O cristão pode usar armas de fogo, reagir e se proteger?

Texto originalmente publicado no blog “Reação Adventista“. Para ler na página original, clique aqui

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Alguns cristãos acreditam que seria errado buscar a autoproteção e reagir à agressões físicas, principalmente utilizando armas de fogo. Um dos textos utilizados para se defender essa concepção passiva em relação à agressões está em Mateus 5:39-41. Nesse texto, Jesus afirma: “Mas eu lhes digo: Não resistam ao perverso. Se alguém o ferir na face direita, ofereça-lhe também a outra. E se alguém quiser processá-lo e tirar-lhe a túnica, deixe que leve também a capa. Se alguém o forçar a caminhar com ele uma milha, vá com ele duas”.

Bom, se Jesus foi literal ao dizer estas palavras, devemos considerar que elas se estendem para todo e qualquer tipo de agressão sofrida. Isso quer dizer que, embora Jesus tenha dado apenas três exemplos, devemos aplicar o pensamento a outros. Sendo assim, segue-se que: (1) Se alguém vier com um pedaço de pau, te der uma cacetada na cabeça e você não desmaiar, ofereça o outro lado da cabeça também; (2) Se alguém vier com um caco de vidro e te cegar um olho, ofereça o outro olho também; (3) Se você é uma menina e um rapaz vem te beijar à força, ofereça outro beijo; (4) Se uma pessoa do seu mesmo sexo que você quiser te beijar à força, também deixe e ofereça outro beijo; (5) Se um estuprador quiser te violentar…

Como fica claro, interpretar as palavras de Jesus como sendo literais traz implicações nefastas. E essas implicações não parecem possuir qualquer ligação com os preceitos cristãos, tampouco possuem alguma utilidade racional. Ao contrário, quando interpretamos Mateus 5:39-41, estamos dizendo que os cristãos devem assumir uma postura de covardia e desvalorização da própria vida, o que não são virtudes cristãs. O cristão, como criatura de Deus, deve zelar por sua vida, a qual não pertence a si mesmo, mas é um dom de Deus. Deve ainda cultivar a coragem em todos os sentidos, já que a própria Palavra ensina que de fora do céu ficarão os covardes (Ap. 21:8). Ser corajoso, no sentido cristão, é não permitir que o medo nos paralise e nos impeça de fazer nossas obrigações. Isso inclui, evidentemente, a obrigação de proteger nosso corpo, nossa saúde, nossa vida, bem como nossa família, nosso próximo e nossos bens (sim, os bens, já que eles também provém de Deus).

Alguém poderá argumentar aqui que os mártires entregaram seus corpos e suas vidas em nome de Cristo e que, portanto, não seria correto tomar uma atitude de proteção da própria vida. Talvez até me citem Mateus 16:25: “Pois quem quiser salvar a sua vida, a perderá, mas quem perder a vida por minha causa, a encontrará”. A argumentação não é válida. Em primeiro lugar, porque eu não estabeleci a autoproteção como princípio máximo. Há ocasiões em que o sacrifício do próprio corpo ou da própria vida será necessário a fim de alcançar um bem maior. A autoproteção vigora como princípio básico apenas enquanto não há nada mais importante que a sua própria vida em jogo. No momento em que sua vida se torna secundária em função de algo superior, o sacrifício não só é permitido como é a cosia certa a se fazer. Num caso desse, negar a sua vida torna-se egoísmo. Essa é, aliás, a argumentação que faz G. K. Chesterton (grande pensador cristão) em um trecho de “Ortodoxia”, onde pontua a diferença entre um mártir e um suicida. Em um dos parágrafos ele afirma:

“O suicídio não só constitui um pecado, ele é o pecado. E o mal extremo e absoluto; a recusa de interessar-se pela existência; a recusa de fazer um juramento de lealdade à vida. O homem que mata um homem, mata um homem. O homem que se mata, mata todos os homens; no que lhe diz respeito, ele elimina o mundo”. Na sequencia, Chesterton continua enfatizando o quão hediondo é o suicidio e então confronta o suicidio com o martírio cristão:

“Obviamente um suicida é o oposto de um mártir. Um mártir é um homem que se preocupa tanto com alguma coisa fora dele que se esquece de sua vida pessoal. Um suicida é um homem que se preocupa tão pouco com tudo o que está fora dele que ele quer ver o fim de tudo. Um quer que alguma coisa comece; o outro, que tudo acabe. Em outras palavras, o mártir é nobre, exatamente porque (embora renuncie ao mundo ou execre toda a humanidade) ele confessa esse supremo laço com a vida; coloca o coração fora de si mesmo: morre para que alguma coisa viva. O suicida é ignóbil porque não tem esse vínculo com a existência: ele é meramente um destruidor. Espiritualmente, ele destrói o universo”.

Então, não, não existe contradição entre o principio da autoproteção e o martírio cristão. O que existe são ocasiões distintas. Há ocasiões em que o martírio suplanta a autoproteção porque o que está em jogo é algo mais importante que a vida. E o que seria mais importante que a nossa própria vida? A lealdade a Deus é o maior exemplo. A vida de um filho geralmente é colocada num patamar acima da autoproteção também. E há quem nobremente coloque sua proteção em risco em prol de pessoas doentes ou em situação de perigo. A isso se chama amar ao próximo. Parafraseando Chesterton, quem age dessa maneira está morrendo para que algo viva.

Infelizmente, às vezes a autoproteção implicará a morte do agressor. Mas não se trata aqui de um caso de assassinato. O mandamento de Deus proíbe o assassinato, que seria um homicídio por motivo torpe ou vingança. Mas Deus outorga o direito de tirar a vida de outro ser humano quando esta é a única maneira de sobreviver a um ataque do mesmo. Isso é legítima defesa. Aliás, abro parênteses para ressaltar que Deus também outorga o direito de tirar vidas ao Estado, quando determinada sociedade resolve que crimes hediondos devem ser punidos com a pena capital. Há quem pense que a pena de morte é proibida pela Bíblia. O fato, no entanto, é que a Bíblia joga essa questão para o âmbito civil, a ser resolvida pela sociedade. Não há qualquer condenação da pena capital nas Escrituras. No Antigo Testamento ela era prescrita na sociedade israelita para alguns crimes. E no Novo Testamento, as poucas passagens que mencionam o assunto, deixam claro que o assunto é de âmbito civil. Em Atos 25:11, por exemplo, Paulo afirma: “Contudo, se fiz qualquer mal ou pratiquei algum crime que mereça a pena de morte, estou pronto para morrer. Mas, se não são verdadeiras as acusações que me afrontam esses homens, ninguém tem o direito de me entregar a eles. Portanto, apelo para César!”. Já em Romanos 13:3-4: “Porque os magistrados não são para temor, quando se faz o bem, e sim quando se faz o mal. Queres tu não temer a autoridade? Faze o bem e terás louvor dela, visto que a autoridade é ministro de Deus para teu bem. Entretanto, se fizeres o mal, teme; porque não é sem motivo que ela traz a espada; pois é ministro de Deus, vingador, para castigar o que pratica o mal”. Em suma, ser contra ou a favor da pena de morte não é irrelevante no tocante à vida cristã, pois não é discussão de cunho religioso, mas civil. Os argumentos, portanto, devem ser de outra natureza que não teológica.

Mas voltando ao texto de Mateus 5, é importante ressaltar que Jesus costumava a usar analogias para enfatizar suas verdades. Algumas delas recorriam à imagens absurdas para impactar as pessoas. Por exemplo, em Mateus 5:29-30 lemos: “Se o teu olho direito te leva a pecar, arranca-o e lança-o fora de ti; pois te é mais proveitoso perder um dos teus membros do que todo o teu corpo ser lançado no inferno. E, se tua mão direita te fizer pecar, corta-a e atira-a para longe de ti; pois te é melhor que um dos teus membros se perca do que todo o teu corpo seja lançado no inferno”. É evidente que esse texto não é literal, pois a automutilação é um pecado. Jesus jamais a receitaria como método para vencer outro pecado. O que Jesus faz aqui é utilizar uma hipótese absurda para enfatizar que, na verdade, só há uma alternativa: abandonar o pecado. As analogias feitas por Jesus em Mateus 5:39-41 são do mesmo tipo; não devem ser entendidas literalmente. A essência do ensinamento de Jesus é bem clara e simples: não devemos procurar vingança pessoal contra as pessoas, mesmo que elas nos causem grandes danos.

Outro texto utilizado pelos cristãos defensores da passividade se encontra em Mateus 26:52, onde Pedro recebe uma advertência de Jesus ao tentar defendê-lo dos  soldados romanos no Jardim das Oliveiras: “Guarde a espada! Pois todos os que empunham a espada, pela espada morrerão”. Esse texto, inclusive, é o preferido de cristãos que acreditam ser um pecado possuir armas de fogo. O que se deve perceber aqui é que essa assertiva de Jesus não é um mandamento geral para todas as pessoas de todas as épocas em todas as situações. Na verdade, a assertiva de Jesus é bem mais específica para o contexto do que os cristãos passivos supõem. Vamos analisar.

Em primeiro lugar, a preocupação central de Jesus não é com o fato de que Pedro está armado, nem com o uso que o mesmo faz da arma para enfrentar o soldado que prendia Cristo. A preocupação central de Jesus está no fato de que Ele possuía uma missão clara e que não poderia ser frustrada: morrer pela humanidade. Em outras palavras, ele precisava se entregar. Qualquer pessoa que, naquele momento, intentasse salvá-lo estaria se tornando literalmente um obstáculo aos planos de Deus. O contexto do da própria passagem de Mateus deixa isso claro. Nos versos que se seguem Jesus afirma: “Acaso, pensas que não posso rogar ao meu Pai, e Ele me mandaria neste momento mais de doze legiões de anjos? Como, no entanto, se cumpririam as Escrituras, segundo as quais assim deve suceder?” (Mateus 26:53-54). Aqui Jesus deixa claro que está se deixando prender porque faz parte de sua missão. Cristo está literalmente dizendo: “Não quero sua ajuda, Pedro. Eu vim exatamente para isso”.

A mesma ideia é expressa de modo mais direto no evangelho de João. Ele relata o episódio da seguinte maneira: “Mas Jesus disse a Pedro: ‘Mete a espada na bainha; não beberei, porventura, o cálice que o Pai me deu?'” (João 18:11). Ou seja, a parte central da repreensão é que Pedro estava lutando contra os planos de Deus. O problema não estava no uso da espada, mas no momento, que era inoportuno. Marcos, ao narrar a mesma cena, sequer vê a necessidade de relatar a repreensão de Jesus feita a Pedro. Limita-se a descrever: “Nisto, um dos circunstantes, sacando da espada, feriu o servo do sumo sacerdote e cortou-lhe a orelha” (Marcos 14:47). Já Lucas resume a repreensão de Cristo na seguinte frase: “Mas Jesus acudiu, dizendo: ‘Deixai, basta’. E, tocando-lhe a orelha, o curou” (Lucas 22:51). Em suma, nenhum dos textos oferece qualquer margem para que Jesus estivesse fazendo uma teologia antirreação e antiarmas. Supor isso é forçar os textos a dizerem o que eles não dizem; enfatizar nos textos o que eles não enfatizam; deixar de lado o que realmente os escritores bíblicos querem chamar a atenção no evento narrado.

Em segundo lugar, quando Cristo afirma que “todos os que empunham a espada, pela espada morrerão”, deve-se ter em mente o contexto histórico da época. Israel vivia sob domínio do Império Romano, cujo poderio militar era incrivelmente grande. Roma tinha poder para massacrar qualquer grupo de rebeldes que desejasse. Se, portanto, os discípulos iniciassem seu ministério empunhando espadas por aí, rapidamente seriam vistos por Roma como rebeldes. Principalmente se esses discípulos viessem a matar algum soldado romano. O resultado disso seria, sem dúvida alguma, um rápido extermínio por parte do Império. As palavras de Jesus estavam, na verdade, traçando uma distinção entre a missão de um soldado e a missão de missionário. A missão do soldado é lutar fisicamente e o seu fim geralmente é a morte pelas próprias armas que utiliza. A missão do missionário, entretanto, era viajar por centenas de lugares pregando o evangelho. Longe de estar condenando a missão de um soldado, Jesus estava apenas enfatizando que os discípulos não eram soldados, mas missionários. Não há como ser as duas coisas. Não por haver alguma contradição moral, mas por haver uma incompatibilidade de missões.

Se os discípulos fossem caraterizados e rotulados, desde o início, como uma organização paramilitar, não teriam sequer um momento de paz para pregar o evangelho. O império romano, historicamente, perseguiu os cristãos não de maneira initerrupta, absoluta e geral, mas sim de maneiras localizadas no tempo e no espaço. Houve períodos e lugares com forte perseguição, mas também períodos e lugares em que os cristãos gozaram de liberdade. Mas isso só se deu porque os cristãos não eram soldados. Se fossem, o império romano teria sido absolutamente implacável desde o início, em todos os lugares e o tempo todo. O resultado teria sido a morte do cristianismo logo no seu surgimento.

Ademais, se os discípulos tivessem se caracterizado como soldados, o evangelho adquiriria um caráter distorcido, não mais de uma transformação espiritual e de um volver da mente às coisas celestiais, mas sim de luta política e militar, de guerra terrena, de batalha física, de revolta, conquista e ambição. Tal distorção era, aliás, o que havia tomado conta da teologia judaica sobre o Messias. Os judeus esperavam justamente um Messias político-militar, com uma frota de soldados fieis, que comandaria a destruição dos romanos e a libertação terrena de Israel. A militarização dos discípulos só faria consolidar esta ideia, dando ao evangelho a mesma significação que “revolta civil”, “revolução” e “luta armada”. Neste sentido, deixaria de ser uma fonte de salvação espiritual para ser meramente um movimento terreno por libertação efêmera. E um movimento desses, longe de criar gerar transformação interior e de ligar os homens intimamente a Deus, geraria lutas vis e homens que se uniriam ao movimento unicamente por razões terrenas e até egoístas. Talvez aqui deva-se enfatizar que esta foi a grande diferença entre o cristianismo e o islamismo em suas origens. Enquanto o cristianismo se inicou com missionários, interessados unicamente em pregar a salvação por meio do sacríficio de Cristo Jesus, o islamismo se iniciou com soldados interessados em coisas diversas. A diferença é notável.

Em suma, Jesus não queria que Pedro ou seus demais discípulos fossem soldados, mas missionários. A expansão da Igreja necessitava disso. Cristo necessitava de homens dispostos a abnegar até mesmo seus direitos mais básicos, como o da autoproteção e o da reação, a fim de unicamente anunciar o evangelho e manter intacto o caráter do mesmo. O contexto exigia isso. E ser missionário requer essa abnegação.

De tal fato não se pode depreender que todas as pessoas devem ser missionárias. Missionário, no senso estrito da palavra, é aquele que trabalha integralmente com o evangelho. Este é totalmente guiado pela missão evangelítica. Ele não pregará onde mora; morará onde precisa pregar. Ele não pregará para onde viaja; viajará para onde precisa pregar. Se precisar trabalhar, ele trabalhará para sustentar sua missão. Não pregará onde trabalha, trabalhará onde precisa pregar. O missionário estará pronto para abnegar todos os seus direitos/desejos se for necessário. Talvez o sonho de fazer faculdade, de ser juiz, de ir à Disney, de morar na Suíça, de ser rico, de casar, de ser um jogador de futebol. Ele não é mais um homem da sociedade. Ele é um ambulante, um peregrino, um nômade de futuro incerto que se movimenta em função de sua missão. O missionário é o oposto do homem cristão da sociedade, que desempenha a missão evangelística de acordo com as raízes que fincou na sociedade.

Ambos, no entanto, são importantes. O homem cristão da sociedade precisa existir justamente porque precisa compor a sociedade. A sociedade carece de cristãos espalhados por ela, com suas raízes fincadas, com suas relações na família, na vizinhança, na escola, no trabalho e etc. Nem só de nômades se faz o cristianismo. Além do mais, são os homens da sociedade que, com seu trabalho e sua fixidez social, financiam o trabalho do missionário. Para que haja missionário em tempo integral é necessário haver o cristão da sociedade. Para que haja recursos suficientes para a missão é necessário haver o cristão da sociedade. Repare que os discípulos tornaram-se nômades, mas as igrejas que plantavam em cada região eram feitas de cristãos da sociedade. Nem todo mundo nasceu para ser missionário. Nem todo mundo nasceu para ser cristão de sociedade. Cada qual tem sua importância nos planos de Deus. O evangelho deve ser pregado por ambos, mas as funções são distintas.

Aqui fica clara a distinção. O missionário, ao abnegar direitos dados ao cristão de sociedade, acaba por ter de abnegar também o uso de armas para autoproteção e reação. Como já dito, ele encontrou ali um contexto em que sua vida já não é mais prioridade. As armas tornam-se inconvenientes e o sacrifício, a única opção viável. Tal como ocorreu com Jesus.

Em suma, não há como utilizar o texto de Mateus 26:52 para sustentar que seria pecado buscar autoproteção ou reagir a agressões físicas. A passagem deve ser entendida dentro de seu contexto bem específico, no qual: (1) Pedro não deveria sacar sua arma naquele momento, pois Cristo necessitava morrer pelo ser humano; (2) os discípulos não deveriam parecer um grupo paramilitar, a fim de não distorcerem o caráter do evangelho, nem serem vistos pelo Império Romano como uma ameaça; (3) os discípulos não deveriam ser soldados, mas como missionários, abdicando de alguns direitos legítimos para pregar o evangelho intensa e integralmente, espalhando-o pelo mundo. Interpretar além disso é forçar o texto.

O cristão passivo pode tentar argumentar ainda com base em algumas ideias extraídas da Bíblia tais como: “O cristão deve ter fé em Deus e não em armas para protegê-lo”, ou ainda: “O cristão não deve agredir ninguém, mas amar”. Ora, essas ideias são distorções das Escrituras. Analisemos a primeira. Apela-se para a fé em Deus para protegê-lo. É óbvio que devemos ter fé em Deus sempre, mas isso não nos proíbe, tampouco nos exime de fazer a nossa parte. Se a fé em Deus nos desobrigasse de tomar medidas para nossa proteção, não faria sentido trancar a porta de casa com chave, ter extintor no carro, usar cinto de segurança, comprar um computador com garantia de fábrica, guardar pertences valiosos em um cofre, ir ao médico e etc. Na verdade, o próprio Jesus diz a Satanás: “Não tentarás o Senhor teu Deus”. E o texto bíblico que afirma: “Se o Senhor não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela” (Salmo 127:1), não exclui a necessidade de um sentinela, embora ele nada possa se Deus não estender sua proteção. O mundo que Deus criou funciona por meio de leis naturais. Não devemos viver nele como se vigorasse a magia. Na vida real devemos fazer a nossa parte à todo o momento. Deus fará a dEle. Ter uma arma ou aprender artes marciais podem ser atitudes importantes para se proteger ou proteger a outros. Não há qualquer passagem bíblica que desabone esse tipo de conduta. Pelo contrário, trata-se de algo prudente. E Deus poderá salvar pessoas através disso, inclusive.

Quanto à segunda ideia, perceba que ela distorce o amor. É evidente que amar não implica permitir que coloquem em risco sua vida ou a vida de alguém ao redor. Imagine que você está andando na rua e encontra um sujeito tentando se aproveitar de sua filha. Qual será sua postura? Deixar que o sujeito abuse de sua filha, alegando que precisa amá-lo e não agredi-lo? Ou tentará salvar sua filha, apartando-o com sua força física ou algum instrumento de proteção? Tenho certeza de que sua postura será a segunda. Não é diferente quando se trata de nossa própria vida em jogo. É perfeitamente possível ser um cristão amoroso, perdoador e que ajuda ao próximo, mas, ao mesmo tempo, que reage quando sua vida ou a vida de pessoas ao seu redor está em perigo.

Enfatizo que toda essa reflexão se refere à autoproteção e não ao uso da violência como forma de vingança, justiça própria e retaliação. A Bíblia é bem clara ao dizer que não devemos nos vingar, no âmbito moral, pois a “vingança” pertence a Deus. E, no âmbito civil, também não devemos buscar justiça com as próprias mãos, pois cabe ao Estado julgar, através do corpo de leis vigentes e de juízes preparados para isso. O próprio princípio do Antigo Testamento “olho por olho, dente por dente”, não passava de uma regra jurídica aplicada apenas por juízes, após um julgamento formal, para determinados tipos de crimes – a saber, crimes de agressão física à inocentes ou falso testemunho (Êxodo 21:22-25, Levítico 24:19-20 e Deuteronômio 19:15-21). Aliás, a crítica de Jesus, no Sermão do Monte, ao princípio “olho por olho, dente por dente” não se referia a sua aplicação jurídica, a qual era legal, mas sim à sua aplicação no âmbito moral. Em outras palavras, muitos utilizavam o princípio como uma justificativa para odiar e retaliar, buscando vingança e justiça com as próprias mãos. Jesus, portanto, faz uma clara distinção entre princípio jurídico e princípio moral, estabelecendo que, no âmbito moral, o individuo deveria estar pronto para liberar perdão, e no âmbito jurídico, deveria deixar o julgamento e a punição à cargo dos juízes. Essa deve ser a postura cristã.

É curioso como que cristãos que sustentam a passividade gostam de pintar um “Jesus Cristo paz e amor” que jamais faria nada agressivo. Um colega chegou mesmo a me dizer, dia desses, que não conseguiria imaginar Jesus andando com uma Ak-47. Pois creio que esses cristãos nunca devem ter lido Apocalipse, por exemplo, que descreve Jesus voltando com uma espada que mata todos os ímpios da terra. A cena é simbólica, claro, mas o morticínio não. E a imagem utilizada para simbolizar essa terrível e gigantesca punição derradeira é justamente a de Jesus armado. Não com uma Ak-47, já que esse tipo de armamento não existia à época que João escreveu o Apocalipse. Mas com uma espada. Sim, a espada, a arma antiga, a arma utilizada pelos exércitos israelitas ao longo de todo o Antigo Testamento. A arma utilizada pelos discípulos enquanto andavam com Jesus. A arma com a qual todo o homem protegia a sua família de perigos. A arma que todo mundo tinha.

Demonizar a autoproteção e os meios com os quais pode-se torná-la efetiva não é uma postura que encontre base bíblica, tampouco lógica. Quando fazemos isso, encontramos inúmeras incoerências pela frente. Uma delas se refere ao próprio trabalho da polícia. Ora, se proteger e reagir são dois pecados e todos deveriam ser passivos em relação aos agressores, então todos os policiais estão em pecado. Sob essa interpretação, a atividade policial é, em si mesma, pecaminosa, imoral, anticristã, pois se baseia justamente em proteger e reagir. Posso imaginar um policial que tenha acabado de se tornar cristão e vê um homem agredindo fisicamente uma mulher. Ele corre para defendê-la, mas então se lembra: “Cristo me ensinou a não reagir”. Então, com a consciência tranquila, deixa que a mulher morra nas mãos de seu agressor. Será mesmo que foi isso que Cristo ensinou? Certamente não! E, sem dúvida, o raciocínio serve para qualquer cidadão. É dever do cristão estar disposto a reagir e proteger, sempre que a situação não requerer a passividade. Fugir a essa obrigação é ser covarde. E os covardes, como já dito, não herdarão o Reino dos Céus.

Concluímos, portanto, que não há absolutamente nenhum ponto na Bíblia em que seja proibido ao cristão buscar a autoproteção, reagir à agressões físicas e utilizar armas para isso. A questão das armas (e atualmente, das armas de fogo) não é uma discussão teológica, mas uma questão civil. A Bíblia não proíbe, como também não impõe, cabendo à sociedade julgar se deve possuir o direito de portar armas ou não.

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Transferência de renda, riqueza e igualdade salarial: conceitos imorais

Transferência de riqueza, transferência de renda e igualdade salarial são conceitos imorais

Os motivos que revelam porque as premissas de sua luta pela transferência de renda estão recheadas de conceitos imorais.

 

Você, pessoa bem intencionada, talvez idealize um mundo onde a justiça é  construída por meios de uma intensa política de confisco da riqueza através de impostos e uma acentuada transferência de renda através de políticas sociais, com o objetivo de alcançar a sonhada igualdade econômica. Talvez você não acredite, mas é uma impraticável e uma tola utopia. Faça um pequeno exercício mental: imagine que na virada do próximo ano fosse possível distribuir toda a riqueza do mundo em partes iguais para cada cidadão. Digamos que cada um tenha ficado com 25 mil reais. Passados doze meses, o que aconteceria quando chegasse o final de Dezembro? Você ainda acha que teríamos alguma igualdade? Você acha que todas as pessoas decidiram poupar, consumir, doar, emprestar aquela quantia da mesma forma? Qual seria a nova sugestão? Redistribuí-lo novamente? Por quanto tempo duraria esse ciclo?

Quer seja seu desejo ou não, a riqueza possui um caminho natural na sociedade, fluindo aos indivíduos que são mais eficientes e eficazes em sua área de atuação. E note, leitor, que isso é bom. Bom porque a renda é uma das formas de remuneração para pessoas que oferecem algo positivo aos outros. Em um local onde não existam interferências estatais, a riqueza é meritória, isso é, as pessoas que a conquistaram, só a conquistaram porque foram recompensadas por outras pessoas que, voluntariamente, adquiriram o seu produto ou serviço. Você, que usa seu iPad, iMac ou iPhone, colaborou decisivamente aos executivos e acionistas da Apple a ficarem mais ricos. Você colaborou para essa transferência de renda. E não, esse conceito não é apenas elitista. Você que já pagou muitas prestações de seu carnê das Casas Bahia também enriqueceu a família Klein.

A inovação em um sistema livre de mercado, na qual a Apple é apenas um exemplo entre milhões, provém inicialmente do acúmulo de capital. Esse acúmulo de capital é essencial para que nossa sociedade continue em evolução e seria totalmente arruinado em um programa de transferência de renda como a descrita no primeiro parágrafo, além de extirpar o estímulo a novos empreendimentos em função da natureza imoral do ato.

Redistribuir renda por coação é algo obsceno e movido pela inveja, pois é um confisco de quem a ganhou honestamente (não estamos aqui falando de burocratas e empresários beneficiados pelos Estado, evidentemente) e solapa qualquer incentivo para que as pessoas produzam algo bom entre o grupo em que vivem. Diferentemente de ações louváveis como a filantropia direta e atividades voluntárias, a espoliação do dinheiro dos outros é mais uma forma de sustentação de poder aos políticos, gerando mais corrupção.

Além disso, a imposição de uma igualdade salarial demanda a supressão da desigualdade das pessoas. Mas as pessoas são naturalmente desiguais, possuem metas desiguais, possuem motivações desiguais. Ora, é claro que nunca serão economicamente iguais! Impor, em qualquer grau, através de uma transferência de renda forçada esse nivelamento econômico é uma imposição perversa por natureza.

O que precisa estar garantido, é a igualdade baseada nos direitos naturais entre todos os seres humanos, que deve estar acima de quaisquer classificações como cor de pele, preferências sexuais e afins (atribuir diferenças de direitos entre supostas castas é outro discurso alienado em moda hoje em dia). A real demanda é garantir as condições necessárias, como oportunidades de educação básica de qualidade a todos, de forma que suas próprias motivações internas, viabilizadas por suas capacidades intrínsecas, construam seu futuro. E que algumas exceções sejam tratadas como… exceções!

O discurso da esquerda estatista, que faz uso de ideias aparentemente dignas para legitimar atos funestos, precisa ser desmontado. Suas boas intenções são tão boas e nobres quanto às intenções dos ditadores comunistas de Cuba, Coréia do Norte e Venezuela. É irracional pensar que premiando setores improdutivos e castigando setores produtivos poderemos alcançar uma sociedade justa. Uma parte dessa esquerda sabe o que está fazendo, e deseja protelar por tempo indefinido a dependência dos supostos beneficiados, pois possui vantagens nessa situação. A outra parte são os idiotas úteis, que realmente acreditam que essa postura é um atestado de compaixão e integridade, mas que no fundo, apenas perpetua o atraso. A história do mundo é a maior referência que pode ser citada, mas infelizmente eles não são capazes de interpretá-la. Ao menos com lógica.

Enfim, a pobreza só será eliminada através de maior liberdade econômica. Transferência de renda não trará igualdade econômica, pois cada indivíduo, com suas diferentes aptidões e motivações conceberá um caminho diferente do outro. A liberdade econômica, entretanto, age em conjunto com o crescimento econômico para melhorar a renda de toda a população em geral. Dados demonstram que os países com uma economia mais livre possuem, invariavelmente, até melhores redistribuições de renda que os demais. De longe, o quintil dos mais pobres possuem uma renda muito maior do que o mesmo quintil dos países com menor liberdade econômica. Um resumo desses dados pode ser visto aqui.

Infelizmente, mesmo sendo impossível argumentar contra os dados, a mentalidade estatista ainda é preponderante às ideias liberais em terras tupiniquins. Mas já está começando a perder a grande hegemonia. Quem viver verá.

Esse texto foi publicado originalmente no blog Viagem Lenta. Para ler mais textos sobre Liberdade e Política, clique aqui.

Indicação de leitura: “Mentiram para mim sobre o desarmamento”

Mentiram para mim

Prezados leitores, queremos indicar nesse post a leitura da obra “Mentiram para mim sobre o desarmamento”, de Flávio Quintela e Bene Barbosa. O livro é, sobre todos os aspectos, espetacular. Conta com argumentos lógicos e dados estatísticos sólidos baseados em fontes seguras e fáceis de consultar. Além disso, a linguagem é muito leve e simples, os capítulos são curtos e o tema é exposto de modo muito objetivo.

Mesmo que você seja a favor do desarmamento da população, leia esse livro. É importante você saber o que o outro lado diz, da boca das próprias pessoas que o defendem. Garanto que, no mínimo, você terá uma visão bem diferente da importância desse debate após a leitura. E como eu disse, não é leitura enfadonha. A obra é bem gostosa de ler e até quem lê devagar e não tem tempo, consegue terminá-la em cinco dias.

Para quem já é a favor do direito de o cidadão honesto portar armas, leia e divulgue amplamente essa obra. Por que isso é tão importante? Porque não estamos falando aqui apenas de uma mera questão de opinião. Há dados estatísticos sólidos demonstrando que o armamento do cidadão honesto é um importante fator na redução da criminalidade violenta e na proteção do povo contra governos com intenções escusas. E o Brasil hoje necessita muito dessas duas coisas.

Então, leiam, divulguem e até comprem para presentear outras pessoas. As informações desse livro precisam ser conhecidas pela galera. É importante. Até para que tenhamos um debate legítimo de ideias.

Pensando direito: como a direita pode inovar na política – Parte 1: Reforma Política

Este texto foi originalmente publicado no blog “Mundo Analista“. Para ler o original, clique aqui.

Pensador 1Tenho refletido cada vez mais vez sobre novas medidas políticas que poderiam ser propostas pela direita, baseadas em seus princípios básicos de Estado enxuto, governo limitado, economia livre, liberdade individual, leis penais rígidas e força policial valorizada e bem estruturada. Tal exercício é uma maneira de demonstrar às pessoas como o pensamento de direita tem capacidade de inovar em suas ideias, criando soluções efetivas para diversos problemas sem abrir mão de seus princípios. Além disso, é uma maneira de incentivar a direita brasileira (hoje sem um partido que a represente) a tomar mais forma.

Com isso em mente, resolvi fazer uma série sobre o tema. Nessa primeira postagem, eu gostaria de abordar a questão da reforma política. Que tipo de reforma política a direita poderia propor? Quais as principais medidas poderia fazer parte dela? Como elas ajudariam a combater o problema crônico da corrupção? Elencarei doze pontos que julgo serem bastante interessantes. Abaixo, explicarei cada um deles.

1) Limitar o número de reeleições para cargos legislativos.
2) Criar um hiato a cada dois mandatos.
3) Autofinanciamento partidário.
4) Fim das propagandas políticas na TV e no Rádio.
5) Criação de debates na TV e no Rádio para os cargos legislativos.
6) Criação de prova bienal para validar candidaturas.
7) Exigência de Nível Superior para a ocupação de cargos políticos.
8) Criação de concurso para a nomeação de juízes no STF.
9) Fim do voto obrigatório.
10) Contagem de votos nulos e brancos como um candidato.
11) Redução das concessões públicas para cinco anos.
12) Redução ou fim do repasse de dinheiro público para concessionárias.

Explicando os pontos:

1) Limitar o número de reeleições para cargos legislativos:
Os cargos legislativos (vereador, deputado e senador) não terão mais direito a reeleições ilimitadas, como hoje acontece. A lei permitirá apenas UMA reeleição, em conformidade com o que já ocorre com os cargos executivos (prefeito, governador e presidente). Ou seja, um legislador só poderá legislar, no máximo, por dois mandatos seguidos (oito anos). Isso impedirá que políticos façam carreira como legisladores.

2) Criar um hiato a cada dois mandatos:
A cada dois mandatos governados por um político (mesmo em cargos diferentes), o mesmo não poderá se candidatar a nenhum cargo nas próximas eleições. Como cada eleição ocorre bienalmente, o hiato será de dois anos. Em suma, o político ficará inelegível por dois a cada oito anos governados. Isso criará rotatividade nas cadeiras e manterá vivo na memória de todos que política não é carreira.

3) Autofinanciamento partidário:
Explicarei este ponto melhor na próxima postagem. Mas é possível fazer. Neste sistema, os próprios filiados contribuem mensalmente com o partido, que guarda o dinheiro por dois anos para poder fazer as suas campanhas. Serão proibidas doações de empresas e não haverá financiamento público. Qualquer pessoa física que quiser doar, só poderá doar mediante comprovação de renda. E a doação não poderá superior a 30% da renda do doador. O nome do doador deverá ficar registrado no cadastro de filiados do partido como contribuinte. Esse conjunto de lei tornará os partidos mais responsáveis e econômicos na gestão de seu dinheiro, já que eles mesmos terão de se sustentar. Também evitará aumento de gastos dos cofres públicos, a imposição à população de financiar partidos com os quais não concordam e a compra de favores por empresas.

4) Fim das propagandas políticas na TV e no Rádio:
Bom marketing não significa boa política. Propagandas com musiquinhas, discursos óbvios, pessoas falando bem do candidato, imagens com abraços e etc., não nos servem de nada. Além do mais, política não é comércio. A Coca-Cola pode fazer propaganda para que as pessoas comprem esse veneno. Só quem quiser comprar será prejudicado. Agora, se um político incompetente ou corrupto convence alguém pela propaganda e ganha a eleição, sai perdendo tanto quem votou quanto quem não votou. Como TV e Rádio são coisas públicas e abertas, não deve propagar marketing político nenhum. Elas devem ser totalmente proibidas. Os partidos e candidatos devem fazer suas propagandas através de panfletos, banners, jornais próprios, sites e vídeos na internet, palestras, comícios e debates. Os debates poderão e deverão ser transmitidos por TV e Rádio.

5) Criação de debates na TV e no Rádio para os cargos legislativos:
Tal como é para os cargos executivos, os cargos legislativos também deverão participar de debates na TV e no Rádio. Como não há como colocar todos os candidatos em um programa, cada partido ou coligação escolherá um representante para participar do debate. Temos hoje 32 partidos no Brasil. Como sempre há coligações, é pouco provável participe mais de dez candidatos em um debate.

6) Criação de prova bienal para validar candidaturas:
Administrar uma cidade, estado ou país não é fácil. Logo, é preciso ter a certeza de que nossos candidatos tem o mínimo de estudo e aptidão para ocuparem cargos políticos. Sendo assim, a cada eleição, os candidatos deverão prestar uma prova (preferencialmente a do ENEM) para validarem sua candidatura. O candidato deverá não zerar em nenhuma disciplina (incluindo a redação) e acertar mais de 50% da prova.

7) Exigência de Nível Superior para a ocupação de cargos políticos:
Ninguém iria a um médico que não tivesse cursado medicina, ou escolheria um advogado que não tivesse cursado direito. Na verdade, essas coisas são ilegais. Da mesma forma, não devemos aceitar que os administradores de nossa cidade, estado ou país não tenham nível superior.  Sendo assim, os candidatos a cargos políticos deverão ter ensino superior completo em qualquer área de conhecimento.

8) Criação de concurso para a nomeação de juízes do STF:
Esta lei inviabiliza uma nomeação com segundas intenções por parte dos poderes executivo e legislativo. A democracia e a tripartição dos poderes está melhor resguardada se as nomeações ocorrem mediante mérito em prova. Os demais critérios como reputação ilibada, por exemplo, permanecerão, evidentemente.

9) Fim do voto obrigatório:
Não votar é direito legítimo e que deve ser respeitado. Ademais, obrigar pessoas a votar é abrir brecha para que muita gente vote sem consciência. O voto facultativo reduzirá o eleitorado à apenas aqueles que realmente querem votar e sabem o que estão fazendo.

10) Contagem de votos nulos e brancos como um candidato:
O voto nulo ou branco deve valer como se fossem votos a um candidato. Porque na verdade são. O indivíduo que vota nulo ou branco está dizendo que não quer nenhum dos candidatos presentes. Seu voto deve ser respeitado. E se a maioria de um lugar vota assim, nenhum candidato deve ganhar. Novas eleições precisam ser convocadas, com novos candidatos. Da mesma maneira, deve-se prever a possibilidade de um candidato disputar o segundo turno com ninguém, caso o número de votos nulos e brancos tenha sido maior que os votos em todos os outros candidatos. E, neste caso, pode-se perder para os nulos e brancos no segundo turno, convocando-se novas eleições com novos candidatos.

11) Redução das concessões públicas para cinco anos:
Esta medida irá evitar que empresas privadas que ganharam licitações do governo permaneçam anos sem se preocupar a qualidade de seus serviços prestados. O tempo reduzido de cinco anos obrigará todas as empresas a correrem para apresentarem um bom serviço, a fim de conseguirem renovar a concessão ao fim de cinco anos. Para o caso das concessões que se configuram monopólios naturais (isto é, que não tem como haver concorrência, como: companhia elétrica, companhia de água e esgoto, companhia de trem e metrô), o tempo reduzido serve como um substituto da concorrência entre várias empresas simultaneamente.

12) Redução ou fim do repasse de dinheiro público para concessionárias:
As empresas que ganham licitações devem investir na empresa e se sustentar através do lucro conseguido e não de repasses do governo. Se esses repasses precisarem ocorrer, devem ser limitados e referentes a contas fixas, como a de energia elétrica e água. Quanto menos dinheiro público estiver envolvido em qualquer área, menor será o risco de corrupção.

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Obs.: Na próxima postagem, analisaremos pormenorizadamente a proposta do autofinanciamento partidário.

A arma é civilização

Maj. L Caudill USMC (Ret)

 

Manifestação do Major L. Caudill – Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA – USMC

As pessoas só possuem duas maneiras de lidar umas com as outras: pela razão e pela força. Se você quer que eu faça algo para você, você tem a opção de me convencer via argumentos ou me obrigar a me submeter à sua vontade pela força. Todas as interações humanas recaem em uma dessas duas categorias, sem exceções. Razão ou força, só isso. Em uma sociedade realmente moral e civilizada, as pessoas somente interagem pela persuasão.
A força não tem lugar como método válido de interação social e a única coisa que remove a força da equação é uma arma de fogo (de uso pessoal), por mais paradoxal que isso possa parecer.
Quando eu porto uma arma, você não pode lidar comigo pela Força. Você precisa usar a Razão para tentar me persuadir, porque eu possuo uma maneira de anular suas ameaças ou uso da Força.
A arma de fogo é o único instrumento que coloca em pé de igualdade uma mulher de 50 Kg e um assaltante de 105 Kg; um aposentado de 75 anos e um marginal de 19, e um único indivíduo contra um carro cheio de bêbados com bastões de baseball.
A arma de fogo remove a disparidade de força física, tamanho ou número entre atacantes em potencial e alguém se defendendo.

Há muitas pessoas que consideram a arma de fogo como a causa do desequilíbrio de forças. São essas pessoas que pensam que seríamos mais civilizados se todas as armas de fogo fossem removidas da sociedade, porque uma arma de fogo deixaria o trabalho de um assaltante (armado) mais fácil. Isso, obviamente, somente é verdade se a maioria das vítimas em potencial do assaltante estiver desarmada, seja por opção, seja em virtude de leis – isso não tem validade alguma se a maioria das potenciais vítimas estiver armada.
Quem advoga pelo banimento das armas de fogo opta automaticamente pelo governo do jovem, do forte e dos em maior número, e isso é o exato oposto de uma sociedade civilizada. Um marginal, mesmo armado, só consegue ser bem sucedido em uma sociedade onde o Estado lhe garantiu o monopólio da força.
Há também o argumento de que as armas de fogo transformam em letais confrontos os que de outra maneira apenas resultariam em ferimentos. Esse argumento é falacioso sob diversos aspectos. Sem armas envolvidas, os confrontos são sempre vencidos pelos fisicamente superiores, infligindo ferimentos seríssimos sobre os vencidos.
Quem pensa que os punhos, bastões, porretes e pedras não constituem força letal, estão assistindo muita TV, onde as pessoas são espancadas e sofrem no máximo um pequeno corte no lábio. O fato de que as armas aumentam a letalidade dos confrontos só funciona em favor do defensor mais fraco, não do atacante mais forte. Se ambos estão armados, o campo está nivelado. A arma de fogo é o único instrumento que é igualmente letal nas mãos de um octogenário quanto de um halterofilista.

Elas simplesmente não funcionariam como equalizador de Forças se não fossem igualmente letais e facilmente empregáveis.
Quando eu porto uma arma, eu não o faço porque estou procurando encrenca, mas por que espero ser deixado em paz. A arma na minha cintura significa que eu não posso ser forçado, somente persuadido. Eu não porto arma porque tenho medo, mas porque ela me permite não ter medo. Ela não limita as ações daqueles que iriam interagir comigo pela razão, somente daqueles que pretenderiam fazê-lo pela força. Ela remove a força da equação. E é por isso que portar uma arma é um ato civilizado.
Então, a maior civilização é onde todos os cidadãos estão igualmente armados e só podem ser persuadidos, nunca forçados.

Mario Vargas Llosa apoia a união civil homossexual no Peru

Notícia reproduzida do portal In Out Post. Tradução e adaptação para o português do Brasil por Renan Felipe dos Santos. Para ler a notícia original, em espanhol, clique aqui.

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O escritor liberal e Premio Nobel de Literatura, Mario Vargas Llosa, apoia a luta pela consecução de uniões civis entre homossexuais, apresentada pelo parlamentar peruano Carlos Bruce.

Vargas Llosa assinou o manifesto que circula entre os peruanos e que reclama o “Sim à igualdade”: “A favor da igualdade de direitos para todas e todos os peruanos, da inclusão de todos os setores que conformam a sociedade e da não discriminação por orientação sexual nem de nenhuma outra índole”.

“Consideramos que o Estado deve reconhecer a realidade e o valor de todos os casais. Por um Peru livre de discriminação e injustiças. Por isto nos pronunciamos a favor do projeto de Lei de União Civil Não Matrimonial para Pessoas do Mesmo Sexo”, demandam os assinantes.

O certo é que a iniciativa apresentada no Parlamento peruano tem firme oposição da Igreja Católica e da maioria dos parlamentares que consideram que tal projeto de lei não é mais que um ‘matrimônio encoberto’.

Tampouco ajuda muito a sociedade peruana, que se opõe à medida em 65%, e aprovam somente 26% da população.

Apesar disto a iniciativa seguirá adiante arrecadando apoios, como o de Mario Vargas Llosa e outras personalidades importantes do país como o pintor Fernando de Szyszlo e os escritores Santiago Roncagliolo, Fernando Iwasaki e Jorge Eduardo Benavides, o fotógrafo Mario Testino, a cantora Susana Baca, os jornalistas César Hildebrandt e Julio Villanueva, a campeã mundial de boxe Kina Malpartida e o presidente da Corte Interamericana de Direitos Humanos, Diego Garcia Sayán.


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Quem ousa defender a liberdade de expressão de Yoani Sanchez?

A blogueira cubana Yoani Sanchez, famosa pela sua oposição ao regime castrista através do blog Generación Y e pela perseguição sistemática que sofria sob tal ditadura, finalmente obteve permissão para sair da ilha e viajar a outros países.

Quando desembarca no Brasil, “uma das maiores democracias do mundo”, é surpreendida por nada mais nada menos que uma turba enlouquecida de esquerdistas, defensores ferrenhos da ditadura comunista no país, que a ofenderam de todas as impropéries que podiam e não podiam. A blogueira limitou-se a dizer que desejava que em seu país houvesse liberdade para fazer o mesmo.

No entanto, caros amigos, ainda existe vida inteligente no Brasil. Há gente neste país que mais do que se preocupar com a liberdade humana está empenhada em defendê-la de fato. Refiro-me aqui à exemplar manifestação de apoio do Liber à Yoani Sanchez ocorrida hoje pela tarde (21 de fevereiro de 2013) em São Paulo.

Só pela coragem de sair em manifestação sabendo que encontrariam forte oposição dos “revolucionários” chegados em um regime militar, os libertários já merecem elogios. Este ato, pequeno porém importante, marca o início de um novo ciclo na política brasileira. Acreditem, parece exagero mas não é: este ato marca o início da retomada do ambiente público e da opinão pública, pelos valores liberais. Largar um pouco os blogs, as palestras, as editoras, para arregaçar as mangas, fazer placas e cartazes e sair em uma manifestação deste tipo leva os valores liberais a um outro nível, muito mais próximo do público do que a velha estratégia de gastar horrores com ciclos de palestra e publicações de livros que só os convertidos leem. Paramos, enfim, de pescar dentro do aquário.

Gostaria portanto de, em nome do Direitas Já, parabenizar os membros do Liber pela mobilização. A causa da Liberdade tem muito a agradecer a vocês.

Confira algumas fotos da manifestação:
espioes CIA

Há também um vídeo disponível no YouTube: