Carro mais barato, bebida mais cara

Recentemente o governo reduziu o IPI para carros, mas como diz o dito nacional, ”alegria de pobre dura pouco” e dura mesmo, não bastou muito para que fosse anunciado um aumento sobre a tributação de bebidas. Como de praxe o aumento será repassado ao consumidor, que segundo projeções, irá pagar 5% a mais na cerveja e 10% no refrigerante.

Esse é a política econômica do governo Dilma/PT, incentiva setores que estão indo “mal” e transfere o problema para outros. A redução no IPI dos carros é temporária e paliativa, pois os impostos vão voltar depois de um tempo ao seu antigo patamar, no caso das bebidas esse aumento não será revogado, ou seja, inflação, pessoas vão gastar mais para ter algo que tinham por menos. O correto seria o governo fazer uma reforma tributária e cortar impostos.

Uma das ‘desculpas’ dadas pelos defensores do governo é que o uso de bebidas alcoólicas e refrigerantes é prejudicial à saúde das pessoas, eu concordo que o consumo em excesso é prejudicial, mas isso não dá direito de privar a pessoas, medidas assim são autoritárias e ferem a liberdade dos cidadãos.

Quando o governo aumenta os impostos sobre um produto, muitas vezes ele usa a premissa de Robin Hood, que ao aumentar impostos o dinheiro vai ser redistribuído entre os pobres, mas não é isso que acontece e quando acontece o valor repassado é uma mixaria. A verdade é que quando se aumenta os impostos se prejudica sempre os mais pobres, pois as pessoas com melhores condições financeiras não acabam deixando de comprar só por que um produto está 5% ou 15% mais caro, mas já as pessoas mais pobres sim, isso afeta diretamente o orçamento delas. Exemplo, aqui em São Paulo há lugares que se encontra Coca-Cola  de 2,5L por 5 reais, com esse reajuste de 10% a bebida irá ficar 50 centavos a mais cara, logo a cada 10 garrafas de Coca-cola que alguém comprar com o novo preço, ela vai estar pagando uma no antigo valor, essa coca-cola que ela paga não irá ser consumida por ela e nem o produtor irá ganhar sobre ela e sim o governo.

Por que Bolsonaro incomoda tanto?

Hoje venho por meio deste artigo falar de uma figura bastante polêmica: o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ). Odiado por muitos declaradamente, amado por muitos secretamente, o suficiente para estar no sexto mandato de Deputado Federal, cada fala do deputado é motivo de polêmica na certa.
Mas vamos tocar direto na ferida: porque Bolsonaro é tão odiado ? Por um simples motivo: a cultura esquerdista, enraizada no país desde a “redemocratização”, não admite uma coisa: o debate de idéias. Para eles, a dialética de Sócrates, que consistia em formular perguntas e esboçar respostas para que daí surgisse o debate natural de idéias, é como um crime de Estado. Para eles, sobrevive a dialética de Lênin: vocês fazem e pensam o que eu mando.

Outro motivo pelo qual Bolsonaro é odiado: Bolsonaro destrói o “sonho dourado” das pessoas, desmitifica “ídolos” de nosso país como Carlos Lamarca e Carlos Marighela. As pessoas hão de convir que, para quem foi treinado para obedecer e não contestar a “pseudo-verdade” apresentada na escola, a verdade apresentada por ele dói na alma de quem escuta seus discursos. Porque Bolsonaro discute, Bolsonaro reflete. Mas, para a maioria dos brasileiros hoje, é mais fácil acreditar em seus delírios de adolescente do que se render à verdade. Escute uma asneira, leve como verdade e leve a vida achando que Marighela e Lamarca lutaram pela democracia com dinheiro de Cuba, China e União Soviética. Você será um sujeito medíocre, mas feliz.

Cuba é uma democracia ? Só um idiota para achar isso. Pois é: foi esse país, onde uma garota de 12 anos vende seu corpo em troca de um sabonete, tamanha a miséria, que forneceu armas, treinamento e logística para a corja de Marighela. Imaginem que lindo: nossas crianças transando com os turistas na porta do Copacabana Palace em troca de um sabonete. Sim, pois Cuba hoje é uma versão caribenha do Nordeste brasileiro: um paraíso para quem vem de fora, mas a miséria absoluta para quem está dentro. Era com esse país que Marighela sonhava que o Brasil se tornasse. Cara bom esse, não? Sei que muitos virão a chorar quando lerem isso, porque desmascarei seu herói de infância e adolescência, mas a vida é assim mesmo, de alegrias e tristezas. Pois é, acreditar que alguém queria democracia com o dinheiro da maior ditadura da História acho que nem meu cachorro acreditaria… Para quem cresceu achando que Che Guevara é um mito, ficar sabendo que o mesmo assassinou pessoas na frente de seus filhos, mães e pais, que o mesmo assassinou friamente e sem motivo um menino de 17anos que tinha 1 mês de Exército, é um baque muito grande…

Bolsonaro é odiado porque não deixou seus filhos serem criados na estupidez esquerdista, na ditadura do “politicamente correto”, do “bonitinho”, do “legal”, da imbecilidade que domina o imaginário brasileiro. Bolsonaro deve ser péssimo mesmo… 6 mandatos, nenhuma acusação de corrupção em sua ficha, cujos filhos nunca pisaram em uma delegacia por serem pegos com cocaína, uma pessoa que vive estritamente do seu soldo de Capitão da reserva do Exército e do seu salário de Deputado Federal, o único deputado que é encontrado a semana inteira em Brasília , enfim, como disse a “nobre” senadora-biônica-sem-voto Marinor Brito (PSOL-PA), “ele não é digno de estar no Congresso”. Se ele não é digno minha senhora então quem é? Os mensaleiros ? Os sanguessugas ? Os oligarcas nordestinos que construíram seu poder às custas da miséria do povo? Os amigos íntimos de Carlinhos Cachoeira? Digna não é ela, que foi senadora contra a vontade do povo graças à Lei da Ficha Limpa, pois foi a 4ª colocada na eleição para Senador pelo Pará. Ou seja, senadora, se todos os políticos deste país fossem como o Bolsonaro, a senhora nunca teria pisado dentro do Senado Federal. Enfim, mas Bolsonaro é péssimo…

Pois eu discordo: votei e sempre voto não só no senhor mas como também em seus filhos, pois o senhor para mim é exemplo de caráter e de dignidade. Sempre honraram o meu voto. E sei que sempre continuarão honrando. Agradeça por ser odiado Deputado: em um país onde um analfabeto já foi Presidente depois de ter se aposentado aos 35 anos por causa da perda de um dedo mindinho, onde outro é presidente da Comissão de Educação da Câmara, ser odiado não é só motivo de orgulho, mas questão de sobrevivência, é questão de vida ou morte.

Pois como diria o falecido Roberto Campos: “É divertidíssima a esquizofrenia de nossos artistas e intelectuais de esquerda: admiram o socialismo de Fidel Castro, mas adoram também três coisas que só o capitalismo sabe dar – bons cachês em moeda forte, ausência de censura e consumismo burguês; trata-se de filhos de Marx numa transa adúltera com a Coca-Cola…”. É assim no Brasil. É Cuba por um lado e Japão pelo outro. Adora o liberalismo japonês no cotidiano, podendo comprar iPod, iPhone, iPad, celular de R$ 2.000,00, carro de R$ 50.000,00, frutos do liberalismo japonês, onde a regra do livre mercado e da liberdade individual nos oferece produtos cada vez mais modernos, mas nas urnas votam a favor de quem vai contra isso tudo: O PT, que votou contra as privatizações que modernizaram e desincharam a máquina pública brasileira, privatizações essas que nos permitiram sair da era do orelhão para a era dos celulares modernos. Os esquerdistas brasileiros são como todo adolescente: querem ser livres como os japoneses, mas sem perder o “colinho da mamãe estatal” brasileira, ou seja, quer bancar o independente com o dinheiro dos outros. É a cultura do paternalismo estatal enraizada, a cultura do “concurso público para garantir a vida“. Com tanto concurso público, um dia a bolha vai explodir. Beira a esquizofrenia, mas é o que o PT fez com a cabeça dos brasileiros…


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Seriam mesmo os porcos capitalistas? – Parte 3

Análise do Livro “A revolução dos Bichos” – continuação.

No dia da votação para decidir a respeito da construção do moinho de vento, Bola de Neve consegue a maioria dos votos. Então acontece o momento crucial da história. Napoleão, com a ajuda de cães bravos, toma o poder de forma violenta. Bola de Neve foi expulso da fazenda.

Napoleão avisa que as reuniões aos domingos onde aconteciam as votações estavam encerradas e que todas as decisões seriam tomadas por ele e depois comunicadas. As únicas reuniões que aconteceriam seriam aquelas as quais serviriam para saudar a bandeira e para serem recebidas as ordens semanais, sem que houvesse debate. Os bichos ficaram perplexos com o acontecido e qualquer um que se atrevesse a se opor ao acontecido era ameaçado pelos cães bravos, a guarda de Napoleão.

Polícia Revolucionária Cubana: os cães bravos da ditadura da Dinastia Castro.

Garganta mais uma vez foi incumbido de convencer os animais de que o acontecido era o melhor para todos. Começou então uma campanha difamatória contra Bola de Neve – o dissidente. Pôs-se em dúvida até sua atuação na Batalha na qual os humanos foram novamente expulsos da fazenda.

Napoleão, enfim resolve construir o moinho de vento e fala para todos que a ideia desde o início teria sido dele e que Bola de Neve havia se apoderado de sua ideia. Em prol disso os animais teriam que trabalhar ainda mais que antes, totalizando um total de 60 horas semanais e também trabalhando aos domingos à tarde, momento que antes era utilizado para o descanso. Apesar do trabalho aos domingos ser “voluntário”, quem não aceitasse fazê-lo teria sua comida diminuída pela metade. A produção começou a cair.

O moinho começou a ser construído. Sansão agora acordava 4 horas antes para poder produzir mais. Os bichos comiam a mesma quantia de comida que tinham disponível na época do regime anterior e trabalhavam cada vez mais. Começaram a faltar várias produtos necessários para o bom funcionamento da fazenda, foi aí que Napoleão anunciou a decisão de manter comércio com as outras fazendas, ou seja, resolveu negociar com os “inimigos”. Ele vendia o excedente de produção e se apoderava dos lucros. E isso ia contra os princípios do Animalismo.

Garganta rapidamente convenceu toda a população de que nunca fora proibido o comércio com homens e que isso tudo não passava da imaginação dos animais.

A classe privilegiada dos porcos (a vanguarda revolucionária) nesta mesma época decidiu que mudariam-se para a luxuosa casa que habitava a família do senhor Jones. Os bichos sabiam que isso ia de encontro com os princípios do Animalismo. Porém foram convencidos por Garganta de que aquilo era o melhor para os líderes, que era necessário, pois eles precisavam pensar. Quando algum animal tentava retrucar, eram questionados se queriam a volta de Jones.

Num país onde grande parte da população é subnutrida e passa fome, fazer parte da classe privilegiada (o Partido e as Forças Armadas Revolucionárias) é o único modo de comer bem. No mundo do relativismo moral, até a igualdade é relativa.

Quando o moinho de vento estava quase pronto, ocorre uma sabotagem. Napoleão precisava rapidamente culpar alguém por isso, então coloca a culpa em Bola de Neve que em momento algum do livro ficou provado que ele seria o responsável por vários atos de vandalismos ocorridos. Napoleão ofereceu recompensa a cabeça de Bola de Neve. A reconstrução do moinho virou questão de honra.

Após esse período a comida diminuiu. Preocupado com a repercussão Napoleão resolve espalhar boatos contrários a real situação da fazenda. Foram selecionados alguns animais para comentarem na frente dos humanos, que então já frequentavam a fazenda para fins comerciais, do quão satisfatório era viver ali. Os depósitos de alimentos eram enchidos pela metade com areia para fazer volume e na parte de cima colocado comida, para dar a impressão aos humanos de que ali a comida era farta.

A arte do auto-elogio: mentir muito, para acreditar-se diferente. Cuba é uma vila Potemkin gigante.

Para aumentar o medo dos animais, foi espalhado o boato de que Bola de Neve rondava a fazenda a noite. Sempre que acontecia alguma coisa de ruim, Bola de Neve era culpado – afinal, eles tinham q pôr a culpa em alguém. Um episódio interessante foi o sumiço da chave do depósito. Bola de Neve fora acusado de jogar a chave no fundo do poço. Os animais acreditavam nisso mesmo após a chave ter sido encontrada embaixo de um saco de farinha. Bola de Neve fora acusado de desde o início estar do lado dos humanos, de ter sido ele quem arquitetou a rebelião que teria como objetivo a retomada da granja por Senhor Jones e que inclusive o seu brilhante desempenho na batalha teria sido mero fingimento.

Quatro dias depois Napoleão reúne todos os animais, após torturas, alguns porcos confessaram ter ligações com Bola de Neve. Após isso, vários animais foram morto após “confessar” ligações com Bola de Neve. Todos ficaram chocados com as barbáries ocorridas. Os cadáveres estavam espalhados por todos os cantos. Nesse dia também a canção Bichos da Inglaterra fora proibida.

A busca de um bode expiatório é essencial para ideologias violentas. No caso de Cuba, a culpa pela falência sócio-econômica é do embargo americano. Ou seja, a falta da exploração capitalista é o que causa a falência do sistema socialista que supostamente deveria manter-se sem a mesma.

Os bichos começaram a perceber que estavam comendo menos do que na época do senhor Jones e trabalhando mais ainda. Porém, Garganta os convencia com relatórios de que a produção de gêneros alimentícios aumentara 200, 300 e até 500%. Os bichos não viam razão para desacreditá-lo.

O moinho finalmente ficou pronto e foi batizado como Moinho Napoleão. Porém o moinho não fica tanto tempo de pé. Após uma nova tentativa de retomar a granja dos bichos pelos humanos, o moinho é destruído com explosivos. Grande parte dos animais ficou gravemente ferida nessa nova batalha, várias mortes também foram vistas, todas de animais.

Sansão, gravemente ferido na batalha, trabalhou arduamente na construção de um novo moinho. O que o motivava era pensar que em pouco tempo viria sua aposentadoria. Os animais, em sua maioria, nem lembravam mais como era nos tempos de Jones, e gostavam de acreditar que agora estava ruim, mas já tinha sido bem pior e que agora eles eram “livres”.

Fulgencio Batista, o ditador cubano que antecedeu Castro. Sempre que se fala nos avanços da “Revolução” cubana na mídia do país, se faz a relação entre hoje e o país na época da ditadura castrista. Raramente se encara o fato de que as condições de vida dos cubanos hoje está pior do que antes: sem liberdade para ir, vir, expressar-se, o país ainda precisa do World Food Program para alimentar mais de 160 mil pessoas.

Um mês antes de se aposentar Sansão fica doente. Segundo Napoleão, Sansão seria bem tratado por um veterinário de fora da fazenda. Após uns dias um carroção veio buscá-lo para que fosse sacrificado. Três dias depois, Garganta informa aos camaradas (era assim que os bichos tratavam uns aos outros) de que Sansão havia falecido no hospital, mesmo tendo recebido bons cuidados e que deixou a mensagem de que “Napoleão sempre tinha razão”.


A maioria dos animais morreu e Quitéria, apesar de ter alcançado idade para aposentadoria, nunca deixou de trabalhar. A fazenda agora era bastante populosa, devido a sua alta taxa de natalidade. Muitos animais nasceram após a revolução e só a conheciam porque a história era passada de pai para filho como uma tradição. Napoleão sempre falava que a verdadeira felicidade estava em trabalhar arduamente, sendo que o próprio jamais soube o que era trabalhar. A granja era rica, mas nenhum animal jamais ficou próspero. Eram todos igualmente miseráveis, com exceção dos porcos e cachorros, pois estes faziam parte da camada privilegiada.

Chegou o dia em que os porcos aprenderam a andar sobre duas pernas e as ovelhas (massa de manobra) trataram de cantar bem alto: “Quatro patas é bom, duas pernas melhor ainda”. Napoleão agora trazia em sua mão um chicote. Os porcos agora tinham assinatura de revistas e jornais, telefone instalado. Napoleão fora visto com um cachimbo na mão.

Lindo o casaco da Adidas que Fidel Castro está usando.
Fidel pôde tomar sua Coca-Cola. Hoje ela é importada via México e só é disponível nos restaurantes da capital Havana, ou em lojas exclusivas para estrangeiros onde não é necessário apresentar o cartão de racionamento. Para o cidadão comum, sobra a alternativa nacional, a TuKola.

Ao longo do livro observa-se que os porcos modificam os mandamentos do animalismo conforme suas necessidades. Houve uma noite em que acontece uma festa dentro da fazenda, na qual os porcos estavam confraternizando com os seus “inimigos”, os humanos, e estavam bastante a vontade com isso, afinal, eles não se achavam diferentes deles.

Agora tirem suas próprias conclusões:

Seriam mesmo realmente os porcos capitalistas???

Parte 1

Parte 2

Magatte Wade, uma voz africana pelo livre-mercado

Magatte Wade nasceu no Senegal, estudou na Alemanha e na França, e começou sua carreria empresarial em São Francisco, Estados Unidos, onde fundou a Adina World Beverages depois de trabalhar com start-ups no Vale do Silício. Esta criando a sua segunda empresa, a Tiossano, uma marca de produtos cosméticos que integra as três culturas que a formara, Dakar, Paris e São Francisco. Ela é fluente e conduz negócios em wolof – a língua indígena predominante em Senegal -, francês e inglês.

Traduzindo uma entrevista de Magatte Wade concedida ao site Libre Mercado (www.libremercado.com):

Magatte Wade, empresária senegalesa de grande sucesso. Considerada uma das 20 mulheres mais influentes da África pela Forbes.

I. Magatte, como uma pessoa que nasceu, cresceu e segue muito vinculada a Senegal, qual é sua impressão sobre o porquê da África ser tão pobre?

Tentar fazer negócios em Senegal, assim como em grande parte da África, é uma odisséia. É excepcionalmente difícil conseguir fazer qualquer coisa. Por exemplo, pode custar meses conseguir ter eletricidade em funcionamento, a não ser que dê “presentes” às pessoas certas.

Outro exemplo disto é o fato de que a polícia rodoviária pára constantemente os carros de forma aleatória. Se não tiver os papéis do seu carro em perfeição, tem que pagar à polícia uma quantia em dinheiro para continuar o trajeto. Dado que manter estes papéis via de regra requer muitos dias de longas esperas em filas, a maioria das pessoas simplemente prefere pagar à polícia um dólar a cada vez que lhes param, para poder continuar.

Multiplique esses problemas por mil e você pode ter uma idéia do que é fazer negócios na África. Tenha em mente que cada fabricante e prestador de serviços precisa pular obstáculos semelhantes. Então você percebe por que temos tão pouca atividade industrial ou de serviços profissionais.

Por causa desta burocracia sem sentido e regulamentação excessiva, a grande maioria dos africanos trabalha na economia informal. Então eles não podem obter empréstimos bancários, de seguros ou proteção legal para qualquer de suas atividades. A economia informal funciona, à sua maneira, mas impede que o africano médio crie empresas que possam ter sucesso e crescer para aproveitar as economias de escala e obter ganhos em eficiência.

Nos Estados Unidos, assim como na África, quase todo mundo é um empresário na família. A diferença crucial é que as empresas americanas podem obter empréstimos, sua propriedade é protegida por lei e pode ser segurada, e se a sua empresa cresce pode acessar os mercados de capitais desenvolvidos. Nada disso está disponível para os africanos.

II. Agora você é uma empresária com um forte compromisso com seus concidadãos senegaleses. Que projetos empresariais você criou ou tem em marcha e qual tem sido o seu impacto sobre Senegal?

Com minha primeira empresa, Adina World Beverages, reativei a indústria do hibisco (um gênero de plantas que cresce no Senegal). Em uma viajem a meu país natal descobri que o bissap, a tradicional bebida senegalesa feita de hibisco, estava sendo substituída pela Coca-Cola e a Fanta. Fiquei furiosa, e então me dei conta de que só quando as tradicões de Senegal fossem respeitadas no Ocidente, os senegaleses voltariam a respeitar sua própia cultura.

Por isto criei a Adina, para comercializar nos Estados Unidos bebidas de hibisco procedentes do meu país. Quando comecei, este tipo de bebida estava quase morto, mas depois de trabalhar com sócios em Senegal e da Universidade de Rutgers conseguimos fazer ressurgir uma indústria de hibisco orgânico em Senegal que agora emprega mais de 4.000 mulheres.

Atualmente, estou trabalhando em minha segunda empresa, Tiossano, que está comercializando no mercado estadunidense produtos para o cuidado da pele baseados em receitas tradicionais de Senegal. Meu objetivo é criar uma cadeia de fornecimento completa localizada em Senegal e, em última instância, criar milhares de empregos.

Para a fase de prova do conceito estamos fabricando nos EUA, mas logo que possam me permitir criar a infraestrutura para fazê-lo no Senegal levaremos a produção para lá. Também estou dedicando 50% dos benefícios da Tiossano para contribuir para impulsionar uma educação inovadora em Senegal, baseada no trabalho de meu marido, Michael Strong.

III. O que podem fazer os países desenvolvidos para ajudar aos mais pobres? O que recomendaria aos indivíduos que querem o bem para a África?

O mais importante que se pode fazer é que os indivíduos comprem produtos de qualidade feitos na África e que invistam em empresários e companhias africanas. O capitalismo é o único caminho para criar prosperidade, e a África necessita urgentemente de mais capitalismo. As pessoas também podem apoiar o movimento das Cidades Livres como estratégia para criar lugares com sistemas legais de alta qualidade.

Ao contrário, não deveriam apoiar a ajuda externa de governo a governo, dado que a maior parte dela vai manter o mesmo velho sistema corrupto. Respeito as ONGs, mas enquanto sinto grande respeito com relação às que se dedicam a ajuda humanitária urgente, não me convence o desempenho da maioria das ONGs na África.

Com frequência, estas pagam a jovens incompetentes, mas idealistas, de países desenvolvidos para dizer a nossa gente o que há de ser feito. Consiste mais em fazer que os doadores e jovens idealistas se sintam bem consigo mesmo que em beneficiar nossos países e a nossa população. Salvo que as ONGs sejam ou estritamente humanitárias ou verdadeiramente efetivas, na hora de ajudar-nos a construir negócios reais preferiria que ficassem de fora.

Em dado momento calculei que havia cerca de 500.000 cooperadores na África. Se tivéssemos 500.000 empresários, cada um com os 100.000 dólares de capital que, provavelmente, absorvem anualmente cada um de seus cooperadores, estaríamos muito melhor.

IV. Nos seus textos, você enfatiza a importância dos empresários. Por que são tão importantes para sair da pobreza e desenvolver-se?

Todo o progresso tem lugar através da destruição criativa. Se as novas empresas não tirassem do mercado as velhas, estaríamos com as mesmas coisas que tínhamos a cem ou duzentos anos atrás.

Michael e eu visitamos Ruanda, um dos países mais pobres da terra, faz alguns anos. Sabe, ainda se dedicam à agricultura de subsistência por todo o país, fazendo quase o mesmo que faziam a dois mil anos atrás exceto pelo fato de agora terem enxadas de ferro e alguns tem bicicletas para levar os bens ao mercado.

Do que necessitam en Ruanda? Empresários que criem empregos industriais de forma que possam abandonar a vida agrícola para melhorar sua condição. No lugar de cultivar batatas e milho para comer só o suficiente para sobreviver, necessitam cultivar café, chá, e óleos essenciais para a exportação, além de fazer o máximo possível do processamento destes bens no país para beneficiar-se dos preços mais altos que obteriam por agregar valor a estas commodities. Esta é a única forma para converterem-se num povo orgulhoso e próspero neste mundo moderno.

V. E o que os políticos deveriam fazer?

Os tomadores de decisões políticas têm que facilitar aos empresários as coisas para que façam seu trabalho. Direitos de propriedade seguros, estado de direito e liberdade econômica é tudo o que se necessita para gerar prosperidade através do trabalho dos empresários.

Parece muito simples, mas muitos governos de todo o mundo não parecem entender e pioram as coisas. Hong Kong e Cingapura eram quase tão pobres como muitos dos países africanos em 1960, e agora são dois dos lugares mais ricos da terra, assim como dois dos países mais livres econômicamente.

Leia na íntegra aqui.