A força de um indivíduo

Texto de Flávio Quintela, originalmente publicado no Gazeta do Povo. Para ler o original, clique aqui.

Macri

Já ouvi muitas vezes, durante conversas sobre política, que o Brasil não tem jeito, que não adianta mudar o presidente, que uma pessoa só não consegue fazer nada porque o sistema inteiro está podre etc. É claro que essas afirmações têm seus componentes verdadeiros, dado que nossa estrutura político-administrativa estimula e facilita práticas funestas como a corrupção, as trocas de favores entre os poderes e o aparelhamento da máquina pública. Mas não se pode minimizar a importância da Presidência da República nas decisões que afetam diretamente todos os cidadãos, e é justamente neste, que é o mais alto de todos os cargos eletivos brasileiros, que a força (ou fraqueza) de um indivíduo é aumentada exponencialmente.

Nossos vizinhos de continente, os argentinos, completaram um mês de governo com seu novo presidente, Mauricio Macri. Um alto membro do Banco Central argentino deu uma declaração que resume bem o nível de efetividade do novo presidente. Diz ele: “Não consigo crer: apertamos um botão e começamos a girar dinheiro. Nos últimos quatro anos dediquei uns 30% de meu tempo e energia pedindo autorizações para fazer isso; agora posso voltar a pensar em como ajudar os negócios do país a crescer”.

O “botão” a que ele se refere foi a decisão de Macri de abolir o cepo cambiário, que era o controle do governo sobre o mercado de dólares implementado por Cristina Kirchner em 2011, uma esquisitice econômica que infernizou a vida dos argentinos por quatro anos.

Outras medidas e decisões presidenciais tomadas no primeiro mês de governo foram: supressão dos impostos e cotas de exportação (os impostos chegavam a 30% do valor exportado e as cotas fixavam limites de venda de produtos agrícolas ao exterior); demissão de 10 mil funcionários públicos contratados irregularmente por Kirchner, mesmo sob uma legislação que torna a demissão quase impossível no funcionalismo público; terminação do tratado econômico com o Irã, decisão que deve levar à reabertura de uma denúncia judicial contra Cristina Kirchner, acusada de ter conseguido o referido tratado em troca de favorecer cinco agentes iranianos que participaram de um atentado a uma organização judaica em Buenos Aires; pedido de suspensão da Venezuela do Mercosul, que depois foi reconsiderado em virtude da vitória oposicionista nas eleições para o parlamento venezuelano; descredenciamento de médicos cubanos – participantes de um programa similar ao Mais Médicos – para “não financiar ditaduras”; derrubada, por decreto, da lei dos meios audiovisuais, uma das peças legislativas mais antidemocráticas do governo anterior.

Com essas e outras decisões, e com a escolha de uma equipe economicamente liberal, Mauricio Macri mostra que tem uma compreensão muito clara do poder da presidência e do poder de um indivíduo. A política argentina também é corrupta e cheia de conchavos; os últimos 12 anos dos argentinos também foram marcados pelo governo de uma única dupla; o alinhamento do país também era bolivariano; e a crise econômica também era uma realidade. É claro que todos os problemas não serão resolvidos desta forma, com medidas rápidas e pontuais. Mas esse tipo de decisão mostra o tipo de gestão que o presidente pretende fazer. Na era da globalização, em que meras percepções causam o movimento de volumes enormes de dinheiro, Macri coloca a Argentina em posição de receber novamente a confiança e os recursos dos investidores estrangeiros, e prepara o caminho para uma recuperação econômica. Além disso, mostra respeito à liberdade de expressão e desprezo por tiranias e ditaduras, sensatez elementar que não tem feito parte do governo brasileiro.

Avante, hermanos! Invejinha de vocês

Você tem certeza de que vai votar no PT?

Este texto também se encontra no blog “Mundo Analista“. Clique aqui para ler.

Las-FARC-niegan-ser-narcotraficantes-y-denuncian-complicidad-oficial-con-los-carteles

Você sabia que o PT é o fundador e integrante até hoje de uma afiliação internacional chamada “Foro de São Paulo”? Essa afiliação foi criada em 1990 com a finalidade de reunir vários partidos de esquerda da América Latina, juntamente com organizações revolucionárias terroristas e narcotraficantes como as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).

E você sabia que chefes de estado esquerdistas participam regularmente das reuniões do Foro? As poucas pessoas que sabem disso costumam a dizer que o Foro é apenas um grupo inofensivo de debates. Mas você sabia que os integrantes desse Foro assinam atas e resoluções destas reuniões?

Aliás, a importância desse Foro é tão grande para seus integrantes que quando o Foro completou 15 anos, o sr. Luís Inácio Lula da Silva, então presidente do Brasil, fez um discurso (que chegou a constar na página oficial do governo) ressaltando a relevância do Foro na tomada de decisões e formulação de estratégias em cada governo esquerdista afiliado. Ele chegou a citar afirmar ainda que a eleição de Hugo Chávez na Venezuela muito se deveu ao que se confabulou no Foro (Ver: “Discurso do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, na celebração dos 15 anos do Foro de São Paulo“).

Você sabia que apenas em 2005 o Foro proibiu formalmente a participação de organizações criminosas como as FARC? E você sabia que o sr. Lula já defendeu publicamente a ideia de as FARC se tornarem um partido político?

Você sabia que o PT é um partido de origem e orientação socialista e que, como todo bom socialista, simpatiza com qualquer país ou organização que odeie os EUA? É por isso que o PT não vê mal em dialogar com grupos terroristas islâmicos e governos autoritários mulçumanos. É por isso que a sra. Dilma Vana Rousseff manifestou extremo carinho e compreensão para com o Hamas quando o mesmo estava sendo atacado por Israel.

Você sabia que o PT é um partido que se originou baseando-se nas ideias de Antonio Gramsci? Sabe quem foi Antônio Gramsci? Foi um marxista italiano da primeira metade do século XX que pregava um novo tipo de revolução socialista. Ele acreditava que o melhor modo de os marxistas efetuarem chegarem ao poder e o manterem, a fim de garantirem a revolução, era através do alcance da hegemonia cultural. Em outras palavras, o partido deveria focar em fazer todas as pessoas pensarem e falarem dentro dos moldes marxistas e do partido. Na medida em que isso fosse se tornando parte da cultura, do cotidiano de cada um, do senso comum e do instinto, as ideias do partido se tornariam a suprema verdade e o mesmo se tornaria hegemônico. Para tal, toda e qualquer arma não-fisica era válida. Qualquer coisa que pudesse inculcar na cabeça das pessoas que o partido é bom e não pode ser tirado do poder poderia ser usado.

Antônio Gramsci, aliás, fez uma releitura da famosa obra “O Príncipe”, de Maquiavel, onde ele dizia que o partido marxista deveria ser o novo príncipe. Assim, ele aplicava as regras de Maquiavel para a manutenção de poder ao partido, legitimando para o mesmo a ideia de que os fins justificam os meios. A ética de Gramsci funcionava assim:

1. Há um sumo bem;
2. Este sumo bem é a revolução, que criará um mundo perfeito;
3. O partido é o agente capaz de implementar a revolução;
4. Logo, tudo o que beneficiar o partido pode ser feito e justificado, pois é em prol do novo mundo.

Se olhar para o PT, verá que é isso o que rege suas más ações. Lula, por exemplo, confessou em uma palestra que citava números mentirosos só para ganhar simpatia (Aqui tem o vídeo: “LULA FALA MAL DO BRASIL, DIZ QUE MENTE E RI DAS MENTIRAS“). Os escândalos de desvio de dinheiro publico em que o PT está envolvido não são para meramente enriquecer o bolso de seus integrantes, mas para financiar campanhas do partido. Ou seja, faz parte do projeto de manutenção do poder.

Você sabia ainda que o PT era contra programas assistencialistas? O PT considerava isso esmola e uma forma de dominação da classe politica aos pobres. Mudou de ideia ao chegar ao poder. Você sabia que os primeiros programas de assistência foram criados pelo PSDB e que o Bolsa Família é apenas uma continuidade, união e ampliação de antigos programas como Bolsa Escola e Vale Gás? Você sabia que oferecendo o Bolsa Família para 11 milhões de famílias, propagandeando ser o criador da assistência e fazendo terrorismo mentiroso de que o PSDB irá acabar com o programa, o PT consegue mais de 15 milhões de votos?

Você está ciente de que o PT apoia governos que estão afundando seus países, como o de Nicolas Maduro, da Venezuela, que mantém o país com escassez de produtos e inflação? Aliás, o PT é amigo de políticas inflacionarias, tal como todo partido socialista. Afinal, fazer dinheiro é una maneira simples de o governo saldar dividas de empresas publicas deficitárias. Simples para o governo, mas terrível para o povo, já que é a inflação da moeda que gera o descontrole dos preços e a perda do poder de compra. Era o que ocorria no Brasil antes do plano real, que o PT votou contra na época. É o que está perigando ocorrer de novo, ainda que com menor intensidade.

Você sabia que a maioria dos grandes nomes do PT que lutaram contra o regime militar (incluindo a sra. Dilma), queriam implantar uma ditadura comunista? É o que confessa, por exemplo, o ainda hoje esquerdista e socialista Eduardo Jorge, neste vídeo:
Eduardo Jorge admite o que Dilma sempre escondeu: ‘Éramos a favor da ditadura do proletariado‘”.

Você sabia que ditaduras comunistas levaram milhões de pessoas à morte em países como o Camboja, o Vietnã, a China, a Coreia do Norte e a URSS, por repressão e falhas em planos econômicos?

Você tem ciência de quantas mentiras o PT tem contado nestas eleições para vencer o PSDB? Por exemplo, a de que o FHC quebrou o Brasil três vezes, enquanto Lula saldou a divida com o FMI. A verdade é que FHC passou por quatro fortes crises internacionais que atingiram principalmente países emergentes. E em vez de recorrer a políticas inflacionárias para pagar dividas (algo que todos os governos anteriores faziam e que Lula faria em seu lugar), pegou empréstimo com o FMI, o que é muito menos pior para a população. Lula, por sua vez, quando resolveu pagar a divida com o FMI simplesmente vendeu títulos da divida para bancos brasileiros. Ou seja, ele saldou a divida com o FMI contraindo uma divida com bancos nacionais. Ele transferiu a divida externa para a interna. Só isso. Mas com um “detalhe”: os juros nacionais são mais altos que os juros do FMI.

Outro exemplo de mentira: a de que o desemprego no Brasil é de 5%• Para se chegar a esse numero o IBGE usa uma metodologia totalmente falha, que considera como não desempregado até quem fez um bico na semana da em que foi entrevistado. Veja com seus olhos no site do IBGE:

http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/trabalhoerendimento/pme/pmemet2.shtm

É uma metodologia totalmente diferente da usada nos países europeus. O DIEESE, aliás, um instituto já antigo de pesquisa do Brasil, indica que o valor na verdade é de 10%. E pela metodologia europeia, seria mais de 20%. As seguintes leituras ajudam a entender melhor:

– A real taxa de desemprego no Brasil
– A farsa da taxa de desemprego no Brasil! 5,3% ou 22,1%?
 EXCLUSIVO: Desemprego no Brasil ultrapassa os 20%
– Governo manipula para baixo taxa de desemprego do Brasil

E por aí vai.

É realmente esse partido que você quer no poder? Um partido que acha que mentir para o seu bem é justificável, que tem um plano de se tornar hegemônico, que simpatiza com terroristas, ditadores e narcotraficantes, que discute estratégias e ações em um Foro com gente da pior espécie! É isso que você quer? Imagine esse partido conquistando a hegemonia que pretende! Imagina esse partido se tornando parte da cultura e da mentalidade da maioria dos brasileiros, incluindo até policiais, delegados e juízes! Imagina uma lei de controle de mídia nas mãos de um partido que alcança essa hegemonia! Tudo isso pode levar ao totalitarismo. Mas mesmo que isso nunca aconteça, você acha que um partido assim deve ficar no poder? Acha que um partido assim vai diminuir a horrenda taxa de 50 mil brasileiros assassinados todos os anos? Acha que esse partido vai conseguir limitar a corrupção? Acha que esse partido vai dar aos brasileiros a condição de andarem com as próprias pernas, sem a necessidade de um Estado-babá que toma conta de tudo, sufocando nossa autossuficiência?

Talvez você venha me dizer que o PSDB também tem um monte de erros. E tem mesmo! Tem corruptos, tem incompetentes, tem idiotas e tem um programa de governo falho em diversos aspectos. Mas não passa de um batedor de carteiras em comparação ao PT, que já é o traficante dono do morro e líder da facção.

Exproprie, que nada restará

por Carlos Alberto Montaner. Publicado originalmente no Infolatam. Para ler o artigo original, clique aqui.


As expropriações estão na moda novamente na América Latina. O presidente Chávez chegou a convertê-las em um frequente espetáculo televisivo. “Exproprie”, dizia diante de qualquer companhia que parecia conveniente passar para o setor público, apontando como se fosse um Harry Potter socialista com uma varinha mágica, enquanto seus secretários aplaudiam com entusiasmo.

Há poucos dias a fúria expropriadora chegou à presidente Cristina Fernández. A vítima foi a multinacional espanhola Repsol. Depois de um simples trâmite perdeu sua filial YPF e agora discutem a quantia da indenização. Provavelmente será muito baixa. Nessas transações, especialmente após certo tempo, a quantia que se paga costuma ser um terço do que originalmente se solicita.

Aos governos que se apoderam do que não lhes pertence, resulta muito fácil fazer as contas do Grande Capitão, entre outras razões, porque nos países neopopulistas qualquer relação entre a lei e a justiça é pura coincidência, e o Código Civil algo parecido com as as histórias em quadrinhos de humor aos domingos. Nesses ambientes, apelar para os tribunais costuma ser uma maneira heroica de praticar a coprofagia.

O último governante a cometer esse disparate foi Evo Morales. No dia 01 de maio fez o favor de presentear os operários da Bolívia com uma empresa, também espanhola, que distribui energia elétrica. Desconheço por que não presenteou os filhos dos operários com alguns McDonalds ou uma cadeia de pizzarias.

Os rapazes se encantam com a comida rápida e Evo, antes, tivesse podido acompanhar os pratos com infusões dessa coca maravilhosamente nutritiva que serve para não ficar careca ou para manter vigoroso e “brigão” o extremo da uretra, duas das preocupações recorrentes do pitoresco personagem.

Expropriar, além de resultar popular, é um caminho geralmente curto para o desastre econômico. O capital se esconde, foge ou é inibido de chegar aos lugares onde corre perigo. Por outro lado, a empresa expropriada não demora em se converter em um saco sem fundo, ineficiente e tecnologicamente atrasado, permanentemente necessitado de injeções de capital para que não se afunde sob o peso da corrupção e o clientelismo.

Por que o Estado é um empresário tão mau? Simples: porque o Estado é dirigido pelos políticos. Os objetivos que estes perseguem são diferentes e opostos aos dos proprietários dos negócios quando operam em um mercado regido pela concorrência.

Aos políticos, salvo os mais responsáveis e melhor instruídos, não interessa a competitividade empresarial, a rentabilidade do investimento e obter benefícios para investir e continuar crescendo, mas sim controlar os orçamentos para se beneficiar e beneficiar seus partidários.

Também não convém a eles opor-se aos sindicatos, peçam o que pedirem ou trabalhem o que trabalharem. É melhor ser complacente. Resultado: o dinheiro com o qual se remunera os  empregados públicos não provém do bolso próprio, mas sim do nebuloso produto dos impostos. É o que os espanhóis chamam “disparar com a pólvora do rei”. Custa para o outro.

O negócio dos políticos é ganhar as eleições. É uma espécie voraz que se alimenta de votos, de aplausos e, quando são desonestos (algo que, felizmente, não acontece sempre), do dinheiro alheio. Por isso é um erro colocar um governo para operar uma fábrica de pão. Ao longo de um tempo, o pão não renderá, resultará caríssimo e, ainda por cima, sairá duro como uma pedra.

Onde as sociedades são sensatas e o povo quer progredir e prosperar, em lugar de expropriar negócios e constituir ruinosos Estados-empresários, o que fazem os políticos mais sagazes, impulsionados por seus eleitores, é propiciar a incessante criação de um denso tecido empresarial privado que paga impostos para o bem de todos.

Nessas nações desenvolvidas do Primeiro Mundo, as pessoas entendem que é bem mais inteligente e rentável se tornarem sócios passivos de milhares de empresas que entregam uma parte substancial de seus lucros sem propiciar a corrupção, sem fomentar o clientelismo e sem que o conjunto da sociedade corra riscos. As falhas são pagas pelos capitalistas. Os benefícios são recebidos por todos.

Isso sim:  nessas sociedades os políticos têm muito menos poder relativo que no sempre crispado mundinho neopopulista. Por isso elas vão muito melhor.

8N abalando a Argentina

No último dia 8 de novembro, milhares de pessoas na Argentina se reuniram para protestar contra o governo de Cristina Kirchner. O movimento, batizado de 8N, realizou um enorme panelaço na capital do país, Buenos Aires.

700 mil pessoas lotam Buenos Aires para protestar contra o governo autoritário de Kirchner.

O protesto foi realizado também em frente à residência presidencial de Olivos, onde a presidente mora. Manifestantes argentinos fizeram protestos no exterior – em Sydney, Londres, Roma, Madri e Nova York – e no interior – em cidades como La Plata, Mendoza, Tucumán, Rosário e Salta, entre outras.

Eles exibiam cartazes com as frases: ‘Liberdade’, ‘Imprensa livre’, ‘Chega de inflação’, ‘Basta de corrupção’ e ‘Não à reforma da constituição para terceiro mandado da presidente’. ‘Não tenham medo, isso, sim, é democracia’, dizia um cartaz em Córdoba. ‘Chega de mentiras’, dizia outro cartaz em Tucumán. Muitos também cantavam o hino nacional do país.

O movimento 8N ou Argentindos Indignados

São quatro os males que o movimento quer combater: insegurança, corrupção, liberdades civis e as mentiras oficiais do governo. Também se posicionam contra a reforma constitucional e ao controle de mídia que o governo quer impor.

Outras de suas reclamações são:

  • Enviam nossos filhos a “La Cámpora”[1] para doutriná-los. ” Doutrinação é o mesmo que abuso de menores”; e a Presidente apoiou isto abertamente.
  • Não somos livres para sair do país, pois é preciso pedir permissão para que te deem alguns poucos dólares como se fossemos criminosos.
  • O governo concedeu a si próprio o poder de reescrever a História.
  • Te dizem em que economizar dinheiro, mas o converteram em papeizinhos coloridos sem reconhecimento no mundo e que se desvalorizam diariamente.
  • Liberam assassinos e outros criminosos para assistir seus atos políticos.
  • A pobreza segue igual, as vilas crescem e se gastam milhões em propaganda política como “futebol para todos”.
  • Não se pode negociar sua habitação da maneira que queira, pois eles é que ditam em que moeda você deve fazê-lo.
  • Para trabalhar no Estado ou em uma de suas empresas, nada melhor que ser membro da “Cámpora”.
  • A liberdade de expressão está se convertendo de pouco em nada.
  • Os amigos do poder vem monopolizando a informação.
  • Utilizam o “proyecto X”[2] para perseguir seus opositores.
  • O único válido para eles é o “pensamento único”.
  • A Presidente abusa da Cadeia Nacional, tal e qual num Estado totalitário
  • Desde o Governo Nacional se promove a desestabilização de todo governo provincial que não esteja alinhado.
  • Seus aliados estrangeiros são o pior que existe na comunidade internacional. A Argentina está cada dia mais excluída do mundo.
  • A rua é dos delinquente, e os terroristas são amigos privilegiados do governo.
  • Quem pensa diferente é um inimigo.
  • Seus seguidores tem um grau de fanatismo capaz de justificar tudo, até a doutrinação infantil e a corrupção.
  • Os comerciantes que não estão de acordo com eles enviam à AFIP[3] para perseguí-los.
  • O nível de corrupção de seus funcionários é o mais alto de que se tem notícia.

O governo autoritário de Kirchner tem restringido as liberdades sociais e econômicas dos argentinos o quanto pode. Está impedindo as pessoas de obter moeda estrangeira (o peso está desvalorizado pela alta inflação), de sair do país, etc. Além de tentar controlar a mídia, esmagar opositores políticos com o auxílio de espiões e sindicatos cooptados, Kirchner pretende garantir um terceiro mandato através de uma reforma constitucional.

Mais em: www.argentinosindignados.com (em espanhol).


NOTAS:
[1] La Cámpora é um agrupamento político militante fundado em 2006 para defender as idéias governo kirchnerista em ações no meio político e estudantil.
[2] Projeto X, escândalo político argentino, consiste no uso da Gendarmería Nacional Argentina (GNA) para fins de espionagem política.
[3] A Receita Federal da Argentina, é usada como ferramenta de repressão política pelo governo Kirchner. Um caso típico foi o do Clarín, que após denunciar irregularidades no governo recebeu a amigável visita de 200 agentes tributários que revistaram todo o jornal.

Argentina: Governo socialista versus Estado democratico de direito

Escrevi esse artigo em agosto de 2009 para um jornal local, e ele continua atualizado, PARA INFELICIDADE DOS ARGENTINOS.

Esta ultima semana evidenciou-se a crise que vem assolando os produtores de grãos argentinos, os quais sofrem com medidas impostas pelo governo da senhora Cristina Kirchner para conter os preços internos de algumas commodities.

A presidente Argentina decidiu elevar a taxa de exportação vigente de 35 para 40% a fim de conter a alta nos preços de soja, milho, trigo e seus derivados internamente, retendo esses produtos no mercado interno, aumentando assim sua oferta e reduzindo preços.

Os governos atuais na América Latina, em sua grande maioria são de esquerda, com “tendências” sócio populistas e assistencialistas, salvo raras exceções, também são um tanto avessos ao estado de direito e a democracia, apesar de terem chegado ao poder através dela. Costumam apoiar grupos Narco terroristas e ou criminosos como as Farc, o MST e congêneres ligados ao Foro de São Paulo, o qual ligou entidades e partidos afins após a derrocada do comunismo soviético na década de 90.

A questão Argentina revela as praticas evidentes que só pioram a situação em nestes casos, praticas típicas de países com governos sociais comunistas que enterraram seu setor produtivo em nome do socialismo, onde temos como exemplo Cuba, Coreia do Norte e Venezuela, essa ultima, buscam disseminar o caos pela América Latina.

Os produtores Argentinos vêm contornando dificuldades do gênero a tempos, como nos por aqui com as nossas, sendo que em certo ponto, as dificuldades se tornam crises e terminam em “confrontos”.

Esses governos populistas têm seus “currais eleitorais” e precisam manter os programas assistencialistas sob controle para agradar e conter as massas de manobra que os elegeram. Erroneamente e por ignorância de muitos indivíduos que os elegeram, esses governos tomam atitudes que só tendem a piorar as situações.

Vejamos, há um problema mundial de oferta e demanda de grãos que afetam derivados e outros produtos dependente de grãos como gado, aves e suínos acarretando altas em outros produtos indiretamente ligados, uma reação em cadeia, que é normal, pois vivemos um mercado aberto, livre e global.

Esse desequilíbrio entre oferta e demanda nos se da por motivos climáticos, técnicos, mercadológicos, políticos e econômicos. No caso, os últimos dois fatores são grandes vilões atualmente na região, pois desestimulam o investimento em produção, tecnologia e infraestrutura diminuindo a oferta enquanto a população mundial aumenta e países desenvolvidos e consolidados demandem maiores volumes dos mesmos.

O problema que Argentina passa é um resultado de suas próprias políticas que inibem o setor produtivo em pró de populismos, assim é algo auto destrutivo em médio prazo, principalmente para quem elegeu o governo populista.

Ao invés de estimular a produção com redução de carga tributaria, ou reforma que faça com que esses tributos sejam aplicados na finalidade pelas quais foram criadas, adequação de taxas de juros e ou investimentos e infraestrutura que só tende a trazer beneficies para o local, agem inversamente aumentado taxas e tributos deixando o setor produtivo ainda mais “nervosos”.

A crise por lá, acirrou os ânimos de todos, afinal todos estão sendo afetados, os produtores rurais ganharam apoio com os “panelaços” por parte da classe media e outros produtivos, logo então surgiram os militantes do governo, a tropa de choque, tornando os protestos pacíficos em confrontos violentos.

A senhora Kirchner, a principio como mandam os clichês da “nova esquerda latina” foi truculenta, negou dialogar com uma “classe que andou lucrando muito nos últimos tempos”, como se lucrar fosse um crime abominável e a classe agora seria obrigado a amargar prejuízos em nome do socialismo dos Kirchner.

O monstro foi criado pelo próprio governo, que com medidas absurdas desestimulou os produtores nas devidas proporções, tentando inibir as exportações, fechar o mercado em pleno século 21, mantendo os preços controlados internamente.

A falta de alimentos força os argentinos a fazerem dieta, faltam quase todos os produtos alimentícios nas gôndolas dos mercados, os preços inflacionaram consideravelmente caos se espalha.

Esse é o resultado do populismo… O fracasso das nações que o admitem.

Gostaria de encerrar com uma celebre mensagem de Abraham Lincoln:

Mensagem ao homem do povo
… e aos homens que dirigem o povo, para se viver numa grande nação.

Não criarás a prosperidade, se desestimulares a poupança.
Não fortalecerás os fracos, por enfraqueceres os fortes.
Não ajudarás o assalariado, se arruinares aquele que o paga.
Não estimularás a fraternidade humana, se alimentares o ódio de classes.
Não ajudarás os pobres, se eliminares os ricos.
Não poderás criar estabilidade permanente, baseado em dinheiro emprestado.
Não evitarás dificuldades, se gastares mais do que ganhas.
Não fortalecerás a dignidade e o ânimo, se subtraíres ao homem a iniciativa e a liberdade.
Não poderás ajudar aos homens de maneira permanente, se fizeres por eles aquilo que eles podem e devem fazer por si próprios.

As Malvinas, outra vez

Por Alvaro Vargas Llosa. Traduzido e adaptado para o português do Brasil por Renan Felipe dos SantosPublicado originalmente em El Independiente em 09 de fevereiro de 2012. Artigo original em espanhol aqui

Cristina Fernández de Kirchner, mais inteligente que o falecido ditador Leopoldo Galtieri, não pretende invadir as Malvinas. Sabe que as tropas argentinas seriam derrotadas uma vez mais e que a derrota acabaria com ela, como acabou com Galtieri. Sua estratégia é outra: a pressão ambiental. Tem a dupla vantagem de que não obter resultados positivos não implicaria custo algum -de certa forma, os créditos estão garantidos porque o fraco nunca tem nada a perder enquanto atue como tal- e de permitir ao governo argentino lograr todo o efeito interno que pretende e necessita. É o que vem fazendo Cristina Kirchner desde setembro, quando lançou uma ofensiva internacional contra Londres a propósito das Malvinas -ofensiva que nas últimas semanas teve especial notoriedade-, combine astúcia política, prudência calculada e senso de oportunidade.

Cristina Kirchner: o Galtieri com neurônios e saia.

A astúcia política reside em parecer que está fazendo muito, sem que esteja. Prudência calculada porque, precisamente devido ao anterior, sabe bem que o custo para ela é mínimo e que, na medida em que não lance um desafio militar, só pode ganhar pontos. E senso de oportunidade porque, apesar de sua recente vitória reelecionista, a situação de seu governo começa a ser precária, ante o acelerado processo de erosão do modelo econômico e a crescente resistência ante os sinais contínuos de submissão da livre expressão e das instituições democráticas. Em três palavras: galtierismo com neurônios.

Cristina sabe uma coisa muito importante: que, aos olhos do mundo, a reivindicação de seu país é justa. Não é possível negar que o Reino Unido ocupou há cerca de 180 anos um território que não lhe pertencia e que desde 1965 tem ignorado o pedido das Nações Unidas para que negocie com Buenos Aires uma solução (leia-se um acordo de transferência de soberania). A resolução de 1965 e as 12 resoluções subsequentes, que de uma ou outra forma se relacionam com este assunto, outorgam a Buenos Aires uma base jurídica e sobretudo política para reclamar. Portanto, a mandatária argentina sabe também que os países sul-americanos não tem outra opção, gostem ou não da idéia de comprar briga com o Reino Unido, do que apoiá-la pelo menos até certo ponto.

Ainda que seja consciente de que muitos deles, a começar pelo Chile, a última coisa que querem é a inimizade com Londres, Cristina Kirchner entende que sua posição é tão sólida que os governos vizinhos terão, pelo menos simbolicamente, que fazer gestos de adesão ao seu pedido. Alguns, porque no poderão ficar fora do clube da solidariedade com um país sul-americano que reclama contra o despojo histórico de um território seu; outros, porque e talvez este seja também o caso do Chile, suas já difíceis relações com os vizinhos aconselham a não seguir abrindo frentes políticos nas fronteiras.

Até agora, as medidas que havia tomado o kirchnerismo com respeito à reivindicação das Malvinas eram mínimas. Até porque durante anos Néstor e Cristina prestaram quase nenhuma atenção a este tema, quando finalmente o fizeram -o que coincidiu com a revelação de que poderia haver recursos petrolíferos na zona- optaram por medidas de intensidade mediana. Uma: não permitir aos barcos das Malvinas abastecer-se em portos argentinos, o que obrigou as ilhas a importar alimentos e outros produtos desde o Reino Unido, a 14 mil quilômetros de distância. A outra: não permitir a empresas que realizaram atividades nas Malvinas investir ou comerciar com a Argentina.

O que agora pretende Buenos Aires com o boicote sul-americano anunciado em dezembro passado soa pior do que realmente é. Tanto o Mercosul como a Unasul tem aceitado o pedido argentino de não permitir que os barcos com bandeira das Malvinas atraquem em seus portos. O que não é o mesmo que proibir a chegada dos barcos das Malvinas, pois basta que estes viajem com bandeira britânica para que possam atracar sem obstáculos aos portos sul-americanos. Por isto, William Hague, o ministro de Relações Exteriores britânico, disse há alguns dias que Chile, Uruguai e Brasil haviam rechaçado o boicote. Ainda que a Argentina, por causa do chanceler Héctor Timerman e do vice-presidente Boudou, tenha insistido que o boicote se mantenha, o certo é que só se aplica a barcos que tenham bandeira das Malvinas. Basta trocar a bandeira para burlar o cerco. Assim, Santiago, Brasília e Montevidéu ficam bem com Buenos Aires e com Londres.

Malvinas: argentinas? Território britânico desde 1830, a maioria da população se auto-declara britânica.

Nenhum mandatário deu a entender sequer remotamente, nas diversas capitais sul-americanas, que está disposto a somar-se ao veto argentino contra empresas que operem nas Malvinas. Não o fizeram quando o veto argentino tinha como alvo principal a indústria pesqueira (essa é, junto com o gado ovino, a principal atividade econômica nas ilhas) e não o fazem agora que o objetivo é a indústria petrolífera (a intensificação da reivindicação argentina tem relação com as atividades de exploração petrolífera da empresa Rock-hopper). O pior que pode acontecer é que se suspenda o vôo semanal ao Chile que passa pelo espaço aéreo argentino, mas essa decisão não ocorreria em Santiago, e sim em Buenos Aires, por tanto, não implicaria em um eventual boicote chileno.

As relações econômicas do Reino Unido com a América do Sul, aliás, já não são o que foram a princípios do século e durante o século XIX, o que oferece ao governo britânico, apesar de que William Hague tenha anunciado em 2010 um voo até esta zona do mundo, certa margem de proteção ante qualquer eventualidade. Até a Primeira Guerra Mundial, a metade dos investimentos estrangeiros na América Latina vinham do Reino Unido e um quarto do comércio latino-americano tinha esse país como interlocutor. Hoje, as exportações britânicas para a América Latina não passam de um por cento. Os investimentos líquidos de empresas britânicas em países sul-americanos nos últimos anos tem sido mínimos, salvo no Brasil, onde tem superado os bilhões de libras, montante que de qualquer modo, em comparação com outros destinos do capital do Reino Unido, é modesto.

Um fator que, neste jogo diplomático, aparentemente ajuda a Cristina Kirchner é a difícil situação em que se encontra Londres em relação com a União Européia. Desde que o governo de David Cameron se opôs a formar parte da iniciativa para reformar os tratados da União a fim de caminhar em direção a uma união fiscal no contexto da crise dos títulos soberanos, as relações entre Londres e Bonn, mas especialmente entre Londres e Paris, tem sido muito apertadas. Tem se falado, uma vez ou outra, de “isolamento” britânico. Neste contexto, o último que quer o Reino Unido é que se passe a idéia de que se amplia o isolamento com um boicote geral dos países sul-americanos: a notícia, algo exagerada, que Argentina tem conseguido enfiar nos meios de comunicação.

De qualquer modo, a Argentina deve medir, neste cálculo, algo que não parece estar medindo: o lendário nacionalismo britânico. Deve recordar que se Londres tem hoje problemas com seus sócios da União Européia é precisamente por essa insularidade ou excepcionalidade política que o nacionalismo britânico, e muito especificamente o nacionalismo inglês, tem impresso na classe dirigente desde sempre. Talvez por isso David Cameron se sentiu bastante seguro para convocar, esta semana, ao Conselho de Segurança Nacional, que reúne militares e políticos, enviando com ele uma óbvia mensagem: defenderemos as Malvinas com a força se necessário, exatamente como defendeu Margaret Thatcher em 1982. Cameron calcula que nenhum primeiro ministro britânico perderá votos internos por colocar as garras de fora contra um novo desafio argentino. Daí a tentativa de Cristina Kirchner de aproveitar o relativo isolamento de Londres na Europa pode ter um efeito “bumerangue” e fortalecer Cameron.

David Cameron: dará o braço a torcer ou fará as vezes de Margaret Thatcher?

Até o surgimento da possibilidade de a zona conter depósitos de hidrocarbonetos, para o Reino Unido as Malvinas eram uma carga. A  sensação geral, no mundo diplomático, era que Londres esperava alguma oportunidade, no futuro, para começar a negociar uma fórmula que iniciaria o processo de desfazer-se do pesado fardo. Não era possível fazê-lo de imediato, porque a maioria dos pouco mais de 1.300 habitantes das ilhas se consideram britânicos. Muitos deles representam a nona geração de britânicos desde que, m 1833, o Reino Unido ocupou as Malvinas, dado no qual Londres sempre baseou seu argumento de que a “autodeterminação” desse território de ultramar é o que prevalece (também com esse argumento William Hague acusou com ironia a Buenos Aires de “colonialismo” esta semana, antes de chegar ao Brasil em visita oficial). De qualquer modo, as coisas tem se complicado muito mais desde que começou a planar sobre as ilhas o fantasma do petróleo. Como é sabido, já faz alguns anos, as reservas do Mar do Norte estão em franca diminuição. Desde o ponto de vista do Reino Unido, pois, o eventual descobrimento de abundantes quantidades de óleo bruto nas imediações das Malvinas daria a estas ilhas um especial valor estratégico. Valor que haviam deixado de ter desde o século passado quando eram passada obrigatória para os navios britânicos que transitavam do Atlântico ao Pacífico (em décadas recentes, apenas tem sido parada obrigatória para certas estações científicas na Antártida).

A complicação internacional da eventual existência de jazidas de petróleo é óbvia: além de valorizar o território das ilhas para um governo britânico que antes via as Malvinas como uma carga, ele colocaria a Argentina ante a obrigação de redobrar sua campanha internacional. Para qualquer governo argentino seria difícil manter-se de braços cruzados ante a pressão de uma oposição que utilizaria o argumento do petróleo para acusar a suas autoridades de falta de patriotismo.

No caso de Cristina Kirchner, como já foi dito, há mais elementos de cálculo político interno que convicções em tudo isso, a julgar pelo que ela e seu marido não fizeram durante muitos anos com respeito as Malvinas. Mas o certo é que, dadas as atuais circunstâncias, seria ainda mais difícil para um governo não peronista submetido à pressão do justicialismo olhar para outro lado. Por isso, a possibilidade de que as Malvinas tenham petróleo criou quase uma obrigação em toda a classe política.

Tudo indica, em resumo, que 30 anos depois da guerra, as Malvinas deixaram de ser o que Borges chamou “a briga de dois carecas por um pente”, e passou a ser algo mais grave.