O desemprego tecnológico e o desenvolvimento econômico

O Pew Research Center, organização americana que conduz, entre outros, pesquisas de opinião pública e levantamentos demográficos, fez pesquisas de opinião nos Estados Unidos buscando entender como o povo americano está reagindo com a possibilidade de a tecnologia mudar a economia e acabar com os empregos que não seriam mais necessários na nova economia. Ou seja, o famigerado desemprego tecnológico.

Em resumo, os resultados do levantamento não são muito surpreendentes: no geral, as pessoas acreditam que esse tipo de mudança pode até trazer melhorias, mas estão preocupadas em como isso irá ocorrer e quais serão os malefícios de tais mudanças, principalmente o aumento da desigualdade. A pesquisa na íntegra pode ser lida aqui.

Na verdade, boa parte da preocupação dos entrevistados é resolvida pela própria revolução tecnológica.

Desemprego tecnológico no geral

Os EUA tinham apenas cerca de cinco milhões de habitantes em 1800, setenta e seis milhões em 1900, e mais de trezentos e vinte milhões atualmente. O Brasil, por sua vez, tinha cerca de dezessete milhões de habitantes em 1900 e mais de duzentos milhões de habitantes atualmente. Algo que ambos os países têm em comum é que são nações que cresceram muito com a força do imigrante, ou seja, além da população crescer vegetativamente com mais pessoas nascendo do que morrendo, cresceram com imigrantes de todas as partes do globo.

No caso dos EUA, por exemplo, a taxa de desemprego entre o final da década de 1940 até aos dias atuais foi de menos de 6% na média.

United States Unemployment Rate

Ou seja, desde os últimos séculos países como Brasil e Estados Unidos estão empregando não apenas pessoas nativas, mas também imigrantes. E é notório que desde a Revolução Industrial constantemente empregos foram “destruídos” por inovações tecnológicas. Por exemplo, o movimento ludista no começo do século XIX era composto por operários que literalmente destruíam máquinas que otimizavam a produção industrial em forma de protesto.

Para o desespero dos ludistas (e para o bem da sociedade) as inovações produtivas perduram até hoje, e mesmo assim a taxa de desemprego não explodiu nas economias desenvolvidas. Isso ocorreu porque se mesmo num primeiro momento de curto prazo o desemprego aumentou, a redução nos custos, o aumento da produtividade e a posterior expansão dos negócios e do consumo possibilitou ainda mais geração de emprego e renda para a sociedade. Usando nossos exemplos, a economia americana emprega quatro vezes mais pessoas do que em 1900, e a brasileira, mais de dez vezes mais. E, claro, o padrão de vida das pessoas em 2017 é muito superior ao das pessoas em 1900.

Desemprego tecnológico no século XXI: e com a digitalização do trabalho? Será que a história irá se repetir?

É exatamente a mesma lógica: antes eram apenas as máquinas, agora os computadores também cumprem o papel de “destruir” empregos. E a digitalização da economia é ainda melhor do que a mecanização do trabalho na geração de oportunidades para os mais desprovidos de recursos: os custos são cada vez menores, e isso vale para criar e manter um negócio.

Nos séculos anteriores as maiores empresas eram grandes indústrias com muito capital físico, empregados e matéria-prima, algo muito difícil para alguém que quisesse criar uma grande empresa. Já no século XXI empresas com estruturas enxutas operando no mercado digital criaram novos modelos de negócios para consumo das grandes massas que são muito mais factíveis para novos empreendedores, algo que tornou o mercado mais “justo”, tanto para os empresários quanto para os consumidores. O Facebook, por exemplo, já tinha mais de dois bilhões de usuários em todo o globo e com uma equipe de pouco mais de vinte mil pessoas. Google, por sua vez, possibilita mais de três bilhões de pesquisas por dia e toda a operação da empresa (abrangendo todos os outros produtos dela) emprega quase sessenta mil pessoas. O Walmart, empresa de maior faturamento no mundo em 2016, precisa de mais de dois milhões de pessoas para sustentar sua operação.

Portanto, apesar do temor social a respeito das mudanças inevitáveis da economia, as inovações tecnológicas estão desde os últimos séculos melhorando o padrão de vida das pessoas e gerando emprego e renda. Que venham novas inovações!

O terrorismo intelectual e os cortes nos gastos do governo

A eleição presidencial de 2014 colocou dois modelos socioeconômicos opostos em debate: um modelo mais voltado aos “gastos sociais”, o desenvolvimento econômico por meio da ação do Estado, e um modelo de desenvolvimento mais voltado à economia de mercado. São modelos “mais voltados aos” pois nem as ações do PT atualmente representam um modelo fidedigno de socialismo (não é intenção deste presente artigo analisar se essa é ou não a meta do governo petista) e muito menos o PSDB representa um modelo “neoliberal capitalista de livre mercado” como alguns setores da esquerda brasileira erroneamente acusam. Mais detalhes nesses dois artigos.

De qualquer forma, houve (e ainda há) o debate. Infelizmente, para tentarem provar suas posições, defensores do modelo do “Estado provedor” – em que o governo é o responsável direto para prover diversos direitos aos cidadãos – se utilizam de argumentos falaciosos, os quais são classificados aqui como “terrorismo intelectual”, e também são popularmente conhecidos como desonestidade intelectual.

Essa tática pode ser resumida da seguinte maneira: defensores dos cortes nos gastos do governo (austeridade) são contra, por exemplo, que as crianças recebam leite nas creches. São contra que os filhos dos mais pobres tenham acesso à educação e à saúde, e assim sucessivamente. Podem haver várias variações nas acusações, abrangendo argumentos logicamente inaceitáveis.

O intuito aqui é, portanto, desmistificar tais posicionamentos.

O que querem os “liberais insensíveis”?

No decorrer do século XX houve uma massificação internacional do Estado de bem-estar social. Diversos países adotaram esse modelo socieconômico. O Brasil intensificou esse processo com a Constituição de 1988, justamente também conhecida por “Constituição Cidadã”, além de reformas em governos (incluindo no século XXI com o governo do PT), com destaque para o Governo Vargas, com a CLT, e com essa massificação, os serviços conhecidos como essenciais (saúde, educação) passaram para a tutela do Estado.

Todavia, a questão elencada por defensores do liberalismo e de uma sociedade baseada na livre iniciativa é que não é necessariamente apenas o Estado que pode prover ajuda para os mais pobres, até porque antes desse contexto socioeconômico já era assim que funcionava. Tal sistema foi corrompido pelo lobby político, pois já que trabalhava para ser abrangente e popular seus preços eram baixos, sendo fortes concorrentes para grupos organizados, os quais acionaram o Estado para que o mesmo criasse leis que ou beneficiassem tais grupos, ou prejudicassem quem fornecia um serviço diferenciado e mais barato. Posteriormente, o próprio Estado transfere para si a responsabilidade.

Portanto, o ponto levantado é que existem outras maneiras além da atual, e que se acabar com a maneira atual de se ajudar os mais necessitados os mesmos não se encontrarão em situação pior do que já estão. Pelo contrário, aliás.

O mito do almoço grátis

Isso leva a um segundo ponto: como bem disse o economista Milton Friedman, não existe almoço grátis. Tal afirmação se baseia no princípio simples e antigo “do que se vê e o que não vê”, alertado no século XIX por outro economista, o francês Frédéric Bastiat. Bastiat afirmava que o que vemos é quando o governo arrecada dinheiro com impostos e posteriormente gasta diversas áreas – salários, por exemplo. Se gastar com salários de funcionários públicos os mesmos irão consumir e contribuir com a economia. Isso, portanto, é o que se vê.

Todavia, existe sempre um outro lado: o que não se vê. Com um pequeno exercício mental se pode entender as várias outras possibilidades que foram privadas quando o governo arrecadou recursos e gastou. Antes, nunca é demais relembrar: o dinheiro que o governo gasta não cai do céu, não é uma dádiva que surge do zero e sem custos. O dinheiro que o governo gasta ou surgiu como receita de impostos, taxas e contribuições, ou surgiu como emissão de título de dívida feito por parte do governo (como se fosse um tipo de empréstimo), ou surgiu como impressão de dinheiro (nesse caso o dinheiro surgindo do nada, mas mesmo assim com seu custo intrínseco).

Quando os recursos são arrecadados por meio de tributação o problema é (ou pelo menos deveria ser) evidente. O dinheiro que as empresas iriam utilizar para pagar maiores salários, maiores lucros e que seria utilizado para mais investimentos foi simplesmente arrecado para o governo coercivamente e não está mais disponível, assim como um dinheiro adicional para uma família fazer uma viagem, gastar no mercado e/ou comprar presentes para amigos e familiares. Então agora, a partir desse ponto, o governo irá gastar. Olhando por esse prisma fica mais fácil de entender o que não se vê.

Quando o governo levanta recursos se endividando pelo menos o problema da coerção arrefece. Porém, da mesma forma o governo ainda está retirando recursos da sociedade produtiva e realocando para o setor público. Um exemplo claro é o Japão, que possui uma dívida pública bruta que ultrapassa os 200% do PIB, ou seja, mais do que o triplo de tudo que a economia japonesa produz em um ano, e mesmo a dívida líquida ultrapassa os 130%, mais do que o dobro. Como resultado, a economia japonesa está desde os anos 1990 estagnada, com poucos breves momentos de crescimento. A poupança dos japoneses é usada de maneira significativa para compor essa dívida.

No Brasil, apesar de a dívida bruta não chegar a 70% do PIB, o problema também existe, e é grave. O Brasil era, em 2011, o 3º país que mais gastava com juros da dívida pública, com 5,7% do PIB, atrás apenas da Grécia, que passava há anos por adversidades econômicas, e o Líbano, país em guerra. Em 2012, com a redução das taxas de juros, os gastos passaram a ser de 4,9% do PIB, mas com a piora fiscal no ano de 2014, junto com aumentos nas taxas de juros – eram 7,25% na virada de 2012 para 2013 e são 11,75% hoje, virada de 2014 para 2015 – o futuro não é muito animador.

Além disso tudo, quando o governo gasta com assistencialismo há dois incentivos (desincentivos) para que a sociedade não contribua com os mais necessitados: econômico e moral. Econômico, pois os “contribuintes” já pagaram muitos impostos ao governo e agora dispõem de menos recursos para ajudar – assim como menos para suas próprias necessidades e lazer – e moral, pois o governo assumiu o posto de protetor socioeconômico dos mais necessitados – “pagamos impostos para quê?”, indagam as pessoas que poderiam aderir à filantropia. Se já pagam impostos, estão transferindo a responsabilidade para o governo, que possui ela constitucionalmente.

A outra forma que o governo pode gastar e que era adotada antigamente era por meio da impressão de dinheiro, ou seja, imprimir mais dinheiro. Tal medida é puramente inflacionária e danosa, pois o dinheiro impresso não acompanha o aumento na capacidade produtiva da economia, destruindo o poder de compra conforme a intensidade da criação de moeda – quanto mais moeda, maior a inflação, e mais rápida a moeda entrará em colapso. A Hungria detém o “recorde” de 42 quatrilhões por cento, ou seja, 207% de inflação por dia.

Como realmente são as coisas hoje?

[Antes de iniciar, uma explicação: o governo brasileiro adota uma postura irresponsável no que diz respeito à apresentação das contas públicas. O foco do governo e aquilo que ele destaca perante à imprensa e à sociedade é o resultado primário. Resumindo, se o governo arrecadar mais do que gastou (excetuando os gastos com a dívida pública) ele tem um superávit primário, e se os gastos forem maiores, tem um déficit. Só que é evidente que isso não significa muita coisa, pois se exclui os gastos com a dívida pública, os quais representam metade do orçamento para 2015. Se a receita do governo for maior que os gastos primários (os não financeiros) e os gastos com a dívida pública se trata de um superávit nominal, e se não forem, déficit. É esse o resultado fiscal final governo, e é esse que importa. O Brasil vem apresentando déficits nominais há décadas. A dívida em relação ao PIB só não explodiu pois a economia cresceu.]

PLOA 2015
Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) 2015 apresentado pelo governo em agosto.

Dos R$ 2,86 trilhões orçados, 51,8% (cerca de R$ 1,48 trilhão) serão para a dívida pública. Com isso, logo de início é possível ver que defender cortes de gastos do governo não significa que crianças passarão fome.

Entendida a realidade (apresentada pelo próprio governo por meio de Guido Mantega, então Ministro da Fazenda) de que os gastos do governo não são apenas salários de professores de escolas públicas, leite das crianças nas creches, bolsas de estudo e material hospitalar – como alegam os defensores do modelo de bem estar social – se pode chegar à algumas conclusões sensatas.

Déficit nominal, dívida pública e política monetária

Se o objetivo é cortar gastos do governo para liberar mais recursos para o setor privado (empresas, consumidores, famílias, nós mesmos…) o principal foco deve ser a dívida pública, pois representa metade do orçamento para 2015. Antes, um importante adendo: fundamental não cair no equivocado argumento da esquerda que “isso é dívida para benefício de banqueiros e rentistas”, contando a história pela metade. Essa dívida não surge do nada para gerar renda para banqueiros e rentistas. Se o governo não conseguir superávit (esqueça o superávit primário, o governo não se satisfaz em dar destaque para uma variável irrelevante, também a distorce, atualmente o governo pode ter mais de R$ 100 bilhões de déficit primário e ainda assim ter “superávit” por meio de manobras contábeis devidamente aprovadas por nossos digníssimos “representantes” do Congresso) ele precisará de recursos para honrar seus compromissos, compromissos como gastar mais do que o previsto na Constituição com saúde e educação, conforme apontado no próprio PLOA 2015. Se o governo se endivida com gastos sociais, claro que terá dívida, e o fundamento da dívida não foi gerar renda para banqueiros e rentistas. O problema são pessoas dizendo que a dívida pública serve aos interesses dos banqueiros e dos rentistas, mas omitindo o porquê de seu surgimento, como se a mesma tivesse surgido do nada. Evitar o seu surgimento e ter um orçamento equilibrado é um dos melhores feitos de um governo que quer mostrar serviço pode ter.

Aliás, boa parte do endividamento vem se dando também para cobrir outros tipos de manobras contábeis, com mais um caso de contabilidade criativa. O governo capitaliza recursos para o BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) emprestar para as empresas visando fomentar a economia (medida que gera mais moeda – gerando mais inflação – e que vem apresentando resultados completamente questionáveis). O mecanismo é simples:

  1. O governo emite títulos para arrecadar recursos, como se estivesse com déficit.
  2. Ele empresta esses títulos por juros baixos para o BNDES ter recursos para emprestar por juros mais altos, ganhando nesse diferencial de juros (recebe juros maiores do que paga).
  3. Dessa forma, a dívida líquida do governo (contas a pagar subtraindo as contas a receber) permanece inalterada no curto prazo – os recursos captados são emprestados. Ou seja, o governo se endivida (a dívida bruta cresce), mas a dívida líquida se mantém.
  4. Não satisfeito, o governo recebe dividendos do BNDES, que agora possui muito mais recursos, e esses dividendos entram nas receitas primárias do governo, melhorando (maquiando ainda mais) o superávit primário.
  5. O governo, todavia, precisa pagar os títulos que ele emitiu, independente de ainda estarem com o BNDES ou se o BNDES os vendeu. Como são amortizações e juros da dívida pública, tais gastos não entram no superávit primário, melhorando-o (maquiando-o ainda mais). Isso explica porque tanto a dívida líquida quanto o superávit primário brasileiros não são parâmetros confiáveis.
  6. Alguma hora a realidade precisa se impor – e se impõe. A dívida líquida do governo aumenta no longo prazo, pois ele recebe menos recursos do BNDES do que paga em juros. O BNDES agora irá cobrar 5,5% de TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo), mas o governo arca com uma taxa de juros de 11,75%, valor atual da SELIC.

Portanto, eliminar de fato o déficit público e posteriormente reduzir a dívida pública liberaria muitos bilhões em recursos. Para se ter uma noção, o Estádio Mané Garrincha, de Brasília, estádio de jogos como a decisão do terceiro lugar da Copa do Mundo no Brasil em 2014, custou direta e indiretamente R$ 1,778 bilhão dos cofres públicos para ser construído e foi o mais caro do evento – como não poderia deixar de ser, um elefante branco justamente em Brasília: o faturamento do primeiro ano do estádio foi de R$ 1,371 milhão, e nesse ritmo em 1296 anos a obra irá recuperar o que custou.

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Estádio Mané Garrincha, de Brasília, o mais caro da Copa. Custou quase R$ 2 bilhões. Créditos da imagem: Brasil Engenharia.

Nos primeiros onze meses de 2014 o Brasil gastou R$ 264 bilhões (5,64% do PIB) apenas com juros da dívida pública. Em 2014, o déficit primário foi de R$ 19,64 bilhões, sendo R$ 8,08 bilhões apenas em novembro. O déficit nominal, que é o que importa, foi de R$ 283 bilhões de janeiro a novembro, 6,06% do PIB, sendo que no mesmo período do ano passado tinha sido apenas R$ 157 bilhões, ou 3,25% do PIB. O que isso quer dizer? Quer dizer que o que foi gasto com juros da dívida nos onze primeiros meses de 2014 dava para construir 148 estádios iguais ao Mané Garrincha, e 159 com o valor total do déficit público entre janeiro a novembro de 2014.

Para reduzir os gastos com a dívida pública, além de melhorar (e muito) o resultado primário, é preciso reduzir os juros em cima da dívida. A política de elevação da taxa SELIC visando combater a inflação vem apresentando resultados fracos e irá exercer pressão maior na dívida pública. O que poderia ser feito para combater a inflação sem aumentar os gastos com dívida pública é reduzir a SELIC, mas ter uma contrapartida ainda maior em aumentos nos depósitos compulsórios, os quais tiveram afrouxamento em 2014, além de aumentar os juros cobrados pelos bancos públicos, que majoritariamente não recebem influência da taxa SELIC. De fato, o problema econômico do Brasil não é falta de crédito.

Política fiscal, salários e desperdícios

É claro que mudanças pontuais pequenas são bem vindas. Mudanças no final de 2014 nos benefícios previdenciários (seguro-desemprego, por exemplo) irão gerar uma economia de R$ 18 bilhões por ano, um valor pequeno perante o orçamento total, mas que já possibilita mais mudanças. Além disso, mexer nos gastos com políticos, por exemplo, é bem vindo. Cada gabinete de cada deputado federal custa quase R$ 2 milhões por ano (incluindo os treze salários pois o 14º e 15º foram extintos, mas com a contrapartida de um aumento quase que proporcional em verbas para passagens, telefone, correio e auxílio-moradia, além de outras verbas para gabinete e outros auxílios), e os gastos totais com a Câmara dos Deputados totalizaram R$ 4,1 bilhões em 2012, 0,36% do PIB brasileiro. Isso somente com a Câmara dos Deputados. Os senadores, por sua vez, ultrapassam a marca de R$ 2 milhões por ano (são 81), e já em 2008 o Senado custava quase R$ 3 bilhões por ano. Em média, um deputado federal ou senador custa o dobro que um deputado estadual, que por sua vez custa o dobro que um vereador.

Por ano, a Câmara dos Deputados custava recentemente R$ 18,14 para cada brasileiro, e o Senado, R$ 14,48. A assembleia legislativa de Roraima era a mais cara proporcionalmente (R$ 145,19 por habitante), e a câmara de vereadores de Palmas (TO) custava R$ 83,10 por habitante. Em média, cada brasileiro que vive numa capital gasta R$ 117,42 por ano somente com as três esferas do legislativo – sem contar executivo, com seus 39 ministérios e os gastos com a Presidência, os governadores de cada estado, assim como os órgãos dependentes deles, os prefeitos de cada cidade e suas secretarias, o judiciário federal e todos os seus tribunais, assim como o estadual e o municipal com seus respectivos tribunais e defensorias. As capitais geralmente são mais populosas, e quanto mais populosa a cidade a tendência é ter gastos menores proporcionalmente. Portanto, os gastos por habitante de cidades que não são capitais e principalmente cidades interioranas tendem a ser ainda maiores. Em Boa Vista (RR), por exemplo, cada habitante chegou a pagar recentemente R$ 224,82 para todas as esferas do legislativo, ou seja, 4,7% do PIB per capta da cidade (tudo que cada pessoa produz individualmente em média na cidade) serve para sustentar apenas o legislativo municipal, estadual e federal.

Isso falando apenas do legislativo. O Brasil possui 24 ministérios propriamente ditos, 10 secretarias com poder de ministério e 5 órgãos com poder de ministério – 39 no total. Países desenvolvidos dificilmente passam de 20 ministérios (Estados Unidos e Alemanha contam com 15 e 14, respectivamente), e vizinhos com melhores índices sociais como Argentina e Chile não passam de 22. O próprio Brasil chegou a ter 17 ministérios nos anos 1990. A última vez que o Brasil teve menos ministérios que os Estados Unidos e a Alemanha foi na década de 1950.

Todo esse inchaço custou R$ 58,4 bilhões já em 2012 – o Bolsa Família custou, no mesmo período, apenas 24,9 bilhões, metade. Já para o executivo federal inteiro (somente o federal, sem estadual e municipal), a bagatela foi de R$ 377,6 bilhões, mais do que o PIB de países como o Peru e a Nova Zelândia. Desse valor, R$ 156,8 bilhões, quase metade, foi para pagamento de salários, sendo que no fim de 2011 existiam 984.330 servidores ativos e aposentados, totalizando mais de R$ 13 mil por mês – quase 150% a mais do que os investimentos totais nominais do PAC orçados para 2015, ou seja, mesmo com os valores do PAC inflados por causa da inflação de bem mais de 10% no período. Como são muitos ministérios os mesmos nem sequer cabem em toda a gigantesca estrutura pública da Esplanada dos Ministérios de Brasília (19 edifícios), e é preciso alugar outros edifícios – nos primeiros cinco meses de 2013 foram gastos R$ 21,5 milhões somente com esses aluguéis. E isso tudo apenas para o executivo federal, sem contar os executivos estaduais e municipais e o judiciário nas três esferas.

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Sim, muito provavelmente você já acordou (acorda) cedo e andou (anda) de ônibus lotado para trabalhar e dar dinheiro para pagar o salário dessas pessoas.

Problemas a nível estadual

Para parar de falar um pouco do governo federal, um pouco da USP, de competência do governo estadual paulista. O orçamento da instituição para 2012 foi de mais de R$ 4 bilhões, sendo que possuía pouco mais de 90 mil alunos, o que dá mais de R$ 4 mil por mês por aluno. Sob a ótica estatista e gastadora esse número é maravilhoso, pois são mais de R$ 4 mil por mês investidos por aluno!

Só que existe um detalhe: esse custo é difundido para toda a sociedade paulista – 5% de toda a arrecadação de ICMS em São Paulo vai para a instituição. Ou seja, alunos de instituições de ensino superior privadas, além de bancarem seu próprio estudo, ajudam a bancar o ensino de alunos de instituições públicas; em 2012, para a USP cada cidadão paulista pagou em média R$ 106,73, R$ 58,76 para a Unicamp e R$ 57,90 para a UNESP. Ou seja, há uma dupla drenagem de cérebros das instituições privadas de ensino para as públicas: como são “gratuitas”, naturalmente atraem mais. Como atraem mais mas não atendem todos, é preciso filtrar os melhores alunos. Como filtram os melhores alunos, se tornam referência de ensino pelo qualidade dos discentes, atraindo mais ainda.

A propósito, a USP demonstra como aumentar os gastos com educação não necessariamente melhora a qualidade do serviço. No final de 2014 a instituição divulgou todos os salários brutos mensais de seus funcionários. Marilena Chauí, a mesma “filósofa” que odeia a classe média fascista e terrorista, recebe nababescos R$ 23.508,00 brutos por mês somente por essa instituição, e o dela está longe de ser o maior, já que existem centenas de pessoas que recebem mais de R$ 20 mil por mês, além de alguns nomes que recebem mais de R$ 30, 40 mil, além de outras milhares de pessoas que nem professores são e recebem entre R$ 5 mil a mais de R$ 20 mil. Realmente deve ser horrível pensar na classe média quando se ganha mais de R$ 20 mil por mês, e por mês mais do que muitos brasileiros ganham por ano. Brasileiros esses que, aliás, sustentam com o suor de seu trabalho diário o pagamento do ICMS que terá 5% utilizado para financiar toda essa brincadeira.

Dessa forma, aqui temos mais drenagens: por que um professor vai querer dar aula em uma instituição privada de ensino se as públicas pagam muito mais? Por que o professor de uma instituição privada vai querer que 5% daquilo que ele paga de ICMS vai ser utilizado para financiar o salário de professores das instituições públicas? Assim sendo, os professores irão focar mais nas instituições públicas, que não poderá empregar todos, novamente filtrando os melhores – apesar de excrescências como a Marilena Chauí irem para lá. Como filtram professores, a qualidade do ensino aumenta. E o mesmo é válido para outros profissionais: por que vão querer trabalhar para uma grande empresa se podem fazer as mesmas coisas para USP e ganhar muito mais em cima dos mais de 44 milhões de paulistas?

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Exemplo de pessoa que sofrerá problemas se diminuíssem os enormes salários da USP. Não tem nenhum cidadão comum na imagem.

Conclusão

O Brasil está enfrentando uma enorme necessidade de mudanças fiscais e monetárias. Tanto a forma como o governo arrecada e gasta como a forma que ele gerencia a moeda estão criando um enorme problema para o longo prazo. Sim, é de se concordar que mexer nessas variáveis não é nada fácil. Há interesses políticos e socioeconômicos fortes envolvidos em todas as questões levantadas. Todavia, isso não apaga a necessidade de tais reformas.

Além disso, no curto prazo a transição não será fácil. Muitos irão reclamar. Porém, não necessariamente os primeiros a começarem a reclamar precisam ser os participantes das grandes massas. Como demonstrado no texto, antes de mexer com gastos sociais é possível mexer em centenas de bilhões que beneficiam poucos no setor público em detrimento do restante da sociedade. Como são poucos que se beneficiam, são poucos para reclamar também.

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Culpa, impostos e desenvolvimento

Nestes tempos de estagnação econômica em níveis mundiais, existe uma alternativa para aliviar os problemas socioeconômicos, principalmente dos mais pobres, que geralmente são os que mais sofrem com as consequências do atraso econômico. Essa alternativa, de cunho socialista, é aumentar os impostos para os mais ricos, em busca de aumentar a renda dos mais pobres e diminuir a desigualdade social.

Entretanto, mesmo sendo uma ideia com algumas boas intenções, aqueles que defendem isso, mesmo em detrimento próprio – o caso do “1% mais rico” -, acabam por defender uma medida com baixa eficácia e desnecessária, visto que há uma outra opção disponível, extremamente mais eficiente e que, justamente, os mais ricos podem colocar em prática.

Filantropia bilionária e desenvolvimento econômico

John Davison Rockefeller foi um americano extremamente rico, ligado a indústria, principalmente ao petróleo. Mas, além disso, a filantropia. Em 1937, ano de sua morte, sua fortuna foi estimada em US$ 664 bilhões, em valores atuais, sendo o homem mais rico da história. Rockefeller doou 10% de seu primeiro salário à Igreja Batista, e a igreja dele estabelecia escolas e faculdades para os libertos da escravidão.

Conforme Rockefeller foi enriquecendo, suas doações também foram aumentando, incluindo US$ 80 milhões para a Universidade de Chicago, que deixou de ser uma pequena faculdade batista para ser uma instituição de ensino de renome mundial, além de muitas contribuições para outras instituições de ensino, contribuindo para o desenvolvimento social (principalmente dos negros libertos da escravidão), e para a medicina.

Outros nomes de bilionários da filantropia em prol de causas sociais também existem. Andrew Carnegie, da indústria do aço, com US$ 7 bilhões em valores atuais. Warren Buffet, apesar de suas crenças que vão de encontro ao escopo deste artigo, doou US$ 31 bilhões. Chuck Feeney, de lojas e shoppings, doou US$ 9 bilhões, e a lista ainda é extensa.

Entretanto, esses homens de negócios não contribuíram para a sociedade apenas por meio da filantropia. No caso dos grandes industriais, todo o império deles foi responsável por geração de empregos, redução de custos, desenvolvimento de bens, serviços, infraestrutura e toda uma vasta gama de itens importantíssimos para o desenvolvimento socioeconômico, abrangendo desde os mais pobres, que também se beneficiam de todo esse processo.

Aqueles que são muito ricos graças ao mercado financeiro também contribuem, só que de maneira mais indireta. Com a capacidade de canalizar investimentos lucrativos, a acumulação de capital financeiro não é um fim em si mesma. Todo esse capital não é algo abstrato da sociedade; ele não fica debaixo do travesseiro dos grandes investidores. Esse capital fica nos bancos e, em última instância, toda a sociedade se beneficia disso.

Nem todo dinheiro emprestado pelos bancos advém dos depósitos de seus correntistas, visto que há as reservas fracionárias. Entretanto, grosso modo, o dinheiro que os bancos emprestam é o dinheiro depositado por seus correntistas. Exemplificando, se um cidadão deposita R$ 1 mil em um banco, agora o banco possui um ativo e um passivo com o valor de R$ 1 mil. Com este ativo de R$ 1 mil, o banco agora pode fazer um empréstimo de, digamos, R$ 500. Os empréstimos decorrentes deste processo servirão para diversas finalidades, incluindo a aquisição de um bem que uma pessoa não tem condições financeiras de comprar no presente momento, ou então para empresas conseguirem mais capital para ampliar suas respectivas capacidades produtivas.

Coerção, impostos e assistencialismo estatal

Todo esse processo acima descrito descrito, em momento algum, necessitou da intervenção do governo. O desenvolvimento econômico por meio de mercados competitivos se deu por meio da “mão invisível do mercado”, que Adam Smith já havia observado ainda no século XVIII, independe da ajuda estatal, que é maléfica, inclusive. E a filantropia não dependeu de estímulos governamentais, originou-se da cultura do ser humano em ajudar o próximo.

O assistencialismo estatal possui uma essência diferente da filantropia, mesmo que com a mesma finalidade. A filantropia parte do princípio de se ajudar os mais necessitados; já o assistencialismo, de extorquir a sociedade com impostos para, agora sim, ajudar os mais necessitados – lembrando que os mais necessitados também foram extorquidos por meio dos mesmos impostos e que o assistencialismo é colocado em prática tão somente com a finalidade de ajudar os mais pobres e não de criar uma relação de dependência econômica, social e política com governo.

Além disso, o assistencialismo é um desincentivo à própria filantropia. A filantropia surge com a necessidade de se ajudar os mais necessitados. Com um aumento do assistencialismo, diminui, por consequência, o sentimento humano de ajudar os outros por seus próprios meios. Isso acontece pois o governo está arrecadando cada vez mais impostos para, justamente, ajudar os mais pobres. Dessa forma, pensa o cidadão comum, “por que então gastarei mais tempo e dinheiro meu para ajudar os outros se já pago altos impostos para o governo fazer isso”?. E, também, como o governo aumentou impostos, agora cada pessoa possui menos recursos para si mesma. Isso por si só já dificulta que ajudas pessoais se mantenham no mesmo nível, além de ser um entrave econômico a toda aquela geração de riqueza apresentada na primeira parte deste artigo.

Cada cidadão sabe o quanto pode ajudar. Quando o governo determina uma contribuição (imposto com finalidade específica), existem algumas consequências distintas. Por exemplo, sendo uma alíquota pequena e uma pessoa adepta da filantropia, por vezes não haverá diferença no total destinado a ajuda, grosso modo, apenas alterando quem está recebendo o recurso. Todavia, se a alíquota for superior ao que o filantropo fosse doar, agora o mesmo terá que desembolsar mais recursos do que ele havia previamente planejado. Esse é mais um dos problemas do assistencialismo e de Estados inchados: ao invés dos próprios indivíduos decidirem como dispenderão seus recursos, quem passa a tomar essa é decisão é, cada vez mais, o governo. Como o governo não possui capacidade para coordenar as cada vez maiores interações sociais e as decisões de todos os diferentes indivíduos de uma sociedade, há um regresso na alocação de recursos escassos.

Há também uma questão moral. Mesmo tendo a filantropia e o assistencialismo o mesmo fim, a filantropia é voluntária, e o assistencialismo não. Ninguém pode obrigar alguém a doar dinheiro e fazer trabalho voluntário, mas, mesmo assim, por questões culturais, as pessoas o fazem. Já o assistencialismo, não há escolha: independente de sua vontade, você tem que pagar, e na magnitude (certamente equivocada, como visto no parágrafo anterior) previamente estabelecida pelo governo.

Conclusão

Não há motivos para alguém rico se sentir culpado por sua riqueza, e muito menos pela pobreza de terceiros, desde que a riqueza tenha surgido por meios éticos – via de regra, esse tipo de riqueza externaliza benefícios indiretamente. Entretanto, caso alguém tenha esse sentimento de culpa, não quer dizer que o governo tenha que extorquir terceiros para solucionar esse problema. A filantropia existe para isso.

Não há necessidade de aumentar impostos para os mais ricos. Se um rico sente-se mal por ser rico e existirem pobres, ao invés de defender a pilhagem para terceiros ele pode doar toda sua riqueza. Nada o impede de fazer isso.

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O crescimento econômico virá do setor privado

Tradução da reportagem Cruz: Economic growth will come from private sector

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O Senador Americano Ted Cruz, R-Texas, no seu primeiro ano de mandato, falou em Midland na quinta-feira para moradores Midland, Odessa e funcionários do Museu do Petróleo, dizendo que sua prioridade no cargo é para restaurar o crescimento econômico.

“Os últimos quatro anos, a nossa economia cresceu 0,8 por cento ao ano”, disse Cruz. “Se isso não mudar, não poderemos resolver todos os outros problemas que temos e que estão por vir.”

Cruz disse que acha que o crescimento econômico deve ser uma questão bipartidária, seguido por três sub prioridades para recuperar o crescimento econômico.

Ele disse que sua primeira sub prioridade é frear os gastos estatais fora de controle e dívida insustentável em Washington.

“Eu acho que o que estamos fazendo é fundamentalmente imoral”, disse Cruz. “É errado que estamos fazendo a nossos filhos e netos com a esmagadora dívida que eles vão passar a vida inteira trabalhando para quitar e tentando sair dela.”

A segunda sub prioridade de Cruz é a reforma tributária fundamental, disse ele. Cruz comparou o código Tributário com a Bíblia, dizendo que o código tributário tem mais palavras do que a Bíblia.

“Precisamos simplificar drasticamente o código, reduzir as taxas e torná-lo justo.” Cruz disse. “Eu gostaria que a família americana média pudesse preencher os seus impostos em um cartão postal e enviá-lo.”

A terceira sub prioridade do senador em restaurar o crescimento econômico é diminuir regulamentos para as empresas, especialmente as pequenas empresas. Ele disse que todos os que trabalham no setor privado tem de lidar com “uma regulação após a outra”, tornando mais difícil para as pequenas empresas sobreviverem.

“O crescimento econômico não vai vir de um bando de políticos fanfarrões em Washington”, disse Cruz. “Vai vir do setor privado.”

Cruz concluiu seu discurso falando sobre porque a economia deve crescer, observando que ele é a “chave para a oportunidade.” Ele falou sobre como as pessoas que estão começando a subir a escada econômica são os mais duramente atingidos por uma economia ruim.

“Os que estão perdendo seus empregos são as pessoas que estão apenas começando”, disse Cruz.

Depois de seu discurso, Cruz respondeu a perguntas da platéia sobre temas como o controle de armas e energia. Ele disse que há um grande número de democratas em Washington tentando tirar armas legais das pessoas após o tiroteio na escola elementar Sandy Hook, em Connecticut.

Quanto à energia, Cruz disse que assinou uma carta bipartidária para o presidente Barack Obama, que pede a aprovação do oleoduto Keystone, que o público aplaudiu. Ele também ligou o crescimento econômico as fontes de energia, como petróleo e gás natural, dizendo sobre o grande potencial de emprego que trazem.

“A única coisa que pode estragar tudo é o governo federal”, disse Cruz.

Após a sessão de perguntas e respostas, Cruz falou à imprensa sobre a discussão da imigração. Ele disse que está otimista e pessimista ao mesmo tempo sobre a reforma da imigração, que terá os projetos introduzidos tanto na Câmara dos Representantes e do Senado na próxima semana.

No lado otimista, Cruz disse que acha que há muitos acordos bipartidários sobre alguns aspectos da reforma da imigração, como a segurança das fronteiras e do sistema de imigração legal. Ele disse que quer segurança mais rígida na fronteira e menos burocracia para os imigrantes legais que entrarem no país.

No lado pessimista, Cruz disse que acha que Obama não quer passar a reforma da imigração.

“Eu acho que, infelizmente, o presidente Barack Obama está à procura de uma “bandeira” política, em 2014, em vez de tentar passar um projeto de lei”, disse Cruz. “E eu acho que é por isso que o presidente está insistindo em um atalho para a cidadania para aqueles que estão aqui ilegalmente. E o meu ponto de vista, enquanto o Presidente Obama insiste em um atalho para a cidadania (anistia dos ilegais), qualquer projeto de reforma da imigração é provável que não seja aprovado.”

Como relatado anteriormente, em maio de 2012, esmagadora maioria dos habitantes de Midland levantaram mais fundos para a Cruz em comparação com o candidato ao Senado e vice governador David Dewhurst. Apesar do grande apoio dos habitantes de Midland para Cruz, o senador disse que ainda não abriu um escritório no Oeste Texas, mas vai fazê-lo depois de avaliar o melhores locais em potenciais.

“Ele está fazendo um grande trabalho em Washington e estamos contentes que ele é um dos nossos senadores,” disse o Prefeito de Midland, Wes Perry. “Eu acho que ele tem um grande, grande futuro pela frente.”

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Cinco fatos que irritarão o seu professor de economia keynesiano

Postado originalmente no Portal Libertarianismo. Escrito por Andrew Criscione, com tradução de Russ da Silva e revisão de Erick Vasconcelos.

Nem todo professor de faculdade é um keynesiano, mas há uma boa chance que o seu seja, ou ao menos siga alguma parte do pensamento keynesiano. Se esse for o caso, aqui estão alguns fatos engraçados que você pode trazer à tona que profanam a visão de mundo keynesiana.

1) A não tão Grande Depressão de 1920-21

A Grande Depressão (1929 – 1946) foi uma época horrível e se tornou o principal tópico discutido no debate atual sobre políticas econômicas. Porém, poucas pessoas mencionam a depressão de 1920-21. Ao contrário da Grande Depressão, que durou mais de quinze anos, a Depressão de 1920 durou apenas um ano. Durante a Grande Depressão, gigantescos estímulos econômicos foram utilizados pelo governo.  Todos sabem que Franklin Delano Roosevelt foi um grande apoiador dos estímulos econômicos governamentais, isto é, do aumento da dívida e dos gastos públicos e menores taxas de juros. Mas se esquece que Herbert Hoover também deu enormes estímulos da mesma natureza.[1] Agora veja o contraste da depressão de 1920, a qual foi tratada, como Jim Grant descreveu no Washington Post, com:

Aumentos das taxas de juros, reduções do déficit público e equilíbrio do orçamento federal. A depressão durou apenas dezoito meses.[2]

A receita keynesiana de diminuir as taxas de juros e aumentar os gastos governamentais não foi somente ignorada, o exato oposto foi feito. Deixe os economistas do século XXI esfregarem os olhos em descrença.

2) A ausência da Depressão de 1946

Milhões de norte-americanos foram empregados em serviços militares em 1945 e de acordo com a lógica keynesiana, se todos fossem demitidos ao mesmo tempo e os gastos governamentais fossem drasticamente cortados, uma enorme depressão aconteceria.

O proeminente keynesiano Paul Samuelson afirmou:

“Quando a guerra chegar ao fim, mais da metade dos trabalhadores dependerá direta ou indiretamente do exército. Nós teremos em torno de 10 milhões de trabalhadores jogados no mercado de trabalho […]. Se a guerra terminasse subitamente nos próximos 6 meses, se planejássemos acabar com nossos esforços de guerra o mais rápido possível, desmobilizar nossas forças armadas, liquidar o controle de preços, diminuir nossos déficits astronômicos para talvez os níveis ainda altíssimos dos anos 1930, seríamos levados ao maior período de desemprego e desarticulação industrial que qualquer economia jamais enfrentou.”

E de fato, as tropas foram dispensadas, os controles de preços acabaram e os gastos do governo federal foram cortados em incríveis 61%. A maior catástrofe econômica da história ocorreu? Não, a economia entrou em uma grande época de prosperidade do fim dos anos 1940 até os anos 1950, uma vez que recursos foram tomados do setor improdutivo do Estado e alocados para o produtivo setor privado. [3]

3) A Harvard Business School mostrou em estudo que estímulos estatais prejudicam a economia

A teoria keynesiana não diferencia bons gastos de maus gastos: todo gasto em uma recessão ou depressão é bom para a economia. Na verdade, Keynes notoriamente disse isso:

Se o Tesouro enchesse garrafas antigas com cédulas de dinheiro, as enterrasse em profundidades consideráveis em minas de carvão desativadas, as quais seriam enchidas até a superfície com lixo de cidades e deixasse para a iniciativa privada cavar as cédulas novamente sob os bem testados princípios do laissez faire […] não haveria mais desemprego.[4]

Então qualquer estudo que mostre que gastos governamentais prejudicam a economia dá um golpe fatal na teoria keynesiana, porém, isso é precisamente o que o estudo da Harvard Business School concluiu:

Pesquisas recentes na Harvard Business School começaram com a premissa que assim que uma delegação congressista de um estado cresce em estatura e poder em Washington, D.C., empresários desse estado se beneficiariam do crescimento dos gastos federais que viriam para ajudá-los. O que aconteceu na verdade foi o contrário. Na verdade, os professores Lauren Cohen, Joshua Coval e Christopher Malloy descobriram surpresos que companhias obtiveram menores vendas e diminuíram gastos, cortando a folha de pagamento, pesquisa e desenvolvimento e outros gastos… “O estado sofre em média um aumento de 40 a 50 por cento  em gastos se o seu senador se tornar presidente de um dos três maiores comitês.” [5]

Conforme o governo aumenta seus gastos, ele acaba ocupando uma maior parcela da economia: o governo arrebata recursos e expulsa investimentos privados.

4) Os anos 1870

Durante a década de 1870, preços nos EUA estavam em queda. A teoria keynesiana diz que salários são “rígidos para baixo”. Isso significa que: se preços como um todo estão caindo, haverá alto desemprego. Mas isso não ocorreu na década de 1870:

Historiadores há muito tempo atribuíram a crise a uma “grande depressão da década de 1870.” Porém, reconstruções detalhadas recentes feitas por historiadores da economia de dados do século XIX, mostram que não houve depressão na década de 1870: com a exceção da recessão de 1873, na verdade, a década de 1870 foi possivelmente uma das de maior crescimento econômico sustentável da história dos EUA. Os empregos crescerem fortemente, mais rápido que a taxa de imigração; o consumo de comida e outros bens cresceu em todo o país. Em escala per capita, quase todos os índices de produção subiram de forma espetacular. Até o final da década, as pessoas estavam melhor alojadas, mais bem  vestidas e viviam em fazendas maiores.

A economia aumentou a produção mais rápido do que a quantidade de dólares. Hoje, em algumas indústrias de crescimento muito rápido, como telefones celulares e laptops, os preços caem, mas em quase todas as outras indústrias cresce a um ritmo mais lento do que a oferta de moeda, e isso significa que os preços sobem. Mas isto não tem que ser o caso.

5) Estagflação

De acordo com a teoria keynesiana, preços estão subindo e desemprego está caindo ou preços estão caindo e desemprego está subindo: uma situação onde preços estão subindo e desemprego está subindo é impossível. Porém, isso é falso, pois:

Nos anos 1970, no entanto, muitos países ocidentais experimentaram a “estagflação”, ou desemprego alto e inflação simultaneamente, um fenômeno que contradiz a visão de Keynes.[7]

Até hoje estudantes de macroeconomia aprendem que há um trade-off direto entre inflação e desemprego. Porém, os anos 1970 mostram que isso é claramente falso.

Então, o que é que está acontecendo?

Apesar de enormes falhas da teoria keynesiana, como é que essa teoria continua sendo a teoria mais ensinada na profissão de economista? É uma questão que está aí para debate, porem, assinalarei esse fato: o Banco Central é uma instituição que explicitamente keynesiana em suas políticas. O Banco Central diminui os juros durante recessões com o intuito de estimular a economia. Isso também é conhecido como imprimir dinheiro. E quais são algumas das coisas que ele faz com esse dinheiro?

O Banco Central, através de sua extensa rede de consultores, acadêmicos visitantes, alunos e economistas domina tão completamente o campo da economia que a crítica real do banco central tornou-se uma deficiência de carreira para os membros da profissão. [8]

Agora, eu não confrontaria o seu professor, acusando-o de corrupto, ele é quem dá suas notas. Porém, o envolvimento do Banco Central na academia é um fato interessante de se perceber.

Notas

[1] http://www.voxeu.org/index.php?q=node/4105

[2] http://www.washingtonpost.com/opinions/warren-harding-curing-a-depression-through-austerity/2012/01/19/gIQA5VEsEQ_story_1.html

[3] http://econlog.econlib.org/archives/2010/07/paul_samuelsons.html

[4] https://www.mtholyoke.edu/courses/sgabriel/keynes.htm

[5] http://hbswk.hbs.edu/item/6420.html?wknews=052410

[6] http://www.nytimes.com/2006/06/02/opinion/02morris.html?_r=1

[7] http://www.britannica.com/EBchecked/topic/668896/stagflation

[8] http://www.huffingtonpost.com/2009/09/07/priceless-how-the-federal_n_278805.html

Mais combustível para o incêndio

Recentemente, em um evento do G-20 com representantes das principais economias do mundo, as presidentes Dilma Rousseff e Cristina Kirchner (Argentina) se uniram contra ajustes econômicos e defenderam políticas de “crescimento”. Aqui, segue uma reportagem do Estadão, que será comentada logo em seguida.

BUENOS AIRES – Apesar do conflito interno sobre barreiras comerciais mútuas, Argentina e Brasil estão unidos na cúpula do G-20, que ocorre em Los Cabos, no México. Em um encontro ontem, antes do início das discussões entre os líderes mundiais, as presidentes Cristina Kirchner e Dilma Rousseff fixaram posição contrária às receitas de fortes ajustes que os países desenvolvidos pretendem impor como ferramenta para enfrentar a crise internacional e decidiram defender políticas de crescimento e manutenção dos postos de trabalho, segundo informou o chanceler da Argentina, Héctor Timerman, em entrevista à imprensa local.

Cristina e Dilma querem que as políticas produtivas e trabalhistas entrem na agenda de debate da nova ordem econômica mundial. “Houve coincidência entre as presidentes de manter uma posição conjunta no G-20 em favor das políticas de crescimento e desenvolvimento”, disse Timerman. Segundo ele, “os países emergentes e em desenvolvimento têm consolidado uma posição cada vez mais sólida nas diferentes cúpulas do G-20”. “Não seremos nós que pagaremos as crises dos países desenvolvidos”, arrematou o chanceler em referência às dificuldades econômicas, financeiras e políticas na Europa. 

Ele ressaltou que os países em desenvolvimento têm enfrentado as crises dos últimos anos com políticas proativas. Estímulos ao crescimento econômico com geração de emprego, como tem defendido Cristina Kirchner em seus discursos, deveriam ser a solução para que os líderes europeus enfrentem a crise na Europa e estabilizem a zona do euro.

Mercosul

Timerman afirmou que as presidentes não conversaram sobre os conflitos bilaterais provocados pelas barreiras argentinas contra importações. As presidentes deixaram os assuntos domésticos para serem tratados pelos técnicos que começam a se reunir na próxima quarta-feira, 27, em Mendoza, para preparar a reunião de cúpula dos presidentes dos países do Mercosul no dia 29. Na ocasião, os presidentes devem aprovar medidas para proteger o mercado regional da concorrência dos importados, por meio da elevação do imposto de importação.

A ideia de aumentar o número de produtos que podem ter as tarifas elevadas para 35%, a tarifa máxima consolidada pela Organização Mundial do Comércio (OMC), foi apresentada em junho de 2011, por ocasião da reunião de cúpula realizada no Paraguai. Em dezembro, na cúpula de Montevidéu, os quatro sócios do bloco – Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai – tentaram avançar na definição do tamanho da lista que terá a Tarifa Externa Comum (TEC) elevada. Inicialmente, a proposta era de 100 produtos, mas o Brasil está disposto a chegar a 200. A Argentina, por sua vez, quer uma lista com 400 produtos.

Deixando claro desde o início, o “crescimento” que Dilma e Cristina defendem não é um crescimento real propriamente dito, pois ambas estão receitando como solução aquilo que é a fonte dos problemas. As “políticas de crescimento e manutenção dos postos de trabalho”, mesmo não explicitadas, são aumentos nos gastos públicos, reduções (na marra) de juros junto com expansões monetárias mantendo a existência de cargos de trabalho que deveriam ser liquidados em momentos de recessão e, de preferência, com um funcionalismo público que seja sonho de profissão de um cidadão comum.

Não houve uma mera coincidência nos discursos. Foi é previsível, já que elas defendem crescimento econômico keynesiano. Estranho e diferente seria se o discurso fosse a favor de austeridade e corte de gastos que não agregam em nada (menos em agregados keynesianos, claro). O problema com esses discursos? Eles vão de encontro com crescimentos economicamente sustentáveis.

Por exemplo, a manutenção de postos de trabalho. Sob uma visão coletivista (a qual ambas são adeptas), os trabalhadores são uma grande massa coletiva, algo homogêneo, uma variável que é composta pelo número de trabalhadores (com essas informações, já é possível perceber a relevância de uma taxa de desemprego, por exemplo) que recebem salários, que são outra grande massa coletiva homogênea. Logo, aumentos absolutos nos postos de trabalho são sob esse ponto de vista bons (um fim a ser alcançado), ao passo que uma diminuição no número de trabalhadores empregados seria um problema. Dessa forma, as presidentes então concluem que manter altos níveis de emprego é bom para solucionar crises.

Só que, infelizmente, nem tudo são nem flores. O que elas não compreendem (ou apenas não acham relevante) é como tudo isso está estruturado. Dois exemplos seriam cargos na burocracia estatal de um país (setor público) e cargos em uma empresa que passa por dificuldades em uma recessão (setor privado).

No setor público, a produtividade não é alta e isso não acontece apenas pelos famosos benefícios. A própria natureza de um Estado grande, forte e inchado acaba possibilitando a existência de cargos improdutivos. Será menos uma relação de lucro, prejuízo e produtividade e mais uma questão de politicagem, de aparelhagem do Estado. Porém, com a visão coletivista de nossas presidentes latino-americanas, isso não é tão importante assim, já que o que importa é a quantidade de trabalhadores recebendo salário e consumindo, movimentando a economia num segundo momento. O problema é que num primeiro momento (o que não se viu) é que esse salário veio como pagamento por uma participação improdutiva na sociedade, deixando de criar riquezas (neste artigo existem complementos para o entendimento).

No setor privado, muitos empregos foram criados se baseando no crescimento artificial que estava ocorrendo graças aos estímulos governamentais. Quando os efeitos dos estímulos cessarem (ou quando a inflação apertar) esses cargos precisam ser eliminados, pois não são mais produtivos e não criam bens e serviços que o mercado demanda. Assim, recursos como mão-de-obra e imobilizados serão redirecionados para atividades mais produtivas e lucrativas, trazendo o crescimento de volta. Só que Dilma e Cristina defendem o contrário (defendem a manutenção também de cargos improdutivos) e, com isso, inconsistências que só atrasam o desenvolvimento. O resultado óbvio disso são as atuais crises, as quais serão agravadas por políticas que, além de participarem da essência dos problemas, focam um discutível pleno emprego.

Quanto ao Mercosul, a Argentina só está fazendo aquilo que Kirchner defende: protecionismo. O Brasil não reclama quando países do Mercosul, unidos, aumentam impostos de importação (mesmo isso trazendo alguns problemas para nós também). Agora, quando a Argentina prejudica o Brasil (e a si mesma), o Brasil reclama. Como diria o ditado, protecionismo no dos outros…

As políticas defendidas pelas presidentes latino-americanas não são nenhuma solução, mas sim apenas mais daquilo que gera o próprio problema. No pensamento delas, dar mais combustível ao fogo é uma boa opção para acabar com o incêndio.

Fear the boom and the bust!

O canal de televisão a cabo americano Spike TV criou dois vídeos humorísticos para exemplificar o pensamento econômico keynesiano e austríaco. Fear the Boom and Bust são clipes musicais de hip hop e os dois rappers que se enfrentam são, justamente, Keynes e Hayek, que são interpretados por Billy Scafuri e Adam Lustick, respectivamente.

No primeiro vídeo, o foco é a questão de crescimento seguido de recessão. Então, os “rappers da economia” tentam explicar o porquê disso e como evitar. Já no segundo vídeo, o foco é a questão de livre iniciativa contra um planejamento centralizado.

Também são interessantes pequenos detalhes dos vídeos, como o fato real e que foi exemplificado de que Hayek é mais desconhecido perante Keynes e que de início sempre fica pro segundo plano. Sendo assim, precisa sempre se explicar para tentar provar que está correto. Isso é algo extremamente comum para um economista austríaco, que não segue os pensamentos dominantes e que precisa sempre recorrer a bons argumentos para tentar provar sua posição.

Ambos os vídeos estão legendados.