Ditaduras e guerrilhas socialistas geram instabilidade e ameaça de guerra na América do Sul

O agravamento da crise econômica e social venezuelana gerou uma crise humanitária na fronteira entre o país e seu vizinho, a Colômbia. A Colômbia é o país que mais acolhe imigrantes venezuelanos, que fogem do seu país de origem cruzando a fronteira por terra. Atualmente o número de venezuelanos no país vizinho supera os 450.000. Boa parte dos venezuelanos, na prática, emigra em condição de refugiado. Para o ressentido governo socialista da Venezuela, porém, o país vizinho é o seu inimigo ideológico número um. Recentemente, devido ao aumento de fluxo de imigrantes, a Colômbia resolveu adotar medidas migratórias mais estritas.

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Mas a relação entre os dois países já está amargada há um bom tempo. Ao longo dos últimos anos, a Venezuela vem repetidamente violando a fronteira e realizando incursões e reconhecimentos militares em território colombiano por terra e ar, desrespeitando a soberania do vizinho. Em agosto de 2015, o ditador venezuelano mandou demolir casas de colombianos que habitavam o “seu” lado da fronteira, forçando mais de mil e setecentas pessoas a retornar à Colômbia com uma mão na frente e outra atrás. E mesmo após esta série de desaforos militares e diplomáticos, nesta última terça-feira dia 13 de fevereiro o fiscal geral da Venezuela, Tarek William Saab, em um discurso inflamado e caricato a la Hitler, acusou a Colômbia de estar planejando invadir o seu país. Ao que tudo indica, é o contrário: a Venezuela é que está ensaiando um conflito com o país vizinho, e já provou o terreno vários vezes. É a desculpa perfeita para um “ataque preventivo”.

Além de ter de lidar com a ditadura do troglodita Nicolás Maduro, a Colômbia ainda precisa lidar com outras duas ameaças militares: a interna do ELN, grupo terrorista que domina parte do seu território; e a externa da Nicarágua que está de olho no arquipélago de San Andrés e certamente aproveitaria um conflito na região para se apoderar das ilhas. Ao que parece, a “revolução bolivariana” e seus aliados pretendem derramar ainda mais sangue na região.


ADENDO:

Lista incompleta de abusos militares e diplomáticos recentes da Venezuela contra a Colômbia:

2014
Outubro – Guarda Nacional da Venezuela invade território colombiano
Novembro – Nova incursão da Guarda Venezuelana em território colombiano

2015
Agosto – Venezuela demole casas e desaloja milhares de colombianos à força
Setembro – Aeronaves venezuelanas invadem o espaço aéreo colombiano

2016
Abril – Outra invasão da Guarda Nacional Bolivariana à Colômbia

2017
Março – Mais tropas venezuelanas invadem território colombiano
Novembro – Confirmada nova incursão militar venezuelana na Colômbia
Dezembro – Ministério de Relações Exteriores da Colômbia investiga incursão militar venezuelana

2018
Fevereiro – Fiscal geral da Venezuela acusa a Colômbia de planejar uma invasão

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Colômbia a um passo de por fim a 58 anos de guerra

O governo colombiano anunciou ontem (23 de junho de 2016) que chegou a um acordo sobre o desarmamento e desmobilização militar das FARC (Forças Armadas Revolucionárias de Colômbia) após 3 anos de diálogos mediados por Cuba e Venezuela. A medida representa um importante passo no processo de paz.

Proceso de Paz Colombia

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A esquerda e a derrota

O raciocínio de esquerda a respeito da derrota é similar em todos os campos em que há vencedores e perdedores. A estrutura lógica do pensamento é a seguinte: se alguém, principalmente se for mais fraco, perde, a culpa não é dele. De quem é? Do capitalismo, da sociedade, enfim, de qualquer terceiro, nunca daquele perdeu.

O Partido da Causa Operária, por meio do jornal Causa Operária, após a humilhante derrota da seleção brasileira na Copa do Mundo de 2014 para a Alemanha por um placar histórico, publicou um artigo sobre a partida. Não é de se surpreender que ele está situado na mesma estrutura de raciocínio acima.

De acordo com o artigo, escrito pelo candidato à presidência do Brasil nas eleições de 2014 e presidente do PCO Rui Costa Pimenta, a derrota veio muito antes do início da partida. A derrota da seleção brasileira foi o resultado das ações da “direita nacional, dos monopólios capitalistas, da imprensa” e até mesmo de outros setores da própria esquerda, numa disputa entre semelhantes ideológicos que muita se assemelha (só que mais amigável) ao embate entre Josef Stalin e Leon Trotsky após a morte de Vladimir Lenin na União Soviética, que terminou com a vitória de Stalin, e com Trotsky sendo expurgado da ex-URSS e posteriormente assassinado no México.

O artigo continua como é de praxe no futebol entre aqueles que não conseguem assumir a derrota por incompetência, ou seja, atribuindo a culpa à arbitragem. De fato, por vezes a arbitragem influencia sim no resultado final, mas não em um massacre desse nível. A seleção, “que não pode ser culpada por nada”, teve que lutar “contra todos os juízes e tramoias obscuras” sem o seu melhor jogador, igual ao povo brasileiro, e aí surgem os apelos emotivos característicos.

Já outro artigo, publicado logo após a derrota, esbanja a caricatura do argumento. De qualidade argumentativa inferior, tanto por conhecimento sociopolítico quanto por até mesmo do próprio futebol, descreve com um ufanismo inicial que a seleção brasileira jogava melhor que a alemã até sofrer o primeiro gol, e que poderia dominar um jogo contra uma seleção que possui alguns dos melhores jogadores do mundo com facilidade. Mas o Brasil jogava desfalcado, sem seu capitão Thiago Silva – como se a ausência de um único jogador entre 11 fosse suficiente para desestabilizar um time que dominaria com facilidade. O capitão foi, segundo o autor, suspenso “coincidentemente” no jogo contra a seleção colombiana, num lance em que atrapalhou o goleiro colombiano enquanto o mesmo mantinha a posse de bola e iria fazer a reposição, e já que “a regra é clara”, se trata de uma infração a ser punida com cartão amarelo, que tirou o jogador da semifinal.

No mesmo jogo, o Brasil perdeu Neymar, o craque do time, num lance em que o árbitro não marcou falta pois aplicou a lei da vantagem, errando apenas em não advertir o jogador posteriormente – como se dar cartão ao jogador fosse trazer o Neymar de volta da lesão. Todavia, novamente segundo o autor, Brasil foi altamente prejudicado nisso, algo que colocaria a participação país em risco – como se a própria seleção brasileira não tivesse ganho a Copa do Mundo de 1962 após perder o gênio Pelé também por lesão logo no segundo jogo e como se a Alemanha não estivesse perdendo vários jogadores para a disputa do mundial meses antes da disputa.

Aqueles que julgam que a Alemanha, país tradicionalíssimo no futebol e com jogadores titulares entre os melhores clubes do mundo, possui melhor seleção não é porque realizaram um trabalho recente mais sério em relação ao esporte do que o Brasil. Não, é superior pois existe um sentimento da época nazista da superioridade germânica, algo que a classe média coxinha (termo que se popularizou entre a esquerda recentemente) aceitou. Aliás, a classe média coxinha é aquela que não supostamente não apoiava o time, e o belo canto do hino brasileiro antes dos jogos, por exemplo, deve ser pura ilusão.

Já no que diz respeito à economia da Alemanha, a mesma é, segundo o mesmo raciocínio vitimista, a responsável por milhões de mortes por fome na Europa e no mundo todo. Sobre a Europa, é algo completamente em desacordo com a realidade. Talvez a fonte da informação seja uma declaração de Vigdís Hauksdóttir, islandesa do Partido Progressista islandês, que afirmou que a Europa sofre de fome atualmente e que Malta não é um país. Vigdís foi criticada por Sigríður Víðis Jónsdóttir, diretora de comunicações da UNICEF na Islândia, pelo uso trivial e irresponsável da palavra fome. Também afirmou que, estatisticamente falando, se realmente esse fosse o cenário, com o tamanho da atual população europeia, aproximadamente dez mil pessoas estariam morrendo todos os dias em cidades como Roma, Atenas e Madrid, o que de fato não prossegue.

De qualquer forma, o que faz a Alemanha com o seu maldoso programa de austeridade, que causa fome em terceiros? Tenta manter as contas públicas em ordem, sem gastar muito e sem usurpar muitos recursos do setor produtivo da sociedade por meio de altos impostos, preza por produtividade caso queira mais salários e produção, e qualquer outra coisa economicamente sensata. Aliás, a austeridade alemã não é tão resistente quanto a suíça ou a báltica, mas está muito distante das insanidades cometidas por Reino UnidoEspanha, Grécia, França e outros países da União Europeia. Mais detalhes de austeridade na Europa e suas consequências neste link.

Na mentalidade vitimista, países que passam por dificuldades econômicas são vítimas. Antes, apenas dos Estados Unidos imperialista neoliberal “e insira aqui mais alguns termos pejorativos”, mas agora a Alemanha se tornou o mais novo alvo, principalmente no contexto europeu. Esses países mais pobres não passam por dificuldades pois em alguns momentos no passado erraram e esses erros refletem na atualidade, passam por dificuldades pois terceiros impuseram essa realidade. Se você não faz o certo e erra a culpa não é sua, é dos Estados Unidos. Ou, nos casos mais recentes, da Alemanha.

Aliança do Pacífico pronta para decolar

Enquanto o Mercosul e a Unasul seguem patinando, com seus maiores membros desperdiçando recursos  humanos, naturais e financeiros em políticas do tempo da União Soviética, a Aliança do Pacífico, com menos de 2 (dois) anos de existência já está mostrando a que veio.

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Na VII Cúpula da Aliança do Pacífico, realizada em Cali (Colômbia), foi aprovada uma série de medidas que o Mercosul não logrou aprovar em praticamente duas décadas:

1. As linhas gerais para adesão de novos países e formação de um grupo de trabalho para garantir que a Costa Rica cumpra os procedimentos e seja o primeiro país observador a integrar o bloco.

2. O ingresso de sete novos países observadores: Equador, El Salvador, França, Honduras, Paraguai, Portugal e República Dominicana.

3. Embaixadas conjuntas entre os membros em Gana e Singapura.

4. Ampliação dos escritórios conjuntos de promoção comercial.

5. Exoneração, por parte do Peru, do visto de negócios para países membros da Aliança.

6. Criação do “Visto Aliança do Pacífico” que permitirá a turistas estrangeiros ingressar em qualquer país da Aliança com um único visto.

7. Criação de um fundo para promover os quatro países como destino turístico.

8. Instruções para reduzir os impostos de importação entre os países e zerar a taxa para pelo menos 50% dos bens que ingressam neles.

9. Encerramento da negociação sobre facilitação de comércio e cooperação alfandegária, reduzindo custos e trâmites e aumentando a segurança.

10. Avanço no compromisso de reduzir barreiras sanitárias, fitosanitárias e regulatórias, o que gerará novas oportunidades entre os países e facilitará o movimento de bens e serviços.

11. Em matéria de serviços e capitais serão concluídas as negociações de proteção aos investimentos e a promoção de serviços, incluindo os serviços financeiros, de telecomunicações e de transporte marítimo e aéreo.

12. O compromisso de todos os membros com a transparência fiscal.

13. O estabelecimento de um Fundo de Cooperação.

14. A consolidação de uma rede de pesquisa científica sobre mudanças climáticas.

15. Será realizado em Cali o primeiro macrocircuito de negócios, de 19 a 20 de junho deste ano.

16. Estabeleceu-se o diálogo com o Conselho Empresarial.

Como podemos ver, enquanto Argentina, Brasil e Venezuela (os três maiores membros do Mercosul) ficam brincando de violar propriedades, controlar preços, maquiar estatísticas e sustentar ditaduras jurássicas, Chile, Colômbia, México e Peru parecem pavimentar o caminho do futuro na América Latina. Fazia falta neste continente uma zona de livre comércio mais preocupada com livre comércio do que com a manutenção do poder nas mãos de ditadores personalistas e partidos populistas.

FONTE: Decisiones de la VII Cumbre de la Alianza del Pacífico.

Impressões da Colômbia

Nos últimos três meses estive um pouco distante do blog porque estava fora do Brasil. Desde maio até agosto estive na Colômbia. Em Bogotá, na maior parte do tempo, e visitando a cidade vizinha de Zipaquirá e também a região dos llanos (“pampas”) em Meta passando pelas cidades de Villavicencio, San Martín de los Llanos, Granada e San Juan de Arama. Descreverei aqui algumas das minhas impressões sobre o país e as regiões que visitei.

As pessoas

Aparência física
Os colombianos em geral tem uma aparência agradável que harmoniza traços europeus e ameríndios ou negros, tal e qual os brasileiros. Em geral nota-se a ancestralidade ameríndia no formato dos narizes e no formato do rosto, com queixo proeminente. É claro, há exceções, como pessoas negras ou ruivas. A mescla de asiáticos (japoneses, chineses) parece bastante rara.

A dentição da gente em geral é bem constituída e bonita, ao contrário de certos países mais ao sul que não citarei para não ofender amigos meus. As mulheres colombianas também são lindas, especialmente para quem gosta de morenas. Dizem que as “paisas” (antioquenhas, da região chamada Antioquia) são as mais bonitas do país (o equivalente das gaúchas no contexto brasileiro) mas não tive a oportunidade de comparar pra ter certeza. Estava contente com a minha bogotana.

Comportamento
Apesar dos bogotanos terem fama de ser pessoas frias com relação aos outros colombianos, fui muito bem recebido e em nenhum momento de minha estada na cidade de Bogotá fui maltratado nem por homem, nem por mulher, nem por criança, nem por adolescente, etc.

O que se nota, isto sim, é que em se tratando de lutar por um espaço dentro do transporte público da cidade (o Transmilenio), ser esmagado e levar empurrões parece algo implícito no contrato social para andar no “transmilleno” (“lleno” = cheio, lotado). Com respeito a este aspecto, os portoalegrenses parecem bem mais educados e ordenados para usufruir de um transporte público desordenado e os bogotanos desordenados demais para o seu avançado Transmilenio.

O modo de tratar as pessoas, pelo menos verbalmente, é bastante cortês. Na Colômbia é comum ouvir expressões que para o restante do mundo hispanófono já são obsoletas, desusadas e bregas como “su merced”, “con mucho gusto”, “a la orden”, “para servirle”, “que pena con usted”, etc. É hábito agradecer pela comida, seja a preparada pela mãe seja a preparada em um restaurante. Em galeterias (“surtidoras de aves”, “broasters”) não é descortês comer com as mãos. É descortês estender a roupa fora de casa: ela é estendida dentro de uma área de serviço. As pessoas tem o hábito de esperar que um assento recém desocupado no ônibus esfrie antes de sentar-se nele, não raramente “flutuando” sobre ele de um modo que para nós brasileiros parece bastante engraçado.

A comida

Para quem vem de uma região onde o consumo de carne assada é grande e praticamente parte da vida social (Argentina, Uruguai, Rio Grande do Sul), adaptar-se aos padrões de consumo de carne na Colômbia pode ser um tanto difícil. A carne mais consumida em Bogotá é a de frango e as galeterias são o estabelecimento comercial do setor alimentício mais abundantes na cidade, superando largamente os “asaderos” e “piqueteaderos”. A quantidade de carne bovina que se consome, portanto, é bem menor.

Outro aspecto que se nota de imediato é que os colombianos consomem muito carboidrato: em um único prato mesclar arroz, massa, batata, aipim (mandioca), plátano e arepa (um tipo de tapioca de milho) não parece absurdo como é para um brasileiro. São parte da dieta coisas não muito comuns para um brasileiro do sul: plátano e abacate salgado. As sopas são muito mais encorpadas do que as que estamos acostumados no Brasil e levam pedaços grandes de batata (quando não inteiras), milho, plátano e carne (costelas com osso e tudo).

Da esquerda para a direita: o ajiaco, o tamal e a bandeja paisa.

Recomendo que se prove o ajiaco, o tamal, a bandeija paisa, o cozido boiacense, a lechona e o ceviche. O ajiaco é uma sopa típica de Bogotá que leva carne de frango, três (3) tipos diferentes de batata (“criolla”, “pastusa” e “sabanera”), milho, alcaparras e guasca (picão branco ou botão de ouro no Brasil).

O tamal é uma massa de consistência mais ou menos gelatinosa feita a partir de milho e recheada com carne de frango, porco, toucinho, cebola, cenoura, milho e ervilha, tudo isto envolvido em folhas de plátano (igual a folha da bananeira).

A bandeija paisa é uma bomba calórica que parece uma a la minuta com esteróides: leva arroz, feijão antioquenho, chorizo (tipo de linguiça), ovo frito, carne moída e torresmo, tudo isto acompanhado, claro, de arepa e abacate.

O cocido boiacense também é uma grande mescla de ingredientes, todos cozidos em um mesmo molho (salsa criolla): carnes de porco, frango e gado, batatas, ervilhas, habas, milho, cubios, hibias, chuguas.

A lechona nada mais é que um leitão assado desfiado e mesclado com ervilhas, batatas, cebola e arroz, tudo isso com a pele do animal crocante e em seu formato original (ver foto).

O ceviche é um prato preparado a base de peixe ou camarão cozidos a frio em uma mistura ácida e cítrica que além de ser deliciosa deixa uma sensação de refrescância. É melhor que sushi: prove.

Da esquerda para a direita: cocido boyacense, lechona e ceviche.

O molho típico colombiano é a “salsa criolla” que acompanha muito bem a carne de frango e o grão-de-bico. Outro molho bastante exótico é o “suero costeño”, feito a base do queijo costenho e mesclando o azedo do queijo com o picante da pimenta.

Da esquerda para a direita: arepas, pan de arroz e achiras.

Por fim não se podem menosprezar as arepas, tão presentes no dia-a-dia colombiano, e que vem nas mais variadas formas e recheios quando vendidas nas ruas ou feitas em casa. Há pra todo gosto: com carne, com ovo, com queijo, com presunto, com frango, etc. Aliás, a comida de rua bogotana é muito variada e se pode comprar desde arepas e chorizos até pizzas passando por aveia em leite e a famosa lechona. Também se deve experimentar biscoitos típicos como as achiras e o pan de arroz.

A paisagem

Bogotá é uma cidade andina e por onde quer que você vá será agraciado com a visão de lindas montanhas. No centro e no bairro de La Candelaria se pode apreciar a beleza arquitetônica colonial e neoclássica. A fusão da madeira com a arquitetura em pedra e tijolo é algo bonito de se ver e que só é possível onde a umidade é baixa o suficiente para não danificar estas estruturas. Também há parques bem arborizados como o Simón Bolívar e o Mirador de Suba para quem gosta de apreciar a natureza. Vistas panorâmicas de tirar o fôlego podem ser obtidas em Monserrate e a partir do edifício Colpatria, o mais alto da cidade.

Uma vista de Monserrate.

Por outro lado, no departamento de Meta temos os “llanos”, ou seja, os campos planos próprios para a criação de gado. Aí também se pode apreciar a beleza do campo, mata nativa, lagoas e animais típicos americanos como o quero-quero, o tatu e o gavião.

O clima

Na região dos andes o clima é de montanha. Na média, a temperatura é mais baixa do que as que estamos acostumados no sul do Brasil mas nunca atinge os extremos de frio ou calor que experimentamos. Dificilmente a temperatura baixa dos 15 graus ou sobe acima dos 25 graus. No entanto, há uma oscilação de temperatura muito imprevisível ao longo do dia porque se há uma nuvem sobre a sua região então estará frio e pode chover, mas se não estiver então o sol chegará picante. Em Bogotá deve-se usar protetor solar e cachecol ao mesmo tempo, e ainda sair com guarda-chuva só para garantir.

Em Meta a coisa é diferente. Aí é “tierra caliente” e o clima faz juz ao nome pois é quente mesmo, como nos verões do Brasil. O “mormaço” chega a ser sufocante à noite e pode ser bastante incômodo na hora de dormir.

A Cultura
A Colômbia é bastante rica culturalmente e, como o Brasil, tem particularidades regionais que valem a pena presenciar. Em Medellin existe um festival das flores, em Barranquilla um animado carnaval. Seria impossível numerar as danças típicas de todo o país, mas me chamou atenção o joropo que é típico dos llanos e tem alguns traços similares com as danças gaúchas. A salsa também é bastante popular e em Cali se realiza um festival de grande importância mundial.

Com relação às artes visuais o artista mais famoso da Colômbia é Fernando Botero, conhecido pelos retratos rechonchudos da realidade seja nas pinturas ou nas esculturas. Por toda Bogotá também se apreciam grafites belos e coloridos, principalmente nas grandes avenidas.

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Algumas manifestações culturais colombianas: a Feria de las Flores em Medellín, o Carnaval de Barranquilla e a Salsa Caleña.

O colombiano também me parece bem mais musical: ouve-se música em todo lugar. Nas lojas, os vendedores não se importam de adicionar seu toque musical pessoal. Os motoristas de ônibus também não se incomodam de submeter todos os passageiros a sessões de salsa, merengue ou vallenato. Menos raro ainda é que músicos “freelancers” subam nos ônibus para fazer mini-shows de rap, reggae ou música popular, o que não parece incomodar os passageiros.

Os estilos musicais mais populares são o reggaeton (equivalente latino do funk carioca), a salsa, o merengue e o vallenato.

Economia e Burocracia

A moeda colombiana é o peso colombiano, manejado normalmente em unidades de milhar (mil pesos seriam como um real e cem pesos seriam como dez centavos). O preço das coisas não costuma ser absurdamente caro como no Brasil. O combustível é mais barato, o estacionamento é mais barato, o serviço de transporte público é mais barato, o táxi é mais barato, a comida é mais barata e mesmo alguns eletrônicos são mais baratos. Há uma gama de produtos e serviços que estão disponíveis ali que não existem em muitas cidades brasileiras: caixas automáticos por todo lugar, lavadores de roupa, “bicitáxi”, oxigênio a domicílio, serviço de gás encanado, recarga telefônica em qualquer “camelô”.

A situação, no entanto, não é tão favorável para quem ganha um salário de colombiano que, além de não ser muito mais alto que o nosso, não é acompanhado de benefícios como o subsídio total de transporte ou vale-alimentação. Outro aspecto interessante de notar são as marcas nacionais de peso, como a rede de supermercados Éxito, os refrigerantes Postobon e Colombiana, a bebida malteada Pony Malta, os hambúrgueres El Corral, a cafeteria Juan Valdéz, os sorvetes CremHelado e BonIce, as mochilas Totto, as cervejas Águila e Poker e as marcas de roupa Patprimo e Arturo Calle.

O problema da Colômbia é a burocracia. São chatos para deixar você entrar e cobram (70 mil pesos) pra deixar você sair. Conseguir um visto de trabalho e cédula de identidade é um processo que custa centenas de milhares de pesos, meses de espera e incomodação. Desisti antes de tentar porque já sabia que não caberia no meu orçamento: tentarei na próxima vez.

Política

Na Colômbia, Política é coisa séria e dá morte. Diferente do Brasil, partidos fisiológicos são coisas recentes por aqui: na maior parte da história do país a política foi bipartidária (Conservador e Liberal eram os dois partidos legais) e a oposição de um partido ao outro sempre foi violenta, levanto muitas vezes ao estado de guerra civil. O lema da República Colombiana é o amálgama dos lemas dos dois partidos: Libertad y Orden (Liberdade e Ordem).

As bandeiras dos dois principais partidos históricos ainda em atividade na Colômbia: liberal e conservador.

Assim como nos EUA e na Inglaterra, o partido liberal colombiano foi virando à esquerda paulatinamente ao longo da sua História até chegar a um estado atual em que sua agenda política não tem nada de liberal além do nome. Portanto aqui, como nos EUA e na Inglaterra, o termo “liberal” pode ser interpretado como sinônimo de um esquerdista genérico. A Colômbia também é o único país da América Latina que ainda tem um Partido Conservador ativo, além de outros partidos de direita e centro-direita atuantes como o Partido Social de Unidad Nacional, o Partido de Integración Nacional e o Partido Cambio Radical. O atual presidente, Juan Manuel Santos, é do Partido Social de Unidad Nacional e é considerado um continuador do “uribismo”, ou seja, a política do ex-presidente Álvaro Uribe Vélez do Partido Primero Colombia também de centro-direita.

Conclusão
A Colômbia é um país muito rico em atrações turísticas, tem um povo cativante e seguramente agrada visitantes de gostos variados. Sua Economia vem despontando como uma das maiores da América do Sul e sua participação na Aliança do Pacífico e no tratado de livre-comércio com os EUA prometem acelerar o seu desenvolvimento e criar novas oportunidades de trabalho e investimento, apesar de sua burocracia ainda ser um entrave significativo. Se você quer fazer uma viagem enriquecedora a algum país latino-americano e está indeciso sobre aonde ir, a Colômbia é certamente uma ótima opção.


Leia também:

América Latina: Projetos e Projeções

Uma maior integração entre os mercados latinoamericanos passará, necessariamente, por importantes reformas nas estruturas viárias de seus países. Para que bens transitem livre e eficientemente, são necessárias rodovias, ferrovias e hidrovias modernas e bem-conservadas, além das políticas de livre comércio.

Importantes iniciativas estão sendo tomadas neste sentido, e esperamos que elas se concretizem, e as que já estão em andamento se consolidem cada vez mais. Algumas destas importantes iniciativas são:

Aliança do Pacífico

Fundada em 2012, é um bloco comercial líder em exportações e comércio exterior de toda a América Latina visando tornar-se o maior e mais ambicioso bloco comercial da América Latina. Atualmente, o bloco representa a oitava maior economia do mundo, seus quatro países membro reunindo cerca de 40% de todo o PIB da América Latina. Segundo a Organização Mundial do Comércio, os países da Aliança do Pacífico exportaram em conjunto cerca de U$445 bilhões em 2010, quase 60% mais que o Mercosul exportou no mesmo ano.

A Aliança stá composta de quatro países latinoamericanos com costa no Oceano Pacífico: Chile, Colômbia, Peru e México. Costa Rica passará a ser o primeiro país observador a aderir à aliança como o quinto membro pleno uma vez que ratifique o Tratado de Livre Comércio com a Colômbia, assim como o Acordo Marco da Aliança do Pacífico, processo que se espera acabar em 2013. Entre os acordos para integrar a Aliança se estabelece como requisito essencial a vigência de um Estado de Direito, da democracia e da ordem constitucional.

A intenção desta aliança, segundo a Declaración de Lima é “alentar a integração regional, assim como um maior crescimento, desenvolvimento e competitividade” das economias de seus países, uma vez que se comprometeram em “avançar progressivamente ao objetivo de alcançar a livre circulação de bens, serviços, capitais e pessoas”.

Corredor Bioceânico Aconcágua

Também aproveitando o processo de globalização do Pacífico, este projeto visa conectar melhor os mercados do cone sul ao tráfego de bens por este Oceano. O meio pensado para atingir isto é a transposição da Cordilheira dos Andes através de um túnel bioceânico ligando o Atlântico Sul ao Pacífico por uma ferrovia. Atualmente, as Cordilheiras são contornadas por rotas longas e caras em termos logísticos.

Para estimar a nova demanda estudaram-se os tráficos potenciais que a nova passagem internacional pode atrair. Este projeto compreende o crescimento da demanda e a possibilidade de gerar novos tráficos. Conforme os estudos para este projeto, a demanda atingiria em 2020 os 25 milhões de toneladas de carga, e em 2040 mais de 70 milhões de toneladas, considerando que diante de maior infraestrutura logística de otimização do transporte, maior é o incremento da demanda.

Os tráficos potenciais da Argentina seriam o Chile, o Peru, o Equador, os Estados Unidos, o México, a América Central, a Oceania e o Oriente. Por outro lado, os tráficos potenciais para o Chile estariam representados pela Argentina, o Brasil, o Norte da Europa, o Mediterrâneo, a África Central e os países do Oceano Índico. Também incluíram na análise os possíveis tráficos entre o Brasil e o Oriente, pelo grande volume.

É possível chegar aos destinos antes mencionados de forma mais econômica a partir de um porto argentino que de um chileno. Portanto, qualquer tráfico com origem no Chile e cujo destino seja, por exemplo, o Brasil ou a Europa é um tráfico potencial para o CBA. Qualquer tráfico originado na Argentina e com destino ao Pacífico, como por exemplo os Estados Unidos ou os mercados do Oriente, é um potencial interessado em utilizar o Corredor Bioceânico Aconcágua.

O projeto, com estimativa de conclusão para 2020, promete os seguintes benefícios: uma conexão bioceânica comercial e estratégica confiável e de longo prazo, disponibilidade operacional o ano inteiro, crescimento de longo prazo planejado em etapas, redução de até 70% do consumo energético por tonelada de carga, transporte de caminhões e contêineres, redução do tráfico rodoviário de caminhões, menor poluição, 80% menos acidentes fatais contra cargas viárias e maior velocidade de transporte de carga (até 60% mais rápido).

Hidrovia do Mercosul

Prevista para iniciar operações em 2014, a Hidrovia do Mercosul ligando o Brasil ao Uruguai será feita através das lagoas Mirim e Dos Patos no Rio Grande do Sul. Com a dragagem do canal do Sangradouro, será possível que embarcações uruguaias tenham acesso aos portos gaúchos como os de Rio Grande e Estrela, o que também promete acelerar projetos de terminais hidroviários sendo desenvolvidos no Uruguai por empresas como a Timonsur e a Hidrovia del Este.

Ligando as lagoas Mirim e dos Patos no Estado do Rio Grande do Sul aos rios Quaraí e Uruguai, esta hidrovia pode impulsionar o comércio fluvial entre os países cortados por estes rios: Argentina, Brasil e Uruguai.

Saiba mais sobre os projetos:

Impostos, lucros e royalties: onde está o problema?

O governo britânico está com problemas em relação a suas contas públicas e, segundo a lógica governamental, a situação precisa ser revertida. Recentemente, uma nova opção surgiu: seria interessante – para o governo – aumentar receitas por meio dos lucros empresariais que são remetidos ao exterior, que são isentos de impostos e que poderiam, segundo o governo, contribuir para as receitas públicas.

Visualizando as contas públicas britânicas, é possível entender a preocupação do governo. Os números são em libras esterlinas.

PIB:
2008: 1,433 trilhão
2009: 1,393 trilhão
2010: 1,463 trilhão
2011: 1,507 trilhão

Déficit governamental (% do PIB):
2008: 72,4 bilhões (5,0%)
2009: 159,7 bilhões (11,5%)
2010: 149,2 bilhões (10,2%)
2011: 125,3 bilhões (8,3%)

Gastos públicos, em porcentagem no PIB:
2008:
 47,8%
2009: 51,5%
2010: 50,3%
2011: 49,0%

Receita governamental, em porcentagem no PIB:
2008:
 42,9%
2009: 40,1%
2010: 40,2%
2011: 40,8%

Dívida governamental (% no PIB):
2008:
 0,785 trilhão (54,8%)
2009: 0,970 trilhão (69,6%)
2010: 1,165 trilhão (79,6%)
2011: 1,292 trilhão (85,7%)

Com uma dívida já alta e crescente, é possível entender a preocupação dos representantes do governo. E é aí que começa o desespero.

A Starbucks, por exemplo, representa a nova situação. A empresa, importante no ramo de cafeterias e internet grátis, possui quase 20 mil lojas ao redor do mundo e cerca de 700 em solo britânico. Em 14 anos neste território, a empresa obteve vendas maiores que £ 3 bilhões, porém pagou £ 8,6 milhões em impostos. O número, que representa apenas cerca de 0,29% sobre o faturamento, causou indignação entre burocratas.

Isso não só ocorreu com a Starbucks. Outras empresas, como o McDonald’s e a Amazon, também estão envolvidas e tiveram executivos representando as empresas em uma audiência pública na Câmara dos Comuns, equivalente à Câmara dos Deputados no Brasil.

Como os impostos referentes ao faturamento são tão pequenos para essas empresas? O governo britânico está se tornando amigável à ideia de abolição de impostos sobre renda? Infelizmente, não. Muito pelo contrário, aliás. É justamente por altos impostos que as empresas estão adotando manobras contábeis e logísticas para contornar burocracias que apenas prejudicam a atividade empresarial.

No caso da Starbucks, foi afirmado que boa parte da receita da filial inglesa é  transferida para unidades em outros países, com o exemplo da Holanda, país mais amigável na questão de impostos sobre faturamento. Essas transferências são definidas como “royalties” e são isentas de impostos em países da região.

Mas não só de royalties a Starbucks tenta driblar a burocracia estatal. A filial britânica importa café de países como Brasil e Colômbia para a Suíça, que é mais amigável na questão tributária de importação e, então, são redirecionados para a Holanda, onde torrar café tem uma carga tributária menor. Somente depois de todo esse processo para driblar impostos o produto é transportado para o Reino Unido.

Já o representante da Amazon UK disse que existem cerca de 15 mil funcionários da empresa no Reino Unido, mas por causa de impostos, as vendas são processadas, faturadas e enviadas por uma subsidiária em Luxemburgo. O Google também deu uma explicação parecida só que envolvendo Irlanda e as ilhas Bermudas.

Margaret Hodge, presidente da Comissão de Contas Públicas do Parlamento,  disse que “não estamos acusando os senhores de atuar de forma ilegal, mas sim de ser imoral”. Além disso, alguns britânicos já estão arquitetando protestos contra as empresas, começando pela Starbucks.

Oras, qual a imoralidade? Primeiramente, as empresas estão trabalhando dentro da legalidade, como a própria burocrata afirmou. A Starbucks literalmente atravessa a Europa com produtos de sua propriedade para garantir um custo que a torne mais competitiva e que, posteriormente, traga maiores lucros.

Como vimos acima, o governo está precisando de mais recursos para bancar o enorme Estado que está inserido naquela região. Os gastos públicos representam praticamente metade da economia e a carga tributária um pouco mais de 40%. Porém, como a economia sofre para crescer, uma taxa constante de 40% não consegue fazer frente aos altíssimos gastos públicos, mesmo que estes fiquem estagnados.

O governo poderia cortar gastos e impostos. Poderia, mas como a opinião pública geralmente se posiciona contra a esse tipo de medidas, acaba se tornando algo mais difícil de ser alcançado. Então, o Reino Unido se encontra nesta situação: Estado endividado, carga tributária alta e países vizinhos – que não são lá exemplos a serem seguidos, mas pelo menos estão em situações menos degradante em alguns aspectos – se tornando mais atraentes para determinadas atividades econômicas.

No final, fica a reflexão: quem está errado e é imoral? Empresas que driblam adversidades para ofertarem seus produtos e serviços de forma lucrativa e competitiva ou governos extremamente intervencionistas que causam as adversidades?