FHC, PSDB e a diferença entre a Social-Democracia e a Direita

Os dois maiores partidos políticos do Brasil atualmente são o Partido dos Trabalhadores (PT) e o Partido da Social-Democracia Brasileira (PSDB). Não por acaso, os cinco últimos mandatos de presidente da república foram exercidos por candidatos dos dois partidos: FHC (PSDB), Lula e Dilma Rousseff (PT). Não por acaso também, esses dois partidos apresentam grande rivalidade na política brasileira. Natural. Em qualquer lugar onde existem “grandes”, existe também uma grande rivalidade.

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Cuba, a verdade nua e crua

No documentário sobreviver calado gravado por brasileiros em visita a Cuba é mostrado um lado que os irmãos Castro querem esconder da imprensa internacional. O documentário está dividido em três vídeos que serão postados no final do artigo e tem depoimento de pessoas que vivem no regime durante várias décadas. Podemos destacar o depoimento de um medico que para sobreviver – pois seu salário não é o suficiente nem pra comprar a cesta básica – precisa trabalhar como garçom. Ele se demonstra o tempo todo contra o regime, porém ele se diz um reacionário passivo, pois tem medo do que possa acontecer. Muitos lá vivem como ele.

Apesar da revolução comunista, lá existem sim classes sociais. Há pessoas que são mais beneficiadas pelo governo do que as outras e há também as pessoas que por não aguentarem a falta de perspectiva para o futuro, arriscam sua vida tentando entrar em outros países, principalmente os Estados Unidos. Chegando nesses outros países e tendo a oportunidade de ter uma vida melhor, ou pelo menos sem uma miséria absoluta, esses fugitivos enviam dinheiro pra seus familiares que ficaram em Cuba. Para que não fique mais nítida a divisão de classes no país, a sua população é proibida de comprar carros, por exemplo.

No vídeo há também o depoimento de uma senhora que trabalha voluntariamente para o governo como uma espécie de “dedo-duro” de pessoas que vão contra o regime. Podemos observar que muitos, mesmo com uma profissão, vivem na miséria. Há informações vinculadas na imprensa internacional que até as universitárias cubanas precisam se prostituir para garantir ao menos um prato de comida. Mas segundo Fidel Castro: “Não são as universitárias cubanas que são prostitutas, são as prostitutas cubanas que tem nível universitário.” Isso seria cômico, se não fosse tão sujo.

Para manter o regime por tantas décadas, o governo dispõe de fortes propagandas estatais por todos os meios de comunicação possíveis a fim de dominar ideologicamente a população. Nessas propagandas o nacionalismo exacerbado é incentivado e sobretudo o ódio aos Estados Unidos, que é a nação que o governo cubano considera como seu maior inimigo, é incitado. Pode-se perceber que a obediência a Fidel, pela maioria das pessoas não vêm pelo seu carisma (se é que ele tem algum), mas sim pelo medo que ele causa na população. Vendo esse vídeo lembra-se de Maquiavel que diz que é muito melhor ser temido a ser amado.

O regime também se sustenta devido a grande dependência que o povo tem do Estado. Só que em contraponto, as pessoas não enxergam que são eles que sustentam a nação, já que trabalham demais e praticamente em troca de nada. No Brasil podemos pegar como exemplo os programas assistenciais do Governo Federal, que já renderam aos candidatos de esquerda anos a fio de poder e sabe-se lá por mais quantos anos essa população miserável e totalmente dependente, que em vez de reivindicar emprego e educação contentando-se com o Bolsa Família, ainda irá deixá-los no poder. Tive uma professora de Ciências Políticas que chamava o programa de “Bolsa Esmola” em alusão ao Programa Inicial chamado “Bolsa Escola” criado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso o qual Lula rebatizou ficando com o mérito da criação.

Apesar da dependência do Estado, ao contrário do que pensa o senso comum, lá nada é assegurado. Não se sabe o dia de amanhã. A população simplesmente não tem mais esperança e nem nutre sonhos. Diferente de 20 anos atrás quando eles ainda tinham a ilusão de que o futuro era seguro. Grande parte da população se sente aflita e deprimida.

Como foi dito anteriormente, há algumas pessoas que por ter um trabalho extra, ou por ter parentes que mandam dinheiro, podem se dar ao luxo às vezes de comprar alguma coisa. Porém, como no país quase tudo (ou será que tudo?) é proibido, as pessoas se veem obrigadas a obter algumas mercadorias através do mercado negro pagando bem mais caro por elas.

Apesar de tudo isso, há uma passividade quase que geral da nação, pois estes têm medo de ir contra o regime e receber várias punições, que podem ir de prisão, tortura e muitas das vezes até a morte. Então há uma categoria de pessoas lá que se consideram reacionárias, porém são como já ditos anteriormente, passivos. E isso coopera para que esse regime nunca seja derrubado. As pessoas morrem de medo de serem filmadas, por exemplo.

No segundo e no terceiro vídeo é entrevistada uma senhora, como já dito anteriormente, que trabalha voluntariamente para o governo. O nível de alienação dela é tão grande e sua adoração a Fidel é tamanha que beira a loucura. Segundo sua teoria, o país só é pobre porque quando houve a revolução, as pessoas ricas foram embora do país. Ela não consegue enxergar que o país é miserável porque o governo se apodera de tudo que eles produzem. Porém pelo que pude perceber do vídeo, essa senhora é tão fanática pelo regime porque sua família é beneficiada por ele. Ela parece fazer parte da chamada “classe privilegiada”.

Uma coisa importante é que lá, apesar de depoimento da mesma de que o estudo é gratuito e para todos, existe gente que é obrigada a tirar seus filhos da escola, pois não têm condições financeiras de arcar com o transporte. Lá existem todas as despesas de um país capitalista, porém as pessoas não tem como arcar com as mesmas.

A entrevista termina como já era esperado, com a prisão dos brasileiros que estavam produzindo o vídeo. A polícia foi chamada pela própria senhora que trabalha por governo. Os entrevistadores foram interrogados pela POLÍCIA IDEOLÓGICA e só foram liberados após pedirem pra entrar em contato com a embaixada brasileira.

O populismo e a crise

Por Mauricio Rojas. Texto originalmente publicado na Fundación Libertad em espanhol. Traduzido e adaptado para o português do Brasil por Renan Felipe dos Santos. O original se encontra aqui.

Minha posição sobre o populismo do Estado do Bem Estar Social (Welfare State) surpreendeu a um público que pensava que a miséria do populismo era uma exclusividade latinoamericana. Acostumados ao populismo palhaço e subdesenvolvido dos caudilhos iberoamericanos, às estridências de mau gosto de um Perón ou de um Chávez, com seu personalismo autoritário e errático, não tinham imaginado que poderia existir outro populismo, um populismo de país desenvolvido, mais impessoal e menos espetacular mas, no fundo, igualmente destrutivo. Menos ainda poderiam imaginar que justamente este populismo sério estava na raíz da atual crise européia.

Essencialmente, o populismo consiste em criar uma ilusão de progresso e bem-estar sobre a base de um uso irresponsável e insustentável do poder e dos recursos públicos. Isto foi o que fez por exemplo, o Perón na Argentina, gastando as grandes reservas de divisas que havia acumulado o país durante a Segunda Guerra Mundial e desperdiçando sua riqueza agrária. Isto é o que tem feito Chávez na Venezuela, graças aos petrodólares. Em suma, pão e circo, como nos velhos tempos.

Exterminadores do futuro: versão caudilho terceiro-mundista. Da esquerda para a direita: Juan Perón, Che Guevara e Hugo Chávez, respectivos destruidores das economias argentina, cubana e venezuelana.

As ilusões assim criadas duram o que duram os extraordinários recursos que as tornam possívei; logo vem as crises, e os caudilhos recorrem ao autoritarismo e à repressão para conservar o poder. Resta então o puro circo, cada vez mais gritante e brutal.

Mas, já digo, há outra maneira de fabricar a ilusão populista. Desde já algumas décadas, diversos países da Europa Ocidental vem desenvolvendo um Estado, chamado “do Bem-Estar Social” o “Benfeitor” (Welfare State), que promete às pessoas um presente e um futuro de bem-estar e segurança e gera uma sociedade dos “direitos”, que sempre vão crescendo, que sempre são mais generosos, e que permitem aos cidadãos trabalhar menos, aposentar-se antes e folgar a cada duas semanas; em suma, ser felizes e comer perdizes todos os dias.

Os cidadãos caíram no conto. Deixaram-se enganar alegremente, como se o Estado ou os políticos tivessem, tal como os caudilhos iberoamericanos, uma varinha mágica que lhes permitisse transformar em realidade tanto direito a viver melhor com menos esforço.

Os efeitos destes números de prestidigitação política tem sido notáveis. A competitividade européia vem experimentando uma grande deterioração, e o crescimento de suas economias é cada vez mais medíocre; o continente padece de euroesclerose, expressão que já se empregou há várias décadas. Quando outros se lançavam a ganhar terreno em um mercado cada vez mais globalizado à base de grandes esforços e apostando na criatividade, a velha Europa se refugiou em seus grandes Estados, supostos garantidores de direitos e níveis de vida crescentes.

A inflação dos direitos, precisamente, está na base da crise fiscal que padecemos. Os Estados prometeram, quando havia recursos –e mais ainda quando estes cresciam–, direitos de proteção social e derivados que só podiam pagar-se em situações de bonança econômica, não em tempos como os que vivemos já há quatro anos. Prometeram ilusões, como os caudilhos do outro lado do Atlântico. O cheque de bem-estar passado pelo Estado Benfeitor (Welfare State) e que supostamente ia nos proteger contra a adversidade não tinha fundos. Não foi feito para apresentar-se em momentos de verdadeira necessidade, quando muitos estão desempregados e desamparados. Por isto o déficit e a dívida tem disparado. E os todo-poderosos Estados tem tido que sair a mendigar aos mercados, para que lhes financiem sua irresponsabilidade… E assim estamos.

Exterminadores do futuro: versão democrata engomadinho. Jorge Sampaio, José Maria Aznar e Carlo Azeglio Ciampi. Respectivos destruidores das economias de Portugal, Espanha e Itália.

O populismo do Estado do Bem-Estar Social (Welfare State) tem tido um efeito ainda mais daninho que a crise fiscal. Sua suposta capacidade milagrosa de multiplicar os direitos deu combustível a uma concepção falsa de progresso e do bem-estar como algo conquistado para sempre. Esqueceu-se que o progresso é como andar de bicicleta: se parar de pedalar, se termina indo ao chão. Assim se formaram ao menos duas gerações de europeus. Em escolas que em vez de formá-los para o esforço e a responsabilidade os formou para reclamar direitos e inculcou a fatal crença de que o Estado Benfeitor faria tudo.

Os filhos deste engano populista estão hoje indignados. E se sentam em nossas praças a exigir seus direitos, supostamente apreendidos pelos malignos mercados ou por esta bruxa moderna chamada Angela Merkel. Dá pena ver o vazio mental que tem estes jovens, em cujas escolas se brinca mais do que se estuda, e as quais brilham por sua ausência de esforço e responsabilidade.

Esta crise moral é o impedimento mais importante e daninho da ilusão populista dos Estados “do Bem-Estar”, a que mais nos custará superar. Temos de esforçar-nos mais, estudar mais, inovar mais, responsabilizar-nos mais. Em suma, temos de tomar pleno controle de nossas vidas e nosso destino.
Chegando a este ponto, convém recordar a famosa resposta dada por Kant à pergunta “o que é o Iluminismo?”:

É a saída do homem de sua minoridade (…) A minoridade encontra-se na incapacidade de servir-se do próprio entendimento, sem a direção de outro. A própria pessoa é culpada desta minoridade quando a causa dela não jaz em um defeito do entendimento, senão na falta de decisão e ânimo para servir-se com independência dele, sem a condução de outro.