A Boeing contra o povo americano

Imagine você, leitor, tendo a possibilidade de pagar mais barato num produto. Qual seria a sua reação? Favorável, provavelmente. Entretanto, o governo muitas vezes age em desacordo com a sua provável reação, ou seja, ele te impede de conseguir produtos mais baratos, e acreditando que isso é o correto.

No dia 26/09/2017 o Departamento de Comércio dos Estados Unidos aplicou uma taxa de 219,63% nos aviões comerciais da Bombardier, grupo empresarial canadense ligado aos transportes. O motivo? Subsídios provenientes do governo canadense, tornando os aviões comerciais canadenses mais baratos em solo americano. Todavia, a restrição só poderá entrar em vigor em 2018, caso seja aprovada pela Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos (ITC), agência federal americana que, entre outras tarefas, avalia o impacto das importações na economia americana.

Bombardier-CSeries

O estopim para a medida foi após a Boeing, multinacional americana da área de transportes aéreos, acusar o Canadá de subsidiar injustamente os jatos de modelo CSeries da Bombardier, aviões de 110 a 130 assentos. Esses jatos seriam vendidos em solo americano abaixo do custo num pedido de 75 unidades por parte da Delta Air Lines, companhia aérea americana. A Boeing afirmou que essa disputa envolvendo as autoridades não é para “limitar a inovação e a concorrência”, mas sim para “igualdade e respeito aos acordos comerciais”. A Bombardier classificou a medida como “absurda” após discordar.

Esse é um caso claro de proteção para as empresas (Boeing, no caso), e não ao mercado dos EUA e aos consumidores americanos. Aliás, se alguém fosse reclamar, esse alguém deveria ser o povo canadense, não o americano.

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