grande empenho no aprendizado dos fundamentos de nossa língua.

Em relação ao aprendizado motor, a lógica é a mesma, não se ensina a dançar, sem antes, se ensinar a andar. O grafema do aprendizado motor é a técnica, e sem esta, não se aprende. Dar significado aos movimentos ou pensar sobre eles, não implica em aprendizado, pois para isso é necessário o aprendizado das técnicas por meio da prática. Tal procedimento era comum nos anos do regime militar brasileiro, mas com o fim deste ciclo virtuoso, a educação, bem como, a educação física brasileira, se despreza a técnica como se despreza a escrita, como resultado desse desprezo, nós estamos entre os piores do mundo (GARCIA, 2015).

Como nos informa Rebollo (2003): “O sentido de techné é o de uma orientação prática, um sistema de regras e categorias que possui uma base teórica sólida, capaz de produzir efeitos previstos por suas regras e apresentar a razão (logos) do processo e das causas. A techné, assim definida, é uma ciência indutiva e prática, na qual a experiência (empeiría) é o seu fundamento” (REBOLLO, 2003, p. 281). Dessa forma, todos os movimentos são orientados por técnicas, das mais simples as mais complexas, o homem é um ser técnico por natureza. O que nos faz humano é a técnica, sem ela nos parecemos muito com os animais irracionais. Ser contrário a técnica é ser contrário a nossa própria humanidade. Será você, um anti-humano.

Sobre o corpo e o movimento técnico, Marcel Mauss foi muito preciso: “Chamo de técnica um ato tradicional eficaz (e vejam que isso não difere do ato mágico, religioso, simbólico) Ele precisa ser tradicional e eficaz. Não há técnica e não há transmissão se não houver tradição. Eis em quê o homem se distingue antes de tudo dos animais: pela transmissão de suas técnicas e muito provavelmente por sua transmissão oral” (MAUSS, 1974, p. 407).

O ato é eficaz porque dá certo, porque é bom, e por isso se torna tradicional. Criada a tradição, o movimento técnico é repetido e aperfeiçoado na história, por quê? Porque ele funciona. Os animais inferiores não criam técnicas, eles vivem conforme o seu sistema orgânico fechado, o animal racional, que é intelectivo na definição de Aristóteles, é fruto de um sistema orgânico aberto, por isso, criador de técnicas.

Definições, classificações ou categorias, são as partes que dão forma ao todo, e devem ser transferidas da teoria para a prática por meio das técnicas. Isto é, são caracteres essenciais para o aprendizado motor, são dessas definições, classificações ou categorias que organizamos os movimentos, das potências aos atos, estes, tão importantes para o desenvolvimento do homem dentro da sociedade. Sem isso, formamos analfabetos motores, sem um mínimo de domínio técnico sobre seu corpo. Tratando-se da alfabetização, sabemos que o Brasil é sempre um dos últimos nos testes internacionais, quanto à educação física, não há dados comparativos, assim, sequer sabemos o quanto estamos e somos ineficientes no aprendizado motor.

*Alessandro Barreta Garcia é mestre em Educação pela Universidade Nove de Julho. Possui Licenciatura e Bacharelado em Educação Física pela Universidade Nove de Julho. É autor dos livros: Educação grega e jogos olímpicos, Aristóteles nos manuais de história da educação e Educação física e regime militar: Uma guerra contra o marxismo cultural.  Suas pesquisas relacionam conhecimentos da Antropologia, História do Brasil, História da Educação, Filosofia e História da Educação Física.

Leia também a coluna do, Rodrigo Constantino, sobre meu livro “Educação física e regime militar: Uma guerra contra o marxismo cultural”, Clique aqui.

REFERÊNCIAS

GARCIA, A. B. Educação física e regime militar: Uma guerra contra o marxismo cultural. Jundiaí, Paco Editorial: 2015.

MAUSS, M. As técnicas corporais. In. Sociologia e Antropologia. São Paulo, EPU/EDUSP, 1974.

OLIVEIRA, J. B. A. Construtivismo e alfabetização: um casamento que não deu certo.  Ensaio, vol. 10, p. 161-200. Rio de Janeiro. 2002.

REBOLLO, R. A. Considerações sobre o estabelecimento da medicina no tratado hipocrático Sobre a arte médica. Sci. stud. vol.1 n.3 São Paulo July/Sept. 2003.

SEBRA, A. G, DIAS, N. M. Métodos de alfabetização: delimitação de procedimentos e considerações para uma prática eficaz. Rev. Psicopedagogia, 28 (87) 306-320, 2011.

Sobre o Plano de Metas

A abordagem a seguir está se baseando no capítulo “Observações sobre o Plano de Metas”, do livro “Planejamento no Brasil”, de autoria de Betty Mindlin Lafer, o qual, conforme ponto de vista do artigo, ilustra o pensamento econômico mainstream brasileiro a respeito do tema. Além disso, consta também como referência bibliográfica.

O Plano de Metas é para os economistas e defensores do intervencionismo estatal na economia um marco na história da economia brasileira. Isso decorre do fato que surge a possibilidade da utilização de distorções terminológicas quanto à participação estatal na economia brasileira. Ou seja: afirma-se que no Brasil não havia intervenção estatal já que o Estado não planejava sistematicamente, confundindo, assim, planejamento e intervenção num único conceito.

O capítulo do livro se inicia afirmando que, no Brasil, até então não havia acontecido uma política econômica de geral de planejamento, mas sim apenas planos paralelos com determinados objetivos. O Plano de Metas, portanto, seria a primeira experiência de planejamento no Brasil.

Tal afirmação é sim, em partes, verdadeira. O problema é a forma em se apresenta; dá a entender que por algum motivo ninguém (incluindo o setor privado) tomava providências para industrializar e desenvolver o Brasil.

Uma contextualização se faz necessária. Ao contrário de países como os Estados Unidos, por exemplo, que desenvolveram diversas indústrias por meio do setor privado, com nomes como John Rockefeller e Andrew Carnegie, o Brasil se industrializou por meio da ativa participação estatal. Tal situação, entretanto, foi uma resposta a um problema de longo prazo criado pelo próprio Estado.

Diferentemente dos Estados Unidos, o alto empresariado brasileiro, principalmente o paulista, não tinha incentivos econômicos para industrializar o Brasil. O país adotava uma política que favorecia a plantação de café, garantindo renda aos cafeicultores. Durante décadas no início do século XX o governo brasileiro comprava café para garantir o preço da commodity e renda aos produtores. Tal política pode ser exemplificada por meio do Convênio de Taubaté, em 1906, em que os governadores de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro se reuniram para firmar um acordo de compra de estoques de café, garantindo lucros acima do normal para o setor e renda permanente para os produtores.

Os empresários de então, nesse cenário, tinham todos os incentivos para manterem o café como seu principal produto e até mesmo ampliar a produção, assim conseguindo ganhos de escala com a compra de excedentes por parte do governo. Tal política dificultou a diversificação da produção de bens e serviços no Brasil, pois apenas empreendedores com visão de longo prazo iriam ficar de fora de um mercado com renda praticamente garantida e investir em outros mercados, os quais eram mais incertos.

O capítulo, então, coloca em pauta uma discussão: até que ponto teria Juscelino Kubitschek colocado a industrialização como objetivo político e um fim em si mesma e não com outros interesses? Na primeira metade do século XX a participação da população votante em eleições em relação à população total mais do que dobrou, partindo de 4% na República Velha a mais de 13% já no fim da Era Vargas, crescendo continuamente. Ainda mais importante, dentro do contexto da época, o aumento da sociedade votante era certamente com participação majoritária da nova camada popular urbana que se desenvolvia, além da implantação do direito ao voto para as mulheres, o que trazia as classes mais baixas de maneira mais incisiva para os pleitos. Criar empregos em novas indústrias para todas essas pessoas se torna uma opção política muito interessante do ponto de vista eleitoreiro.

A industrialização no Plano de Metas se dividia em cinco setores: energia, transportes, alimentação, indústria de base e educação. Os três primeiros são pontos de estrangulamento, pois na concepção do governo eram pontos que tinham demandas não atendidas, retardando o crescimento e o desenvolvimento econômico. Já a indústria, por exemplo, seria um ponto de germinação, em que a atividade produtiva criaria renda, empregos e investimentos e, por tabela, a sua própria demanda, a qual impulsionaria a economia – a verdadeira Lei de Say.

Os pontos de estrangulamento foram criados no ciclo do café no Brasil, quando o capital empregado pelos empresários de então era canalizado para a produção do café, a qual fornecia renda praticamente certa e com riscos bem menores do que se aventurar em segmentos novos, os quais se tornariam necessários no longo prazo. Já a indústria de fato cresceu nessa época, mas adendos se fazem necessários: primeiro, se quisermos atribuir a industrialização brasileira ao Estado, é preciso lembrar que tal política foi uma correção de um atraso criado por meio de um conluio corporativista entre os governos e o empresariado na política de valorização do café. Complementarmente, cabe aqui a definição do francês Frédéric Bastiat daquilo que se vê e o que não se vê: o que se vê é a participação ativa do Estado na industrialização brasileira, o que não se vê é que parte do capital do empresariado nacional, principalmente o paulista, poderia ter sido utilizado para industrializar o país.

Tal decisão era mais arriscada do que ganhos certos com o café economicamente falando, e mais arriscada também juridicamente, pois o nacionalismo exacerbado brasileiro do século XX poderia significar a estatização de empreendimentos privados e o fim do negócio para os empreendedores. O BANESPA, banco privatizado nos anos 1990, surgiu como um banco privado de capital francês fundado em 1909 e chamado Banco de Crédito Hipotecário e Agrícola do Estado de São Paulo, o qual ajudava a financiar a produção cafeeira na época, e foi nacionalizado em 1919. A Light, que surgiu com capital canadense na virada do século XIX ao século XX, foi estatizada na década de 1970. Além disso, por exemplo, havia a questão do petróleo, que se via num debate acerca de nacionalização ou não na primeira metade do século XX. Arriscado empreender em setores julgados como “estratégicos” se o governo pode tomar o empreendimento por razões políticas e/ou econômicas. Menos mal foi o caso do Banco de Crédito Hipotecário paulista, que teve suas ações adquiridas.

Além disso, a indústria automobilística viria a criar dois gargalos na forma que foi feita: primeiro, com o destaque dado à indústria automobilística a indústria brasileira passou a ser cada vez mais dependente de tal setor. Crises nesse setor não afetam apenas ele próprio, mas, também, toda a demanda derivada de autopeças, borracha e serviços de manutenção que surgiram a partir da implantação de fábricas de montadoras estrangeiras em território nacional, que entram em um ciclo vicioso em conjunto. E, segundo, o modelo de transporte individual por meio de caminhões para a indústria e de carros para as pessoas criou um ponto de estrangulamento nos dias de hoje, tanto para escoamento de produção quanto uso para transporte pessoal no dia a dia, representado pelo trânsito crescente nas cidades brasileiras. Ou seja, a tentativa de acabar com um ponto de estrangulamento no transporte criou outro ponto de estrangulamento no transporte, refletido no trânsito das grandes cidades brasileiras.

O capítulo segue discorrendo sobre a implementação do plano, as reformas na administração pública e os resultados obtidos com o plano, para chegar ao ponto final da construção de Brasília, que mobilizou 2,3% do Produto Nacional Bruto. Afirma que a construção da cidade foi um ponto de germinação – o que de fato foi. Todavia, isso é o que se vê. O que não se vê são os problemas socioeconômicos enfrentados pela cidade do Rio de Janeiro, então a capital brasileira, que viu parte de seu capital migrar para o meio do Centro-Oeste do país. Se Brasília é um ponto de germinação, o Rio de Janeiro, numa relação inversa, passou por um ponto de estrangulamento. Tal processo foi extremamente inflacionário, aliás. Entretanto, para justificar seu ponto de vista da germinação e apagar o novo estrangulamento o autor se nega a dar continuidade no debate do benefício do processo ao citar a questão da inflação, “…um problema em aberto que enquanto tal escapa dos horizontes desse artigo”, conforme a página 48. Claro que essa tinha que ser a abordagem: se assim não fosse, não teria como justificar os benefícios da caríssima construção de Brasília, a qual se deu à custa do povo brasileiro pagador de impostos e que teve que arcar com a inflação.

Como a ideologia do autor aprova tal política o capítulo se conclui não tecendo críticas mais pesadas ao Plano de Metas, e se satisfaz em afirmar que “os problemas por ele ocasionados aos governos que se sucederam resultaram justamente do seu sucesso”, conforme a página 49. Que o plano foi bem sucedido, mas conseguir dar continuidade ao mesmo seria o ponto chave para se evitar um ponto de estrangulamento a partir da implementação do próprio plano – o que de fato aconteceu em diversas áreas da economia brasileira.

Leia também: O Conceito de Planejamento Econômico

Apresentação do livro – Educação Física e Regime Militar: Uma Guerra Contra o Marxismo Cultural

Uma Guerra Contra o Marxismo Cultural

Ricardo Vélez Rodríguez

Coordenador do Centro de Pesquisas Estratégicas “Paulino Soares de Sousa”, da UFJF. Membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.

Professor Emérito da ECEME.

A obra do professor Alessandro Barreta Garcia intitulada: Educação física e regime militar: Uma guerra contra o marxismo cultural chega às livrarias em bom momento para os leitores brasileiros. Esta obra, efetivamente, constitui uma crítica contra a monocórdia propaganda gramsciana que, nestes onze anos de dominação lulopetista, tomou conta do cenário cultural brasileiro, deformando totalmente o conceito de educação e substituindo-o pelo de doutrinação ideológica.

O autor, com rara coragem, não duvida em destacar os aspectos niilistas da proposta oficial no terreno da educação, que se tem traduzido em inúmeros fracassos nos programas educacionais apresentados pelo PT, quer no ciclo básico, quer no ensino secundário e no plano universitário. No terreno da educação física, que constitui a especialidade do autor, as coisas não foram diferentes. Os técnicos do governo e os intelectuais associados à visão chapa-branca tentam, por todos os meios, desacreditar os programas educacionais vigentes antes da era lulopetista, como pertencentes a propostas que visavam a manutenção da exploração capitalista sobre as massas ignaras.

Em face dessa tentativa de falseamento da história, o autor mostra, na sua obra, que a proposta de educação física posta em prática durante o ciclo militar obedecia a uma concepção enraizada na melhor tradição humanística do Ocidente. Tal proposta se inseria, segundo o autor, no contexto mais amplo da educação para a cidadania e considerava a educação física e o esporte como meios de grande peso na sedimentação dos valores fundantes da cidadania.

Alessandro Barreta Garcia tenta, na sua obra, resgatar essa tradição educacional e, para tanto, retoma a melhor tradição filosófico-educacional do Ocidente, aquela surgida ao redor da filosofia de Aristóteles. Estes conceitos aparecem claramente no seguinte trecho da obra que ora apresentamos:

Durante o regime militar brasileiro a pedagogia e a psicologia são fundamentais para esse processo. Formar o cidadão para o esporte é cultivar os frutos de uma civilização de qualidade. Os valores morais são bem claros e a formação educacional do aluno frente ao esporte é fundamental para o desenvolvimento da unidade nacional. Respeitar as regras, ser disciplinado não é um mal, pelo contrário, uma virtude. Ainda nessa perspectiva a cooperação também foi um fator observado nas aulas de educação física. Para os gregos na Antiguidade, a formação moral também era essencial para o cidadão se tornar virtuoso.

Em relação ao conceito de esporte-educacional vigente no ciclo militar, o autor afirma:

O esporte-educacional, como aquele observado nos anos de 1964 a 1985, aparece claramente com o notável intuito de formar a juventude brasileira por meio de valores supremos. A honestidade nos jogos é um valor moral que já observávamos entre os gregos antigos. Pierre de Coubertin, inspirado nesse espírito grego, tentou revigorar na modernidade as mesmas características desejadas nos anos do militarismo brasileiro.

O autor, na conclusão da obra, enfatiza o papel que o Exército Brasileiro ainda pode desempenhar no terreno da educação física para a renovação do espírito que a deve animar. A propósito, frisa:

Destacamos, ainda, que o Exército contribuiu, e muito tem a contribuir coma educação física brasileira. Hoje mais do que nunca precisamos de ordem, disciplina e respeito na escola. Uma educação de qualidade caracteriza-se por ser responsável, técnica, conceitual, racional e empírica. Entre as melhores escolas do país estão as militares, e certamente uma das opções honrosas de um ensino de qualidade é a instituição militar. Se um dia quisermos nos tornar uma potência esportiva, devemos voltar às origens, à caserna, que é aprender com quem cuidou muito bem de nossa educação física, com quantidade e qualidade, com amor, dedicação ao corpo e à alma de uma nação.

Levando em consideração a escolha teórica do autor para fundamentar a sua análise crítica da educação física brasileira, gostaria, nesta apresentação, destacar o que do ângulo da educação física pode ser haurido da obra de Aristóteles, centrando a minha atenção no conceito da ética e da sua aplicação ao processo educacional.

A ética do Estagirita tem por objetivo o domínio da ação humana, em tanto que alicerçada numa decisão e a política é o terreno da sua aplicação social. Distingue-se a ética da filosofia teorética, que se dirige ao imutável e eterno. Por natureza, segundo Aristóteles, todo ser tende a um bem que lhe é próprio e no qual encontrará a sua realização. O bem humano é a atividade da alma conforme à razão. Nessa atividade, o homem descobre a felicidade (eudemonía), que é independente das circunstâncias exteriores, como objetivo final das suas aspirações. Como frisa Aristóteles na sua Ética a Nicômaco, “O bem do homem consiste numa atividade da alma conforme à virtude”.

Aristóteles distingue entre virtudes dianoéticas (que se manifestam no exercício da razão) e virtudes éticas (que são transmitidas pela ordem estabelecida na sociedade e na Polis) sendo que elas recebem a sua validade da tradição e do consentimento universal. A virtude dianoética fundamental é a prudência (frónesis), que leva o homem a reconhecer os meios e os caminhos justos que conduzem ao bem. À luz dessa virtude o homem desenvolve a atitude ética, que se formata mediante a prática das virtudes (através do exercício, o hábito e a aprendizagem).

No que tange ao conteúdo, a virtude ética é definida como o justo meio (mesótes) entre dois extremos contrários. Assim, por exemplo: a coragem ocupa o lugar intermediário entre a covardia e a temeridade. A moderação é um intermédio entre a apatia e a excessiva vontade e a generosidade é o equilíbrio entre a avarícia e a prodigalidade.

A justiça (dikaiosune), para Aristóteles, é a virtude mais importante para a vida em comum. Em tanto que distributiva, ela cuida de distribuir os bens justamente; em tanto que corretiva, ela compensa os danos ou os prejuízos sofridos por alguém. Uma virtude essencial é, também, a amizade. Graças a ela, o homem experimenta a passagem dos interesses individuais àqueles que constituem a comunidade.

A ética aristotélica, contrariamente à platônica, é uma moral concreta da liberdade e da diferença entre os homens da cidade. Ela define um espaço de discussão, que deve permitir chegar a um bem soberano, que não é transcendente (como em Platão), nem imposto desde cima por algum sábio. O bem soberano aristotélico nasce exclusivamente do contato entre os homens livres.

No que tange à ordem política, diferentemente de Platão (que privilegiava o modelo aristocrático), ela é variada, para Aristóteles, podendo ser de três tipos: realeza (cuja degeneração é a tirania), aristocracia (cuja corrupção é a oligarquia) e politéia ou governo do povo, (cuja degeneração é constituída pela democracia). Contrariamente a Platão, que no relativo ao conhecimento racional da realidade política dava prelação à Ideia sobre os conhecimentos empíricos, Aristóteles privilegia estes últimos. Nesse terreno, o filósofo de Estagira realizou estudos comparados, tendo chegado a identificar 158 formas de organização ou de constituição política. Desses estudos somente nos restou o escrito intitulado: Constituição de Atenas.

Platão concebia uma visão ideal da política, ao passo que Aristóteles concebe uma ideia possível. Ele é partidário de um realismo político. Na obra Política, frisa o Estagirita: “Deve-se, efetivamente, examinar não somente o melhor regime político, mas também aquele que é simplesmente possível”. Contrariamente a Platão, para quem os homens ingressavam no Estado em decorrência das suas fraquezas, Aristóteles considera que os homens procuram a ordem política, movidos pela sua natureza sociável. A respeito escreve: “O homem é por natureza um animal político”: anthopos fusei zoon politikon.

A linguagem é um signo de que o homem não está destinado unicamente à simples sobrevivência, mas a viver numa comunidade que deve chegar a acordos acerca do útil, do bom e do justo. Como Platão, Aristóteles considera que a tarefa do Estado consiste em possibilitar a realização ética dos cidadãos. No entanto, enquanto o mestre de Aristóteles, Platão, considerava que a questão ética consistia em partir para um processo de catarse, a fim de o homem voltar à contemplação pura das Ideias no reino do Sumo Bem, para o Estagirita essa realização consiste em algo muito mais singelo e terreno: o amor da vida feliz e boa. É somente no seio do Estado que se pode desenvolver perfeitamente a virtude do indivíduo.

O Estado, para Aristóteles, se forma a partir de um conjunto de comunidades que vão se alargando. A propósito, frisa: “Na origem, existe a comunidade de duas pessoas (homem e mulher, pai e filho, amo e servo). Estes, juntos, constituem a família, a partir da qual, a seguir, constitui-se a aldeia e por fim a cidade (polis), que é o reagrupamento de várias aldeias”. É somente a partir da cidade que é garantida a autarquia (ou seja, o fato de se garantir, a si próprio, a independência e a autossuficiência).

O princípio formal da polis, para Aristóteles, é a constituição. A respeito frisa Aristóteles: “A cidade é uma espécie de comunidade e uma participação comum dos cidadãos no governo”. O filósofo divide as formas de constituição em três “tipos justos” (realeza, aristocracia, politéia). O critério de classificação é o número dos que participam do poder político: um, alguns, todos.

É boa a forma de governo que serve ao bem-estar geral; é ruim aquela que somente persegue os interesses dos que mandam. Aristóteles, não prefere, de entrada, uma das três formas de organização da polis mencionadas. Considera, contudo, que a mais realizável e a mais estável é a politéia (ou democracia moderada). É uma forma que mistura as vantagens das outras constituições e que realiza o princípio formulado na Ética, da virtude como justo meio entre os extremos. A propósito, Aristóteles escreve: “A melhor comunidade política é aquela que constitui a classe média (…). O seu predomínio restabelece o equilíbrio da balança e impede a aparição dos excessos contrários”.

Da análise histórica Aristóteles conclui que a melhor forma política, em cada caso, é aquela que melhor convém ao país e às necessidades dos cidadãos. Em relação à questão da ordem interior do Estado, Aristóteles considera que é necessário preservar a família e a propriedade privada. Segundo Aristóteles, a família é ainda mais elementar que a aldeia e esta é mais elementar que o Estado ou a polis.  A família deve ser privilegiada em tanto que base da ordem natural da sociedade, mesmo se o Estado joga um papel essencial na educação da juventude. Em relação à propriedade privada, Aristóteles considera que “a propriedade deve ser privada, mas o seu uso deve ser comum”. Nestes aspectos, certamente, o Estagirita se distancia dos ensinamentos do seu mestre Platão.

No que tange à estrutura interna da sociedade, Aristóteles reconhece, além da escravatura, a desigualdade natural entre homens e mulheres. Tanto uma quanto outra são “condições naturais” da vida humana. Mas, entre os homens livres, deve reinar a igualdade. Seria necessária, contudo, a influência do Cristianismo sobre o pensamento grego para que esta visão se ampliasse até levar em consideração todos os seres humanos, não apenas os pertencentes à sociedade ateniense.

Em boa hora Alessandro Barreta Garcia retoma a obra de Aristóteles para fundamentar, nela, a prática da educação física. Aristóteles, efetivamente, enriquecido pela tradição judaico-cristã, passou a ser referência nas filosofias da educação desde a Idade Média, sendo a síntese efetivada por São Tomás de Aquino, no século XIII, manifestação dessa riqueza doutrinária, ensejando uma tradição humanística que vem até os dias de hoje. A volta a essa tradição humanística é o marco assinalado pelo autor na sua obra e pode, no conturbado mundo de hoje, ser fonte de renovação para o ensino da educação física, retomando um elo esquecido pelas esquerdas brasileiras nas últimas décadas.

Londrina, 31 de Agosto de 2013

Ficha Técnica

ISBN:9788581487441
Autor:Alessandro Barreta Garcia
Editora:Paco Editorial
Edição:1ª Edição
Área:Educação Física
Idioma:Português
Data de Publicação:Março/2015
Número de Páginas:116 Páginas
Acabamento:Brochura
Tamanho:14x21cm

Link do livro: http://www.pacolivros.com.br/Educacao-Fisica-e-Regime-Militar/prod-3756664/

Alessandro Barreta Garcia é mestre em Educação pela Universidade Nove de Julho. Possui Licenciatura e Bacharelado em Educação Física pela Universidade Nove de Julho. É autor dos livros: Educação grega e jogos olímpicos e Aristóteles nos manuais de história da educação.  Suas pesquisas relacionam conhecimentos da Antropologia, História do Brasil, História da Educação, Filosofia e História da Educação Física.

Página oficial do livro:

Educação Física e Regime Militar: Uma Guerra Contra o Marxismo Cultural

https://www.facebook.com/pages/Educa%C3%A7%C3%A3o-f%C3%ADsica-e-regime-militar-uma-guerra-contra-o-marxismo-cultural/316663585185993?ref=hl

Pisoteando o professor e “investindo” mais em educação

Este texto foi publicado originalmente no blog Mundo Analista. Para lê-lo no blog original, clique aqui.

controle aversivo na sala de aulaVamos falar sobre educação no Brasil? Vamos.

Em 99,99% das vezes em que ouço um candidato à vereador, deputado, governador, senador ou presidente falando sobre sua proposta para melhorar a educação pública (que é uma vergonha nesse país), a ideia do desgraçado é: “Vamos investir mais”. E o pior é que a maioria esmagadora do povo compra esse discurso, achando realmente que quanto mais dinheiro o governo gastar com educação, mais ela irá melhorar.

Ah, meu amigo, você precisa entender uma coisa: falta de investimento em educação não é problema nesse país. Sabe o que é problema? Vou citar um deles. É problema o professor não ser valorizado. E eu NÃO estou falando de salário. Pare de pensar em dinheiro por alguns minutos! Quando falo em valorização, falo de o professor ser uma figura que inspira respeito, de ser alguém que tem voz dentro e fora de sala, de ser alguém contra o qual a sociedade pensaria mil vezes antes de levantar a voz ou a mão.

Infelizmente, o professor hoje não é mais nada disso. Alunos podem gritar contra ele, xingá-lo, cuspi-lo, esmurrá-lo e nada acontece. Ele não é ouvido na sala, não é ouvido na direção do colégio, não é ouvido no governo, não é ouvido em lugar nenhum!

Preste atenção, amigo! Estamos vivendo em um contexto no qual se o professor dá bronca em um aluno abusado e/ou vagabundo, o pai vem ao colégio e desce o cacete – pasmem – no professor! Mete-lhe até um processo! E se o professor reprova um aluno abusado e/ou vagabundo, a direção vem cobrar-lhe, alertando que o governo não quer reprovações, que isso não é bom para a escola e eteceteras.

Amigo, atente para isso: o aluno pinta e borda um ano inteiro, ou até mais, incendiando lata de lixo, quebrando cadeiras, fazendo ameaças, arrumando brigas, praticando bullying, dormindo em aulas, tirando notas horrorosas, fazendo ameaças ao professor e o cacete A4… e o professor não tem voz nenhuma para dizer: “Nesta escola ele não coloca mais o pé”. Não, não. O aluno é intocável e permanecerá na escola até quando o Estado quiser.

O professor virou capacho, bobo da corte, palhaço. Virou mais: virou refém. Refém dos alunos (um bando de adolescentes sem limites), refém dos pais desses alunos (em boa parte mimadores ou indiferentes ao que o filho faz), da direção do colégio (muitas vezes cabrestos de emprego de políticos) e do governo. O professor, aquele que está diretamente com os alunos, aquele que enfrenta direta e diariamente a função educativa, aquele que divide com os pais a responsabilidade formar cidadãos, não pode fazer mais nada. Ele se tornou a voz mais desprezada, despeitada, ignorada. Ele agora é mero figurante e deve dar lugar ao brilho do Estado, obedecendo aos mandos e desmandos de alunos rebeldes, pais insolentes, diretores imbecis, conselhos tutelares coniventes e políticos que tratam professores como cachorros.

Onde está o zelo por este profissional?!?!? Onde está o respeito, a sujeição e o temor?

Ah, meus amigos, enquanto o professor não tiver de volta sua autoridade e voz, a educação não mudará.

Querem uma educação melhor? Lutem para que os professores se tornem tão importantes quanto juízes de direito. Lutem para que professores sejam os primeiros consultados por diretores, conselhos tutelares e políticos antes de tomarem qualquer decisão. Lutem para que o professor não seja obrigado a dar aulas para quem debocha de sua cara, para quem não tem o mínimo interesse de estudar, para quem é bandido! Lutem para que o aluno que agrida um professor seja expulso da escola, considerado um criminoso e preso. Lutem para que o professor volte a ser visto e tratado como mestre!

Essas coisas não dependem de mais investimentos. Dependem de bom senso. Pare de pensar um pouco em dinheiro. A valorização se inicia pela moral e não pelo salário. O professor não terá um bom salário enquanto não tiver voz e moral dentro e fora de sala.

Vocês entenderam? Vocês prometem não mais ignorar a terrível desmoralização do professor que se instaurou nesse país? Essa mensagem é para você, amigo ludibriado, que tem caído nesse discurso de “investir mais”, enquanto o professor é pisoteado. Agora você sabe pelo que deve lutar. Essa mensagem também é para você, esquerdista revolucionário revoltado, que adora botar mais dinheiro na mão do governo e passar a mão na cabeça de homens e adolescentes de mal caráter, enquanto ferra a vida de quem é honesto. Se você acha que dá para mudar a educação gastando mais dinheiro de nossos impostos (para encher bolso de político) e pisando diariamente na dignidade do professor, sinto dizer, mas você está compactuando com um crime. E se você continuar insistindo nisso depois desse post, eu o considerarei um criminoso.

Professores do Brasil, lutai por vossa valorização!

Sem mais.

As contradições dos discursos da esquerda

Este texto também pode ser encontrado na página Mundo Analista. Clique aqui para lê-lo.

contradiçãoQuanto mais eu observo a esquerda política e procuro entender o seu modo de pensar, mais eu descubro contradições em seus discursos. E eu não sou o tipo de pessoa que procura ridicularizar aquilo que não conhece. Um bom argumento realmente tem poder para me fazer parar, refletir e cogitar a hipótese de que ele esteja correto. Diversas vezes já fiz isso. Contudo, a esquerda política se supera na formulação de discursos contraditórios, o que torna a cada dia mais remota a possibilidade de eu me tornar esquerdista. Resolvi fazer um apanhado dos principais deles.

Um dos discursos mais importantes para a esquerda é o de que a desigualdade política e econômica, a discriminação, os assaltos, os roubos, enfim, a maldade, tem suas causas em fatores externos ao ser humano. A esquerda surgiu com este pressuposto. Para ela, não é o homem que é ruim em sua essência, mas é a sociedade que está desestruturada e que, por isso, corrompe a essência do homem. É claro que vão existir esquerdistas mais moderados ou de viés religioso, que não compram totalmente esta ideia. Eles vão entender que há certa inclinação do ser humano à maldade, mas que a sociedade tem mais culpa na maldade do que o tem a natureza humana. Também crerão que uma mudança na sociedade pode reverter este quadro, a ponto de praticamente anular essa natureza humana falha. Em resumo, para a esquerda, somos fruto do meio. O meio nos molda, tanto para o bem, quanto para o mal. O meio tem influencia praticamente total em nossa personalidade, nossas tomadas de decisões e nossas escolhas.

Entretanto, a mesma esquerda apresenta um discurso totalmente contrário quando se coloca a defender a concepção de homossexualismo como uma inerência biológica de certas pessoas. Neste discurso, o esquerdista dirá que o homossexualismo não é uma escolha. “Ninguém escolhe ser homossexual. Você nasce assim”, dirá a esquerda. A ideia deste discurso é impedir que homossexualismo possa ser tão criticável como é qualquer escolha (como a de ser cristão, de ser budista, de fazer tricô, ou de jogar bola aos domingos). Ao colocar o homossexualismo como uma inerência biológica de um ser, qualquer um que o critique será comparado a alguém que critica um negro por ser negro, ou um cego por ter nascido cego.

O leitor percebe a contradição? Para defender reformas sociais, a esquerda interpreta o homem como fruto do meio, o que o possibilita mudar o destino do mundo. Mas para transformar o homossexualismo em algo incriticável, ela interpreta o homem como escravo de sua natureza, o que o impossibilita de mudar a si próprio. Uma ideia refuta a outra. Se o homem é fruto do meio, o homossexualismo é uma escolha influenciada por fatores externos e que pode ser mudada mediante uma reforma na sociedade. Se o homem é escravo de sua natureza, então não é possível reformar a sociedade, pois sempre haverá homens maus.

Vamos ver outra contradição. Recentemente uma onda de protestos feministas se iniciou na internet por conta de uma pesquisa feita pelo IPEA. A pesquisa “revelou” que a maioria dos brasileiros acredita que uma mulher que se veste indecentemente merece ser estuprada. A pesquisa foi uma verdadeira vergonha por conter grotescos erros metodológicos (como a formulação de perguntas ambíguas e tendenciosas) e por ter confundido os gráficos, errando as porcentagens da pesquisa. No entanto, ela serviu mesmo assim para levar as feministas a postarem fotos nas redes sociais (muitas vezes seminuas) com as palavras “Eu não mereço ser estuprada” e bradando que a culpa do estupro não é da roupa que a mulher usa, mas do estuprador.

Eu concordo perfeitamente que a culpa do estupro é do estuprador. Mas perceba que esse discurso, que é um discurso de esquerda (que pretende fortalecer o feminismo e apontar para os conservadores e religiosos como os defensores da ideia de que “a mulher indecente merece ser estuprada”, a fim de minar o conservadorismo, a religião e a família tradicional), contradiz o discurso esquerdista de que um homem e, sobretudo, um menor de idade, se torna marginal por causa das mazelas sociais. Esse discurso surge diretamente da ideia do homem bom por natureza, mas corrompido pelo meio. Se o homem é bom por natureza, mas corrompido pelo meio, a culpa de ter se tornado marginal é do meio e não dele. Isso inclui principalmente o menor de idade, que ainda está se desenvolvendo.

É por isso que a esquerda não defende a prisão de menores que cometem crimes (mesmo crimes hediondos) e deseja o abrandamento máximo das punições para criminosos já maiores de idade. Em outras palavras, quando você é assaltado ou agredido por um marginal que nasceu em lugar pobre e repleto de crimes, a culpa do assalto não é dele; tampouco é culpa dele o fato de ele ter se tornado criminoso. Logo, proteger o cidadão desse criminoso (o que, na prática, significa puni-lo com o isolamento da sociedade) é algo desnecessário e ultrajante. Não é o cidadão que precisa ser protegido. É o criminoso que precisa ser reeducado, amado, tratado, recuperado. A prioridade é o criminoso, pois ele não é o culpado, mas sim a sociedade, o meio em que ele cresceu. E se a vítima se opõe a este pensamento de priorizar o criminoso, ela automaticamente se torna culpada pelo crime que sofreu, pois ela é uma das pessoas que não prioriza a reeducação do criminoso e que ainda coloca em suas costas a culpa de um crime que, na verdade, é da sociedade.

O leitor percebeu a contradição? Em um discurso, o estuprador é o culpado pelo crime que cometeu e não a vítima. Em outro discurso, o criminoso que nasceu pobre e em lugar violento, não é culpado pelos crimes que cometeu – a culpa é da sociedade, o que inclui todas as vítimas que discordam disso. Um discurso anula o outro. Se a culpa é individual, então tanto o estuprador quanto qualquer criminoso que nasceu em lugar ruim são igualmente culpados por seus crimes. Se a culpa é da sociedade, então tanto o estuprador quanto o criminoso que nasceu em lugar ruim são inocentes. Neste segundo caso, as vítimas podem ter sua parcela de culpa no crime por contribuírem, de alguma forma, para chamar a atenção do “criminoso” ou para moldar o pensamento do meio em que ele nasceu.

Ainda falando sobre estupro, outra contradição: Foi até o programa “Altas Horas”, do apresentador Serginho Grosman, uma das líderes do movimento nas redes sociais “Eu não mereço ser estuprada”. Em dado momento ela disse que, por causa do movimento que iniciou, tem recebido várias ameaças de estupro. Ela disse ainda que achava impressionante que a maioria dos que faziam ameaças eram adolescentes. Em suas palavras: “Eles acham o estupro algo engraçado e ficam brincando com isso. Mas isso não é engraçado”.

Aqui, mais uma vez, há uma contradição de discursos esquerdistas. Porque a mesma esquerda que dá uma de moralista, dizendo que o assunto estupro não deve ser tratado com irreverência, displicência e leviandade (como se fosse algo normal e engraçado) incentiva os adolescentes a encararem o sexo como irreverência, displicência e leviandade, fazendo a relação sexual se tornar mero passatempo de criança, que pode ser feito com quem quiser, em qualquer lugar, e que não há problema em se fazer piadas pesadas e sujas com o assunto.

A mesma esquerda quer que a educação sexual seja ensinada nas escolas para crianças pequenas. A mesma esquerda não vê problema algum em que crianças vejam pornografia e sejam estimuladas a pensar, falar e fazer sexo desde a mais tenra idade. É ela que fala sobre revolução sexual, sobre quebrar todos os tabus (o que significa, na prática, “dar pra todo mundo” e incentivar isso) e quer destruir a ideia de sexo como o selo de um matrimônio, como a união mais intensa entre o homem e uma mulher e que, por isso, precisa estar acompanhada de uma união igualmente intensa nas áreas mental, emocional e espiritual. É ela que faz do sexo algo tão corriqueiro como apertar a mão de um conhecido, por exemplo. É ela que vê com bons olhos os chamados “funks proibidões”, que são funks que exaltam a imoralidade sexual (o adultério, a poligamia, o bacanal, a sedução de menores, volubilidade) e tratam o assunto como algo engraçado. Para a esquerda, isso é expressão cultural. É a expressão da realidade do morro e das periferias. É bom. É bonito. É saudável.

Eu me pergunto: como é que essa esquerda imoral, que quer criar uma cultura de perversão sexual, pode reclamar que os adolescentes tratam a questão do estupro como algo engraçado e normal? Isso contraditório! É contraditório incentivar imoralidade e depois vir com um discurso moralista desses.

Mais uma contradição envolvendo a questão do estupro: se a culpa do estupro é do estuprador, por que não se pune esses desgraçados com rigor? Por que a esquerda não cria leis que inviabilizem a vida de estupradores e pedófilos? É por que a mesma esquerda que coloca a culpa no estuprador, não quer tornar as leis mais rígidas. E não quer fazer isso porque considera que o criminoso comete crimes por causa do meio. Mas se o criminoso comete crimes por culpa do meio, como o estuprador pode ser culpado pelo estupro? E se ele é culpado pelo estupro, como se pode defender leis brandas para criminosos?

As contradições não param por aí. Vamos falar sobre filhos. A esquerda gosta de acusar a direita de dar aos seus filhos uma educação bruta, sem amor, retrógrada. Por isso, gosta de enfatizar que nunca, jamais, devemos bater em nossos filhos quando eles nos desobedecem, mas apenas conversar com eles. Para a esquerda, isso é educar com amor. No entanto, a mesma esquerda discursa a favor do aborto, argumentando que “a mulher é dona do seu próprio corpo” (mais uma vez o maldito feminismo). Em outras palavras, ela não leva em consideração que existe um ser vivo dentro do corpo da mulher grávida, um ser humano, uma criança, um filho. A vida da criança não interessa, mas apenas a vontade da mãe de abortar. É esse o amor que os esquerdistas pregam?

Liberdades individuais. A esquerda gosta de se colocar como a verdadeira defensora das liberdades individuais. Por isso, é favorável a ideias como a liberalização das drogas e a liberalização do aborto. Essas ideias trazem, evidentemente, prejuízos diretos para terceiros, mas a esquerda vê como direitos individuais. No entanto, a mesma esquerda não acha que um homem tenha o direito de ter suas terras (a defesa das invasões do MST e da reforma agrária nada mais é do que dizer: “Você não tem direito a essas terras e nós vamos tomá-las contra sua vontade), de comprar uma arma para se defender, de abrir e gerir uma empresa sem imensas dificuldades burocráticas ou de não financiar, com seus impostos, empresas e serviços públicos ineficientes. Aliás, para a esquerda, um homem também não tem direito de educar seu filho como deseja. Ele precisa rezar a cartilha do politicamente correto.

Corrupção cristã. A esquerda brada contra corrupções no cristianismo. Ela deseja ensinar que o cristianismo é um comércio e que os pastores são ladrões, e faz pressão para que as igrejas paguem impostos. O roubo de dízimos e ofertas é um ultraje para a esquerda e precisa ser evitado. No entanto, dízimos e ofertas dão quem quer. Nenhum esquerdista é obrigado a dizimar ou ofertar. Na verdade, dentro da lei civil, ninguém é obrigado a dar dízimo ou oferta a igrejas. Isso é uma prática que se restringe a quem quer seguir a religião. Então, a esquerda não tem absolutamente nada a ver com isso.

Agora, todos os cidadãos são obrigados a pagar impostos. Altos impostos. Muitos impostos. E impostos que não são bem utilizados pelo governo. Isso sim é um problema que afeta a todos. Mas a mesma esquerda que brada contra o roubo de dízimos e ofertas que ela nem sequer tem obrigação de dar, apóia o aumento de impostos sobre todos os cidadãos para financiar mais empresas e serviços ineficientes do governo e permitir que mais verbas sejam roubadas por governantes. Isso não só é contraditório como desonesto. Aliás, o imposto que a esquerda quer que a igreja pague também será roubado por governantes. Em outras palavras, a esquerda não está interessada em ajudar os cristãos a não serem roubados. Ela está interessada em passar a riqueza dos pastores ladrões para os políticos ladrões.

Opressão cristã. A esquerda adora falar sobre a opressão cristã. Ela afirma que o cristianismo é uma religião que cria preconceitos contra a mulher e o homossexual, que nos reprime sexualmente, que cria uma moral burguesa hipócrita e etc. É claro que o esquerdista que é cristão ameniza essa ideia para poder conciliar sua religião e sua posição política. Mas a esquerda surgiu do pensamento iluminista anticristão e sempre se destacou por criticar o cristianismo. Por isso, os países de maioria cristã são severamente criticados pela esquerda, por seu moralismo, sua defesa das tradições e sua “opressão” religiosa. Curiosamente, a mesma esquerda costuma a adotar um discurso favorável aos países de maioria islâmica ou, no mínimo, um discurso com críticas muito brandas e raras. A impressão que fica é que o cristianismo e os países de maioria cristã são mais opressores que o islamismo e os países de maioria islâmica. Mas são justamente nos países islâmicos que mais vemos abuso dos direitos humanos. Agressões físicas a mulheres e homossexuais não só fazem parte da normalidade como recebem autorização legal. Aliás, o homossexualismo é considerado crime punido com a morte em muitos desses países.

Guerras. A esquerda adora posar de defensora da paz. Ela brada contra as guerras feitas a países islâmicos e países comunistas, ao longo da história. Também não gosto de guerras. E acho que muitas delas poderiam ter sido evitadas. Mas a mesma esquerda que condena as guerras contra os países que ela defende, não vê problema algum em guerras, violência e assassinatos contra aqueles que ela entende como inimigos. No Brasil, por exemplo, algumas dezenas de pessoas foram mortas por ataques de terroristas de extrema-esquerda na época do regime militar. Em todos os países comunistas somados, milhões de pessoas morreram por inanição forçada e por repressão do regime. Milhares de pessoas morrem todos os anos em países islâmicos também por causa do autoritarismo dos mesmos. As FARC, da Colômbia (que é criação da esquerda), e todas as facções criminosas do Brasil, como CV, ADA e PCC (cujos integrantes não tem culpa de seus crimes, mas são vítimas da sociedade, segundo a esquerda) matam centenas de pessoas todos os anos. Esses assassinatos, porém, não são considerados nos discursos da esquerda.

O leitor pode estar pensando que eu sou um daqueles idealistas que joga a culpa de todo o mal do mundo na esquerda e que acha que a direita é perfeita. Mas não é verdade. Eu reconheço que a direita cometeu muitos erros ao longo da história e que continuará cometendo. Também não acho que a esquerda deve ser retirada do jogo democrático. Uma democracia, para funcionar, precisa ter tanto esquerda como direita. E eu sou capaz de dizer que ambas podem contribuir para a melhora de problemas sociais. Agora, que a esquerda tem discursos contraditórios, isso é fato incontestável. Um esquerdista não é obrigado a comprar essas contradições. Ele pode escolher apenas os discursos de esquerda que se complementam, a fim de ter coerência. Mas isso dificilmente acontece. E esse mais um dos motivos que me fazem não querer ser um esquerdista.

_______________________________

Observação: Esta é página de direita que preza pela pluralidade de ideias direitistas e que é escrito por diferentes articulistas. Em outras palavras, aqui você encontrará textos mais liberais e textos mais conservadores. Este texto é obra de um articulista que se identifica mais com o conservadorismo. Se você discorda de algumas das ideias aqui descritas, não deixe de seguir a página por isso. Há direitistas mais liberais, que flertam, inclusive, com o libertarianismo.

Dez coisas que você pode fazer para mudar a educação no Brasil

Texto também publicado no blog “Mundo Analista“. Para ler o original, clique aqui.

mi casa es mi escuela2

Você quer mudar a educação no Brasil? Então, comece ensinando ao seu filho algumas coisas que é obrigação sua (e apenas sua) ensinar:

1) Ensine-o a gostar de ler. Ninguém nasce gostando de leitura. Ler é um hábito que se adquire. E é raro alguém ganhar esse hábito sozinho. Note uma coisa: não é necessário que você tenha hábito da leitura para ensinar seu filho a tê-lo. Uma conhecida minha certa vez me disse que não aprendeu a gostar de ler porque meus pais não lhe ensinaram isso. Por isso hoje ela tem preguiça. Mas tendo consciência de que isso é importante, ela ensina sua filha a ter esse hábito. Não me admira que a garota adore livros. E estamos falando de uma menina que não tem nem sete anos de idade.

Desenvolver o hábito da leitura em seu filho é o melhor presente que você pode dar a ele em termos de educação. É o hábito da leitura que expandirá sua mente, o dará capacidade de interpretação e raciocínio e o fará uma pessoa crítica. Ao ensinar seu filho a ler, você não está apenas ajudando-o na compreensão da língua portuguesa. Está ajudando-o na compreensão de todas as matérias. Está ajudando-o na compreensão do mundo.

Não sei se você conhece a história do médico neurocirurgião Ben Carson. Este homem, quando criança, chegou a ser o pior aluno de sua turma. Era um negro, de uma família muito pobre e sem estrutura. Sua mãe trabalhava o dia inteiro para conseguir sustentar a ele e seu irmão. Vendo que seu filho era considerado burro até por seus colegas, tratou de ensiná-lo o hábito de ler. Resultado: ele se tornou o primeiro neurocirurgião a separar gêmeos siameses mantendo os dois vivos. A leitura muda o destino das pessoas. Se você não ensina seu filho a gostar de ler, você é um dos culpados da educação no Brasil estar esta bosta.

2) Ensine bons modos ao seu filho. Há quarenta anos atrás um pai de família raramente falava palavrões na frente dos filhos. E se um filho proferisse um xingamento, tomava umas palmadas. Hoje em dia os próprios pais xingam os filhos. Há quarenta anos atrás era raríssimo um aluno responder a um professor. Hoje os alunos xingam e até batem em professores. Se você não ensina ao seu filho que não se deve responder aos mais velhos, se você o xinga (ou xinga as pessoas na frente dele), se você não dá umas palmadas no seu filho quando ele age sem bons modos, você é um idiota e a educação no Brasil está bosta por sua culpa também.

3) Provavelmente você acredita em Deus. A maioria das pessoas desse país acredita. Não importando se você é cristão, judeu, islâmico, espírita, deísta e etc., ensine seu filho a ter respeito por Deus. Faça-o entender que Deus é o Justo Juiz e que Ele vai julgar tanto o bem quanto o mal que homens fazem nesta terra. Faça-o entender também que esse mesmo Deus ama o ser humano e que, por isso, devemos amar-nos uns aos outros. Já dizia Salomão: “Respeite a Deus e guarda os seus mandamentos, porque isto é o dever de todo o homem” (Eclesiastes 12:13).

Se você é ateu ou agnóstico, da mesma maneira, ensine seu filho a ter respeito por Deus, não como um ser (já que você não acredita), mas como uma crença respeitável. Jamais houve na história do mundo uma civilização que não tivesse algum tipo de crença em uma realidade superior. E durante séculos homens brilhantes creram nessa realidade e ofereceram boas razões para suas crenças. Então, não vá ensinar seu filho a ser intolerante. Aliás, crente ou descrente, ensine seu filho a respeitar as opiniões alheias e ser humilde para aprender delas. Se você não faz isso também é um dos culpados pela educação do Brasil estar uma bosta.

4) Não incentive seu filho a gostar de músicas idiotas. A música tem um poder incrível de mexer com seu intelecto, para o bem ou para o mal. Então, faça-o prezar por letras inteligentes e ritmos que não sejam extremamente repetitivos.

5) Não incentive seu filho a ser um pervertido sexual. Que este assunto NÃO seja tratado com leviandade diante do seu filho. Não deixe que seu filho aprenda a ficar fazendo piadinhas com sexo. As coisas realmente importantes devem ser tratadas como coisas realmente importantes. Ensine seu filho a ver o sexo não como uma diversão de fim de semana, mas como a união física máxima entre um homem e uma mulher, união esta que não deve estar separada da união sentimental, emocional, mental e espiritual do casal. E que não seja incentivada a prática do sexo em idade tenra. Sexo é para adultos. Criança precisa primeiro aprender amar as pessoas e usar as coisas.

6) Ensine seu filho a valorizar a família. Mesmo que a sua família tenha sido péssima e que a família que você deu ao seu filho também o seja. Você sabe mais que ninguém o estrago que uma família desestruturada faz na vida de um filho. Então, não permita que seu filho forme uma família desestruturada também. Que ele aprenda que casamento é coisa séria, um passo que só deve ser dado depois de muita reflexão e tempo com a pessoa amada. Que ele aprenda que casamento é feito de perdão, renúncia, paciência e compreensão. Que ele aprenda que filho é o mais valioso bem que temos nesta terra e que devemos arrumar tempo para cuidar dele.

7) Dê tempo ao seu filho. Converse, brinque, ouça, dê conselhos, saia com ele. Seu filho precisa muito mais de sua presença do que de presentes. E não o deixe solto por aí. Se você não faz isso, saiba que ele aprenderá o que não presta com quem dá a ele o que você não o dá: tempo.

8) Ensine a ele que as pessoas não são objetos e que, por isso, ele não deve vê-las como tal. Que ele valorize a vida de cada indivíduo e seja incapaz de usar uma pessoa para o seu próprio prazer.

9) Ensine-o o valor do estudo e do trabalho. Tanto uma como outra coisa dignificam o homem. Já a preguiça, destrói a alma do indivíduo e a corrói a sociedade.

10) Finalmente, ensine seu filho a ser um bom homem. Mas deixe claro que ser um bom homem não o fará superior aos outros seres humanos, pois todo mundo erra, ninguém é perfeito. Para usar uma terminologia religiosa, todos somos pecadores. Faça-o entender que procurar ser uma boa pessoa não é um mérito, mas uma obrigação. Isso criará nele um bom caráter e humildade.

Se você não ensina estas coisas ao seu filho, você é o primeiro culpado pela desgraça que está nossa educação. Nosso governo também pode ser uma bosta, mas tenha em mente que não podemos resolver todos os problemas do mundo com soluções políticas e econômicas. Há coisas que se resolvem em casa. A educação, pelo menos em parte, é uma delas. Não delegue suas obrigações ao governo. Ele já não cumpre as dele. Não cumprirá as suas, certamente.