Entrevista com Marcelo Mota Ribeiro, representante do CONS

Entrevista realizada em 16 de junho de 2013. Por motivos de estilo e legibilidade, esta entrevista foi editada. Para lê-la no formato original de perguntas e respostas, clique aqui.

Marcelo Mota Ribeiro.

Nosso entrevistado, Marcelo Mota Ribeiro, é mineiro de Muriaé e tem 33 anos. É graduado em Análise e Desenvolvimento de Sistemas, trabalha há dez anos na área de TI como Desenvolvedor de Software em Belo Horizonte, cidade onde atualmente reside. É graduando em Direito pela UNA/BH, onde presidiu o Diretório Acadêmico Mirtes de Campos. Filiado ao PFL, posteriormente ao Democratas, foi Presidente Municipal e Vice-Presidente Estadual da Juventude do partido em seu Estado, onde coordenou diversas campanhas eleitorais. É o atual coordenador nacional do CONS.

O CONS é um movimento espontâneo que surgiu em meados de 2009, quando diversos indivíduos declaradamente conservadores passaram a se reunir na rede social do Orkut assumindo este acrônimo como uma identidade mútua.

Atualmente participam de um grupo de discussão que reúne mais de duas mil pessoas, embora em seu cadastro oficial – lançado recentemente – constem trezentos registros de membros apoiadores dispostos a trabalhar diretamente na causa. Seu coordenador nacional, Marcelo Mota Ribeiro, considera que o movimento ainda está em uma fase embrionária de concepção e maturação. Apesar do senso de urgência, aponta que o movimento privilegia a solidificação de seus pilares em detrimento de agir com pressa para ver as coisas acontecerem o que, segundo ele, foi a causa do fracasso de muitas outras iniciativas de direita.

Segundo Marcelo, é impreciso apontar uma data precisa da fundação do movimento. Os membros do CONS pretendem realizar, com previsão para 31 de março de 2014, o seu primeiro Encontro Nacional para oficializar a fundação.

Quais são as ideias e os objetivos do CONS?

As ideias do grupo podem ser melhor conhecidas no seu site, indicado ao final deste artigo. Elas estão agrupadas hierarquicamente em três níveis: elementares, fundamentais e políticas. O nível mais baixo agrupa os fins, enquanto os outros agrupam os princípios e os meios.

No primeiro nível, elementar, advogam a proteção de valores inalienáveis como a vida, a liberdade religiosa, a autonomia da família e a dignidade da pessoa humana. No plano fundamental, a liberdade e a propriedade. Por fim, no nível político, a segurança jurídica, o império das leis e a limitação da intervenção governamental na vida social, cultural e política.

O objetivo do movimento é levar pessoas conservadoras a assumir uma identidade política, uma marca, que seria o CONS. Segundo Marcelo, os conservadores brasileiros estão alheios à militância em defesa de suas ideias e de seus valores, e a ausência desta identidade dificulta uma interação colaborativa que permita uma atuação organizada.

Quais são as figuras inspiradoras do CONS? O que leem os conservadores?
O CONS é um grupo heterogêneo. Pessoas de diferentes vertentes que bebem de diferentes fontes, embora comunguem de ideias fundamentais que são comunitárias.

Influências nacionais na filosofia conservadora: Olavo de Carvalho, Plínio Corrêa de Oliveira e Mário Ferreira dos Santos.

Marcelo fala apenas por si quando afirma que muito aprendeu com a leitura dos apontamentos de Olavo de Carvalho, embora este autor seja notável influência para grande parte dos conservadores brasileiros. No âmbito nacional, Marcelo adiciona as influências de Plínio Corrêa de Oliveira e Mário Ferreira dos Santos, dentre outros. Pensadores conservadores de fora do Brasil incluem Thomas Hobbes, Edmund Burke e Russel Kirk e, no campo econômico, Milton Friedman, Ludwig von Mises e Friedrich A. Hayek, os quais Marcelo considera leituras fundamentais.

Influências internacionais na filosofia conservadora: Thomas Hobbes, Edmund Burke e Russel Kirk.

Outras figuras em atividade que inspiram o movimento com suas críticas políticas são Bruno Garschagen, João Pereira Coutinho, Luiz Felipe Pondé, Roger Scruton e outros articulistas. No campo político, personalidades do século XX como Winston Churchill, Ronald Reagan, Margaret Thatcher e Carlos Lacerda também servem de inspiração.

Quais são os símbolos e cores dos conservadores no Brasil?

Uma marca, representada por uma Harpia, águia típica do norte do Brasil, combinada em círculo de fundo azul com as estrelas que representam nossos Estados. As cores, derivadas da bandeira nacional, são o azul, o amarelo e o branco.

Como o CONS pode fazer do Brasil um país melhor?

Objetivamente: contribuindo com ações que permitam o fortalecimento do pensamento conservador, na esfera cultural e no plano político. Os conservadores entendem que o equilíbrio entre forças progressistas e conservadoras é requisito essencial para uma sociedade prosperar. A preponderância de uma delas leva a um sistema “manco”, sem sensatez e ponderação nas decisões econômicas e políticas.

Acreditam que toda sociedade próspera se funda em uma base de valores bem definida, com conceito claro do que é certo e do que é errado, semeando, assim, entre seus membros, o interesse em uma colaboração pacífica, em atitudes propositivas e construtivas que, independente de arranjos políticos e ideológicos, acabam por ensejar o desenvolvimento intelectual e material enquanto nação, pois os participantes se consideram mutuamente como partes de um mesmo fim.

O Brasil, infelizmente, ainda não construiu essa base de valores e por isso tem um sistema cultural e político débil, que não nos permite identificar de forma clara e real qual é a “nossa” identidade, qual é o norte que estamos a seguir.
Vivemos, não como uma nação mas, como um bando de pessoas de diferentes “nações”, vendo-nos como concorrentes, passando uns por cima de outros, sempre quando há uma chance. Não definimos, por exemplo, se o “jeitinho brasileiro” é atitude desonesta ou mérito. Não sabemos se elogiamos alguém que cria riqueza, ou se o chamamos de explorador. E, é dessa confusão que originam-se todos os demais problemas, como os relacionados à corrupção, à violência e à falta de desenvolvimento econômico. O discurso político atual, todavia, só trata da superfície e não ataca os problemas que existem na base. Por isso nada funciona, porque não é edificado sobre uma sustentação sólida e aderente ao que desejam as pessoas.

Precisamos de políticos menos proselitistas e que trabalhem mais pela construção de uma nação do que de uma carreira pessoal que só vise vencer eleições. Criando um movimento conservador, acreditam oferecer, em um futuro breve, esse tipo de agente cultural e político, que servirá de exemplo para que outras pessoas sigam o mesmo caminho e aceleremos assim a edificação desse necessário sentimento de nação, de forma livre e espontânea, de baixo para cima, do povo para o Estado, não vice-versa como se tem tentado há quinhentos anos.


Acesse o site do CONS: 
www.conservadores.com.br

Site dos articulistas mencionados no artigo:

Olavo de Carvalho;
Plínio Corrêa de Oliveira;
Bruno Garschagen;
João Pereira Coutinho;
Luiz Felipe Pondé;
Roger Scruton (em inglês).


Leia também:

Sugestão: Rede Social do CONS

Aos amigos que se identificam com a causa conservadora, deixo aqui sugerido o cadastro na rede social do CONS Brasil. Clique na imagem para acessar a rede:

Convite aos conservadores

Olá, leitores. Estou passando para fazer um comunicado.
A equipe do CONS está convidando autores a colaborar com o blog do CONS, enviando artigos relacionados à temática do blog.

Se você tem experiência com blogs, gosta de escrever ou traduzir artigos e está interessado em colaborar com a equipe do CONS, mande um e-mail para consbr@ymail.com.

Uma nova cara para a política brasileira

A política brasileira, de um certo modo, está viciada. Os partidos concorrem entre si para ver qual é o mais progressista, qual o mais assistencialista e qual vai aderir mais rápido à agenda da ONU. Nosso espectro político começa na extrema-esquerda e, com exceção de um partido de expressão (Democratas), termina na centro-esquerda. Partido Conservador não temos desde que Vargas o aboliu em 1930. Os poucos partidos que tem “liberal”, “cristão” ou “republicano” no nome são pouco expressivos na defesa dos princípios que deveriam guiá-los ou tem pouca força para manifestar a opinião do seu eleitorado.

Em nossas eleições para Presidência em 2010, nada mais nada menos que 26,76%  dos brasileiros – somadas abstenções, votos brancos e nulos – não escolheu candidato algum. Ou seja, um quarto dos brasileiros simplesmente não decidiu quem estaria na presidência. Isto é um claro indicador de que há espaço na nossa política a ser preenchido. Significa que há anseios do povo que não estão sendo atendidos pelos partidos encardidos que temos hoje.

Mas esta situação pode mudar. Nada mais nada menos que 20 novos partidos buscam seu registro junto ao TSE, e diversos movimentos políticos não-partidários tem surgido no Brasil, também, para fazer ouvir as demandas do cidadão.

Meu objetivo hoje é mostrar para vocês quais são os grupos, movimentos e partidos mais promissores para mudar a cara da nossa política.
São eles:

Conservadores (CONS)

Criado há cerca de dois anos, tem como propósito difundir e estudar as idéias políticas e sociais alinhadas com o conservadorismo.

Por que é promissor?

O cidadão brasileiro tem se mostrado cada vez mais receptivo aos ideais conservadores. Isso fica bastante claro nas manifestações públicas contra o aborto, a corrupção, a doutrinação política nas escolas, o racismo institucional e as tentativas por parte dos partidos no governo de criminalizar e censurar as opiniões dos cidadãos cristãos em geral. Esta tendência indica não só um amadurecimento do brasileiro com relação à política como também um renascimento da direita política democrática brasileira.

Partido Federalista (PF)

Fundado em 7 de setembro de 1998, e tem por objetivo aumentar a autonomia administrativa, legislativa, judiciária e tributária das Unidades Federativas brasileiras.

Seu símbolo é uma árvore estilizada com as cores da bandeira nacional – verde, amarelo e azul. Seu lema é “Autonomia é o Caminho”.

Por que é promissor?
Considerando a extensão do território nacional, a diversidade histórico-cultural de cada região e a sua divisão administrativa, a descentralização é a melhor alternativa para a gestão eficiente. O Partido Federalista busca resgatar o federalismo brasileiro – tão castigado por períodos de intensa centralização como a Era Vargas e o Regime Militar – e dar mais autonomia para os estados da União.

Libertários (LIBER)
Fundado em junho de 2009, visa difundir os preceitos do Libertarianismo, doutrina filosófica baseada nos princípios da não agressão e da auto-propriedade.

Por que é promissor?
O Libertarianismo defende a maximização das liberdades individuais, devolvendo às pessoas o direito de determinar a condução de suas vidas e de realizar suas escolhas de acordo com suas próprias consciências, desde que sem iniciar agressão contra terceiros, possibilitando, assim, o pleno desenvolvimento de suas capacidades e felicidade. O Libertarianismo abomina qualquer intervenção violenta na vida e nas escolhas das pessoas, seja ela promovida por outros indivíduos ou por grupos. Ou seja, é um grupo que defende os direitos e liberdades individuais, repudia o assistencialismo, a burocracia e a intervenção e centralização da Economia.

Partido Pirata (PPBr)
O Partido Pirata é um movimento que surgiu no Brasil no final de 2007 a partir da rede Internacional de Partidos Piratas, organização pela defesa ao acesso à informação, o compartilhamento do conhecimento, a transparência na gestão pública e a privacidade – direitos fundamentais que são ameaçados constantemente pelos governos e corporações para controlar e monitorar os cidadãos.

Por que é promissor?
O Partido Pirata tem como um dos seus principais motivos de ser a total revisão dos direitos autorais e da propriedade intelectual. O que ele promete é a desregulamentação das atividades de compartilhamento de arquivos na internet, a promoção de políticas de inclusão digital, a adoção dos softwares livres nas instituições públicas, o investimento em tecnologia voltada para a educação, e a defesa radical da privacidade do cidadão brasileiro.