Jogo “Quem disse: Hitler ou Che Guevara?”

Coloque à prova os conhecimentos daqueles seus amigos militantes socialistas com este divertido quiz. Será que eles são capazes de diferenciar uma frase dita pelo seu ídolo de uma dita por Adolf Hitler? Compartilhe na sua rede e peça para que eles comentem a pontuação. Veja se conseguem fazer 40 pontos ou mais neste jogo. A diversão é garantida!

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A ”Cambojamentação” do interior brasileiro


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Depois de Belo Horizonte, agora é a vez de Florianópolis. O conceito de propriedade privada em nosso país vai minguando aos poucos, apesar do ritmo de eventos infelizes ser cada vez maior.

Pelas camisetas, pode-se constatar que é coisa do Partido Comunista Brasileiro (PCB). Não há sinais claros do MST, mas obviamente deve haver alguma participação da guerrilha rural.

Vemos a presença de estudantes (provavelmente de classe média alta, e da UFSC), trajando camisetas com estampa do Che Guevara. Ironicamente, se reúnem com os demais invasores do terreno, para rezar um Pai Nosso. Será que não conhecem a célebre frase?
“Na verdade, se o próprio Cristo estivesse no meu caminho eu, como Nietzsche, não hesitaria em esmagá-lo como um verme.” (GUEVARA, Che)

Os termos ”social”, ”capitalista” e ”ocupação” são utilizados exaustivamente, pelos invasores, como justificativa para suas ações, mesmo sabendo que estão cometendo um crime, observem a forma como negam que se trata de uma invasão. Nada menos que a novilíngua orwelliana, ou duplipensar. Interessante que nunca vemos trabalhadores utilizarem tais palavras, a não ser quando são instrumentalizados por algum político ou ”intelectual”.
”Quando as palavras perdem o significado, as pessoas perdem a liberdade.” (CONFÚCIO)

Em seguida, vemos um sujeito excêntrico, diga-se de passagem, falando sobre a legitimidade da invasão e da dita ”função social da terra” (duplipensar, mais uma vez, com a sua palavra preferida, ”social”). Tal sujeito é figurinha tarimbada do PCB, não recordo de seu nome, mas lembro da fala dele durante uma audiência na ALESC, em 2010, em que gritava empolgado que uma sociedade só poderá ser democrática com a extinção das classes. Quase pedi a palavra para avisá-lo de que está no século XXI.

Como nunca pode faltar nos rituais sacro-comunais, os velhos slogans bradados com pulso cerrado:
”Que não haja paz para os ricos, enquanto não houver justiça para os pobres.”
Como se pode ver, invariavelmente, quem instiga os invasores a gritar palavras de ordem é um camarada com o típico estereótipo de professor marxista ou agitador sindicalista (nesse caso, um visual lulesco podemos dizer).

”Se o presente é de luta, o futuro nos pertence.” (GUEVARA, Che)
Um futuro de 150 mil mortos, como em Cuba? Observem que isso está escrito com giz preto num ”paredón”, mera coincidência?! Pelo menos agora eu sei onde vai ser em Floripa, na beira da estrada…

O próximo representante a falar, não foge do modelo, também vestindo a grife revolucionária, com direito ao chapéu de Camilo Cienfuegos. Mas desta vez trata-se de um estudante de ciências sociais, aparentemente. Como sempre, cobrar coerência dessa gente é demais, o sujeito fala em ocupação e negociação! Da mesma forma que negociaram ao invadir uma propriedade privada?!

O camarada em seguida, segurando um bebê, pronto para receber os aplausos pelo seu bom-mocismo simbólico, menciona a presença de estudantes na empreitada. Tipo, jura?! Se duvidar deve haver mais estudantes do que trabalhadores! Fala que os estudantes estão contribuindo com seu conhecimento científico. Mas qual conhecimento científico, cara pálida?! Marxismo científico? Nota-se que sim, pelo modo como instrumentalizam e instigam trabalhadores inocentes a repetir mantras comunistas de forma agressiva, fomentando a luta de classes, clássica estratégia marxista de desestabilização da sociedade.

Senso de coerência e de proporções, todos sabemos que inexiste nos esquerdopatas, mas senso de ridículo então, nem se fala. Nomearam a comuna de ”Amarildo”. Isso me lembra um artigo muito bom, de uns meses atrás, de meu amigo Alexandre Borges, segue trecho:
”O povo está preocupado com 70.000 homicídios por ano, o que certamente inclui gente que ele conhece, um vizinho ou um parente pelo menos. Os jornalistas e sociólogos estão preocupados com o Amarildo.” (http://institutoliberal.org.br/blog/?p=7506)
Movimento popular? Creio que não há mais necessidade de falar sobre o Amarildo neste texto.

Agora até índios tem nesse lugar. Quem banca toda essa logística? Deixo a pergunta no ar. Em seguida, o tal cacique, com sua camisa polo ocidental, faz seu discurso vitimista, de ”excluídos” e ”esquecidos”. Se duvidar deve ser desses chefes de tribos, que na frente da imprensa, esconde o smartphone e tira o Nike do pé. Gostaria de saber que tipo de excluídos e esquecidos são esses que, compondo cerca de 1% da população nacional, controlam cerca de 13% do vasto território brasileiro. O que irá acontecer depois? A FUNAI vai enterrar ossos de sambaqui no terreno para forjar um laudo antropológico? Esses índios são brasileiros mesmo, ou vieram do Paraguai?

A mocinha com o bebê no colo, finalmente essa sim, uma trabalhadora. Tanto que a forma como fala, entrega que foi a mando de alguém, pois balbucia de forma cômica a retórica marxista que nunca deve ter ouvido falar antes.

As duas mães, em seguida, se queixam das dificuldades de criar 4, 5 filhos. Poxa, pelo menos nessas horas dá para se ter um pouco de responsabilidade individual, não? Ninguém tem culpa de não conseguir pagar o aluguel, mas então que pare de fazer filhos! Aí vai um ponto muito importante, prefeitos socialistas aumentam o IPTU (como o Haddad agora em SP) e sucateiam o transporte público e o ensino municipal, apertando a renda dos mais pobres, mas a culpa vai parar nas costas de quem? Do capitalismo, do mercado, dos empresários e do ”neoliberalismo”.

No último quadro, juntam os trabalhadores e estudantes, para se declararem ”o povo brasileiro”. Não preciso citar a discrepância entre as duas ”classes”. Sem mencionar o cacique, que queria mesmo era falar que é kaingang, apenas afirma que é brasileiro, como se fosse algo de segunda importância, que de fato é, triste, mas é verdade, até às nossas leis eles não estão submetidos. Um outro índio com sotaque suspeito quase fala ”pueblo paraguayo” imagino, deve ser por isso que cortaram antes do coitado terminar de falar. O sujeito, no final, entrega o objetivo revolucionário, depois de se declararem ”o povo brasileiro”, o camarada, como todo bom marxista, já divide o pessoal em negros, índios, brancos (estes com importância secundária, pelo tom, pois são ”opressores”, mas pegaria mal falar isso neste contexto) e, comunistas! Vontade de ir lá falar para ele que trabalhador nenhum é comunista, mas sim, quem se aproveita dos trabalhadores para seus fins totalitários! E o meio para este fim é dividir a sociedade. Povo brasileiro? Que nada, estão dividindo cada vez mais.

Não dá para deixar de notar a sofisticada produção cinematográfica, não duvidaria se tivesse participação do curso de Cinema da UFSC, pelo contrário, fico surpreso se não tem! Afinal, que eu saiba, lá eles aprendem mais marxismo do que teoria e prática de produção audiovisual. Então aqui está a oportunidade deles de cumprirem com seu dever revolucionário!

Concluindo, acredito na hipótese de uma ”cambojamentação” do meio rural brasileiro. Ou seja, futuramente, todas essas terras de reservas indígenas e quilombolas, serão zonas de trabalho forçado e extermínio em massa, como foi o pequeno país do Sudeste Asiático, na década de 70, um grande gulag. Isso se a ”Pátria Grande Latino-Americana”, ou a União Latino-Americana das Repúblicas Socialistas (ULARS), termo cunhado pelo meu grande amigo Antonio Pinho, vingar! Coisa que impediremos, pois 2014 está aí!

Os quatro perfis de esquerdista (Ou: por que não acredito em governos de esquerda?)

Este texto também foi publicado no blog “Mundo Analista“. Para ler o texto original, clique aqui.
Líderes de Esquerda
Tenho uma amiga comunista. Ela acredita tão sinceramente no comunismo que não consegue entender como eu posso ser antimarxista e, pior ainda: de direita. Para ela, dentro do marxismo e da esquerda em geral, não existe uma diferença entre teoria e prática, discurso e ação. Ou seja, se a esquerda afirma que sua intenção é ajudar os pobres, então é exatamente isso o que ela está tentando fazer e é exatamente isso que ela fará quando chegar ao poder. A conseqüência desse pensamento é que qualquer um que se oponha a esquerda é alguém insensível às necessidades humanas, egoísta, malvado, injusto e, claro, muito rico. É no que ela acredita. Por isso, teve dificuldade de entender como eu poderia ser de direita. Ela realmente não entende essa “incoerência”.

O objetivo desse texto, portanto, é deixar claro que não foi por insensibilidade, egoísmo, malvadeza, injustiça ou riqueza (sobretudo riqueza!) que eu me tornei opositor da esquerda (e defensor da direita), mas sim porque tenho a sincera convicção de que as belas teorias esquerdistas não são capazes de serem colocadas em prática. Que o leitor tenha em mente que não é minha intenção falar mal de minha amiga. Afinal, nós somos bons amigos. A idéia é aqui é escrever um texto bem light, feito especialmente para os amigos do peito que acreditam sinceramente na esquerda.

Abandonando o maniqueísmo

O primeiro ponto que precisamos entender é que honestidade e desonestidade, competência e incompetência, êxito e fracasso são fatores que independem do espectro político. Há esquerdistas honestos e desonestos, competentes e incompetentes, bem sucedidos e mal sucedidos. E o mesmo se dá com centristas e direitistas. O caráter, a conduta pessoal, a competência e a habilidade não podem ser usados para se definir qual é a posição política de uma pessoa.

Então, é evidente que dizer, por exemplo, que o objetivo da esquerda é melhorar a vida dos pobres e que ela conseguirá fazê-lo não é uma afirmação que está dentro do campo da política. É uma afirmação de cunho pessoal e até especulativa. Tem a ver com o objetivo, a competência e a sorte de cada político, bem como com a possibilidade real da teoria ser posta em prática. Nenhum desses fatores é inerente à ideologia. São fatores que estão além do que é ser de esquerda.

Entender isso é essencial para que não se adentre numa visão maniqueísta da política, na qual adeptos de ideologia são maus e os adeptos de outra são bons. Tal visão maniqueísta, que tem sido utilizada por muitos esquerdistas e direitistas, inviabiliza o debate e leva uma questão que é política para o campo pessoal.

Redefinindo o objetivo primordial

Feitas as considerações acima, devemos redefinir os objetivos da direita e da esquerda à luz de fatores inerentes à direita e à esquerda, em vez de fatores de ordem pessoal e/ou especulativa. Como se dá isso? Através da identificação de um objetivo primordial concreto de cada uma dessas posições em qualquer de seus governos. A começar pela esquerda, esse objetivo primordial é aumentar as funções e a presença do Estado. Qualquer governo esquerdista buscará isso. É uma inerência. Em contrapartida, o objetivo primordial de um governo de direita é exatamente o oposto: diminuir as funções e a presença do Estado.

Mas por que motivo a esquerda pretende inchar o Estado e a direita pretende desinchar? Aqui entra a teoria (que pode ser totalmente diferente da intenção pessoal de cada político e/ou da realidade, conforme veremos mais a frente): para a esquerda o mal da sociedade não está no ser humano, mas sim no modo como essa nossa sociedade está estruturada. E o Estado não só é plenamente capaz de reestruturar a sociedade como é a melhor ferramenta para fazê-lo. Por isso, a esquerda deseja inchar o Estado. Já para a direita, a sociedade é imperfeita porque o ser humano é imperfeito. E, sendo o ser humano imperfeito, inchar o Estado gera incompetência governamental, corrupção e totalitarismo. Por isso, a direita deseja desinchar o Estado.

Estas são as teorias básicas da esquerda e da direita. Mas, como já mencionado, uma teoria básica nem sempre está de acordo com a intenção pessoal do político, ou com a sua eficiência, ou com o seu êxito, ou com a realidade prática. É neste ponto que eu começo a me tornar um opositor da esquerda.

A teoria esquerdista é bonita. Um Estado capaz de dar jeito nos problemas do mundo, tornando a sociedade justa e todas as pessoas felizes seria algo desejável. Qualquer indivíduo que tenha sensibilidade e bom caráter reconheceria isso. Contudo, esta teoria se baseia justamente naquelas duas premissas falsas: (1) que não há diferença alguma entre teoria e prática dentro do esquerdismo (por isso, inevitavelmente a teoria dará certo na prática) e (2) que todo político esquerdista é honesto, eficiente e terá êxito. É óbvio que as duas premissas não se sustentam.

Então, ficamos com um problema: não é possível ter certeza (ou mesmo alguma indicação) de que um governo esquerdista conseguirá, através do inchamento do Estado, reestruturar a sociedade. Tampouco é possível ter certeza (ou alguma indicação) de que um governo esquerdista conseguirá colocar sua teoria em prática da maneira como foi pensada. Na verdade, as diversas experiências de governos esquerdistas que temos visto, (sobretudo, comunistas) nos têm oferecido fortes evidências de que o inchamento do Estado sempre conduz a um caminho radicalmente oposto àquele que os esquerdistas afirmam desejar e àquele que suas teorias intencionam. Uma observação apurada dos diversos tipos de políticos esquerdistas que existem e de como eles agem, nos ajuda a entender melhor porque tal fenômeno acontece.

Os quatro tipos de políticos esquerdistas

1) PEH, o político esquerdista honesto

O primeiro tipo de político esquerdista que devemos analisar é o honesto. Vamos chamá-lo de PEH. Este é o tipo de político que acredita sinceramente nos ideais da esquerda e pretende realmente fazer reformas para mudar a sociedade. Logo que ele chega ao poder começa a perceber um grande problema: a democracia. Por mais que uma pessoa seja favorável à democracia é indiscutível que esta organização de governo apresenta dificuldades à implementação de quase qualquer projeto ou reforma. Afinal, as pessoas não são unânimes. Elas discordam não apenas no que deve ser feito, mas em quando deve ser feito e, principalmente, em como deve ser feito. Isso não é verdade só entre partidos e movimentos rivais, mas dentro do próprio partido ou movimento.

É exatamente isso que PEH começa a perceber. Ele tem a plena convicção de que suas idéias são boas e que dariam muito certo. No entanto, não consegue colocá-las todas em prática, tampouco da maneira como gostaria, pois o regime é democrático; as pessoas não entram em acordo unânime. E o problema não está apenas na falta de unanimidade entre os políticos. Antes fosse. Mas PEH percebe que a mídia em uma democracia é uma grande pedra no sapato. Afinal, sempre há meios de comunicação que se opõem ao governo. Alguns desses, de grande influência.

Há outros inconvenientes. Em um regime democrático, o poder é tripartido. A tripartição dos poder político dificulta ainda mais a vida de PEH, porque ele fica na dependência de várias pessoas e grupos de pessoas diferentes para colocar em prática os seus planos. Por exemplo, se determinado projeto de PEH só é viável se determinadas pessoas forem condenadas (ou se determinadas pessoas forem absolvidas), ele não tem como fazer nada, a não ser esperar pelo julgamento do poder judiciário. Se PEH acha que o judiciário é corrupto e não julgará direito, então seu projeto corre risco de não sair do papel. Enfim, PEH começa a perceber que o regime democrático limita muito os seus passos na política.

Mas PEH é um idealista. Ele crê na progressividade da história, na evolução do ser humano, na perfectibilidade da nossa espécie. Ele crê na total reestruturação dessa sociedade corrupta. Ele acredita em um governo feito apenas de boas pessoas. Assim, ele começa a apoiar o partido na idéia de “redemocratizar” a sociedade. Como assim? É simples. Para PEH e seu partido, uma democracia plena é aquela em que o povo é, de fato, representado pelos seus políticos (a ponto de poder dizer: “Somos nós mesmos que estamos no poder”). Evidentemente, PEH e seus companheiros de partido acreditam ser os verdadeiros representantes do povo, sobretudo PEH, que é honesto mesmo. Assim sendo, redemocratizar a sociedade é limitar a voz da oposição (sobretudo nas mídias) e centralizar o poder.

Como as duas atitudes mencionadas acima estão intimamente relacionadas ao inchamento do Estado (que é um objetivo básico para qualquer governo esquerdista), a busca pela “redemocratização” torna-se um tanto natural para PEH e seus companheiros de partido. Ele não consegue enxergar que o que está propondo não é democracia, mas totalitarismo. Ele não se vê como autoritário, pois acredita que quem tem uma opinião diferente da sua é um mau caráter. Então, limitá-los é fazer justiça.

PEH é o tipo de político que pouco a pouco vai se tornando padrão de moral para si mesmo. Em prol de seus ideais (que é o que salvará o mundo), ele começa a se sentir no direito de fazer qualquer coisa. Ele “sabe” que não pode esperar pela lentidão da democracia e que precisa tomar uma atitude. Atitude! O povo precisa de alguém de pulso firme, que acabe com a injustiça sem precisar esperar. Os inimigos do povo não devem ser respeitados. Não há tempo para combatê-los dentro da democracia. Não há tempo para esperar pelas demoradas deliberações dos três poderes. O que é correto é óbvio e não precisa de deliberação. O bom político, o bom partido, o bom líder, o bom governo sabe o que o povo precisa. A coisa é mais fácil do que parece. Basta ter boa intenção e boa vontade. E PEH tem esses atributos de sobra.

Uma vez que o partido de PEH consegue o poder e a hegemonia no pensamento político, o Estado vai se tornando cada vez mais autoritário. Opositores são acusados de crimes que não cometeram e condenados, os meios de comunicação são controlados e a economia passa para as mãos do Estado. Supondo que o partido consiga fazer o Estado chegar à total centralização política, criando um enorme governo totalitário, PEH terá sido bem sucedido. Agora, todas as reformas que seu partido quiser fazer poderão ser feitas à força, sem problema algum.

A partir desse ponto, duas coisas podem acontecer ao nosso querido político iluminado. Ele pode se dar conta de que criou um Estado detestável (que suprimiu as liberdades individuais, passou a prender e matar pessoas indiscriminadamente e ainda não conseguiu resolver diversos problemas sociais) e se tornar um opositor de como as coisas estão sendo feitas. PEH, neste caso, não está se colocando contra o “progresso” que seu partido conquistou, mas contra um suposto desvio. Afinal, sua idéia era uma ditadura democrática (o que ele tem certeza absoluta que é possível, por mais que tal concepção seja contraditória).

Tornando-se um opositor, PEH terá que ser muito habilidoso e bem sucedido para se tornar o líder do governo. Se não conseguir (ou não quiser isso), seu destino será uma vida fugitiva, ou uma prisão política, ou mesmo, a pena de morte. Não podemos dizer aqui que o governo se tornou vilão e PEH é o mocinho da história. O governo apenas segue a lógica da própria revolução iniciada por PEH. Alguém tem que tomar uma atitude para mudar as coisas. Divergências não podem travar a ação do governo em mudar a sociedade. Então, não há mesmo espaço para a democracia.

Além do mais, se na liderança do governo está alguém honesto como PEH, este líder sabe que precisa proteger o regime de cisões internas e a revolução de qualquer limitação que possa vir a enfraquecê-la. Deve-se ter em mente que manter uma ditadura requer muitos cuidados. O governo precisa se engajar muito na manutenção do poder, pois se isto não é feito, tudo pode ser perdido. E o líder honesto do governo, por “saber” que a reestruturação da sociedade depende dele, não pode correr o risco de perder o cargo e pôr a salvação do mundo a perder.

A segunda coisa que pode acontecer ao nosso iluminado político é ele continuar sem perceber que criou uma ditadura (ou passar por cima disso, justificando para si mesmo que “isso é necessário, mas há de ser temporário”). Neste cenário, ele tem mais chances de se tornar líder do regime (se já não for). E uma vez sendo o líder do regime, ele alcançou seu grande objetivo, pois agora nada o impedirá de mudar o mundo.

Bem, na verdade, algumas coisas o impedirão o líder PEH de mudar o mundo. A primeira, já citada, é a necessidade de manter o seu poder, o regime e a revolução. Já que toda a ditadura gera oposições ideológicas e gente querendo se beneficiar do poder absoluto, o líder não poderá dormir em paz em seu travesseiro. Ele terá que agir como um tirano desconfiado e gastar muito tempo, dinheiro e esforços para não colocar tudo a perder. Não só ele, claro, mas os principais integrantes do governo. Isso, obviamente, impede que a “transformação da sociedade” receba total atenção.

A segunda é a dificuldade de um governo administrar tantas áreas e setores de um país. Em um país pequeno isso já é complicado. Se o país for grande, como uma URSS da vida, é impossível manter tudo em ordem. Vai haver má administração de recursos, má alocação de verbas, desvios de dinheiro público, esquemas ilegais entre alguns grupos de interesses, morosidade na produção, escassez de alguns produtos, superabundância de outros, inflação, serviços e produtos de baixa qualidade, falta de fiscalização em determinados setores, excesso de fiscalização em outros e etc. Tudo o que poderia ser administrado diretamente por diferentes empresas, agora estará sob a administração do governo. Não é tarefa simples.

Em outras palavras, mesmo contando com um político honesto como PEH e um partido que o apóia, parece inevitável que um governo esquerdista, se bem sucedido em sua empreitada de aumentar as funções e a presença do Estado para mudar o mundo, se tornará um governo totalitário e repleto de problemas que não consegue resolver.

2) PEHAD, o político esquerdista honesto e amigo da democracia

Surge, então, o iluminado PEHAD. Este é o político esquerdista honesto e amigo da democracia. Tal como seu amigo PEH, PEHAD é um idealista sincero, que deseja realmente mudar a sociedade para melhor e que acredita na presença do Estado como solução para todos os problemas sociais. A diferença é que PEHAD se apresenta como alguém que está acima daquela velha política ultrapassada do séc. XX, onde diversos governos de esquerda se tornaram totalitários para alcançar seus objetivos. Para ele, a democracia é um bem intocável e foi um grande erro esses governos se permitirem abrir mão dela. É claro que tais governos não devem ser crucificados por isso. Se erraram foi por desejarem um mundo melhor. Por isso, PEHAD não esconde sua admiração por esses regimes ditatoriais que se esforçaram tanto por seus ideais.

Logo que PEHAD chega ao poder, ele se depara com um problema. As empresas públicas e os sistemas públicos de saúde, educação, transporte e prisões são bastante ineficientes, pois há muito desvio de dinheiro e má administração. Como ele “sabe” que a solução para os problemas é a presença do Estado, ele apóia, junto aos seus camaradas de partido, que o governo invista mais dinheiro nessas áreas. O dinheiro é investido, mas, para a sua surpresa, o desvio de dinheiro e a má administração aumentam.

Uma pessoa realista logo perceberia que investir mais dinheiro em setores públicos não é a solução, pois se o problema está na corrupção e na má administração, aumentar a verba só aumenta o problema. Mas, para PEHAD, tudo se resolve com mais presença do Estado e, claro, com mais presença do partido. Assim, as duas soluções encontradas por PEHAD para lidar com o problema é continuar defendendo cada vez mais investimentos no setor público e, concomitantemente, inculcar na cabeça do povo que existe uma luta de classes na sociedade; do lado dos oprimidos está PEHAD e seu partido e do outro lado estão os outros partidos e os empresários, que se alinham contra o povo. Criar mentalidades vitimistas, semear o ódio ao setor privado e implementar lutas entre várias subclasses faz parte de toda a dinâmica.

A estratégia é bem simples e típica de qualquer partido de esquerda: inchar o Estado, fazer o povo apoiar o inchamento e colocar o partido como o defensor supremo dos necessitados e acima do bem e do mal. Se lograr êxito nessa estratégia, o resultado é simplesmente fenomenal: a mentalidade de inchamento do Estado se torna parte da cultura, o povo cria dependência do governo, o poder de atuação do Estado aumenta e o partido de PEHAD ganha grande representação no governo. Na visão de PEHAD isso é suficiente para resolver os problemas constatados, pois uma vez que o governo esteja repleto de seus camaradas de partido (que são os verdadeiros representantes do povo) e com maior poder de atuação, a corrupção e a má administração “logicamente” irão diminuir gradualmente até não mais existirem. Ele e seu partido reeducarão toda a sociedade.

Dois cenários são possíveis a partir daqui. O primeiro é o de estagnação. Uma vez que não é fácil administrar um país, que quanto mais inchado é um Estado, maiores são os desafios administrativos e maiores as chances de má gestão e corrupção, que nem todo político é eficiente, que não há unanimidade na democracia e que no partido de PEHAD não há só políticos altruístas e bem intencionados, mas muitos egoístas e desonestos, o projeto de PEHAD simplesmente fica estagnado. O seu país permanece com sérios problemas de corrupção e má alocação de verbas e PEHAD permanece na luta por inchar o Estado e demonizar outros partidos políticos e empresários de maneira democrática.

O segundo cenário é o de progressão para o totalitarismo. O projeto de PEHAD dá certo e o Estado se torna cada vez mais repleto de funções e poderes. Como as coisas continuam ruins, vê-se cada vez mais a necessidade de centralizar mais o poder e tomar medidas mais drásticas. Alguns PEH’s defendem com ardor a “redemocratização” do país. E então o totalitarismo começa a entrar em cena gradualmente. Se nosso amigo PEHAD continuar fiel a sua visão democrática, ele se tornará um opositor do regime. E seu destino provavelmente não será a liberdade de expressão. Mas é bem possível que PEHAD se renda aos “avanços” do regime em “tirar o poder das mãos dos inimigos do povo”. Neste caso, ele defenderá o regime com unhas e dentes, achando-o justo.

3) PED, o político esquerdista desonesto

Vimos como é possível um político esquerdista honesto se tornar um ditador e como é possível um político esquerdista honesto e amigo da democracia não conseguir alcançar as maravilhas que achava que alcançaria, deixando o Estado do mesmo modo decrépito (ou pior) ou até colaborando (consciente ou não) para uma ditadura.
Preferi começar pelos honestos para ninguém dizer que acho os esquerdistas um bando de mau caráter. Contudo, nem só de gente honesta vive a esquerda. Talvez a maioria das pessoas comuns que são de esquerda seja honesta, mas tenho sérias dúvidas quanto aos políticos. Porque, afinal de contas, o pensamento de esquerda fornece muito mais benefícios ao político do que o pensamento de direita. É exatamente pensando nisso que surge o político esquerdista desonesto. Vamos chamá-lo de PED.

PED é o tipo de político que não difere muito do PEH e do PEHAD em seus métodos de se fazer política. Ele também age como um idealista, falando em aumentar a presença e as funções do Estado para reestruturar a sociedade. Ele também luta para livrar o governo das amarras de uma “falsa democracia”, a fim de ter mais liberdade de ação. Ele também se coloca como a favor dos pobres e da “coisa pública”. Ele também tem um discurso inflamado e apaixonado. Ele grita contra a mídia manipuladora quando esta persegue injustamente o seu partido. Ele exalta o Estado, fala sobre “soberania nacional” e discursa a favor do trabalhador. Mas há uma diferença. PED sabe ser mais pragmático. Afinal, o que importa para PED é conseguir chegar ao poder e, uma vez nele, lutar para mantê-lo.

Uma vez no poder, PED se empenha ao máximo em se beneficiar do inchamento do Estado defendido por seus companheiros de partido e toda a esquerda. Para PED é fundamental que o Estado esteja presente em todos os locais da vida social e que tenha uma miríade de funções. Desta forma, é muito mais fácil desviar verbas de diversos setores públicos, fechar parcerias com empresas privadas e praticar o superfaturamento dos preços, usar empresas públicas como cabrestos de emprego, usar bolsas-auxílio para arrecadar votos, fazer propagandas de obras públicas em épocas de eleição, doutrinar as crianças nas escolas e os jovens na faculdade, centralizar o poder, tomar medidas autoritárias, sair impune de julgamentos, gastar dinheiro público com futilidades, posar de “pai dos pobres”, aumentar a dependência das pessoas pelo Estado, dificultar as fiscalizações, inflacionar a moeda e etc.

Por essas razões, PED se opõe frontalmente a valores direitistas como um Estado limitado e descentralizado, baixa carga tributária, poucos setores públicos, incentivo a competição entre empresas privadas e etc. Todas essas idéias se constituem obstáculos complicados ao projeto corrupto de PED. Ele pode até moderar a sua defesa do Estado inchado e centralizado, a fim de fechar alianças com partidos mais conservadores. O apelo a idéia de centrismo, de uma visão equilibrada, de uma visão sem extremos é bem comum no discurso de PED. Em muitos momentos pode até ser considerado de direita por esquerdistas mais radicais. Mas, no fim das contas, ele deseja a mesma coisa que todos os partidos de esquerda: inchar o Estado ao máximo que puder.

4) PEMI, o político esquerdista medroso e/ou incompetente

Finalmente, temos o PEMI. Este é o tipo de político que bem intencionado, mas que não tem capacidade e/ou coragem para fazer qualquer coisa. Ele entra na política de gaiato, defendendo que o governo precisa fazer alguma coisa pelos pobres e todo aquele discurso já conhecido. Uma vez na política, no entanto, ele literalmente não faz nada, a não ser ganhar dinheiro. Mas apesar da inatividade, o PEMI é essencial para os projetos da esquerda, pois ele não se opõe ao inchamento do Estado. Ao contrário, ele acha algo positivo. Então, o partido não precisa se preocupar com uma oposição vinda por parte do PEMI e pode contar com o seu apoio sempre que precisar. O PEMI é uma marionete do partido.

É interessante ressaltar que para o PED, o PEMI tem uma importância mais especial que para os outros políticos porque, sendo incompetente, não será uma ameaça para os esquemas corruptos de PED e, sendo medroso, não falará nada se descobrir alguma falcatrua. Na verdade, é até bem possível que ele se corrompa e tome parte na sujeira. Assim, o PEMI tem grande participação no problema da corrupção e da má administração do país.

Avaliação dos quatro tipos de esquerdistas

Os quatro tipos de esquerdista foram baseados na realidade. Com pouco esforço, o leitor poderá encontrar exemplos desses políticos de esquerda tanto na história como na atualidade. O que essas observações sistemáticas nos ensinam é que não importa que tipo de esquerdista um político é (se honesto, ou democrático, ou desonesto, ou medroso ou incompetente), suas atitudes sempre caminharão rumo ao ideal de inchar o Estado o máximo possível; e o inchamento do Estado, por sua vez, sempre levará a corrupção, má administração e totalitarismo.

Esta é a razão pela qual não acredito na esquerda. Se alguém conseguir me provar que estou errado, que a esquerda consegue transformar o mundo em um paraíso e que esses quatro tipos de esquerdistas não colaboram com seus atos para os problemas descritos acima, me torno esquerdista e abandono a direita.

Ao manifestante brasileiro

Legal. Mas será que ele sabe o que é lutar por um Brasil melhor?

Tem algumas coisas que eu gostaria de dizer às pessoas que tem saído às ruas para se manifestar a favor de um Brasil melhor ou que não saíram, mas apoiam a causa com todo o fervor. Em primeiro lugar, um elogio. Eu admiro o fato de o brasileiro estar se mobilizando politicamente e cobrando dos políticos que são, no fim das contas, os nossos funcionários. Sou a favor. Legal. O elogio acaba aqui.

Concordar com a mobilização política do povo não significa concordar com o que o povo tem proposto para mudar o Brasil. Salvo a oposição dos brasileiros contra projetos infames como a PEC 37 e semelhantes, o que tenho visto ser pedido pelos manifestantes são coisas tão idiotas que provam categoricamente que o brasileiro, no geral, ainda não entende absolutamente nada de política. Então, aqui vão as críticas.

O manifestante reclama do descaso do governo com a saúde e a educação. Aí vai à rua e pede mais investimentos do governo nessas áreas. Está errado! Se o problema é o descaso do governo, pedir mais investimento só vai agravar a situação. O governo não tem capacidade de administrar bem esses setores. Já ficou mais que provado. Então, dar mais dinheiro para o governo é pedir para ser roubado. Aliás, devo ressaltar que o Brasil é um dos países que mais investe em educação. É a administração que não é boa.

O manifestante pede a estatização dos ônibus. Meu Deus, mas se o governo não administra bem nem mesmo os hospitais públicos, você acha mesmo que ele vai gerir o sistema de transportes com louvor?

O manifestante pede o fim da polícia militar e a união das polícias. Mas para quê? Centralizar as coisas sempre torna mais fácil o autoritarismo. O princípio básico da democracia é a tensão entre os poderes. Na polícia não tem porque ser diferente. Cada polícia deve trabalhar na sua área. Os problemas da incompetência da polícia, da corrupção interna e da violência dos PM’s só serão resolvidos com uma coisa: rigor nas leis penais.

Rigor nas leis. Eis uma coisa que eu não vi os manifestantes pedindo. Pessoas são assaltadas, violentadas e mortas todos os dias por bandidos menores de idade. Estes cometem os mesmos crimes dia após dia e não são presos por causada da lei absurda que proíbe menores de responderem por seus crimes. Cadê os protestos contra isso? E quanto aos imprudentes do trânsito, que dirigem bêbados e não perdem suas carteiras mesmo quando matam alguém? Por que os manifestantes não falaram nisso? E o tempo máximo de prisão, que é só de 30 anos, com direito a redução de pena, mesmo quando o crime cometido foi hediondo? E as autoridades que cometem crimes e em vez de serem julgados por tribunais civis, são julgados por tribunais especiais e, no máximo, recebem a pena serem afastados de seus cargos? Não vi ninguém protestar contra esses tópicos e pedir uma lei mais rígida.

Sabe por que o manifestante não pede leis rígidas? Sabe por que ele não se concentra nisso? Porque ele é tolo. Ainda acredita na lorota de que se o governo for bom e os policias forem bons e todo mundo for bom, a gente resolve tudo. Mas não é assim. O homem precisa de limites. E o que limita o homem não é a boa intenção de um governo, ou as teorias bem intencionadas de acadêmicos, ou as vigorosas manifestações de milhões de pessoas. Sinto muito. O que impõe limites ao homem é a lei. Se a lei é fraca, os limites são fracos.

O manifestante vai à rua e reclama contra a corrupção. Está certo. Mas quer entregar mais poder e funções nas mãos do governo. Está errado. Ele não consegue enxergar que quanto mais ele exigir que o governo resolva os problemas, mais problemas ele vai criar. Porque, como diria o ex-presidente americano Ronald Reagan: “O governo não é a solução. É o problema”.

O manifestante grita contra o desvio de verbas, mas não grita pela diminuição dos impostos. Cadê as milhões de pessoas pedindo: “Reduza os impostos!”. Pedir redução de tarifa de ônibus não adianta, porque o nosso governo entende que precisa gerir os negócios do país junto com os empresários. Então, se a tarifa é diminuída, o governo aumenta o imposto. Não existe almoço grátis, meu amigo. Alguém vai ter que pagar pela redução. E não serão os políticos.

Ora, mesmo entre os manifestantes que desejam menos impostos, é uma minoria que realmente sabe no que isso implica. Diminuir impostos é tirar a mão do governo sobre os serviços. Afinal, são os impostos que financiam os serviços públicos, querido leitor. Ou seja, quem quer diminuir impostos, deve ser a favor da privatização de empresas públicas, do fim de bolsas para pobres, do incentivo à iniciativa privada, do incentivo à concorrência entre as empresas privadas (pois é a concorrência que diminui os preços, melhora os serviços e reduz os monopólios) e etc.

O manifestante brasileiro é ignorante. Ele ainda acha que a culpa dos problemas do Brasil é o “capitalismo selvagem”, porque ele aprendeu desde pequeno que capitalismo é a união de políticos e empresários para lucrar em cima do povo. Ele não sabe que “capitalismo” na verdade é a economia de livre mercado (ou liberalismo), uma doutrina que luta para que o governo se meta o mínimo possível na economia e que, portanto, quanto mais o governo se une com empresários, menos capitalista o país se torna. Quer dizer, o problema do Brasil é justamente ser pouco capitalista.

O manifestante é ingênuo. Ele cai na ladainha do nosso governo de que privatizar é entregar o patrimônio público nas mãos das empresas. Não é! As empresas públicas não são nossas, são do governo. É ele que lucra com elas, pois pode usá-las para fazer propaganda política quando convém, para oferecer empregos para seus amigos e para desviar dinheiro público. Quando se privatiza, os serviços melhoram, a empresa lucra mais e o governo continua arrecadando dinheiro pelos impostos que essas empresas pagam. E se temos mais empresas lucrativas pagando impostos, os impostos que a população paga pode ser diminuído. Quer dizer, a privatização é ruim apenas para o nosso governo de esquerda, que quer fazer a festa com nosso dinheiro. Mas qual é o manifestante que falou sobre isso?

O manifestante brasileiro ainda acredita nas mentiras que a esquerda diz. Ele crê que os grandes empresários são de direita. Não são. Pequenos empresários podem até almejar um governo de direita, pois sabem que a direita arranca as imensas burocracias e regulamentações que o governo impõe, que dificultam sua sobrevivência. Mas grandes empresários amam governos de esquerda (desde que esses não sejam comunistas), pois as dificuldades que eles impõem as empresas fazem com que só as grandes consigam sobreviver; também por causa das alianças que esses governos acabam fazendo com os empresários, já que, para a esquerda, o governo deve sempre intervir na economia. Os grandes impérios são fruto direto da intervenção governamental.

O manifestante brasileiro, sobretudo o jovem universitário, vê com bons olhos o Che Guevara, que foi um louco, genocida, que lutou por uma utopia a vida inteira. Ele simpatiza com socialistas e comunistas, ignorando o fato de que essas ideologias, quando postas em prática foram responsáveis por matar mais de 100 milhões de pessoas durante o século XX (mais do que o Nazismo, que matou 50 milhões). Ele acha que só a esquerda muda o cenário político, ignorando grandes revoluções como a americana e a inglesa, que foram feitas por direitistas conservadores. Ele não entende que quanto mais o governo acumula funções e impostos, mais chance ele tem de se tornar um estado totalitário e ditatorial. Ele não entende que quanto mais um governo intervém, mais a liberdade de expressão é tolhida. Ele não vê que o enorme poder que temos dado ao governo através de nosso dinheiro é o responsável pelos desvios de verba e pela terrível incompetência administrativa.

O manifestante brasileiro sequer tem senso crítico. Mesmo aqueles que têm um pouco mais de conhecimento (e eu torno a falar aqui dos universitários), acreditam nos livros que dizem que o Nacional Socialismo alemão foi de direita, que a ditadura militar brasileira foi de direita, que o PSDB é de direita. Conhece Marx e diversos autores de esquerda, mas é incapaz de citar ideias de autores como Burke, Bastiat, Tocqueville, Kirk, Voegelin, Mises e Hayek (os principais autores de direita). O universitário do Brasil chega a ser uma ameaça à democracia. Ele se levanta para aplaudir ditaduras comunistas, dizendo que os países com estes regimes são verdadeiramente livres. Ele demoniza os americanos. Ele acha que nos EUA todo mundo é de direita e que o Partido Democrata é igual ao Partido Republicano (meu Deus…) e como odeia a direita sorri quando lembra do ataque às torres gêmeas (não é exagero de minha parte, pois já vi isso mais de uma vez na minha universidade).

O manifestante brasileiro cai na armadilha da luta esquerdista pelo “estado laico”, que na verdade é a luta pela eliminação da moral judaico-cristã e da liberdade de expressão dos conservadores. Ele cai na armadilha esquerdista de que a grande mídia é de direita. Tudo bem, ela pode não ser comunista, mas está a quilômetros de distância de ser de direita. Se ela fosse direitista, defenderia o fim da burocracia para a criação de canais abertos de TV, por exemplo. Se fosse direitista, pararia de fazer do homossexual uma classe de pessoas que não pode ser criticada e de incentivar a destruição da família tradicional, ao tentar normatizar adultérios, libertinagem e relacionamentos abertos (não que as pessoas não tenham direito de fazer isso; cada um faz o que quiser, mas não quer dizer que seja normal). A grande mídia é socialdemocrata. É aquela esquerda moderada, quase centro, que não quer o radicalismo comunista, mas corre do conservadorismo moral e do laissez-faire econômico da direita.

O manifestante brasileiro está totalmente perdido. Ele acha que o seu país acordou e que as pessoas estão mais politizadas. A verdade é que o povo brasileiro levantou, mas não acordou. Ele é um enorme gigante sonâmbulo que está sendo guiado por um governo também gigante e cheio de poder. É por isso que não estou muito esperançoso quanto a essas manifestações. O que sairá daí? Mais serviços públicos mal administrados? Mais empresas públicas desviando dinheiro? Mais leis frágeis e cheias de brechas? Mais impostos? Mais empresas hegemônicas? Mais inflações causadas pela intervenção governamental através do Baco Central? Mais governo? Mais estatismo? Mais utopia? Mais esquerda? Já não basta?

Por isso, venho pedir encarecidamente aos manifestantes: parem de lutar por mais governo. Lutem por um governo menor, menos poderoso, com menos funções e que cobra menos impostos. Lutem por um governo que intervém menos e que se dedica apenas às suas funções primordiais: criar e zelar pelas leis, julgar crimes, proteger interna e externamente o país. É só assim que as coisas poderão melhorar um pouco.

Resumo do que penso sobre 1964

Texto escrito pelo filósofo Olavo de Carvalho ao jornal estudantil gaúcho “Bah!” em 2004, a respeito de sua opinião sobre o chamado golpe militar de 1964 e a ditadura militar que se sucedeu depois do mesmo. Para ler o original, clique aqui.

Olavo de Carvalho – filósofo e escritor brasileiro

Tudo o que tenho lido sobre o movimento de 1964 divide-se nas seguintes categorias: (a) falsificação esquerdista, camuflada ou não sob aparência acadêmica respeitável; (b) apologia tosca e sem critério, geralmente empreendida por militares que estiveram de algum modo ligados ao movimento e que têm dele uma visão idealizada.

Toda essa bibliografia, somada, não tem valor intelectual nenhum. Serve apenas de matéria-prima, muito rudimentar, para um trabalho de compreensão em profundidade que ainda nem começou.

Para esse trabalho, a exigência preliminar, até hoje negligenciada, é distinguir entre o golpe que derrubou João Goulart e o regime que acabou por prevalecer nos vinte anos seguintes.

Contra o primeiro, nada se pode alegar de sério. João Goulart acobertava a intervenção armada de Cuba no Brasil desde 1961, estimulava a divisão nas Forças Armadas para provocar uma guerra civil, desrespeitava cinicamente a Constituição e elevava os gastos públicos até as nuvens, provocando uma inflação que reduzia o povo à miséria, da qual prometia tirá-lo pelo expediente enganoso de dar aumentos salariais que a própria inflação tornava fictícios. A derrubada do presidente foi um ato legítimo, apoiado pelo Congresso e por toda a opinião pública, expressa na maior manifestação de massas de toda a história nacional (sim, a “Marcha da Família com Deus pela Liberdade” foi bem maior do que todas as passeatas subseqüentes contra a ditadura). É só ler os jornais da época – os mesmos que hoje falsificam sua própria história – e você tirará isso a limpo.

O clamor geral pela derrubada do presidente chegou ao auge em dois editoriais do Correio da Manhã que serviram de incitação direta ao golpe. Sob os títulos “Basta!” e “Fora!”, ambos foram escritos por Otto Maria Carpeaux, um escritor notável que depois se tornou o principal crítico do novo regime. Por esse detalhe você percebe o quanto era vasta e disseminada a revolta contra o governo.

O golpe não produziu diretamente o regime militar. Este foi nascendo de uma seqüência de transformações – quase “golpes internos” – cujas conseqüências ninguém poderia prever em março de 1964. Na verdade, não houve um “regime militar”. Houve quatro regimes, muito diferentes entre si: (1) o regime saneador e modernizador de Castelo Branco; (2) o período de confusão e opressão que começa com Costa e Silva, prossegue na Junta Militar e culmina no meio do governo Médici: (3) o período Médici propriamente dito; e (4) a dissolução do regime, com Geisel e Figueiredo.

Quem disser que no primeiro desses períodos houve restrição séria à liberdade estará mentindo. Castelo demoliu o esquema político comunista sem sufocar as liberdades públicas. Muito menos houve, nessa época, qualquer violência física, exceto da parte dos comunistas, que praticaram 82 atentados antes que, no período seguinte, viessem a ditadura em sentido pleno, as repressões sangrentas, o abuso generalizado da autoridade. O governo Médici é marcado pela vitória contra a guerrilha, por uma tentativa fracassada de retorno à democracia e por um sucesso econômico estrondoso (o Brasil era a 46ª. economia do mundo, subiu para o 8º. lugar na era Médici, caindo para o 16º. de Sarney a Lula). Geisel adota uma política econômica socializante da qual pagamos o prejuízo até hoje, tolera a corrupção, inscreve o Brasil no eixo terceiro-mundista anti-americano e ajuda Cuba a invadir Angola, um genocídio que não fez menos de 100 mil vítimas (o maior dos crimes da ditadura e o único autenticamente hediondo — contra o qual ninguém diz uma palavra, porque foi a favor da esquerda). Figueiredo prossegue na linha de Geisel e nada lhe acrescenta – mas não se pode negar-lhe o mérito de entregar a rapadura quando já não tinha dentes para roê-la.

É uma estupidez acreditar que esses quatro regimes formem unidade entre si, podendo ser julgados em bloco. Na minha opinião pessoal, Castelo foi um homem justo e um grande presidente; Médici foi o melhor administrador que já tivemos, apesar de mau político. Minha opinião sobre Costa, a Junta Militar, Geisel e Figueiredo não pode ser dita em público sem ferir a decência.

Em 1964 eu estava na esquerda. Por vinte anos odiei e combati o regime, mas nunca pensei em negar suas realizações mais óbvias, como hoje se faz sem nenhum respeito pela realidade histórica, nem em ocultar por baixo de suas misérias os crimes incomparavelmente mais graves praticados por comunistas que agora falseiam a memória nacional para posar de anjinhos.

Yo no Canto al Che!

Nota Introdutória: Ștefan Baciu (1918-1993) foi um escritor poliglota de origem romena, nacionalizado brasileiro. É conhecido por seus estudos e antologias sobre a literatura surrealista latinoamericana.

Como exilado, unindo-se à grande diáspora romena, trabalharia de jornalista em vários países da Europa. Em 1949 chegaria ao Rio de Janeiro com sua esposa, onde trabalharia como jornalista, escritor e comentarista de política internacional. De 1953 a 1962 foi redator da Tribuna da Imprensa, jornal de oposição fundado por Carlos Lacerda. Nestes anos faria várias viagens a distintos países da América Latina copilando informações sobre suas literaturas.

Diz-se que no México conheceu a Ernesto “Che” Guevara e a Fidel Castro, segundo algumas referências de seus escritos. Logo iria a Cuba onde daria sua testemunha e crítica à Revolução Cubana como evidencia em seu livro Cortina de Ferro Sobre Cuba (1961) e no seguinte poema, de título “Yo No Canto Al Che”.

Yo no canto al Che,
como tampoco he cantado a Stalin
con el Che hable bastante en México,
y en la Habana
me invito, mordiendo el puro entre los labios,
como se invita a alguien a tomar un trago en la cantina,
a acompañarlo para ver como se fusila en el paredón de La Cabaña.

Yo no canto al Che,
Como tampoco he cantado a Stalin;
que lo canten Neruda, Guillen y Cortazar;
ellos cantan al Che (los cantores de Stalin),
yo canto a los jovenes de Checoslovaquia

Em tradução livre para o português:

Eu não canto a Che,
como tampouco cantei a Stalin
com Che falei bastante em México,
e em la Habana
me convidou, mordendo o puro* entre os lábios,
como se convida a alguém a tomar um trago na cantina,
a acompanhá-lo para ver como se fuzila no paredão de La Cabaña.

Eu não canto a Che,
como tampouco cantei a Stalin;
que o cantem Neruda, Guillen e Cortazar;
eles cantam ao Che (os cantores de Stalin),
eu canto aos jovens da Tchecoslováquia**

Ao contrário de Neruda e Cortazar, Baciu não é cultuado e venerado na América Latina, apesar de sua extensa obra sobre a literatura desta região.


Notas:

*tipo de charuto feito de folhas de tabaco enroladas, sem papel.
**referência à resistência ao regime ditatorial socialista neste país