Capitalismo gera miséria?

Texto publicado também no blog “Mundo Analista“. Para ler o original clique aqui.

CINGAPURA

Muitas pessoas costumam associar capitalismo à miséria. Para elas, o culpado de haver pessoas miseráveis e passando fome, enquanto outras esbanjam dinheiro, é do capitalismo. Mas será que existe uma relação direta entre capitalismo e miséria? Vamos pensar um pouco.

O que chamam de capitalismo por aí, nada mais é do que o liberalismo econômico. Este sistema surgido por volta dos séculos XIII e XIX com a revolução industrial pode ser resumido, grosso modo, no seguinte: liberdade de comprar e vender. Em outras palavras, quanto mais liberdade as pessoas tiverem para comprar e vender em um determinado país, mais liberal (ou capitalista) é este país. Isso significa que em um país muito capitalista, o governo não criará muitas restrições, imposições e dificuldades para a criação e manutenção de empresas privadas. Segue-se, com isso, que teremos neste país mais empresas competindo no mercado. Com mais empresas, haverá mais empregos. Com mais empregos, haverão menos desempregados. Com menos desempregados, haverá menos miséria.

Vamos pensar por outro ângulo. O que leva uma pessoa à miséria? É a falta de emprego, certo? Como resolvemos este problema? Criando empregos. Como se cria empregos? Criando empresas. E quem cria empresas? Só existem duas opções aqui: ou o setor público ou o setor privado. Sabemos o setor público carece de boa administração. Sobra o setor privado. Resumo da ópera: quanto mais se incentivar a iniciativa privada, mais empregos teremos e, com isso, menos miseráveis.

Ainda explorando este pensamento. Por que os empregados privados de países miseráveis ganham tão mal? Dizer que é culpa do capitalismo não é coerente, pois acabamos de ver que o capitalismo gera empresas e empresas geram empregos. Ou seja, se não fosse o capitalismo, esses mesmos que ganham pouco, não ganhariam nada, pois não trabalhariam em uma empresa privada. E então?

A resposta para nossa pergunta é a seguinte: nesses países há um número pequeno de empresas e um número grande de miseráveis. Assim, o empregado não tem muita opção de emprego e precisa se submeter a baixos salários. E as poucas empresas, por sua vez, tem um número enorme de mão de obra disponível, podendo escolher os melhores à baixo custo.

MAS se aumentamos o número de empresas, temos mais empregos. Com mais empregos, o empregado tem mais opções de escolha e as empresas, por sua vez, precisam disputar entre si os melhores funcionários do mercado.

Concomitantemente, o aumento de empregos e a diminuição de preços causada pela concorrência entre as empresas torna, gradualmente, a condição financeira da sociedade um pouco melhor. Isso resulta em mais investimentos pessoais em especializações, elevando a qualidade da mão de obra disponível no mercado. O que se segue depois de alguns anos são boas economias e bons IDH’s.

Esse tipo de dinâmica não é teoria. Vê-se isso em países como Nova Zelândia, Austrália, Canadá, Cingapura, Suíça, Japão e Hong Kong. Estes são os países mais capitalistas do mundo, países que sempre figuram nas primeiras posições de rankings como o de “Facilidade de se fazer negócios” e o de “Liberdade Econômica”. E, não por acaso, os países que ocupam as piores posições desses rankings (isto é, os menos capitalistas) são os mais miseráveis. Procure pelos países africanos, só para fazer um teste.

Aí eu te pergunto: o capitalismo gera mesmo miséria?

A melhor definição do Politicamente Correto:

Recebi por email, sem fonte, mas é perfeito.

Na Universidade de Griffith, na Austrália, há um concurso anual sobre a definição mais apropriada para um termo contemporâneo.

Este ano, o termo escolhido foi “politicamente correto”.

O estudante vencedor escreveu:

“Politicamente correto é uma doutrina, sustentada por uma minoria iludida e sem lógica, que foi rapidamente promovida pelos meios de comunicação (também iludidos e sem lógica) e que sustenta a ideia de que é inteiramente possível pegar num pedaço de merda pelo lado limpo.”

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O Plano Brasil Menor

Artigo originalmente escrito por Rolf Kuntz em seu blog.

Vai muito bem o Plano Brasil Menor, eixo principal da política de subdesenvolvimento executada pelo governo da presidente Dilma Rousseff. Colocado em 53.º lugar na pesquisa de competitividade do Fórum Econômico Mundial, o País deve seguir o rumo ditado pelo governo da Argentina, ocupante do 85.º posto na classificação de 2011-2012. A ordem é aumentar o protecionismo – decisão já tomada para a próxima reunião de cúpula do Mercosul, marcada para os dias 26 a 28 de junho em Mendoza. O governo brasileiro admite elevar as tarifas de 200 produtos. As autoridades argentinas têm defendido uma lista de 400. Mas o bloco regional é só um dos campos de ação. Empenhada em multiplicar e elevar as barreiras comerciais, a presidente brasileira deu instruções especiais aos negociadores participantes da conferência do Grupo dos 20 (G-20), no México. Deveriam rejeitar qualquer proposta de prorrogação do compromisso antiprotecionista previsto para valer até 2013 – e de fato já violado várias vezes, por vários países, incluído o Brasil.

As barreiras erguidas pelo governo brasileiro foram insuficientes para impedir a deterioração do saldo comercial e o aumento de importações de bens intermediários, bens de consumo acabados e equipamentos. A explicação, nem sempre reconhecida pelos estrategistas de Brasília, vai muito além da ação desleal de alguns concorrentes e dos problemas cambiais. As dificuldades foram claramente identificadas tanto por economistas de instituições brasileiras quanto por especialistas de organizações internacionais. Um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgado em 2010, comparou oito fatores de competitividade do Brasil e de 13 países selecionados – África do Sul, Argentina, Austrália, Canadá, Chile, China, Colômbia, Coreia, Espanha, Índia, México, Polônia e Rússia. O Brasil levou clara vantagem sobre Argentina e África do Sul e só bateu os demais em poucos itens. O confronto incluiu disponibilidade e custo de mão de obra, disponibilidade e custo de capital, infraestrutura e logística, peso dos tributos, ambiente macroeconômico, ambiente microeconômico, educação e também o binômio tecnologia e inovação.

Num estudo periódico do Banco Mundial sobre regulação e ambiente de negócios (Doing Business), o Brasil ficou, em 2012, no 126.º lugar numa lista de 183 países, prejudicado por itens como tempo gasto para abrir um negócio (119 dias), horas gastas para cumprir as obrigações fiscais (2.600) e custos para exportar (US$ 2.215 por container).

A pesquisa mais ampla e mais detalhada é a do Relatório Global de Competitividade, publicado pelo Fórum Econômico Mundial. No levantamento de 2011-2012, o Brasil apareceu em 53.º lugar, posição melhor que a da pesquisa anterior (58.º posto), mas muito pior que a de vários países emergentes, como a Malásia (21.º), a China (28.º), o Chile (31.º) e a Tailândia (39.º), e de alguns ex-socialistas, como a República Checa (38.º) e a Polônia (41.º). Suíça, Cingapura, Suécia, Finlândia e Estados Unidos foram os cinco primeiros colocados. Foram listados 142 países.

O número da classificação geral (53) é uma média ponderada de várias notas. No caso do Brasil, os piores indicadores são normalmente aqueles relacionados com a ação governamental em todos os ramos da administração. O País aparece em 77.º lugar no quesito instituições, em 64.º em infraestrutura e em 115.º quando se trata de ambiente macroeconômico. O desperdício no gasto público deixa o Brasil na 136.ª colocação. O peso da regulação governamental é ainda mais desastroso, jogando o País para a 142.ª posição. O favoritismo nas decisões dos funcionários oficiais também é destacado. Por esse item, o Brasil fica em 65.º lugar entre os países pesquisados. Os seis maiores problemas identificados nas entrevistas foram o peso dos impostos, as regras tributárias, as deficiências de infraestrutura, as normas trabalhistas, a burocracia governamental ineficiente e a formação inadequada da mão de obra. O acesso ao financiamento aparece em oitavo lugar, logo depois da corrupção. No caso da Argentina, a inflação, a corrupção e a instabilidade das políticas aparecem no alto da lista.

Ao fazer do protecionismo uma prioridade para o Mercosul, o governo brasileiro aceita como modelo o pior padrão de política econômica do bloco regional. Adere à estratégia de esconder os problemas, em vez de enfrentá-los com disposição e competência. Soluções desse tipo até podem produzir um alívio temporário, se o país encontrar parceiros dispostos a cooperar. O Brasil, maior comprador dos produtos argentinos, tem dado cobertura à ineficiência industrial do país vizinho. Quais dos clientes e competidores dará cobertura à ineficiência brasileira?

A Conquista do Brasil (Parte I)

As estimativas referentes à população indígena do território brasileiro em 1500 variam entre 1 e 10 milhões de habitantes. Estima-se que na costa viviam entre 2 e 6 milhões. As estimativas para todo o continente americano são igualmente controversas, variando de 30 milhões à 60 milhões, ou até 100 milhões em alguns casos. Mas como será que toda essa gente chegou aqui? Bom, antes de investigarmos como o Brasil foi povoado, precisamos entender como o homem chegou às Américas.

Migrações humanas: o povoamento das Américas

Do ponto de vista da teoria do povoamento tardio, os paleoamericanos entraram no continente durante a última glaciação, que permitiu a passagem para o Novo Mundo através da Beríngia. Este evento ocorreu entre 14 mil e 13 mil anos antes do presente (AP). A teoria do povoamento primitivo diz que os humanos chegaram à América muito antes, baseando-se no descobrimento de restos cuja datação por carbono 14 dão uma antiguidade maior que 14 mil anos antes do presente (AP). A pesquisa paleoantropológica se soma à informação produzida pela genética, que serviu para reforçar algumas conjecturas sobre a origem dos americanos.

A Ponte da Beríngia, hoje submersa no Estreito de Bering, teria sido o que permitiu a migração dos humanos da Ásia para as Américas. As pesquisas genéticas comprovam uma ancestralidade comum entre mongóis e índios norteamericanos.

Depois que os paleoamericanos entraram no continente, a passagem da Beríngia foi coberta novamente pelo mar, de modo que ficaram praticamente isolados do resto da humanidade.

I. Teoria do povoamento pela Ponte de Bering, o corredor livre de gelo e o Consenso Clovis

Se encontra  provado que durante a última glaciação, a Glaciação de Würm ou Wisconsin, a concentração de gelo nos continentes fez baixar o nível dos oceanos em uns 120 metros. Esta baixa faz com que em vários pontos do planeta se criassem conexões terrestres, como por exemplo Austrália-Tasmânia com Nova Guiné; Filipinas e Indonésia; Japão e Coréia.

Um destes lugares foi Beríngia, nome que recebe a região que compartilham Ásia e América, na zona em que ambos os continentes estão em contato.

Existia então uma ponte terrestre entre a Ásia e o Alasca, que apareceu quando as geleiras do último período glacial estavam em seu máximo. A falta desta água reduziu o nível do mar de Bering em mais de 90 metros, bastantes para converter o estreito em uma ponte de terra que unia os dois continentes.

Surge então a teoria do “corredor livre de gelo”. Segundo esta teoria, nos instantes finais da última glaciação, começaram a derreter-se partes das duas grandes placas de gelo (Placa Laurentina e Placa da Cordilheira) que cobriam o Canadá, abrindo um corredor livre de gelo de uns 25 km de largura. Uma vez aberto o corredor, os seres humanos que estavam em Beríngia poderiam avançar até o interior da América e dirigir-se ao sul. A teoria foi amplamente aceita como parte integrante do Consenso de Clovis.

Esta teoria se articulou com os descobrimentos da Cultura Clovis que datavam do ano 13.500 AP e da qual teriam descendido todas as demais culturas americanas. Esta explicação, conhecida atualmente como teoria do povoamento tardio ou Consenso Clovis, foi aceita de forma generalizada durante a maior parte da segunda metade do século XX.

Mais recentemente tem se fortalecido a possibilidade de que os povoadores da América provenientes da Beríngia tenham utilizado uma rota alternativa até o sul contornando a costa.

II. A crise do Consenso Clovis

A partir das últimas décadas do século XX, as teorias combinadas que constituem o consenso Clovis entraram em crise e tem se questionado a antiguidade da chegada do homem à América.

Cada vez existe mais evidência incontestável de presença humana na América anterior a 14.000 anos AP. A evidência descoberta em Monte Verde (Chile) por Tom Dillehay é incontestável, e foi datada em 12.500 anos AP (Monte Verde I) e 33.000 anos AP (Monte Verde II).  Por sua antiguidade próxima ao ano máximo do consenso Clovis, sua localização no outro extremo do continente, e a ausência de similitudes com a cultura Clovis, o reconhecimento generalizado de Monte Verde supõe o fim da teoria do povoamento tardio como teoria hegemônica na arqueologia do povoamento da América.

Ilustrações das três principais teorias sobre o povoamento das Américas: via Beríngia, via Austrália e via Malásia-Polinésia.

III.  Novas teorias, novos achados e novos estudos

O atual debate sobre a chegada do homem à América se caracteriza pela variedade de teorias e subteorias, os resultados contraditórios, a quantidade de estudos e contraestudos.

Desde a década de 1980, a pesquisa genética tem ocupado um lugar cada vez mais destacado. Os geneticistas utilizam o DNA mitocontrial (DNAmt) para seguir a linhagem feminina e o cromossomo Y (DNA-Y) para seguir a linhagem masculina.

Em 1981, se estabeleceu o mapa do DNA mitocondrial e, em 1990, Douglas C. Wallace determinou que 96,9% dos indígenas da América estavam agrupados em quatro haplogrupos mitocondriais (A, B, C, e D), o que significa uma notável homogeneidade genética.

Em 1994, James Neel e Douglas C. Wallace estabeleceram um método para calcular a velocidade em que muda o DNA mitocondrial. Este método permitiu datar a origem do Homo sapiens entre 100.000 e 200.000 anos AP e a saída da África entre 75.000 e 85.000 anos atrás. Aplicando este método, Neel e Wallace estimaram em 1994 que o primeiro grupo humano a ingressar na América o fez entre 22.414 e 29.545 anos atrás.

O mapa da migração humana, de acordo com os haplogrupos identificados pela genética.

O geneticista argentino Néstor Oscar Bianchi analizou a herança genética paterna em comunidades indígenas sulamericanas e concluiu que até 90% dos ameríndios atuais derivam de uma única linhagem paterna fundadora que denominou DYS199T e que colonizou a América desde a Ásia através da Beríngia há uns 22.000 anos.

Mais recentemente, o geneticista estadunidense Andrew Merriwether sustentou que a evidência genética sugere que a América foi povoada por uma só população proveniente da Mongólia, como sustentava Aleš Hrdlička. A razão disto é que na Sibéria os haplogrupos A e B quase não se encontram presentes, enquanto na Mongólia se encontram os quatro principais haplogrupos indoamericanos (A, B, C e D), salvo o X.

Merriwether destaca que os 4 haplogrupos se encontram presentes em toda a América, mas que dentro deles podem localizar-se mutações genéticas diferentes, segundo se trate de indígenas da América do Sul ou do Norte. Isto sugeriria que, uma vez entrando na América, alguns grupos migraram rapidamente até a América do Sul, enquanto outros povoaram a América do Norte e a América Central. Por sua vez, as mutações genéticas mostram migrações entre a América do Sul e a América Central (Panamá e Costa Rica), mas não mais além.

Em 2007, um grupo de geneticistas estimou que a saída da Beríngia deve ter-se produzido seguindo a rota costeira do Pacífico, em um período que inicia há mais ou menos 19–18 mil anos e termina até mais ou menos 16–15 mil anos.

IV. A antiguidade
A antiguidade do homem na América está sujeita à grande controvérsia científica. A data mais tardia é a que sustentam os defensores da teoria do povoamento tardio e está relacionada com a Cultura Clovis, que estabeleceu sem dúvidas uma presença humana há 13.500 anos. Os defensores desta teoria sustentam que a data de entrada ao continente não pode ser posterior a 14.000 AP. Porém diversas investigações científicas tem proposto datas muito diferentes e bem mais antigas, de 60.000 AP (Pedra Furada – Brasil) à 33.000 AP (Monte Verde II – Chile).

Pintura rupestre na Toca do Boqueirão da Pedra Furada.

A data mais antiga proposta até o momento foi publicada pelos cientistas brasileiros Maria da Conceição de M. C. Beltrão, Jacques Abulafia Danon e Francisco Antônio de Moraes Accioli Doria, que sustentam ter encontrado algumas ferramentas de quartzito no sítio de Toca da Esperança, que foram datadas em 295.000 a 204.000 anos de antiguidade, o que indicaria presença humana anterior ao Homo sapiens. Para Maria Beltrão e Rhoneds Aldora Perez, foi possível um povoamento humano na América anterior ao Homo sapiens, há mais de 300 mil anos durante a glaciação illinoiense, realizada por alguma variante do Homo erectus, com uma indústria lítica de bordas e lascas. De qualquer forma, não foram encontrados fósseis humanos nem apresentadas outras provas que confirmem isto.

V. América do Sul primeiro?
Um dos elementos que tem chamado a atenção de alguns pesquisadores é a presença de sítios de grande antiguidade na América do Sul e a escassa quantidade dos mesmos na América do Norte. O dado é chamativo porque, se a América foi povoada desde a Sibéria, os sítios mais antigos deveriam achar-se no norte.

Alguns estudos tem detectado entre os paleoíndios sulamericanos e norteamericanos diferenças em matéria de genes e fenótipos: os do sul com traços mais australóides e os do norte mais mongolóides. Estes elementos tem causado uma crescente adesão de alguns investigadores à hipóteses de um povoamento autônomo da América do Sul, não proveniente da América do Norte. Esta hipótese se relaciona estreitamente com a teoria da entrada pela Antártida desde a Austrália.

VI. Outras teorias, outras rotas possíveis propostas

Península de Kamchatka-ilhas Aleutas-Península de Alasca-Arquipélago Alexander-Ilha de Vancouver. Procedência asiática. Teriam utilizado embarcações muito primitivas para o transporte e viagem.

Oceania-Antártida-América do Sul. Também teriam utilizado balsas. O antropólogo português A. Mendes Correia, que sustentou esta hipótese em 1928, descartou outras rotas de migração.

Melanésia-Polinésia-América. Também teriam utilizado balsas primitivas. O antropólogo francês Paul Rivet, que desenvolveu esta teoria em 1943, disse que o homem americano é de origem multirracial, e portanto não negava outra rota de imigração. Isto foi contrário aos desenvolvimentos de Aleš Hrdlička e Mendes Correia, que sustentaram que a procedência era de uma só raça.

Europa-Oceano Atlântico-América. Remy Cottevieille-Giraudet documentou entre 1928 e 1931 a hipótese da origem européia (Cro-Magnon) dos “peles vermelhas” (algonquinos). Em 1963, Emerson Greenman desenvolveu a rota hipotética da migração européia à América durante o paleolítico superior e a origem européia dos beotucos (beothuks) de Terranova. Bruce Bradley e Dennis Stanford repensaram em 1999 a existência desta migração baseados nas similitudes entre a indústria lítica solutrense e a Cultura Clovis, endossados pelas pesquisas de DNA mitocondrial realizadas por Michael Brown. A teoria, conhecida como Solução solutrense, supõe que antigos habitantes da Europa Ocidental navegaram pelo Atlântico da era glacial, deslocando-se entre os gelos flutuantes, de maneira parecida com a dos esquimós, até alcançar a costa ocidental da América do Norte.

Em 1950, o espanhol radicado na Argentina Salvador Canals Frau propôs a hipótese de quatro grandes correntes migratórias: a pé pela Beríngia, navegando em canoas pelas Ilhas Aleutas, navegando através do Oceano Pacífico para desembarcar na América Central e navegando através do oceano Pacífico para desembarcar na América do Sul.

Migração seguida de extinção. Também pode ter ocorrido uma ou várias migrações há 40.000 anos ou ainda mais antigas, que tenham deixado traços isolados desta presença, mas com o resultado de que estes grupos tenham logo sido extintos antes ou contemporaneamente a ondas migratórias humanas posteriores. A respeito desta razoável hipótese não existem confirmacões conclusivas, ainda que certamente ela permitiria compatibilizar a diversidade de teorias.

VII. Algumas conclusões provisórias
Apesar dos debates em curso e a grande quantidade de perguntas e contradições que se apresentam no debate científico atual é possível realizar algumas conclusões precárias:

  1. É altamente provável que o homem americano primitivo proceda do continente asiático, especialmente das estepes siberianas ou da região do Sudeste asiático.
  2. As culturas pré-históricas e as civilizações da América se desenvolveram de maneira isolada do resto do planeta.
  3. A Revolução Neolítica americana é original e não tem qualquer relação com a que se produziu na Mesopotâmia asiática.
  4. Não existem provas sérias da chegada à América do Norte de seres humanos logo depois do fechamento da Ponte da Beríngia há 11 mil anos (Scott A. Elias). Em 982 os vikings começaram a exploração da Groenlândia e do Canadá, mas sua penetração no continente não foi significativa.

OUTRAS PARTES DA SÉRIE:

FONTES E REFERÊNCIAS:

Web

Livros, revistas, artigos e entrevistas

  • Peopling the New World: a mitochondrial view. D. Andrew Merriwether entrevistado por Sheri Fink, Academy Briefings, New York Academy of Sciences, 1º de dezembro de 2004
  • Fagundes et al. Mitochondrial Population Genomics Supports a Single Pre-Clovis Origin with a Coastal Route for the Peopling of the Americas, The American Journal of Human Genetics (2008)
  • Bischoff, J.L., R.J. Shlemon, T.L. Ku, R.D. Simpson, R.J. Rosenbauer, & F.E. Budinger, Jr., 1981 Uranium-series and Soils-geomorphic Dating of the Calico Archaeological Site, California, Geology V9 (12)
  • Simpson, Ruth D.; L. Paterson & C. Singer (1986). Lithic Technology of the Calico Mountains Site, Southern California; A. Bryan (ed.) New Evidence of the Pleistocene People of Americas: 89-105. Orono (Maine): center of Study of the Early Man.
  • Payen, L. (1982). Artifacts or geofacts at Calico: Application of the Barnes test; J. Ericson; R. Taylor & R. Berger (eds.) Peopling of the New World: 193–201. Los Altos, California: Ballena Press.
  • Irving, W.L. A. Jopling & B.F. Beebe (1986). Stratigraphic, sedimentological and faunal evidence for the ocurrence of Pre-Sangamonian artefacts in Northern Yukon; Artic 34 (1): 3-33.
  • Beltrão, Maria da Conceição de M. C.; Jacques Abulafia Danon e Francisco Antônio de Moraes A. Doria (1987). Datação absoluta a mais antiga para a presença humana na América, Editora UFRJ.
  • Beltrão, M.C. de M.C. e Rh. A. R. Perez (2007). O Homem nas Americas; XX Congresso Brasileiro de Paleontologia, Rio de Janeiro.
  • Mann, Charles C. (2006). 1491: una nueva historia de las Américas antes de Colón. Madrid:Taurus, pag. 232-234.
  • Canals Frau, Salvador (1950). Prehistoria de América. Buenos Aires: Sudamericana.

Uma distribuição desigual… de capitalismo

por Johan Norberg. Traduzido e adaptado para o português do Brasil por Renan Felipe dos Santos a partir da versão em espanhol disponível no site da ODLV (Organización por la Democracia Liberal en Venezuela).

Vinte porcento (20%) da população do mundo (ouvimos muito isso) consome mais de oitenta porcento (80%) dos recursos do planeta, enquanto que os outros 80% consomem menos de 20%. Os críticos da globalização nunca se cansam de nos lembrar esta injustiça. Mas pouquíssimas vezes escutamos uma análise adequado da razão desta situação.

Os críticos a colocam como “os pobres são pobres porque os ricos são ricos”, como se os 20% mais ricos houvessem roubado de alguma forma estes recursos dos outros 80%. Isso está errado. Os países ricos cresceram mais rápido desde que perderam as suas colônias. E as regiões que as nações imperialistas subjugaram cresceram mais rápido assim que se converteram em colônias do que haviam feito antes. Muitas das nações mais ricas do mundo — como a Suiça e os países escandinavos — nunca tiveram colônias de grande importância. Outros, como Estados Unidos, Canadá, Austrália, Nova Zelândia, Hong Kong, e Singapura, foram colônias. Por outro lado, muitos dos países menos desenvolvidos – Afeganistão e Nepal, por exemplo — nunca foram colônias.

E financiando todos os outros -ismos, desde 4000 a.C.

A principal razão para que estes 20% consumam 80% dos recursos é que eles produzem 80% dos recursos. Os 80% consomem somente 20% porque eles produzem só 20% dos recursos. É este último problema que devemos enfrentar. O problema é que há muitos pobres, não que há alguns ricos.

Os críticos do capitalismo afirmam que o PIB per capita é 30 vezes maior nos 20 países mais ricos do mundo que nos 20 mais pobres. Os críticos tem razão que esta desigualdade se deve ao capitalismo — mas não pelas razões que eles creem. A diferença se deve a que certos países tomaram a senda do capitalismo, o que lhes resultou em uma fantástica prosperidade para seus habitantes, enquanto que aqueles que escolheram impedir a propriedade privada, o comércio, e a produção permaneceram atrasados. Os fatores como o clima e os desastres naturais não carecem de importância, mas a maior parte deste atraso pode ser atribuída a que certos países optaram pela liberalização enquanto outros optaram pelo controle.

Os 20 países economicamente mais livres do mundo têm um PIB per capita aproximadamente 29 vezes maior do que as 20 nações menos livres economicamente. Então, se falamos sério sobre eliminar o atraso com relação do Sul ao Norte, deveríamos esperar com todos os nossos corações que o Sul também ganhe acesso a uma economia livre e a mercados abertos. Os países em desenvolvimento que tem feito aberturas em décadas recentes não só tem crescido mais rápido que os outros países em desenvolvido – tem crescido mais rápido que os países ricos também.

A desigualdade do mundo se deve ao capitalismo. Não ao capitalismo empobrecendo a certos grupos, mas sim enriquecendo os seus praticantes. A distribuição desigual da riqueza do mundo se deve à distribuição desigual de capitalismo.

Capitalismo desigual: países capitalistas enriquecem. Países não capitalistas, não enriquecem. Problem?

Um quarto do investimento internacional direto entre 1988 e 1998 foi para os países em desenvolvimento. Desde començos dos anos oitenta, os fluxos de investimento aos países em desenvolvimento aumentaram de $10 bilhões a $200 bilhões ao ano. Se olhamos unicamente para os fluxos de capital ao mundo em desenvolvimento, descobrimos que 85% do investimento direto vai a tão somente 10 países, frequentemente os mais liberalizados. Mas devido ao fato que tais investimentos cresceram a uma taxa anual de 12% nas últimas três décadas, os países que não se encontram nestes 10 primeiros lugares também experimentaram crescimentos estupendos.

Os países ricos representaram 80% do PIB mundial em 1975, uma cota que caiu a 70% hoje em dia. Como já foi mencionado, os países pobres que optaram pela liberalização econômica e o livre comércio tiveram um crescimento mais rápido que os países ricos em décadas recentes. O livre comércio e o liberalismo econômico são uma forma para que os países em desenvolvimento não só enriqueçam, mas que também possivelmente alcancem os países mais prósperos.

Como disse o secretário geral das Nações Unidas, Kofi Annan, em uma conferência levada a cabo em fevereiro de 2000, pouco depois das demostrações contra a Organização Mundial do Comércio: “Os maiores perdedores neste mundo tão desigual de hoje em dia não são aqueles que estão expostos demais à globalização. São aqueles que ficaram fora dela”.