Pobre de direita

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Estado Inchado

“Pobre não pode ser de direita”. Meu filho, uma das razões para eu ser de direita é justamente o fato de eu ser pobre. Por eu ser pobre eu não quero um governo que dificulte a vida de pequenas e médias empresas com excesso de impostos e burocracia, pois isso reduz o número de empregos e torna os preços dos produtos mais alto. Quem sofre mais com isso? O pobre.

Por eu ser pobre eu não quero um governo com a mentalidade criminosa de imprimir dinheiro às pampas para pagar dívida pública e derrubar taxas de juros, pois isso gera inflação de preços à médio e longo prazo. Quem sofre mais com a inflação? O pobre.

Por eu ser pobre eu não quero um governo mantendo um monte de empresas estatais ineficientes, que comem dinheiro dos meus impostos e que também servem aos interesses de corruptos e totalitários que as aparelham. Quem mais sofre por ter que pagar pelos rombos dessas empresas? O pobre.

Por eu ser pobre eu não quero um governo que veja vagabundo criminoso como vítima da sociedade, pois a maioria dos pobres é honesta e não se torna criminosa por conta de condição social. Por outro lado, a classe mais criminosa que existe (a classe política) é também a mais rica. Enquanto criminoso é tratado como vítima, as reais vítimas (cidadãos inocentes) permanecem à mercê dos criminosos. E qual o tipo de cidadão inocente que está mais à mercê da violência dos criminosos? O pobre.

Por eu ser pobre eu não quero um governo que crie incentivos para que os alunos de escolas públicas (pagas com o meu dinheiro de impostos) não tenham limites, fazendo da sala de aula um inferno e dificultando assim a vida dos bons alunos que desejam aprender e dos bons professores que desejam ensinar. Quem mais sofre com essa falta de limites permitida e estimulada pelo governo nas escolas públicas? O pobre.

Por eu ser pobre eu não quero um governo que use as escolas públicas também como centros de doutrinação sexual e marxista, a fim de que professores desonestos destruam a inteligência e a moralidade daquela parcela pequena de alunos esforçados que ainda resta nesse inferno que se tornou a escola pública. Quem mais sofre com essa doutrinação nas escolas públicas? O pobre.

Por eu ser pobre eu não quero um governo que utilize bolsas importantes para pessoas carentes sem critérios sólidos, de forma populista, como moeda de troca para votos. Isso é chantagem. E quem mais sofre com essa chantagem? O pobre.

Por eu ser pobre eu não quero um governo que supervalorize os concursos públicos, enquanto menospreza a atividade empreendedora. Ao fazer isso, o governo fomenta a cultura exdrúxula de desejar trabalhar pouco (e sem riscos) ganhando muito através dos impostos de quem trabalha muito e ganha pouco. Esse tipo de cultura perpetua uma desigualdade social criada pelo próprio Estado, desestimula o empreendedorismo, lota o setor público (o que significa mais impostos para sustentar a máquina estatal) e, ademais, uma vez que quem passa em concurso geralmente é quem tem mais grana, quem é que mais sofre com isso adivinha quem é? O pobre.

Por eu ser pobre, eu não quero um governo que faça de tudo para me proibir de ter uma arma de fogo. Cabe ao Estado a segurança pública. Mas cabe ao cidadão a segurança individual. Ao me privar do direito de autoproteção (ou me criar grandes dificuldades para obtê-lo), o governo me faz refém do Estado, bem como de corruptos, déspotas e vagabundos. Uma vez que o pobre não tem condições de contratar seguranças individuais para o proteger, quem mais sofre com um governo que ataca o seu direito de autoproteção? O pobre.

Por eu ser pobre, eu não quero um governo ache errado o sistema de vouchers escolares e o homeschooling. O cidadão não é um capacho do governo e sua liberdade deve ser respeitada. O voucher escolar nada mais é do que uma bolsa dada pelo governo para cidadaõs carentes em um colégio privado de sua escolha. Substituir parte das escoals públicas pelo sistema de vouchers é uma forma de esvaziar as salas de escolas públicas (que são muito cheias), reduzir o desvio de verba (já que o financiamento passa a ser individual) e dar ao cidadão o poder de escolha. Já o homeschooling é o ensino em casa, a educação provida pelos pais aos seus filhos, no caso de não desejarem que ele frequente uma escola formal. Uma vez que a família é quem educa, em primeiro lugar, ela deve ter primazia sobre essa escolha. Quando o governo proíbe essas duas modalidades, retira da família o poder de escolher uma educação que julgue melhor para seus filhos. Quem mais sofre com isso? O pobre.

Por ser pobre, eu não quero que o governo me obrigue a “contribuir” com o INSS, pois o sistema previdenciário público é uma pirâmide, vive cheio de rombos (pois o governo usa dinheiro de aposentadoria para cobrir suas despesas) e eu acharia mais seguro aplicar em algum investimento bancário ou numa previdência privada. Quem mais sofre com essa obrigação trabalhista? O pobre.

Por ser pobre, eu não quero que o governo proíba que novos serviços melhores e mais baratos surjam em diversas áreas. O Estado não deve proibir o UBER, não deve taxar a NETFlIX, não deve meter a mão no Whatsapp. Aliás, o Estado não deve impedir que novas empresas entrem e concorram entre si na telefonia (como faz hoje através da Anatel), na TV fechada, na internet, nos transportes, nos serviços postais ou seja lá o que for. Quando o governo fecha esses mercados, criam-se monopólios e o povo fica na mão de algumas poucas grandes empresas. Quem mais sofre com isso? O pobre.

Por ser pobre, eu não quero um governo que ataque os valores familiares. Quando o governo faz isso, desestrutura as famílias, estimula a geração de filhos rebeldes e acaba por fragilizar uma das colunas da sociedade. Quem mais sofre com a desestruturação das famílias? Ora, quem tem menos dinheiro claro. O pobre.

Por ser pobre, eu não quero um governo que enxergue a ordem, o respeito à autoridade, o civismo e a hierarquia como formas de opressão. Não quero um governo, alías, que menospreze as forças militares, ignorando suas virtudes, retirando sua moral e sucateando-as. Quando o governo faz isso, fragiliza as relações entre os cidadãos entre si e dos indivíduos para com as leis. Quem mais sofre com isso? Ora, quem já sofre com a falta de condições. O pobre.

Por ser pobre, eu não quero um governo para o qual seja bom que existam pobres. O governo não deve ser um defensor dos pobres, mas sim um defensor da criação de condições, a fim de que a sociedade prospere. Quem mais sofre com governos que desejam a existência de pobres? O pobre.

Por ser pobre, eu não quero um governo que exalte regimes totalitários que cometeram os maiores genocídios do mundo. Nesses regimes, o pobre sempre foi tratado como número. Passou fome, sofreu perseguição do governo, violação dos direitos humanos e virou adubo. Quem mais sofre com um governo que apoia essa mentalidade? O pobre.

Por ser pobre, eu não quero um governo que utiliza bancos públicos para financiar projetos de grandes empresários e obras em países totalitários e ditatoriais. Afinal, trata-se do meu dinheiro de impostos. Não é justo que eu, pobre, trabalhe tanto para sustentar o populismo de ditadores e os projetos de empresas bilionárias. Quem mais sofre com esse por ser obrigado a financiar esta imoralidade? O pobre.

Por eu ser pobre, não quero um governo que usa meu dinheiro para financiar artistas, projetos artísiticos e clubes de desportos. Se o dinheiro é meu, devo financiar os artistas, projetos e clubes que eu admiro e desejo financiar, e não os que o governo crê que eu devo ajudar. É um absurdo trabalhar tanto, tendo tantas contas para pagar, e ser obrigado a pagar pelos salários e projetos de quem não presta nenhum serviço para você. Quem mais sofre com esse dinheiro tirado à força? O pobre.

Por eu ser pobre, não quero um governo que usa meu dinheiro para financiar mais de trinta partidos políticos. Partidos políticos devem ser sustentados por doações espontâneas. Não é justo que meu dinheiro suado seja perdido para sustentar partidos que sequer me representam. Quem mais sofre mais uma vez com esse dinheiro tirado à força? O pobre.

Por eu ser pobre, não quero um governo que gaste bilhões anualmente com para sustentar seus próprios cargos. Grande parte do dinheiro suado do povo vai para inúmeros gabinetes de políticos, secretarias, ministérios, além de salários e benefícios vergonhosos de toda essa gente. A classe política traz um peso enorme para o bolso do pagador de impostos. E quem mais sofre com isso? O pobre.

Por eu ser pobre, não quero um governo que gaste bilhões anualmente com presidiários vagabundos. Não é justo sustentar pessoas que mataram, roubaram, estupraram, sequestraram. Preso precisa trabalhar para sustentar sua estadia na prisão, para produzir riqueza para a sociedade e, claro, para aprender a ganhar as coisas através do trabalho honesto. O trabalho dignifica o homem; a vagabundagem não. Quando o governo sustenta vagabundo na prisão gera custos altos para a sociedade e nada faz para torná-lo uma pessoa melhor. E quem mais sofre com esses custos altos e essa verdadeira fábrica de vagabundos? O pobre.

Por eu ser pobre, eu não quero um governo que se utilize de argumentos econômicos para legalizar o aborto. Aborto é assassinato de inocentes. Usar argumentos econômicos para assassinar crianças é uma forma de banalizar a vida, a maternidade, a paternidade, a família, além de dinamitar a moral e usar mais uma veaz a pobreza para justificar atrocidades. Quem mais sofre com esse oportunismo e banalização da vida? O pobre.

Por eu ser pobre, eu não quero um governo que nos divida em classes e subclasses, criando ódio mútuo e nos impedindo de lutar contra o verdadeiro inimigo, contra a verdadeira elite, que é a classe burocrata. É a classe burocrata que nos tem mantido na pobreza, na miséria, na humilhação, tolhendo nossa liberdade e sugando nosso dinheiro para se manter no poder e sustentar seus luxos. O inimigo nunca foi o patrão ou o empregado, o homem ou a mulher, o hetero ou gay, o negro ou o branco. O inimigo é o Estado inchado, é a classe política poderosa, são os beneficiados da burocracia. Quem mais sofre com essas divisões e ódio mútuo que o governo estimula para nos cegar? O pobre.

Por eu ser pobre, eu não quero um governo que deseja centralizar tudo (direta ou indiretamente). A sociedade deve ter autonomia para resolver seus problemas em suas cidades, bairros, vizinhanças. As escolas devem ser mais independentes, as universidades, as empresas, os hospitais, as famílias, os comerciantes, os indivíduos. Não precisamos do Estado para observar cada passo que damos. Quem mais sofre com todo esse controle ferrenho é o pobre. O rico também é roubado (e muito) pelo governo. Mas ele ainda pode chorar confortável dentro de seu carro de luxo. O pobre chora no ônibus ou trem lotado, todos os dias, sob a escravidão de um Estado inchado mantido e alimentado pela esquerda. Para mim, ser pobre e de esquerda é que é o absurdo. Eu desejo liberdade.

Pré-candidato à prefeitura do Rio pleiteia na Justiça concorrer sem partido

Mezzomo

O advogado e professor universitário Rodrigo Mezzomo, pré-candidato à prefeito da cidade do Rio de Janeiro,  entregou hoje (15/08) um requerimento à Justiça Eleitoral para pleitear o direito de disputar as eleições sem se filiar a um partido político. Em sua página no Facebook o pré-candidato escreveu:

Inicia-se aqui uma importante jornada por liberdade individual.

Estamos pleiteando ao Judiciário o reconhecimento do direito de um cidadão se candidatar SEM PARTIDO.

Entendemos que a candidatura independente deriva diretamente dos fundamentos da República brasileira (CF/88 Art. 1º), em especial a cidadania, a dignidade da pessoa humana e o pluralismo político.

Além disso, lembramos que ninguém pode ser compelido a associar-se ou permanecer associado (CF/art. 5º, XX) e, assim sendo, nem mesmo a lei pode compelir alguém a se filiar a um partido para poder gozar da plenitude de sua cidadania política.

Poucos lembram que o (i) Pacto de São José da Costa Rica, o (ii) Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos e a (iii) Declaração Universal dos Direitos do Homem asseguram aos indivíduos o direito de participarem diretamente das eleições, votando e sendo votados, livres de injustos obstáculos ou infundados entraves.

Poucos lembram que os partidos políticos são entidades de natureza privada e, portanto, atribuir-lhes o monopólio do acesso à vida pública significa a privatização da própria cidadania, justamente aquilo que não pode ser privatizado!

É preciso mencionar, ainda, um imperativo de ordem lógica: se nossa legislação permite que um indivíduo exerça um mandato sem partido, deve, por razões lógicas, poder pleiteá-lo sem estar filiado a um partido. Lembre-se: aquele que pode “o mais” também pode “o menos”;

O reconhecimento do direito à candidatura independente não retira, priva ou afeta direitos dos candidatos que se lançam por partidos políticos, portanto, não há nenhum prejuízo aos candidatos partidários;

Assim sendo, em suma, no tocante à filiação partidária prevista como condição de elegibilidade (CF de 1988, Art. 14, §3º, V), deve a mesma ser interpretada como alternativa, ou seja, como escolha ou preferência do candidato, jamais como obstáculo, impeditivo ou restrição.

A correta interpretação da lei implica entender a FILIAÇÃO PARTIDÁRIA COMO UMA OPÇÃO DO CANDIDATO, NÃO COMO UMA OBRIGAÇÃO.

A filiação partidária deve ser um bônus, não um ônus. Em suma, filiação partidária não pode ser embaraço ao cidadão que deseja se lançar candidato aos cargos nos Poderes Executivo ou Legislativo.

Se seu requerimento for aprovado, isso significará uma grande vitória para a liberdade individual e um ataque importante ao atual sistema partidário, dando ao cidadão um leque maior de escolhas.

Ademais, no caso de Mezzomo conseguir a candidatura avulsa, a cidade do Rio de Janeiro contará com dois candidatos de direita disputando as Eleições Municipais: o próprio Rodrigo Mezzomo e Flávio Bolsonaro, atualmente deputado estadual pelo PSC-RJ. Com fichas limpas, boas propostas e posições à direita, os dois candidatos proporcionarão aos cariocas a oportunidade não precisarem votar em candidatos de esquerda ou de centro por falta de uma opção de direita.

Rótulos políticos: necessidades e problemas

Rotulos politicos - diagrama de Nolan

 

Como os rótulos políticos, embora às vezes necessários, podem prejudicar o debate, alimentando o pensamento coletivo e reprimindo o pensamento individual.

 

Acompanho eventualmente grupos no Facebook vinculados aos ideais de liberdade e frequentemente vejo debates, muitos acalorados, que instigam aos participantes a definir a sua visão filosófica, política ou econômica. Ancap, minarquista, libertário de esquerda ou liberal clássico? Nessa mistura de conceitos associam-se ainda desde partidários do objetivismo até as insígnias rotuladas como “conservadoras” ou de “direita”. Alguns se posicionam compreensivelmente em mais de um rótulo, pois enquanto uns possuem vertentes mais fortes no campo econômico, outros reforçam suas teses nas trilhas políticas. Alguns conceitos são mais puros e não deixam margem à duvidas, como o objetivismo, mas outros, como “liberal”, podem causar confusões, principalmente em função do local de origem. Ser liberal aqui, em função da tradição do liberalismo inglês, é uma atitude bem diferente de ser liberal nos Estados Unidos, por exemplo, onde a esfera política que se denomina de “esquerda” se apropriou desse termo. Já aqui ela o abomina. Mas será que dar extrema importância para essas classificações é válido atualmente?

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Colocando os pingos nos i’s (ou: assumam as merdas que vocês fazem)

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DilmaTem gente dizendo que o PT se entregou ao capitalismo, deixando de ser de esquerda e se tornando um partido de direita. Será?

Bem, capitalismo é um sistema econômico baseado em três fatores: Industrialização, Propriedade Privada e Livre Mercado. Quanto maior forem estes três fatores em um país, mais ele é capitalista. Quanto menor, menos capitalista. Se estes fatores forem muito fracos, o país não é capitalista.

A direita defende, a nível econômico, um capitalismo saudável. Isto é, um sistema com bastante liberdade econômica, baixos impostos, pouca burocracia para se criar e manter uma empresa, propriedade privada bem assegurada, pouca intervenção governamental, competitividade entre as empresas e boas condições para desenvolvimento da indústria.

Mas como medimos esses fatores em um país? Há alguns índices internacionais conceituados que podem nos ajudar nessa tarefa. O que precisamos fazer é simples: averiguar a posição do Brasil em cada um desses rankings. Vejamos:

– Economic Freedom (Liberdade Econômica): índice anual publicado pela Heritage Foundation. Avalia a liberdade econômica de 178 países. O Brasil se encontra hoje na 118° posição desse índice, sendo classificado pela instituição como “Mostly Unfree” (muito não-livre).

– Doing Business (Fazendo Negócios): índice anual publicado pela instituição de mesmo nome. Avalia o grau de facilidade de se fazer negócios na economia de 189 países. O Brasil está hoje na 120° posição desse índice.

– World Competitiviness Ranking (Ranking de Competitividade Global): índice anual publicado pela IMD com 60 países industrializados. Avalia como os países manejam seus recursos econômicos e humanos para gerar prosperidade. O Brasil está na 54° posição desse ranking.

– Competitividade Brasil: índice anual publicado pela CNI. Avalia o grau de competitividade industrial de 15 países selecionados com potencialidades semelhantes. O Brasil está na 14° posição.

Como podemos ver, o Brasil está bem distante de ser um país capitalista ou livre economicamente.

Podemos ainda citar outros dados.

– O brasileiro atualmente paga cerca de 36% de tributos ao Estado. Isso dá cerca de cinco meses trabalhando só para pagar impostos. É uma carga tributária muito alta. Ora, a direita luta pela diminuição de impostos. No entanto, ano após ano, eles só aumentam.

Alguns países desenvolvidos ainda tem uma carga tributária maior que a nossa, como é o caso dos países escandinavos. Mas o retorno que seus Estados oferecem à população é tão maior que o nosso, que o impacto é reduzido. Curiosamente, esses países apresentam números bem mais capitalistas que os nossos, o que demonstra que mesmo “Estados de bem estar social” precisam ter um capitalismo saudável para sustentá-lo. No Brasil, contudo, os impostos são altos e o mercado é engessado.

– O governo brasileiro, ao longo de três décadas, desconstruiu a autoridade do professor brasileiro dos ensinos fundamental e médio dentro de sala de aula. Há cada vez mais restrições a dar limites aos alunos, que sem padrões estabelecidos de conduta, tem feito o que querem em sala. A pretexto de construir um novo modelo de educação, de proteger a criança e o adolescente e de manter as escolas cheias, o governo dissipou a ordem, a moral e os bons costumes entre os estudantes, e amarrou as mãos dos professores e diretores.

– O governo brasileiro hoje torna quase impossível que um pai eduque seu filho em casa (o chamado “Homeshooling”, popular em vários países desenvolvidos). Assim, o cidadão brasileiro é obrigado a se sujeitar a um ensino público péssimo, que servirá para compor os números que os governantes querem, e para encher a cabeça das crianças de doutrinação ideológica.

– O governo brasileiro desconsidera a ideia de implementar o sistema de “Vouchers Escolares”, onde os pais são livres para escolher um colégio privado de qualidade e o governo financia os estudos da criança, em vez de obrigá-la a se submeter a uma instituição pública falida.

– O governo brasileiro proíbe que os pais disciplinem suas crianças com palmadinhas.

– O governo brasileiro discute criminalização da homofobia e do feminicídio, mas nada faz para manter presos os motoristas bêbados que matam pessoas todos os dias, ou para tornar mais rígido todo o código penal, a fim de não termos mais assassinos reincidentes (pois eles estarão presos). Aliás, o governo pouco se importa com os 50 mil homicídios anuais, algo que deveria ser a principal prioridade de qualquer governo.

– O governo brasileiro se recusa a terceirizar presídios, mesmo eles sendo muito melhores em qualidade e muito mais baratos.

Ora, o PT e sua base aliada, bem como a maioria dos governantes brasileiros, tem mantido essa mesma estrutura há anos. Qualquer partido político ou governo que suba ao poder e não aja no sentido de mudar drasticamente esse cenário, pondo o Brasil nas primeiras posições dos rankings econômicos mencionados, fortalecendo as leis penais para evitar reincidências e dando ao indivíduo a possibilidade de escolher o que é melhor para sua vida e para a criação dos seus filhos, NÃO É um partido/governo de direita. É de esquerda.

Coloquemos os pingos nos i’s: a esquerda não gosta de livre mercado, de economia competitiva, de cidadão escolhendo o que é melhor para si a despeito do governo, de cidadão criando o seu filho segundo suas regras, de lei penais rígidas, de regras escolares rígidas, de limites de conduta. A esquerda simplesmente foge de tudo isso.

O que o brasileiro hoje vê no seu país está há anos-luz de uma economia liberal e um governo de direita. Anos-luz. E ver pessoas afirmando que o PT é de direita e capitalista só mostra o quanto a hegemonia da esquerda já avançou nesse país. Um grupo de idealistas joga todos os problemas criados pelo seu partido na conta da direita e um monte de gente acredita! A estes, fica a nossa mensagem: assumam as merdas que vocês fazem. Nós tem nada a ver com esse partido.

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Referências:

Pensando direito: como a direita pode inovar na política – Parte 1: Reforma Política

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Pensador 1Tenho refletido cada vez mais vez sobre novas medidas políticas que poderiam ser propostas pela direita, baseadas em seus princípios básicos de Estado enxuto, governo limitado, economia livre, liberdade individual, leis penais rígidas e força policial valorizada e bem estruturada. Tal exercício é uma maneira de demonstrar às pessoas como o pensamento de direita tem capacidade de inovar em suas ideias, criando soluções efetivas para diversos problemas sem abrir mão de seus princípios. Além disso, é uma maneira de incentivar a direita brasileira (hoje sem um partido que a represente) a tomar mais forma.

Com isso em mente, resolvi fazer uma série sobre o tema. Nessa primeira postagem, eu gostaria de abordar a questão da reforma política. Que tipo de reforma política a direita poderia propor? Quais as principais medidas poderia fazer parte dela? Como elas ajudariam a combater o problema crônico da corrupção? Elencarei doze pontos que julgo serem bastante interessantes. Abaixo, explicarei cada um deles.

1) Limitar o número de reeleições para cargos legislativos.
2) Criar um hiato a cada dois mandatos.
3) Autofinanciamento partidário.
4) Fim das propagandas políticas na TV e no Rádio.
5) Criação de debates na TV e no Rádio para os cargos legislativos.
6) Criação de prova bienal para validar candidaturas.
7) Exigência de Nível Superior para a ocupação de cargos políticos.
8) Criação de concurso para a nomeação de juízes no STF.
9) Fim do voto obrigatório.
10) Contagem de votos nulos e brancos como um candidato.
11) Redução das concessões públicas para cinco anos.
12) Redução ou fim do repasse de dinheiro público para concessionárias.

Explicando os pontos:

1) Limitar o número de reeleições para cargos legislativos:
Os cargos legislativos (vereador, deputado e senador) não terão mais direito a reeleições ilimitadas, como hoje acontece. A lei permitirá apenas UMA reeleição, em conformidade com o que já ocorre com os cargos executivos (prefeito, governador e presidente). Ou seja, um legislador só poderá legislar, no máximo, por dois mandatos seguidos (oito anos). Isso impedirá que políticos façam carreira como legisladores.

2) Criar um hiato a cada dois mandatos:
A cada dois mandatos governados por um político (mesmo em cargos diferentes), o mesmo não poderá se candidatar a nenhum cargo nas próximas eleições. Como cada eleição ocorre bienalmente, o hiato será de dois anos. Em suma, o político ficará inelegível por dois a cada oito anos governados. Isso criará rotatividade nas cadeiras e manterá vivo na memória de todos que política não é carreira.

3) Autofinanciamento partidário:
Explicarei este ponto melhor na próxima postagem. Mas é possível fazer. Neste sistema, os próprios filiados contribuem mensalmente com o partido, que guarda o dinheiro por dois anos para poder fazer as suas campanhas. Serão proibidas doações de empresas e não haverá financiamento público. Qualquer pessoa física que quiser doar, só poderá doar mediante comprovação de renda. E a doação não poderá superior a 30% da renda do doador. O nome do doador deverá ficar registrado no cadastro de filiados do partido como contribuinte. Esse conjunto de lei tornará os partidos mais responsáveis e econômicos na gestão de seu dinheiro, já que eles mesmos terão de se sustentar. Também evitará aumento de gastos dos cofres públicos, a imposição à população de financiar partidos com os quais não concordam e a compra de favores por empresas.

4) Fim das propagandas políticas na TV e no Rádio:
Bom marketing não significa boa política. Propagandas com musiquinhas, discursos óbvios, pessoas falando bem do candidato, imagens com abraços e etc., não nos servem de nada. Além do mais, política não é comércio. A Coca-Cola pode fazer propaganda para que as pessoas comprem esse veneno. Só quem quiser comprar será prejudicado. Agora, se um político incompetente ou corrupto convence alguém pela propaganda e ganha a eleição, sai perdendo tanto quem votou quanto quem não votou. Como TV e Rádio são coisas públicas e abertas, não deve propagar marketing político nenhum. Elas devem ser totalmente proibidas. Os partidos e candidatos devem fazer suas propagandas através de panfletos, banners, jornais próprios, sites e vídeos na internet, palestras, comícios e debates. Os debates poderão e deverão ser transmitidos por TV e Rádio.

5) Criação de debates na TV e no Rádio para os cargos legislativos:
Tal como é para os cargos executivos, os cargos legislativos também deverão participar de debates na TV e no Rádio. Como não há como colocar todos os candidatos em um programa, cada partido ou coligação escolherá um representante para participar do debate. Temos hoje 32 partidos no Brasil. Como sempre há coligações, é pouco provável participe mais de dez candidatos em um debate.

6) Criação de prova bienal para validar candidaturas:
Administrar uma cidade, estado ou país não é fácil. Logo, é preciso ter a certeza de que nossos candidatos tem o mínimo de estudo e aptidão para ocuparem cargos políticos. Sendo assim, a cada eleição, os candidatos deverão prestar uma prova (preferencialmente a do ENEM) para validarem sua candidatura. O candidato deverá não zerar em nenhuma disciplina (incluindo a redação) e acertar mais de 50% da prova.

7) Exigência de Nível Superior para a ocupação de cargos políticos:
Ninguém iria a um médico que não tivesse cursado medicina, ou escolheria um advogado que não tivesse cursado direito. Na verdade, essas coisas são ilegais. Da mesma forma, não devemos aceitar que os administradores de nossa cidade, estado ou país não tenham nível superior.  Sendo assim, os candidatos a cargos políticos deverão ter ensino superior completo em qualquer área de conhecimento.

8) Criação de concurso para a nomeação de juízes do STF:
Esta lei inviabiliza uma nomeação com segundas intenções por parte dos poderes executivo e legislativo. A democracia e a tripartição dos poderes está melhor resguardada se as nomeações ocorrem mediante mérito em prova. Os demais critérios como reputação ilibada, por exemplo, permanecerão, evidentemente.

9) Fim do voto obrigatório:
Não votar é direito legítimo e que deve ser respeitado. Ademais, obrigar pessoas a votar é abrir brecha para que muita gente vote sem consciência. O voto facultativo reduzirá o eleitorado à apenas aqueles que realmente querem votar e sabem o que estão fazendo.

10) Contagem de votos nulos e brancos como um candidato:
O voto nulo ou branco deve valer como se fossem votos a um candidato. Porque na verdade são. O indivíduo que vota nulo ou branco está dizendo que não quer nenhum dos candidatos presentes. Seu voto deve ser respeitado. E se a maioria de um lugar vota assim, nenhum candidato deve ganhar. Novas eleições precisam ser convocadas, com novos candidatos. Da mesma maneira, deve-se prever a possibilidade de um candidato disputar o segundo turno com ninguém, caso o número de votos nulos e brancos tenha sido maior que os votos em todos os outros candidatos. E, neste caso, pode-se perder para os nulos e brancos no segundo turno, convocando-se novas eleições com novos candidatos.

11) Redução das concessões públicas para cinco anos:
Esta medida irá evitar que empresas privadas que ganharam licitações do governo permaneçam anos sem se preocupar a qualidade de seus serviços prestados. O tempo reduzido de cinco anos obrigará todas as empresas a correrem para apresentarem um bom serviço, a fim de conseguirem renovar a concessão ao fim de cinco anos. Para o caso das concessões que se configuram monopólios naturais (isto é, que não tem como haver concorrência, como: companhia elétrica, companhia de água e esgoto, companhia de trem e metrô), o tempo reduzido serve como um substituto da concorrência entre várias empresas simultaneamente.

12) Redução ou fim do repasse de dinheiro público para concessionárias:
As empresas que ganham licitações devem investir na empresa e se sustentar através do lucro conseguido e não de repasses do governo. Se esses repasses precisarem ocorrer, devem ser limitados e referentes a contas fixas, como a de energia elétrica e água. Quanto menos dinheiro público estiver envolvido em qualquer área, menor será o risco de corrupção.

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Obs.: Na próxima postagem, analisaremos pormenorizadamente a proposta do autofinanciamento partidário.

Por que me tornei de direita? – Parte 2

Este texto foi originalmente publicado no blog “Mundo Analista“. Para ler na página original, clique aqui.

L x LightNa última postagem, iniciei um texto explicando quais foram as razões que me levaram a virar de direita. Como o texto ficou muito grande, eu o dividi em duas partes e o subdividi em oito capítulos e uma conclusão. Na parte 1, vimos os cinco primeiros capítulos.

Agora, veremos os últimos três e a conclusão. Se o leitor não leu a parte 1, clique aqui e leia. É essencial para entender a parte 2, já que se trata de um texto só. Ao fim desse texto, colocarei também uma lista de textos meus que falam mais pormenorizadamente sobre cada tema que citei nesse texto. Agora, vamos à continuação do texto.

Capítulo 6: A cultura mortífera de esquerda

Quando você se torna conservador em política, começa a entender que as ideias esquerdistas são ruins e mortíferas não apenas em economia, política e filosofia. Elas também são uma desgraça moral e cultural. Esquerdistas procuram destruir tudo o que é bom, alegando ser opressivo e preconceituoso. Assim, eles vivem disseminando ideias contra a religião e os religiosos, as artes clássicas europeias, a castidade antes do casamento, a moral judaico-cristã, a noção de verdade e moral absolutas, a repreensão de filhos mal criados, a criminalização das drogas pesadas e etc.

O resultado é o rebaixamento dos padrões de cultura, a idiotização das pessoas, a disseminação de uma vida sexual promíscua, a elevação do prazer individual acima da dignidade humana, a geração de músicas, danças e artes burras e que nada acrescentam às pessoas, o desestímulo ao estudo e à leitura; o aumento de divórcios, de gravidez na adolescência, da AIDS, dos desequilíbrios familiares, dos pais irresponsáveis, das crianças, adolescentes e jovens sem limite, dos viciados em drogas, do desrespeito aos religiosos, de colegiais e universitários baderneiros, em suma, a destruição em longo prazo dos valores da sociedade.

A esquerda quer ver isso mesmo, porque pretende destruir a sociedade, para construir uma nova. Assim, tudo o que milite contra a moral, a religião, a verdade, a tradição, a ordem e a família, é positivo. E quando esses graves problemas causados e/ou aumentados à décima potência pela esquerda são apontados pela população, o que fazem os esquerdistas? Culpam a direita. Assim, se os jovens crescem cada vez mais revoltados, a culpa não é da destruição da família, mas do capitalismo. Se as meninas engravidam cedo, antes de casar, e o pai ainda vai embora, a culpa não é da família desestruturada, do incentivo à imoralidade sexual, da idiotização do povo, mas da religião, dos conservadores, da burguesia, do anti-aborto, ou qualquer outra coisa. Essa postura é essencial aos planos da esquerda de destruir tudo.

Karl Marx e Friedrich Engels, em “Manifesto do Partido Comunista”, ao responderem a objeção de que o comunismo era contra as ideias tradicionais da religião, da moral, da filosofia, da justiça, da família, da liberdade e etc., ideias essas que eram verdades eternas, afirmam: “A revolução comunista é a ruptura mais radical com as relações tradicionais de propriedade; não é de espantar que no curso de seu desenvolvimento ela rompa da maneira mais radical com as ideias tradicionais”.

Antonio Gramsci, ideólogo marxista italiano da época do fascismo, ao analisar porque o marxismo não tinha dado certo na Europa, concluiu que a cultura proletária ainda estava baseada nas ideias tradicionais. Assim, ensinou a esquerda a travar uma guerra cultural que minasse ao longo das décadas a religião, a moral judaico-cristã, a família, inculcando no senso comum o marxismo. A ideia não era transformar o povo em profundo conhecedor do marxismo, mas apenas um senso comum que estivesse de acordo com o que o partido comunista quisesse fazer.

Posteriormente homens como Adorno, Marcuse e Horkheimer colocaram para frente os princípios gramscistas de destruir a cultura, sobretudo a ocidental, baseada fortemente no cristianismo e no capitalismo. Daí surgiu a revolução sexual, as revoltas jovens, à apologia ao uso de drogas, ao ateísmo ou religiões tribais e sincretistas, às artes insanas, ao desrespeito aos pais, à destruição do patrimônio público, ao nudismo público e etc.

A União Soviética faliu no início dos anos 1990, mas como bem lembra Olavo de Carvalho, o que acabou foi a URSS, não o comunismo. É idiotice pensar que pessoas que foram comunistas por dez, vinte, trinta, quarenta anos deixariam facilmente os princípios marxistas e abraçariam de bom grado o capitalismo que tanto odiavam. O que ocorreu foi que comunistas continuaram marxistas, mas agora se orientando dentro dos moldes de Antonio Grasmci, no qual a guerra agora é cultural. A ideia não é dar um golpe violento e assumir o governo com toda aquela retórica de destruição da burguesia e estatização da economia. A ideia é mudar a mentalidade das pessoas gradualmente a fim de que o partido de marxista (ou mais esquerdista que houver no país) se torne “a autoridade onipresente e invisível de um imperativo categórico, de um mandamento divino”. A hegemonia deve ser alcançada primeiramente na cultura. Conseguindo isso, o partido poderá sonhar em se manter eternamente no poder. E não é isso que temos visto acontecer, sobretudo no Brasil?

Capítulo 7: A esquerda e a criminalidade

A criminalidade é um problema filosófico, cultural, político e econômico (ao mesmo tempo) que a esquerda só faz aumentar (quando ela mesma não é a responsável por criar). Uma vez que para a esquerda, o ser humano não é mal, mas corrompido pelo capitalismo e outros fatores externos, geralmente o esquerdista enxerga o criminoso ou como vítima, ou como herói. Enxerga como vítima quando o criminoso é de origem pobre e/ou é um menor de idade. Ele é vítima da pobreza, das falta de condições, da exploração capitalista, do preconceito ou, simplesmente, do fato de ainda ser menor de idade (o menor de idade não tem capacidade de discernir entre certo e errado).

Por esse motivo, a esquerda costuma a brigar para que criminosos tenham penas leves e breves, a fim de que voltem logo à sociedade. E ela entende que a função primordial da prisão não é proteger o cidadão honesto de novas injustiças do criminoso, mas sim a de reeducar o criminoso.

Não que reeducar o criminoso não seja algo nobre e desejável. Mas essa não é a função primária da cadeia. Isso seria priorizar o criminoso em detrimento da vítima. A principal função de isolar o criminoso não é reeducá-lo, mas proteger o cidadão. A reeducação é segundo plano. Por não entender isso é que a esquerda não combate a criminalidade com rigidez, criando uma sociedade na qual o criminoso reina e o cidadão honesto é punido.

Já os criminosos ricos, quando são políticos de esquerda, são defendidos pela esquerda, em primeiro lugar, com a desculpa de que não fizeram nada; foram acusados injustamente. E, depois, quando o governo esquerdista já alcançou grande poder e popularidade, como uma medida necessária para alcançar a justiça social e manter o povo no poder (os fins justificam os meios utilizados, entende?).

Assim, os criminosos se tornam heróis e a criminalidade continua reinando. E como se alcança isso? Como já dito, destruindo a família, a moral, a religião, a correção aos filhos, as leis firmes; ganhando poder, através de impostos e regulamentações, se infiltrando na educação para doutrinar alunos politicamente, mantendo a população sob o jugo da inflação, dos péssimos serviços públicos e dos monopólios privados (para botar a culpa de tudo na direita) e etc. Aliás, criar criminosos é ótimo para ajudar a destruir a sociedade tradicional, o que é o objetivo máximo da esquerda.

Capítulo 8: Um direitista consciente

Eu entendi isso, sobretudo, depois de ter contato com renomados pensadores conservadores como Edmund Burke e Russel Kirk. Então, deixei de colocar muita confiança no liberalismo. Eu o continuo defendendo e não tenho dúvidas de que o livre mercado é muito superior ao intervencionismo. Mas não o defendo sozinho. Economia é apenas um dos vários aspectos que formam uma sociedade. Não é o único e, portanto, não deve ser tratado como tal.

Neste ponto acredito que me tornei um direitista totalmente consciente. Eu agora podia expressar de maneira legítima o que a direita defendia e porque eu acreditava em suas ideias. Eu agora eu conhecia os gigantes do pensamento de direita (os quais não me foram mostrados na escola) tais como Edmund Burke, Frederic Bastiat, Alexis de Tocqueville, Eugen Von Bonh-Bayerk, Barão de Mauá, G. K. Chesterton, Ludwig Von Mises, Ruy Barbosa de Oliveira, Murray Rothbard, Winston Churchill, C. S. Lewis, Eric Voegilin, Eric Von Kuehnelt-Leddihn, Friedrich Hayek, Milton Friedman, Ronald Reagan, Margaret Thatcher, Ângela Merkel, Thomas Sowell, Olavo de Carvalho, Roger Scruton e etc.

O senso comum não conhece quase nenhum desses autores e quando conhecem alguns deles, só os conhecem através dos comentários de terceiros. Eu era assim. Não conhecia o que a direita falava através de suas próprias palavras e ações. Não conhecia a história contada pelo outro lado. Não tinha como comparar as visões de diversos autores porque eu só conhecia Karl Marx e Friedrich Engels (e, mesmo assim, muito mal. Eu sabia das suas ideias em forma de propaganda, sempre como algo bom).

Minha posição de direitista, no entanto, não me fez uma pessoa acrítica quanto aos problemas da direita, tampouco intolerante em relação à todas as coisas o que vem da esquerda. Talvez alguns amigos liberais não gostem do que vou falar, mas não sou totalmente contra leis trabalhistas, por exemplo, embora elas dificultem um pouco o crescimento econômico. Direito a férias e folga semanal, férias pagas, décimo terceiro salário, limitação das horas de trabalho semanais, adicional noturno e o seguro desemprego são leis de cunho esquerdista que eu, particularmente, acho válidas, ainda que se possa perder um pouco economicamente (não obstante, são necessários arranjos nessas leis para que elas não engessem sobremaneira às empresas, sobretudo, as de pequeno porte – que, a meu ver, poderiam ser liberadas dessas leis). Essas são posições particulares minhas.

Eu também não penso que a sociedade deva ter apenas direitistas. Ao contrário, a coexistência de direita e esquerda é essencial à manutenção de uma boa democracia e do Estado de direito. É preciso haver oposição de ideias. Isso é o que gera equilíbrio e evita extremismos, idealismos, dogmatismos e ditaduras. Sim, a direita também pode se tornar ditatorial, por mais que preze a liberdade econômica (que só funciona bem junto com a liberdade política).

O que penso que deveria ser expressamente proibido é o comunismo e a mentalidade revolucionária. Seguir as ideias de Marx e flertar com pensamentos revolucionários que intentem destruir tudo (criando classes inimigos e apelando à desordem), deveriam ser crime. Muitos países do leste europeu que sofreram com o comunismo equiparam, em suas leis, o comunismo ao nazismo. Lá, exibir a foice e o martelo, símbolo do comunismo, é tão ofensivo quanto exibir a suástica nazista. Nada mais correto, levando em conta que o comunismo matou mais de 100 milhões de pessoas.

Com relação aos EUA, devo dizer que não sou um defensor deste país acima de todas as coisas. Essa é a visão que a esquerda propaga dos direitistas: de que eles são puxa-sacos dos americanos. Alguns podem até ser. Mas não são todos. E faço parte dos que não se curvam diante dos americanos. No entanto, não aceito olhar os americanos como os piores inimigos do mundo. Em minha visão, todos os países são igualmente cruéis, pois seus governos são formados por homens e todos os homens falham.

O que diferencia um país do outro no que se refere a capacidade de infligir o mal é justamente a posição política e econômica. Qualquer país que assuma a liderança política-econômica do mundo terá um exército poderoso e, com isso, quererá dominar os mais fracos e se proteger dos que tem mais potencial. Se a Etiópia alcançasse a hegemonia política e econômica, teria sido tão cruel quanto foram os EUA, ou a URSS em diversas ocasiões. Colocar os EUA como o grande vilão é ignorar a verdade básica e realista de que todos os países são vilões e de que não há heróis no mundo.

Além disso, conquanto os EUA tenham usado de sua autoridade para subjugar povos e gerar guerras, este país apresentou ao mundo muitas virtudes econômicas e políticas desde seu processo de independência, teve um papel de destaque no conflito contra o comunismo e, através de seus conservadores, ainda sustenta o mundo hoje de colapsar diante do projeto destrutivo da esquerda (incluindo a esquerda americana, que é muito forte, embora muitos acreditem que nos EUA só há direitistas). Essa é a minha visão sobre o EUA.

Com relação à ditadura militar brasileira, evidentemente eu não a endosso. Creio que foi um regime desnecessário e nocivo. Não sou um desses idealizadores do passado, que pintam o período como maravilhoso e até pedem a volta do regime. Entretanto, é necessário fazer uma distinção entre a intervenção militar de 1964 e o regime que se seguiu. O primeiro impediu um genocídio. O segundo sufocou a democracia. Vamos entender o contexto.

O Brasil vivia um intenso embate entre políticos comunistas e conservadores. E o mundo vivia em plena guerra fria entre americanos e soviéticos. A URSS tinha claro interesse em tornar o Brasil uma potência comunista na América do Sul, o que sufocaria totalmente os EUA. Os EUA, por sua vez, tinham claro interesse em evitar a escalada comunista no Brasil, a fim de manter sua hegemonia no ocidente. Então, o presidente Jânio Quadros renuncia o cargo e assume a presidência João Goulart, um esquerdista que mantinha fortes relações diplomáticas com o regime comunista chinês e pretendia expropriar terras para fazer a reforma agrária. Este cenário oferecia uma série de perigos ao Brasil:

(1) a escalada democrática do comunismo ao poder, através de uma política populista, intervencionista e que não mostrava ao povo as desgraças que o comunismo estava causando em outros lugares;

(2) um golpe comunista no âmago do governo, através de políticos comunistas brasileiros e auxílio soviético, chinês ou cubano;

(3) uma mescla dos dois pontos acima;

(4) um golpe americano que tornasse o Brasil uma colônia dos EUA;

(5) a deflagração de uma guerra entre tropas americanas e tropas soviéticas em pleno Brasil, numa luta sanguinária pela posse do território brasileiro.

Tudo isso era possível. E em todas essas hipóteses, o Brasil se tornaria um mar de sangue. Se a intenção dos principais militares que interviram politicamente no Brasil em 1964 era simplesmente tomar o poder, por pura ambição, ou se queriam salvar a pátria deste risco, ou se havia ambiciosos e patriotas juntos, nada disso importa. As intenções dos militares interventores são irrelevantes. A questão é: havia riscos e à soberania brasileira, tanto do lado americano, quanto do lado soviético, e a intervenção militar os evitou.

No entanto, o regime que se seguiu durante 21 anos foi desnecessário. Seja por ambição, ou por um erro estratégico, ou pela união das duas coisas, os altos militares do governo não entregaram o país à democracia como prometido, tampouco tomaram providências inteligentes e efetivas para desmascarar o comunismo, equipará-lo ao nazismo e vencer a guerra cultural. Apenas agiram com brutalidade, criaram ódio nos estudantes e deram espaço para que a esquerda vencesse no campo da cultura.

O regime militar venceu na guerra física contra o marxismo, mas perdeu na guerra ideológica. Permitiu que a direita perdesse todo o crédito perante o povo brasileiro, contrariou conservadores que haviam apoiado a intervenção só para manter a democracia, fez a maioria dos estudantes universitários se identificar com a esquerda, abriu o caminho para a doutrinação marxista na cultura e não permitiu que o liberalismo econômico se instaurasse no país. Resultado: quando os altos militares deixaram o poder, quase todo mundo se considerava de esquerda.

Assim, minha opinião sobre o regime militar que se seguiu à intervenção é que ele de que ele se constituiu uma verdadeira catástrofe, sobretudo para a direita brasileira, que sofre até hoje por conta dessa herança maldita. Tivessem os militares se limitado a expulsar os comunistas do país, desmascarar a esquerda radical, equiparar comunismo ao nazismo, destruir ideologicamente os professores marxistas, munir os universitários de conhecimento sobre grandes autores de direita, incentivado o liberalismo econômico e mantido a democracia, convocando eleições diretas dentro de um período máximo de um ano, a direita hoje seria forte no Brasil e o PT não estaria transformando o país no mar de lama que é hoje.

Conclusão

Eu não esperava que meu texto ficasse tão extenso, mas acredito ter oferecido uma visão bem ampla sobre minha posição política. Obviamente não esgotei o assunto. Outros textos meus falam mais pormenorizadamente dos temas aqui tratados, tais como a definição e origem da esquerda e da direita, os problemas do comunismo, os pontos positivos do capitalismo e do empreendedorismo, a análise dos movimentos fascistas e nazistas, a definição de conservadorismo e etc. Deixo alguns deles ao fim do texto.

Devo dizer ainda que minha posição política não flerta com a utopia. Não creio que a direita pode mudar o mundo. Como sendo cristão, entendo que este mundo já está fadado ao fracasso. A minha obrigação é torná-lo menos pior para as pessoas até que Jesus Cristo venha e ponha fim a toda a miséria e injustiça ou que eu morra. E esse é mais um dos motivos que me fazem ser mais conservador e cético em relação a projetos de mundo melhor. Como diz Olavo de Carvalho: “Quando alguém diz que tem um projeto de mundo melhor, eu já me escondo debaixo da cama”. O conservador, em suma, é aquele que tem medo de piorar a coisa. Ele é realista. Sabe que a mudança só pode ocorrer dentro de certos moldes já conhecidos e certos limites humanos. O que passa desses moldes e limites, sem dúvida, vai dar errado.

Estou aberto a discordâncias, desde que construtivas e que levem em conta os autores que citei durante o texto. Críticas baseadas em senso comum serão consideradas imbecis à priori. Espero ter sanado dúvidas.
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Outros textos importantes:

Por que me tornei de direita? – Parte 1

Este texto foi originalmente publicado no blog “Mundo Analista“. Para ler na página original, clique aqui.

L Death NoteResolvi expor aqui as razões pelas quais eu me tornei de direita (ou conservador político, reacionário, coxinha… O que vocês preferirem). Vou fazer isso porque algumas pessoas não entendem a minha posição política e não poucas acham que eu me tornei de direita por mera modinha, sem ter qualquer base razoável para isso, mas apenas baseado em bordões, frases de efeito e ideias estereotipadas. Espero com este texto possa sanar algumas dúvidas e deixar claro para todos a minha posição.

Sobre a organização do texto, uma vez que ele ficou bem maior do que eu pensava que ficaria, resolvi dividi-lo em duas partes. Além disso, ele é subdividido em oito capítulos breves, que vão revelando aos poucos o passo a passo da minha transformação política, e uma conclusão. Vamos começar.

Capítulo 1: Como era o meu pensamento?

Até os meus 17 anos de idade eu não tinha o menor interesse em política. Minha visão sobre o assunto era a visão comum à maioria dos brasileiros. Ela se resumia no seguinte conjunto de ideias:

(1) só existem dois tipos de políticos: os honestos e os desonestos. No Brasil, os  desonestos são a maioria;

(2) os desonestos são aqueles que desviam verbas para encher os próprios bolsos e enriquecerem. Os honestos são aqueles que querem beneficiar o povão com coisas públicas;

Em outras palavras, eu acreditava que para o Brasil mudar apenas precisávamos de políticos honestos. Mais nada. Afinal, políticos honestos não roubariam dinheiro, mas, em vez disso, iriam criar e ampliar um monte de coisas públicas, beneficiando as pessoas pobres. Simples assim! “Se isso não acontece no Brasil”, pensava eu, “é porque há muita corrupção”.

A partir desses dois pensamentos acríticos eu concluía quase inconscientemente:

(3) que a raiz de todos os problemas do Brasil é, indiscutivelmente, a corrupção;

(4) que quem luta por coisas públicas é honesto e a favor dos pobres;

(5) que um governo bom é o que faz muitas coisas públicas;

(6) que qualquer manifestação de pessoas pobres contra pessoas ricas e/ou a   favor de coisas públicas é sempre algo bom, pois parte de gente honesta;

(7) que grandes empresários são o pior tipo de gente que pode existir (junto com   os políticos corruptos). Afinal, eles são donos de grandes riquezas privadas, e o   privado é ruim, o público é que é legal;

(8) que privatização é algo muito ruim;

(9) que o capitalismo é algo ruim;

(10) que os EUA são o pior inimigo do mundo;

(11) que o governo FHC não foi bom, pois privatizou empresas;

(12) e que o comunismo, embora tenha dado alguns “pequenos problemas” (mas “nada” tão grave e horrendo, como foram o nazismo, a ditadura militar brasileira ou as guerras feitas pelos norte-americanos), ele tem muitos princípios bons que podem ser usados no capitalismo para ajudar os pobres. Assim, ser marxista é algo bom; e só empresários e políticos corruptos são antimarxistas.

Pois bem. Essa era minha visão até os 17 anos de idade. E é válido ressaltar que eu achava política uma chatice. Quando alguém dizia a palavra política, geralmente me vinha à mente a visão de esquemas de corrupção revelados pelo “Fantástico”, na Rede Globo, ou de propagandas partidárias. Ou seja, eu era um prisioneiro do “senso comum”, da opinião medíocre, da unanimidade. Minhas crenças faziam parte de um saco de crenças que todo mundo que não entende e não tem interesse em política compartilha com alegria, achando-se muito inteligente.

Capítulo 2: Como e quando minha visão começou a mudar?

As coisas começaram a mudar quando eu estava no 3° ano do ensino médio. Eu me preparava para o vestibular e contraí uma preocupação: o atual ambiente acadêmico costuma a ser hostil ao cristianismo e aos cristãos. Como eu não queria ter embates com professores e alunos sobre minha fé sem que ter como responder racionalmente, passei a estudar sobre o assunto. Acabei descobrindo a apologética, um ramo da teologia que se ocupa em explicar, embasar e defender o teísmo e o cristianismo de maneira racional, baseando-se em campos de estudo como: filosofia, lógica, ciências naturais, história, arqueologia, literatura, filologia, princípios interpretativos básicos e etc.

Naquele momento, um novo mundo se abriu diante dos meus olhos. Eu percebi que, embora a maior parte das pessoas não saiba (mesmo os cristãos), há milhares de sites e livros que tratam de temas apologéticos, respondendo com tranquilidade todas as críticas lançadas por acadêmicos antirreligiosos ao teísmo e ao cristianismo; críticas essas que são tolamente alardeadas pelas grandes mídias, a fim de vilipendiar a religião, causar polêmicas e ganhar audiência. Os livros apologéticos que descobri, aliás, são de autores renomados em suas faculdades, com títulos de doutorado e pós-doutorado nas mais diversas áreas de estudo.

O interesse que ganhei pela área apologética dura até hoje. Eu passaria os dois anos seguintes àquela descoberta em intenso estudo individual. Ora, seria justamente este estudo que me introduziria também à política. Como? Vamos ver.

Os três sites que eu mais lia sobre apologética eram “Quebrando o encanto do neoateísmo”, “Luciano Ayan” e “Teísmo”. Os três sites tinham como objetivo não só apresentar argumentos racionais para o cristianismo, mas atacar argumentos falhos e desonestos de neoateus.

Quem são os neoateus? Peço muita atenção do leitor agora. Neoateus são ateus antirreligiosos e militantes. Eles não apenas descreem de Deus, mas também odeiam a religião, são hostis aos religiosos e passam a maior parte de seu tempo livre tentando “desconverter” pessoas e lançando ofensas diversas contra crentes, crenças e símbolos religiosos. Para eles, todas as religiões são nocivas e precisam ser extintas da terra. E eles lutam diariamente por isso.

O problema dos neoateus não é só a agressividade e o desrespeito à liberdade religiosa. Além disso, eles também são desonestos intelectualmente. Eles não estudam nada do que dizem renomados intelectuais religiosos, lançam argumentos falaciosos e mentiras, fazem interpretações absurdas da Bíblia (a fim de forçar contradições) e põem na conta das religiões todos os males do mundo.

Se o leitor é ateu, mas não se sente representado por este tipo de gente, não é necessário ficar chateado comigo. Há uma diferença grande (ou melhor, enorme) entre um ateu e um neoateu. Um ateu é aquele cara que simplesmente não acredita em Deus, mas que não se importa se outras pessoas acreditam. Desde que a crença das outras pessoas não interfira na sua vida, ele não vê problema na existência de religiões. Ele até consegue ver bons ensinamentos em cada uma delas e apenas condena fanatismos. Um ateu às vezes até se esquece de que é ateu. Isso é algo que não ocupa muito a sua mente, assim como uma pessoa que não acredita em alienígenas não costuma a se ocupar muito pensando nesse fato.

Pois bem, os três sites do qual eu falava criticavam radicalmente neoateus apenas, e não meros ateus. Para os autores desses sites, os neoateus não eram sequer considerados dignos de respeito, em função de sua postura suja; eram tratados como desonestos e picaretas intelectuais, e ninguém deveria se ocupar em convertê-los, mas em desmascará-los diante daqueles que pretendiam enganar com suas mentiras.

Ora, não demorou muito para que os autores desses três sites (que mantinham uma boa correspondência entre si) começassem a perceber que o neoateísmo estava fortemente relacionado a doutrinas políticas de esquerda, como o marxismo, o humanismo social, o anticlericalismo revolucionário, o globalismo, os diversos socialismos, o feminismo radical, o gayzismo e etc. Como se dá essa relação? Vamos entender.

A esquerda política, desde seu surgimento, sempre pregou uma visão otimista do ser humano, na qual ou ele é bom por natureza (tendo sido corrompido por fatores sociais), ou ele é moralmente perfectível (isto é, que é capaz de caminhar para a perfeição ou algo bem próximo disso). Daí decorre a crença esquerdista de que o ser humano é plenamente capaz de transformar o mundo, através da destruição dos fatores sociais que causam a crueldade, a injustiça e a exploração, e, em última instancia, da própria sociedade hoje existente, a fim de se construir outra. E como fazer isso? Ora, colocando as pessoas certas no governo, dando muito poder a essas pessoas e destruindo os grupos inimigos que impedem a ação desse governo iluminado. Essa é a receita de todas as revoluções de esquerda desde a revolução francesa, mãe de todas.

O neoateísmo tem muitas ideias semelhantes ao pensamento revolucionário de esquerda. Ele não entende a natureza do homem como a principal culpada pelos males do mundo, mas acredita que a crença em Deus é a responsável por criar injustiças, guerras e crueldades. Ele também enxerga o homem como um ser perfectível, que pode mudar o mundo se destruir todas as religiões.

Finalmente, pelo fato de negar a Deus, o neoateísmo tende a substituir Deus por outra autoridade (ou mais de uma), e a substituir a esperança da vida eterna no paraíso pela esperança de um paraíso efêmero aqui na terra. Por estas semelhanças, muitos neoateus acabam por aderir a doutrinas da esquerda política, passando a usar sua fúria antirreligiosa a favor do esquerdismo. Seu objetivo pessoal é conseguir formar um governo de esquerda antirreligioso que destrua a religião e crie o paraíso ateu desejado.

Por outro lado, a esquerda sempre teve muita influencia do pensamento ateísta e do pensamento antirreligioso. Não que todo o esquerdista seja ateu, porém quanto mais uma pessoa se torna esquerdista, mais ela tende a se afastar da religião. Afinal, para o esquerdista radical, não há espaço para um paraíso que não seja aqui na terra, nem para uma autoridade maior que o seu partido, seus líderes revolucionários e seu ideal de justiça social.

Assim, muitos esquerdistas acabam se tornando ateístas, e logo adiante, neoateus, associando a crença em Deus a um dos fatores que oprimem a sociedade. Aliás, os criadores do comunismo, Marx e Engels, afirmavam que a religião era uma das ilusões criadas pelo cenário econômico de exploração. A religião era, portanto, um ópio para as classes exploradas, bem como um mecanismo de manobra de massas utilizado pelas classes exploradoras.

Ademais, devemos ressaltar que tanto esquerdistas radicais, quanto neoateus, estão muito interessados em criar uma cultura onde a liberdade sexual sem limites seja vista como normal, saudável, bela e aceitável por todos. Ou seja, eles não querem só ter liberdade para fazer o que quiserem em matéria de sexo, mas querem destruir o direito de qualquer pessoa achar errado aquilo que fazem. Essa é uma das razões pelas quais esquerdistas radicais e neoateus odeiam a moral judaico-cristã. Há outras também.

Capítulo 3: Tonando-me um antirrevolucionário

Quando entendi essa relação íntima entre neoateísmo e esquerdismo, comecei a perceber que política não se resumia apenas a “honestos x desonestos”. Ela envolvia um conflito de visões de mundo também; visões estas que permanecem bem vivas hoje e que fazem muita diferença na prática.

Foi ali que eu compreendi o que estava em jogo na política e qual era o meu papel naquilo tudo. Eu não poderia votar em um partido ou um indivíduo que acreditasse na ideia de que o ser humano é bom por natureza e capaz de transformar o mundo. Essa é uma ideia ridícula. Há milênios o ser humano tem se mostrado incapaz de erradicar a injustiça e a maldade. E isso ocorre por um motivo simples: todos são, em maior ou menor grau, imperfeitos. Assim, todo aquele que se levanta para tentar erradicar a injustiça, tende também a cometer injustiças.

Desde a idade mais tenra, já nos vemos contando mentirinhas aos nossos pais, brigando com o coleguinha, desejando o que não é nosso, fazendo pirraça, não querendo limites, fazendo vingançazinhas. Não somos uma tábua rasa. Nascemos inclinados à imperfeição. Isso pode ser atestado tanto por meio da observação do nosso cotidiano e dos exemplos da história, como pela ciência. A ciência reconhece que o ser humano compartilha com os animais uma série de instintos. Esses instintos naturais não são morais e podem facilmente se transformar em atos cruéis. O instinto sexual, o instinto de bando, o instinto gregário e outros são exemplos de inerências que nos impelem a fazer coisas erradas.

A diferença entre homens e animais é que os primeiros apresentam razão, podendo refletir sobre seus atos e fazer escolhas. Mas isso não é um motivo para crermos em sua perfectibilidade. Ao contrário, a razão faz do homem um ser muito mais cruel e perigoso do que os animais, pois com ela o mesmo pode avaliar o prazer que o mal pode lhe proporcionar e maquinar o mal contra a sua própria espécie. Do ponto de vista da ciência, somos tão animais como os animais irracionais, o que significa que a selvageria está em nós e isso não pode ser mudado.

Do ponto de vista da Bíblia, o ser humano sempre foi visto como pecador. Ou seja, o homem passou a ser inclinado à imperfeição por natureza após sua raça ter escolhido cometer o primeiro pecado. A sua obrigação desde então é se esforçar individualmente para não fazer o mal e, a nível político, criar leis que tornem mais difícil a propagação do mal. Mas esse mal não tem como ser extinto.

Ainda que o mal não fosse algo natural, mas social, isso não prova que o homem é capaz de se descorromper socialmente para poder descorromper a outros. A história evidencia que isso não é possível. E a própria lógica também. Para descorromper a outros, uma pessoa deveria se descorromper totalmente primeiro. Se você não consegue se descorromper nem a si mesmo, como ajudará os outros?

Portanto, a ideia esquerdista de encher alguns homens de poder para mudar a sociedade e destruir supostos inimigos é totalmente utópica e perigosa. Dar muito poder a homens é pedir para fazer deles pessoas mais cruéis e autoritárias. É dar ao Estado o aval para administrar mal, roubar verba pública, perseguir dissidentes e causar enormes genocídios. Até Montesquieu, que não acreditava que o homem fosse naturalmente inclinado ao mal, sabia que o poder corrompe. Ele diz em um de seus livros que: “Todo o homem que tem poder é levado a abusar dele; vai até encontrar limites”. Isso é algo lógico! Qualquer pessoa de bom senso entende isso. Eu jamais poderia, então, endossar a crença no homem.

A partir daquele ponto, através de leituras e mais leituras, minha atenção foi sendo chamada para os problemas que regimes baseados nessas ideias causaram em diversos países. Era lógico sendo provado na prática! Em todo lugar em que muito poder foi colocado nas mãos do Estado, a fim de que este mudasse a sociedade, o que aconteceu foi uma série de desgraças.

Os males do comunismo eram os que mais saltavam aos olhos. Tanto na URSS, como na China, no Camboja, na Coréia do Norte, no Vietnã, em Cuba e etc., o regime comunista gerou grotescas ditaduras, genocídios por repressão, inanição forçada e desastres econômicos. Pela primeira vez tive acesso à informação de que os regimes comunistas pelo mundo geraram mais de 100 milhões de mortos. Pela primeira vez eu fiquei sabendo sobre o genocídio de Holodomor, na Ucrânia, entre 1930 e 1932, e do genocídio chinês, entre 1956 e 1962, e do genocídio cambojano, em 1975 (este último matando um quarto da população!). Qualquer pessoa honesta e com um mínimo de senso das proporções conseguiria perceber que o comunismo foi um mal tão ruim ou até pior que o nazismo.

Não obstante, observei que os esquerdistas se agarravam tanto a suas crenças que não sentiam qualquer embaraço ao elogiar e se guiar pelas ideias de Marx. E mesmo aqueles que não eram comunistas, permaneciam defendendo a maioria das ideias de Marx, disseminando ódio entre classes, lutando para formar um Estado cheio de poder, atacando religião e religiosos, simpatizando com ditadores de esquerda, defendendo os antigos regimes comunistas, militando contra a liberdade de expressão de conservadores, colocando sua fé em líderes revolucionários, orientando suas ações em prol de futuro utópico imaginado por eles e etc.

Em vista disso tudo me tornei anticomunista, antimarxista, antirrevolucionário e totalmente contrário a governos que pretendem inchar o Estado com enormes poderes políticos e econômicos. Se eu era de direita? Ainda não. Eu apenas era um cético da esquerda e do pensamento revolucionário. O direitismo ainda viria posteriormente.

Capítulo 4: Adesão ao liberalismo econômico

Embora eu tivesse entendido o tamanho do mal que representava a crença no homem propagada pela esquerda, eu não sabia bem o que defendia a direita, tampouco tinha noção do que um governo deveria fazer na prática para administrar um país, estado ou cidade. Nessa parte, curiosamente, eu ainda estava bastante preso a muito senso comum. Eu ainda achava que privatizações eram ruins, não sabia fazer distinção entre um governo de direita e um de esquerda moderada, e tinha aquela visão distorcida de que a direita é a favor de ditaduras (desde que não sejam comunistas).

Meu pensamento sobre a direita poderia ser resumido assim: “Se ser de direita é concordar e desejar uma ditadura militar, definitivamente não sou de direita. E se a extrema direita é o nazismo, então prefiro me distanciar dessa posição. Sou de centro”.

Ocorre que minha opinião não era baseada no que os autores de direita diziam, mas apenas em senso comum. Eu não conhecia nenhum autor de direita. Simplesmente não sabia o que a direita defendia. Na medida em que entendi isso e tive mais contato com direitistas, passei a ler os autores de direita. E isso fez toda a diferença!

Comecei entendendo mais sobre a economia. Pela primeira vez soube qual era a versão direitista sobre as privatizações. Longe de ser uma defesa dos milionários e um ataque aos pobres que não tem dinheiro para pagar coisas privadas, as privatizações pretendem sanar dificuldades inerentes ao setor público e melhorar a condição de toda a sociedade. Como? Vamos analisar os problemas do setor público.

Empresas públicas não precisam se preocupar com o risco de ir à falência ou com a competição para estar entre as maiores empresas. Sua situação é estável, pois seu dinheiro é público, nunca acaba. Aliás, se uma empresa pública contrai muitas dívidas, quem paga somos nós. Se uma empresa pública vai mal, ela é beneficiada com mais dinheiro do governo. Isso cria uma tendência, tanto de seus administradores como de seus funcionários de se acomodarem, não fazendo um bom trabalho ou não dando o melhor de si. A estabilidade dos funcionários públicos apenas reforça isso. Além do mais, o governo não tem capacidade para gerir tantas empresas e mais os problemas do país. Desta forma, é comum que os serviços públicos sejam inferiores aos privados e que deem muitos déficits públicos.

O resultado é que o povo não é bem atendido pelos serviços públicos e ainda é obrigado a pagar altos impostos para manter essas empresas. Como se não bastasse, as empresas públicas deficitárias também geram inflação de moeda. A inflação é um modo que o governo tem de saldar suas dívidas injetando mais dinheiro no mercado. Para o governo é bom, para o povo não, pois só os primeiros a utilizarem o novo dinheiro criado se beneficiam. Quando o dinheiro chega ao povo, todos os preços já aumentaram para equilibrar a nova quantidade de dinheiro na economia. Mas as empresas privadas e o povo em geral continuam recebendo os mesmos salários. Então, se você ganhava R$ 1.000,00 por mês e comprava carne por R$ 15,00, continua a ganhar R$ 1.000,00 por mês, mas agora compra carne por R$ 20,00.

Serviços públicos ruins, impostos, inflação… Como se já não fosse muito, quanto mais empresas públicas se têm, mais a estrutura pública se torna grande e complexa de ser administrada e mais dinheiro vai para as mãos do governo. Isso aumenta a dificuldade de fiscalização, as chances de desvios ou gastos desnecessários, esquemas de corrupção e o pior: o poder do governo. Um governo com muito dinheiro e que tem tentáculos em tudo quanto é setor, se torna mais poderoso. O risco de ele se tornar totalitário e ditatorial, tanto econômica como politicamente, é muito grande.

É claro que isso não quer dizer que nada possa ser público ou que uma empresa pública não possa ser relativamente bem gerida. Mas a tendência é o setor público ser inferior. Os riscos de um país ter esses problemas quando possui muita coisa pública são bem grandes e os exemplos da história comprovam que (para ser claro) geralmente isso dá merda!

Agora, empresas privadas não possuem esses problemas. Uma empresa privada, precisa estar constantemente preocupada em não falir e ficar bem na concorrência entre as outras empresas. Se não fizer isso, ela não terá dinheiro público (ou, pelo menos não deveria ter) para resolver a situação. O dinheiro das empresas privadas é finito. Assim, tanto administração como os funcionários são instados a trabalharem bem. Quanto mais concorrência há, mais as empresas tendem a buscar melhoras nos serviços, agilidade e maneiras de diminuir preços. Isso é óbvio!

Que o setor privado também tem problemas isso é evidente! Mas são problemas muito menores e mais facilmente contornados. A regra geral é que o setor privado tende a ser mais eficiente e menos perigoso. E o que o Estado pode fazer para permitir esse cenário de maior eficiência? Basicamente reduzir dificuldades burocráticas e financeiras para que as pessoas abram, mantenham e desenvolvam empresas. Fazendo isso, muitas empresas surgem e se desenvolvem, gerando empregos e concorrência. A concorrência tende a sufocar a manutenção perpétua de monopólios, fazendo com que a luta por maior eficiência seja maior. O resultado é que o povo tem mais empregos, melhores serviços, preços mais baixos, menos impostos, menos inflação.

Isso não ocorre da noite para o dia. Uma economia, para se dinamizar, demora muitos anos. É por isso que trabalhistas odeiam o setor privado, o livre mercado, os baixos impostos e a pouca burocracia estatal. Por que tudo isso leva a um vagaroso e penoso desenvolvimento econômico. Sobretudo se o país em que isso for implantado não apresentar uma boa industrialização.

É neste ínterim que entendemos como a privatização é um processo que só demonstra resultados em longo prazo. No início, uma empresa privatizada pode gerar cortes de funcionários e até mesmo aumento no valor dos produtos. Isso ocorre porque os resultados negativos da má gestão pública precisam ser equilibrados. A empresa privada não dispõe mais do dinheiro eterno que a empresa pública dispunha. Mas em longo prazo, se (e somente se) o governo abrir o mercado e incentivar a competição, a empresa privatizada equilibrará o orçamento e lutará para ser mais eficiente, gerando o cenário que já comentei.

Vê-se, portanto, que apenas a privatização não é suficiente. O governo precisa garantir o surgimento de concorrência. No princípio eu não percebi isso. Achava que bastava privatizar era o suficiente. Com mais leitura eu entenderia posteriormente que a abertura do mercado e o incentivo máximo a competição são essenciais para que o processo de privatização seja positivo. Se o governo não incentiva a concorrência, vão surgir os monopólios privados, que são tão nocivos quanto os monopólios públicos

É importante salientar que hoje eu acho aceitável a manutenção de uma ou outra empresa pública, contanto que ela não seja um monopólio no ramo em que atua, podendo ser comparada a concorrentes privadas, e que não haja a estabilidade empregatícia. Isso diminui consideravelmente os problemas que podem ser causados pela empresa por ser pública.

Mas voltando à questão do setor privado, quando compreendi a verdade de que a privatização sozinha não é o suficiente, aí entendi como que o intervencionismo estatal na economia é um dos maiores responsáveis por monopólios privados. Quando o governo dificulta a vida das empresas privadas, apenas as empresas mais ricas e poderosas conseguirão permanecer lá no alto da competição. As empresas menores ou não terão chances de crescer e galgar os primeiros lugares, ou desaparecerão.

Isso significa que a grandes empresas ficam protegidas dentro de um governo intervencionista. Elas aceitam pagar altos impostos e lidar com grande burocracia porque, em contrapartida, vão continuar no topo para sempre. É por isso que o Olavo de Carvalho afirma que apenas os pequenos e médios empresários desejam o livre mercado, isto é, o capitalismo mais puro. Os grandes, os mega, aqueles que já construíram um império e estão sólidos, estes querem mais um governo interventor, a fim de não precisar lidar com uma concorrência constante. Por mais irônico que pareça, os grandes capitalistas atuais são anticapitalistas.

O governo intervencionista, por sua vez, aceita que essas empresas continuem no alto porque fecham conchavos com elas, tanto para que as mesmas financiem suas campanhas políticas, quanto para que juntos eles possam desviar verbas. Além disso, um governo que detém seus empresários privados nas mãos é tão poderoso quanto um governo que tem muitas empresas públicas. O leitor compreende?

Aqui aprendi algo importante. Quem defende o livre comércio? A direita. Quem defende o intervencionismo estatal? A esquerda. Então, pelo menos economicamente, o fascismo e o nazismo pertencem a qual espectro? Exatamente, leitor: essas doutrinas pregam aquilo que a esquerda prega em matéria de economia. Elas falam em forte controle do Estado sobre as empresas privadas, usando o discurso de “reestruturar a sociedade”. Mas na prática esse intervencionismo é um casamento entre grandes empresas e o governo. E o livre mercado não defende isso. Nunca defendeu. O nome já diz: “livre” mercado. Se você coloca o governo na equação e tira a concorrência da jogada, isso não é liberdade de mercado.

Ora, o nazismo alemão era um socialismo. E agiu estendendo seus tentáculos por todo o setor privado. O criador do fascismo italiano, Mussolini, era um tinha sido um marxista que entendeu que o Estado nunca seria superado e que ele precisava ser mais pragmático para mudar a sociedade. Sua frase síntese do fascismo era “Tudo no Estado, nada fora do Estado, nada contra o Estado”; e isso é rigorosamente a mesma coisa que a ditadura socialista do proletariado propunha (só que dizendo que isso era um estágio “temporário”). Então, compreendi que, chamar essas doutrinas de direitistas é uma tolice sem tamanho. Pelo menos no aspecto econômico. O mesmo se poderia dizer da ditadura militar brasileira, extremamente intervencionista.

Em suma, entendi que a direita defende uma economia mais livre e que a mesma é muito superior às economias intervencionistas. Descobri neste ponto também que há alguns rankings anuais interessantes que indicam o grau de liberdade econômica de um país, a facilidade de se fazer negócios e a competitividade empresarial. São, por assim dizer, medidores de capitalismo. E invariavelmente os países mais bem colocados nos tais rankings são os que oferecem maior qualidade de vida para o povo. E os piores colocados são os países mais injustos, antidemocráticos e pobres. Coincidência? Claro que não! Em outras palavras, o capitalismo não era, então, o monstro que pintavam!

Capítulo 5: Adesão ao conservadorismo político

Quando alguém percebe como o capitalismo foi um dos responsáveis, em longo prazo, pela melhora na qualidade de vida de muitos países, existe uma tendência a enxergá-lo com otimismo demasiado. Foi assim com o Adam Smith (que merece ser desculpado, pois o capitalismo ainda estava surgindo) e é assim até hoje com diversos direitistas. Não foi muito diferente comigo, embora eu não tenha chegado a me tornar um extremista.

Dentro da direita, assim como na esquerda, existem graduações no que tange o pensamento econômico. Eu vejo quatro tipos na direita: os conservadores políticos, os liberais econômicos, os libertários e os anarco-capitalistas. O que os diferencia é o nível de ceticismo/confiança em relação ao livre mercado.

Os conservadores geralmente são adeptos da liberdade econômica, mas reconhecem que ela tem muitas limitações e que gera muitos problemas se não andar de mãos dadas com uma boa base moral, espiritual e cultural na sociedade, um respeito pelo o que o passado nos ensina, pelas tradições e instituições milenares e pela dignidade do ser humano e, finalmente, um bom conjunto de leis democráticas e não tirânicas. O liberalismo econômico não deve suprimir essas coisas em hipótese nenhuma, pois o princípio da revolução é justamente esse: destruir tudo o que levou tempo para construir e colocar o destino da sociedade nas mãos de um futuro que não conhecemos, desprezando as lições do passado.

Os liberais econômicos já pensam mais na liberdade econômica do que nessas outras questões, tendendo a ignorá-las ou reduzir sua importância. Acreditam que só o livre mercado já é capaz de resolver quase todos os problemas causados pelo estatismo da esquerda. Sustentam também que a liberdade é o bem mais importante que existe e deve ser colocado em um pedestal. O liberal extremo é um libertário. E o libertário extremo é um anarco-capitalista. Um anarco-capitalista acredita tanto no livre mercado que acha possível criar uma sociedade sem estado, apenas baseada nas leis que já vimos de competição econômica. Nesse cenário, tudo seria privado e competiria entre si. Até mesmo (pasmem!) a polícia e a justiça. Não haveria governo e impostos.

Quando descobri isso, entendi que essa é a verdadeira “extrema-direita”. E aí comecei a analisar um pouco do pensamento conservador. O conservadorismo, a meu ver, é muito mais sensato que o mero liberalismo, pois ele não cai no mesmo otimismo no homem e idealismo utópico que as revoluções de esquerda. Ao contrário, mantendo o ceticismo em relação a um mundo perfeito, ele leva o conservador a aprender as lições do passado e daquilo que precisa ser conservado (como a família, a moral, as tradições, as instituições milenares, a hierarquia, o Estado, a educação familiar e individual, a espiritualidade, a dignidade humana e a visão realista do ser humano como um ser inclinado ao mal e imperfeito). Isso impede que o conservador deposite confiança em projetos mirabolantes e idealismos utópicos.

Para o conservador, a mudança é boa, mas deve ocorrer de modo muito pensado, geralmente gradual e respeitando os limites da realidade. Destruir a sociedade como conhecemos para construir outra, totalmente distinta, é algo que nunca dá certo. Todos os movimentos revolucionários como a Revolução Francesa, a Revolução Russa, o Stalinismo, o Nazismo, o Fascismo, o Maoísmo e etc. geraram apenas destruição, crueldades, miséria, violência, abuso de poder e genocídios.

A premissa básica de toda a revolução é esta: destruir esta sociedade, com seus maiores inimigos (sejam burgueses, ou negros, ou judeus, ou gays, ou cristãos, ou religiosos, ou a moral, ou uma cultura, ou um sistema e etc.) e construir outra no lugar, com novas regras, crenças, moral, cultura, religião e heróis revolucionários. Todo o sistema que se propõe a fazer isso pisa no passado e põe sua confiança em um futuro idealizado. E isso é algo totalmente contrário ao pensamento conservador.