Ditaduras e guerrilhas socialistas geram instabilidade e ameaça de guerra na América do Sul

O agravamento da crise econômica e social venezuelana gerou uma crise humanitária na fronteira entre o país e seu vizinho, a Colômbia. A Colômbia é o país que mais acolhe imigrantes venezuelanos, que fogem do seu país de origem cruzando a fronteira por terra. Atualmente o número de venezuelanos no país vizinho supera os 450.000. Boa parte dos venezuelanos, na prática, emigra em condição de refugiado. Para o ressentido governo socialista da Venezuela, porém, o país vizinho é o seu inimigo ideológico número um. Recentemente, devido ao aumento de fluxo de imigrantes, a Colômbia resolveu adotar medidas migratórias mais estritas.

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Mas a relação entre os dois países já está amargada há um bom tempo. Ao longo dos últimos anos, a Venezuela vem repetidamente violando a fronteira e realizando incursões e reconhecimentos militares em território colombiano por terra e ar, desrespeitando a soberania do vizinho. Em agosto de 2015, o ditador venezuelano mandou demolir casas de colombianos que habitavam o “seu” lado da fronteira, forçando mais de mil e setecentas pessoas a retornar à Colômbia com uma mão na frente e outra atrás. E mesmo após esta série de desaforos militares e diplomáticos, nesta última terça-feira dia 13 de fevereiro o fiscal geral da Venezuela, Tarek William Saab, em um discurso inflamado e caricato a la Hitler, acusou a Colômbia de estar planejando invadir o seu país. Ao que tudo indica, é o contrário: a Venezuela é que está ensaiando um conflito com o país vizinho, e já provou o terreno vários vezes. É a desculpa perfeita para um “ataque preventivo”.

Além de ter de lidar com a ditadura do troglodita Nicolás Maduro, a Colômbia ainda precisa lidar com outras duas ameaças militares: a interna do ELN, grupo terrorista que domina parte do seu território; e a externa da Nicarágua que está de olho no arquipélago de San Andrés e certamente aproveitaria um conflito na região para se apoderar das ilhas. Ao que parece, a “revolução bolivariana” e seus aliados pretendem derramar ainda mais sangue na região.


ADENDO:

Lista incompleta de abusos militares e diplomáticos recentes da Venezuela contra a Colômbia:

2014
Outubro – Guarda Nacional da Venezuela invade território colombiano
Novembro – Nova incursão da Guarda Venezuelana em território colombiano

2015
Agosto – Venezuela demole casas e desaloja milhares de colombianos à força
Setembro – Aeronaves venezuelanas invadem o espaço aéreo colombiano

2016
Abril – Outra invasão da Guarda Nacional Bolivariana à Colômbia

2017
Março – Mais tropas venezuelanas invadem território colombiano
Novembro – Confirmada nova incursão militar venezuelana na Colômbia
Dezembro – Ministério de Relações Exteriores da Colômbia investiga incursão militar venezuelana

2018
Fevereiro – Fiscal geral da Venezuela acusa a Colômbia de planejar uma invasão

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Crise na Venezuela se aprofunda: Colômbia abriga 150 mil refugiados

A Colômbia avança no seu processo de paz com as FARC. O movimento guerrilheiro e terrorista, que assolou o país por mais de 50 anos, finalmente realizou a entrega de armas sob supervisão das Nações Unidas. Após a desmobilização militar, o grupo se lançará na política com um partido regular que operará legalmente no país. Apesar da delicada situação política que a entrada de um partido de extrema-esquerda à democracia implica, o fim do conflito armado com as FARC abre ao governo colombiano a possibilidade de iniciar o processo de reassentamento e restituição de terras à população afetada e reverter, ao menos em parte, a crise migratória interna do país.

protestos na venezuela

Enquanto isso, a ditadura socialista da Venezuela continua contribuindo a aumentar a crise migratória na América Latina: o governo de Nicolás Maduro pretende enfiar goela abaixo da população uma nova constituinte que aprofundará no país a “revolução bolivariana”, que de Bolívar não tem nada além do nome. Temendo o recrudescimento do regime, o aumento da violência e da miséria, cada vez mais venezuelanos estão abandonando a Venezuela em direção aos países vizinhos.

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Por que eu votaria no Bolsonaro se as eleições presidenciais fossem hoje?

Bolsonaro 1

Se as eleições de presidenciais de 2018 fossem hoje eu votaria em Jair Bolsonaro para presidente. Quero elencar abaixo oito razões. O texto é grande, mas importante.

1) Embora muitos critiquem Bolsonaro por, aparentemente, não entender muito de economia, devo lembrar que Lula não entende nada de nada. Seguramente foi o mais ignorante dos presidentes que tivemos. Aliás, num vídeo recente ele afirmou o disparate de que se você está com uma dívida, pega um empréstimo, paga a dívida e segue a sua vida. É um “ótimo” conselho econômico, não? Mesmo assim, sem qualquer habilidade em economia ele conseguiu fazer uma boa gestão econômica no seu primeiro mandato como presidente (2002-2006). Como isso foi possível? Convocando uma boa equipe para o seu ministério.

Lula, embora seja um completo imbecil em quase qualquer área do saber humano, é um exímio estrategista político. Quando subiu ao poder tratou de montar uma equipe razoavelmente liberal para dar segurança aos investidores, angariar a simpatia de empresários, criar um terreno econômico estável e, a partir daí, iniciar um processo de expansão de crédito, agigantamento do Estado e aparelhamento das instituições. Esses três últimos fatores foram, obviamente, o objetivo principal de Lula e do PT desde sempre. E foram os fatores que plantaram as sementes da atual crise pela qual passamos.

Em outras palavras, Lula soube usar de um capitalismo razoavelmente liberal para criar alianças, fazer muito dinheiro para o PT e desenvolver mais plenamente um Estado corporativista que FHC já havia iniciado. Lembre-se que um Estado corporativista (também chamado de capitalismo monopolista de Estado) é o estágio anterior ao Estado socialista (era o próprio comunista Lênin que afirmava isso em seus escritos).

Podemos buscar outro exemplo em Itamar Franco e seu sucessor na presidência, FHC. O primeiro era engenheiro civil. O segundo era sociólogo. Foi no final do governo do primeiro com o segundo como ministro da fazenda que o Plano Real foi formulado. E apesar de suas falhas, o plano cumpriu o que prometeu, acabando com a hiperinflação e estabilizando a moeda. O sucesso foi resultado do entendimento deles de economia? Não.

O sucesso foi resultado da equipe econômica escolhida para o ministério.
Em suma, o presidente não governa sozinho e as áreas que ele não domina podem ser perfeitamente geridas por boas equipes. Se até Lula conseguiu, não há motivo para crer que Bolsonaro não conseguiria. Claro que tudo é uma aposta. Contudo, usar apenas esse argumento para não votar em Bolsonaro é algo frágil.

2) O maior problema do Brasil hoje não é de ordem econômica, mas sim moral/cultural. Precisamos hoje de um nome que tenha ética e pulso firme para se opor à pautas culturais como desarmamento da população, centralização das polícias, financiamento público de passeatas gay, kit gay nas escolas, banheiro unissex também nas escolas, leis pró imigração, leis pró aborto, leis pró drogas, um MEC enviesado para o marxismo, obstruções à Operação Lava-Jato, e etc.

Essas pautas são de importância maior que as econômicas. Quem estudou um pouco das ideias de Antônio Gramsci (esse foi o tema do meu TCC¹, aliás) sabe que a guerra cultural se tornou primordial para a esquerda e que, a longo prazo, vitórias no campo cultural possibilitam hegemonia política. Se não houver quem combata firmemente essas pautas, a sociedade será engolida por problemas muito piores que os econômicos.

Aqui cabe uma reflexão sobre o prefeito de São Paulo, João Dória. Sem dúvida, ele está fazendo uma ótima gestão e, como prefeito, é um nome excelente. Talvez ele fizesse uma boa gestão como presidente. Mas pouco adiantaria ter uma sociedade bem gerida economicamente, porém homens-bomba explodindo pessoas, um povo desarmado contra traficantes e milicianos, um MEC financiando pornografia e ativismo gay nas escolas, um Estatuto da Criança e do Adolescente engessado criando jovens sem limites, a ONU nos empurrando em direção às suas pautas culturalmente destrutivas e, claro, um PSDB mais forte. Pensar só na economia é ignorar que um bom gestor pode deixar uma sociedade economicamente organizada e culturalmente destruída, o que é perfeito para um sucessor socialista fazer a festa e destruir tudo.

Essa é a grande diferença entre quem é só liberal em economia e quem é conservador. O conservador quer uma economia livre e uma boa gestão, mas entende que a guerra cultural/moral não pode ser deixada de lado. O liberal pensa que resolvendo a economia tudo o mais se resolve. Ignora que a guerra cultural é a arma mais poderosa do socialismo atual e que o capitalismo pode ser usado pela esquerda para ganhar dinheiro e agigantar o Estado.

Dória pode fazer um ótimo trabalho à curto prazo (como até o esquerdista FHC conseguiu no que diz respeito à estabilização da moeda). Mas se ela for limitada à parte econômica, Dória estará plantando as sementes para um terrível domínio esquerdista da sociedade, que poderá vir pelas mãos do próprio PSDB ou de algum partido pior (que foi exatamente o que FHC fez, ajudando a criar caminho para o PT de Lula e Dilma).

3) Bolsonaro não passa por cima de princípios por conta de partidos. Ele não se prende aos interesses de uma cúpula partidária. Daí temos mais uma diferença entre Dória e Bolsonaro. O prefeito de São Paulo tem forte amizade com Geraldo Alckmin e tem demonstrado grande fidelidade ao PSDB. Suas críticas ao PT são duras (o que é bom), mas parece estar bem comprometido com o PSDB. Isso não é bom. É um indício de que comprar Dória como presidente é comprar também FHC, Alckmin, Serra e Aécio. Já Bolsonaro é um político independente que pode construir alianças com quem possui princípios semelhantes e recusar alianças com quem é corrupto ou possui um projeto destrutivo de sociedade.

4) As opiniões mais radicais e reprováveis de Bolsonaro não possuem a mínima chance de serem aprovadas como lei e muitas não figuram como pretensão do candidato. Por exemplo, Bolsonaro é só elogios ao período do regime militar. Eu, embora reconheça que o regime não foi uma ditadura (foi um regime híbrido com características autoritárias e democráticas) e que possui méritos, não endosso o regime, creio que ele foi desnecessário e que cometeu muitas falhas.

Contudo, a opinião de Bolsonaro nesse aspecto é irrelevante para  um possível governo dele, já que ele não pretende instaurar um regime militar, tampouco teria apoio se pretendesse. Sua opinião refere-se ao passado, não ao presente. Ao contrário de comunistas, que possuem o mesmo projeto comunista de sociedade do passado, Bolsonaro não tem como meta uma ditadura.

5) Os projetos de lei já protocolados por Bolsonaro durante seu tempo de deputado até hoje são realmente muito bons. Você já viu? Cito onze aqui:

– PL 6944/2017: impede a limitação dos dados de internet proposta pela Anatel e as empresas concessionárias que prestam serviços de banda larga
– PL-4730/2016: torna hediondos os crimes de homicídio doloso praticados com arma de fogo;
– PL-1281/2015: permite bloquear celulares e radiotransmissores em presídios;
– PL-1824/2015: impõe pena mínima de dez anos de prisão para quem praticar três crimes;
– PL-2832/2015: permite não caracterizar como crime atos de defesa ao patrimônio
– PL-860/2015: obriga a revista pessoal aos visitantes de presídios
– PL-7421/2014: agrava a pena para crimes de pichação
– PL-5398/2013: aumenta a pena para crimes de estupro
– PL-367/2011: suspende o direito de dirigir de quem atingir quarenta pontos na CNH num período de doze meses
– PEC-5107/2007: concede imunidade tributária à produção e comercialização de programas de computador
– PL-6163/2005: autoriza órgãos de segurança pública a reaproveitarem armas e munições apreendidas ou encontradas

Além desses e de outros projetos de lei interessantes, Bolsonaro também é autor original do projeto de acoplar à urna eletrônica um sistema de voto impresso, a fim de que elas sejam auditáveis. Concorde-se ou não com tais propostas, elas sem dúvida versam sobre assuntos de grande interesse da população. E não é exagero afirmar que a maior parte da população dá apoio a todas essas ideias. Seria Bolsonaro tão inepto, então?

6) Há uma tendência nas pessoas de querer para a presidência ou um político ideal ou então ninguém. Ou tudo ou nada. Isso não faz muito sentido. Apoiar o Bolsonaro para a presidência não significa achar que ele é ideal ou colocar a mão no fogo por ele. É apenas reconhecer que ele pode ser a opção mais viável para o momento (ou a menos ruim, como preferir). Adotar a postura de “tudo ou nada” não é racional, pois a vaga de presidente não vai ficar sem ninguém. Alguém estará lá goste você ou não. Então, se não há político ideal (e eu questiono se em alguma parte do mundo existe um “político ideal”) você deve escolher o melhorzinho ou o menos ruim. Isso é óbvio.

Circulou por um tempo um meme de um carro numa estrada. Em dado momento do trajeto, a estrada se dividia em duas. Um caminho tinha uma placa escrito Bolsonaro e outro caminho tinha uma placa escrito Lula. O carro continuou direto e caiu no precipício por se recusar a escolher um dos dois. O sentido do meme é claro: igualar Bolsonaro a Lula. A piada é engraçada, mas não deve ser encarada como mais que isso: uma piada, um meme, jamais uma argumentação factual. Por quê? Porque ela falha totalmente no senso das proporções.

Bolsonaro pode ser considerado um político ruim se focarmos em suas falhas retóricas, em alguns de seus posicionamentos mais radicais e em alguns de seus discursos ambíguos em relação à economia. Mas ele não é (até onde sabemos) um bandido, nem o líder de uma facção criminosa gigantesca (o PT) que pretendeu instaurar um totalitarismo no Brasil, nem o homem que apoiou e financiou (com dinheiro público) grupos guerrilheiros, narcotraficantes e ditadores por toda a América Latina. Ele não é responsável pela miséria e a opressão que a Venezuela sofre hoje nas mãos de Nicolás Maduro, nem pelo quase desarmamento do povo brasileiro, nem pelo sucateamento da polícia, nem pela utilização das faculdades, sindicatos e movimentos em braços militantes de partidos marxistas e socialistas.

Comparar Bolsonaro e Lula é comparar um político limitado em alguns pontos com um bandido de dimensões continentais. A verdade é que não há comparação entre Bolsonaro e Lula, Dilma, FHC, Aécio, Serra, Alckimin, Temer, Renan ou Cunha. Jair Bolsonaro é, no máximo, um político mal preparado. Jogar todos no mesmo saco é comparar crimes com inabilidade política e concluir que não faz diferença colocar um inábil na presidência ou um bandido. Falta senso aqui.

Perceba que estou trabalhando com a narrativa de inabilidade de Bolsonaro, que é uma narrativa midiática. A grande mídia o vende como radical nos costumes/cultura e inábil em administração e economia. Mas devemos aceitar acriticamente o que a mídia nos vende como verdade? Não seria Bolsonaro capaz de se cercar de uma boa equipe e gerir bem as contas públicas? Não existem conselheiros para isso? Ele não conta com o apoio de seus filhos, que possuem um conhecimento econômico mais atualizado? Alguém com honestidade não pode acertar na condução do dinheiro público, cortando aquilo que é supérfluo e desnecessário? Será que outros presidentes eram tão gabaritados em economia e administração a ponto de Bolsonaro ser considerado um inepto?

É curioso, mas nas eleições de 2014, Aécio Neves foi visto por muita gente como uma opção razoável ou menos pior que Dilma. Não vi ninguém criticando Aécio por uma possível inabilidade econômica. Mas quem dos que votaram em Aécio se lembra das suas propostas econômicas? Quem possui conhecimento básico em economia para distinguir uma boa proposta de uma proposta ruim? Acho que conheço as respostas.

Aécio Neves foi muito bem votado e todos sabemos hoje o quão bandido ele é. Há alguma razão para considerá-lo melhor que Bolsonaro? Por que então o ceticismo em relação a Bolsonaro parece ser maior que o ceticismo em relação a Aécio em 2014? Creio que a razão é midiática. Aécio é bandido, mas tem uma aparência e um discurso mais moderados, mais mansos. Bolsonaro é honesto (até onde se sabe), mas tem uma aparência e um discurso mais brutos, mais radicais. Então, estamos nos deixando influenciar em alto grau por aparências.

7) Puxando um gancho nessa questão das aparências, devo lembrar que atos valem mais do que palavras. Bolsonaro fala besteiras por conta de seu comportamento explosivo. Mas vale lembrar que quem cuspiu em sua cara foi o socialista Jean Willis. Vale lembrar que o ator global José de Abreu, petista até os ossos, cuspiu em uma mulher por divergências políticas. Uma professora socialista e feminista defecou e urinou na foto de Bolsonaro, na rua, em um protesto outro dia. O MST e sindicatos tacam fogo em pneus, os Black Blocks depredam patrimônios públicos e privados, universitários de esquerda impedem rotineiramente palestrantes de direita de falarem em palestras. Devemos julgar mais pelas palavras ou pelos atos?

Talvez fosse interessante deixar a hipocrisia de lado e perceber que diariamente nós falamos besteiras horríveis que jamais faríamos de verdade. Todo mundo já disse algo como: “Eu vou matar aquele menino!”, ou “Se você fizer isso, acabo com você”. Quantos não disseram, em momentos de raiva, que determinado político ou determinado bandido deveria receber uma surra ou sofrer algo grave? Pessoas comuns do povo falam em fuzilar deputados, tacar uma bomba no congresso, espancar estupradores até a morte. Isso é algo rotineiro. E boa parte dessas pessoas não teria coragem de fazer 1% do que falam.

A sabedoria popular também diz rotineiramente que maus comportamentos são falta de cinto. Pessoas mais velhas geralmente dizem que apanharam muito na infância e hoje são pessoas honestas e felizes. Muita gente mais velha (muita gente mesmo, já ouvi o discurso dezenas de vezes) afirma que o período do regime foi tranquilo e que se caminhava na rua à noite sem medo.

Essas pessoas muitas vezes são duras em seus discursos e podem fazer parecer às vezes que defendem espancamento de crianças e a ditadura. Mas na maioria dos casos essas pessoas são bastante moderadas, honestas e bondosas. Suas falas estão repletas de hipérboles e exageros retóricos que expressam apenas posicionamentos favoráveis a um pouco mais de ordem e respeito, e um saudosismo de quando existia isso no passado. A maioria delas não quer realmente uma ditadura, não criou seus filhos com sessões de espancamento e nunca fizeram mal a ninguém.

Bolsonaro peca por falar diante das câmeras o que a maioria da população brasileira fala no cotidiano e que, quase sempre, não passa de exagero retórico e força de expressão. O deputado fala o que lhe vem à cabeça. Não necessariamente é o que faria. E se atos falam mais que palavras é digno de nota que o tão radical Jair Bolsonaro não revidou a cusparada que recebeu de Willis, nem mesmo se interessou em processá-lo. Para quem possui uma imagem de ser tão radical, bruto e violento não é estranho? Parece que Bolsonaro é mais louco nas falas do que nos atos.

O que a mídia faz com Bolsonaro aqui no Brasil, fez com Donald Trump nos EUA. Os jornalistas fizeram a sua caveira. Homofóbico, islamofóbico, contraditório nas propostas econômicas, radical, ditador, xenofóbico, bruto, misógino, psicologicamente instável, despreparado, etc. O homem se tornou presidente, escolheu uma boa equipe econômica, cortou financiamentos à ONGs abortistas, reduziu financiamento à ONU, fez frente ao governo da Síria, renovou os laços com Israel, intensificou a luta contra a pedofilia, o desemprego tem caído nos EUA… O mundo não acabou, a economia americana não entrou em colapso… E então? Cadê o Apocalipse? Percebe? Isso não é uma defesa do governo Trump, mas uma defesa contra a imagem radical que a mídia montou de Trump.

Aliás, a mídia, repleta de jornalistas de esquerda e progressistas, tem colado a pecha de radical em qualquer político que seja minimamente conservador. Desse modo, políticos de centro e de direita se transformam, para a mídia, em extrema-direita. Curiosamente, a mídia nunca aponta a existência de uma extrema-esquerda. Cria-se, então, uma áurea de radicalismo em quem é mais nacionalista, enérgico contra o crime e conservador.

Ademais, a mídia faz questão de explorar essa imagem radical das mais diversas maneiras possíveis, o que inclui a criação de entrevistas apenas com perguntas secundárias e que envolvam alguma potencial polêmica. Isso é interessante de se enfatizar. Em todas as entrevistas feitas ao Bolsonaro, sempre os temas referentes à homofobia, cotas, o suposto racismo contra Preta Gil (já explicado dezenas de vezes), o suposto machismo e etc. são evocados como as questões centrais. Questões econômicas, de gestão e educacionais não são enfatizadas. Isso não é só com Bolsonaro, nem só aqui no Brasil. Um dos candidatos republicanos à presidência nos EUA, em 2016, reclamou em uma entrevista da fixação dos jornalistas pelo tema “homossexualidade”. Ora, essa fixação é proposital. O jornalista vai sempre focar nos temas polêmicos que possam ajudar a criar uma imagem radical do candidato.

Assim, um candidato conservador se torna homofóbico, autoritário, fascista e xenófobo só porque ataca financiamento público de passeatas gay, kit gay nas escolas, doutrinação marxista, aceitação irrestrita de imigrantes; e defende porte de armas para o povo, redução da maioridade penal e leis penais mais rígidas. Basta defender essas pautas e elas serão distorcidas e pintadas com cores de radicalismo. É contra kit gay? Quer que os gays sejam espancados. É à favor do porte de armas? Quer que todos saiam se matando por aí. Se já é assim com um candidato que tenha bom domínio retórico, imagina o que a mídia não consegue fazer com alguém que fala como se estivesse numa roda pessoal de amigos e familiares? Pois é.

8) Finalmente, Jair Bolsonaro é um candidato que, até o momento, demonstra não estar envolvido em esquemas de corrupção, é independente dos partidos mais criminosos do Brasil (PT, PMDB e PSDB) e possui princípios rígidos. Em um país com tão elevados índices de corrupção, ter alguém limpo e com princípios sólidos deve ser levado em alta conta. Comparar Bolsonaro com corruptos ou, pior, preferir corruptos, faz cair todo o discurso de ser anticorrupção. Ele pode estar longe de ser um político ideal e ter pontos bastante negativos, mas não há como compará-lo com os vários bandidos que temos hoje como possíveis candidatos à presidência. Reconhecer isso não implica dizer que Jair, se eleito, fará um bom governo. Talvez não. É uma aposta. Mas é uma aposta muito melhor do que confiar o cargo a um Aécio Neves da vida ou a figuras como Marina e Ciro Gomes, que sempre apoiaram partidos marxistas e o próprio PT.

A exposição dessas razões não pretende ser, primordialmente, uma defesa de Bolsonaro, mas sim uma defesa da ideia de votar nele como uma opção racional e viável. Muitos tem enxergado a ideia como idiota, desprovida de senso e tão louca como a ideia de votar no Lula. E é isso que quero combater aqui. Você pode não gostar de Jair Bolsonaro e não querer votar nele. Mas deve repensar a ideia de que votar nele é algo absurdo. Talvez fosse se o Brasil estivesse muito bem. Na atual conjuntura, contudo, ele é uma opção muito viável e, possivelmente, a melhor que temos.

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  1. O TCC foi defendido no dia 18 de Maio de 2017. O título da obra é “A influência de gramscismo no pensamento e na atividade de jornalistas de esquerda no período do regime militar (1964-1985)”. Obra produzida para a obtenção do título de bacharel em jornalismo pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

A Crise Migratória… da América Latina

Enquanto os latinoamericanos demonstram a sua incontinência opiniática nas redes sociais quanto ao tema da crise migratória na Europa, quase ninguém parece notar um fenômeno parecido ocorrendo aqui mesmo.

balseros cubanos
Balseros cubanos tentam fugir do país usando balsas improvisadas. Mais de 18.000 pessoas já morreram tentando fazer a travessia em direção aos EUA.

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Sobre o marxismo heterodoxo (ou: o que alguns pretensos estudantes de história ignoram)

Este texto foi publicado originalmente no blog “Mundo Analista“. Também pode ser lido aqui.

keep-calm-e-vai-estudar-históriaQuando um conservador diz que ainda existe socialismo marxista hoje, sempre aparece algum sujeito para dizer: “Vá estudar história!”, como se o conservador estivesse dizendo uma grande baboseira do ponto de vista historiográfico e como se ele, o sujeito a proferir a imperativa frase, fosse um expert. É compreensível essa postura. Afinal, esses indivíduos acreditam que só existe um único marxismo: o marxismo ortodoxo. Mas por que pensam isso?

Pensam isso porque nunca leram obras como “Marxism, Fascism and Totalitarianism: Chapters in the Intellectual History of Radicalism”, de Antony James Gregor, que explora o conceito de marxismo heterodoxo.

Pensam isso porque desconhecem as ideias de Georges Eugene Sorel, marxista heterodoxo que fundou as bases do chamado sindicalismo revolucionário. Entre suas ideias se encontra o conceito de exploração dos mitos políticos como força motriz para mobilizar o povo. Seu movimento influenciaria o pensamento de grandes ideólogos marxistas (como Antonio Gramsci, Walter Benjamin e José Carlos Mariategui) e também de Benito Mussolini, o qual, fora marxista ortodoxo durante muitos anos.

Pensam isso porque não tomaram conhecimento das bases da social-democracia e do trabalhismo, que pretendiam alcançar o socialismo através de reformas graduais dentro do próprio capitalismo.

Pensam isso porque não leram as obras do teórico marxista Antonio Gramsci, ou dos teóricos marxistas da Escola de Frankfurt, que fizeram releituras do marxismo, criaram novas estratégias e abordaram a necessidade do combate cultural para a tomada de poder pelos partidos socialistas.

Pensam isso porque não chegaram a estudar sobre a falibilidade prática de sistemas econômicos totalmente estatizados e as consequentes concessões feitas ao setor privado pelos dirigentes comunistas, a fim de conseguirem manter a economia de seus Estados. Não estudaram isso, tampouco estudaram que estes fatos já eram previstos e explicados, em parte, pelos estudos do economista Ludwig von Mises (na década de 1920) a respeito do cálculo econômico em sistemas socialistas. Esses estudos, aliás, continuaram sendo feitos pelo economista Friedrich Hayek, ganhador do Nobel de Economia em 1974 e autor do clássico livro “O Caminho da Servidão”, no qual explica com clareza porque o crescente controle da economia pelo Estado leva a sistemas políticos totalitários.

Pensam isso porque eles ignoram que a falibilidade do modelo econômico socialista contribuiu para reformulações na teoria marxista e a adoção de estratégias mais pragmáticas e gradualistas por parte dos novos pensadores e políticos marxistas.

Pensam isso porque não prestaram sequer atenção ao próprio “Manifesto do Partido Comunista”, em que Marx e Engels demonstram, no final, que em todos os países os comunistas estavam dispostos a colaborar até mesmo com capitalistas, se isso se mostrasse efetivo para os planos do partido no futuro. Ali estava a gênese do pragmatismo marxista e do surgimento de marxismos heterodoxos.

Acreditam esses indivíduos que nos mandam estudar história que o comunismo acabou juntamente com a URSS e que, de um dia para o outro, como num passe de mágica, marxistas de todo o mundo se conformaram com o capitalismo, abandonaram todas as ligações com as ideias de Karl Marx e deixaram de lado qualquer pretensão de mudar o mundo. Esquecem-se (ou ignoram propositalmente) que os principais conceitos marxistas continuam sendo ensinados amplamente, como é o caso da luta de classes, da mais-valia, do materialismo dialético, do materialismo histórico, da sociedade dividida em superestrutura e infraestrutura, da religião como ópio do povo, da capacidade do ser humano de remodelar o mundo, do Estado como ferramenta para implementar as políticas da revolução proletária, do forte controle da economia pelo Estado e da centralização do poder nas mãos do proletariado (representados pelo Partido).

Os simples fatos de (1) não se falar mais em estatização completa da economia, (2) tolerar a existência de empresas privadas e (3) deixar de lado a utilização do mito de um estágio final do socialismo onde o Estado é superado, é entendido por esses sujeitos como prova irrefutável de que o socialismo marxista não existe mais. Tolice. O que isso na verdade mostra é que marxistas compreenderam que a estatização completa da economia é inviável e, ao mesmo tempo, desnecessária. Para quê estatizar tudo se o Estado pode controlar empresas privadas através de regulamentações, altos impostos, troca de favores com grandes empresas, proteção de cartéis, oposição ao livre mercado e grande poder de intervenção na economia? Para quê estatizar tudo se o Estado pode estatizar (ou manter estatizado) apenas aquilo que julgar mais importante? Para quê o Estado terá o trabalho de administrar tanta coisa, se é possível delegar essa função à empresas privadas sem prejuízo algum de seu plano de poder? Para quê estatizar tudo se o Estado pode contar com a existência de empresas privadas para resolver os problemas econômicos causados por sua ineficiência e corrupção?

Não é preciso estatizar tudo para conquistar o controle político e econômico que marxistas almejam para, supostamente, tornar a sociedade mais justa e igualitária. E isso, por mais heterodoxo que possa soar, encontra sua gênese no “Manifesto do Partido Comunista”. Lá Marx e Engels já falavam sobre o gradualismo. O controle político e econômico do Estado seria conquistado aos poucos. As empresas privadas não seriam todas destruídas ao mesmo tempo, mas conviveriam com o governo socialista por período indeterminado, sendo cada vez mais controladas pelo Estado e reduzidas em número, até que tudo passasse diretamente para as mãos dos dirigentes estatais. A diferença entre o marxista ortodoxo e o heterodoxo aqui é que o primeiro vê o controle direto do Estado sobre as empresas como uma necessidade, ao passo que o último crê que é possível e conveniente que parte do controle sobre as empresas seja indireto. Em outras palavras, é possível fazer uso do capital privado para benefício do Estado e da manutenção do poder.

Quando voltamos a Gramsci e lemos sobre suas estratégias para a manutenção do Partido no poder (inclusive dizendo que o Partido é o novo Princípe, de Maquiavel) e a transformação gradual da mentalidade do proletariado através da cultura, confirmamos o parágrafo acima e percebemos que o socialismo marxista ainda existe e tem sido implementado por diversos partidos, embora por meios mais gradualistas, pragmáticos e aparentemente despretensiosos. Uma vez que os sujeitos dos quais falamos nesse texto, não admitem a existência de heterodoxia no marxismo, zombam dos conservadores e olham para governos de orientação socialista como se não o fossem. O resultado se verá à longo prazo. Economias cada vez menos livres, crises econômicas e governos com poderes despóticos. Temos visto prévias desse cenário na Venezuela, na Bolívia, na Argentina e no próprio Brasil.

Obs.: O leitor mais atento certamente percebeu que as semelhanças entre o fascismo italiano de Benito Mussolini e o marxismo heterodoxo. Na verdade, é exatamente isso. O fascismo italiano é um tipo de marxismo heterodoxo. Suas raízes estão fincadas nas ideias do sindicalismo revolucionário de Sorel, que serviu de inspiração para que Mussolini remodelasse o marxismo que seguia. Mussolini percebeu o que os marxistas perceberiam em massa após a falência da URSS: que não era necessário estatizar toda a economia, destruir as empresas privadas e utilizar o mito do fim do Estado após a ditadura do proletariado. A diferença entre Mussolini e os marxistas heterodoxos atuais reside na escolha dos mitos políticos para empurrar o povo. O Duce italiano utilizou-se do nacionalismo e da guerra.

Algumas das obras que dão conta desta análise são: “Revolutionary Fascism”, de Erik Norling; “The birth of fascist ideology”, de Zeev Sternhell, Mario Sznajder e Maia Asheri; e o já citado “Marxism, Fascism and Totalitarianism: Chapters in the Intellectual History of Radicalism”, de Antony James Gregor. Deixo como indicação alguns artigos sobre o tema:

Quando o Fascismo era de Esquerda
Tudo que você deveria saber sobre o Fascismo, mas não quer
O Fascismo nasce da Esquerda
Fascismo do Século XXI
O nazismo e o fascismo eram movimentos conservadores políticos?

Do direito de matar o tirano

A árvore da liberdade deve ser regada de quando em quando com o sangue dos patriotas e dos tiranos. É o seu adubo natural.

– Thomas Jefferson

A imagem que ilustra este post é a “bandeira de guerra à morte” usada por Simón Bolívar e pelos patriotas sul-americanos durante o processo de emancipação da coroa espanhola. Ela tem sido hasteada em diversas partes da Venezuela para sinalizar que o povo não está mais disposto a negociar e muito menos ser governado por um psicopata. O primeiro e mais importante direito político do povo, o de rebelar-se, está em curso na Venezuela e pode ter um final nunca antes visto na história da América Latina.

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A luta contra o tirano socialista Nicolás Maduro segue na Venezuela. Já foram 38 mortos pela repressão contra os protestos. Os manifestantes, armados apenas de coragem, vem sendo assassinados pela polícia política venezuelana, pelo exército e por milícias partidárias denominadas “colectivos”. A maioria delas foi morta com tiro na cabeça. Somemos a isso os inúmeros presos, torturados e até estuprados. Nicolás Maduro poderia ter renunciado antes, mas não o fará porque tiranos só saem do poder de duas maneiras: depostos ou mortos. Maduro sabe que merece o mesmo destino de um Ghadafi, de um Ceausescu, de um Mussolini, e é por isso mesmo que está desesperado para reprimir a qualquer custo as manifestações que só tem aumentado no país. Contando com apoio militar dos “vespas negras” (tropas de elite) cubanos, com a negligência dos órgãos internacionais de fiscalização dos direitos humanos e com a omissão conivente de seus aliados sul-americanos (Humala, Morales, Dilma, Kirchner), o governo socialista da Venezuela segue matando seus cidadãos.

Quem quer que, a esta altura, se oponha à retirada violenta de Maduro do poder, é um hipócrita. É alguém que, “em nome da paz”, defende o direito de um “Estado soberano” massacrar seu próprio povo. É aquela velha neutralidade interesseira em favor da ditadura, da repressão e da violência. Neste momento, o governo de Maduro não tem absolutamente nenhuma legitimidade para governar, muito menos para querer conduzir negociações de paz: a soberania saiu de suas mãos e retornou às mãos do povo venezuelano que agora age em legítima defesa contra a tirania. E em legítima defesa, o povo venezuelano pode e deve depôr Maduro (já que esse, afrontando a soberania popular, nega-se a renunciar) e, se ele resistir, matá-lo.

John Locke já havia explicado em seu Segundo Tratado sobre o Governo Civil como a legitimidade de um governo reside no consentimento dos governados. No Tratado, também, Locke traz ao mundo uma revelação que nos tempos do absolutismo parecia absurda: o povo tem o direito de rebelar-se e depor um governo tirano. Os ingleses fizeram uso desse direito e executaram o rei Charles I. Os romenos usaram desse direito e executaram o ditador socialista Nicolae Ceausescu. Os italianos, executaram Mussolini. Recentemente foi a vez dos líbios punirem Muammar Ghadafi. Chegou a hora de Maduro enfrentar sua sentença na mão dos venezuelanos.