Marxismo: a máquina assassina

Por R. J. Rummel. Versão em português extraída do site do Instituto Mises Brasil. Para ler o artigo original, clique aqui.

Com a queda da União Soviética e dos governos comunistas do Leste Europeu, muitas pessoas passaram a crer que o marxismo, a religião do comunismo, está morto.  Ledo engano.  O marxismo está vivo e vigoroso ainda em muitos países, como Coréia do Norte, Cuba, Vietnã, Laos, em vários países africanos e, principalmente, na mente de muitos líderes políticos da América do Sul.

No entanto, de extrema importância para o futuro da humanidade é o fato de que o comunismo ainda segue poluindo o pensamento e as ideias de uma vasta multidão de acadêmicos e intelectuais do Ocidente.

De todas as religiões, seculares ou não, o marxismo é de longe a mais sangrenta — muito mais sangrenta do que a Inquisição Católica, do que as várias cruzadas e do que a Guerra dos Trinta Anos entre católicos e protestantes. Na prática, o marxismo foi sinônimo de terrorismo sanguinário, de expurgos seguidos de morte, de campos de prisioneiros e de trabalhos forçados, de deportações, de inanição dantesca, de execuções extrajudiciais, de julgamentos “teatrais”, e de genocídio e assassinatos em massa.

No total, os regimes marxistas assassinaram aproximadamente 110 milhões de pessoas de 1917 a 1987.  Para se ter uma perspectiva deste número de vidas humanas exterminadas, vale observar que todas as guerras domésticas e estrangeiras durante o século XX mataram aproximadamente 35 milhões de pessoas.   Ou seja, quando marxistas controlam estados, o marxismo é mais letal do que todas as guerras do século XX combinadas, inclusive a Primeira e a Segunda Guerra Mundial e as Guerras da Coréia e do Vietnã.

E o que o marxismo, o maior de todos os experimentos sociais humanos, realizou para seus cidadãos pobres à custa deste sangrento número de vidas humanas? Nada de positivo.  Ele deixou em seu rastro apenas desastres econômicos, ambientais, sociais e culturais.

O Khmer Vermelho — comunistas cambojanos que governaram o Camboja por quatro anos — fornece algumas constatações quanto ao motivo de os marxistas acreditarem ser necessário e moralmente correto massacrar vários de seus semelhantes.  O marxismo deles estava em conjunção com o poder absoluto.  Eles acreditavam, sem nenhuma hesitação, que eles e apenas eles sabiam a verdade; que eles de fato construiriam a plena felicidade humana e o mais completo bem-estar social; e que, para alcançar essa utopia, eles tinham impiedosamente de demolir a velha ordem feudal ou capitalista, bem como a cultura budista, para então reconstruir uma sociedade totalmente comunista.

Nada deveria se interpor a esta realização humanitária.  O governo — o Partido Comunista — estava acima das leis. Todas as outras instituições, normas culturais, tradições e sentimentos eram descartáveis.

Os marxistas viam a construção dessa utopia como uma guerra contra a pobreza, contra a exploração, contra o imperialismo e contra a desigualdade — e, como em uma guerra real, não-combatentes também sofreriam baixas. Haveria um necessariamente alto número de perdas humanas entre os inimigos: o clero, a burguesia, os capitalistas, os “sabotadores”, os intelectuais, os contra-revolucionários, os direitistas, os tiranos, os ricos e os proprietários de terras.  Assim como em uma guerra, milhões poderiam morrer, mas essas mortes seriam justificadas pelos fins, como na derrota de Hitler na Segunda Guerra Mundial.  Para os marxistas no governo, o objetivo de uma utopia comunista era suficiente para justificar todas as mortes.

A ironia é que, na prática, mesmo após décadas de controle total, o marxismo não apenas não melhorou a situação do cidadão comum, como tornou as condições de vida piores do que antes da revolução.  Não é por acaso que as maiores fomes do mundo aconteceram dentro da União Soviética (aproximadamente 5 milhões de mortos entre 1921-23 e 7 milhões de 1932-33, inclusive 2 milhões fora da Ucrânia) e da China (aproximadamente 30 milhões de mortos em 1959-61).  No total, no século XX, quase 55 milhões de pessoas morreram em vários surtos de inanição e epidemias provocadas por marxistas — dentre estas, mais de 10 milhões foram intencionalmente esfaimadas até a morte, e o resto morreu como consequência não-premeditada da coletivização e das políticas agrícolas marxistas.

O que é espantoso é que esse histórico fúnebre do marxismo não envolve milhares ou mesmo centenas de milhares, mas milhões de mortes.  Tal cifra é praticamente incompreensível — é como se a população inteira do Leste Europeu fosse aniquilada.  O fato de que mais 35 milhões de pessoas fugiram de países marxistas como refugiados representa um inquestionável voto contra as pretensões da utopia marxista.  [Tal número equivale a todo mundo fugindo do estado de São Paulo, esvaziando-o de todos os seres humanos.]

Há uma lição supremamente importante para a vida humana e para o bem-estar da humanidade que deve ser aprendida com este horrendo sacrifício oferecido no altar de uma ideologia: ninguém jamais deve usufruir de poderes ilimitados.

Quanto mais poder um governo usufrui para impor as convicções de uma elite ideológica ou religiosa, ou para decretar os caprichos de um ditador, maior a probabilidade de que vidas humanas sejam sacrificadas e que o bem-estar de toda a humanidade seja destruído.  À medida que o poder do governo vai se tornando cada vez mais irrestrito e alcança todos os cantos da sociedade e de sua cultura, maior a probabilidade de que esse poder exterminará seus próprios cidadãos.

À medida que uma elite governante adquire o poder de fazer tudo o que quiser, seja para satisfazer suas próprias vontades pessoais ou, como é o caso dos marxistas de hoje, para implantar aquilo que acredita ser certo e verdadeiro, ela poderá impor seus desejos sem se importar com os custos em vidas humanas.  O poder é a condição necessária para os assassinatos em massa.  Quando uma elite obtém autoridade plena, várias causas e condições poderão se combinar para produzir o genocídio, o terrorismo, os massacres ou quaisquer assassinatos que os membros dessa elite sintam serem necessários.  No entanto, o que tem de estar claro é que é o poder — irrestrito, ilimitado e desenfreado — o verdadeiro assassino.

Nossos acadêmicos e intelectuais marxistas da atualidade usufruem um passe livre.  Eles não devem explicações a ninguém e não são questionados por sua defesa de uma ideologia homicida.  Eles gozam de um certo respeito porque estão continuamente falando sobre melhorar as condições de vida dos pobres e dos trabalhadores, suas pretensões utópicas.  Porém, sempre que adquiriu poder, o marxismo fracassou miserável e horrendamente, assim como o fascismo.  Portanto, em vez de serem tratados com respeito e tolerância, marxistas deveriam ser tratados como indivíduos que desejam criar uma pestilência mortal sobre todos nós.

Da próxima vez que você se deparar com marxistas ou com seus quase equivalentes, os fanáticos esquerdistas, pergunte como eles conseguem justificar o assassinato dos mais de cento e dez milhões de seres humanos que sua fé absolutista provocou, bem como o sofrimento que o marxismo criou para as outras centenas de milhões de pessoas que conseguiram escapar e sobreviver.


NOTA:

R.J. Rummel, professor emérito de ciência política e finalista de Prêmio Nobel da Paz, é o mais aclamado especialista mundial em democídio, termo que ele cunhou para se referir a assassinatos cometidos por governos.  Escreveu o livro Death by Government, leitura obrigatória para qualquer pessoa que queira se inteirar das atrocidades cometidas por governos.  Ao todo, Rummel já publicou 29 livros e recebeu numerosas condecorações por sua pesquisa.


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Coréia do Norte, liberdade ou morte

A República Democrática Popular da Coréia (que de democrática só tem o nome) ou mais popularmente conhecia como Coréia do Norte é um país do leste asiático que ocupa metade da península da Coréia. Esta península, antes da sua divisão era governada pelo império Coreano e após a II guerra Mundial, foi dividida entre zonas de ocupação norte-americana e soviéticas. A Coréia do Sul, capitalista e a Coréia do Norte Socialista.

Na Coréia do Norte funciona o unipartidarismo chamado de Partido dos Trabalhadores da Coréia. Seu governo segue a ideologia Juche que tem como características principais: Defesa da independência econômica e política com relação a países estrangeiros; coletivização da agricultura e da indústria; culto da personalidade; Songun: o aspecto militar é o mais importante da política; forte voluntarismo: as massas são consideradas donas do mundo; nacionalismo e defesa da homogeneidade étnica; respeito e defesa da cultura tradicional.

Esse é o país que tem o pior registro de direitos humanos, tendo restrições severas quanto a liberdade política, econômica e religiosa, há relatos de campos de concentração onde os considerados “traidores do governo” são torturados, estuprados, assassinados, escravizados, usados como cobaias de experimentos médicos e sofrem abortos forçados. Essa punições não se restringem apenas ao perseguido político, mas como também a toda sua família. Eles são proibidos de casar, de cultivar o próprio alimento (para que assim possam morrer de fome) e de se comunicar externamente.

Na Coréia do Norte há um controle de expressão política de seus habitantes que funciona da seguinte forma: Partidários do governo que se desviam estão sujeitos a reeducação que ocorre em campos de trabalhos forçados. Os que na visão governamentista forem considerados “reabilitados” podem assumir posições governamentais novamente. Já os irredimíveis são encarcerados junto com todos os seus familiares próximos. As pessoas que tentam fugir dos trabalhos forçados correm um sério risco de serem executadas.

A coréia do norte tem uma economia totalmente planejada pelo governo e própria do Estado como acontece também em Cuba, lá o comércio internacional é altamente restrito dificultando um crescimento maior de sua economia.

Na Coréia do Norte há existência de classes sociais e o que define o status da pessoa é se ela coopera ou não com o governo. O nome desse sistema é Songbun e funciona da seguinte forma: Estuda-se o histórico de comportamento político da família da pessoa nas três ultimas gerações e esse sistema é quem vai determinar se uma pessoa é leal ou não ao governo. Esse sistema afeta o acesso às oportunidades de educação e emprego e ainda determina se uma pessoa está apta a fazer parte do único partido do país. As classes estão divididas entre “classe principal” que é leal ao governo e corresponde a cerca de 25% da população do país, a “classe vacilante” de 55% e a “classe hostil” de 20%. O status mais elevado (da classe principal) é concedido aos indivíduos descendentes de pessoas que participaram com Kim Il-sung na guerra contra a ocupação militar japonesa antes e durante a Segunda Guerra Mundial e para aqueles que eram trabalhadores de fábrica, operários ou camponeses a partir de 1950.

Quanto à liberdade de imprensa, nesse país, apesar de sua constituição prever a liberdade de expressão e de imprensa, na prática não é isso q ocorre, a mídia nesse país tem um dos controles mais rigorosos do mundo. Perdendo nesse quesito apenas para a Eritréia. Se as notícias favorecerem o regime, ai sim são permitidas e também são permitidas reportagens que incentivem o culto a personalidade de  Kim Jong-il e agora seu filho, sucessor Kim Jong-un.

É grave o problema da fome na neste país, estima-se que já morreram milhares de pessoas por inanição e doenças ligadas à falta de alimentação como pneumonia, tuberculose e diarréia.

O que pouca gente sabe e que será mostrado no documentário abaixo é que além de todos esses problemas, esse país ainda conta com o problema das drogas, existindo muitos dependentes químicos no país e tendo o tráfico controlado pelo governo.

Para escapar de todo esse inferno, muitas pessoas tentam fugir pra outros países, principalmente para a Coréia do Sul, porém como a fronteira é altamente vigiada, elas fazem um desvio de quase 10 mil quilômetros atravessando os territórios da China, do Laos e da Tailândia onde finalmente conseguem pegar um avião pra Coréia do Sul.

Rota de fuga para a Coréia do Sul

Na esperança da liberdade, sem saber, muitas mulheres caem na mão de traficantes humanos. Elas pagam a eles acreditando que serão ajudadas a cruzar a fronteira, porém chegando a China, são vendidas a prostíbulos.

O documentário foi exibido pela SIC, TV portuguesa e retrata a difícil fuga dos refugiados.

Leia também: Coréia do Norte, um inferno na terra

Google Earth coloca os campos de trabalho norte-coreanos no mapa

Tradução, resumo e adaptação da reportagem original, em inglês, publicada no site da Reuters. Para ler a reportagem original, clique aqui.

Ativistas dos direitos humanos e blogueiros usaram o programa de recreação, educação e marketing do Google e o aplicaram para mapear um vasto sistema de campos de trabalho forçado na Coréia do Norte, um país pouco menor que a Grécia e habitado por cerca de 23 milhões de pessoas.

Estima-se que até 250.000 presos políticos e suas famílias trabalham e passam fome nos mais remotos campos de trabalho, de acordo com estimativas de grupos internacionais de direitos humanos.

Gulags escondidos, agora não tão escondidos

O blog de Stanton freekorea.us traz imagens via satélite do Google Earth e análises de seis campos penais para prisioneiros políticos – três dos quais ele recebe o crédito por confirmar ou identificar.

O blogueiro identifica imagens de portões e guaritas, e em alguns casos minas de carvão – confirmadas através do trabalho de experts e entrevistas com desertores da Coréia do Norte que viviam ou trabalhavam nos campos.

“Os maiores dos campos, se você não sabe para o que está olhando, parecem cidades ou vilas, e eu suspeito que tenham sido projetados deste modo para se encaixar no interior do país,” disse Statnton.

Stanton, que se interessou pela Coréia do Norte quando trabalhava servindo o Exército dos Estados Unidos na Coréia do Sul quando rompia a grande fome dos final dos 90 na Coréia do Norte, se envolveu no trabalho pioneiro do Comitê pelos Direitos Humanos na Coréia do Norte, uma organização não-governamental que revelou, em um livro de 2003, “O Gulag Escondido” (título original: The Hidden Gulag).

Quando a segunda edição de “The Hidden Gulag” surgiu em 2012, o Google Earth recebeu um proeminente reconhecimento.

“A melhor resolução das imagens via satélite, agora disponíveis pelo Google Earth, permite que ex-prisioneiros identifiquem suas antigas barracas e alojamentos, os locais de execução e outros pontos de referência nos campos,” disse o estudo.

“The Hidden Gulag” também creditou Stanton e um segundo blogueiro, Curtis Melvin, cujo www.nkeconwatch.com esteve na vanguarda do uso do Google Earth para catalogar não só prisões mas também locais comuns como escolas, fábricas e estações de trem.

“Ele abre áreas da Coréia do Norte que nenhum estrangeiro tem permissão para ver,” disse Melvin, que baixa o programa gratuito e disponível para o público.

As imagens tornam o negacionismo implausível

Melvin, um economista com uma dissertação inacabada de doutorado sobre o sistema monetário da Coréia do Norte, verifica os pontos de referência que encontra no Google Earth estudando mapas e documentos e entrevistando norte-coreanos na Virginia (EUA).

“Eu também tenho assistido a televisão norte-coreana literalmente todo santo dia há três anos, então tenho uma lista de nomes (de lugares) sobre os quais posso fazer perguntas específicas,” disse sobre as entrevistas que faz a desertores norte-coreanos.

Algumas das imagens do Google Earth vem da DigitalGlobe, uma firma do Colorado. O Comitê pelos Direitos Humanos na Coréia do Norte recebe imagens e análises em um projeto da DigitalGlobe Inc, que tem um histórico de suporte a causas humanitárias, disse Greg Scarlatoiu, diretor executivo do Comitê.

“As imagens via satélite disponíveis pelo Google Earth certamente permitiram a especialistas em direitos humanos confirmar decisivamente que estas instalações existem, apesar do regime norte-coreano negar sua existência,” disse Scarlatoiu.

Coréia do Norte, um inferno na Terra.

A Coréia do Norte ocupa o topo dos países mais perigosos para um cristão viver, sendo um lugar onde pessoas são presas por um crime: adorar a Deus.

Lá vivem seres humanos que mesmo sabendo que seu destino é a morte, não abrem mão de louvar e adorar o seu criador.

Eles são presos, torturados e escravizados somente por serem cristãos. A punição vem pra toda família até a terceira geração. É preciso muita fé para se sobreviver nessas circunstâncias.

Vale ressaltar que a falta de liberdade religiosa é comum nos países de regime comunista.

Leia também: Coréia do Norte, liberdade ou morte.

O Caminho da Servidão

É comum ouvir algumas pessoas afirmando que a igualdade material deve antepor-se à liberdade individual. Para tornar esta ideia crível para o público, é necessário fazer confundir estas duas coisas, destruindo o sentido original da palavra Liberdade, não ser impedido de agir, e substituindo-o por outro, a liberdade da necessidade. Para funcionar, é necessário vender o kit completo: é necessário convencer a massa de que ela não é livre para escolher, de que ela é “escrava” do consumo, “escrava” do patrão, “escrava” do salário, “escrava” da escolha.

Na Convenção (Nº 29) sobre o Trabalho Forçado, 1930, a OIT define trabalho forçado, para efeitos da lei internacional, como “todo o trabalho ou serviço que seja exigido a qualquer pessoa, sob ameaça de qualquer penalidade, e para o qual a essa pessoa não se tenha oferecido voluntariamente”.

Esta definição foi retirada de um Relatório Global no seguimento da Declaração da OIT sobre os Direitos e Princípios Fundamentais do Trabalho, sob o título O Custo da Coerção.

A transição da Utopia da Imaginação para a Realidade.

Ironicamente, nenhum sistema empregou mais mão-de-obra escrava no mundo conteporâneo do que aqueles que juravam acima de tudo garantir a igualdade material. Durante o século XX, a União Soviética ficou especialmente conhecida pelo trabalho forçado imposto a prisioneiros políticos e outras pessoas perseguidas jogadas em campos de trabalho forçado. Milhões de pessoas foram exploradas e mortas pelas condições extenuantes do trabalho escravo e pelas péssimas condições de vida. Este sistema foi uma continuação do sistema de trabalho forçado da Rússia Imperial, mas numa escala muito maior.

Entre 1930 e 1960, o regime soviético criou muitos campos de trabalho forçado na Sibéria e na Ásia Central: havia cerca de 476 complexos separados, cada um composto de centenas ou mesmo milhares de campos individuais. Estima-se que havia entre 5 e 7 milhões de pessoas nestes campos, em média.

Em anos posteriores, estes campos também mantinham vítimas dos expurgos de Stalin e prisioneiros da Segunda Guerra Mundial. É possível que 10% dos prisioneiros morresse a cada ano.

Provavalmente os piores dos complexos foram os três construídos no Círculo Ártico em Kolyma, Norilsk e Vorkuta. Os prisioneiros nos campos de trabalho soviéticos eram mortos por uma misura de quotas abusivas de produção, brutalidade, fome, etc.

Estima-se que mais de 18 milhões de pessoas passaram pelo Gulag, com outras milhões sendo deportadas e exiladas em áreas remotas da União Soviética.

(Mais informações no Gulag History)


Poderíamos citar muitos outros exemplo, históricos e atuais como os laogais na China comunista, as prisões nortecoreanas e o trabalho escravo cubano.

Lidando com apologistas: três objeções básicas

Um apologista dos regimes de extrema-esquerda tentará três abordagens para contornar esta questão:

  1. Negar a existência da escravidão nos países socialistas. Tentará desacreditar as fontes ou fazer uma distorção do conceito de liberdade ou escravidão.
  2. Afirmar que a liberdade é menos importante do que garantir um mínimo de qualidade de vida. Ou seja, tudo bem ser escravo desde que o senhor te dê roupa, comida e habitação.
  3. Afirmar que as vertentes autoritárias e ditatoriais do socialismo que usam mão-de-obra escrava em escala massiva são um desvio do socialismo ‘verdadeiro’, e que são deturpações do que o socialismo é ou deve ser.

Quanto à primeira questão, existe farta documentação sobre os regimes de trabalho forçado na União Soviética e seus países satélite. É mais difícil encontrar informações sobre países comunistas atuais porque seus governos evitam o quanto podem o vazamento de informação e a entrada de organizações internacionais para averiguar as condições de trabalho. Mas, ainda assim, existem fortes evidências que atestam o trabalho escravo ou semi-escravo na China, na Coréia do Norte e em Cuba.

Sobre Cuba, as acusações mais recentes vieram de médicos. Você pode ler sobre isso nos seguintes links:

Sobre a China, existe um site dedicado exclusivamente à denúncia do seu sistema de laogais: o Laogai Research Foundation.

Sobre a Coréia do Norte, pode-se obter algumas informações lendo reportagens no Asia Times ou na CNN:

Quanto à segunda questão, é auto-evidente que a liberdade de uma pessoa não pode ser trocada por um prato de comida. O fato de um senhor de engenho dar comida, senzala e roupas para os seus escravos não justifica a escravidão e muito menos torna a escravidão mais desejável que a vida como um homem livre.

As duas primeiras objeções são de caráter moral. É necessário somente honestidade e acesso à informação para ver a escravidão nos regimes ditatoriais. Para saber que oferecer bens nunca foi justificativa para tirar liberdade de alguém, é necessário somente a honestidade. Vamos partir para a terceira objeção. Seria a escravidão fruto de uma deturpação do socialismo, do ideal de uma sociedade materialmente igualitária? Ou seria uma consequência lógica deste raciocínio?

Escravidão: consequência lógica do socialismo?

Imagine que você é o administrador da uma empresa. Você paga um salário para cada um dos seus funcionários em troca dos serviços que eles realizam na empresa, de modo que eles podem comprar bens ou pagar por serviços.

Vamos simular uma economia estatizada. Você, o administrador da empresa, é o Estado, e os seus funcionários serão os servidores públicos. Para simular uma economia socialista, precisamos prover o que os nossos cidadãos consomem. Quer dizer que temos que bancar a educação, a saúde, a segurança, o vestuário, a alimentação, a diversão, etc. É necessário atender, ou pelo menos tentar atender, as necessidades de consumo dos trabalhadores. Afinal, tudo será provido pelo Estado.

Vamos chegar num ponto em que você perceberá que está tirando dinheiro de um bolso para colocar em outro. Você paga os trabalhadores para que eles comprem algo que você mesmo fornece. Logicamente, isto é uma movimentação desnecessária de recursos. O que seria mais sábio fazer? Descontar o almoço diretamente do salário. Assim, o Estado deduz dos salários o preço dos produtos e serviços que ele providencia. Um Estado que tenha a pretensão de produzir tudo que seus cidadãos possam consumir, logicamente, não pagará salário algum. Em troca do trabalho, você dará tudo o que eles poderiam comprar, dentro do limite que você puder bancar, e ninguém ganhará salários.

Substituição do trabalho livre assalariado pelo trabalho servil

Temos um dos elementos do trabalho servil, que é a subtração da remuneração. Seus funcionários, como recebem tudo que poderiam consumir diretamente de você, não recebem salário.

O segundo elemento do trabalho servil é a dependência do trabalhador por um único provedor. Temos então uma economia dual onde há somente um fornecedor e um consumidor: seus ‘consumidores-funcionários’ não tem outra opção de escolha. Só consomem o que você produz, do jeito que você produz e na quantidade que você produz, gostem eles ou não. O trabalhador não pode optar por outro empregador e, não tendo salário, não há o que ele possa oferecer em troca do produto de outro fornecedor.

Por fim, seus funcionários estão dependentes do seu planejamento central. É o terceiro e mais importante elemento do trabalho servil: a ausência de liberdade profissional. Você é o administrador que lhes provê tudo e determina o que eles devem fazer, como devem fazer e quando devem fazer. Se você acha que é melhor que o João corte cana, então ele tem que cortar cana. Caso contrário você pode privar ele dos serviços monopolizados por você, deixando ele sem serviços médicos, ou sem a comida racionada. Mais ainda, você pode até aplicar um castigo físico em João caso ele se recuse a cortar cana, ou prendê-lo, ou mandá-lo para uma instituição de “reeducação” para ele aprender o seu lugar dentro do sistema.

O trabalhador então é tratado como um recurso dentro de um projeto, devendo ser alocado de acordo com o programa do governo. Ele não tem a liberdade de escolher sua profissão, de buscar outro empregador ou fornecedor de bens, ou de trabalhar como autônomo. Toda a sua formação e carreira é determinada pelo Estado. O que será produzido e consumido é determinado pelo Estado. O modo de vida do cidadão é determinado pelo Estado. Tudo tem que estar de acordo com o plano.

Chegamos à conclusão lógica do socialismo. A abolição do mercado, das livres trocas, do trabalho livre, da concorrência entre empregadores e fornecedores, da liberdade de escolha e a instituição de uma Economia assentada sobre o planejamento central, o trabalho compulsório e o monopólio. Onde o Estado é o único empregador e o único produtor, o trabalhador não tem outra opção além da submissão.

Dica de leitura

O Caminho da Servidão, de Friedrich A. Hayek. Clique na imagem acima para ler o livro disponível em nossa biblioteca.

Seriam mesmo os porcos capitalistas? – Parte 3

Análise do Livro “A revolução dos Bichos” – continuação.

No dia da votação para decidir a respeito da construção do moinho de vento, Bola de Neve consegue a maioria dos votos. Então acontece o momento crucial da história. Napoleão, com a ajuda de cães bravos, toma o poder de forma violenta. Bola de Neve foi expulso da fazenda.

Napoleão avisa que as reuniões aos domingos onde aconteciam as votações estavam encerradas e que todas as decisões seriam tomadas por ele e depois comunicadas. As únicas reuniões que aconteceriam seriam aquelas as quais serviriam para saudar a bandeira e para serem recebidas as ordens semanais, sem que houvesse debate. Os bichos ficaram perplexos com o acontecido e qualquer um que se atrevesse a se opor ao acontecido era ameaçado pelos cães bravos, a guarda de Napoleão.

Polícia Revolucionária Cubana: os cães bravos da ditadura da Dinastia Castro.

Garganta mais uma vez foi incumbido de convencer os animais de que o acontecido era o melhor para todos. Começou então uma campanha difamatória contra Bola de Neve – o dissidente. Pôs-se em dúvida até sua atuação na Batalha na qual os humanos foram novamente expulsos da fazenda.

Napoleão, enfim resolve construir o moinho de vento e fala para todos que a ideia desde o início teria sido dele e que Bola de Neve havia se apoderado de sua ideia. Em prol disso os animais teriam que trabalhar ainda mais que antes, totalizando um total de 60 horas semanais e também trabalhando aos domingos à tarde, momento que antes era utilizado para o descanso. Apesar do trabalho aos domingos ser “voluntário”, quem não aceitasse fazê-lo teria sua comida diminuída pela metade. A produção começou a cair.

O moinho começou a ser construído. Sansão agora acordava 4 horas antes para poder produzir mais. Os bichos comiam a mesma quantia de comida que tinham disponível na época do regime anterior e trabalhavam cada vez mais. Começaram a faltar várias produtos necessários para o bom funcionamento da fazenda, foi aí que Napoleão anunciou a decisão de manter comércio com as outras fazendas, ou seja, resolveu negociar com os “inimigos”. Ele vendia o excedente de produção e se apoderava dos lucros. E isso ia contra os princípios do Animalismo.

Garganta rapidamente convenceu toda a população de que nunca fora proibido o comércio com homens e que isso tudo não passava da imaginação dos animais.

A classe privilegiada dos porcos (a vanguarda revolucionária) nesta mesma época decidiu que mudariam-se para a luxuosa casa que habitava a família do senhor Jones. Os bichos sabiam que isso ia de encontro com os princípios do Animalismo. Porém foram convencidos por Garganta de que aquilo era o melhor para os líderes, que era necessário, pois eles precisavam pensar. Quando algum animal tentava retrucar, eram questionados se queriam a volta de Jones.

Num país onde grande parte da população é subnutrida e passa fome, fazer parte da classe privilegiada (o Partido e as Forças Armadas Revolucionárias) é o único modo de comer bem. No mundo do relativismo moral, até a igualdade é relativa.

Quando o moinho de vento estava quase pronto, ocorre uma sabotagem. Napoleão precisava rapidamente culpar alguém por isso, então coloca a culpa em Bola de Neve que em momento algum do livro ficou provado que ele seria o responsável por vários atos de vandalismos ocorridos. Napoleão ofereceu recompensa a cabeça de Bola de Neve. A reconstrução do moinho virou questão de honra.

Após esse período a comida diminuiu. Preocupado com a repercussão Napoleão resolve espalhar boatos contrários a real situação da fazenda. Foram selecionados alguns animais para comentarem na frente dos humanos, que então já frequentavam a fazenda para fins comerciais, do quão satisfatório era viver ali. Os depósitos de alimentos eram enchidos pela metade com areia para fazer volume e na parte de cima colocado comida, para dar a impressão aos humanos de que ali a comida era farta.

A arte do auto-elogio: mentir muito, para acreditar-se diferente. Cuba é uma vila Potemkin gigante.

Para aumentar o medo dos animais, foi espalhado o boato de que Bola de Neve rondava a fazenda a noite. Sempre que acontecia alguma coisa de ruim, Bola de Neve era culpado – afinal, eles tinham q pôr a culpa em alguém. Um episódio interessante foi o sumiço da chave do depósito. Bola de Neve fora acusado de jogar a chave no fundo do poço. Os animais acreditavam nisso mesmo após a chave ter sido encontrada embaixo de um saco de farinha. Bola de Neve fora acusado de desde o início estar do lado dos humanos, de ter sido ele quem arquitetou a rebelião que teria como objetivo a retomada da granja por Senhor Jones e que inclusive o seu brilhante desempenho na batalha teria sido mero fingimento.

Quatro dias depois Napoleão reúne todos os animais, após torturas, alguns porcos confessaram ter ligações com Bola de Neve. Após isso, vários animais foram morto após “confessar” ligações com Bola de Neve. Todos ficaram chocados com as barbáries ocorridas. Os cadáveres estavam espalhados por todos os cantos. Nesse dia também a canção Bichos da Inglaterra fora proibida.

A busca de um bode expiatório é essencial para ideologias violentas. No caso de Cuba, a culpa pela falência sócio-econômica é do embargo americano. Ou seja, a falta da exploração capitalista é o que causa a falência do sistema socialista que supostamente deveria manter-se sem a mesma.

Os bichos começaram a perceber que estavam comendo menos do que na época do senhor Jones e trabalhando mais ainda. Porém, Garganta os convencia com relatórios de que a produção de gêneros alimentícios aumentara 200, 300 e até 500%. Os bichos não viam razão para desacreditá-lo.

O moinho finalmente ficou pronto e foi batizado como Moinho Napoleão. Porém o moinho não fica tanto tempo de pé. Após uma nova tentativa de retomar a granja dos bichos pelos humanos, o moinho é destruído com explosivos. Grande parte dos animais ficou gravemente ferida nessa nova batalha, várias mortes também foram vistas, todas de animais.

Sansão, gravemente ferido na batalha, trabalhou arduamente na construção de um novo moinho. O que o motivava era pensar que em pouco tempo viria sua aposentadoria. Os animais, em sua maioria, nem lembravam mais como era nos tempos de Jones, e gostavam de acreditar que agora estava ruim, mas já tinha sido bem pior e que agora eles eram “livres”.

Fulgencio Batista, o ditador cubano que antecedeu Castro. Sempre que se fala nos avanços da “Revolução” cubana na mídia do país, se faz a relação entre hoje e o país na época da ditadura castrista. Raramente se encara o fato de que as condições de vida dos cubanos hoje está pior do que antes: sem liberdade para ir, vir, expressar-se, o país ainda precisa do World Food Program para alimentar mais de 160 mil pessoas.

Um mês antes de se aposentar Sansão fica doente. Segundo Napoleão, Sansão seria bem tratado por um veterinário de fora da fazenda. Após uns dias um carroção veio buscá-lo para que fosse sacrificado. Três dias depois, Garganta informa aos camaradas (era assim que os bichos tratavam uns aos outros) de que Sansão havia falecido no hospital, mesmo tendo recebido bons cuidados e que deixou a mensagem de que “Napoleão sempre tinha razão”.


A maioria dos animais morreu e Quitéria, apesar de ter alcançado idade para aposentadoria, nunca deixou de trabalhar. A fazenda agora era bastante populosa, devido a sua alta taxa de natalidade. Muitos animais nasceram após a revolução e só a conheciam porque a história era passada de pai para filho como uma tradição. Napoleão sempre falava que a verdadeira felicidade estava em trabalhar arduamente, sendo que o próprio jamais soube o que era trabalhar. A granja era rica, mas nenhum animal jamais ficou próspero. Eram todos igualmente miseráveis, com exceção dos porcos e cachorros, pois estes faziam parte da camada privilegiada.

Chegou o dia em que os porcos aprenderam a andar sobre duas pernas e as ovelhas (massa de manobra) trataram de cantar bem alto: “Quatro patas é bom, duas pernas melhor ainda”. Napoleão agora trazia em sua mão um chicote. Os porcos agora tinham assinatura de revistas e jornais, telefone instalado. Napoleão fora visto com um cachimbo na mão.

Lindo o casaco da Adidas que Fidel Castro está usando.
Fidel pôde tomar sua Coca-Cola. Hoje ela é importada via México e só é disponível nos restaurantes da capital Havana, ou em lojas exclusivas para estrangeiros onde não é necessário apresentar o cartão de racionamento. Para o cidadão comum, sobra a alternativa nacional, a TuKola.

Ao longo do livro observa-se que os porcos modificam os mandamentos do animalismo conforme suas necessidades. Houve uma noite em que acontece uma festa dentro da fazenda, na qual os porcos estavam confraternizando com os seus “inimigos”, os humanos, e estavam bastante a vontade com isso, afinal, eles não se achavam diferentes deles.

Agora tirem suas próprias conclusões:

Seriam mesmo realmente os porcos capitalistas???

Parte 1

Parte 2