Entrevista com Marcelo Mota Ribeiro, representante do CONS

Entrevista realizada em 16 de junho de 2013. Por motivos de estilo e legibilidade, esta entrevista foi editada. Para lê-la no formato original de perguntas e respostas, clique aqui.

Marcelo Mota Ribeiro.

Nosso entrevistado, Marcelo Mota Ribeiro, é mineiro de Muriaé e tem 33 anos. É graduado em Análise e Desenvolvimento de Sistemas, trabalha há dez anos na área de TI como Desenvolvedor de Software em Belo Horizonte, cidade onde atualmente reside. É graduando em Direito pela UNA/BH, onde presidiu o Diretório Acadêmico Mirtes de Campos. Filiado ao PFL, posteriormente ao Democratas, foi Presidente Municipal e Vice-Presidente Estadual da Juventude do partido em seu Estado, onde coordenou diversas campanhas eleitorais. É o atual coordenador nacional do CONS.

O CONS é um movimento espontâneo que surgiu em meados de 2009, quando diversos indivíduos declaradamente conservadores passaram a se reunir na rede social do Orkut assumindo este acrônimo como uma identidade mútua.

Atualmente participam de um grupo de discussão que reúne mais de duas mil pessoas, embora em seu cadastro oficial – lançado recentemente – constem trezentos registros de membros apoiadores dispostos a trabalhar diretamente na causa. Seu coordenador nacional, Marcelo Mota Ribeiro, considera que o movimento ainda está em uma fase embrionária de concepção e maturação. Apesar do senso de urgência, aponta que o movimento privilegia a solidificação de seus pilares em detrimento de agir com pressa para ver as coisas acontecerem o que, segundo ele, foi a causa do fracasso de muitas outras iniciativas de direita.

Segundo Marcelo, é impreciso apontar uma data precisa da fundação do movimento. Os membros do CONS pretendem realizar, com previsão para 31 de março de 2014, o seu primeiro Encontro Nacional para oficializar a fundação.

Quais são as ideias e os objetivos do CONS?

As ideias do grupo podem ser melhor conhecidas no seu site, indicado ao final deste artigo. Elas estão agrupadas hierarquicamente em três níveis: elementares, fundamentais e políticas. O nível mais baixo agrupa os fins, enquanto os outros agrupam os princípios e os meios.

No primeiro nível, elementar, advogam a proteção de valores inalienáveis como a vida, a liberdade religiosa, a autonomia da família e a dignidade da pessoa humana. No plano fundamental, a liberdade e a propriedade. Por fim, no nível político, a segurança jurídica, o império das leis e a limitação da intervenção governamental na vida social, cultural e política.

O objetivo do movimento é levar pessoas conservadoras a assumir uma identidade política, uma marca, que seria o CONS. Segundo Marcelo, os conservadores brasileiros estão alheios à militância em defesa de suas ideias e de seus valores, e a ausência desta identidade dificulta uma interação colaborativa que permita uma atuação organizada.

Quais são as figuras inspiradoras do CONS? O que leem os conservadores?
O CONS é um grupo heterogêneo. Pessoas de diferentes vertentes que bebem de diferentes fontes, embora comunguem de ideias fundamentais que são comunitárias.

Influências nacionais na filosofia conservadora: Olavo de Carvalho, Plínio Corrêa de Oliveira e Mário Ferreira dos Santos.

Marcelo fala apenas por si quando afirma que muito aprendeu com a leitura dos apontamentos de Olavo de Carvalho, embora este autor seja notável influência para grande parte dos conservadores brasileiros. No âmbito nacional, Marcelo adiciona as influências de Plínio Corrêa de Oliveira e Mário Ferreira dos Santos, dentre outros. Pensadores conservadores de fora do Brasil incluem Thomas Hobbes, Edmund Burke e Russel Kirk e, no campo econômico, Milton Friedman, Ludwig von Mises e Friedrich A. Hayek, os quais Marcelo considera leituras fundamentais.

Influências internacionais na filosofia conservadora: Thomas Hobbes, Edmund Burke e Russel Kirk.

Outras figuras em atividade que inspiram o movimento com suas críticas políticas são Bruno Garschagen, João Pereira Coutinho, Luiz Felipe Pondé, Roger Scruton e outros articulistas. No campo político, personalidades do século XX como Winston Churchill, Ronald Reagan, Margaret Thatcher e Carlos Lacerda também servem de inspiração.

Quais são os símbolos e cores dos conservadores no Brasil?

Uma marca, representada por uma Harpia, águia típica do norte do Brasil, combinada em círculo de fundo azul com as estrelas que representam nossos Estados. As cores, derivadas da bandeira nacional, são o azul, o amarelo e o branco.

Como o CONS pode fazer do Brasil um país melhor?

Objetivamente: contribuindo com ações que permitam o fortalecimento do pensamento conservador, na esfera cultural e no plano político. Os conservadores entendem que o equilíbrio entre forças progressistas e conservadoras é requisito essencial para uma sociedade prosperar. A preponderância de uma delas leva a um sistema “manco”, sem sensatez e ponderação nas decisões econômicas e políticas.

Acreditam que toda sociedade próspera se funda em uma base de valores bem definida, com conceito claro do que é certo e do que é errado, semeando, assim, entre seus membros, o interesse em uma colaboração pacífica, em atitudes propositivas e construtivas que, independente de arranjos políticos e ideológicos, acabam por ensejar o desenvolvimento intelectual e material enquanto nação, pois os participantes se consideram mutuamente como partes de um mesmo fim.

O Brasil, infelizmente, ainda não construiu essa base de valores e por isso tem um sistema cultural e político débil, que não nos permite identificar de forma clara e real qual é a “nossa” identidade, qual é o norte que estamos a seguir.
Vivemos, não como uma nação mas, como um bando de pessoas de diferentes “nações”, vendo-nos como concorrentes, passando uns por cima de outros, sempre quando há uma chance. Não definimos, por exemplo, se o “jeitinho brasileiro” é atitude desonesta ou mérito. Não sabemos se elogiamos alguém que cria riqueza, ou se o chamamos de explorador. E, é dessa confusão que originam-se todos os demais problemas, como os relacionados à corrupção, à violência e à falta de desenvolvimento econômico. O discurso político atual, todavia, só trata da superfície e não ataca os problemas que existem na base. Por isso nada funciona, porque não é edificado sobre uma sustentação sólida e aderente ao que desejam as pessoas.

Precisamos de políticos menos proselitistas e que trabalhem mais pela construção de uma nação do que de uma carreira pessoal que só vise vencer eleições. Criando um movimento conservador, acreditam oferecer, em um futuro breve, esse tipo de agente cultural e político, que servirá de exemplo para que outras pessoas sigam o mesmo caminho e aceleremos assim a edificação desse necessário sentimento de nação, de forma livre e espontânea, de baixo para cima, do povo para o Estado, não vice-versa como se tem tentado há quinhentos anos.


Acesse o site do CONS: 
www.conservadores.com.br

Site dos articulistas mencionados no artigo:

Olavo de Carvalho;
Plínio Corrêa de Oliveira;
Bruno Garschagen;
João Pereira Coutinho;
Luiz Felipe Pondé;
Roger Scruton (em inglês).


Leia também:

Direitos: quais são os seus?

O objetivo deste tópico é esclarecer o que são os direitos dentro da perspectiva da direita política democrática (libertarianismo, liberalismo, conservadorismo, etc). Precisamos saber o que são direitos, o que não são direitos, e de onde eles vem.

Características dos direitos:

I. Direitos são inalienáveis
Isto significa que eles não podem ser dados, tirados, vendidos, comprados ou trocados. Os seus direitos podem ser violados. Mas ainda que sejam violados você os retém, porque eles são inerentes a você, à sua condição humana.

II. Direitos expressam obrigações negativas
Seu direito a vida obriga a mim e aos outros não matar você. Meu direito a propriedade, obriga você e os outros a não roubá-la. O direito de livre expressão, obriga o governo a não interferir na imprensa ou nos blogues.

III. Direitos são relacionais
Cada indivíduo é um universo soberano em si, o qual autoriza suas próprias escolhas, feitas por sua própria consciência e sem interferência de outros. Pessoas são livres para querer o que elas querem, contanto que não violem os direitos de outros. Direitos, então, são responsabilidades morais que existem entre os homens.

IV. Direitos não vem do governo
A verdade é o exato oposto. Governos legítimos são criados por indivíduos para o propósito específico de defender os nossos direitos. Ou seja, porque temos direitos, um governo é criado.

V. Direitos são compatíveis
O direito de cada pessoa é congruente com o direito de todas as outras. Assim como eu tenho o direito de livre expressão, você também tem. Os direitos existem igualmente entre todos. Um homem não pode ter um direito que outros não tem.

Resumindo: direitos existem antes do governo, porque direitos são naturais. Eles são inalienáveis dada a virtude do seu ser, o homem. Governos legítimos obtém seu poder da autoridade do povo (indivíduos). Eles recebem (não detém) estes poderes limitados, para o propósito ÚNICO de proteger nossos direitos. O governo só tem uma ferramenta para isso, e esta ferramenta é a força – manifesta na Justiça, na Polícia, nas Forças Armadas.

Quais são os direitos básicos do homem?

Vida – o homem tem o direito à vida, à integridade física. Isto significa que a direita é contrária à iniciação do uso da força, da violência e da agressão, mas reconhece o direito humano de legítima defesa da vida, do porte de armas, etc.

Liberdade – o homem tem o direito de ser livre para ir e vir, expressar-se, congregar-se, associar-se, etc. Existem diversos aspectos da liberdade: econômica, de culto, de expressão, de imprensa, de associação, de ir e vir, etc.

Propriedade – o homem tem o direito de apropriar-se daquilo que obteve pelo trabalho, pela herança ou pela aquisição primeira. O homem tem o direito de fazer de sua propriedade o que bem entender, desde que não viole o direito de terceiros. O homem tem o direito de comprar, trocar, vender, emprestar, alugar, herdar, doar, abandonar ou legar a sua propriedade.

O que não são direitos?

I. Concessões e permissões
Direitos não são concessões, nem permissões. Um direito não é uma aprovação ou “benção”. Ou seja, dizer que “é permitido comprar carros” não significa que “ter carros é um direito”.

II. Benefícios, produtos e serviços
Benefícios como vales, tickets, cotas e descontos não são direitos. Produtos como comida, roupa, casa, carro, televisão também não são direitos. Serviços como saúde e educação também não são direitos. Embora você possa ter tudo isso, privadamente ou garantido pelo Estado, nenhum destes itens é um direito inalienável.

III. Títulos e poderes
Títulos não são intrínsecos ao homem, de qualquer natureza que sejam. Portanto, títulos não podem garantir a um homem direito algum que ele já não possua de antemão.

Leitura recomendada:
A Lei, de Frederic Bastiat. 

Pró-vida – uma escolha lógica (parte IV)

Se você perdeu as três mentiras pró-aborto mais contadas, recomendamos que você leia: mentira 1, mentira 2, mentira 3.

Hoje vamos denunciar a quarta mentira:

IV. A mentira do “homem Pokémon”
Para tentar enfiar a terceira mentira goela abaixo do cidadão, os defensores do aborto apelam para mais estratégias sujas. A mais suja delas é usar o adjetivo “potencial” antes de se referir ao embrião como um humano. É um “humano em potencial”, dizem eles. Pois bem. Quando dizemos que um menino é um “jogador de futebol em potencial”, estamos logicamente indicando uma possibilidade. Há, no entanto, a possibilidade do garoto ser outra coisa que não um jogador de futebol: ele pode ser policial, médico, professor, artista, etc. Mas, é claro, não existe “ser humano em potencial” porque não há a possibilidade de um embrião vir a ser qualquer outra coisa que não um humano: ele não se desenvolverá num gato, numa pedra, ou numa batata.

Um “humano em potencial” que acabou não “potencializando-se” em humano.

Esta estratégia suja consiste de uma artimanha simples: dar às divisões discretas de tempo (dia, hora, mês, ano, fases da vida) criadas pela linguagem, pelos símbolos e pelas convenções sociais uma maior importância do que a essência das coisas na natureza. Esta é uma artimanha especialmente explorada pelas pseudociências, como a astrologia. Em essência, um animal da espécie humana é humano desde a concepção. O embrião é tão humano quanto o bebê, que é tão humano quanto o menino, que é tão humano quanto o adolescente, tão humano quanto o adulto e tão humano quanto o idoso. A identidade humana a qual todos nós humanos estamos submetidos nos acompanha do início da nossa vida até a nossa completa extinção.

Exemplo cabal da burrice abortista: comparar um ovo qualquer (não fecundado e portanto tão vivo quanto um gameta) e um monte de seda (que passa por um processo mecânico antes de virar vestido) com dois embriões (vegetal e animal, respectivamente). Óbvio que para eles a distinção entre "semente" e "árvore" é tão importante quanto a diferença entre "bebê" e "homem". Portanto, se todo homem tem direitos, obviamente os bebês e meninos não estão incluídos nesta lista. É tão estúpido quanto assumir que se destruíssemos os ovos de tartarugas marinhas não estaríamos extinguindo as tartarugas marinhas, ou se matássemos as lagartas, não estaríamos prejudicando as borboletas.

Não é preciso dizer que para aceitar esta babaquice de que alguém não é “gente” e passa a sê-lo depois que sai do útero é necessário violar o princípio da continuidade (a máxima do “natura non facit saltus” – a natureza não faz saltos) e ignorar alguns bons avanços científicos desde o tempo de Aristóteles (passando por Leibniz, Newton e Darwin).

Testemunho de um médico perito mundial em aborto

Por Dr. Bernard Nathanson

Uma explicação sucinta de um médico especialista em abortos que no passado foi um dos maiores responsáveis pela sua liberalização nos EUA nos anos 70, co-fundador de associações pró-aborto e antigo director de uma das maiores clínicas de aborto dos EUA, vem agora falar sobre a estratégia de movimentos pró-aborto e de poderosos interesses econômicos…

Dr. Bernard Nathanson

Testemunho

Bernard Nathanson,

“Eu sou pessoalmente responsável por 75.000 abortos. Isto legitima as minhas credenciais para falar com alguma autoridade sobre este assunto. Eu fui um dos fundadores da NARAL (National Association for the Repeal of the Abortion Laws) nos EUA, em 1968. Nesta época, uma pesquisa de opinião fiável descobriu que a maioria dos americanos eram contra o aborto permissivo. Em cinco anos nós tínhamos convencido o Tribunal Supremo dos EUA a promulgar a decisão que legalizou o aborto nos EUA em 1973 e tornou legal o aborto até ao momento anterior ao nascimento.

Como fizemos isto? É importante entender as táticas utilizadas porque as mesmas têm sido usadas em todo o Ocidente com algumas pequenas mudanças, sempre com o intuito de mudar as leis do aborto.

A 1ª TÁTICA ERA GANHAR A SIMPATIA DA MÍDIA
Nós persuadimos os meios de comunicação que a causa de permitir o aborto era uma causa liberal, esclarecida, sofisticada. Sabendo que se uma pesquisa fiável fosse feita nós seríamos derrotados, nós simplesmente fabricamos resultados de pesquisas fictícias. Anunciamos aos meios de comunicação que tínhamos feito pesquisas e que 60% dos americanos eram favoráveis à liberalização do aborto. Esta é a tática da mentira auto-satisfatória. Poucas pessoas gostam de fazer parte da minoria.

Nós adquirimos muitos simpatizantes para divulgarmos o nosso programa de permissividade do aborto ao fabricarmos o número de abortos ilegais feitos no EUA anualmente. Enquanto este número era de aproximadamente 100.000, nós dizíamos repetidamente aos meios de comunicação que o mesmo era de 1.000.000. A repetição de uma grande mentira várias vezes convence o público. O número de mulheres que morriam em conseqüência de abortos ilegais era em torno de 250, anualmente. O número que constantemente dávamos aos meios de comunicação era 10.000. Estes números falsos criaram raízes nas consciências dos americanos, convencendo muitos da necessidade de revogação da lei contra o aborto. Um outro mito que demos ao público através da mídia era que a legalização do aborto seria a única forma de tornar legais os abortos que então eram feitos ilegalmente. O aborto está sendo atualmente utilizado como o principal método de controle de natalidade no EUA e o número de abortos feitos anualmente cresceu em 1500% desde a legalização (ver: http://www.johnstonsarchive.net/policy/abortion/index.html
).

A 2ª TÁTICA ERA ATACAR O CATOLICISMO
Nós sistematicamente difamamos a Igreja Católica e suas “ideias socialmente retrógradas” e colocamos a hierarquia católica como o vilão que se opunha ao aborto. Esta música foi tocada incessantemente. Nós divulgávamos à mídia mentiras tais como: “todos sabemos que a oposição ao aborto vem da hierarquia e não da maioria dos católicos” e “pesquisas comprovam que a maioria dos católicos quer uma reforma na lei contra o aborto”. E a mídia martelava tudo isto sobre os americanos, persuadindo-os que alguém que se opusesse ao aborto permissivo devia estar sob a influência da hierarquia Católica e que católicos favoráveis ao aborto eram esclarecidos e progressistas. Uma inferência desta tática foi a de que não havia nenhum grupo não-Católico oposto ao aborto. O fato de que as outras religiões Cristãs e não-Cristãs eram (e ainda são) monoliticamente opostas ao aborto foi constantemente suprimido, assim como as opiniões de ateístas pró-vida.

Pinte o seu opositor como se ele fosse o vilão, assim você rotula todo mundo que se opõe às suas idéias.

A 3ª TÁTICA ERA DENEGRIR E SUPRIMIR TODA EVIDÊNCIA DE QUE A VIDA SE INICIA NA CONCEPÇÃO
Muito me perguntam o que me fez mudar de pensamento. Como mudei de proeminente abortista para advogado pró-vida? Em 1973 eu tornei-me director de obstetrícia de um grande hospital na cidade de Nova Iorque e tive que iniciar uma unidade de pesquisa pré-natal, no início de uma nova tecnologia que usamos agora para estudar o feto no útero. Uma tática pró-aborto favorita é insistir em que a definição de quando a vida inicia é impossível; que esta questão é uma questão teológica, moral ou filosófica, nada científica. A fetologia tornou inegável a evidência de que a vida se inicia na concepção e requer toda proteção e o cuidado de que qualquer um de nós necessita. Porque, podem perguntar, alguns médicos americanos, cientes das descobertas da fetologia, desacreditam-se fazendo abortos? Simples aritmética: a US$ 300 dólares cada, 1,55 milhões de abortos significam uma indústria de US$500 milhões de dolares anuais, dos quais a maior parte vai para o bolso do médico que faz o aborto. É claro que a permissividade do aborto é claramente a destruição do que é, inegavelmente, uma vida humana. É um inadmissível ato de violência.

Negue o óbvio veementemente. Mentiras grandes contadas incessantemente são melhor assimiladas.

Todos devem reconhecer que uma gravidez não planejada é um dilema difícil. Mas, procurar a sua solução num deliberado ato de destruição é desprezar a vasta quantidade de recursos do gênio humano e abandonar o bem-estar da população a uma clássica resposta utilitarista aos problemas sociais.

COMO CIENTISTA EU SEI – NÃO APENAS ACREDITO – QUE A VIDA HUMANA SE INICIA NA CONCEPÇÃO.

Pró-vida – uma escolha lógica (parte III)

Prosseguindo com nosso trabalho de denunciar as sandices usadas como argumentos pelos abortistas em geral, segue a 3ª mentira:

III. A mentira do “bebê alien”
Conceitos-chave:

Espécie – Uma das unidades básicas da classificação biológica. Uma espécie é frequentemente definida como um grupo de organismos capazes de cruzar e gerar uma prole fértil. Ainda que seja uma definição adequada na maioria dos casos, medidas de diferenciação mais precisas são frequentemente usadas, como a similaridade do DNA, morfologia ou nicho ecológico.

Humano – Animal da espécie humana, homo sapiens.

Pessoa – Entidade portadora de personalidade. Dentre as características da personalidade estão a consciência, a agência, a memória e a auto-imagem. Aceito este conceito, nem todo humano é uma pessoa e uma pessoa não necessariamente é um humano (pode ser um animal, uma máquina, um espírito, etc).

O argumento:
Esta é a mais absurda. Os defensores do aborto dizem que embriões não são “pessoas”. Bom, pessoas jurídicas como por exemplo eu, você, a Microsoft e a Dercy Gonçalves eles realmente não são enquanto não tiverem seus direitos reconhecidos. No entanto, como vc deve ter reparado, o conceito de “pessoa” varia de acordo com cada campo de estudo.

No Direito, pode ser uma instituição (como a Microsoft), bem como não deixa de ser pessoa quem já morreu (Dercy Gonçalves). Em outras áreas como Psicologia ou Filosofia, o termo é ainda mais complexo. Basicamente, uma pessoa é um ser dotado de personalidade, o que inclui alguns atributos como consciência, auto-imagem, agência e memória.  Em resumo, um humano não necessariamente é uma “pessoa” e uma pessoa não necessariamente é um humano.

Mas o que nós cidadãos comuns queremos dizer com “pessoa” e “gente”? Obviamente estamos nos referindo aquilo que reconhecemos de prontidão: o animal da espécie humana. Um humano, um homem.  O embrião, sobre o qual se discute tanto, pertence à espécie humana.

Exemplos de "amontoados de células".

Alguns, no entanto, vão dizer que ser “tecido humano” ou “aglomerado de células humanas” não te faz um humano (óbvio que isto desconsidera os conceitos previamente abordados de indivíduo e ser vivo). Nesta estratégia vão tentar convencer o cidadão médio de absurdos como dizer que um embrião é tão humano quanto é um tumor ou um apêndice (novamente, só se assumirmos como verdade as duas mentiras anteriores – mentira 1 aqui e mentira 2 aqui).

O principal argumento deles é que as células embrionárias podem gerar diferentes tipos de tecido.

Óbvio, há algo errado aí. Tudo que pode “surgir” deste embrião humano é humano. Não sairá dali jamais um gato, uma pedra, uma planta ou qualquer outra coisa que não tenha estrita relação com o DNA humano. O fato de um embrião estar gerando tais células se dá porque ele está crescendo, se desenvolvendo em estruturas maiores e mais complexas. Ou seja, está realizando o processo anti-entrópico que contraria a entropia universal que decompõe todas as coisas não-vivas.  Um embrião, portanto, não só tem identidade própria e é vivo, como também é um humano.

Artigos anteriores:
Parte II aqui.
Parte I aqui.

Pró-vida – uma escolha lógica (parte II)

Dando seguimento à nossa série de artigos em defesa da vida humana, vamos continuar denunciando o tipo de mentira que se usa para defender o assassinato de humanos in utero. Segue a segunda mentira:

II. A mentira do “bebê-zumbi”

Conceitos-chave:

Vida – Enquanto conceito biológico, a manutenção dos processos biológicos que sustentam um sistema vivo. Dentre outras características podemos citar a homeostase, organização biológica, crescimento, adaptação e resposta a estímulos. Podemos resumir como a geração da entropia negativa (ou: antientropia), se concordarmos com o conceito de Schrödinger.

Processo entrópico (entropia) – De acordo com a segunda lei da termodinâmica, “A quantidade de entropia de qualquer sistema isolado termodinamicamente tende a incrementar-se com o tempo, até alcançar um valor máximo”. Mais sensivelmente, quando uma parte de um sistema fechado interage com outra parte, a energia tende a dividir-se por igual, até que o sistema alcance um equilíbrio térmico. Em resumo, os sistemas tendem a dissipar a própria energia para manter um equilíbrio térmico.

No nosso caso, podemos assumir que é o processo pelo qual as estruturas físicas decompõem-se sempre em estruturas cada vez mais simples enquanto dissipam energia. É o que acontece com todas as coisas inanimadas como rochas, ou de tecido orgânico morto. Neste artigo, chamaremos “entropia” o processo entrópico segundo o qual todas as coisas se decompõem.

Processo anti-entrópico (entropia negativa) – É o processo pelo qual estruturas físicas desenvolvem-se em estruturas mais complexas enquanto consomem, transformam e geram saídas de energia.  É o que acontece com todos os seres vivos: crescimento celular e reprodução. Neste artigo, chamaremos “entropia negativa” o processo antientrópico segundo o qual todos os seres vivos mantém o equilíbrio interno de seus sistemas, retardando a morte.

Entropia negativa residual – É o quantum de energia residual em partes de sistemas vivos. No caso do ser humano, partes de seu sistema vivo não podem sobreviver muito tempo se não estiverem integradas ao sistema. O período – quase sempre muito curto – pelo qual podem manter-se se dá por esta energia residual armazenada nas células ainda vivas.

Morte – A interrupção da entropia negativa, que culmina com a interrupção de todas as funções e processos biológicos de um sistema vivo. A morte é um processo irreversível: a partir do mesmo, o sistema segue o processo entrópico universal e se decompõe.

O argumento:
O embrião mantém o próprio processo antientrópico característico de todos os sistemas vivos. Mas, segundo alguns defensores do aborto, só devemos considerar como vivo aquilo que já tem atividade cerebral (o que, obviamente, coloca ouriços-do-mar e todo o reino vegetal na categoria de coisas “não-vivas”, além de invalidar o pseudo-argumento da propriedade da mãe sobre o próprio corpo, o que independe do embrião estar vivo ou não).

O tal argumento, no entanto, desconsidera fatos óbvios e verificáveis pela ciência. O primeiro é que a presença ou não de atividade cerebral nunca foi conceito para determinar se um ser é vivo ou não. O segundo é que a atividade cerebral evolui juntamente com a neurogênese e portanto desde a formação do primeiro neurônio (lá pelo 31º dia de fertilização). Não existe um marco inicial para dizer “a partir deste momento, fulano de tal está vivo” levando em consideração o grau de desenvolvimento de qualquer órgão que seja. Um ser vivo está vivo desde o exato momento que passa a existir. No caso de nós vertebrados com reprodução sexuada, quando da fusão das duas cargas genéticas que cria um indivíduo novo, com identidade própria e mantenedor do próprio processo antientrópico.

Portanto, se seguissemos a lógica da argumentação de certos abortistas, decorreria que num primeiro momento o ser humano está literalmente morto, depois passa a viver (assim, do nada) e depois volta a estar morto. Qualquer semelhança com animismo, shamanismo e golems judaicos é mero charlatanismo.

O ciclo da vida para os defensores do aborto: morto, vivo, morto?
Parte I aqui.

Pró-vida – uma escolha lógica (parte I)

A legalização do aborto gera controvérsia e debates pelo mundo. Vemos países que recentemente legalizaram a prática (Uruguai) e outros que buscam baní-la (Espanha). Eu particularmente sou contra o aborto, pois defendo a vida e acredito que ela é tão cara e frágil que devemos defendê-la a qualquer custo. Esta série de artigos busca trazer argumentos diretos a favor da vida, sem qualquer apelo a religião. O objetivo é demonstrar, um por um, que a maior parte dos argumentos em favor do aborto são baseados em falsas premissas, em mentiras e falseamento de raciocínio, além de algumas estratégias sujas.

Hoje vamos desmistificar a primeira mentira.

I. A mentira do “próprio corpo”

Conceitos-chave:

Indivíduo – Um ente indivisível. É considerado individual todo ser contíguo – não disperso, não fragmentado e nem exibindo ausência de coesão entre suas partes no espaço-tempo.

Identidade – Característica do indivíduo, é aquilo que o distingue de todos os outros indivíduos. É o que faz dele ele mesmo e não qualquer outra coisa. A identidade de um ser humano, por exemplo, pode ser verificada pela carga genética.

O argumento:
Quem defende o aborto diz que é um direito da mulher escolher ter ou não o bebê, pois a mesma tem direito sobre o próprio corpo. Porém, se esquece de um detalhe importante: o bebê tem um corpo próprio. São dois indivíduos humanos envolvidos diretamente nessa escolha. O feto, esperneiem os pseudocientistas o quanto quiserem, não é só um “amontoado de células” (não somos todos amontoados de células?) e muito menos é algum tipo de extensão do corpo da mãe como um apêndice ou uma verruga. Desde o momento da fusão das duas cargas genéticas (do pai e da mãe), temos uma carga genética nova e única: ela caracteriza a identidade própria do embrião. O embrião não só tem uma carga genética única e própria como desenvolve todos os seus processos biológicos fora de sincronia com a mãe. O embrião é tratado como um corpo estranho pela mãe, motivo pelo qual é combatido com anticorpos. O sistema de defesa do embrião contra os anticorpos da mãe é a origem da placenta.

Reprodução humana, segundo a descrição dos defensores do aborto. Como podemos comprovar, mãe e filho são ambos o mesmo indivíduo.