Republicanos negros e o “Racismo”

Tradução livre que faço hoje da fala da comentarista politica, autora, ex-candidata Republicana de Mississípi ao Congresso e miss Washington DC 1994, Angela McGlowan.

Chega um momento na vida de cada jovem negro, por vezes, na faculdade, quando ele ou ela faz uma pergunta silenciosa, mas poderosa: Por que todos nós votamos para um partido que é contra quase tudo o que é essencial para a nossa fé?

A fé que se reflete nos poderosos hinos negros que nos sustentaram contra a escravidão, as Jim Crow Laws, e durante o movimento dos direitos civis? Devemos acreditar que ela não é mais relevante hoje em dia? Por que somos tão leais aos mais hostis a nossa fé?

É uma pergunta que muitos negros se fazem silenciosamente. Eu sei que eu fiz. É uma questão que pretende esclarecer de onde isso tudo veio. Bem, você entende, deve haver algo que eu ainda tenho que aprender. Deve haver algo que eu não sei e que explica por que votamos contra os nossos valores. Mas não há nada que explique isso. Há medo. Há sanção social. Há a condenação ao ostracismo. E é isso.

Como funciona o sistema eleitoral americano

A maior diferença entre o sistema eleitoral americano e o Brasileiro é, sem dúvida, o fato do sistema americano eleger o presidente através de colégios eleitorais, enquanto o sistema brasileiro elege através de eleições majoritárias. Além de complexo, o sistema americano dá brecha para que um candidato que não obteve a maioria dos votos populares seja eleito. Isso aconteceu algumas vezes, por exemplo, no ano de 2000 quando mesmo Al Gore tendo a maioria dos votos populares perdeu a eleição pra George W. Bush.

Nos Estados Unidos o presidente é eleito por votos indiretos, através de colégios eleitorais como já dito anteriormente. O colégio eleitoral sim é escolhido por meio de votação popular. Cada um dos 50 estados americanos tem um número de delegados que geralmente é igual ao número de representantes que o estado tem nas duas casas do congresso, o senado e a câmara. O número mínimo de delegados por estado é de 3 (três) e o máximo de 55 (cinquenta e cinco). Os EUA no total conta com 538 integrantes do colégio eleitoral. Então para conseguir se eleger, o candidato deve ter no mínimo 270 votos de colégios eleitorais. Os delegados estaduais são escolhidos pelo voto de militantes e membros dos partidos em cada estado.

Trocando em miúdos é como se cada estado dos EUA votasse pra presidente. Porém, para complicar um pouquinho, os estados tem peso diferente, por exemplo: um estado como a Califórnia tem direito a 55 delegados, ou seja, 55 votos, enquanto um estado como a Dakota do Sul só tem direito a 3 votos.Você acha que já entendeu? Bom, agora vem ai mais uma curiosidade. Se hipoteticamente um estado que tem direito a 55 delegados, como a Califórnia, 28 votos são para o candidato A e 27 para o candidato B, na contagem final dos colégios eleitorais, o colégio da Califórnia contribui com 55 votos pro candidato A, que foi o vencedor naquele estado, esse sistema é conhecido nos EUA como “the winner takes it all” (o vencedor leva tudo).

Não podemos esquecer também dos candidatos independentes que não são filiados em partidos políticos e que podem sim, afetar no resultado da eleição, pois se nenhum candidato obter o mínimo de 270 votos de colégio eleitoral, os três candidatos que receberam mais votos disputam uma nova eleição, só que não mais sendo escolhidos por colégios eleitorais e sim pela câmara de representantes onde cada estado tem um voto.

No próximo post explicarei como funcionam as primárias.

O negro e a direita

A direita negra, ou conservadorismo negro, é um movimento político e social enraizado nas comunidades de descendentes de africanos que se alinham ao movimento conservador ou liberal. Entre os americanos, é referido como conservadorismo negro (em inglês, conservative ou conservador é um termo quase equivalente ao “direitista” aqui). O direitismo negro americano enfatiza o tradicionalismo, o patriotismo, o capitalismo, o livre mercado e um forte conservadorismo social dentro do contexto da Black Church.

I. Conceitos-chave:

Black church – Igrejas que ministram para congregações predominantemente negras nos Estados Unidos. Algumas são de denominações predominantemente negras como a Igreja Episcopal Metodista Africana (AME). A maioria das primeiras congregações e igrejas negras formaram-se antes de 1800 por negros livres – por exemplo, na Filadélfia (Pensilvânia), Petersburgo (Virgínia) e Savana (Geórgia). A mais antiga igreja batista negra fica em Kentucky.

Empowerment – Aumentar a força espiritual, política, social, educacional ou econômica de indivíduos e comunidades. Dentro de um contexto empresarial, refere-se a garantir maior poder de decisão para funcionários.

Black empowerment – Empowerment de indivíduos ou comunidades negras através do aprimoramento acadêmico e profissional, estabelecimento de fortes relações econômicas ou mesmo estimulando a responsabilidade familiar e a gestão de negócios familiares.

Welfare State – Também chamado “estado do bem-estar social”, é um tipo de organização política e econômica que coloca o Estado  como agente da promoção social e organizador da economia. Nesta orientação, o Estado é o agente regulamentador de toda vida e saúde social, política e econômica do país em conluio com sindicatos e empresas privadas, em níveis diferentes, de acordo com o país em questão.

Beloved Community – Conceito central da filosofia de Martin Luther King Jr. King o define assim o seu objetivo: “é a reconciliação, … redenção, a criação de uma amada comunidade.” Junto à SCLC, King definia: “O objetivo final da SCLC é promover e criar a ‘amada comunidade’ na América, onde a irmandade é uma realidade… A SCLC trabalha pela integração. Nosso objetivo é a genuína vida interpessoal e intergrupal — integração.” E em seu último livro ele declara: “Nossas lealdades devem transcender nossa raça, nossa tribo, nossa classe, e nossa nação…”

A visão da sociedade de King era a de uma sociedade completamente integrada, uma comunidade de amor e justiça dentro da qual a irmandade seria uma realidade em toda a vida social. Em sua mente, esta comunidade seria a expressão corpórea ideal da fé cristã.

II. Características da direita entre os negros americanos
Algumas das principais características da direita entre os negros americanos é a ênfase na escolha pessoal e nas responsabilidades acima do status sócio-econômico e do racismo institucional. Tradicionalmente, políticos negros americanos tendem a alinhar-se com o pensamento de Booker T. Washington. Para muitos direitistas negros, a missão principal é trazer sucesso à comunidade negra aplicando os seguintes princípios fundamentais:

  • A busca da excelência educacional e profissional como um meio de avançar dentro da sociedade;
  • Políticas que promovam segurança na comunidade além da típica rotulação de criminosos como “vítimas” do racismo da sociedade.
  • Desenvolvimento econômico local através da livre empresa, em vez de buscar por assistência do governo.
  • Empowerment do indivíduo através do auto-desenvolvimento (virtude), consciência e graça. (o último conceito é espiritual, e tem a ver com a Black Church)

Conservadores negros podem ter idéias em comum com nacionalistas negros dada a sua crença compartilhada no black empowerment e na teoria de que os negros tem sido enganados pelo Welfare state.

Os direitistas negros, tipicamente, se opoem às chamadas “ações afirmativas”. Argumentam que os esforços para obter algum tipo de “reparação” pela escravidão são tanto equivocados como contra-produtivos. Direitistas negros famosos são Thomas Sowell, Armstrong Williams, Walter Williams e Clarence Thomas, além de outras figuras históricas memoráveis como Frederick Douglass, Martin Luther King Jr., Booker T. Washington, etc. Os conservadores negros são a favor da integração e consequentemente entram em desacordo com nacionalistas negros, que são mais nativistas e segregacionistas. São mais inclinados a apoiar políticas econômicas de globalização, livre mercado e cortes na tributação.

O termo “Black Republican” (Negro Republicano) foi criado pelos Democratas (partido de esquerda americano) em 1854 para descrever o recém-formado Partido Republicano. Ainda que a maioria dos republicanos da época fossem brancos, o Republican Party foi fundado por abolicionistas e apoiava a igualdade racial. Os democratas sulistas usavam o termo de forma pejorativa, acreditando que a vitória de Abraham Lincoln em 1860 levaria a revoltas dos escravos. O uso do termo continuou após a Guerra Civil Americana para refletir a visão dos opositores aos republicanos radicais (uma facção do Republican Party) durante o período da Reconstrução (período da história americana pós-guerra civil que vai de 1865 a 1877).  No século seguinte o termo passou a designar especificamente os negros afiliados ou eleitores do Partido Republicano.

Republicanos negros, como Colin Powell, são adeptos de idéias sociais articuladas pelos primeiros republicanos radicais, como Frederick Douglass, ao mesmo tempo que apoiam a mensagem de auto-empowerment de Booker T. Washington. Muitos conservadores sociais negros mantém uma visão bíblica de empowerment, ainda que apreciem a ênfase de Booker na realização pessoal.

III. Pensadores

Booker Taliaferro Washington

Booker Taliaferro Washington (5 de abril de 1856-14 de novembro de 1915), educador e reformador, primeiro presidente e principal desenvolvedor do Tuskegee Normal and Industrial Institute (hoje Tuskegee University), e o mais influente porta-voz dos negros americanos entre 1895 e 1915.

Washington acreditava que os melhores interesses dos negros na era pós-Reconstrução poderiam ser realizados através da educação nas habilidades manuais e industriais e no cultivo das virtudes da paciência, do empreendedorismo, e da poupança. Incitava outros negros a cultivar suas habilidades na indústria e na agricultura para adquirir segurança econômica. Assim, a aquisição de riqueza e cultura iria gradualmente ganhar respeito e aceitação para eles. Isto levaria à derrubada das divisões entre as duas raças e levar à igualdade de cidadania para os negros afinal. No seu discurso histórico (18 de setembro de 1895) para uma audiência racialmente mista, numa exposição em Atlanta, Washington expôs sua abordagem pragmática na famosa frase: “Em tudo que é puramente social podemos estar separados como dedos e ainda assim ser um só, como uma mão, em tudo que é essencial ao progresso mútuo.”

Frederick Douglass
Frederick Douglass foi uma testemunha e uma vítima da escravidão e do preconceito. Sofreu com a separação de sua família pelo seu mestre, e foi submetido a castigos físicos como chicotadas. No sul dos EUA, antes da guerra civil, era ilegal ensinar escravos a ler e escrever, mas Douglass aprendeu de qualquer jeito, e secretamente educou outros escravos. Depois de conseguir escapar, participou exaustivamente de reuniões dos movimentos anti-escravagistas no norte dos EUA por mais de duas décadas.

Douglass adotou o ideal de liberdade igualitária. Apoiava o sufrágio feminino, confiante de que as mulheres tem o mesmo direito a tudo que os homens tem. Buscava a tolerância para imigrantes perseguidos. Além-mar, uniu-se a Daniel O’Connell na demanda pela liberdade aos irlandeses, e conferenciava junto com Richard Cobden e John Bright, discursando sobre o livre comércio.

Douglass acreditava que a propriedade privada, o empreendedorismo competitivo e a auto-ajuda são essenciais para o progresso humano. A propriedade, escrevia, produziria para nós a única condição sobre a qual qualquer pessoa pode atingir a dignidade e a verdadeira humanidade… conhecimento, sabedoria, refinamento, educação, todos são fundados no trabalho e na riqueza que o labor traz… sem dinheiro, não há tempo livre, sem tempo livre não há pensamentos, sem pensamentos não há progresso.

Martin Luther King Jr.
Destacado orador e ativista pelos direitos civis, Martin Luther King Jr. é melhor conhecido pela sua luta na igualdade de direitos para os negros americanos. Envolveu-se no movimento do boicote aos ônibus em Montgomery contra a segregação racial no transporte público, e lutou pela reforma do direito ao voto (Voting Rights Act). Evangélico da tradição batista, fez dos seus ensinamentos uma verdadeira doutrina de amor ao próximo e de como melhorar o mundo de maneira não-violenta. King, em oposição a radicais como Malcolm X, defendia que a luta pelos direitos deveria ser feita de maneira pacífica, pois a não-violência é um modo de protesto que só os homens de coragem podem enfrentar.

IV. Na cultura popular
Talvez a série de televisão que melhor apresenta personagens negros e conservadores seja Um Maluco No Pedaço (The Fresh Prince of Bel-Air). O personagem de Will Smith, um jovem malandro e irresponsável da Filadélfia, confronta uma realidade diferente quando vai morar com a sua tia, na casa da família Banks em Bel-Air (Los Angeles). A cultura da casa é conservadora e ordeira. Os residentes, em sua maioria, primam pela responsabilidade, pela coesão familiar, e pelo desenvolvimento individual de cada um. Os exemplos mais fortes:

Philip Banks (Tio Phill), um conceituado advogado de Bel-Air. Rigoroso e orgulhoso de seu trabalho, preocupa-se com sua imagem pública. É um pai e marido atencioso: preza rigorosamente pela educação de seus filhos Carlton, Hillary e Ashley.

Carlton Banks, extremo oposto do Will. Com aparência e comportamento de “mauricinho”, inteligente embora não muito esperto, veste-se, via de regra, com uma roupa social bem característica dele, e que é motivo de chacota para o Will. No entanto, é o Carlton que ajuda o Will quando este precisa. E não são poucas vezes: para estudar, para conseguir dinheiro ou até mesmo para conseguir conquistar uma gata mais “refinada”.

Geoffrey Barbara Buttler, o mordomo da casa. Acostumado a trabalhar com aristocratas ingleses, Geoffrey, mesmo em sua posição de empregado, é o mais esnobe e ao mesmo tempo o mais refinado na casa dos Banks. No entanto, Geoffrey também é um personagem sarcástico, e não perde uma boa oportunidade de tirar com a cara do Will. Devido ao fato dos telespectadores americanos não estarem familiarizados com ingleses negros, a personalidade de Geoffrey foi mudando ao longo da série para americanizá-lo. Ao longo da série ele fica mais sarcástico e bem-humorado, e menos metódico também.

V. No Brasil:
Embora hoje no Brasil a direita não esteja representada partidariamente, ela é visível em manifestações daqueles grupos a que a mídia se refere como “bancada evangélica” ou “bancada ruralista” e mais recentemente nas marchas contra o aborto e marchas contra a corrupção. Conforme pesquisas e referendos confirmam, o brasileiro é um povo bastante conservador. É a favor do porte de armas, de penas mais severas para os bandidos, da redução da maioridade penal, é contrário ao aborto, a legalização das drogas, da prostituição, etc.

Os negros brasileiros não estão de fora, embora não formem um movimento organizado como o que vemos nos EUA.

Estima-se que a população negra no Brasil represente uns 6,9% do total. Em números absolutos, seriam cerca de 13 milhões de pessoas. Estima-se também que a maioria dos negros (11 milhões) pertença a alguma denominação religiosa de cunho evangélico. No entanto, existem também grupos negros entre os católicos, como a tradicional Irmandade dos Homens Pretos que tem mais de 320 anos de existência.

A Irmandade dos Homens Pretos, associação cristã negra mais tradicional do Brasil.

Figuras Históricas que podem ser relacionadas com a direita, entre os negros, no Brasil:

Agostinho José Pereira
Agostinho José Pereira é considerado pelo Movimento Evangélico Negro como o pioneiro do protestantismo no Brasil. Fundador da Igreja do Divino Mestre, que é considerada pelo Movimento Evangélico Negro como a primeira igreja protestante no Brasil, apesar de a historiografia “oficial” não a reconhecer como tal.

Tal como muitos ativistas cristãos da época, Agostinho defendia a libertação dos escravos desde uma perspectiva bíblica. Pregava para negros e negras libertos, ensinava-os a ler e escrever, e foi responsável pela difusão do Evangelho entre os negros livres do Brasil em plena época da escravidão, e sob forte repressão do Estado à liberdade religiosa.

João Cândido Felisberto


Gaúcho e descendente de ex-escravos, João Cândido Felisberto ingressou na escola Companhia de Artífices Militares e Menores Aprendizes no Arsenal de Guerra de Porto Alegre aos 13 anos, por recomendação de um amigo da família, o capitão-de-fragata Alexandrino de Alencar. Ainda antes de ingressar nesta escola, e portanto antes mesmo de ser marinheiro, João Cândido Felisberto foi soldado sob comando do General Pinheiro Machado na Revolução Federalista, ao lado dos federalistas e em oposição aos republicanos (que defendiam  um governo mais centralizado).

O uso da chibata na Marinha, para castigos corporais, havia sido oficialmente abolido em 1889, mas continuava a ser usado a critério dos oficiais.

Em 22 de novembro de 1910, ele assume o comando do encouraçado Minas Gerais e da esquadra a ele subordinada – somando 2.379 homens, 3 encouraçados e um cruzador – na sublevação contra os castigos corporais aplicados aos marinheiros. Este episódio fica registrado na história como Revolta da Chibata.

André Pinto Rebouças

Engenheiro, inventor e abolicionista, ganhou fama no Rio de Janeiro, então Capital do Império, ao solucionar o problema de abastecimento de água, trazendo-a de mananciais fora da cidade.

Servindo como engenheiro militar na guerra do Paraguai, André Rebouças desenvolveu o torpedo, uma inovação tecnológica nunca oficialmente reconhecida e creditada a ele, mas que viria a provar seu poder como arma marítima nas guerras de tonagem da Marinha Alemã na Primeira e na Segunda Guerra Mundial.

Ao lado de Machado de Assis, foi um dos representantes da classe média brasileira com patente ascendência africana e uma das vozes mais importantes em prol da abolição da escravatura. Foi, além de articulista, tesoureiro da Confederação Abolicionista e um dos grandes financiadores da campanha da mesma no Rio de Janeiro.

André Rebouças foi integrante dos Voluntários da Pátria, participando do Cerco de Uruguaiana e fazendo amizade com o Conde D’Eu. Participa também do combate em Passo da Pátria e da defesa de Tuiuti.

Fiel à monarquia, opôs-se aos republicanos e acompanhou a Família Imperial brasileira a caminho do exílio.

Uma história a desbravar
É pouco estudada, na historiografia brasileira, o papel ativo do negro na sociedade. Via de regra, ele é sempre exibido nos livros ou como uma personagem passiva ou reativa. Dá-se pouca visibilidade ao que o negro atingiu por si e pela sua integração social, em vez daquilo que autoridades decidiam em seu nome. Nem todos sabem, por exemplo, que quando foi promulgada a Lei Áurea, mais de 90% dos negros brasileiros já eram livres – porque arranjaram meios de comprar a própria alforria ou de fugir, ou que as conhecidas “sinhás pretas” enriqueciam e prosperavam através do comércio. O que se sabe também sobre movimentos políticos organizados por negros, como a FNB (Frente Negra Brasileira) ou a Ação Imperial Patrianovista Brasileira, é muito pouco. Outro aspecto interessante, pouco mencionado: até o início da década de XX, os negros identificavam-se majoritariamente com a Monarquia, em detrimento da República. O movimento patrianovista, por exemplo, pretendia a restauração da monarquia e um Estado confessional.

VI. Conclusão
Talvez pelo fato da identificação racial não ser algo tão característico no brasileiro como é no americano, pela falta de representatividade partidária e, ultimamente, pela exposição excessiva à retórica classista da esquerda e sua ilusão sedutora de um racismo institucional benéfico, os negros no Brasil não tenham ainda se organizado em torno de um partido mais conservador para defender seus interesses na arena política.

O resultado disso é que o negro acaba sendo engolido pela retórica populista do apelo às minorias: deixa de ser agente político para ser agenda política. Diluída sua identidade dentro do discurso das minorias, ele é forçado por associação a assumir uma não-identidade: o não-branco, o não-maioria, o não-careta. A obliteração da sua real identidade e dos seus reais interesses, se dá pela política do balaião: minorias somadas são maioria. Como se fosse um preço a pagar por ser minoria, o negro é obrigado a aceitar coisas que ele repudia, porque está impelido a isso por associação com outras minorias ou grupos militantes, que pouco ou nada tem a ver com suas necessidades, interesses e valores.

Qual seria a saída? Um resgate histórico das tradições e valores que se foram perdendo ao longo do processo de “minorificação” da política e sua obliteração da identidade negra? A organização de uma nova frente negra brasileira dedicada ao empowerment de suas comunidades, através da educação e da transmissão de valores familiares? Um compromisso sério de fortalecer estas mesmas comunidades através do empreendedorismo? A dedicação individual ao estudo, à formação e o desenvolvimento pessoal? Não sei. A resposta para essas perguntas vai depender do quanto os movimentos políticos já organizados estão conscientes da importância destes brasileiros, de quão desejosos e receptivos estão para sua participação política e para sua força como agente de transformação e recuperação das instituições democráticas, tão abaladas pelo discurso maniqueísta da guerra de classes, pela política do balaião, pelo escambo de votos por cotas e pelo jogo de interesses completamente alheios aos interesses do cidadão.

A incoveniente verdade sobre o Partido Republicano

Partido Republicano, ou G.O.P (Grand Old Party ), como é conhecido no EUA. Quando a mídia brasileira o cita, ele é descrito como um partido conservador (não uma rotulação política, mas o xingamento que virou aqui no Brasil), de direita radical, com posições racistas, xenófobas, homofóbicas e também ligado ao armamentismo.  Ou seja, republicanos são o diabo na Terra. São uma coisa ruim, assim como tudo que é considerado de direita é retratado pela mídia brasileira e parte da mídia americana (encabeçada pela CNN) de maneira vilificada, para manipular as pessoas e fazer com que elas tenham visões erradas sobre a política e sobre certos partidos, como o próprio G.O.P.

Logo do GOP, ou Republican Party.

Essas pessoas tentam convencer que os Republicanos são gananciosos, fascistas e racistas, etc. Mas isso não é verdade, e vou lhe mostrar no decorrer do texto.
1º Mentira: Republicanos são gananciosos.
Verdade: Republicanos, ao contrário dos Democratas (partido da esquerda americana), defendem a redução e corte nos impostos, menores taxas e menos regulamentação do governo no mercado. Logo, defendem um mercado e uma sociedade mais livres. Todas essas medidas são benéficas a qualquer cidadão e beneficiam tanto quem compra como quem vende. O Partido Republicano defende que o dinheiro fique com o cidadão. Diferente do Partido Democrata, que deseja que o dinheiro do cidadão vá para a mão do governo em forma de impostos. E agora, quem são os  gananciosos?

2º Mentira: Republicanos são fascistas, nazistas, etc.
Verdade: Fascismo foi o regime implantado pelo Partido Nacional Fascista, que defendia um Estado forte, onde cada individuo era parte de um corpo homogêneo  guiado pelo Estado. Acreditavam que o poder deve ser ocupado e mantido pela força (alguma semelhança com as ações dos membros do Occupy Wall Street?).

Fascistas se opõem ao livre mercado, odeiam o capitalismo (olha de novo uma semelhança com o movimento OWS. Incrível não?). A máxima de Benito Mussolini e do movimento fascista italiano era: “Tutto nello Stato, niente al di fuori dello Stato, nulla contro lo Stato”, ou seja, “tudo dentro do Estado, ninguém fora do Estado, nada contra o Estado”.

Nacional-socialismo foi o regime que foi implantado pelo Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães. Assim como o partido fascista, defendia o totalitarismo, o coletivismo e se opunha ao liberalismo econômico e político. Tanto fascismo quanto nacional-socialismo nada tem a ver com as ideologias do Partido Republicano: republicanos defendem livre-mercado, propriedade privada e direitos individuais, etc. Pior é ver um movimento interno do G.O.P, o Tea Party, que é um movimento libertário, ser taxado na imprensa brasileira como um movimento fascista. O que, obviamente, é uma mentira desonesta plantada por alguns “jornalistas” que deixam suas ideologias pessoais influenciarem demais no lado profissional.

3º Mentira: Republicanos são homofóbicos.
Verdade: O G.O.P possui grupos internos dedicados aos homossexuais, como o Log Cabin Republicans, que é um grupo do partido republicano formado por gays conservadores. Eles tem como diretor executivo ninguém menos que R. Clarke Cooper, homossexual e veterano da Guerra do Iraque. O Log Cabin Republicans se inspira  em Abraham Lincoln na luta por direitos iguais a todos.

4º Mentira: Republicanos são racistas.
Verdade: O Partido Republicano foi fundado em 1854 por abolicionistas e em 1861 Abraham Lincoln é eleito presidente pelo partido republicano, sendo o primeiro republicano a assumir o cargo. Os “racistas” do partido aboliram a escravidão, que foi um dos fatores que levou os EUA à Guerra Civil, fomentada pelos estados escravistas do sul, que tinham o apoio dos democratas.

O passado racista do Democrats: a plataforma democrática é para o branco.

A União venceu a guerra e Lincoln continuou com seu mandato até ser assassinado em 1865 por John Wilkes Booth, um ativista sulista que apoiava os democratas. Outro “racista” do G.O.P era Frederick Douglass (1818-1895), negro que escapou da escravidão e tornou-se um dos mais bem-sucedidos líderes abolicionistas. Nos EUA quando se fala em abolição da escravidão, Douglass é citado com freqüência junto com Anna Murray-Douglass, que foi sua esposa por 44 anos. Uma das lutas de Anna Murray-Douglas foi também em favor dos direitos das mulheres.

Frederick Douglass, um dos mais importantes abolicionistas americanos.

Já a Ku Klux Klan, famigerado grupo racista oriundo do sul dos Estados Unidos, foi fundado por quem? Advinha, Republicanos?  NÃO, por Democratas. As Jim Crow Laws (1876-1965), conjunto de leis estaduais decretadas nos estados sulistas que segregavam as minorias, também foram iniciativa dos Democratas. Os grupos étnicos que mais sofreram com elas foram negros e asiáticos. Essas leis foram aprovadas por Democratas e abolidas pelos Republicanos “racistas”.

A amável esquerda americana…

Hoje o Partido Democrata continua querendo segregar a população. Eles querem criar cotas em universidades para negros e outros grupos étnicos (semelhante ao que se faz aqui), fomentam conflitos étnicos, criam “raças” assim como se fazia na Alemanha de Hitler e exploram o ódio entra essas “raças”. Mas, como disse o Republicano Martin Luther King Jr: “Eu tenho um sonho que um dia meus quatro filhos viverão em uma nação onde não serão julgados pela cor de sua pele, mas pelo conteúdo de seu caráter”.  Ao empregar sistemas de cota racial, não julgamos a pessoa pelo seu caráter ou inteligência e sim pela sua cor, o que é errado.