O cristão pode usar armas de fogo, reagir e se proteger?

Texto originalmente publicado no blog “Reação Adventista“. Para ler na página original, clique aqui

pastor-armado

Alguns cristãos acreditam que seria errado buscar a autoproteção e reagir à agressões físicas, principalmente utilizando armas de fogo. Um dos textos utilizados para se defender essa concepção passiva em relação à agressões está em Mateus 5:39-41. Nesse texto, Jesus afirma: “Mas eu lhes digo: Não resistam ao perverso. Se alguém o ferir na face direita, ofereça-lhe também a outra. E se alguém quiser processá-lo e tirar-lhe a túnica, deixe que leve também a capa. Se alguém o forçar a caminhar com ele uma milha, vá com ele duas”.

Bom, se Jesus foi literal ao dizer estas palavras, devemos considerar que elas se estendem para todo e qualquer tipo de agressão sofrida. Isso quer dizer que, embora Jesus tenha dado apenas três exemplos, devemos aplicar o pensamento a outros. Sendo assim, segue-se que: (1) Se alguém vier com um pedaço de pau, te der uma cacetada na cabeça e você não desmaiar, ofereça o outro lado da cabeça também; (2) Se alguém vier com um caco de vidro e te cegar um olho, ofereça o outro olho também; (3) Se você é uma menina e um rapaz vem te beijar à força, ofereça outro beijo; (4) Se uma pessoa do seu mesmo sexo que você quiser te beijar à força, também deixe e ofereça outro beijo; (5) Se um estuprador quiser te violentar…

Como fica claro, interpretar as palavras de Jesus como sendo literais traz implicações nefastas. E essas implicações não parecem possuir qualquer ligação com os preceitos cristãos, tampouco possuem alguma utilidade racional. Ao contrário, quando interpretamos Mateus 5:39-41, estamos dizendo que os cristãos devem assumir uma postura de covardia e desvalorização da própria vida, o que não são virtudes cristãs. O cristão, como criatura de Deus, deve zelar por sua vida, a qual não pertence a si mesmo, mas é um dom de Deus. Deve ainda cultivar a coragem em todos os sentidos, já que a própria Palavra ensina que de fora do céu ficarão os covardes (Ap. 21:8). Ser corajoso, no sentido cristão, é não permitir que o medo nos paralise e nos impeça de fazer nossas obrigações. Isso inclui, evidentemente, a obrigação de proteger nosso corpo, nossa saúde, nossa vida, bem como nossa família, nosso próximo e nossos bens (sim, os bens, já que eles também provém de Deus).

Alguém poderá argumentar aqui que os mártires entregaram seus corpos e suas vidas em nome de Cristo e que, portanto, não seria correto tomar uma atitude de proteção da própria vida. Talvez até me citem Mateus 16:25: “Pois quem quiser salvar a sua vida, a perderá, mas quem perder a vida por minha causa, a encontrará”. A argumentação não é válida. Em primeiro lugar, porque eu não estabeleci a autoproteção como princípio máximo. Há ocasiões em que o sacrifício do próprio corpo ou da própria vida será necessário a fim de alcançar um bem maior. A autoproteção vigora como princípio básico apenas enquanto não há nada mais importante que a sua própria vida em jogo. No momento em que sua vida se torna secundária em função de algo superior, o sacrifício não só é permitido como é a cosia certa a se fazer. Num caso desse, negar a sua vida torna-se egoísmo. Essa é, aliás, a argumentação que faz G. K. Chesterton (grande pensador cristão) em um trecho de “Ortodoxia”, onde pontua a diferença entre um mártir e um suicida. Em um dos parágrafos ele afirma:

“O suicídio não só constitui um pecado, ele é o pecado. E o mal extremo e absoluto; a recusa de interessar-se pela existência; a recusa de fazer um juramento de lealdade à vida. O homem que mata um homem, mata um homem. O homem que se mata, mata todos os homens; no que lhe diz respeito, ele elimina o mundo”. Na sequencia, Chesterton continua enfatizando o quão hediondo é o suicidio e então confronta o suicidio com o martírio cristão:

“Obviamente um suicida é o oposto de um mártir. Um mártir é um homem que se preocupa tanto com alguma coisa fora dele que se esquece de sua vida pessoal. Um suicida é um homem que se preocupa tão pouco com tudo o que está fora dele que ele quer ver o fim de tudo. Um quer que alguma coisa comece; o outro, que tudo acabe. Em outras palavras, o mártir é nobre, exatamente porque (embora renuncie ao mundo ou execre toda a humanidade) ele confessa esse supremo laço com a vida; coloca o coração fora de si mesmo: morre para que alguma coisa viva. O suicida é ignóbil porque não tem esse vínculo com a existência: ele é meramente um destruidor. Espiritualmente, ele destrói o universo”.

Então, não, não existe contradição entre o principio da autoproteção e o martírio cristão. O que existe são ocasiões distintas. Há ocasiões em que o martírio suplanta a autoproteção porque o que está em jogo é algo mais importante que a vida. E o que seria mais importante que a nossa própria vida? A lealdade a Deus é o maior exemplo. A vida de um filho geralmente é colocada num patamar acima da autoproteção também. E há quem nobremente coloque sua proteção em risco em prol de pessoas doentes ou em situação de perigo. A isso se chama amar ao próximo. Parafraseando Chesterton, quem age dessa maneira está morrendo para que algo viva.

Infelizmente, às vezes a autoproteção implicará a morte do agressor. Mas não se trata aqui de um caso de assassinato. O mandamento de Deus proíbe o assassinato, que seria um homicídio por motivo torpe ou vingança. Mas Deus outorga o direito de tirar a vida de outro ser humano quando esta é a única maneira de sobreviver a um ataque do mesmo. Isso é legítima defesa. Aliás, abro parênteses para ressaltar que Deus também outorga o direito de tirar vidas ao Estado, quando determinada sociedade resolve que crimes hediondos devem ser punidos com a pena capital. Há quem pense que a pena de morte é proibida pela Bíblia. O fato, no entanto, é que a Bíblia joga essa questão para o âmbito civil, a ser resolvida pela sociedade. Não há qualquer condenação da pena capital nas Escrituras. No Antigo Testamento ela era prescrita na sociedade israelita para alguns crimes. E no Novo Testamento, as poucas passagens que mencionam o assunto, deixam claro que o assunto é de âmbito civil. Em Atos 25:11, por exemplo, Paulo afirma: “Contudo, se fiz qualquer mal ou pratiquei algum crime que mereça a pena de morte, estou pronto para morrer. Mas, se não são verdadeiras as acusações que me afrontam esses homens, ninguém tem o direito de me entregar a eles. Portanto, apelo para César!”. Já em Romanos 13:3-4: “Porque os magistrados não são para temor, quando se faz o bem, e sim quando se faz o mal. Queres tu não temer a autoridade? Faze o bem e terás louvor dela, visto que a autoridade é ministro de Deus para teu bem. Entretanto, se fizeres o mal, teme; porque não é sem motivo que ela traz a espada; pois é ministro de Deus, vingador, para castigar o que pratica o mal”. Em suma, ser contra ou a favor da pena de morte não é irrelevante no tocante à vida cristã, pois não é discussão de cunho religioso, mas civil. Os argumentos, portanto, devem ser de outra natureza que não teológica.

Mas voltando ao texto de Mateus 5, é importante ressaltar que Jesus costumava a usar analogias para enfatizar suas verdades. Algumas delas recorriam à imagens absurdas para impactar as pessoas. Por exemplo, em Mateus 5:29-30 lemos: “Se o teu olho direito te leva a pecar, arranca-o e lança-o fora de ti; pois te é mais proveitoso perder um dos teus membros do que todo o teu corpo ser lançado no inferno. E, se tua mão direita te fizer pecar, corta-a e atira-a para longe de ti; pois te é melhor que um dos teus membros se perca do que todo o teu corpo seja lançado no inferno”. É evidente que esse texto não é literal, pois a automutilação é um pecado. Jesus jamais a receitaria como método para vencer outro pecado. O que Jesus faz aqui é utilizar uma hipótese absurda para enfatizar que, na verdade, só há uma alternativa: abandonar o pecado. As analogias feitas por Jesus em Mateus 5:39-41 são do mesmo tipo; não devem ser entendidas literalmente. A essência do ensinamento de Jesus é bem clara e simples: não devemos procurar vingança pessoal contra as pessoas, mesmo que elas nos causem grandes danos.

Outro texto utilizado pelos cristãos defensores da passividade se encontra em Mateus 26:52, onde Pedro recebe uma advertência de Jesus ao tentar defendê-lo dos  soldados romanos no Jardim das Oliveiras: “Guarde a espada! Pois todos os que empunham a espada, pela espada morrerão”. Esse texto, inclusive, é o preferido de cristãos que acreditam ser um pecado possuir armas de fogo. O que se deve perceber aqui é que essa assertiva de Jesus não é um mandamento geral para todas as pessoas de todas as épocas em todas as situações. Na verdade, a assertiva de Jesus é bem mais específica para o contexto do que os cristãos passivos supõem. Vamos analisar.

Em primeiro lugar, a preocupação central de Jesus não é com o fato de que Pedro está armado, nem com o uso que o mesmo faz da arma para enfrentar o soldado que prendia Cristo. A preocupação central de Jesus está no fato de que Ele possuía uma missão clara e que não poderia ser frustrada: morrer pela humanidade. Em outras palavras, ele precisava se entregar. Qualquer pessoa que, naquele momento, intentasse salvá-lo estaria se tornando literalmente um obstáculo aos planos de Deus. O contexto do da própria passagem de Mateus deixa isso claro. Nos versos que se seguem Jesus afirma: “Acaso, pensas que não posso rogar ao meu Pai, e Ele me mandaria neste momento mais de doze legiões de anjos? Como, no entanto, se cumpririam as Escrituras, segundo as quais assim deve suceder?” (Mateus 26:53-54). Aqui Jesus deixa claro que está se deixando prender porque faz parte de sua missão. Cristo está literalmente dizendo: “Não quero sua ajuda, Pedro. Eu vim exatamente para isso”.

A mesma ideia é expressa de modo mais direto no evangelho de João. Ele relata o episódio da seguinte maneira: “Mas Jesus disse a Pedro: ‘Mete a espada na bainha; não beberei, porventura, o cálice que o Pai me deu?'” (João 18:11). Ou seja, a parte central da repreensão é que Pedro estava lutando contra os planos de Deus. O problema não estava no uso da espada, mas no momento, que era inoportuno. Marcos, ao narrar a mesma cena, sequer vê a necessidade de relatar a repreensão de Jesus feita a Pedro. Limita-se a descrever: “Nisto, um dos circunstantes, sacando da espada, feriu o servo do sumo sacerdote e cortou-lhe a orelha” (Marcos 14:47). Já Lucas resume a repreensão de Cristo na seguinte frase: “Mas Jesus acudiu, dizendo: ‘Deixai, basta’. E, tocando-lhe a orelha, o curou” (Lucas 22:51). Em suma, nenhum dos textos oferece qualquer margem para que Jesus estivesse fazendo uma teologia antirreação e antiarmas. Supor isso é forçar os textos a dizerem o que eles não dizem; enfatizar nos textos o que eles não enfatizam; deixar de lado o que realmente os escritores bíblicos querem chamar a atenção no evento narrado.

Em segundo lugar, quando Cristo afirma que “todos os que empunham a espada, pela espada morrerão”, deve-se ter em mente o contexto histórico da época. Israel vivia sob domínio do Império Romano, cujo poderio militar era incrivelmente grande. Roma tinha poder para massacrar qualquer grupo de rebeldes que desejasse. Se, portanto, os discípulos iniciassem seu ministério empunhando espadas por aí, rapidamente seriam vistos por Roma como rebeldes. Principalmente se esses discípulos viessem a matar algum soldado romano. O resultado disso seria, sem dúvida alguma, um rápido extermínio por parte do Império. As palavras de Jesus estavam, na verdade, traçando uma distinção entre a missão de um soldado e a missão de missionário. A missão do soldado é lutar fisicamente e o seu fim geralmente é a morte pelas próprias armas que utiliza. A missão do missionário, entretanto, era viajar por centenas de lugares pregando o evangelho. Longe de estar condenando a missão de um soldado, Jesus estava apenas enfatizando que os discípulos não eram soldados, mas missionários. Não há como ser as duas coisas. Não por haver alguma contradição moral, mas por haver uma incompatibilidade de missões.

Se os discípulos fossem caraterizados e rotulados, desde o início, como uma organização paramilitar, não teriam sequer um momento de paz para pregar o evangelho. O império romano, historicamente, perseguiu os cristãos não de maneira initerrupta, absoluta e geral, mas sim de maneiras localizadas no tempo e no espaço. Houve períodos e lugares com forte perseguição, mas também períodos e lugares em que os cristãos gozaram de liberdade. Mas isso só se deu porque os cristãos não eram soldados. Se fossem, o império romano teria sido absolutamente implacável desde o início, em todos os lugares e o tempo todo. O resultado teria sido a morte do cristianismo logo no seu surgimento.

Ademais, se os discípulos tivessem se caracterizado como soldados, o evangelho adquiriria um caráter distorcido, não mais de uma transformação espiritual e de um volver da mente às coisas celestiais, mas sim de luta política e militar, de guerra terrena, de batalha física, de revolta, conquista e ambição. Tal distorção era, aliás, o que havia tomado conta da teologia judaica sobre o Messias. Os judeus esperavam justamente um Messias político-militar, com uma frota de soldados fieis, que comandaria a destruição dos romanos e a libertação terrena de Israel. A militarização dos discípulos só faria consolidar esta ideia, dando ao evangelho a mesma significação que “revolta civil”, “revolução” e “luta armada”. Neste sentido, deixaria de ser uma fonte de salvação espiritual para ser meramente um movimento terreno por libertação efêmera. E um movimento desses, longe de criar gerar transformação interior e de ligar os homens intimamente a Deus, geraria lutas vis e homens que se uniriam ao movimento unicamente por razões terrenas e até egoístas. Talvez aqui deva-se enfatizar que esta foi a grande diferença entre o cristianismo e o islamismo em suas origens. Enquanto o cristianismo se inicou com missionários, interessados unicamente em pregar a salvação por meio do sacríficio de Cristo Jesus, o islamismo se iniciou com soldados interessados em coisas diversas. A diferença é notável.

Em suma, Jesus não queria que Pedro ou seus demais discípulos fossem soldados, mas missionários. A expansão da Igreja necessitava disso. Cristo necessitava de homens dispostos a abnegar até mesmo seus direitos mais básicos, como o da autoproteção e o da reação, a fim de unicamente anunciar o evangelho e manter intacto o caráter do mesmo. O contexto exigia isso. E ser missionário requer essa abnegação.

De tal fato não se pode depreender que todas as pessoas devem ser missionárias. Missionário, no senso estrito da palavra, é aquele que trabalha integralmente com o evangelho. Este é totalmente guiado pela missão evangelítica. Ele não pregará onde mora; morará onde precisa pregar. Ele não pregará para onde viaja; viajará para onde precisa pregar. Se precisar trabalhar, ele trabalhará para sustentar sua missão. Não pregará onde trabalha, trabalhará onde precisa pregar. O missionário estará pronto para abnegar todos os seus direitos/desejos se for necessário. Talvez o sonho de fazer faculdade, de ser juiz, de ir à Disney, de morar na Suíça, de ser rico, de casar, de ser um jogador de futebol. Ele não é mais um homem da sociedade. Ele é um ambulante, um peregrino, um nômade de futuro incerto que se movimenta em função de sua missão. O missionário é o oposto do homem cristão da sociedade, que desempenha a missão evangelística de acordo com as raízes que fincou na sociedade.

Ambos, no entanto, são importantes. O homem cristão da sociedade precisa existir justamente porque precisa compor a sociedade. A sociedade carece de cristãos espalhados por ela, com suas raízes fincadas, com suas relações na família, na vizinhança, na escola, no trabalho e etc. Nem só de nômades se faz o cristianismo. Além do mais, são os homens da sociedade que, com seu trabalho e sua fixidez social, financiam o trabalho do missionário. Para que haja missionário em tempo integral é necessário haver o cristão da sociedade. Para que haja recursos suficientes para a missão é necessário haver o cristão da sociedade. Repare que os discípulos tornaram-se nômades, mas as igrejas que plantavam em cada região eram feitas de cristãos da sociedade. Nem todo mundo nasceu para ser missionário. Nem todo mundo nasceu para ser cristão de sociedade. Cada qual tem sua importância nos planos de Deus. O evangelho deve ser pregado por ambos, mas as funções são distintas.

Aqui fica clara a distinção. O missionário, ao abnegar direitos dados ao cristão de sociedade, acaba por ter de abnegar também o uso de armas para autoproteção e reação. Como já dito, ele encontrou ali um contexto em que sua vida já não é mais prioridade. As armas tornam-se inconvenientes e o sacrifício, a única opção viável. Tal como ocorreu com Jesus.

Em suma, não há como utilizar o texto de Mateus 26:52 para sustentar que seria pecado buscar autoproteção ou reagir a agressões físicas. A passagem deve ser entendida dentro de seu contexto bem específico, no qual: (1) Pedro não deveria sacar sua arma naquele momento, pois Cristo necessitava morrer pelo ser humano; (2) os discípulos não deveriam parecer um grupo paramilitar, a fim de não distorcerem o caráter do evangelho, nem serem vistos pelo Império Romano como uma ameaça; (3) os discípulos não deveriam ser soldados, mas como missionários, abdicando de alguns direitos legítimos para pregar o evangelho intensa e integralmente, espalhando-o pelo mundo. Interpretar além disso é forçar o texto.

O cristão passivo pode tentar argumentar ainda com base em algumas ideias extraídas da Bíblia tais como: “O cristão deve ter fé em Deus e não em armas para protegê-lo”, ou ainda: “O cristão não deve agredir ninguém, mas amar”. Ora, essas ideias são distorções das Escrituras. Analisemos a primeira. Apela-se para a fé em Deus para protegê-lo. É óbvio que devemos ter fé em Deus sempre, mas isso não nos proíbe, tampouco nos exime de fazer a nossa parte. Se a fé em Deus nos desobrigasse de tomar medidas para nossa proteção, não faria sentido trancar a porta de casa com chave, ter extintor no carro, usar cinto de segurança, comprar um computador com garantia de fábrica, guardar pertences valiosos em um cofre, ir ao médico e etc. Na verdade, o próprio Jesus diz a Satanás: “Não tentarás o Senhor teu Deus”. E o texto bíblico que afirma: “Se o Senhor não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela” (Salmo 127:1), não exclui a necessidade de um sentinela, embora ele nada possa se Deus não estender sua proteção. O mundo que Deus criou funciona por meio de leis naturais. Não devemos viver nele como se vigorasse a magia. Na vida real devemos fazer a nossa parte à todo o momento. Deus fará a dEle. Ter uma arma ou aprender artes marciais podem ser atitudes importantes para se proteger ou proteger a outros. Não há qualquer passagem bíblica que desabone esse tipo de conduta. Pelo contrário, trata-se de algo prudente. E Deus poderá salvar pessoas através disso, inclusive.

Quanto à segunda ideia, perceba que ela distorce o amor. É evidente que amar não implica permitir que coloquem em risco sua vida ou a vida de alguém ao redor. Imagine que você está andando na rua e encontra um sujeito tentando se aproveitar de sua filha. Qual será sua postura? Deixar que o sujeito abuse de sua filha, alegando que precisa amá-lo e não agredi-lo? Ou tentará salvar sua filha, apartando-o com sua força física ou algum instrumento de proteção? Tenho certeza de que sua postura será a segunda. Não é diferente quando se trata de nossa própria vida em jogo. É perfeitamente possível ser um cristão amoroso, perdoador e que ajuda ao próximo, mas, ao mesmo tempo, que reage quando sua vida ou a vida de pessoas ao seu redor está em perigo.

Enfatizo que toda essa reflexão se refere à autoproteção e não ao uso da violência como forma de vingança, justiça própria e retaliação. A Bíblia é bem clara ao dizer que não devemos nos vingar, no âmbito moral, pois a “vingança” pertence a Deus. E, no âmbito civil, também não devemos buscar justiça com as próprias mãos, pois cabe ao Estado julgar, através do corpo de leis vigentes e de juízes preparados para isso. O próprio princípio do Antigo Testamento “olho por olho, dente por dente”, não passava de uma regra jurídica aplicada apenas por juízes, após um julgamento formal, para determinados tipos de crimes – a saber, crimes de agressão física à inocentes ou falso testemunho (Êxodo 21:22-25, Levítico 24:19-20 e Deuteronômio 19:15-21). Aliás, a crítica de Jesus, no Sermão do Monte, ao princípio “olho por olho, dente por dente” não se referia a sua aplicação jurídica, a qual era legal, mas sim à sua aplicação no âmbito moral. Em outras palavras, muitos utilizavam o princípio como uma justificativa para odiar e retaliar, buscando vingança e justiça com as próprias mãos. Jesus, portanto, faz uma clara distinção entre princípio jurídico e princípio moral, estabelecendo que, no âmbito moral, o individuo deveria estar pronto para liberar perdão, e no âmbito jurídico, deveria deixar o julgamento e a punição à cargo dos juízes. Essa deve ser a postura cristã.

É curioso como que cristãos que sustentam a passividade gostam de pintar um “Jesus Cristo paz e amor” que jamais faria nada agressivo. Um colega chegou mesmo a me dizer, dia desses, que não conseguiria imaginar Jesus andando com uma Ak-47. Pois creio que esses cristãos nunca devem ter lido Apocalipse, por exemplo, que descreve Jesus voltando com uma espada que mata todos os ímpios da terra. A cena é simbólica, claro, mas o morticínio não. E a imagem utilizada para simbolizar essa terrível e gigantesca punição derradeira é justamente a de Jesus armado. Não com uma Ak-47, já que esse tipo de armamento não existia à época que João escreveu o Apocalipse. Mas com uma espada. Sim, a espada, a arma antiga, a arma utilizada pelos exércitos israelitas ao longo de todo o Antigo Testamento. A arma utilizada pelos discípulos enquanto andavam com Jesus. A arma com a qual todo o homem protegia a sua família de perigos. A arma que todo mundo tinha.

Demonizar a autoproteção e os meios com os quais pode-se torná-la efetiva não é uma postura que encontre base bíblica, tampouco lógica. Quando fazemos isso, encontramos inúmeras incoerências pela frente. Uma delas se refere ao próprio trabalho da polícia. Ora, se proteger e reagir são dois pecados e todos deveriam ser passivos em relação aos agressores, então todos os policiais estão em pecado. Sob essa interpretação, a atividade policial é, em si mesma, pecaminosa, imoral, anticristã, pois se baseia justamente em proteger e reagir. Posso imaginar um policial que tenha acabado de se tornar cristão e vê um homem agredindo fisicamente uma mulher. Ele corre para defendê-la, mas então se lembra: “Cristo me ensinou a não reagir”. Então, com a consciência tranquila, deixa que a mulher morra nas mãos de seu agressor. Será mesmo que foi isso que Cristo ensinou? Certamente não! E, sem dúvida, o raciocínio serve para qualquer cidadão. É dever do cristão estar disposto a reagir e proteger, sempre que a situação não requerer a passividade. Fugir a essa obrigação é ser covarde. E os covardes, como já dito, não herdarão o Reino dos Céus.

Concluímos, portanto, que não há absolutamente nenhum ponto na Bíblia em que seja proibido ao cristão buscar a autoproteção, reagir à agressões físicas e utilizar armas para isso. A questão das armas (e atualmente, das armas de fogo) não é uma discussão teológica, mas uma questão civil. A Bíblia não proíbe, como também não impõe, cabendo à sociedade julgar se deve possuir o direito de portar armas ou não.

Indicação de leitura: “Mentiram para mim sobre o desarmamento”

Mentiram para mim

Prezados leitores, queremos indicar nesse post a leitura da obra “Mentiram para mim sobre o desarmamento”, de Flávio Quintela e Bene Barbosa. O livro é, sobre todos os aspectos, espetacular. Conta com argumentos lógicos e dados estatísticos sólidos baseados em fontes seguras e fáceis de consultar. Além disso, a linguagem é muito leve e simples, os capítulos são curtos e o tema é exposto de modo muito objetivo.

Mesmo que você seja a favor do desarmamento da população, leia esse livro. É importante você saber o que o outro lado diz, da boca das próprias pessoas que o defendem. Garanto que, no mínimo, você terá uma visão bem diferente da importância desse debate após a leitura. E como eu disse, não é leitura enfadonha. A obra é bem gostosa de ler e até quem lê devagar e não tem tempo, consegue terminá-la em cinco dias.

Para quem já é a favor do direito de o cidadão honesto portar armas, leia e divulgue amplamente essa obra. Por que isso é tão importante? Porque não estamos falando aqui apenas de uma mera questão de opinião. Há dados estatísticos sólidos demonstrando que o armamento do cidadão honesto é um importante fator na redução da criminalidade violenta e na proteção do povo contra governos com intenções escusas. E o Brasil hoje necessita muito dessas duas coisas.

Então, leiam, divulguem e até comprem para presentear outras pessoas. As informações desse livro precisam ser conhecidas pela galera. É importante. Até para que tenhamos um debate legítimo de ideias.

Inglaterra Autoriza Legítima Defesa e Uso de Armas

(Materia da Revista Time de 2009)

Em fevereiro deste ano, o governo inglês adotou nova orientação sobre a legítima defesa. Autorizou os cidadãos a usarem a força, inclusive armas de fogo, na defesa de suas vidas. A medida é surpreendente, pois em 1997 o governo baniu as armas de fogo e, desde então, processou cidadãos que se defenderam usando armas e outros meios.
Quando se discute a proibição ou não da venda de armas de fogo no Brasil, vale a pena pensar sobre o exemplo inglês. Os dados sobre a criminalidade na Inglaterra mostram que, desde 1997, ano em que foram banidas as armas, os homicídios cresceram 25% e os roubos 36%. Hoje, a Inglaterra possui taxas por 100 mil habitantes mais altas do que os Estados Unidos em roubos, assaltos e arrombamentos. As taxas são as seguintes para 2003:

Roubos:

Inglaterra: 191,7 casos por 100 mil habitantes
Estados Unidos: 142 casos por 100 mil habitantes

Assaltos:

Inglaterra: 450 casos por 100 mil habitantes
Estados Unidos: 295 casos por 100 mil habitantes

Arrombamentos:

Inglaterra: 1550 casos por 100 mil habitantes
Estados Unidos: 740 casos por 100 mil habitantes

Os números acima são a prova definitiva e inegável que o “desarmamento inglês”, ao contrário do que se imaginava, não reduziu a violência e a criminalidade no país. Os Estados Unidos, “infestados” de armas de fogo, têm menos roubos, assaltos e arrombamentos. Isso tudo dá o que pensar!

Inglaterra Autoriza Legítima Defesa e Uso de Armas

Dura verdade para os “advogados” do desarmamento: – Proprietarios de armas legais respeitam rigorosamente as leis

Artigo de Sarah Jean Seman

As armas podem ser assustadoras, especialmente para aqueles indivíduos que não têm nenhuma ideia de como usar uma arma de fogo. Em um vídeo recente do Townhall, um homem argumentou que portar armas veladamente em Washington DC seria perigoso, porque “mais pessoas portando armas de fogo significam mais oportunidades para as armas serem usadas.”

Os indivíduos que utilizam a lógica mais armas mais crime” estão usando as pesquisas de má qualidade como base para a sua argumentação.

Se você olhar para a informação do Departamento de Justiça, eles têm dados chamado de Pesquisa Nacional de crimes com Vitimas. O que você encontra na pesquisa é que as armas de fogo são usadas cerca de 250.000 vezes por ano para cometer crimes.John R. Lott Jr., economista, professor de Yale, e presidente do Crime Prevention Research Center, disse ao Townhall.

Se você olhar para pesquisas semelhantes, de pessoas que usam armas defensivamente, são cerca de dois milhões de vezes por ano. Então, basicamente, as pessoas estão usando armas defensivamente para impedir crimes cerca de quatro a cinco vezes mais a cada ano do que armas são usadas para cometer um crime. A maioria das pessoas não percebem isso.

A verdade é que os indivíduos com armas licenciadas cumprem as leis rigorosamente. Menos de um por cento dos detentores de armas de fogo licenciadas tiveram suas licenças revogadas devido a delitos.

O Centro de Pesquisa de Prevenção do Crime informou sobre as estatísticas da Flórida, Texas e Michigan (os três estados onde mais de 2,5 milhões de 11 milhões de licenças de arma dos Estados Unidos estão em vigor):

Durante quase três décadas, a partir de 01 de outubro de 1987 a 31 de maio de 2014, a Florida emitiu quase 2.660.000 licenças para os cidadãos. Estas licenças foram revogadas por violações relacionadas a armas de fogos em uma taxa anual de apenas 0,0003 por cento. Para todas as revogações (outros motivos), a taxa anual na Flórida é de 0,012 por cento.

Os números são igualmente baixos no Texas. Em 2012 (o ano mais recente de que os dados de criminalidade estão disponíveis), havia 584.850 titulares de licenças ativas. Destes, 120 foram condenados por algum delito ou um crime qualquer, uma taxa de 0,021 por cento. Apenas alguns desses crimes envolveram uma arma de fogo.

As revogações e suspensões ocorrem quando as pessoas são acusados ​​de um crime, mas apenas cerca de 5 por cento ou menos dos casos resultam em condenação e, portanto, as pessoas são elegíveis para ter suas licenças reintegradas.

Enquanto 120 foram condenados por algum crime em 2012, 905 pessoas tiveram suas licenças de revogadas, uma taxa total de 0,15% de todas as licenças ativas.

Ao longo dos últimos cinco anos em que dados de revogação estão disponíveis (2009 a 2013), a taxa é um pouco menor, de 0,13%.

Em Michigan, a taxa de revogação total para os cinco anos a partir de 01 de julho de 2010 a 30 de junho de 2014 é um pouco maior, mas ainda assim baixa, de 0,26%

As agências de notícias raramente noticiam casos de crimes evitados pelas vitimas, Lott explicou. Afinal, o aspecto interesse jornalístico do narrativa não ocorreu.

Quase todos as armas usadas defensivamente sequer necessitam de um disparo; em 95 por cento dos casos simplesmente brandir a arma resolve. Agressores são mortos menos de uma em cada 1.000 vezes que uma arma é usada de forma defensiva. E esses são basicamente as únicas histórias que vão receber a cobertura dos meios de comunicação de qualquer maneira.”

Ainda assim as pessoas com o porte de arma estão parando crimes e salvando vidas. Aqui estão apenas alguns exemplos relatados no Townhall: No estado de Washington, um passageiro de ônibus que portava uma arma veladamente abateu um pistoleiro. No Texas, um cidadão armado impediu um homem de assaltar a bolsa de uma mulher. Em Nova York, um entregador de pizza salvou sua própria vida por estar armado quando bandidos atacaram ele à noite.

Não é à toa que o presidente Obama tem uma teoria errada sobre o controle de armas, já que ele parece ouvir tudo sobre o assunto através da mídia. É essencial para os legisladores, no entanto, reconhecer a gama de consequências não intencionais que possam resultar do desarmamento dos cidadãos cumpridores da lei.

Oficial de Polícia dos EUA – “Eu nunca prendi um membro da NRA”

Outro atentado em uma Universidade Americana, outra Gun Free Zone.

Há poucos dias atrás, em 5 junho, ocorreu um atentado na Universidade Seattle Pacific, na cidade de Seattle, estado de Washington.

O criminoso/psicopata feriu quatro pessoas, sendo que uma veio a óbito após chegar ao hospital.

Aparentemente os meios de comunicação anti armas legais/anti legitima defesa estão evitando divulgar esse ocorrido, creio eu que isso se deva ha uma conjuntura de fatores:

1) O criminoso foi parado pela REAÇÃO de outro Aluno que trabalhava também como monitor no campus;

2) Esse aluno usou a arma que tinha a mão, no caso spray de pimenta, sendo que na primeira oportunidade que lhe surgiu enquanto o criminoso parou para recarregar a arma que usava para cometer o crime, usou-o fazendo com que o inimigo fosse ao chão, sendo imobilizado posteriormente.

3) O Herói em questão, Jon Mess, é membro da Associação Nacional do Rifle, a famosa NRA, que defendem os valores constitucionais dos EUA.

4) Jon Mess também é fundador do time de airsoft de tiro tático (esporte), um aluno brilhante condecorado pela escola e um patriota altruísta, ajudando no socorro as vitimas do furacão Katrina além de fazer doações de suprimentos para as tropas Americanas no Iraque. Em suma, o Sr. Meis parece ser o tipo de pessoa “que se apega a suas armas e sua religião”… e aindapor incrível que pareça”, não parece ser uma pessoa amarga.

jon meis 2010

5) O Estado de Washington tem predomínio de politicas e políticos esquerdistas/socialistas, sendo o próprio prefeito de Seattle figura entre a extrema esquerda dos EUA.

6) Consequentemente as politicas anti armas e anti legitima defesa são prioridades para esses políticos de esquerda e seus projetos de poder. A cidade de Seattle e o estado de Washington figuram entre os Estados com as leis mais restritivas/proibitivas para posse e porte de armas legais.

7) A Universidade em questão é uma Gun Free Zone, um local em que armas são totalmente proibidas mesmo para as pessoas que tem o direito legal de tê-las e portá-las.

Basicamente ao meu ver esses 7 fatos supra mencionados invalidam qualquer “argumento” dos “anti-armas”, por isso a forma seletiva de “gritaria” dos mesmos, que quando não estão defendendo criminosos psicopatas estão culpando as vitimas.

Com certeza se o local não fosse uma Gun Free Zone e o próprio Jon Mess estivesse de posse de uma arma o resultado com certeza teria sido melhor, com numero menor de vitimas.

Jon Mess precisou aguardar o criminoso precisar recarregar sua arma para agir com o que tinha a mão, sendo que estava em considerável desvantagem perante o inimigo, tendo uma arma ele poderia ter reagido muito antes e abatido o criminoso, poupando vidas inocentes.

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Estudo do Congresso: Taxa de homicídios cai na razão em que a propriedade de armas aumenta

Um relatório de Serviço de Pesquisa do Congresso mostra que enquanto a propriedade de armas subiu de 192 milhões de armas de fogo em 1994 para 310 milhões de armas de fogo em 2009, a criminalidade caiu, e caiu fortemente.

De acordo com o relatório, a taxa de “assassinatos e homicídios não culposos ligados a arma de fogo” era de 6,6 a cada 100.000 norte-americanos em 1993. Seguindo o crescimento exponencial no número de armas, esta taxa caiu para 3,2 para cada 100.000 norte-americanos em 2011.

Esta taxa cresceu de 2004 para 2005 e chegou a ser maior do que 3,9 entre 2006 e 2007, mas voltou a cair em 2008, o ano em que a Suprema Corte norte-americana, julgando o caso “District of Columbia X Heller”, decidiu que a posse de armas individual é protegida pela Constituição Federal – particularmente no que diz respeito à autodefesa. Desde então a taxa chegou a 3,2 em 2011.

Em outras palavras, quando o número de armas de fogo quase dobrou durante o período de quase vinte anos, os “assassinatos e homicídios não culposos ligados a arma de fogo” caíram a menos da metade.

Adicionalmente, a taxa global de homicídios caiu de 9,0 para cada 100.000 norte-americanos em 1994 para apenas 4,7 em 2011. O total estimado de vítimas caiu de 23.326 em 1994 para 14.612 em 2011. Considerando apenas vítimas de crimes praticados com armas de fogo, o número de vítimas caiu de 16.333 em 1994, para 9.903 em 2011.

As armas que mais apareceram na pesquisa entre 1994 e 2004 foram as portáteis. A maioria eram “pistolas, revólveres e “derringers”, armas mais fáceis de portar de forma oculta.

Então mesmo após todo o programa anti-armas e toda a propaganda recente que afirmava que a disponibilidade de armas elevava o crime, o relatório do Congresso mostrou que quanto maior o número de armas – especialmente armas de porte – menor o número de crimes.

Original em: http://www.breitbart.com/…/Congressional-Research…

Traduzido por Arnaldo Adasz – www.facebook.com/aadasz

1460_479153092137192_22573429_nLeia também: MORE ARMED CITIZENS EQUALS FEWER DEAD COPS? Data suggests that an armed society is a safer society for law enforcement officers, too

Larry Pratt destrói Pierce Morgan da CNN

O jornalista da CNN, Pierce Morgan, acabou perdendo a linha quando entrevistava Larry Pratt, diretor executivo da Guns Owners of America.

A pauta era a respeito do massacre na escola Sandy Hook em Connecticut. Larry Pratt defende que as pessoas tenham direito a portar armas para se defender, já Pierce Morgan segue a linha da Liberal Media, que defende o banimento das armas de fogo. A entrevista passou a ser um curto debate, onde Pratt com argumentos sólidos fez o jornalista da CNN perder a linha e até disparar ofensas pessoais contra ele.

Veja o episódio no link abaixo

Crédito das legendas: esquerdopatia.wordpress.com