Por que eu votaria no Bolsonaro se as eleições presidenciais fossem hoje?

Bolsonaro 1

Se as eleições de presidenciais de 2018 fossem hoje eu votaria em Jair Bolsonaro para presidente. Quero elencar abaixo oito razões. O texto é grande, mas importante.

1) Embora muitos critiquem Bolsonaro por, aparentemente, não entender muito de economia, devo lembrar que Lula não entende nada de nada. Seguramente foi o mais ignorante dos presidentes que tivemos. Aliás, num vídeo recente ele afirmou o disparate de que se você está com uma dívida, pega um empréstimo, paga a dívida e segue a sua vida. É um “ótimo” conselho econômico, não? Mesmo assim, sem qualquer habilidade em economia ele conseguiu fazer uma boa gestão econômica no seu primeiro mandato como presidente (2002-2006). Como isso foi possível? Convocando uma boa equipe para o seu ministério.

Lula, embora seja um completo imbecil em quase qualquer área do saber humano, é um exímio estrategista político. Quando subiu ao poder tratou de montar uma equipe razoavelmente liberal para dar segurança aos investidores, angariar a simpatia de empresários, criar um terreno econômico estável e, a partir daí, iniciar um processo de expansão de crédito, agigantamento do Estado e aparelhamento das instituições. Esses três últimos fatores foram, obviamente, o objetivo principal de Lula e do PT desde sempre. E foram os fatores que plantaram as sementes da atual crise pela qual passamos.

Em outras palavras, Lula soube usar de um capitalismo razoavelmente liberal para criar alianças, fazer muito dinheiro para o PT e desenvolver mais plenamente um Estado corporativista que FHC já havia iniciado. Lembre-se que um Estado corporativista (também chamado de capitalismo monopolista de Estado) é o estágio anterior ao Estado socialista (era o próprio comunista Lênin que afirmava isso em seus escritos).

Podemos buscar outro exemplo em Itamar Franco e seu sucessor na presidência, FHC. O primeiro era engenheiro civil. O segundo era sociólogo. Foi no final do governo do primeiro com o segundo como ministro da fazenda que o Plano Real foi formulado. E apesar de suas falhas, o plano cumpriu o que prometeu, acabando com a hiperinflação e estabilizando a moeda. O sucesso foi resultado do entendimento deles de economia? Não.

O sucesso foi resultado da equipe econômica escolhida para o ministério.
Em suma, o presidente não governa sozinho e as áreas que ele não domina podem ser perfeitamente geridas por boas equipes. Se até Lula conseguiu, não há motivo para crer que Bolsonaro não conseguiria. Claro que tudo é uma aposta. Contudo, usar apenas esse argumento para não votar em Bolsonaro é algo frágil.

2) O maior problema do Brasil hoje não é de ordem econômica, mas sim moral/cultural. Precisamos hoje de um nome que tenha ética e pulso firme para se opor à pautas culturais como desarmamento da população, centralização das polícias, financiamento público de passeatas gay, kit gay nas escolas, banheiro unissex também nas escolas, leis pró imigração, leis pró aborto, leis pró drogas, um MEC enviesado para o marxismo, obstruções à Operação Lava-Jato, e etc.

Essas pautas são de importância maior que as econômicas. Quem estudou um pouco das ideias de Antônio Gramsci (esse foi o tema do meu TCC¹, aliás) sabe que a guerra cultural se tornou primordial para a esquerda e que, a longo prazo, vitórias no campo cultural possibilitam hegemonia política. Se não houver quem combata firmemente essas pautas, a sociedade será engolida por problemas muito piores que os econômicos.

Aqui cabe uma reflexão sobre o prefeito de São Paulo, João Dória. Sem dúvida, ele está fazendo uma ótima gestão e, como prefeito, é um nome excelente. Talvez ele fizesse uma boa gestão como presidente. Mas pouco adiantaria ter uma sociedade bem gerida economicamente, porém homens-bomba explodindo pessoas, um povo desarmado contra traficantes e milicianos, um MEC financiando pornografia e ativismo gay nas escolas, um Estatuto da Criança e do Adolescente engessado criando jovens sem limites, a ONU nos empurrando em direção às suas pautas culturalmente destrutivas e, claro, um PSDB mais forte. Pensar só na economia é ignorar que um bom gestor pode deixar uma sociedade economicamente organizada e culturalmente destruída, o que é perfeito para um sucessor socialista fazer a festa e destruir tudo.

Essa é a grande diferença entre quem é só liberal em economia e quem é conservador. O conservador quer uma economia livre e uma boa gestão, mas entende que a guerra cultural/moral não pode ser deixada de lado. O liberal pensa que resolvendo a economia tudo o mais se resolve. Ignora que a guerra cultural é a arma mais poderosa do socialismo atual e que o capitalismo pode ser usado pela esquerda para ganhar dinheiro e agigantar o Estado.

Dória pode fazer um ótimo trabalho à curto prazo (como até o esquerdista FHC conseguiu no que diz respeito à estabilização da moeda). Mas se ela for limitada à parte econômica, Dória estará plantando as sementes para um terrível domínio esquerdista da sociedade, que poderá vir pelas mãos do próprio PSDB ou de algum partido pior (que foi exatamente o que FHC fez, ajudando a criar caminho para o PT de Lula e Dilma).

3) Bolsonaro não passa por cima de princípios por conta de partidos. Ele não se prende aos interesses de uma cúpula partidária. Daí temos mais uma diferença entre Dória e Bolsonaro. O prefeito de São Paulo tem forte amizade com Geraldo Alckmin e tem demonstrado grande fidelidade ao PSDB. Suas críticas ao PT são duras (o que é bom), mas parece estar bem comprometido com o PSDB. Isso não é bom. É um indício de que comprar Dória como presidente é comprar também FHC, Alckmin, Serra e Aécio. Já Bolsonaro é um político independente que pode construir alianças com quem possui princípios semelhantes e recusar alianças com quem é corrupto ou possui um projeto destrutivo de sociedade.

4) As opiniões mais radicais e reprováveis de Bolsonaro não possuem a mínima chance de serem aprovadas como lei e muitas não figuram como pretensão do candidato. Por exemplo, Bolsonaro é só elogios ao período do regime militar. Eu, embora reconheça que o regime não foi uma ditadura (foi um regime híbrido com características autoritárias e democráticas) e que possui méritos, não endosso o regime, creio que ele foi desnecessário e que cometeu muitas falhas.

Contudo, a opinião de Bolsonaro nesse aspecto é irrelevante para  um possível governo dele, já que ele não pretende instaurar um regime militar, tampouco teria apoio se pretendesse. Sua opinião refere-se ao passado, não ao presente. Ao contrário de comunistas, que possuem o mesmo projeto comunista de sociedade do passado, Bolsonaro não tem como meta uma ditadura.

5) Os projetos de lei já protocolados por Bolsonaro durante seu tempo de deputado até hoje são realmente muito bons. Você já viu? Cito onze aqui:

– PL 6944/2017: impede a limitação dos dados de internet proposta pela Anatel e as empresas concessionárias que prestam serviços de banda larga
– PL-4730/2016: torna hediondos os crimes de homicídio doloso praticados com arma de fogo;
– PL-1281/2015: permite bloquear celulares e radiotransmissores em presídios;
– PL-1824/2015: impõe pena mínima de dez anos de prisão para quem praticar três crimes;
– PL-2832/2015: permite não caracterizar como crime atos de defesa ao patrimônio
– PL-860/2015: obriga a revista pessoal aos visitantes de presídios
– PL-7421/2014: agrava a pena para crimes de pichação
– PL-5398/2013: aumenta a pena para crimes de estupro
– PL-367/2011: suspende o direito de dirigir de quem atingir quarenta pontos na CNH num período de doze meses
– PEC-5107/2007: concede imunidade tributária à produção e comercialização de programas de computador
– PL-6163/2005: autoriza órgãos de segurança pública a reaproveitarem armas e munições apreendidas ou encontradas

Além desses e de outros projetos de lei interessantes, Bolsonaro também é autor original do projeto de acoplar à urna eletrônica um sistema de voto impresso, a fim de que elas sejam auditáveis. Concorde-se ou não com tais propostas, elas sem dúvida versam sobre assuntos de grande interesse da população. E não é exagero afirmar que a maior parte da população dá apoio a todas essas ideias. Seria Bolsonaro tão inepto, então?

6) Há uma tendência nas pessoas de querer para a presidência ou um político ideal ou então ninguém. Ou tudo ou nada. Isso não faz muito sentido. Apoiar o Bolsonaro para a presidência não significa achar que ele é ideal ou colocar a mão no fogo por ele. É apenas reconhecer que ele pode ser a opção mais viável para o momento (ou a menos ruim, como preferir). Adotar a postura de “tudo ou nada” não é racional, pois a vaga de presidente não vai ficar sem ninguém. Alguém estará lá goste você ou não. Então, se não há político ideal (e eu questiono se em alguma parte do mundo existe um “político ideal”) você deve escolher o melhorzinho ou o menos ruim. Isso é óbvio.

Circulou por um tempo um meme de um carro numa estrada. Em dado momento do trajeto, a estrada se dividia em duas. Um caminho tinha uma placa escrito Bolsonaro e outro caminho tinha uma placa escrito Lula. O carro continuou direto e caiu no precipício por se recusar a escolher um dos dois. O sentido do meme é claro: igualar Bolsonaro a Lula. A piada é engraçada, mas não deve ser encarada como mais que isso: uma piada, um meme, jamais uma argumentação factual. Por quê? Porque ela falha totalmente no senso das proporções.

Bolsonaro pode ser considerado um político ruim se focarmos em suas falhas retóricas, em alguns de seus posicionamentos mais radicais e em alguns de seus discursos ambíguos em relação à economia. Mas ele não é (até onde sabemos) um bandido, nem o líder de uma facção criminosa gigantesca (o PT) que pretendeu instaurar um totalitarismo no Brasil, nem o homem que apoiou e financiou (com dinheiro público) grupos guerrilheiros, narcotraficantes e ditadores por toda a América Latina. Ele não é responsável pela miséria e a opressão que a Venezuela sofre hoje nas mãos de Nicolás Maduro, nem pelo quase desarmamento do povo brasileiro, nem pelo sucateamento da polícia, nem pela utilização das faculdades, sindicatos e movimentos em braços militantes de partidos marxistas e socialistas.

Comparar Bolsonaro e Lula é comparar um político limitado em alguns pontos com um bandido de dimensões continentais. A verdade é que não há comparação entre Bolsonaro e Lula, Dilma, FHC, Aécio, Serra, Alckimin, Temer, Renan ou Cunha. Jair Bolsonaro é, no máximo, um político mal preparado. Jogar todos no mesmo saco é comparar crimes com inabilidade política e concluir que não faz diferença colocar um inábil na presidência ou um bandido. Falta senso aqui.

Perceba que estou trabalhando com a narrativa de inabilidade de Bolsonaro, que é uma narrativa midiática. A grande mídia o vende como radical nos costumes/cultura e inábil em administração e economia. Mas devemos aceitar acriticamente o que a mídia nos vende como verdade? Não seria Bolsonaro capaz de se cercar de uma boa equipe e gerir bem as contas públicas? Não existem conselheiros para isso? Ele não conta com o apoio de seus filhos, que possuem um conhecimento econômico mais atualizado? Alguém com honestidade não pode acertar na condução do dinheiro público, cortando aquilo que é supérfluo e desnecessário? Será que outros presidentes eram tão gabaritados em economia e administração a ponto de Bolsonaro ser considerado um inepto?

É curioso, mas nas eleições de 2014, Aécio Neves foi visto por muita gente como uma opção razoável ou menos pior que Dilma. Não vi ninguém criticando Aécio por uma possível inabilidade econômica. Mas quem dos que votaram em Aécio se lembra das suas propostas econômicas? Quem possui conhecimento básico em economia para distinguir uma boa proposta de uma proposta ruim? Acho que conheço as respostas.

Aécio Neves foi muito bem votado e todos sabemos hoje o quão bandido ele é. Há alguma razão para considerá-lo melhor que Bolsonaro? Por que então o ceticismo em relação a Bolsonaro parece ser maior que o ceticismo em relação a Aécio em 2014? Creio que a razão é midiática. Aécio é bandido, mas tem uma aparência e um discurso mais moderados, mais mansos. Bolsonaro é honesto (até onde se sabe), mas tem uma aparência e um discurso mais brutos, mais radicais. Então, estamos nos deixando influenciar em alto grau por aparências.

7) Puxando um gancho nessa questão das aparências, devo lembrar que atos valem mais do que palavras. Bolsonaro fala besteiras por conta de seu comportamento explosivo. Mas vale lembrar que quem cuspiu em sua cara foi o socialista Jean Willis. Vale lembrar que o ator global José de Abreu, petista até os ossos, cuspiu em uma mulher por divergências políticas. Uma professora socialista e feminista defecou e urinou na foto de Bolsonaro, na rua, em um protesto outro dia. O MST e sindicatos tacam fogo em pneus, os Black Blocks depredam patrimônios públicos e privados, universitários de esquerda impedem rotineiramente palestrantes de direita de falarem em palestras. Devemos julgar mais pelas palavras ou pelos atos?

Talvez fosse interessante deixar a hipocrisia de lado e perceber que diariamente nós falamos besteiras horríveis que jamais faríamos de verdade. Todo mundo já disse algo como: “Eu vou matar aquele menino!”, ou “Se você fizer isso, acabo com você”. Quantos não disseram, em momentos de raiva, que determinado político ou determinado bandido deveria receber uma surra ou sofrer algo grave? Pessoas comuns do povo falam em fuzilar deputados, tacar uma bomba no congresso, espancar estupradores até a morte. Isso é algo rotineiro. E boa parte dessas pessoas não teria coragem de fazer 1% do que falam.

A sabedoria popular também diz rotineiramente que maus comportamentos são falta de cinto. Pessoas mais velhas geralmente dizem que apanharam muito na infância e hoje são pessoas honestas e felizes. Muita gente mais velha (muita gente mesmo, já ouvi o discurso dezenas de vezes) afirma que o período do regime foi tranquilo e que se caminhava na rua à noite sem medo.

Essas pessoas muitas vezes são duras em seus discursos e podem fazer parecer às vezes que defendem espancamento de crianças e a ditadura. Mas na maioria dos casos essas pessoas são bastante moderadas, honestas e bondosas. Suas falas estão repletas de hipérboles e exageros retóricos que expressam apenas posicionamentos favoráveis a um pouco mais de ordem e respeito, e um saudosismo de quando existia isso no passado. A maioria delas não quer realmente uma ditadura, não criou seus filhos com sessões de espancamento e nunca fizeram mal a ninguém.

Bolsonaro peca por falar diante das câmeras o que a maioria da população brasileira fala no cotidiano e que, quase sempre, não passa de exagero retórico e força de expressão. O deputado fala o que lhe vem à cabeça. Não necessariamente é o que faria. E se atos falam mais que palavras é digno de nota que o tão radical Jair Bolsonaro não revidou a cusparada que recebeu de Willis, nem mesmo se interessou em processá-lo. Para quem possui uma imagem de ser tão radical, bruto e violento não é estranho? Parece que Bolsonaro é mais louco nas falas do que nos atos.

O que a mídia faz com Bolsonaro aqui no Brasil, fez com Donald Trump nos EUA. Os jornalistas fizeram a sua caveira. Homofóbico, islamofóbico, contraditório nas propostas econômicas, radical, ditador, xenofóbico, bruto, misógino, psicologicamente instável, despreparado, etc. O homem se tornou presidente, escolheu uma boa equipe econômica, cortou financiamentos à ONGs abortistas, reduziu financiamento à ONU, fez frente ao governo da Síria, renovou os laços com Israel, intensificou a luta contra a pedofilia, o desemprego tem caído nos EUA… O mundo não acabou, a economia americana não entrou em colapso… E então? Cadê o Apocalipse? Percebe? Isso não é uma defesa do governo Trump, mas uma defesa contra a imagem radical que a mídia montou de Trump.

Aliás, a mídia, repleta de jornalistas de esquerda e progressistas, tem colado a pecha de radical em qualquer político que seja minimamente conservador. Desse modo, políticos de centro e de direita se transformam, para a mídia, em extrema-direita. Curiosamente, a mídia nunca aponta a existência de uma extrema-esquerda. Cria-se, então, uma áurea de radicalismo em quem é mais nacionalista, enérgico contra o crime e conservador.

Ademais, a mídia faz questão de explorar essa imagem radical das mais diversas maneiras possíveis, o que inclui a criação de entrevistas apenas com perguntas secundárias e que envolvam alguma potencial polêmica. Isso é interessante de se enfatizar. Em todas as entrevistas feitas ao Bolsonaro, sempre os temas referentes à homofobia, cotas, o suposto racismo contra Preta Gil (já explicado dezenas de vezes), o suposto machismo e etc. são evocados como as questões centrais. Questões econômicas, de gestão e educacionais não são enfatizadas. Isso não é só com Bolsonaro, nem só aqui no Brasil. Um dos candidatos republicanos à presidência nos EUA, em 2016, reclamou em uma entrevista da fixação dos jornalistas pelo tema “homossexualidade”. Ora, essa fixação é proposital. O jornalista vai sempre focar nos temas polêmicos que possam ajudar a criar uma imagem radical do candidato.

Assim, um candidato conservador se torna homofóbico, autoritário, fascista e xenófobo só porque ataca financiamento público de passeatas gay, kit gay nas escolas, doutrinação marxista, aceitação irrestrita de imigrantes; e defende porte de armas para o povo, redução da maioridade penal e leis penais mais rígidas. Basta defender essas pautas e elas serão distorcidas e pintadas com cores de radicalismo. É contra kit gay? Quer que os gays sejam espancados. É à favor do porte de armas? Quer que todos saiam se matando por aí. Se já é assim com um candidato que tenha bom domínio retórico, imagina o que a mídia não consegue fazer com alguém que fala como se estivesse numa roda pessoal de amigos e familiares? Pois é.

8) Finalmente, Jair Bolsonaro é um candidato que, até o momento, demonstra não estar envolvido em esquemas de corrupção, é independente dos partidos mais criminosos do Brasil (PT, PMDB e PSDB) e possui princípios rígidos. Em um país com tão elevados índices de corrupção, ter alguém limpo e com princípios sólidos deve ser levado em alta conta. Comparar Bolsonaro com corruptos ou, pior, preferir corruptos, faz cair todo o discurso de ser anticorrupção. Ele pode estar longe de ser um político ideal e ter pontos bastante negativos, mas não há como compará-lo com os vários bandidos que temos hoje como possíveis candidatos à presidência. Reconhecer isso não implica dizer que Jair, se eleito, fará um bom governo. Talvez não. É uma aposta. Mas é uma aposta muito melhor do que confiar o cargo a um Aécio Neves da vida ou a figuras como Marina e Ciro Gomes, que sempre apoiaram partidos marxistas e o próprio PT.

A exposição dessas razões não pretende ser, primordialmente, uma defesa de Bolsonaro, mas sim uma defesa da ideia de votar nele como uma opção racional e viável. Muitos tem enxergado a ideia como idiota, desprovida de senso e tão louca como a ideia de votar no Lula. E é isso que quero combater aqui. Você pode não gostar de Jair Bolsonaro e não querer votar nele. Mas deve repensar a ideia de que votar nele é algo absurdo. Talvez fosse se o Brasil estivesse muito bem. Na atual conjuntura, contudo, ele é uma opção muito viável e, possivelmente, a melhor que temos.

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  1. O TCC foi defendido no dia 18 de Maio de 2017. O título da obra é “A influência de gramscismo no pensamento e na atividade de jornalistas de esquerda no período do regime militar (1964-1985)”. Obra produzida para a obtenção do título de bacharel em jornalismo pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

Antônio Gramsci e a Revolução Cultural

Esse texto tem como objetivo relatar de forma simples e explicativa as estratégias usadas pelo ideólogo comunista Antônio Gramsci para fazer com que suas idéias fossem aceitas pela sociedade.

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O que a direita brasileira quer?

Este texto foi publicado originalmente no blog “Mundo Analista“. Para ler na página de origem, clique aqui.

EstrategistaO ano de 2014 foi interessante para a direita brasileira. Vimos um considerável crescimento de manifestações contrárias à esquerda, uma eleição com mais candidatos políticos de direita em relação às eleições anteriores, muitas pessoas aderindo posicionamentos liberais em economia e conservadores em política, um aumento do interesse de diversas pessoas em política, o surgimento de vários blogs, sites e páginas de direita e uma fortíssima oposição de mais da metade do eleitorado brasileiro ao PT e a Dilma (considerando que boa parte daqueles que não votaram nem em Dilma, nem em Aécio, não estão satisfeitos com o governo petista). Os reflexos dessas mudanças são visíveis nas mídias sociais e no cotidiano das pessoas.

Entretanto, isso não é uma descrição otimista da situação da direita, mas realista. A direita realmente ganhou um pouco mais de espaço, força e representação. Mas ela ainda está muito longe de cativar o eleitorado. Para começar, não temos partidos de direita. O PSDB e DEM são apenas os mais centristas. Há algumas legendas novas surgindo, é verdade. Talvez uma ou outra dispute as próximas eleições. Mas até que esses partidos pequenos ganhem expressão e tenham chances reais de vencer a disputa por algum cargo vamos precisar de muitos anos. A melhor estratégia, portanto, é apostar as cartas em partidos mais centristas, como o PSDB, colocando lá dentro candidatos de direita e pressionando o partido a afastar-se cada vez mais da esquerda no espectro.

Ocorre que para fazer isso, a direita precisa estar bem organizada a nível extrapartidário. Em outras palavras, as pessoas em geral que se reconhecem como fazendo parte da direita precisam saber o que são, o que querem, como pretendem alcançar o objetivo e, finalmente, agir em conformidade com aquilo que sabe. E é justamente neste ponto que a direita brasileira tem falhado miseravelmente.

Enquanto a esquerda tem avançado a passos largos no domínio da cultura, do senso comum e da opinião pública, a direita ainda tem permitido ser associada com regime militar, ditadura, governo para ricos, corporativismo e etc. Ou seja, do ponto de vista estratégico a direita age como se fosse uma criança inocente. O que deve ficar claro aqui é que em política você precisa ser estratégico se quiser ganhar algo. Ser estratégico não significa ser um mentiroso ou um pragmático sem princípios e escrúpulos. Significa planejar suas ações e palavras sempre pensando no efeito psicológico que elas causam nas pessoas, e também, é claro, neutralizar rótulos e alcunhas lançados pelo adversário contra você, minando o efeito psicológico que ele desejava causar nas pessoas com relação ao seu caráter e reputação. Para aquele que é honesto e ama a verdade, tudo isso quer dizer agir conforme seus princípios, mas de maneira inteligente, bem pensada, estratégica.

A direita precisa aprender que há muito tempo os esquerdistas tem se empenhado em lutar uma guerra cultural. Suas armas não são físicas. Suas armas são psicológicas. Seus alvos são a própria plateia. Eles sempre estarão tentando colocar na cabeça do público que eles lutam por liberdade e democracia, contra o preconceito, a exploração e a desigualdade, que eles é que querem tolerância e respeito. Eles tentarão tomar posse de boas palavras para que as mesmas sempre remetam a eles. Ao mesmo tempo, inculcarão no senso comum que todos os seus opositores são de direita, que a direita é má, é preconceituosa, é ditatorial, é contra os pobres, é contra a liberdade. Todas as palavras e ações da esquerda são milimetricamente calculadas para gerar estes efeitos. Essa é a guerra deles.

Então, qualquer deslize, qualquer falha direitista que dê a eles a oportunidade de confirmar os rótulos que eles lançam cria um muro entre a direita e o público. E qualquer rótulo mentiroso lançado pela esquerda que não seja neutralizado pela direita e utilizado para desmascarar a desonestidade esquerdista apenas fortalecerá a posição esquerdista na mente do público.

Se você, portanto, se considera parte da direita, procure calcular suas palavras e ações com base nesta guerra cultural, que é uma luta pelo apoio psicológico das pessoas. Infelizmente, a esquerda está muito à frente da direita nesta guerra. Mas temos algo ao nosso lado: nós não precisamos mentir. Para escrachar a esquerda basta dizermos a verdade, usando de estratégias para que a verdade seja bem absorvida pelo público.

Em suma, saiba bem do que você é, o que quer, como pretende chegar ao objetivo e, então, aja conforme o que você sabe. Deixo aqui uma dica: a direita tem sido desde sempre o posicionamento político e econômico que desconfia de governos muito interventores e com projetos mirabolantes de novo mundo, e que aprendeu com a experiência que um Estado mais enxuto e livre economicamente é o melhor caminho para melhorar a vida da população e garantir a manutenção da liberdade individual. Isso é o que a direita defende e é isso o que você, como direitista quer, não é verdade? Então, fale e aja com base nisso, não deixando margem para que te rotulem com sucesso de fascista, defensor de ditadura, corporativista, amigo dos ricos e etc., mas demonstrando como esses rótulos não só são mentirosos como se aplicam aos próprios esquerdistas. A ideia é desmoralizar a esquerda diante da plateia.

Finalmente, se você é um daqueles que realmente que realmente acredita que o Brasil precisa de uma nova intervenção militar e vive bradando isso por aí, tire imediatamente essa ideia da cabeça e pare de falar besteira! Como eu disse, estamos em meio a uma guerra cultural. É uma guerra pelo domínio do senso comum, da cultura e da opinião pública. É uma batalha de rótulos, propagandas e discursos. Uma intervenção militar agora apenas iria reforçar na mente das pessoas uma associação entre direita e ditadura, esquerda e liberdade. A esquerda já teve muito lucro explorando essa associação psicológica com o regime militar de 1964-1985. Se tivermos outro regime desses, a direita vai morrer para sempre.

Além do mais, não é uma ditadura que nós queremos. Queremos uma democracia. Queremos liberdade. Intervenções militares sempre carregam consigo o risco de se converterem em um regime ditatorial. Uma vez que as armas atuais da esquerda são culturais, correr este risco é algo totalmente insano e idiota. Devemos, em vez disso, entrar com tudo na guerra cultural e destruir a esquerda moral e intelectualmente. Se a direita conseguir entender isso, poderá lutar de igual para igual contra a esquerda. Agora, se ela permanecer cometendo os mesmos erros infantis, adeus política. No fim, todo se resume a seguinte pergunta: o que a direita brasileira quer? A resposta vai definir o nosso futuro.

Você tem certeza de que vai votar no PT?

Este texto também se encontra no blog “Mundo Analista“. Clique aqui para ler.

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Você sabia que o PT é o fundador e integrante até hoje de uma afiliação internacional chamada “Foro de São Paulo”? Essa afiliação foi criada em 1990 com a finalidade de reunir vários partidos de esquerda da América Latina, juntamente com organizações revolucionárias terroristas e narcotraficantes como as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).

E você sabia que chefes de estado esquerdistas participam regularmente das reuniões do Foro? As poucas pessoas que sabem disso costumam a dizer que o Foro é apenas um grupo inofensivo de debates. Mas você sabia que os integrantes desse Foro assinam atas e resoluções destas reuniões?

Aliás, a importância desse Foro é tão grande para seus integrantes que quando o Foro completou 15 anos, o sr. Luís Inácio Lula da Silva, então presidente do Brasil, fez um discurso (que chegou a constar na página oficial do governo) ressaltando a relevância do Foro na tomada de decisões e formulação de estratégias em cada governo esquerdista afiliado. Ele chegou a citar afirmar ainda que a eleição de Hugo Chávez na Venezuela muito se deveu ao que se confabulou no Foro (Ver: “Discurso do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, na celebração dos 15 anos do Foro de São Paulo“).

Você sabia que apenas em 2005 o Foro proibiu formalmente a participação de organizações criminosas como as FARC? E você sabia que o sr. Lula já defendeu publicamente a ideia de as FARC se tornarem um partido político?

Você sabia que o PT é um partido de origem e orientação socialista e que, como todo bom socialista, simpatiza com qualquer país ou organização que odeie os EUA? É por isso que o PT não vê mal em dialogar com grupos terroristas islâmicos e governos autoritários mulçumanos. É por isso que a sra. Dilma Vana Rousseff manifestou extremo carinho e compreensão para com o Hamas quando o mesmo estava sendo atacado por Israel.

Você sabia que o PT é um partido que se originou baseando-se nas ideias de Antonio Gramsci? Sabe quem foi Antônio Gramsci? Foi um marxista italiano da primeira metade do século XX que pregava um novo tipo de revolução socialista. Ele acreditava que o melhor modo de os marxistas efetuarem chegarem ao poder e o manterem, a fim de garantirem a revolução, era através do alcance da hegemonia cultural. Em outras palavras, o partido deveria focar em fazer todas as pessoas pensarem e falarem dentro dos moldes marxistas e do partido. Na medida em que isso fosse se tornando parte da cultura, do cotidiano de cada um, do senso comum e do instinto, as ideias do partido se tornariam a suprema verdade e o mesmo se tornaria hegemônico. Para tal, toda e qualquer arma não-fisica era válida. Qualquer coisa que pudesse inculcar na cabeça das pessoas que o partido é bom e não pode ser tirado do poder poderia ser usado.

Antônio Gramsci, aliás, fez uma releitura da famosa obra “O Príncipe”, de Maquiavel, onde ele dizia que o partido marxista deveria ser o novo príncipe. Assim, ele aplicava as regras de Maquiavel para a manutenção de poder ao partido, legitimando para o mesmo a ideia de que os fins justificam os meios. A ética de Gramsci funcionava assim:

1. Há um sumo bem;
2. Este sumo bem é a revolução, que criará um mundo perfeito;
3. O partido é o agente capaz de implementar a revolução;
4. Logo, tudo o que beneficiar o partido pode ser feito e justificado, pois é em prol do novo mundo.

Se olhar para o PT, verá que é isso o que rege suas más ações. Lula, por exemplo, confessou em uma palestra que citava números mentirosos só para ganhar simpatia (Aqui tem o vídeo: “LULA FALA MAL DO BRASIL, DIZ QUE MENTE E RI DAS MENTIRAS“). Os escândalos de desvio de dinheiro publico em que o PT está envolvido não são para meramente enriquecer o bolso de seus integrantes, mas para financiar campanhas do partido. Ou seja, faz parte do projeto de manutenção do poder.

Você sabia ainda que o PT era contra programas assistencialistas? O PT considerava isso esmola e uma forma de dominação da classe politica aos pobres. Mudou de ideia ao chegar ao poder. Você sabia que os primeiros programas de assistência foram criados pelo PSDB e que o Bolsa Família é apenas uma continuidade, união e ampliação de antigos programas como Bolsa Escola e Vale Gás? Você sabia que oferecendo o Bolsa Família para 11 milhões de famílias, propagandeando ser o criador da assistência e fazendo terrorismo mentiroso de que o PSDB irá acabar com o programa, o PT consegue mais de 15 milhões de votos?

Você está ciente de que o PT apoia governos que estão afundando seus países, como o de Nicolas Maduro, da Venezuela, que mantém o país com escassez de produtos e inflação? Aliás, o PT é amigo de políticas inflacionarias, tal como todo partido socialista. Afinal, fazer dinheiro é una maneira simples de o governo saldar dividas de empresas publicas deficitárias. Simples para o governo, mas terrível para o povo, já que é a inflação da moeda que gera o descontrole dos preços e a perda do poder de compra. Era o que ocorria no Brasil antes do plano real, que o PT votou contra na época. É o que está perigando ocorrer de novo, ainda que com menor intensidade.

Você sabia que a maioria dos grandes nomes do PT que lutaram contra o regime militar (incluindo a sra. Dilma), queriam implantar uma ditadura comunista? É o que confessa, por exemplo, o ainda hoje esquerdista e socialista Eduardo Jorge, neste vídeo:
Eduardo Jorge admite o que Dilma sempre escondeu: ‘Éramos a favor da ditadura do proletariado‘”.

Você sabia que ditaduras comunistas levaram milhões de pessoas à morte em países como o Camboja, o Vietnã, a China, a Coreia do Norte e a URSS, por repressão e falhas em planos econômicos?

Você tem ciência de quantas mentiras o PT tem contado nestas eleições para vencer o PSDB? Por exemplo, a de que o FHC quebrou o Brasil três vezes, enquanto Lula saldou a divida com o FMI. A verdade é que FHC passou por quatro fortes crises internacionais que atingiram principalmente países emergentes. E em vez de recorrer a políticas inflacionárias para pagar dividas (algo que todos os governos anteriores faziam e que Lula faria em seu lugar), pegou empréstimo com o FMI, o que é muito menos pior para a população. Lula, por sua vez, quando resolveu pagar a divida com o FMI simplesmente vendeu títulos da divida para bancos brasileiros. Ou seja, ele saldou a divida com o FMI contraindo uma divida com bancos nacionais. Ele transferiu a divida externa para a interna. Só isso. Mas com um “detalhe”: os juros nacionais são mais altos que os juros do FMI.

Outro exemplo de mentira: a de que o desemprego no Brasil é de 5%• Para se chegar a esse numero o IBGE usa uma metodologia totalmente falha, que considera como não desempregado até quem fez um bico na semana da em que foi entrevistado. Veja com seus olhos no site do IBGE:

http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/trabalhoerendimento/pme/pmemet2.shtm

É uma metodologia totalmente diferente da usada nos países europeus. O DIEESE, aliás, um instituto já antigo de pesquisa do Brasil, indica que o valor na verdade é de 10%. E pela metodologia europeia, seria mais de 20%. As seguintes leituras ajudam a entender melhor:

– A real taxa de desemprego no Brasil
– A farsa da taxa de desemprego no Brasil! 5,3% ou 22,1%?
 EXCLUSIVO: Desemprego no Brasil ultrapassa os 20%
– Governo manipula para baixo taxa de desemprego do Brasil

E por aí vai.

É realmente esse partido que você quer no poder? Um partido que acha que mentir para o seu bem é justificável, que tem um plano de se tornar hegemônico, que simpatiza com terroristas, ditadores e narcotraficantes, que discute estratégias e ações em um Foro com gente da pior espécie! É isso que você quer? Imagine esse partido conquistando a hegemonia que pretende! Imagina esse partido se tornando parte da cultura e da mentalidade da maioria dos brasileiros, incluindo até policiais, delegados e juízes! Imagina uma lei de controle de mídia nas mãos de um partido que alcança essa hegemonia! Tudo isso pode levar ao totalitarismo. Mas mesmo que isso nunca aconteça, você acha que um partido assim deve ficar no poder? Acha que um partido assim vai diminuir a horrenda taxa de 50 mil brasileiros assassinados todos os anos? Acha que esse partido vai conseguir limitar a corrupção? Acha que esse partido vai dar aos brasileiros a condição de andarem com as próprias pernas, sem a necessidade de um Estado-babá que toma conta de tudo, sufocando nossa autossuficiência?

Talvez você venha me dizer que o PSDB também tem um monte de erros. E tem mesmo! Tem corruptos, tem incompetentes, tem idiotas e tem um programa de governo falho em diversos aspectos. Mas não passa de um batedor de carteiras em comparação ao PT, que já é o traficante dono do morro e líder da facção.

A Marcha das Vadias e a Revolução Cultural Marxista

O seguinte texto é uma reportagem que fiz semana passada para meu professor de Técnicas de Reportagem III, em minha faculdade de jornalismo. O leitor pode ler o mesmo texto no blog Mundo Analista, clicando aqui.

Antônio Gramsci, intelectual marxista italiano.

Ocorrida no último dia 27 de julho, no trajeto entre Copacabana e Ipanema, a chamada Marcha das Vadias reuniu cerca de 2 mil pessoas. Composta principalmente por integrantes do movimento LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros) e simpatizantes, o movimento protestou contra a vinda do Papa no Brasil, os dogmas da Igreja Católica e a favor da legalização do aborto. Esta foi a terceira edição carioca da Marcha, que teve seu início em uma manifestação no Canadá, em 2011, e se tornou um movimento internacional.

Embora não tenha havido nenhum tipo de violência física, o protesto chamou a atenção pelas performances polêmicas de algumas pessoas durante a marcha, como a utilização de roupas íntimas, o seminudismo, os brados de ofensas com apelo sexual contra o Papa e o uso de objetos de culto religioso para masturbação. A ideia central da marcha, segundo os participantes, seria a de lutar pelo Estado laico e contra a opressão dos dogmas conservadores e religiosos.

Esta mentalidade antirreligiosa tem se constituído um movimento crescente no Brasil e no mundo, encontrado adeptos em diversos setores da sociedade e criando uma cultura hostil aos religiosos e conservadores. Alguns exemplos ilustram isso. Em Abril de 2013, quatro ativistas seminuas do movimento Femen, invadiram um encontro da Conferência Episcopal da Bélgica que ocorria na Universidade Livre de Bruxelas e jogaram esguichos de água no Arcebispo André Joseph Leonard, em protesto contra o seu posicionamento em relação ao homossexualismo.

Em março de 2013, a direção da Florida Atlantic University, suspendeu o aluno Ryan Rotela, por ter se recusado a desempenhar a atividade proposta pelo professor Deandre Pooly à sua turma de pisar no nome de Jesus. Segundo o professor e a direção da universidade, a atividade se encontrava no material didático utilizado nas aulas e se baseava no livro “Comunicação Intercultural: Uma Abordagem Contextual. Edição 5”, que trata o exercício como o princípio de uma discussão: a importância dos símbolos na cultura.

Em dezembro de 2012, houve uma encenação da decapitação do Papa, no pátio da PUC, em que estudante com uma serra elétrica cortou a cabeça de um grande boneco representando o pontífice, sob a euforia de dezenas de outros estudantes. Também em dezembro do mesmo ano, o taxista Ezer Gomes de Barros foi levado à delegacia por ter se recusado a continuar transportando um casal homossexual que se beijava dentro do carro, algo que ele havia pedido ao casal que não fosse feito. Segundo o taxista, ele faria o mesmo pedido a um casal heterossexual. No entanto, o casal entendeu o pedido como discriminação.

Em agosto de 2012, uma palestra do membro da família real brasileira Dom Bertrand de Orleans e Bragança, na Unesp, Campus de França, foi impedida de se realizar no dia previsto em função de um grupo de estudantes que invadiu o evento, protestando com ameaças e ofensas contra a presença do príncipe, que é um dos representantes do movimento TFP (Tradição, Família e Propriedade).

Em março de 2012, a banda feminina de punk rock russa Pussy Riot invadiu um culto na catedral do Cristo Salvador, considerada a mais importante da igreja ortodoxa russa, e cantou a música “Punk Prayer” (“Prece punk”) no altar do templo. Em fevereiro do mesmo ano, o Conselho Federal de Psicologia do Brasil, ameaçou caçar a licença da psicóloga Marisa Lobo, em função da mesma externar suas opiniões cristãs com frequência. O Conselho chegou a solicitar a retirada de frases cristãs de suas redes virtuais.

Em junho de 2011, a americana Jessica Ahlquist, entrou na justiça para que a escola pública onde estudava retirasse uma oração de um mural, onde estava há 49 anos, fazendo parte da história da escola.

Tais atitudes desrespeitosas aos religiosos e conservadores não apenas têm sido cometidas por cada vez mais indivíduos, como tem recebido apoio de pessoas influentes da sociedade. Só para citar um exemplo, a banda russa Pussy Riot, que invadiu a catedral de Cristo Salvador, recebeu apoio da cantora Madonna, das bandas Green Day, Bjork e Red Hot Chili Peppers e até do primeiro-ministro russo Dmitri Medvedev, que acreditam que os membros da banda não deveriam ser presos pela invasão.

Segundo a equatoriana Amparo Medina, funcionária da ONU e ex-militante socialista, esse posicionamento antirreligioso é muito comum entre as esquerdas mais progressistas e radicais, sobretudo, as de cunho marxista. Na rede católica de televisão EWTN ela explica que “os grupos comunistas e socialistas sabem que a única instituição que pode romper as suas mentiras é a Igreja Católica. Então, a primeira coisa que buscam são argumentos que possam destruir a pouca fé que os católicos têm. Veja as notícias ou vá atrás desse sacerdote que não está vivendo a sua vida na graça com Deus… Publique-os e os lance na imprensa”. Ela ainda conclui que “é preciso omitir que no Equador, 60% das obras de ajuda às pessoas pobres estão nas mãos da Igreja, pois isso se silencia”.

O anticlericalismo sempre foi um dos principais pilares das esquerdas mais radicais. Para o socialismo marxista, a religião é uma ilusão, “o ópio do povo”, como afirmou Marx em seus escritos; um subproduto dos sistemas econômicos exploradores que têm se sucedido durante toda a história. E assim, por fazer parte do sistema que deve ser derrubado, a religião (sobretudo o cristianismo católico, que é maior instituição religiosa que existe) é encarada como um dos vários males a ser combatido para que o socialismo seja implantado.

O filósofo e escritor brasileiro Olavo de Carvalho ressalta a importância da chamada “revolução cultural” nesse processo de implantação do socialismo. Citando o ideólogo marxista Antônio Gramsci (1891-1937), famoso por ter elaborado o conceito de “intelectuais orgânicos” e lançado as bases para a revolução cultural comunista, ele afirma:

O conceito gramsciano de intelectual [orgânico] funda-se exclusivamente na sociologia das profissões e, por isto, é bem elástico: há lugar nele para os contadores, os meirinhos, os funcionários dos Correios, os locutores esportivos e o pessoal do show business. Toda essa gente ajuda a elaborar e difundir a ideologia de classe, e, como elaborar e difundir a ideologia de classe é a única tarefa intelectual que existe, uma vedette que sacuda as banhas num espetáculo de protesto pode ser bem mais intelectual do que um filósofo […].

Essa seria, portanto, a missão dos intelectuais orgânicos. Influenciados pelos intelectuais acadêmicos (os responsáveis por dar início à revolução), eles criariam um “senso comum” progressista e antirreligioso na população, não com pregações abertas e teoricamente complexas, mas de modo popular e acessível, a fim de moldar, de fato, a mentalidade do povo.
Olavo de Carvalho continua:

O senso comum não coincide com a ideologia de classe, e é precisamente aí que está o problema. Na maior parte das pessoas, o senso comum se compõe de uma sopa de elementos heteróclitos colhidos nas ideologias de várias classes. É por isto que, movido pelo senso comum, um homem pode agir de maneiras que, objetivamente, contrariam o seu interesse de classe, como por exemplo quando um proletário vai à missa. […] Aí é que entra a missão providencial dos intelectuais. […] reformando o senso comum, organizando-o para que se torne coerente com o interesse de classe respectivo, esclarecendo-o e difundindo-o para que fique cada vez mais consciente, para que, cada vez mais, o proletário viva, sinta e pense de acordo com os interesses objetivos da classe proletária e o burguês com os da classe burguesa.

Baseado nestas considerações, Olavo sustenta que a hostilidade que se tem visto desenvolver ao cristianismo e ao conservadorismo, bem como movimentos anticlericais, o que inclui a Marcha das Vadias, seria resultado direto da revolução cultural marxista idealizada por Gramsci.

O padre brasileiro Paulo Ricardo, ardoroso militante contra a revolução cultural marxista, concorda:

Tudo isso é fruto de um descaso histórico dos conservadores que permitiram que o marxismo cultural tomasse conta das universidades. Em qualquer curso universitário é possível constatar tal realidade através de um ódio frontal e fundamental ao cristianismo, aos valores cristãos e mais especificamente ao catolicismo tradicional.

O padre também afirma: “Os que pensam a revolução cultural sabem que seu trabalho deve ser feito de forma lenta, gradual, dando a impressão de naturalidade, ou seja, dando a impressão de que a sociedade caminha assim naturalmente”.

Para ambos os autores mencionados, a prova de que a revolução cultural marxista tem encontrado êxito se encontra em dois fatos: (1) a omissão dos religiosos e conservadores em relação às atitudes desrespeitosas que tem se desenvolvido e (2) o apoio (ou a condescendência) da mídia e da justiça em relação a essas atitudes. Os exemplos citados há pouco, também ilustram essas afirmações, sobretudo o da terceira edição carioca da Marcha das Vadias, que contou com atos obscenos e escárnio público de crença religiosa.

O Artigo 208 do Código Penal afirma: “Escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso: Pena – detenção, de um mês a um ano, ou multa”. O artigo 233 diz: Praticar ato obsceno em lugar público, ou aberto ou exposto ao público: Pena – detenção, de três meses a um ano, ou multa”. Não obstante, a marcha não se tornou alvo de grande protesto por parte dos religiosos, nem de divulgação por parte da grande mídia, tampouco de intervenções por parte da polícia. O estranho fenômeno, na explicação de Paulo Ricardo é que “o marxismo cultural, no Brasil, já conseguiu a hegemonia cultural e da mídia. Pela política da dominação de espaços, já dominaram a classe falante (jornalistas, cineastas, psicólogos, padres, juízes, políticos, escritores) que é formada no pensamento do marxismo cultural”. A tendência desse quadro é tornar a hostilidade aos religiosos e conservadores cada vez maior.

Enfim, o que é a Esquerda?

Texto escrito pelo blogueiro Luciano Ayan, em 2010. Para ler o texto original clique aqui. Para ler as postagens atuais do seu blog, clique aqui.

Várias vezes neo ateus se opõem ao que escrevo de forma indignada, dizendo algo como “O Luciano quer dizer que nós somos de esquerda, mas eu não sou marxista”.

Por isso, já passou do tempo de esclarecer bem a questão da esquerda, e EXATAMENTE o que trato quando cito a esquerda.

Uma forma melhor de tratar a esquerda, como um todo, seria como sistema humanista de governo.

O humanismo, naturalmente, não nos diz como gerir economicamente um país, mas dá uma base para todas as ideologias da esquerda.

O humanismo é a crença na idéia de que o homem, por sua ação, poderá criar um mundo perfeito, isento “de males”.

Daí, os sistemas de governo da esquerda traziam a idéia: “Então vamos inchar o estado para fingir que lutamos por esse mundo”. Simples assim.

Muitos religiosos duvidam do paradigma humanista, pois simplesmente acreditam que o ser humano é falível. Digamos que para o religioso o ser humano é um pecador em potencial.

Para chegar à essa constatação, não precisamos nem da religião, pois até alguns filósofos ateus concordam exatamente com a mesma proposição. Como exemplo, John Gray e Arthur Schopenhauer.

Para John Gray, a idéia de que o homem poderá criar um paraíso em Terra através “da ciência” não passa de uma ilusão, um ranço que vem dos tempos do positivismo. E John Gray usa em sua teoria apenas a teoria da evolução. (Por isso, nem todo ateu é humanista, mas quase todo humanista é um esquerdista, e o neo ateu é um humanista radical)

Qualquer conservador, em essência, duvida de qualquer sistema de governo humanista. Portanto, por tabela duvida de qualquer sistema da esquerda.

Marxismo, liberalismo social e social democracia são as três principais alternativas para um sistema de governo de esquerda. E todos são derivados logicamente do humanismo.

O marxismo promete o mundo sem divisões sociais através da luta armada. Já a social democracia promete o mesmo mundo, mas obtido a partir de uma luta democrática. O liberalismo social é o mais facilmente vendável, e hoje atinge o PSDB no Brasil e o governo Obama nos Estados Unidos (lá eles atendem pelo nome de “Democratas” ou “Liberais”), e foca na luta por um mundo sem fronteiras, com “justiça social” e o blábláblá de sempre.

O neo ateísmo é uma vertente liberal de anti-religiosidade, surgida com o fim de aumentar o poder político dos “seculares”, uma “tropa de elite” de humanistas seculares mais agressivos, sempre com o viés globalista, mania de todo liberal. (Não vamos confundir com liberalismo social, dos “liberais” da esquerda, com o liberalismo econômico, dos conservadores)

Em um post que que fiz em 15 de setembro, Brasil: Game Over OU O Começo da Ditadura Formal, Licorne Negro fez algumas perguntas extremamente relevantes:

Gostaria de saber qual a origem desse delírio esquerdista de achar que todo partido que está na situação é de direita, não importa que seja de esquerda e aja com uma agenda de esquerda, adaptando apenas pontos mínimos (geralmente na economia) devido à necessidade de agir de forma minimamente realista. Isso viria da época de Dom Pedro, em que se dizia que não há nada mais conservador que um liberal no poder? Ou isso faz parte da estratégia gramsciana? Também gostaria de saber porque no Brasil tratamos o PSDB como direita? E porque muita gente diz que nos Estados Unidos só há partidos de direita, mesmo que os Democratas tenham se mostrado esquerdistas em todo seu modo de agir?

Excelente questão, diga-se.

Os fatos são os seguintes.

O PSDB é de esquerda (da linha do liberalismo social) e o PT também (da linha marxista).

É importante notar que o fato do PT ser de linha marxista não implica em que eles tenham que usar a política soviética exatamente como foi feita por lá.

Pelo contrário. De acordo com a estratégia gramsciana, eles podem até utilizar preceitos liberais, uma política de mercado para alguns setores e até aliança com mega-empresários (Eike Batista, Abílio Diniz, Silvio Santos), tudo em nome da obtenção do poder.

Já o PSDB que aparenta ser de “direita” (somente no discurso dos marxistas puristas), no final das contas defende a mesma coisa, só que fez algumas privatizações.

Mas todas as privatizações feitas pelo PSDB foram insuficientes diante do inchadíssimo estado brasileiro.

É aí que temos o cerne da esquerda, da qual ambos fazem parte. Toda a esquerda tem como pilar o estado inchado.

Pois o estado inchado será o “meio” através do qual esses auto-declarados “iluminados” fariam a “justiça social”.

Mas toda essa idéia de que PSDB é de “direita” é derrubada com uma análise de debates recentes dos dois candidatos à presidência.

Dilma Rouseff ataca José Serra dizendo que ele é um “privatizador, que vai privatizar a Petrobrás”. Serra responde que não vai “privatizar a Petrobrás e nem o Banco do Brasil de jeito nenhum”.

Isso é sinal de que temos dois esquerdistas debatendo.

Alguém de direita já diria algo do tipo: “Sim, eu sou a favor de privatizar a Petrobrás, e também o Banco do Brasil, para que o estado receba impostos de ambos, agora como empresas privadas, empresas estas que não poderão mais serem usadas como cabide de emprego para partidos políticos. Em resumo, em um governo meu, as oportunidades de aparelhamento de estado cairiam ao mínimo, pois nas empresas privadas vocês não podem fazer a mesma bandalheira que fazem em empresas estatais”.

Qualquer resposta com um tom menor que este não é de direita.

Quem é de direita simplesmente NÃO CONFIA nas propostas humanistas, que geraram as ideologias da esquerda.

Quem é de direita NÃO CONFIA na Petrobrás nas mãos do estado, pois sabemos que eles utilizarão a empresa como máquina de cargos distribuídos para militantes.

Para alguém de esquerda, é normal a noção de que uma empresa desse porte fique nas mãos do estado. Pois o militante esquerdista tem a CRENÇA de que alguns homens (seriam os “anjos” em Terra, como diria Friedman) estão na missão de levar a “justiça social” através de sua ação, usando para isso “o Estado”.

Assim, não há como confundir esquerda ou direita.

E quando um petralha diz que “PSDB é de direita”, ele está simplesmente executando a Estratégia das Tesouras, de Stalin.

Olavo de Carvalho nos dá mais detalhes, conforme visto em seu texto “A Mão de Stálin está sobre nós”:

A articulação dos dois socialismos era chamada por Stalin de “estratégia das tesouras”: consiste em fazer com que a ala aparentemente inofensiva do movimento apareça como única alternativa à revolução marxista, ocupando o espaço da direita de modo que esta, picotada entre duas lâminas, acabe por desaparecer. A oposição tradicional de direita e esquerda é então substituída pela divisão interna da esquerda, de modo que a completa homogeneinização socialista da opinião pública é obtida sem nenhuma ruptura aparente da normalidade. A discussão da esquerda com a própria esquerda, sendo a única que resta, torna-se um simulacro verossímil da competição democrática e é exibida como prova de que tudo está na mais perfeita ordem.

Resumindo: quando tratamos o PSDB como “de direita”, já caímos na fase em que a estratégia das tesouras está bem desenvolvida em nosso país.

Aqui, no máximo o DEM poderia ser quase um partido de direita.

Mas as declarações de Índio da Costa no mês de agosto, dizendo que “é de esquerda”, causam algum desânimo. E o partido quase inexiste politicamente.

Quer dizer, direita não existe. Temos uma QUASE direita com o minúsculo DEM.

E a partir dali, é tudo esquerda, e isso inclui PSDB, PMDB, PV, PT, PCdoB, PSOL e todo tipo de porcaria.

A pergunta que resta é: como pudemos chegar à esse estágio de dominação esquerdista?

Simples: estratégia gramsciana.

Em raros países a estratégia gramsciana foi executada de forma tão coordenada, utilizando-se inclusive de unidades especializadas de doutrinação em grandes universidades, como a USP.

O senso comum da população brasileira, mesmo que seja um povo inerentemente conservador, está “formatado” para ir pensando de acordo com as ideologias da esquerda.

Tanto que nesse novo universo mental, até mesmo diante de diferentes sistemas de esquerda se convencionou chamar um deles de “direita” e outra de “esquerda”.

Por isso, chegamos à esse estágio de declínio cultural em que grande parte da população sequer consegue saber o que “direita” significa.

Ser de direita significa ser conservador, um adepto do livre mercado, do estado enxuto, da meritocracia, de uma moral objetiva (e não uma “moral fluida” ou “moral discutida”), etc.

Tanto PSDB como PT não tem absolutamente nada do que se esperaria em um partido de direita.

Nos Estados Unidos, os Democratas são um partido de esquerda, e os Republicanos são um partido de direita.

Vemos isso claramente na obsessão pelo estado inchado dos Democratas, como com o “Obama Healthcare”. E a rejeição ao estado inchado é base das manifestações republicanas.

Enfim, a diferença entre direita e esquerda nos Estados Unidos é claríssima.

Quando um petralha diz que “nos Estados Unidos só há partidos de direita”, ele mente no mínimo duas vezes.

Primeiro, por que na verdade, nos Estados Unidos há direita e esquerda, e isso é visto na diferença radical entre as duas propostas.

Segundo, por que no Brasil, o máximo de “direita” que temos são partidos iguais aos Democratas norte-americanos, portanto não faz sentido chamar qualquer grande partido nacional de “esquerda”.

Enfim, aqui vão duas regras básicas para facilitar a classificação:

  • Se alguém defende o estado inchado, inclusive com manutenção de estatais como Banco do Brasil e Petrobrás na alçada do governo, é de esquerda; se defender a manutenção apenas do básico absoluto com o Estado (como a segurança pública), é de direita;
  • Se vier com conversinhas como “nós lutamos pela justiça social”, é de esquerda, pois qualquer esquerdista tenta “se vender” fingindo que luta por todos, quando na verdade é só busca de autoridade; quem é de direita geralmente diz que “quem trabalha mais, merece mais”, o que pode parecer menos demagógico,  mas é mais realista.

Aplicando essas duas regras, que podem ser sustentadas por qualquer investigação na literatura dos autores de esquerda, vemos que nem PSDB e nem PT são de direita.

Aliás, no Brasil, não há direita.

E precisamos de uma direita ativa para fazer a oposição à esquerda.

Até por que os ideólogos da esquerda estão na espiral da bobagem, até por que é difícil encontrar bobagem maior do que dizer que o PSDB é de “direita”.

Se daqui uns 15 ou 20 anos, tivermos uma elite conservadora para fazer contraposição aos ideólogos da esquerda, talvez deixem de falar tanta bobagem.

Esquerda: uma religião política

Texto meu (Davi Caldas) originalmente publicado no blog Mundo Analista. Para ler o original, clique aqui.

Experimente tentar defender qualquer assunto relacionado ao cristianismo ou à moral judaico-cristã dentro de uma universidade. O resultado, fatalmente, será uma tempestade de críticas de teor bem agressivo. Essa tendência de se enxergar a religião tradicional como uma pedra no sapato do mundo, um empecilho à ciência, um gerador de guerras e um elemento opressor da humanidade não é algo novo, mas se expande em alta velocidade desde que os iluministas começaram acreditar que ser humano é um ser altamente evolutivo e de natureza boa, que é plenamente capaz de criar um paraíso na terra com suas próprias mãos.

Esta perspectiva de alta fé no ser humano, advinda do humanismo e propagada aos quatro ventos pelos iluministas é um dos pilares do pensamento de esquerda (senão, o pilar). E, não é difícil observar como que essa perspectiva entra facilmente em oposição ao pensamento da religião tradicional. Afinal, o que se faz aqui é substituir a fé em um Deus supremo e bom, dono de toda a moral e que promete um mundo novo, pelo ser humano (sempre representado por uma classe específica de seres humanos), que também passa a ser supremo e bom, dono de toda a moral e que promete um mundo novo.

Então, o que vemos aqui é que a disseminação dessa fé descomunal no homem pelos iluministas acarretou em algo muito mais perigoso e letal do que poderia se tornar qualquer religião tradicional: a religião política (mais conhecida como esquerda). Essa religião, diferente da religião tradicional, jamais culpará a natureza do ser humano pelos problemas do mundo. No lugar disso, ela definirá bodes expiatórios que possam levar a culpa de toda a desgraça humana nas costas, e instigará o ódio a esses “culpados”, legi-timando todo o tipo de ação contra eles.

Para se ter ideia do quão perigosa é essa postura, só precisamos observar o que a religião política tem feito ao longo de sua história. Vamos utilizar dois exemplos bem conhecidos. O primeiro é o do comunismo, uma das várias vertentes da esquerda. O que o comunismo prega? Bem, segundo Karl Marx e Friedrich Engels (os fundadores da teoria), a história de toda a sociedade até hoje é a história de lutas de classes. Essas lutas teriam ocorrido desde o início da humanidade entre “homem livre e escravo, patrício e plebeu, barão e servo, mestres e companheiros, numa palavra, opressores e oprimidos”; e agora, estaria alcançando o seu apogeu com a burguesia e o proletariado.

Baseado nisso, o pensamento comunista entende que a culpa da sociedade ser desigual e viver em desarmonia é da burguesia. Afinal, é a burguesia que toma conta dos meios de produção e suga todo o lucro do trabalho do proletariado, que é formado pela maior parte da população. Assim, a riqueza da minoria depende da miséria da maioria. Como é na desigualdade que residem os males, o comunismo sustenta que a sociedade deixará de ser cruel quando o proletariado destruir a burguesia; não havendo mais antagonismos de classes, não haverá luta e não havendo luta, a sociedade será finalmente igual e pacífica (sem necessitar mais de Estado, inclusive).

Veja como todos os elementos da religião política são dispostos cuidadosamente na teoria de Marx e Engels:

(1) defini-se que o mal da sociedade não está na natureza humana;

(2) busca-se um bode expiatório para pôr a culpa desse mal (a burguesia);

(3) instiga-se o ódio aos “culpados”, pois eles não deixam o paraíso ser formado;

(4) legitima-se toda e qualquer ação contra os “culpados”, em prol de um bem maior e supremo, que será alcançado quando eles forem eliminados.

E qual foi a consequência desse pensamento, obviamente, utópico? Genocídios imensos causados pela União Soviética (de Lênin e Stálin), Camboja (de Pol Pot), China (de Mao Tsé Tung), Cuba (de Fidel Castro), além de terríveis perseguições, totalitarismo, opressão do povo e, finalmente, a não concretização do tal paraíso. Isso, claro, porque o mal reside no ser humano como um todo e não na burguesia.

O segundo exemplo vem do Nacional Socialismo alemão (que é chamado erroneamente de extrema-direita só porque foi anticomunista). Para Hitler, o problema do mundo não estava na natureza humana, mas sim nas “raças” e pessoas “inferiores”. O ser humano realmente bom, supremo, capaz, racional e evoluído era o homem ariano. Os demais eram apenas desviantes biológicos, que deveriam ser destruídos para que a terra retornasse ao seu rumo correto.

Mais uma vez é claro o uso das ideias da religião política (esquerda), baseada no humanismo. A única diferença do nazismo para o comunismo é que no lugar de culpar a burguesia, o nazismo culpou quem não era ariano. E o resultado? Milhões de judeus, negros, homossexuais e deficientes foram exterminados, e o extermínio, legitimado pela ideologia da religião política.

O grande problema da religião política é que ela encara o homem como Deus e culpa quem ela quer pelos problemas. Por isso qualquer ação pode ser legitimada. Ora, se um cristão faz algo ruim, como agredir um adversário, ele não é legitimado pela sua religião, pois a religião tradicional diz: “Ame o próximo” (Tiago 2:8); “todos são pecadores” (Romanos 3:9); “não há um justo sequer” (Romanos 3:10); “a vingança a Deus pertence” (Romanos 12:19); “quem nunca cometeu pecado (ou seja, ninguém) que atire a primeira pedra” (João 8:7). Ele está errado. A religião tradicional condena sua atitude. Deus condena sua atitude.

Mas se um religioso político agride um cristão, por exemplo, ele está certo. Está legitimado. Sob o esquerdista não pesa nenhuma culpa e ele não deve ser recriminado, afinal, ele está dando ao “culpado” pelos problemas do mundo o devido tratamento. O homem é o próprio Deus e por isso está sempre certo.

Por esse motivo é que podemos dizer que a religião política é a mais perigosa das religiões. Ela induz as pessoas a fazerem coisas irracionais como:

(1) depositar sua confiança em grandes líderes (isso também ocorre na religião tradicional, mas não por indução da Bíblia, pois ela deixa claro: “Maldito o homem que confia no homem” – Jeremias 17:5 – além de ensinar que só devemos acreditar em quem age conforme os princípios marais judaico-cristãos);

(2) crer que fazem parte de uma grande revolução que levará a humanidade a um paraíso na terra;

(3) criar bodes expiatórios para os problemas da humanidade e odiá-los;

(4) legitimar toda e qualquer ação contra esses bodes.

E não pensemos que agora, em pleno século XXI, estamos livres das ações da religião política. Como Adolf Hitler costumava dizer: “Uma mentira repetida mil vezes se torna uma verdade”. As inúmeras mentiras da religião política estão por aí, moldando a cabeça das pessoas; sobretudo, nas universidades. Lá, boa parte dos professores é hostil ao cristianismo por crer na religião política e desejar que o ser humano possa ter a mesma autoridade e direito sobre as coisas que tem Deus na religião tradicional.

Mas quem questiona isso? O amigo leitor conhece muitas pessoas que critiquem a religião política com a mesma intensidade com que os religiosos políticos criticam a religião tradicional? Tenho certeza que não. A religião do momento é a religião política e enquanto ela estiver dominando a área acadêmica sem questionamentos (como tem sido), continuará espalhando suas mentiras genocidas. Lembre-se: o ser humano é Deus na religião política. O que quer que a esquerda queira fazer, será legitimada em todo o tempo por essa concepção.