SORTEIO: assine, compartilhe e ganhe

Acesse direitasja.com.br/assinar, clique em assinar e preencha o formulário para receber mensalmente o nosso boletim com os últimos artigos publicados. Em seguida, compartilhe essa promoção nas suas redes sociais. Se você já é nosso assinante, basta compartilhar a publicação!

Todos os assinantes participarão de um sorteio que será realizado no dia 1º de dezembro de 2017. Serão 3 ganhadores premiados cada um com um vale-presente da Editora Concreta, no valor de R$100,00, para você adquirir livros e cursos grátis.

Aqui é cultura na direção certa!

Anúncios

Sete observações sobre o liberalismo econômico

Esse texto também foi postado no blog Mundo Analista. Para ler por lá, clique aqui

adam-smith-9486480-1-402

Resolvi elencar algumas observações minhas sobre liberalismo econômico. São conclusões às quais cheguei com o tempo, a partir de leituras e experiências. Separei em sete pontos.

1. Liberalismo não é uma panaceia. Embora muitos dos primeiros liberais, influenciados pelo germe redentor do iluminismo, tenham observado esse sistema com grande empolgação, o fato é que como qualquer outro sistema humano, ele não pode criar um mundo perfeito ou próximo a isso. O liberalismo é a economia do possível, tal como o conservadorismo é a política do possível. O não reconhecimento disso distorce suas próprias bases como, por exemplo, a noção de pessimismo ou ceticismo antropológico (o homem é inclinado à imperfeição).

2. O liberalismo sozinho não constrói, tampouco muda uma grande nação em termos políticos, morais, espirituais e culturais. É um engano achar, por exemplo, que o liberalismo, por si só, é responsável pelo alto nível de honestidade de alguns povos. A honestidade coletiva se constrói ao longo de séculos de valores morais e éticos cultivados, protegidos e passados de geração em geração. Assim, um povo pode ser mais honesto que outro independente de modelo econômico adotado.

A importância do liberalismo nessa equação é que ele se encaixa melhor com um ser humano inclinado ao mal. Em outras palavras, ele possui maior potencial para impedir que o despotismo estatal. Uma sociedade honesta, mas com economia muito interventora tende a alimentar a corrupção, ou o autoritarismo, ou a ineficiência, pois mesmo o grau de honestidade sendo alto, o homem continua tendo propensão à imperfeição. Por outro lado, uma sociedade de economia liberal, mas com povo desonesto, tende a macular o liberalismo.

O liberalismo, portanto, serve como um delimitador da maldade humana, assim como também o são o Estado de direito, a tripartição dos poderes, a democracia representativa é a transparência nos procedimentos públicos. Eles são muito úteis numa sociedade civilizada e com cultura moral e espiritual elevadas (dentro das possibilidades humanas). Mas pouco podem fazer em uma sociedade de ímpeto mal, que além de inclinada à imperfeição, cultiva com afinco os piores vícios. Na verdade, numa sociedade assim, sequer pode surgir essa instrumentos de delimitação humana, visto que as pessoas não estão interessadas em travar nada.

Em suma, do ponto de vista histórico, esses mecanismos de limites para o ser humano só puderam emergir porque muitas sociedades se tornaram mais civilizadas, mais sensíveis moralmente, menos bárbaras. E o grande responsável por isso, em nossa era, pelo menos culturalmente, foi o cristianismo, ficando a moral judaico-cristã entre os povos e resgatando algumas boas ideias políticas originadas na Grécia que não tinham ido adiante.

3. Sabendo que o liberalismo econômico é positivo, mas não civiliza ou moraliza sozinho uma nação, deve ser concebido sempre em união com uma cultura moral e intelectualmente sólida, bem como mecanismos políticos firmes de contenção da ganância e da violência humanas. Qualquer proponente do liberalismo que não atente para esses tópicos está fadado ao fracasso. Seu projeto de economia não mudará a sociedade. Talvez até crie melhores condições e riqueza. Mas riqueza para um povo é um governo corruptos não geram uma boa estrutura social.

4. O liberalismo também deve andar de mãos dadas com o conservadorismo. A cosmovisão conservadora coloca o liberalismo com os pés no chão, impedindo que ele faça do modelo liberal um tipo de revolução. O liberalismo, ressalta-se, deve ser visto como a economia do possível e não mais que isso.

5. Considerados esses fatores, o liberalismo, em maior ou menor grau, pode ajudar muito uma sociedade já bem estruturada moralmente a ser mais mais honesta, mais rica e mais virtuosa. Há, na economia liberal, potencial para gerar virtudes no povo como o espírito empreendedor, as associações não governamentais de assistência social, a responsabilidade individual, a visão da família como pilar social e a autonomia em relação ao governo; e virtudes nos governantes como o respeito à limitação do Estado.

Por outro lado, o estatismo tende a corroer esses valores e criar vícios sociais. No povo, tende a gerar a delegação de responsabilidades individuais ao governo, o desprezo à atividade empreendedora (deixando-a entregue apenas aos gananciosos), a cultura do cargo estatal como meta de vida (seja por indicação ou concurso), o hábito de não cuidar bem das coisas públicas, o desestímulo ao trabalho eficiente em cargos públicos, a extrema dependência do Estado, a exigência de cada vez mais funções para o governo (e menos para a sociedade) e a substituição da autoridade familiar pela autoridade estatal. No governo, tende a atrair políticos corruptos, oportunistas, autoritários e idealistas, que se esforçarão para criar um Estado cada vez mais poderoso, tornando-o mais exposto à corrupção, ao despotismo e/ou à ineficiência.

6. É um mito crer que o liberalismo está baseado em um egoísmo do tipo mesquinho. É preciso entender o conceito observado primeiramente por Adam Smith a respeito do egoísmo como base do crescimento econômico. O egoísmo aqui não é definido em termos positivos ou negativos, mas neutros. A melhor palavra para descrever talvez seja amor próprio. Todos precisam ter amor próprio e é, em geral, pelo amor próprio que nos esforçamos em nossos trabalhos, a fim de prover nosso sustento. O amor próprio se torna ruim quando nosso amor não se estende às outras pessoas. Esse é o egoísmo mal ou mesquinho. Mas o amor próprio que não impede o amor pelos outros, nem o altruísmo, é um sentimento bom e importante.

Do ponto de vista estritamente econômico, tanto o amor próprio bom quanto o ruim tendem a gerar o mesmo efeito: produtos e serviços melhores, mais abundantes e mais baratos. Isso porque todos os agentes econômicos geralmente irão se esforçar para ganharem a concorrência, no intuito de terem o melhor para si. E para ganhar a concorrência, arrumam formas de atrair clientes com preços e/ou qualidades melhores. Claro que o caso aqui não é uma regra infalível. A relativa eficácia do modelo depende de algumas circunstâncias, dentre as quais uma sociedade realmente livre economicamente, onde o governo não beneficia uns em detrimento de outros (Smith fala sobre isso em seus livros). E a própria honestidade do povo também será essencial para a saúde do processo. Os indivíduos de uma sociedade vil arrumarão mais constantemente formas de se beneficiar sem se esforçar para beneficiar os demais.

O ponto a ser enfatizado aqui, no entanto, é que o liberalismo não obriga o indivíduo a ser egoísta no sentido mal. Tampouco necessita desse tipo de egoísmo (embora possa se beneficiar dele em algum grau). O amor próprio saudável, que mantém sentimentos altruístas, é melhor para a sociedade e para o próprio liberalismo, pois possibilita a manutenção de um ambiente de negócios mais ético, uma concorrência mais saudável e dentro das regras legais estabelecidas, uma estrutura legal mais rígida e a existência de indivíduos (empreendedores ou não) e associações livres dispostos a ajudarem socialmente os mais necessitados.

Uma vez que o liberalismo possui em si a capacidade de gerar mais riqueza, uma sociedade moralmente saudável poderá se utilizar bem desses recursos para ajudar livremente, o que reforça o senso de responsabilidade individual e, por conseguinte, social. Aqui, ressalta-se, responsabilidade social não se confunde com responsabilidade estatal ou governamental, como ocorre nos regimes econômicos estatistas.

7. Em geral, as sociedades mais bem sucedidas chegaram aonde estão hoje por uma confluência de fatores. O primeiro fator é a modelação da cultura por meio da moral judaico-cristã (ou algum sistema moral semelhante e igualmente impactante). Isso tanto no sentido da conduta ética, quanto no sentido racional, suplantando modelos antigos de politeísmo e teocracia, historicamente frágeis e inferiores quanto a essas questões.

A cultura remodelada cria condições para o surgimento de um povo mais racional e polido, de onde emergem homens com ideias positivas de limitação do poder do Estado, império das leis, garantia de direitos humanos, sistema de pesos e contrapesos, democracia representativa, economia mais livre, etc.

Implantadas essas ideias, a cultura e o tempo serão responsável pelo aperfeiçoamento das mesmas. E o aprimoramento da estrutura político-econômica será, por sua vez, um fator importante para a manutenção da sociedade dentro de determinados limites.

O processo, contudo, está sujeito à interferências das mais diversas, tanto no que se refere à degradação da cultura, quanto à degradação do próprio sistema político-econômico. O norte para a ser seguido no intuito de evitar essas degradações diversas é sempre resgatar os valores culturais responsáveis pela civilização/moralização da sociedade e pela germinação das estruturas político-econômicas mais elevadas e eficazes para o ser humano como ele é.

A desigualdade nunca foi o grande problema

 

inequality

Imagine que tivéssemos uma máquina do tempo e viajássemos para qualquer lugar do Brasil no início do século XX. E chegando nesta época conhecêssemos um cidadão de classe média, que vivesse em uma cidadezinha afastada sem acesso a um serviço médico permanente, sem água tratada e tivesse que içar um balde de um poço para encher sua tina d’água diariamente, sem sistema de coleta de dejetos, que com muito custo e dificuldade conseguisse poupar um dos filhos da lida rural e o pusesse na escola para garantir uma vida melhor (enquanto que todos os outros, normalmente mais de seis) o financiassem com seu trabalho bruto. Este cidadão, no entanto, contava com uma casa humilde, porém sua, mas tivesse que fazer uso de tração animal para se deslocar ao trabalho e levar sua produção ao mercado local, pois não havia ainda veículos motorizados que reduzissem o tempo e, portanto, o custo da produção e distribuição. Veja… Este indivíduo, em relação à imensa maioria da população pobre era considerado “classe média” e, nos comovendo com sua situação penosa de vida lhe propuséssemos o seguinte “o Sr. gostaria de viajar conosco uns 80 anos para a frente e desfrutar de uma vida muito, mas muuuiiitooo mais cômoda, com água quente e frequente, luz ao simples toque, carroças que andam tão veloz quanto um pássaro, todas as crianças com direito aos estudos, grandes armazéns com tantos produtos que perderíamos dias contando seus itens e a mágica da cura e do tratamento na maioria disponíveis em ‘balinhas’ etc.?” O cidadão, caso acreditasse em nós e não tentasse nos internar, muito provavelmente aceitaria a oferta de pronto. Daí, sabendo da posição que iria deter na escala social achamos por bem lhe dar o aviso “mesmo estando em uma posição bem melhor que a atual neste bravo novo mundo que irá se descortinar perante o Sr., devemos lhe informar que vossa família estará situada em um dos níveis mais baixos de nossa sociedade. Mesmo tendo todos estes itens de conforto disponíveis e de fácil acesso, alguém em situação média deterá um nível socioeconômico muito superior ao Sr. e seus dependentes”. Surpreso com esta informação, o cidadão pensa um pouco e diz “preciso refletir melhor e consultar minha esposa…”

 

Caso tenha entendido o que se passou aqui, o grande problema não é a desigualdade socioeconômica e sim a pobreza absoluta, mas não é isso que, infelizmente, é percebido com clareza. Para a maioria da sociedade, uma situação melhor para cada unidade familiar não é percebida como tal se não deixamos nosso vizinho “comendo poeira”, isto é, se não nos destacamos na escala social porque, simplesmente, nossa percepção é relativista, toma parâmetros em comparação. A desigualdade significa, em termos simples, em diversidade e o problema real é a igualdade que nivela todos por baixo. O mau uso das palavras, seja na mídia, seja na academia, no dia a dia enfim é que impede que tenhamos o foco nos reais problemas dificultando o entendimento desta sociológica porque, na verdade, somos reféns de uma psicológica, que tem a inveja como ponto nevrálgico: eu me comparo ao vizinho e não comigo mesmo, eu quero demonstrar aos outros que estou melhor e não provar para mim mesmo que lutei, cresci e venci.

 

Anselmo Heidrich

 

 

Dez coisas que você pode fazer para mudar a educação no Brasil

Texto também publicado no blog “Mundo Analista“. Para ler o original, clique aqui.

mi casa es mi escuela2

Você quer mudar a educação no Brasil? Então, comece ensinando ao seu filho algumas coisas que é obrigação sua (e apenas sua) ensinar:

1) Ensine-o a gostar de ler. Ninguém nasce gostando de leitura. Ler é um hábito que se adquire. E é raro alguém ganhar esse hábito sozinho. Note uma coisa: não é necessário que você tenha hábito da leitura para ensinar seu filho a tê-lo. Uma conhecida minha certa vez me disse que não aprendeu a gostar de ler porque meus pais não lhe ensinaram isso. Por isso hoje ela tem preguiça. Mas tendo consciência de que isso é importante, ela ensina sua filha a ter esse hábito. Não me admira que a garota adore livros. E estamos falando de uma menina que não tem nem sete anos de idade.

Desenvolver o hábito da leitura em seu filho é o melhor presente que você pode dar a ele em termos de educação. É o hábito da leitura que expandirá sua mente, o dará capacidade de interpretação e raciocínio e o fará uma pessoa crítica. Ao ensinar seu filho a ler, você não está apenas ajudando-o na compreensão da língua portuguesa. Está ajudando-o na compreensão de todas as matérias. Está ajudando-o na compreensão do mundo.

Não sei se você conhece a história do médico neurocirurgião Ben Carson. Este homem, quando criança, chegou a ser o pior aluno de sua turma. Era um negro, de uma família muito pobre e sem estrutura. Sua mãe trabalhava o dia inteiro para conseguir sustentar a ele e seu irmão. Vendo que seu filho era considerado burro até por seus colegas, tratou de ensiná-lo o hábito de ler. Resultado: ele se tornou o primeiro neurocirurgião a separar gêmeos siameses mantendo os dois vivos. A leitura muda o destino das pessoas. Se você não ensina seu filho a gostar de ler, você é um dos culpados da educação no Brasil estar esta bosta.

2) Ensine bons modos ao seu filho. Há quarenta anos atrás um pai de família raramente falava palavrões na frente dos filhos. E se um filho proferisse um xingamento, tomava umas palmadas. Hoje em dia os próprios pais xingam os filhos. Há quarenta anos atrás era raríssimo um aluno responder a um professor. Hoje os alunos xingam e até batem em professores. Se você não ensina ao seu filho que não se deve responder aos mais velhos, se você o xinga (ou xinga as pessoas na frente dele), se você não dá umas palmadas no seu filho quando ele age sem bons modos, você é um idiota e a educação no Brasil está bosta por sua culpa também.

3) Provavelmente você acredita em Deus. A maioria das pessoas desse país acredita. Não importando se você é cristão, judeu, islâmico, espírita, deísta e etc., ensine seu filho a ter respeito por Deus. Faça-o entender que Deus é o Justo Juiz e que Ele vai julgar tanto o bem quanto o mal que homens fazem nesta terra. Faça-o entender também que esse mesmo Deus ama o ser humano e que, por isso, devemos amar-nos uns aos outros. Já dizia Salomão: “Respeite a Deus e guarda os seus mandamentos, porque isto é o dever de todo o homem” (Eclesiastes 12:13).

Se você é ateu ou agnóstico, da mesma maneira, ensine seu filho a ter respeito por Deus, não como um ser (já que você não acredita), mas como uma crença respeitável. Jamais houve na história do mundo uma civilização que não tivesse algum tipo de crença em uma realidade superior. E durante séculos homens brilhantes creram nessa realidade e ofereceram boas razões para suas crenças. Então, não vá ensinar seu filho a ser intolerante. Aliás, crente ou descrente, ensine seu filho a respeitar as opiniões alheias e ser humilde para aprender delas. Se você não faz isso também é um dos culpados pela educação do Brasil estar uma bosta.

4) Não incentive seu filho a gostar de músicas idiotas. A música tem um poder incrível de mexer com seu intelecto, para o bem ou para o mal. Então, faça-o prezar por letras inteligentes e ritmos que não sejam extremamente repetitivos.

5) Não incentive seu filho a ser um pervertido sexual. Que este assunto NÃO seja tratado com leviandade diante do seu filho. Não deixe que seu filho aprenda a ficar fazendo piadinhas com sexo. As coisas realmente importantes devem ser tratadas como coisas realmente importantes. Ensine seu filho a ver o sexo não como uma diversão de fim de semana, mas como a união física máxima entre um homem e uma mulher, união esta que não deve estar separada da união sentimental, emocional, mental e espiritual do casal. E que não seja incentivada a prática do sexo em idade tenra. Sexo é para adultos. Criança precisa primeiro aprender amar as pessoas e usar as coisas.

6) Ensine seu filho a valorizar a família. Mesmo que a sua família tenha sido péssima e que a família que você deu ao seu filho também o seja. Você sabe mais que ninguém o estrago que uma família desestruturada faz na vida de um filho. Então, não permita que seu filho forme uma família desestruturada também. Que ele aprenda que casamento é coisa séria, um passo que só deve ser dado depois de muita reflexão e tempo com a pessoa amada. Que ele aprenda que casamento é feito de perdão, renúncia, paciência e compreensão. Que ele aprenda que filho é o mais valioso bem que temos nesta terra e que devemos arrumar tempo para cuidar dele.

7) Dê tempo ao seu filho. Converse, brinque, ouça, dê conselhos, saia com ele. Seu filho precisa muito mais de sua presença do que de presentes. E não o deixe solto por aí. Se você não faz isso, saiba que ele aprenderá o que não presta com quem dá a ele o que você não o dá: tempo.

8) Ensine a ele que as pessoas não são objetos e que, por isso, ele não deve vê-las como tal. Que ele valorize a vida de cada indivíduo e seja incapaz de usar uma pessoa para o seu próprio prazer.

9) Ensine-o o valor do estudo e do trabalho. Tanto uma como outra coisa dignificam o homem. Já a preguiça, destrói a alma do indivíduo e a corrói a sociedade.

10) Finalmente, ensine seu filho a ser um bom homem. Mas deixe claro que ser um bom homem não o fará superior aos outros seres humanos, pois todo mundo erra, ninguém é perfeito. Para usar uma terminologia religiosa, todos somos pecadores. Faça-o entender que procurar ser uma boa pessoa não é um mérito, mas uma obrigação. Isso criará nele um bom caráter e humildade.

Se você não ensina estas coisas ao seu filho, você é o primeiro culpado pela desgraça que está nossa educação. Nosso governo também pode ser uma bosta, mas tenha em mente que não podemos resolver todos os problemas do mundo com soluções políticas e econômicas. Há coisas que se resolvem em casa. A educação, pelo menos em parte, é uma delas. Não delegue suas obrigações ao governo. Ele já não cumpre as dele. Não cumprirá as suas, certamente.

Considerações sobre o aborto

Artigo meu (Davi Caldas) originalmente publicado no blog “Mundo Analista“. Para ler o original, clique aqui.

Um amigo meu me pediu, há uns três meses (creio eu), para escrever algo sobre a questão do aborto. Eu não só dei minha palavra que escreveria como, de fato, fiquei interessado em falar sobre o tema. Mas o tempo passou e acabei não escrevendo. Bem, antes tarde do que nunca, certo? Farei algumas considerações, de acordo com a minha visão sobre o tema.

Aqueles que são favoráveis ao aborto costumam a argumentar que a mulher tem direito sobre o seu corpo. O leitor mais inteligente deve estar pensando: “Mas que raios têm a ver uma coisa com a outra?”. Explico. Para os abortistas, uma grávida não é uma mulher com um ser humano dentro do útero. Uma grávida é apenas uma mulher. Talvez uma mulher com uma doença, mas de forma alguma, uma mulher com um ser humano dentro do seu corpo. Essa é a premissa básica do abortista.

Assim, na visão do abortista, quando uma mulher aborta, ela está apenas tirando uma doença do seu corpo. E isso, certamente é um direito da mulher. Então, me parece que o ponto principal do debate entre abortistas e não abortistas deveria ser: “O que a mulher carrega dentro de si é ou não é um ser humano?”. Se você responde “sim” a essa pergunta, então o aborto é um assassinato. Se você responde “não”, o aborto é apenas a retirada de algo que está irritando a mulher.

Como pessoas racionais, que desejam debater logicamente, este é o momento de perguntar aos abortistas quais são as evidências científicas que eles apresentam para afirmar que fetos e bebês não são seres humanos. Sim, eu sou cristão e conservador, e estou falando de evidências científicas. Afinal, o Estado é laico e é assim deve ser. As afirmações políticas, portanto, devem ser validadas à luz da razão. Estou certo que se o Deus em que acredito realmente criou o mundo, a razão sempre estará do lado da minha religião e vice-versa. Do criador também advém a razão.

Então, vamos lá. Cadê as evidências? O que é que prova, na ciência, que um bebê dentro da barriga não é um ser humano? Se ele não é um ser humano é o quê? Um macaco, um urso, um inseto? Certamente não.

O abortista pode dizer: “Ele é um feto humano. E um feto não é um ser humano, mas apenas um feto”. Ok. Mas, em primeiro lugar, um bebê de nove, oito, sete, seis ou até cinco meses de gestação não pode ser chamado de feto. É uma criança. Então, o argumento, já não serviria, à priori, para nenhuma gestação com mais de cinco meses.

Em segundo lugar, o que prova essa afirmação? Qual é a base cientifica para dizer que um feto não é um ser humano? É porque ele ainda não se desenvolveu? Ora, mas simplesmente dizer que o feto não é uma pessoa porque ainda não está totalmente desenvolvida é arbitrário. É tão arbitrário quanto dizer que um bebê que nasceu sem braços e pernas não é um ser humano porque não se desenvolveu totalmente. É tão ridículo quanto dizer que uma criança não é uma pessoa porque ainda não é adulta. Não faz sentido esse argumento. Um ser humano em desenvolvimento é tão humano quanto um ser humano já desenvolvido.

Alguns fatos interessantes: com 18 dias de gestação, o coração de um feto já começa a se formar; com 21 dias, já está batendo. O filósofo e teólogo cristão William Lane Craig nos lembra que a maioria dos abortos ocorre bem depois dessa fase. Isso quer dizer que quase todos os abortos interrompem o batimento de um coração. Um coração humano! Craig continua:

Além disso, depois de 30 dias o bebê já tem um cérebro e com 40 dias ondas cerebrais já podem ser medidas. […] Na oitava semana (de existência do feto), mãos e pés já estão quase prontos. Na nona semana, já se podem ver as pequenas unhas das mãos e dos pés, e o feto pode até mesmo conseguir chupar o dedo. A essa altura, não estamos tratando de um agrupamento de células, mas de um bebê (essa palavra é inevitável), um bebê bem minúsculo com face e características, com pequenos braços e pernas, com pequeninos pés e mãos. Todos os órgãos do corpo já estão presentes, e os sistemas muscular e circulatório estão completos. [1]

Como alguém pode dizer que isso não é uma pessoa? O fato do bebê depender da mãe biologicamente não significa que o bebê é parte do corpo da mulher. Ele é uma vida. É outro ser. Portanto, é ridículo ouvir um abortista dizer que abortar “é um direito da mulher porque estamos falando do corpo dela”. Não, não estamos. Abortar é retirar um ser humano que depende da mulher, de dentro do seu corpo, ceifando-lhe a vida. É uma ação egoísta e assassina.

O leitor quer saber quais são os direitos da mulher? Pois eu digo. É direito da mulher, escolher se terá relações sexuais ou não. É direito da mulher, escolher se em suas relações ela usará camisinha ou não. É direito da mulher escolher se ela fará uma operação para ligar suas trompas ou não. É um direito da mulher escolher se fará ou não sexo com um homem que não fez vasectomia. Esses são direitos legítimos de toda e qualquer mulher.

Agora, a partir do momento em que a mulher escolhe, por livre e espontânea vontade, fazer sexo sem nenhuma proteção, sabendo que poderá ficar grávida, e acabar engravidando mesmo, ela não tem o direito de matar o seu filho. Não importa se sua gestação está no oitavo mês ou no segundo. Isso é um homicídio.

Entretanto, os delírios abortistas não param por aqui. Em uma busca frenética pelo direito de matar crianças, eles argumentam que não podemos considerar um ser como pessoa se o mesmo não tiver consciência e autoconhecimento. Assim, um feto ou um bebê com oito meses de gestação não seriam pessoas ainda.

Isso é ridículo. Se aceitarmos este argumento, um ser humano que está dormindo ou em estado de coma não poderá ser considerado uma pessoa. Afinal, não estamos conscientes nestes momentos e nosso autoconhecimento não está funcionando. Somos como seres inanimados. Segue-se, portanto, que se alguém me matar quando eu estiver dormindo ou em coma, ela não cometeu homicídio, porque eu não era uma pessoa.

Craig vai mais longe. Ele demonstra que esta visão implica na justificação do infanticídio. Isso porque bebês recém nascidos não apresentam consciência em relação ao mundo ao seu redor e autoconhecimento. Eles acabaram de nascer, oras! Sair do útero para o mundo não é passar por um portal mágico que nos faz, de uma hora para outra, aprender tudo e deixar a condição de um recém-nascido. Autoconhecimento e consciência (ou autoconsciência, como diz Craig) são atributos que um recém nascido ganha ao longo do tempo, conforme cresce. O filósofo critica:

[…] três dias não é um tempo longo para desenvolver autoconsciência. Um ano, talvez dois, serão necessários. Durante todo esse tempo, a criança não é uma pessoa. Desse modo, alguém pode matá-la, como se põe um animalzinho indesejado para dormir. Certamente, alguém cujo coração não foi totalmente endurecido por um comportamento obsessivo com o aborto reconhecerá a terrível imoralidade e, consequentemente, a intolerância dessa rota de escape proposta! [2]

Mas os abortistas não param. Na medida em que rebatemos seus argumentos, eles montam argumentos mais inescrupulosos, mostrando o verdadeiro caráter de suas idéias. O argumento que vem a seguir é pragmático. Algo do tipo: “O aborto deve ser legalizado justamente para evitar que meninas grávidas recorram ao aborto ilegal (que é perigoso para a menina), ou que joguem seus bebês em sacos de lixo e rios, ou ainda, que os deixem em orfanatos, lotando ainda mais esses lugares”.

Acredite, eu já ouvi este tipo de argumento da boca de um professor da minha faculdade (um esquerdista, naturalmente, como todos os outros que tive). Não é preciso ser muito inteligente (e nem muito moral) para perceber que o argumento tenta justificar um crime pelo fato do mesmo solucionar alguns problemas sociais. Neste ponto, nem vale mais à pena continuar a discussão.

Em resumo, dito de maneira direta, curta e grossa, a mentalidade abortista que vem sendo apregoada vorazmente pelos esquerdistas (não só por eles, mas, sobretudo por eles) é a seguinte: “Você fez merda, se descuidou e agora terá um filho indesejado? Livre-se desse problema matando o seu filho”. Simples assim.

Como se isso não bastasse, a imoralidade não acaba por aí. Mas é evidente que não. Porque quando a esquerda consegue fazer a sociedade aceitar o aborto como algo natural e até moral, a mesma mentalidade começa a ser utilizada na resolução de outros problemas. “A religião é o ópio do povo. Mate os religiosos”. “A direita atrapalha o projeto da esquerda. Mate os direitistas”. “Há empresas de notícias que falam mal do governo de esquerda. Mate os jornalistas que criticam o governo”. E por aí vai.

Então, querido amigo leitor, quando alguém vier te falar sobre a legalização do aborto, lembre-se que a mentalidade que está por trás dessa proposta é: “Se tem alguém te incomodando… Mate-o”.

Mas e quanto aos casos extremos?

Sim, eu sei que o leitor deve estar se perguntando: “Mas e quanto àqueles casos em que a mulher é estuprada, ou o seu bebê nascerá sem cérebro, ou o nascimento do bebê oferece risco à vida da mulher? Você também é contra o aborto?”. Bem, vamos por partes.

No caso da anencefalia, é necessário ressaltar que nem sempre o bebê realmente nasce sem cérebro. Na maioria das vezes o que se chama de anencefalia é apenas uma má formação no encéfalo. Muitas crianças que foram diagnosticadas com esta doença, não foram abortadas por suas mães e hoje vivem normalmente. Elas têm cérebro. Só não é um cérebro totalmente desenvolvido.

Se o argumento é de que, do ponto de vista científico, uma criança sem cérebro já está morta (já que ninguém vive sem cérebro) e, por isso, não é imoral recorrer ao aborto, então é necessário que se prove que o bebê realmente é anencéfalo (no sentido literal da palavra). Se isso for provado, creio que, neste caso específico, a mulher deve ter o direito de abortar. Mas se o bebê tem um cérebro, ainda que mal formado, permitir o aborto seria uma espécie de eugenia, isto é, escolher bebês perfeitos para viver e bebês defeituosos para morrer. Certamente isso seria terrível.

No caso da gravidez que oferece sérios riscos à vida da mulher, o que temos aqui é uma tensão moral. Se por um lado, a criança tem todo o direito de viver, por outro lado, a mulher também o tem. Quem opta por defender a criança, tira da mulher um direito legítimo de defender-se de um alto risco de morte. Quem opta por defender a mulher, tira da criança o seu legítimo direito de viver. Quem tem razão?

Esse é o tipo de questão para o qual eu não tenho resposta. Na posição pessoal de cristão, creio que o mais correto seria a mulher manter-se em oração e confiar que Deus irá livrar tanto o bebê quanto ela. Mas isso é uma opinião pessoal e não deve ser imposta a ninguém. Assim, dada a complexidade e delicadeza da questão, acredito que, nesse caso específico, a mulher deveria ter o direito de escolher se abortaria ou não.

A situação dos casos de estupro é bem semelhante. Nestes casos, a mulher não escolheu ser abusada sexualmente. É uma situação muito diferente daquela em que uma mulher assume o risco de engravidar (ao não se preservar sexualmente) e depois não aceita assumir as conseqüências de seu erro. O direito da segunda de escolher não ficar grávida termina no momento em que ela escolhe assumir o risco de engravidar. Mas o direito da primeira de escolher não ficar grávida continua intacto, pois ela não fez escolha alguma; foi violentada.

Não obstante (e aqui reside a delicadeza da situação), a criança nada tem a ver com o fato de ser fruto de um estupro. Ela é uma pessoa com direitos como qualquer outra. Ela tem direito de viver. E então? Quem tem razão? Se defendemos a mulher, tiramos o direito da criança viver. Se defendemos a criança, tiramos o direito da mulher escolher (direito que, neste caso, ela tem).

Mais uma vez, na posição de cristão, acredito que o correto seria não optar pelo aborto, por mais difícil que essa decisão possa ser. Estamos falando de uma vida que é inocente. Mesmo que esta vida tenha vindo de uma forma horrorosa, o problema não está na criança, mas no estupro. Contudo, enfatizo que esta também é uma opinião estritamente pessoal. Não deve ser uma imposição legal. Assim, dada a complexidade e delicadeza da questão, penso que, também neste caso, a mulher deveria escolher legalmente se abortaria ou não.

Certamente, é muito triste que uma vida inocente possa ser ceifada nesses dois casos específicos. Moralmente falando, creio que a melhor opção é sempre não abortar o bebê. E seria este o conselho que eu daria para uma mulher que estivesse pensando em abortar. Mas sabemos que estes casos específicos citados são bem diferentes dos casos em que a mãe fez besteira e não quer assumir as conseqüências. Por isso não penso que deva haver imposição legal nestes casos. Ao menos, na posição de cristão, sei que a vida que for abortada, já está salva por Deus (“das crianças já é o reino dos céus”) e estará no paraíso quando ele ressuscitar os justos.

Considerações Finais

Acredito ter deixado bem claro que não existe nenhum motivo plausível para considerarmos um feto, ou um bebê que ainda não nasceu, como não sendo uma pessoa, um ser humano. Não há evidências cientificas que comprovem isso. Portanto, o aborto não pode ser definido como outra coisa que não homicídio.

Exceto para os casos extremos específicos que observamos (que são a minoria, diga-se de passagem), não há sentido em legalizar o aborto. Mas é exatamente o que os abortistas almejam. Eles não lutam para que a mulher decida sobre casos onde ela foi violentada ou irá morrer (o que seria até compreensível). Eles lutam para que a mulher possa decidir se vai abortar ou não em qualquer caso. Isso é como querer legalizar o homicídio em qualquer situação.

Por exemplo, sabemos que matar por legítima defesa não é crime, pois defender sua vida é um direito seu. O que o leitor diria, no entanto, se uma pessoa viesse a público defendendo a tese de que devemos ter direito de matar qualquer ser humano em qualquer situação? Não seria absurdo? Pois o aborto é exatamente isso.

Por estas razões, a legalização do aborto deve ser veementemente rechaçada. E aqueles que defendem políticas deste tipo precisam ser orientados de que a mentalidade que estão ajudando a propagar é homicida. Quem defende o aborto como algo natural, moral e bom para a sociedade, não está muito longe de quem defende o infanticídio, a eugenia e o genocídio. O princípio é o mesmo.

_________________________

1. Craig, William Lane. Apologética para questões difíceis da vida. São Paulo: Vida Nova, 2010.

2. Idem

Ócio

Um dos aspectos mais preocupantes que tenho notado na adoção de bandeiras liberais por conservadores é a condenação do ócio. A própria aproximação intransigente já é temerária, mas esse é um ponto especial, já que pode desconfigurar totalmente o pensamento conservador. O ócio não é algo a ser temido: pelo contrário, sua existência propaga a civilização através de suas mais belas expressões; multiplica a arte, a filosofia, a cultura em geral.

Vejo isso ocorrer principalmente quando se valoriza o trabalho, como se a existência desse fosse oposta ao momento de reflexão. Sim, o trabalho é um valor exaltado pelo conservador, mas é importante lembrar que este não deve se deixar seduzir pelos fetiches materialistas das doutrinas modernas. Quando lembramos que o homem não é um ser meramente econômico não precisamos assumir que esse homem seja cristão e gaste seu tempo na devoção a Deus. Voltar-se ao espírito é algo muito mais amplo: desde o pensar sobre si mesmo e sua condição no mundo, até pensar a comunidade e seus problemas; desde o pensar suas ações futuras, até transcender de todas elas e refugiar-se dos obstáculos da vida terrena por um breve momento.

O ser humano que não se volta para a sua humanidade é incapaz de perceber a humanidade dos outros, e até mesmo sua própria: está propício a deixar de lado seus valores em busca do material. Por isso é tão importante que o ser disponha de tempo para a reflexão, o pensamento e a produção cultural: as artes humanizam, e não nos deixam ser indiferentes. Apenas a reflexão é capaz de ressuscitar a moral de uma sociedade decadente, que chega a ser capaz de colocar o prático e o material acima até mesmo da vida humana.

Diante disso, é difícil negar que conservadores devem reencontrar sua identidade. De nada adiante aproximar de radicais, já que o que é necessário em meio a tanta loucura é de equilíbrio. Esse sim, um valor presente nas mais diversas culturas desde tempos imemoriais, um valor que urge pela ressurreição. O valor da prudência, tanto na política, quanto na vida pessoal. E esse equilíbrio não existe sem reflexão.

Ocidente Inerte: Parte II – Alteridade

Um dos maiores corruptores da civilização ocidental durante o século XX foi o pensamento da Escola de Frankfurt. Apesar de se mostrarem como “socialistas moderados”, pessoas em busca de uma “terceira via”, seu modelo não apenas sedimentou-se como bastante pendente a um dos extremos (socialismo), mas adotou uma economia semelhante à fascista (que tanto diziam repudiar) e caminha cada vez mais no sentido de restringir as liberdades individuais e submeter totalmente o cidadão ao Estado. Essa escola de pensamento introduziu no Ocidente, com bastante sucesso, a ética da alteridade.

Parece nobre, em um primeiro momento. Uma ética que busca olhar para o outro, colocar-se em seu lugar para entender sua situação. Ajudá-lo. Fosse apenas isso, mostraria-se algo que fortaleceria nossa sociedade e formaria uma coletividade ainda mais forte, com o máximo respeito não apenas pela individualidade própria, mas por toda expressão da individualidade. Todos os indivíduos e todas as culturas seriam respeitados. Mas não é isso o que ocorre.

“Conhece-te a ti mesmo”, é o que estaria escrito no Oráculo de Delfos. Não há como conhecer o outro sem conhecer, primeiramente, a si. O conhecimento do exterior passa, sempre, primeiramente pela individualidade. Mas não há esse compromisso dos intelectuais em conhecer de forma sincera o Ocidente, quando usam-se da alteridade para justificar e tomar como modelo práticas de outras culturas. Isso porque já partem de um pressuposto negativo à respeito de sua própria civilização, a vilã do Planeta Terra. Já acreditam saber, de antemão o que são as instituições e o que cada uma delas supostamente mascara. Não buscam uma análise fria e racional.

O resultado disso é que sua alteridade não é desinteressada. O que querem não é o bem do outro, mas a destruição de si. Deve existir respeito a toda manifestação cultural, menos àquela que é tradicional. Deve existir respeito a todas as civilizações, menos à ocidental. Acusa de etnocentrismo o Ocidente, mas ignora que essa é uma característica inerente a todos os agrupamentos humanos: ver o mundo e as outras culturas com os próprios olhos. Afinal de contas, julgar ser capaz de, mesmo estando fora, ver o mundo com os olhos do outro, seria de uma extrema presunção. Essa alteridade já possui como pressuposto um opressor e um oprimido e, ao invés de buscar ver a situação de um “excluído” e incluí-lo, busca incitar o ódio entre dois polos de uma opressão inventada.

Existem conceitos interessantes de alteridade. Inclusive, a uma sociedade fundada em preceitos judaico-cristãos, a alteridade não é estranha. Apenas o que ocorre é que aquele que ajuda, que se coloca na situação do “outro”, não precisa se ver como vilão, pois não é responsável pela situação do “outro”. Não é um opressor. O ódio entre as supostas classes não é natural, é criado e incitado. Não há porque rechaçar a noção de alteridade, de que o ser humano interage e interdepende de outros seres humanos, de que existe uma coletividade e que ela é saudável para o indivíduo. Apenas essa nova alteridade que julga que “o outro é sempre bonitinho” (Como disse Pondé, não com essas exatas palavras).