O problema administrativo das Universidades Federais

Ao legitimar a greve dos professores das universidades federais, muitas tem sido as alegações falaciosas. A que mais me chamou atenção é a de que os professores estariam lutando pela melhoria das condições de trabalho, e não apenas por salários ou carreira. Besteira. Usarei a UFPR como exemplo.

Prédio Histórico da Universidade Federal do Paraná

A verba destinada, anualmente, à UFPR, é de R$ 822.326.481. Pouco mais de R$ 589 milhões são destinados ao pagamento de funcionários e professores, e o restante (R$ 233 milhões) é destinado ao que chamam de despesas com custeio e capital. Descontados os encargos sociais, restam R$179.660.230,00 a serem divididos em três grandes setores: Emendas Individuais e Bancada (R$ 11.850.000,00), Benefícios e Sentenças Judiciais (R$25.050.333,00) e Manutenção das Atividades da Instituição (R$ 142.759.897). Apenas o último grupo nos interessa, já que é o único ponto em que a administração realmente possui algum controle ou liberdade de atuação.

Desse último grupo, aproximadamente 50 milhões são gastos com a política do REUNI, obrigatórios para manter o recebimento de verbas. Mas é interessante o resto dos gastos. Apenas R$400.000,00 são destinados para a construção e manutenção de laboratórios, enquanto mais de 7 milhões são destinados a obras, em um cenário em que existem salas sobrando. Foram construídos, nos últimos dois anos, 5 prédios (isso mesmo, cinco novos prédios) dentro do Campus Politécnico, enquanto existiam salas sobrando. Enquanto os laboratórios estavam em condições lastimáveis, alguns não resistindo até mesmo a chuvas. Mas o campus torna-se uma cidadezinha, pelo menos. Não me espantará o dia em que inaugurarem um viaduto para desafogar o trânsito do campus.

Um dos prédios em construção na UFPR

Agora, comparemos o orçamento anual da UFPR com o de uma universidade qualquer. Harvard. O orçamento anual da melhor universidade do mundo é de US$ 2,8 bilhões, em média, o que, em reais, constitui 5,6 bilhões. A melhor universidade do mundo tem um orçamento médio apenas seis vezes maior que o da UFPR. Isso cometendo o injusto de converter a moeda, já que se Harvard arrecada em dólares, também gasta em dólares. Mantendo a paridade, o orçamento médio anual da melhor universidade do mundo é de apenas três vezes maior do que da UFPR, sendo que US$ 800 milhões, em média, provém apenas de doações.

Harvard Business School

Com um investimento desses, podíamos esperar uma universidade de ponta. Mas a administração interna das universidades não colabora. E os alunos, no momento de cobrar o reitor, de fiscalizar (os dados estão na internet para todos da comunidade verem), não existem. Apenas no momento de fomentar a baderna dos sindicatos. Não resta dúvida sobre a idoneidade dos últimos, imagino. Nem sobre a dos estudantes grevistas. Os professores, reza a lenda, estão mais do que satisfeitos com a proposta. Uma minoria não permite. Minoria radical, revolucionária. O objetivo da greve é a greve em si. Um sequestro do nosso sistema de educação superior para interesses sectários. Melhorias na estrutura e condições de trabalho? Isso se cobra do reitor. O resto é baderna.

Todos os dados (Planejamento orçamentário de 2011) estão disponíveis em: http://www.proplan.ufpr.br/home/CPCO/arquivos/PropostaOrcamentaria2011pagina.pdf

Carro mais barato, bebida mais cara

Recentemente o governo reduziu o IPI para carros, mas como diz o dito nacional, ”alegria de pobre dura pouco” e dura mesmo, não bastou muito para que fosse anunciado um aumento sobre a tributação de bebidas. Como de praxe o aumento será repassado ao consumidor, que segundo projeções, irá pagar 5% a mais na cerveja e 10% no refrigerante.

Esse é a política econômica do governo Dilma/PT, incentiva setores que estão indo “mal” e transfere o problema para outros. A redução no IPI dos carros é temporária e paliativa, pois os impostos vão voltar depois de um tempo ao seu antigo patamar, no caso das bebidas esse aumento não será revogado, ou seja, inflação, pessoas vão gastar mais para ter algo que tinham por menos. O correto seria o governo fazer uma reforma tributária e cortar impostos.

Uma das ‘desculpas’ dadas pelos defensores do governo é que o uso de bebidas alcoólicas e refrigerantes é prejudicial à saúde das pessoas, eu concordo que o consumo em excesso é prejudicial, mas isso não dá direito de privar a pessoas, medidas assim são autoritárias e ferem a liberdade dos cidadãos.

Quando o governo aumenta os impostos sobre um produto, muitas vezes ele usa a premissa de Robin Hood, que ao aumentar impostos o dinheiro vai ser redistribuído entre os pobres, mas não é isso que acontece e quando acontece o valor repassado é uma mixaria. A verdade é que quando se aumenta os impostos se prejudica sempre os mais pobres, pois as pessoas com melhores condições financeiras não acabam deixando de comprar só por que um produto está 5% ou 15% mais caro, mas já as pessoas mais pobres sim, isso afeta diretamente o orçamento delas. Exemplo, aqui em São Paulo há lugares que se encontra Coca-Cola  de 2,5L por 5 reais, com esse reajuste de 10% a bebida irá ficar 50 centavos a mais cara, logo a cada 10 garrafas de Coca-cola que alguém comprar com o novo preço, ela vai estar pagando uma no antigo valor, essa coca-cola que ela paga não irá ser consumida por ela e nem o produtor irá ganhar sobre ela e sim o governo.