Quem foi Manuel F. Ayau?

Manuel Francisco Ayau Cordón (27 de dezembro de 1925 – 4 de agosto de 2010) foi um intelectual, acadêmico, empresário e político liberal da Guatemala, fundador do Centro de Estudios Económico-Sociales (CEES) e da Universidad Francisco Marroquín (UFM), instituições dedicadas à difusão do liberalismo clássico.

I. Infância e Juventude
Manuel Ayau nasceu na cidade de Guatemala em 27 de dezembro de 1925, o único filho homem dos cinco que tiveram os empresários Manuel Silvestre Ayau Samayoa e María Cristina Cordón.

Ayau estudou parte da secundária em  uma escola católica em Belmont, Califórnia. Em 1943 se mudou para o Canadá e se graduou na Upper Canada College. Ingressou na Universidade de Toronto onde estudou um ano de engenharia química e outro de engenharia civil. Enquanto estudava neste país prestou serviço militar no Royal Canadian Army Officers Training Corps e no Royal Canadian Air Force Officers Training Corps.

Durante estes anos Ayau teve seu primeiro contato com as idéias da liberdade. “Estando no Canadá, li alguns livros de Ayn Rand e aí me apaixonei pela liberdade, como uma exigência de meu direito”, comentou em uma entrevista com o jornalista Carlos Alberto Montaner.

Em 1945 regressou à Guatemala e trabalhou como desenhista técnico na Architectural Design Office for Central America e na construção do Hospital Roosevelt como assistente de supervisão de construção. Regressou aos Estados Unidos em 1948 e ingressou na Louisiana State University, onde se graduou engenheiro mecânico em 1950. Anos mais tarde esta casa de estudos o honraria nomeando-o Aluno Destacado.

II. Obra
Estudioso, educador e empreendedor, Manuel F. Ayau fundou em 1959 o Centro de Estudios Económico-Sociales, centro de pensamento liberal clássico em cujo seio nasceu a Universidad Francisco Marroquín, em 1971. Até seus últimos dias promoveu o projeto de reforma do Estado conhecido como ProReforma. O doutor Ayau foi reitor emeritus da UFM.

Manuel F. Ayau participou da fundação de organizações como a Bolsa de Valores Nacional e a Cámara de Industria da Guatemala. Como empreendedor participou do cultivo de algodão e de arroz, e fundou a maior fábrica de azulejos e pisos de cerâmica da América Central.

Presidiu organizações tais como a Mont Pelerin Society, que conta entre seus membros numerosos ganhadores do Prêmio Nobel, e foi fundada por Friedrich A. Hayek. Foi também diretor do Liberty Fund, de Indianápolis, e membro da direção da Foundation for Economic Education, de Nova Iorque.

III. Homem dos livros e dos prêmios
É também autor de livros como Un juego que no suma ceroEl proceso económicoCómo mejorar el nivel de vidaDe Robinson a ViernesLa década perdidaNo tenemos que seguir siendo pobres para siempre e El comercio. Durante anos publicou uma coluna semanal em jornais locais, e seus artigos se difundiram em jornais e revistas como The Wall Street Journal e The Freeman, entre outros.

Ayau obteve a graduação de bacharel em Engenharia Mecânica na Louisiana State University e é membro da Honorary Engineering Society Tau Beta Pi. Conta com títulos honoríficos do Hillsdale College e da Northwood University. Foi nomeado Distinguished Alumni da LSU e recebeu o Founders Award da Foundation for Economic Education. Em 2008 foi concedido o Premio Juan de Mariana, da fundação homônima, e em 2005 com o Prêmio Adam Smith, da Association of Private Enterprise Education. Foi homenageado pela Cámara Guatemalteca de Periodismo, eleito como Membro Distinto da Philadelphia Society, e incluído na galeria de Freedom Champions, da Atlas Economic Research Foundation. Em junho de 2008, Los Angeles Times publicou uma reportagem sobre a UFM, Ayau e sua obra.

IV. Carreira política e legado
Depois de apresentar-se como cadidato pelo Movimiento de Liberación Nacional (MLN), Ayau foi eleito deputado para o Congresso da República pelo departamento de Alta Verapaz para o período de 1970 a 1974. Ayau era membro da bancada oficial do governo de General Carlos Arana Osorio mas não estava de acordo com o rumo das políticas que este estava tomando.

Em relação à economia, Arana havia se desencantado pela intervenção nos mercados, prática comum na maioria dos governos da América Latina naqueles anos. Ayau tentou materializar as ideias que com tanto afinco havia defendido até então. Em uma ocasião apresentou ao Congresso uma proposta de indenização universal dos trabalhadores para flexibilizar o mercado de trabalho, já que as leis trabalhistas da Guatemala obrigam o patrão a pagar uma indenização por tempo de serviço ao trabalhador somente se houver uma demissão injustificadas (por causas não imputáveis ao trabalhador); se o trabalhador se demite, não recebe nada. A rigidez na rotação de trabalhadores que isso provoca tem como consequência uma economia menos próspera.

Mesmo quando a iniciativa de Ayau apontava para melhoras na economia do país, foi atacada por grupos de esquerda. Os sindicatos a consideravam uma ameaça a sua fonte de conflitos sociais: a guerra de classes. Por outra parte, os empresários acreditavam que elas podiam colocá-los em dificuldades. A indenização por demissão injustificada implica num importante passivo para as empresas e produz consequências nocivas que Ayau assinalou sempre:

“Uma análise serena e não ideológica desta interferência nos faz ver que a indenização tem vários efeitos não intencionais e antieconômicos. Por um lado, diminui o poder de negociação do trabalhador o simples feito de que o patrão saiba que incorrerá na perda de seu passivo contingente se se retira voluntariamente (…) Como qualquer aumento de salário implica um aumento ao passivo contingente, resulta em dar um poderoso dissuasivo a aumentar salários e assim estimular o trabalhador.”

Como deputado Ayau teve a oportunidade de comprovar pessoalmente que nos países comunistas os preços dos bens eram definidos copiando-os do ocidente, em alguns casos diretamente dos catálogos de vendas. Durante uma missão oficial na Hungria perguntou a um funcionário como determinavam o preço da pimenta. Este lhe respondeu que se baseavam nos preços do mercado internacional.

Para 1990 Ayau se apresentou como candidato presidencial pelo MLN, mas se retirou da disputa três meses antes das eleições para converter-se em vice-presidenciável do candidato Jorge Carpio Nicolle para a Unión del Centro Nacional (UCN), partido que perdeu as eleições no segundo turno para Jorge Serrano Elías, do Movimiento de Acción Solidaría (MAS).

No geral ficam a MLN e Ayau dentro da direita política, mas entre ambos existiam fortes características que os diferenciavam. Aos dois unia uma atitude claramente anticomunista em uma época (meados dos anos setenta e oitenta) em que a guerrilha esquerdista tinha muita presença urbana na Guatemala, dedicando-se aos sequestros e assassinatos. Mas o UCN não tinha uma ideologia clara. Era um partido político de direita, mas não liberal. Entre seus membros havia aqueles que compartilhavam um pensamento a favor da livre empresa, mas a maioria seguia a linha do desenvolvimentismo e outros tinham uma inclinação ao autoritarismo de traço franquista.

V. ProReforma
O último projeto que iniciou Ayau consistiu em uma proposta de reforma parcial à Constituição Política da República da Guatemala através da associação cívica ProReforma, da qual foi presidente.

Em 2003, junto com outros guatemaltecos, Ayau iniciou uma discussão sobre as causas da pobreza e da violência na Guatemala. O grupo determinou que era necessário mudar o sistema político que rege a relação entre os cidadãos e o governo e para isto se atribuiu a alguns especialistas a redação de um projeto de reforma à Constituição com o fim de estabelecer um verdadeiro Estado de Direito no país. Em 7 de junho de 2005, com um total de 45 fundadores, se assinou a ata de constituição da Asociación Civil ProReforma del Estado mediante uma Constituição de Princípios.

O argumento do ProReforma era que a pobreza na Guatemala era o resultado da falta de proteção dos direitos individuais, a saber: segurança para as pessoas, seus bens e seus contratos. Sua proposta principal era reforçar e tornar independente o Organismo Judicial (poder judiciário) e criar um congresso bicameral.

Desde o início o projeto do ProReforma foi constantemente divulgado entre a sociedade guatemalteca. Se realizaram ao redor de 250 apresentações, conferências, discussões, entrevistas, reportagens e exibições nos meios de comunicação. Ayau liderou a maioria delas, mesmo quando começava a sofrer problemas de saúde devido ao câncer pulmonar que lhe tinha sido diagnosticado.

Em 27 de março de 2009 a proposta foi apresentada ao Congresso da República. Estava respaldada por 73.103 assinaturas de cidadãos guatemaltecos, o que constituia cerca de 14 vezes mais a quantidade requerida pela Constituição da Guatemala para uma reforma por meio do Congresso (sem necessidade de convocar a uma Assembléia Nacional Constituinte), que culminaria com sua ratificação de parte dos cidadãos mediante uma consulta popular.

Após mais de 90 audiências públicas convocadas pelo Congresso com o objetivo de conhecer os distintos pontos de vista a respeito, a Comissão de Legislação e Pontos Constitucionais arquivou o projeto do ProReforma. De qualquer forma, marcou um precedente na Guatemala porque foi a primeira vez que um grupo de cidadãos exerceu seu direito constitucional de propor reformas à Carta Magna.

O projeto de ProReforma se inspirou em grande parte na obra Direito, Legislação e Liberdade, de Friedrich A. Hayek. Ayau e os demais fundadores se basearam neste texto para propor a criação de um congresso bicameral no qual o Senado se encarregaria da lei e estaria afastado da política partidária, enquanto que a Câmara dos Deputados estaria a cargo da legislação. A lei, segundo a Associação, consistia em normas gerais, abstratas, de conduta justa, aplicáveis a todos por igual e para um número indeterminado de casos futuros. Se referia às normas que se encontram geralmente nos códigos (civil, penal, de comércio) dos países que pertencem à tradição jurídica romano-germânica. A Câmara dos Deputados, por sua parte, seria um órgão essencialmente político e se encarregaria da legislação ordinária, ou seja, do manejo do governo e outra legislação concernente aos interesses de seus eleitores.

VI. Morte
Morreu em 3 de agosto de 2010, e foi velado na Plaza de la Libertad, na Universidad Francisco Marroquín, seu maior legado.

Ayn Rand Sobre o Ativismo Político

Trechos retirados do livro Ayn Rand Answers: The Best of Her Q & A
Tradução de Breno Barreto

Introdução do tradutor:
Nestes trechos, Ayn Rand responde a perguntas de pessoas na platéia durante apresentações públicas suas e discorre sobre princípios valiosos, tais como a liberdade de expressão como indicador do tipo de ação política a ser adotada (se pacífica ou não) para a mudança de uma sociedade; a importância de se conceder tempo à população para que se adapte a novas medidas políticas que retiram o governo da economia e da vida social; a supremacia da ação cultural sobre a política prática partidária e o foco nas instituições de ensino. Enjoy!

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Pergunta: Quais passos políticos levam à realização dos seus objetivos?

Ayn Rand: Eu não trabalho para ou aconselho a criação de qualquer novo partido político. É muito cedo para isso. Mas, como muitos de vocês são Republicanos e interessados em política local, eu diria que política se começa com uma ideia. Você não vence eleições com slogans isolados utilizados uma vez a cada quatro anos. Se algo prático pode ser feito é isso: desenvolva um conjunto consistente de princípios e o ensine às pessoas em seu partido: trabalhadores da região, candidatos locais e talvez nacionais. Ensine-os a defender o capitalismo. Exija – moralmente, orgulhosamente e sem pedir desculpas por isso – um retorno ao pleno capitalismo.Isso não pode ser feito da noite para o dia, então não ajam feito cruzados no sentido improdutivo de exigir mudanças imediatas. Mas afirme esse objetivo às pessoas. Ao invés de socialistas prometendo sustento público, mantenha a promessa da liberdade, e trabalhe passo a passo em sua direção. Formule uma política de quais controles podem ser repelidos primeiro, e quais passos poderiam realizar uma economia completamente sem controles. Mas, acima de tudo, baseie seu programa em um pleno conhecimento da história e da natureza do capitalismo, e em uma plena defesa do capitalismo contra as acusações e más concepções pregadas pela esquerda.Comece pelas escolas e faculdades porque elas são as fontes dos futuros políticos e homens de ação. Você nada realizará em uma eleição política se você negligenciar as instituições onde as ideias são formadas. Certifique-se de que as instituições educacionais ensinem o individualismo e o capitalismo. Você não deve buscar o controle das escolas; você deve apoiar aqueles em suas escolas que são bons, assim como os esquerdistas apoiam os seus defensores…

Aprenda a defender sua posição de forma que nenhum esquerdista conseguia lhe responder… Não peça desculpas pelo capitalismo. Não permita que ele seja atacado como um sistema de cobiça egoísta. Mas você nada conseguirá realizar enquanto simultaneamente expressar consideração pelo altruísmo. Aprenda a moralidade implícita na Declaração da Independência Americana, um documento que hoje não é suficientemente citado nem suficiente entendido. A ética Objetivista é meramente a prova filosoficamente trabalhada do que os Pais Fundadores implicaram na Declaração… A batalha é moral e filosófica. (1961)

Pergunta: É possível mudar a direção da humanidade sem primeiro experimentar o desastre?

AR: Enquanto um país não estiver sob uma ditadura, a cultura poderá ser mudada pacificamente, particularmente em um país como os Estados Unidos, que foi fundado sobre ideias de liberdade. Seria mais difícil na Europa, onde eles são tradicionalmente estatistas – seus valores básicos subconscientes são estatistas – e a liberdade é uma exceção. Na América, as pessoas aceitam demais – de forma muito inocente e ingênua – mas eu não acho que uma ditadura poderia assumir o controle do país. Por baixo de todos os seus erros, a premissa básica dos americanos é liberdade. Essa é uma emoção expressa sem palavras – a atmosfera do sentido de vida. Tradicionalmente e historicamente, o povo americano pode ser levado até certo ponto, em seguida eles interrompem isso.

Uma vez que um país aceita a censura da imprensa e da expressão, então nada pode ser conquistado sem violência. Portanto, enquanto você possuir liberdade de expressão, dê-lhe proteção. Essa questão é de vida ou morte neste país: não abandone a liberdade de imprensa – dos jornais, livros, revistas, televisão, rádio, filmes e todas as outras formas de apresentar ideias. Enquanto essas forem livres, uma virada intelectual pacífica é possível. (1961)

Pergunta: …como [uma sociedade capitalista laissez-faire] poderia ser implantada?

AR: (…) Toda mudança em política prática foi precedida por uma mudança cultural – ou seja, uma mudança na filosofia dominante na cultura. Portanto, como uma questão prática, é preciso se concentrar na cultura – em disseminar a filosofia que torna possível a uma sociedade esclarecida adotar o capitalismo laissez-faire. (1962)

Pergunta: Se você fosse eleita presidente dos Estados Unidos amanhã, quais mudanças você instituiria?

AR: Essa é a última coisa que eu tentaria ou aconselharia alguém a tentar. Mas quanto à questão hipotética “O que eu aconselharia se meu conselho fosse imediatamente adotado?”, eu responderia: Comece a retirar os controles da economia tão rápido quanto considerações econômicas racionais permitam. Eu falo em “considerações econômicas racionais” porque hoje toda a população é dependente de controle dos governos. A maioria das profissões funciona sobre controles, e suas atividades são calculadas sobre essa base. Então, se alguém repelisse todos os controles da noite para o dia, por decreto legislativo, isso seria uma ação desastrosa, arbitrária, ditatorial. O que um país livre necessita é dar a todas as pessoas interessadas comunicados suficientes para que reajustem reorganizem suas atividades econômicas. Portanto, depois de elaborar com economistas o tipo de programa necessário para descontrolar a economia, e quais controles devem ser repelidos primeiro, eu aconselharia aprovar legislação anunciando que certos controles serão abolidos dentro de três anos, digamos – o período calculado para permitir às pessoas a oportunidade de reajustar suas atividades. Em uma economia livre, nenhuma mudança acontece do nada e da noite para dia. Toda mudança econômica, todo desenvolvimento, é gradual. Portanto, em uma sociedade livre, não há mudanças imediatas e desastrosas. Pois, dada a nossa presente situação, qualquer mudança repentina poderia criar deslocamentos desastrosos e, por isso, devemos retirar os controles gradualmente. (1962)

Pergunta: Como podemos mudar nossa política e nossos políticos?

AR: Enquanto um país for pelo menos semi-livre, os políticos não são o fator determinante. Eles são o que a opinião pública fizer deles (ou o que eles pensam que a opinião pública quer). Portanto, antes que de engajar em política, devemos nos engajar em trabalho educacional. Nós precisamos de uma campanha educacional mirada na disseminação de uma nova filosofia, que faça as pessoas entender o que são direitos individuais e por que o altruísmo é errado. Se você entende suas ideias, tente disseminá-las ao máximo de pessoas possível. É assim que a opinião pública muda, e isso mudará os políticos. Desde que a causa de nossos problemas está nas universidades, se você quer reformar qualquer única instituição, comece aí, porque a filosofia determina uma cultura e, com isso, a direção de um país, e filosofia é a especialidade das universidades. Se você quer uma cruzada, comece com as universidades. (1972)

Pergunta: Há alguém na política hoje por quem você seja entusiasta?

AR: Não. Eu gostaria que houvesse. Na atmosfera cultural de hoje, as melhores pessoas – os verdadeiros intelectuais – não entrariam na política; não ainda. A batalha – que está nas universidades – deve ser vencida primeiro, e a base estabelecida fora da política. (1976)

Pergunta: Agora é o momento para um político Objetivista?

AR: Certamente não. Para quem ele falaria? Não se pode conduzir uma campanha educacional e uma campanha política simultaneamente. Em cinqüenta anos, pode ser o momento para um político Objetivista; mas no momento em que isso for possível, ele praticamente não seria necessário. A opinião pública do país continuaria na direção da liberdade e da razão. Portanto, Objetivistas devem ir para a sala de aula, e corrigir a situação lá. (1976)

Pergunta: Você poderia comentar sobre a inépcia dos orientadores políticos na América? Ela é resultado de estupidez ou malícia?

AR: Estupidez, é claro. Você os lisonjeia ao pensar que é malícia. Eles não sabem nada mais, o que não é crime. O crime é eles não quererem saber mais. Afinal de contas, as pessoas na política são apenas o resultado último das tendências educacionais e culturais de um país. Elas não são a causa de nada. Elas são produto do que lhes disseram, o que no caso é exclusivamente coletivismo e estatismo. Elas vêem que isso não funciona, mas são incapazes de pensar no que poderia funcionar. Elas não conseguem retornar ao capitalismo, ninguém lhes disse isso. (1978)

Ayn Rand, pseudônimo de Alissa Zinovievna Rosenbaum, foi uma dramaturga, escritora, roteirista, filosofa e desenvolvedora do sistema filosófico chamado Objetivismo. Escreveu romances como “The Fountainhead”, do qual obteve fama, “A Nascente”, onde originou o filme “Vontade Indômita”, e “A Revolta de Atlas” (também em filmagem, em uma trilogia). Além de A Revolta de Atlas ser o mais conhecido, é também um best-seller americano e o livro mais influente depois da Bíblia (segundo a Biblioteca do Congresso americano) nos EUA.

Veja também
:
A Revolta de Atlas, por Ayn Rand
A Virtude do Egoísmo, por Ayn Rand – Libertarianismo

O fascismo nosso de cada dia

O fascismo não morreu, e um dos maiores desserviços que minha classe intelectual presta à sociedade é deixar que as pessoas pensem que o fascismo morreu. Aldous Huxley (“Admirável Mundo Novo”), George Orwell (“1984”) e Ayn Rand (“A Revolta de Atlas”) deveriam ser adotados em todas as escolas para ensinar o que os professores não ensinam e deveriam ensinar: que o fascismo não morreu.

O fascismo é a marca de tecnocratas e políticos que querem governar a vida achando que somos idiotas incapazes de decidir e que usam nosso dinheiro para esconder suas incompetências e sustentar suas ideologias “do bem”. Querem nos tornar idiotas e pobres, para depois “tomar conta de nós”.

Excelente trecho do artigo “Basta” de Luiz Felipe Pondé para a Folha de S. Paulo. Para lê-lo na íntegra, clique aqui.

O Discurso do Dinheiro

por Ayn Rand, filósofa americana de origem russa.

Então o senhor acha que o dinheiro é a origem de todo o mal? O senhor já se perguntou qual é a origem do dinheiro? O dinheiro é um instrumento de troca, que só pode existir quando há bens produzidos e homens capazes de produzi-los. O dinheiro é a forma material do princípio de que os homens que querem negociar uns com os outros precisam trocar um valor por outro. O dinheiro não é o instrumento dos pidões, que pedem produtos por meio de lágrimas, nem dos saqueadores, que os levam à força. O dinheiro só se torna possível através dos homens que produzem. É isto que o senhor considera mau? Quem aceita dinheiro como pagamento por seu esforço só o faz por saber que ele será trocado pelo produto de esforço de outrem. Não são os pidões nem os saqueadores que dão ao dinheiro o seu valor. Nem um oceano de lágrimas nem todas as armas do mundo podem transformar aqueles pedaços de papel no seu bolso no pão de que você precisa para sobreviver. Aqueles pedaços de papel, que deveriam ser ouro, são penhores de honra; por meio deles você se apropria da energia dos homens que produzem. A sua carteira afirma a esperança de que em algum lugar no mundo a seu redor existem homens que não traem aquele princípio moral que é a origem da produção? Olhe para um gerador de eletricidade e ouse dizer que ele foi criado pelo esforço muscular de criaturas irracionais. Tente plantar um grão de trigo sem os conhecimentos que lhe foram legados pelos homens que foram os primeiros a plantar trigo. Tente obter alimentos usando apenas movimentos físicos, e descobrirá que a mente do homem é a origem de todos os produtos e de toda a riqueza que já houve na terra.

Mas o senhor diz que o dinheiro é feito pelos fortes em detrimento dos fracos? A que força o senhor se refere? Não é à força das armas nem dos músculos. A riqueza é produto da capacidade humana de pensar. Então o dinheiro é feito pelo homem que inventa um motor em detrimento daquele que não o inventaram? O dinheiro é feito pela inteligência em detrimento dos estúpidos? Pelos capazes em detrimento dos incompetentes? Pelos ambiciosos em detrimento dos preguiçosos? O dinheiro é feito – antes de poder ser embolsado pelos pidões e pelos saqueadores – pelo esforço honesto de todo homem honesto, cada um na medida de sua capacidade. O homem honesto é aquele que sabe que não pode consumir mais do que produz. Comerciar por meio do dinheiro é o código dos homens de boa vontade. O dinheiro baseia-se no axioma de que todo homem é proprietário de sua mente e de seu trabalho. O dinheiro não permite que nenhum poder prescreva o valor do seu trabalho, senão a escolha voluntária do homem que está disposto a trocar com você o trabalho dele. O dinheiro permite que você obtenha em troca dos seus produtos e do seu trabalho aquilo que esses produtos e esse trabalho valem para os homens que os adquirem, e nada mais que isso. O dinheiro só permite os negócios em que há benefício mútuo segundo o juízo das partes voluntárias.

O dinheiro exige o reconhecimento de que os homens precisam trabalhar em benefício próprio, e não em detrimento de si próprio; para lucrar, não para perder; de que os homens não são bestas de carga, que não nascem para arcar com o ônus da miséria; de que é preciso oferecer-lhes valores, não dores; de que o vínculo comum entre os homens não é a troca de sofrimento, mas a troca de bens. O dinheiro exige que o senhor venda não a sua fraqueza à estupidez humana, mas o seu talento à razão humana; exige que o senhor compre não o pior que os outros oferecem, mas o melhor que o seu dinheiro pode comprar. E, quando os homens vivem do comércio – com a razão e não à força, como árbitro irrecorrível –, é o melhor produto que sai vencendo, o melhor desempenho, o homem de melhor juízo e maior capacidade – e o grau da produtividade de um homem é o grau de sua recompensa. Este é o código da existência cujo instrumento e símbolo é o dinheiro. É isto que o senhor considera mau?

Mas o dinheiro é só um instrumento. Ele pode levá-lo aonde o senhor quiser, mas não pode substituir o motorista do carro. Ele lhe dá meios de satisfazer seus desejos, mas não lhe cria desejos. O dinheiro é o flagelo dos homens que tentam inverter a lei da causalidade – os homens que tentam substituir a mente pelo seqüestro dos produtos da mente. O dinheiro não compra felicidade para o homem que não sabe o que quer; não lhe dá um código de valores se ele não tem conhecimento a respeito de valores, e não lhe dá um objetivo, se ele não escolhe uma meta. O dinheiro não compra inteligência para o estúpido, nem admiração para o covarde, nem respeito para o incompetente. O homem que tenta comprar o cérebro de quem lhe é superior para servi-lo, usando dinheiro para substituir seu juízo, termina vítima dos que lhe são inferiores. Os homens inteligentes o abandonam, mas os trapaceiros e vigaristas correm a ele, atraídos por uma lei que não descobriram: o homem não pode ser menor do que o dinheiro que ele possui. É por isso que o senhor considera o dinheiro mau? Só o homem que não precisa da fortuna herdada merece herdá-la – aquele que faria sua fortuna de qualquer modo, mesmo sem herança. Se um herdeiro está à altura de sua herança, ela o serve; caso contrário, ela o destrói. Mas o senhor diz que o dinheiro corrompeu. Foi mesmo? Ou foi ele que corrompeu seu dinheiro? Não inveje um herdeiro que não vale nada; a riqueza dele não é sua, e o senhor não teria tirado melhor proveito dela. Não pense que ela deveria ser distribuída; criar cinqüenta parasitas em lugar de um só não reaviva a virtude morta que criou a fortuna.

O dinheiro é um poder vivo que morre quando se afasta de sua origem. O dinheiro não serve à mente que não está a sua altura. É por isso que o senhor o considera mau? O dinheiro é o seu meio de sobrevivência. O veredicto que o senhor dá à fonte de seu sustento é o veredicto que o senhor dá à sua própria vida. Se a fonte é corrupta, o senhor condena a sua própria existência. O seu dinheiro provém da fraude? Da exploração dos vícios e da estupidez humana? O senhor o obteve servindo aos insensatos, na esperança de que eles lhe dessem mais do que sua capacidade merece? Baixando seus padrões de exigência? Fazendo um trabalho que o senhor despreza para compradores que o senhor não respeita? Neste caso, o seu dinheiro não lhe dará um momento sequer de felicidade. Todas as coisas que o senhor adquirir serão não um tributo ao senhor, mas uma acusação; não uma realização, mas um momento de vergonha. Então o senhor dirá que o dinheiro é mau. Mau porque ele não substitui seu amor-próprio? Mau porque ele não permite que o senhor aproveite e goze sua depravação? É este o motivo de seu ódio ao dinheiro? O dinheiro será sempre um efeito, e nada jamais o substituirá na posição de causa. O dinheiro é produto da virtude, mas não dá virtude nem redime vícios. O dinheiro não lhe dá o que o senhor não merece, nem em termos materiais nem em termos espirituais. É este o motivo de seu ódio ao dinheiro? Ou será que o senhor disse que é o amor ao dinheiro que é a origem de todo o mal?

Amar uma coisa é conhecer e amar a sua natureza. Amar o dinheiro é conhecer e amar o fato de que o dinheiro é criado pela melhor força que há dentro do senhor, a sua chave-mestra que lhe permite trocar o seu esforço pelo esforço dos melhores homens que há. O homem que venderia a própria alma por um tostão é o que mais alto brada que odeia o dinheiro – e ele tem bons motivos para odiá-lo. Os que amam o dinheiro estão dispostos a trabalhar para ganhá-lo. Eles sabem que são capazes de merecê-lo. Eis uma boa pista para saber o caráter dos homens: aquele que amaldiçoa o dinheiro o obtém de modo desonroso; aquele que o respeita o ganha honestamente. Fuja do homem que diz que o dinheiro é mau. Essa afirmativa é o estigma que identifica o saqueador, assim como o sino indicava o leproso. Enquanto os homens viverem juntos na terra e precisarem de um meio para negociar, se abandonarem o dinheiro, o único substituto que encontrarão será o cano do fuzil. Mas o dinheiro exige do senhor as mais elevadas virtudes, se o senhor quer ganhá-lo ou conservá-lo.

Os homens que não têm coragem, orgulho nem amor-próprio, que não têm convicção moral de que merecem o dinheiro que têm e não estão dispostos a defendê-lo como defendem suas próprias vidas, os homens que pedem desculpas por serem ricos – esses não vão permanecer ricos por muito tempo. São presa fácil para os enxames de saqueadores que vivem debaixo das pedras durante séculos, mas que saem do esconderijo assim que farejam um homem que pede perdão pelo crime de possuir riquezas. Rapidamente eles vão livrá-lo dessa culpa. Então o senhor verá a ascensão dos homens que vivem uma vida dupla – que vivem da força, mas dependem dos que vivem do comércio para criar o valor do dinheiro que eles saqueiam. Esses homens vivem pegando carona com a virtude. Numa sociedade onde há moral eles são os criminosos, e as leis são feitas para proteger os cidadãos contra eles. Mas quando uma sociedade cria uma categoria de criminosos legítimos e saqueadores legais – homens que usam a força para se apossar da riqueza de vítimas desarmadas – então o dinheiro se transforma no vingador daqueles que o criaram. Tais saqueadores acham que não há perigo em roubar homens indefesos, depois que aprovam uma lei que os desarme. Mas o produto de seu saque acaba atraindo outros saqueadores, que os saqueiam como eles fizeram com os homens desarmados. E assim a coisa continua, vencendo sempre não o que produz mais, mas aquele que é mais implacável em sua brutalidade. Quando o padrão é a força, o assassino vence o batedor de carteiras. E então esta sociedade desaparece, em meio a ruínas e matanças.

Quer saber se este dia se aproxima? Observe o dinheiro. O dinheiro é o barômetro da virtude de uma sociedade. Quando há comércio não por consentimento, mas por compulsão – quando para produzir é necessário pedir permissão a homens que nada produzem – quando o dinheiro flui para aqueles que não vendem produtos, mas influencia – quando os homens enriquecem mais pelo suborno e favores do que pelo trabalho, e as leis não protegem quem produz de quem rouba, mas quem rouba de quem produz – quando a corrupção é recompensada e a honestidade vira um sacrifício – pode ter certeza de que a sociedade está condenada. O dinheiro é um meio de troca tão nobre que não entra em competição com as armas e não faz concessões à brutalidade. Ele não permite que um país sobreviva se metade é propriedade, metade é produto de saques. Sempre que surgem destruidores, a primeira coisa que eles destroem é o dinheiro, pois o dinheiro protege os homens e constitui a base da existência moral. Os destruidores se apossam do ouro e deixam em troca uma pilha de papel falso. Isto destrói todos os padrões objetivos e põe os homens nas mãos de um determinador arbitrário de valores. O dinheiro era um valor objetivo, equivalente à riqueza produzida. O papel é uma hipoteca sobre riquezas inexistentes, sustentado por uma arma apontada para aqueles que têm de produzi-las. O papel é um cheque emitido por saqueadores legais sobre uma conta que não é deles: a virtude de suas vítimas. Cuidado que um dia o cheque é devolvido, com o carimbo: ‘sem fundos’. Se o senhor faz do mal o meio de sobrevivência, não é de se esperar que os homens permaneçam bons. Não é de se esperar que eles continuem a seguir a moral e sacrifiquem suas vidas para proveito dos imorais. Não é de se esperar que eles produzam, quando a produção é punida e o saque é recompensado. Não pergunte quem está destruindo o mundo: é o senhor. O senhor vive no meio das maiores realizações da civilização mais produtiva do mundo e não sabe por que ela está ruindo a olhos vistos, enquanto o senhor amaldiçoa o sangue que corre pelas veias dela – o dinheiro. O senhor encara o dinheiro como os selvagens o faziam, e não sabe por que a selva está brotando nos arredores das cidades. Em toda a história, o dinheiro sempre foi roubado por saqueadores de diversos tipos, com nomes diferentes, mas cujo método sempre foi o mesmo: tomar o dinheiro à força e manter os produtores de mãos atadas, rebaixados, difamados, desonrados. Esta afirmativa de que o dinheiro é a origem do mal, que o senhor pronuncia com tanta convicção, vem do tempo em que a riqueza era produto do trabalho escravo – e os escravos repetiam os movimentos que foram descobertos pela inteligência de alguém e durante séculos não foram aperfeiçoados.

Enquanto a produção era governada pela força, e a riqueza era obtida pela conquista, não havia muito que conquistar. No entanto, no decorrer de séculos de estagnação e fome, os homens exaltavam os saqueadores, como aristocratas da espada, aristocratas de estirpe, aristocratas da tribuna, e desprezavam os produtores, como escravos, mercadores, lojistas – industriais. Para a glória da humanidade, houve, pela primeira e única vez na história, uma nação de dinheiro – e não conheço elogio maior aos Estados Unidos do que esse, pois ele significa um país de razão, justiça, liberdade, produção, realização. Pela primeira vez, a mente humana e o dinheiro foram libertados, e não havia fortunas adquiridas pela conquista, mas só pelo trabalho, e ao invés de homens da espada e escravos, surgiu o verdadeiro criador da riqueza, o maior trabalhador, o tipo mais elevado de ser humano – o self-made man – o industrial americano. Se me perguntarem qual a maior distinção dos americanos, eu escolheria – porque ela contém todas as outras – o fato de que foram os americanos que criaram a expressão “fazer dinheiro”. Nenhuma outra língua, nenhum outro povo jamais usara estas palavras antes, e sim “ganhar dinheiro”; antes, os homens sempre encaravam a riqueza como uma quantidade estática, a ser tomada, pedida, herdada, repartida, saqueada ou obtida como favor. Os americanos foram os primeiros a compreender que a riqueza tem que ser criada. A expressão ‘fazer dinheiro’ resume a essência da moralidade humana. Porém foi justamente por causa desta expressão que os americanos eram criticados pelas culturas apodrecidas dos continentes de saqueadores.

O ideário dos saqueadores fez com que pessoas como o senhor passassem a encarar suas maiores realizações como um estigma vergonhoso, sua prosperidade como culpa, seus maiores filhos, os industriais, como vilões, suas magníficas fábricas como produto e propriedade do trabalho muscular, o trabalho de escravos movidos a açoites, como na construção das pirâmides do Egito. As mentes apodrecidas que dizem não ver diferença entre o poder do dólar e o poder do açoite merecem aprender a diferença na sua própria pele, que, creio eu, é o que vai acabar acontecendo. Enquanto pessoas como o senhor não descobrirem que o dinheiro é a origem de todo bem, estarão caminhando para sua própria destruição. Quando o dinheiro deixa de ser o instrumento por meio do qual os homens lidam uns com os outros, os homens se tornam os instrumentos dos homens. Sangue, açoites, armas – ou dólares. Façam sua escolha – não há outra opção – e o tempo está esgotando.

A Mentalidade Conservadora de Edmund Burke

Estátua de Edmund Burke
Estátua de Edmund Burke, em Dublin

Introdução de Rodrigo Viana

O livro The Conservative Mind, que será lançado no Brasil pela editora É Realizações como “A Mentalidade Conservadora”, de Russell Kirk, foi um dos divisores de águas no meio intelectual americano. A importância de The Conservative… se mostra no traçado do histórico do conservadorismo anglo-saxônico que se desenhou desde Burke. Um verdadeiro guia para se conhecer não só uma importante face de visão política mas parte da cultura anglo-saxã moderna também.
Com The Conservative… Kirk contribuiu em dar uma luz histórica, política e filosófica em todo o pensamento conservador anglo-saxônico e na direita política americana como um todo. Desse modo, criou-se uma cultural política forte, onde influenciou diversos setores da sociedade americana.

Uma curiosidade interessante nessa safra intelectual, é que fez com que desmembrasse setores da direita política americana que antes viviam em uma certa harmonia. O grupo chamado Old Right, que compunha de liberais clássicos “moderados” à “radicais”, eram conhecidos como, até então, “os defensores da liberdade na América”. Tudo num tempo em que não havia diferenças aparentes dentro da direita política americana e onde o progressismo estava, a cada dia, mais evidente. Em uma época de forte intervenção do governo por políticas professadas por apoiadores do New Deal, esse grupo foi uma grande voz para se oporem à servidão.

Com o surgimento de intelectuais conhecidos como “New Conservatives” (não confundir com o neoconservadorismo), encabeçados por Kirk, os defensores da liberdade nos EUA se desmembraram em diferentes correntes. Os “moderados” se juntaram a pessoas como o próprio Kirk, Richard Weaver e outros, enquanto os mais radicais se atrelaram às ideias de Ayn Rand[1] ou Murray Rothbard, por exemplo.

Não apenas por encabeçar um movimento intelectual, Russell Kirk foi considerado como um dos maiores intelectuais americanos do século XX. Seu trabalho promissor abriu caminhos para que, por exemplo, o Partido Republicano voltasse ao poder, tendo na figura de Ronald Reagan como o resultado de anos de empenho.

O texto que segue é uma tradução do capítulo do The Conservative… , da versão condensada pelo Alabama Policy Institute, que trata da figura de Edmund Burke. Conhecido no mundo anglo-saxônico como “o pai do conservadorismo moderno”, Burke na verdade nunca se intitulou como tal. É conhecido até hoje como um dos maiores liberais clássicos, embora possuísse visões bem particulares em comparação com outros liberais de sua época.

Estadista atuante no partido liberal Whig, Burke era defensor de reformas que visavam a liberdade porém sem desmerecer a visão da autoridade constituída. Para isso ele desenvolveu uma linha de pensamento onde visava mudanças pragmáticas, tudo sem destruir a ordem moral já existente.

Burke atuou fortemente contra a corrente política francesa na Inglaterra, revolucionária, conhecida como “jacobinos”. Liderou o partido Whig contra tais manifestações e criou uma corrente liberal, de cunho moderada e tradicionalista, conhecida hoje como “liberalismo-conservador” (nos EUA chamado apenas de conservadorismo).

Embora tenha defendido por muito tempo o pragmatismo político, há uma lacuna a ser mencionada. Sua primeira obra, Vindicatin of Natural Society, escrita sob um pseudônimo, foi tão radical pra época que muitos o considera como o primeiro trabalho proto-anarquista. Trabalho em que mais tarde Burke declarou que não passou de uma sátira política. Há quem não acredite nisso.

Então para uma compreensão melhor desse que foi um verdadeiro defensor de uma sociedade de liberdades e virtudes, segue o texto que resume suas contribuições políticas e intelectuais. Àqueles que dão valor a liberdade e aos seus patronos, independente das posições e correntes políticas, Burke deve sempre ser conhecido.

A MENTALIDADE CONSERVADORA: Burke e as Políticas de Prescrição
Traduzido por Rodrigo Viana

Neste capítulo, Kirk esbanja atenção sobre o pai do moderno conservadorismo da tradição anglo-americana, Edmund Burke, o irlandês que serviu sua amada Grã-Bretanha com fervor antes e durante a Revolução Francesa. Ele era um membro do Partido Whig e, como tal, ele defendia a fiscalização do poder governamental, a tolerância religiosa e limites na expansão imperial estrangeira. Burke era um oponente do poder arbitrário em onde quer que o mesmo viesse ser invadido e foi de igualmente pronto em defender tanto a monarquia quanto a Constituição Inglesa contra o parlamento.

Burke acredita que a reforma era inevitável e poderia ser uma coisa boa, mas ele sabia que os ingleses a favor das liberdade eram frutos de um processo deliberado e meticuloso que levou gerações para se estabelecer. A reforma, então, precisava ser cautelosa, respeitosa e prudente ou então poderia destruir onde se deveria aprimorar. Burke tinha motivo pra estar nervoso. Do outro lado do Canal da Mancha, os cabeças do estado estavam literalmente sendo cortados de seus ombros franceses. Burke ficou aterrorizado com o sangue e o caos que veio vomitado para fora do continente após o ano de 1789. Seu trabalho mais conhecido, de longe, é o seu Reflections on the Revolution France, um trabalho que Kirk credita como sendo para o qual “o conservadorismo filosófico deve a sua existência”[1]. Burke teve que lutar duramente para salvaguardar o sistema britânico do tipo de sublevação, dos pés à cabeça, que ele viu sob os jacobinos. Com Reflections, Burke soou o alarme para os seus companheiros britânicos, alertando-os de que se o ardor dissipador da “liberdade, igualdade e fraternidade” não fosse extinta em casa, os fogos da destruição flutuaria no Canal e colocaria toda a Inglaterra em chamas.

Kirk dedica a segunda parte de seu segundo capítulo aos escritos de Burke contra os radicais ingleses e franceses de seu tempo, em An Appel from the New to the Old WhigA Letter to a Noble Lord e Thoughts on a Regicide Peace, além de Reflections. Kirk chama estes trabalhos combinados de a carta do conservadorismo, para com eles em 1793, Burke conseguiu verificar o entusiasmo pela inovação e nivelamento social francês que foram invadindo a Grã-Bretanha.

Em resposta aos argumento dos filósofos que lideraram o movimento intelectual que produziu o Reino de Terror, Burke não teve escolha mas teve que entrar em um reino que ele geralmente detestava – abstração metafísica. Burke foi um homem de particularidades, do concreto e do real. Ele acreditava que o mundo árido da teoria abstrata, tão amada pelos radicais, era um perigo às liberdades reais dos ingleses. Contudo, em resposta à homens como Rousseau e Bentham e de suas doutrinas, Burke enquadrou uma filosofia triunfante do conservadorismo na crença de que os primeiros princípios na esfera moral nos vem através da revelação e intuição, e não de especulações fantasiosas de filósofos sonhadores. Até o advento da Primeira Guerra Mundial e da Revolução Russa, Kirk nota que os liberais clássico dos tempos de Burke, como Acton, estavam errados nas suas críticas de que Burke exagerou sobre Revolução Francesa.

Russell Kirk
Russell Kirk, o maior representante do conservadorismo nos EUA

Kirk passa a terceira parte do capítulo discutindo as visões religiosas de Burke, ao qual são fundamentais para os ideais do conservadorismo. De acordo com Burke, se quisermos conhecer o estado, devemos primeiramente conhecer o homem como um ser espiritual.

Burke via o homem como uma criação da Divina Providência. A vontade de Deus pelo homem político é conhecido “através das ideias pré concebidas e tradições que milênios de experiência humana, com meios divinos e julgamentos, implantaram nas mentes das espécies”[2], e assim a fé arrogante na frágil razão humana merece o desprezo. A mão de Deus moveu lenta e sutilmente na história de muitas gerações, guiando, permitindo e restringindo. Para Burke, era ímpio ao homem elevar seu intelecto isolado contra a sabedoria acumulada da história humana e planejar uma utopia construída de suas especificações. Sua crença na pecaminosidade da natureza humana, uma marca do conservadorismo, fez dele um inimigo implacável daqueles que tentam criar o paraíso na terra. Diferente dos pensadores do Iluminismo, Burke não estava disposto a recusar discussões de primeiros princípios e filosofia moral. Para ele, somos criaturas pecadoras criados por Deus, mas caídos, ou estamos na deriva de um vácuo moral, sujeitos aos caprichos dos mais fortes. A citação a seguir resume melhor a visão de Burke:

Tendo como certo de que eu não escrevo para os discípulos da filosofia parisiense, posso assumir que o terrível autor do nosso ser é o autor do nosso lugar na ordem de existência e que, tendo nos ordenando e guiando pela tática divina, não de acordo com nossa vontade mas de acordo com a Dele, Ele tem, e por sua inclinação, praticamente sujeitado-nos a agir a parte cujo pertence ao que nos é atribuído. Nós temos obrigações para com a humanidade em geral, o qual não são consequências de nenhum pacto voluntário especial. Eles surgem da relação de homem para com homem, e na relação de homem a Deus no qual as relações não são questões de escolha…. Quando casamos, a escolha é voluntária mas as obrigações não são questões de escolha…. Os instintos que dão origem a esse processo misterioso de natureza não são de nossa criação. Mas fora das causas físicas, desconhecidas para nós, talvez irreconhecível, surgem deveres morais, que, como somos perfeitamente capazes de compreender, somos indispensavelmente compelidos a executar.”[3]

A religiosidade de Burke é evidentemente ligada a sua filosofia política. Para ele, estadistas foram muito mais do que representantes do povo, eleitos para executarem suas licitações; Suas tarefas são sagradas, seus gabinetes consagrados para o aperfeiçoamento das gerações futuras e cumprimento da verdade imortal. Especialmente no governo popular, Kirk nota que um senso de propósito sagrado é necessário – o povo precisa conhecer suas responsabilidades em manter o poder. Para Burke, a sociedade era uma coisa sagrada, um acordo tácito entre os mortos, os vivos e ainda entre os não nascidos, para ser protegida e nutrida para fins que não trazem, de imediato, todos os ganhos. E se a sociedade é sagrada, se o mundo é ordenado de acordo com o plano divino, nós devemos fazer reparos nela somente de forma temerária e vacilante. “Burke“, Kirk nos diz, “poderia não imaginar uma ordem social durável sem o espírito de religiosidade”[4].

Para sustentar tal espírito, Burke confiou na igreja nacional e em sua influência na cultura britânica. A igreja deve consagrar o cargo público e insinuar veneração para o mundo assim como Deus nos deu. Igreja e estado, longe de serem entidades separadas na visão de Burke, era dependente um do outro, após uma dada maneira. Embora a igreja pode não necessitar do estado para sobreviver, o estado certamente necessita da igreja pois, como Kirk colocou, “a verdadeira religião não é meramente uma expressão de espírito nacional, vai além da lei terrena e sendo, de fato, a fonte de toda lei”.[5]

Talvez o maior monumento ao brilhantismo e liderança moral de Burke foi que não houve revolução inglesa no final século XVIII

Na parte quatro deste capítulo, Kirk volta ao pensamento de Burke no papel e na importância da prescrição, tradição e do costume para a preservação da ordem social. Burke, ele escreve, teve que responder as seguintes questões: qual é o fundamento da autoridade na política? Como os homens podem julgar a prudência e justiça de algum ato particular? Como o reino sobrenatural não gerência minimamente os detalhes da rotina da vida terrena, então onde estão os homens para procurar orientação em julgamentos políticos? Burke tinha uma resposta: a sabedoria coletiva da humanidade através de milênios de experiência e meditação ensinada pela Providência Divina – em outras palavras, tradição. O homem deveria ter respeito em suas decisões cotidianas para com os costumes e leis da humanidade e aplicá-los com conveniência.

Tradição possibilita o homem a viver junto com certo grau de paz, conduz a direcionar a consciência e fiscaliza os desejos. Kirk cita Burke neste ponto, escrevendo “Em algum lugar deve haver um controle sobre a vontade e o desejo, e menos do que há por dentro, e mais do que deve haver por fora.”[6] Burke não confiava na razão para manter os homens na linha e para a maioria dos homens ele duvidou, não usou a faculdade racional de todo modo. E aqueles que tentaram geralmente o fez sem uma educação suficiente. Ele preferiria confiar no senso comum e na sabedoria dos costumes antigos para guiar as massas e conter seus desejos mais básicos. Foi a “casca” das ideias preconcebidas e prescrição para rachar e a civilização estremeceria nas suas fundações. Se os homens começassem a alterar a constituição de seus estados quando quisessem, nenhuma geração se vincularia com a outra. Na poderosa frase de Burke, “homens se tornariam não melhores do que moscas de um verão”[7].

Então Burke imaginou os homens a resistir todas as tentações de mudança? Longe disso, devidamente orientada, mudança é um processo de renovação. A mudança burkeana é vagarosa, um processo dedicado de remendagem e polimento da velha ordem das coisas. Nas palavras de Kirk, “permitindo os processos naturais para tomar seus cursos, enquanto resfriando os calcanhares daqueles ensandecidos por reforma instantânea”. O melhor reformador, para Kirk, é aquele que “combina uma capacidade para reformar com uma disposição para preservar; o homem que ama a mudança é totalmente desqualificado, do seu desejo, para ser o agente da mudança”.[8]

Para a sua quinta parte de Burke, Kirk examina o pensamento do estadista numa questão controversa : direitos naturais (N. do T.: no original em inglês, “natural rights”). Burke rejeitou a doutrina iluminista de direitos naturais do homem, incluindo ensinamentos de Locke e Rousseau. Burke olhou para trás para uma tradição mais antiga, para o ius naturale (Jusnaturalismo) (N. do T.: no original em inglês, “natural law”) de Cícero, reforçado pelo dogma cristão e a Common Law inglesa. Os direitos dos homens não tinham a ver com o que devia-lhe a si, mas ao invés, com o que o homem devia a seu Criador. Burke, rejeitando as figuras anteriormente descritas e assim como os ensinamentos de Hume e Bentham, ao invés, definiu os direitos naturais como costume humano em conformidade com a intenção divina. Ele denunciou a ideia de um idílico estado livre de natureza, do qual o homem voluntariamente entrou na sociedade, há a crítica de suas leis pelos direitos que ele supostamente tinha de antemão. Nem a história nem a tradição sustenta a ideia de paraíso primitivo tal como os filósofos postulavam. Em vez disso, devemos embaralhar da melhor maneira possível, procurando adaptar nossas leis das de Deus, reconhecendo nossas limitações e reconhecendo direitos prescritivos herdados de nossos antepassados. Nós temos direitos, com certeza, mas Burke não viu nada além do perigo na tentativa que ele chamou de direitos reconhecidos de homens civilizados por uma noção abstrata de direitos do homem primitivo. O homem social abdicou-se de qualquer alegação de autonomia absoluta para ter uma medida de paz e segurança. E para os benefícios dessa sociedade o homem possui um direito, mas esse direito deve ser definido por uma convenção e por uma tradição solene. Burke acreditava que o homem poderia reivindicar um direito de equidade perante a lei, segurança de trabalho e propriedade, instituições civilizadas e ordem. Estes são os propósitos pelo qual Deus ordenou o estado, estes são os reais direitos dos homens confirmados pelos costumes e mantida pela lei.

O ponto de aprender com Burke é que o poder político tão difundido é o resultado de conveniência e não de argumento moral. Não há uma lei natural de igualdade [política] mas é extremamente difícil convencer os homens do porque eles não devem ser capazes de votar, uma vez que eles veem seus vizinhos votando.

Contudo, a igualdade social e política não estava entre o que Burke considerava ser os direitos naturais reais do homem. Pelo contrário, ele acreditava que a aristocracia e a hierarquia eram naturais e na parte seis deste capítulo, Kirk observa como Burke entendia a igualdade. Há um tipo de igualdade com o qual Deus nos dotou? Sim, Burke responde, embora de um tipo: a igualdade moral. Homens são julgados de modo justo por seu Criador. Nenhum homem possui mais valor inato como ser humano do que qualquer outro. Bem como para cada outra medida como riqueza, origem, inteligência e beleza, nós somos desiguais.

Homens são largamente desiguais nas formas de autoridades políticas. Certamente igualdade política é um produto artificial, homens não possuem direito natural a regra da maioria porque nem todos os homens são nascidos com o que Burke acreditou ser qualificações necessárias (educação, natureza moral, tradição e propriedade). Burke temia os resultados de um governo controlado por uma maioria onicompetente, como o cita Kirk: “O desejo de muitos e seus interesses deve, muitas vezes, diferir e grandioso será a diferença quando eles fazerem uma escolha má”[9].

Percorremos um longo caminho desde Burke. Em muitos países, como o nosso, há um sufrágio entre os adultos quase que universal. O ponto de aprender com Burke é que o poder político tão difundido é o resultado de conveniência e não de argumento moral. Não há uma lei natural de igualdade mas é extremamente difícil convencer os homens do porque eles não devem ser capazes de votar, uma vez que eles veem seus vizinhos votando. Kirk coloca a questão assim: “igualdade política é, portanto, em certo sentido inatural, Burke conclui; E aristocracia, por outro lado, é natural em certo sentido.”[10] Apesar de suas reservas, Burke acreditava que a natureza tinha provido a sociedade com os materiais para uma aristocracia que poderia produzir uma liderança competente. Burke respeitava a nobreza, com certeza, mas ele tinha em mente um diferente tipo de aristocracia. Em uma de suas passagens memoráveis, ele explica:

Ser criado em um local de estima, ver nada baixo e sórdido de uma infância; Ser ensinado a respeitar a si mesmo, ser habituado a inspeção censório dos olhos do público, olhar antecipadamente a opinião pública, estar em pé em terreno elevado como estar capacitado a ter uma ampla visão de uma difundida e infinitamente diversificada combinações de homens e negócios em uma ampla sociedade. Para ter tempo livre para ler, refletir, exprimir, ser capaz de obter o local e a atenção dos sábios e aprendido onde quer que elas estejam a ser encontrada. Ser habituada na busca da honra e dever. Ser formado ao mais alto grau de vigilância, prevenção e circunspecção em um estado de coisas ao qual não há falta cometida com impunidade e o menor dos erros obtém das consequência mais desastrosas. Para ser levado a uma concuta guardada e regulada de um senso que você é considerado como um instrutor de seus concidadãos nas suas maiores preocupações, e que você age como um reconciliador entre Deus e o homem; Para ser empregada como uma administradora da lei e justiça, e desse modo estar entre os benfeitores da humanidade; Para ser professor da alta ciência ou da arte liberal ou engenhosa. Para estar entre os comerciantes ricos, que partir dos seus sucesso se presume ter um afiado e vigoroso conhecimento, e possuir as virtudes da diligência, ordem, constância e regularidade e ter cultivado uma consideração habitual à justiça comutativa – estas são as circunstâncias dos homens da forma que eu deveria chamar de uma aristocracia natural, sem o qual não existe nação”[11].

Organizada nesta forma, estaria de acordo com a ordem natural eterna que sustenta todas as coisas no lugar. Um governo que coopera com a ordem criada em assegurar a vitalidade da sociedade civil. Nós adaptamos, aparamos e podamos a velha ordem para lidar com novas circunstâncias, mas não procuramos reconstruir nosso modo de vida para adequar às abstrações revolucionária. A compreensão de Burke sobre natureza e direitos e da permanência e mudanças, escreve Kirk: “eleva Burke pra um plano de reflexão muito acima de simples postulados de reforma especulativa francesa, e fornece suas ideias a uma elevação superior duradoura às vicissitudes da política.[12]”

Talvez o maior monumento ao brilhantismo e liderança moral de Burke foi que não houve revolução inglesa no final século XVIII. Diferente da França, ele conseguiu manter longe o jacobinismo em varrer a Grã Bretanha. Ele fundou uma escola política nos conceitos de prudência e veneração ao passado. Uma escola que, desde então, lutou contra o apetite da inovação. Kirk resume seu louvor ao estadista em seu sétimo e último capítulo, dizendo: “sua reverência aos conhecimento de nossos ancestrais, através do qual funciona o desígnio da Providência, é o princípio de todo o pensamento conservador consistente”[13].


Veja também:

Notas:
– da introdução:
[1]When it first began in the early 1940s, the freedom movement in America was not split between conservatives and libertarians. It was one coalition unified in rebellion against FDR’s welfare state. Its purpose was to restore the Founders’ vision of strict constitutional government and federalism. By 1960, however, the movement had become tragically bifurcated. Ayn Rand departed totally from Burkean influence to form today’s libertarian movement, while Russell Kirk drove conservatives away from their Lockean roots of individualism. This split has now created two incomplete visions (contemporary libertarianism and conservatism) that are, in their singularity, incapable of effectively challenging the authoritarian statism that dominates the institutions of modern society.
How Ron Paul Could Win the Presidency, entrevista feita com Nelson Hultberg em setembro de 2011.

– do artigo:
1. Russell Kirk, The Conservative Mind, Seventh Revised Edition. Washington, DC: Regnery (1985), p. 23.
2. Ibid, p. 29.
3. Ibid, p. 31.
4. Ibid, p. 33.
5. Ibid, p. 35.
6. Ibid, p. 42.
7. Ibid, p. 44.
8. Ibid, p. 45.
9. Ibid, p. 61.
10. Ibid.
11. Ibid, p. 62 f
12. Ibid, p. 64.
13. Ibid, p. 65.

Novidades no blog Direitas Já

Hoje não temos uma, mas três novidades para você leitor.

Primeira novidade: Adicionamos hoje uma série de livros à nossa biblioteca nas suas três seções (inglês, português e espanhol), então temos disponíveis mais obras de grandes pensadores como Murray N. Rothbard, Alexis de Tocqueville, Ayn Rand, Carl Menger, Böhm-Bawerk, Lord Acton, Alberdi, além de grandes clássicos de Fiódor Dostoievski, Voltaire, e as leituras que são praticamente obrigatórias Arte da Guerra (de Sun Tzu) e 1984 (de George Orwell). Agradecemos à contribuição de Adriel Santana por esta leva!

Segunda novidade: Reorganizamos os dados sobre a equipe do blog e as informações para contato no menu ‘Sobre nós’. Lá você tem acesso a três seções:

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Terceira novidade: Dedicamos uma página exclusiva do blog em homenagem às vítimas do terrorismo de extrema-esquerda no Brasil. Esta página tem por objetivo ajudar na recuperação da memória histórica brasileira, e não deixar que os crimes perpetrados pelas guerrilhas terroristas sejam esquecidos.

Gostou? Tem alguma crítica ou sugestão? Mande-a para o e-mail direitasja@gmail.com