O conservador, a prudência e a reforma agrária

Texto publicado também no blog “Mundo Analista“. Para ler por lá, clique aqui.

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Uma das maiores virtudes do conservador político é a prudência. Ser prudente, entre outras coisas, é ver além do óbvio, além do aqui e agora; é avaliar os possíveis desdobramentos de uma ação antes de realizá-la, usando a lógica, a moral e experiência.

Para exemplificar, vamos pegar um tema concreto. Reforma Agrária. Quando eu era pequeno ouvia falar nessa reforma com muitos louvores. E, nos meios universitários, isso é visto como inquestionavelmente bom. A ideia, como vocês sabem, é expropriar (arrancar, tirar) terras de grandes latifundiários para redistribuir aos sem terra e pessoas pobres. Se haverá indenização ao latifundiário por parte do Estado, não importa para esta definição, pois a medida não deixa de ser expropriação e uma imposição por parte do Estado. Na cabeça de quem defende, três atos de justiça: punir o rico, ajudar o pobre e criar igualdade.

Para o conservador, essa ideia é absurda. Por quê?

Em primeiro lugar, ela é um roubo. Ser rico e ter muitas terras não é um crime. A não ser que se prove que aquela pessoa enriqueceu ilicitamente.

Apelar para o passado não adianta aqui. Não podemos punir alguém hoje por erros cometidos por seus antepassados. Isso implicaria ter de investigar minuciosamente a vida dos antepassados de cada indivíduo da sociedade para saber se houve alguma injustiça que gerou favorecimento para a pessoa.

Essa investigação teria de alcançar todas as gerações até os primórdios do mundo e precisaria lidar com dificuldades de deslocamentos entre nações e continentes. Impossível, claro. Mas, mesmo que isso fosse possível, resultaria em ter de colocar funcionários do governo para entrar nas casas de todo o tipo de pessoa para arrancar bens, o que não incluiria só ricos, mas qualquer que tenha um benefício advindo de uma injustiça cometida por um antepassado. Será que todos estariam dispostos a isso?

Ademais, a ideia ainda esbarra na questão da culpa: que culpa um indivíduo tem dos erros cometidos por seus antepassados?

Então, não, não se pode fazer esse acerto de contas retroativo. O que vale é o que cada pessoa faz em sua própria vida. Isso nos leva a concluir que expropriar as terras de um rico só porque ele é rico é roubo. E, obviamente, qualquer rico tem direito de achar isso ruim e errado.

Em segundo lugar, mesmo que aceitemos, à título de argumentação, que é justificável roubar ricos para ajudar pobres, que o ato é válido porque visa o bem maior da igualdade social, pense nas implicações disso. Dar a um governo e ao Estado o poder de tomar propriedades de uns para dar a outros é algo muito perigoso. Um governo e um Estado que podem expropriar terras podem fazer qualquer coisa. Esse poder absurdamente grande escancara  portas para outras ações autoritárias como a expropriação de lojas, fábricas, empresas em geral, casas, prédios, poupança bancária, móveis e bens. Escancara portas também para prisões arbitrárias, perseguição à dissidentes do governo, cassação dos mandatos de políticos opositores e o uso crescente das forças policiais e militares para reprimir o cidadão. E se tudo isso se origina de uma luta pelo bem comum, e por isso é legitimado, o governo terá prerrogativa para fazer o que julgar necessário para alcançar esse bem.

Daí decorre que o governo poderá intervir em diversos aspectos da economia e da vida individual, a fim de acabar com desigualdades e garantir a manutenção das reformas (bem como estendê-las). Ações como aumentar impostos de grandes empresas, proibir demissões, impor admissões, tabelar preços são algumas das políticas que serão usadas. E quando isso acabar falindo diversas empresas, aumentar os impostos de todos os cidadãos para ajudar as empresas em apuros será a regra, claro.

Aqui é interessante ressaltar: quando é dado ao governo o poder de expropriar terras pelo bem comum, ele poderá expropriar o que achar necessário e de quem achar necessário. Isso inclui também os pobres. O governo poderá fazer isso através de aumento dos impostos (e vai fazer) ou de maneira direta, quando um pobre estiver, de algum modo, atrapalhando seus planos. E na medida em que a economia entrar em colapso, o número de ricos diminuir e o número de pobres aumentar, só sobrará mesmo os pobres para expropriar. Em suma, se o governo antes tirava dos ricos para dar aos pobres, agora tirará dos pobres para dar a alguns ricos, a fim de salvar a economia.

Em terceiro lugar, há que se diferenciar governo de Estado. O governo é formado pelo conjunto de governantes de uma determinada época e lugar. O Estado é formado pelo corpo de leis que, além de delimitar uma sociedade, prescreve os direitos e deveres dos governantes e governados da mesma sociedade. Ora, os governos mudam na medida em que mudam os governantes. Mas o Estado pode permanecer o mesmo por décadas, séculos, milênios. Por que é importante saber disso? Porque ainda que um governo conduza a reforma agrária (ou alguma outra reforma de cunho totalitário) e não se torne tão poderoso e opressor como descrevi, esse governo um dia será substituído. Sobretudo se for um governo democrático de um Estado democrático, onde há constante troca de governantes. Então, quando um governo dá ao Estado qualquer poder, não está dando poder apenas para si, mas para governos que virão; está criando um sistema novo, que poderá ser usado de maneira mais intensa e extrema por governos futuros.

Em quarto lugar, um governo que aumente seu poder dessa maneira inevitavelmente viverá com medo de levantes, revoltas e oposição. Isso o conduzirá a criar um estado policial e a restringir a liberdade de seus cidadãos (pobres e ricos). Algumas dessas restrições provavelmente serão: desarmamento da população, imposição do ensino formal às crianças, proibição de saída do país e, no futuro, proibição de greves e manifestações. Uma característica interessante do totalitarismo é que ele só pode ser sustentando com cada vez mais totalitarismo. A tendência, então, são as restrições só aumentarem.

Em quinto lugar, dar ao estado o direito de expropriar em prol do bem comum o coloca acima da lei, criando instabilidade jurídica e dando margem para o surgimento de déspotas e de governantes irresponsáveis. Além disso, o direito à propriedade privada é solapado e deixa de fazer sentido. Não há mais qualquer garantia de que o que é seu é seu. Na verdade, tudo pertence ao Estado e você só usufrui enquanto o Estado lhe permite. Aliás, isso já é algo bem próximo do comunismo, não?

Em sexto lugar, dar ao governo o poder de expropriar terras pelo bem comum vai gerar, inevitavelmente, agitação social e conflitos entre grupos. Afinal, interesses opostos estarão em jogo e o uso da força será usado. E, para completar, o governo não se privará de usar e incentivar o ódio entre classes, a fim de evitar o foco do povo nas suas ações totalitárias e garantir apoio de uma classe. Em outras palavras, o governo alimentará, por um tempo, a agitação social, o conflito e o ódio entre grupos.

Reformas sociais que se baseiam em ódio entre grupos, conflitos físicos, agitações populares, extorsão de propriedade privada, autoritarismo, violência civil, desprezo das leis, sentimento de revanche e ações abruptas e impensadas dificilmente terão como efeito uma sociedade pacífica, estável, respeitadora da lei, com um Estado que garante o direito individual e governos que não excedem os limites do poder. Os efeitos das reformas mencionadas acima geralmente são o sentimento generalizado de desconfiança, a instabilidade das instituições, a falta de disciplina do povo, o autoritarismo estatal e o risco sempre alto de golpes de Estado e brigas ilícitas pelo poder. Foi o que aconteceu após a Revolução Francesa. E também a Russa.

Em sétimo lugar, o empreendedorismo e o lucro passam a ser desestimulados entre empresários e cidadãos comuns. Como o governo pode tirar tudo o que um indivíduo tem, quase ninguém quer correr o risco de investir. Nem os de dentro da nação, nem os de fora. Esse desestímulo ao investimento cria a necessidade do governo fazer algo para garantir a saúde da economia antes que ela entre em colapso. Dessa necessidade quase sempre surge uma relação promiscua entre o governo e alguns grandes empresários que começam a ser protegidos pelos governantes em troca de ajudá-los a gerir a economia. O resultado é a consolidação de um mercado pouco competitivo e  alguns grandes monopólios privados que irão extorquir o cidadão com preços altos e produtos/serviços de péssima qualidade.

Outras ações desse tipo de governo para tentar evitar um futuro colapso na economia seriam: criar diversas empresas estatais, estatizar empresas que considera estratégicas, implementar inúmeras obras públicas, aumentar os gastos do governo e reduzir de modo artificial as taxas de juros através da inflação de moeda. As bases que orientam essas ações são: (1) Se o meio privado não está criando empregos suficientes, o governo pode e deve criá-los. Fará isso através da instituição de empresas estatais, de obras públicas e do aumento de gastos do governo. Tudo isso gerará empregos. (2) O governo tem muita aptidão para administrar empresas, inclusive mais aptidão do que o meio privado, que é ganancioso e irresponsável. Portanto, é bom que o governo crie estatais e que estatize empresas privadas de ramos considerados estratégicos. (3) A derrubada de juros irá criar incentivo para que o meio privado invista, o que o fará respirar.

Essas três ideias possuem graves problemas. A primeira, por exemplo, ignora que para o governo manter qualquer empresa estatal, implementar obras públicas e aumentar gastos do governo, ele precisa arrumar dinheiro. E qual é a única fonte de dinheiro de qualquer governo? O dinheiro do povo; os impostos. Ou seja, para criar os tais empregos, o governo precisa tirar dinheiro das pessoas (o que inclui os pobres). E quanto mais ele se meter na economia, mais impostos ele precisará cobrar do trabalhador. Procedendo assim, o governo dá empregos para uns arrancando o dinheiro de outros. Nisso, o setor privado é muito mais justo, pois cria empregos com capital privado e se mantém com o dinheiro daqueles que escolhem, por conta própria, comprar seus produtos/serviços.

A segunda ideia ignora que a gestão pública tende a ser menos eficiente que a gestão privada. Por várias razões. Para começar, empresas públicas não vão à falência quando dão prejuízos (como é o caso das empresas privadas). Elas recebem mais dinheiro do governo para cobrir seus déficits. Isso não apenas torna mais custoso para o cidadão o serviço prestado pela empresa, como premia a ineficiência. Não importa o quão ruim seja a empresa, ela continuará recebendo dinheiro. Sem risco de falência e sem precisar concorrer com outras empresas para se manter à frente, é comum que tanto os gestores, como os funcionários de empresas públicas, não se esforcem tanto para obter bons resultados como nas empresas privadas. Alguns sequer se esforçarão.

O relaxamento e a falta de cuidado com os gastos também sempre tenderá a ser maior nas empresas públicas, já que o dinheiro vem do governo e é ilimitado. Costumamos a cuidar mais dos gastos e do que compramos quando o dinheiro é limitado e, sobretudo, quando o dinheiro é nosso. Afinal, sabemos o quão duro foi conseguir nosso dinheiro e como ele pode acabar rápido se não formos responsáveis. Não se tem essas noções nas empresas públicas.

Outra razão é que na coisa pública é mais fácil ocorrer corrupção. Obras podem ser superfaturadas, empresas podem servir como cabides de emprego, verbas podem ser desviadas. No setor privado isso é mais difícil, pois os gestores e donos tomam todos os cuidados possíveis para não permitir roubos no interior da empresa, o que colocaria em risco a vida da instituição. Como esses riscos não existem na coisa pública, tampouco a coisa pública tem donos específicos, a fiscalização é bem mais frágil. Do ponto de vista do governo, aliás, é muito difícil fiscalizar todos os agentes que fazem parte de cada instituição pública. A estrutura pública é muito grande e complexa, o que permite que diversos desvios éticos sejam perpetrados em cada ponto distante dessa enorme teia de pessoas, cargos, lugares e funções.

Conta-se que quando o Regime Militar brasileiro reuniu sua cúpula para decidir sobre a instituição do AI-5 (que pretendia aumentar os poderes do presidente), o civil Pedro Aleixo, vice-presidente do General Costa e Silva, se colocou contra. Alguns na sala perguntaram se Aleixo desconfiava da integridade do General. Ele teria respondido o seguinte: “Não desconfio da integridade e das boas intenções do Sr. Presidente, mas tenho desconfiança do guarda da esquina”. O princípio é claro. Por mais que um regime realmente tenha boas intenções, quando ele aumenta seu poder político ou o tamanho do aparato estatal, cria brecha para que diversas pessoas que tem alguma participação na coisa pública, cometam desvios éticos. E isso é praticamente incontrolável.

A terceira ideia, por fim, ignora que derrubar juros expandindo moeda gera inflação de preços. Embora, num primeiro momento, a derrubada artificial de juros pode gerar um efeito positivo na economia, incentivando o investimento, a inflação acabará aparecendo e destruindo a vida do cidadão comum e dos próprios empresários. Não obstante, para um governo interventor, expandir moeda sempre parecerá uma medida tentadora e, de certa forma, inevitável. Uma das razões para isso é que, quando o governo já não tem como arcar com as dívidas criadas pela má gestão pública e pela corrupção, imprimir dinheiro resolve temporariamente o seu problema: as dívidas são pagas. Resultado: a hiperinflação será cada vez mais comum na medida em que o Estado aumentar a sua máquina pública.

O conservador como profeta político

Ao perceber a inviabilidade moral da reforma agrária (o exemplo que usamos nesse texto) e todos os seus efeitos desagradáveis, o conservador se torna um profeta político. Ancorado na lógica e, muitas vezes, no que ele já viu acontecer em outras partes do mundo e/ou em outras épocas, ele se torna capaz de prever o futuro e avisar aos seus conterrâneos e contemporâneos da desgraça iminente.

Aqui está a grande virtude do conservador: ele vê além do óbvio. Muitas vezes o que, inicialmente, pode parecer uma ideia, acaba se mostrando imoral e extremamente perigosa. São estas nuances, estes detalhes e efeitos não visíveis em um primeiro momento, que um conservador observa, antes de defender uma reforma.

Apresentei o exemplo da reforma agrária, do qual queria falar há algum tempo, mas o mesmo tipo de análise pode (e deve) ser aplicada sobre qualquer reforma ou ação governamental. E é por essa razão que conservadores geralmente são avessos à políticas baseadas em estatismo e intervenção governamental. As consequências desse tipo de política quase sempre são os mesmos que elencamos nesse texto.

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Sobre o Plano de Metas

A abordagem a seguir está se baseando no capítulo “Observações sobre o Plano de Metas”, do livro “Planejamento no Brasil”, de autoria de Betty Mindlin Lafer, o qual, conforme ponto de vista do artigo, ilustra o pensamento econômico mainstream brasileiro a respeito do tema. Além disso, consta também como referência bibliográfica.

O Plano de Metas é para os economistas e defensores do intervencionismo estatal na economia um marco na história da economia brasileira. Isso decorre do fato que surge a possibilidade da utilização de distorções terminológicas quanto à participação estatal na economia brasileira. Ou seja: afirma-se que no Brasil não havia intervenção estatal já que o Estado não planejava sistematicamente, confundindo, assim, planejamento e intervenção num único conceito.

O capítulo do livro se inicia afirmando que, no Brasil, até então não havia acontecido uma política econômica de geral de planejamento, mas sim apenas planos paralelos com determinados objetivos. O Plano de Metas, portanto, seria a primeira experiência de planejamento no Brasil.

Tal afirmação é sim, em partes, verdadeira. O problema é a forma em se apresenta; dá a entender que por algum motivo ninguém (incluindo o setor privado) tomava providências para industrializar e desenvolver o Brasil.

Uma contextualização se faz necessária. Ao contrário de países como os Estados Unidos, por exemplo, que desenvolveram diversas indústrias por meio do setor privado, com nomes como John Rockefeller e Andrew Carnegie, o Brasil se industrializou por meio da ativa participação estatal. Tal situação, entretanto, foi uma resposta a um problema de longo prazo criado pelo próprio Estado.

Diferentemente dos Estados Unidos, o alto empresariado brasileiro, principalmente o paulista, não tinha incentivos econômicos para industrializar o Brasil. O país adotava uma política que favorecia a plantação de café, garantindo renda aos cafeicultores. Durante décadas no início do século XX o governo brasileiro comprava café para garantir o preço da commodity e renda aos produtores. Tal política pode ser exemplificada por meio do Convênio de Taubaté, em 1906, em que os governadores de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro se reuniram para firmar um acordo de compra de estoques de café, garantindo lucros acima do normal para o setor e renda permanente para os produtores.

Os empresários de então, nesse cenário, tinham todos os incentivos para manterem o café como seu principal produto e até mesmo ampliar a produção, assim conseguindo ganhos de escala com a compra de excedentes por parte do governo. Tal política dificultou a diversificação da produção de bens e serviços no Brasil, pois apenas empreendedores com visão de longo prazo iriam ficar de fora de um mercado com renda praticamente garantida e investir em outros mercados, os quais eram mais incertos.

O capítulo, então, coloca em pauta uma discussão: até que ponto teria Juscelino Kubitschek colocado a industrialização como objetivo político e um fim em si mesma e não com outros interesses? Na primeira metade do século XX a participação da população votante em eleições em relação à população total mais do que dobrou, partindo de 4% na República Velha a mais de 13% já no fim da Era Vargas, crescendo continuamente. Ainda mais importante, dentro do contexto da época, o aumento da sociedade votante era certamente com participação majoritária da nova camada popular urbana que se desenvolvia, além da implantação do direito ao voto para as mulheres, o que trazia as classes mais baixas de maneira mais incisiva para os pleitos. Criar empregos em novas indústrias para todas essas pessoas se torna uma opção política muito interessante do ponto de vista eleitoreiro.

A industrialização no Plano de Metas se dividia em cinco setores: energia, transportes, alimentação, indústria de base e educação. Os três primeiros são pontos de estrangulamento, pois na concepção do governo eram pontos que tinham demandas não atendidas, retardando o crescimento e o desenvolvimento econômico. Já a indústria, por exemplo, seria um ponto de germinação, em que a atividade produtiva criaria renda, empregos e investimentos e, por tabela, a sua própria demanda, a qual impulsionaria a economia – a verdadeira Lei de Say.

Os pontos de estrangulamento foram criados no ciclo do café no Brasil, quando o capital empregado pelos empresários de então era canalizado para a produção do café, a qual fornecia renda praticamente certa e com riscos bem menores do que se aventurar em segmentos novos, os quais se tornariam necessários no longo prazo. Já a indústria de fato cresceu nessa época, mas adendos se fazem necessários: primeiro, se quisermos atribuir a industrialização brasileira ao Estado, é preciso lembrar que tal política foi uma correção de um atraso criado por meio de um conluio corporativista entre os governos e o empresariado na política de valorização do café. Complementarmente, cabe aqui a definição do francês Frédéric Bastiat daquilo que se vê e o que não se vê: o que se vê é a participação ativa do Estado na industrialização brasileira, o que não se vê é que parte do capital do empresariado nacional, principalmente o paulista, poderia ter sido utilizado para industrializar o país.

Tal decisão era mais arriscada do que ganhos certos com o café economicamente falando, e mais arriscada também juridicamente, pois o nacionalismo exacerbado brasileiro do século XX poderia significar a estatização de empreendimentos privados e o fim do negócio para os empreendedores. O BANESPA, banco privatizado nos anos 1990, surgiu como um banco privado de capital francês fundado em 1909 e chamado Banco de Crédito Hipotecário e Agrícola do Estado de São Paulo, o qual ajudava a financiar a produção cafeeira na época, e foi nacionalizado em 1919. A Light, que surgiu com capital canadense na virada do século XIX ao século XX, foi estatizada na década de 1970. Além disso, por exemplo, havia a questão do petróleo, que se via num debate acerca de nacionalização ou não na primeira metade do século XX. Arriscado empreender em setores julgados como “estratégicos” se o governo pode tomar o empreendimento por razões políticas e/ou econômicas. Menos mal foi o caso do Banco de Crédito Hipotecário paulista, que teve suas ações adquiridas.

Além disso, a indústria automobilística viria a criar dois gargalos na forma que foi feita: primeiro, com o destaque dado à indústria automobilística a indústria brasileira passou a ser cada vez mais dependente de tal setor. Crises nesse setor não afetam apenas ele próprio, mas, também, toda a demanda derivada de autopeças, borracha e serviços de manutenção que surgiram a partir da implantação de fábricas de montadoras estrangeiras em território nacional, que entram em um ciclo vicioso em conjunto. E, segundo, o modelo de transporte individual por meio de caminhões para a indústria e de carros para as pessoas criou um ponto de estrangulamento nos dias de hoje, tanto para escoamento de produção quanto uso para transporte pessoal no dia a dia, representado pelo trânsito crescente nas cidades brasileiras. Ou seja, a tentativa de acabar com um ponto de estrangulamento no transporte criou outro ponto de estrangulamento no transporte, refletido no trânsito das grandes cidades brasileiras.

O capítulo segue discorrendo sobre a implementação do plano, as reformas na administração pública e os resultados obtidos com o plano, para chegar ao ponto final da construção de Brasília, que mobilizou 2,3% do Produto Nacional Bruto. Afirma que a construção da cidade foi um ponto de germinação – o que de fato foi. Todavia, isso é o que se vê. O que não se vê são os problemas socioeconômicos enfrentados pela cidade do Rio de Janeiro, então a capital brasileira, que viu parte de seu capital migrar para o meio do Centro-Oeste do país. Se Brasília é um ponto de germinação, o Rio de Janeiro, numa relação inversa, passou por um ponto de estrangulamento. Tal processo foi extremamente inflacionário, aliás. Entretanto, para justificar seu ponto de vista da germinação e apagar o novo estrangulamento o autor se nega a dar continuidade no debate do benefício do processo ao citar a questão da inflação, “…um problema em aberto que enquanto tal escapa dos horizontes desse artigo”, conforme a página 48. Claro que essa tinha que ser a abordagem: se assim não fosse, não teria como justificar os benefícios da caríssima construção de Brasília, a qual se deu à custa do povo brasileiro pagador de impostos e que teve que arcar com a inflação.

Como a ideologia do autor aprova tal política o capítulo se conclui não tecendo críticas mais pesadas ao Plano de Metas, e se satisfaz em afirmar que “os problemas por ele ocasionados aos governos que se sucederam resultaram justamente do seu sucesso”, conforme a página 49. Que o plano foi bem sucedido, mas conseguir dar continuidade ao mesmo seria o ponto chave para se evitar um ponto de estrangulamento a partir da implementação do próprio plano – o que de fato aconteceu em diversas áreas da economia brasileira.

Leia também: O Conceito de Planejamento Econômico

O conto da fazenda experimental bolivariana

(Foto: mmg.com.au)

Por Marcos Fava Neves, professor titular de planejamento estratégico e cadeias alimentares da FEA-RP/USP

Este conto teve uma inspiração interessante. Passando pelos canais da TV num sábado à tarde para achar algo que captasse minha atenção, eis que encontrei para rever, o filme A Praia, que tem Leonardo Di Caprio como ator principal.

Para quem não viu, o filme relata as experiências de uma comunidade sonhadora de um novo mundo, que vai para uma praia deserta na Tailândia, e tenta se organizar coletivamente. O filme tem um cenário maravilhoso, e uma interpretação soberba deste ator. Vale, sem dúvida assistir. Mas o que teria a ver este filme com nosso conto, nossa ideia?

Ao perceber no Brasil um crescente movimento ideológico contra a empresa, contra o lucro, da demonização do empresário, pois hoje quem quer produzir é quase que um criminoso ambiental, trabalhista, social e assim por diante, depois de escutar tanta bobagem destes micropartidos na propaganda eleitoral gratuita e também estar cansado de gente alienada, pendurada e que só reclama, vendo “A Praia”, tive uma ideia que pode até ser interessante.

A ideia seria a de criarmos, nos mesmos moldes do filme A Praia, uma fazenda experimental, servindo a diversos propósitos secundários, elencados ao final deste texto, mas com o propósito principal de mostrar a importância da agricultura e do trabalho no dia a dia de todas as pessoas, pois até que algo futurista aconteça, nossos organismos são “movidos à alimentos”.

Uma área abençoada em termos de solos, incidência de sol, regime hídrico, seria escolhida em fronteiras do Mato Grosso, Tocantins, Maranhão, enfim, numa destas bênçãos divinas recebidas pelos moradores do Brasil. Cercaríamos e colocaríamos em marcha o projeto.

Mas quem iria para a Fazenda? Para lá seriam levados para um estágio as pessoas críticas à agricultura, ao produtor rural, ao agronegócio e as que têm visão deturpada ou parcial sobre o setor.

Iriam desde os que pregam a socialização dos meios de produção, os que são ideologicamente contra a empresa, contra o lucro, contra a ordem e o progresso, os radicais de diversos setores, os invasores (ou “ocupadores”), os anti-produção, os que desejam transformar o Brasil numa mega-aldeia, ativistas, representantes de algumas ONG’s confinados no sempre refrigerado ambiente Brasília/cidades internacionais, filósofos de gabinete, alguns artistas globais do eixo Ipanema, Leblon, Butantã, Pompéia, que pensam que seu baby beef nasceu na cozinha do restaurante da Vieira Souto e seu chopinho foi gerado dentro da chopeira dos maravilhosos bares da Ataulfo de Paiva ou dos arredores de Pompéia.

Levaríamos também gente que acredita nos modelos da Coreia do Norte, Cuba e Venezuela, entre outros. Selecionaríamos parte dos 61 milhões de brasileiros em idade de trabalho, mas que não trabalham, não procuram trabalho e não estudam, entre eles os dependentes de bolsas governamentais que tem habilidade, capacidade e ofertas de trabalho e os usuários do auxílio desemprego que forçaram suas demissões.

Ou seja, a geração “nem-nem” também iria, os jovenzinhos ativistas ainda pendurados nas bolsas paternas e os outros não tão jovens, em idade de trabalho, mas que esticam até os 30, 40 anos sua permanência na universidade pública, normalmente em cursos sem demanda.

Para poupar um esforço inicial dos habitantes desta fazenda, já entregaríamos a área com todo o cipoal de licenças e burocracia necessárias para se trabalhar e produzir. Teríamos uma infra-estrutura coletiva de hospedagem na fazenda, com bons banheiros, porém, todos coletivos. Haveria telefones coletivos e uma sala de informática coletiva, com os softwares de domínio social.

Produtos de limpeza, cosméticos básicos, medicamentos genéricos e outros suprimentos importantes seriam fornecidos gratuitamente até que o fruto do trabalho e da produção na fazenda conseguisse comprá-los.

Um telão de TV central, apenas com os canais abertos, no refeitório seria permanentemente gratuito. Sem direito aos filmes de Hollywood, HBO e outros “lixos do império”. Nestes canais teríamos o noticiário do Brasil e a transmissão da TV de Cuba, da Venezuela, Coreia, e seriam reprisados todos os programas eleitorais dos micropartidos radicais, além de aulas de produção comunista gravadas e filmes da antiga DDR (Alemanha Oriental).

Via assembleias e conselhos populares, a FEB criaria suas próprias mídias e poderia adotar até o controle social da mídia, caso esta fosse a opção vitoriosa.

Como somos todos a favor do “Fome Zero”, a fazenda teria uma safra de cada produto adequadamente armazenada para o consumo. Ou seja, teríamos milho, soja, hortícolas, frutícolas, açúcar, carne, cana… Suficientes para uma rodada de consumo, portanto, para a segunda, teria que ser imediatamente plantado, cultivado e colhido, ou seja, trabalho pela frente aos habitantes da FEB à partir já do primeiro dia. Deixaríamos um rebanho bovino suficiente para um ciclo, bem como frangos, suínos e cordeiros e um lago com tilápias e equipamentos de pesca.

Para o plantio da safra seguinte, já deixaríamos no armazém as sementes padrão e as geneticamente modificadas. Deixaríamos mudas, fertilizantes, defensivos e máquinas/implementos, desde os mais rústicos usados nos anos 30 e 40, até as máquinas com GPS utilizadas hoje.

A biblioteca da FEB seria completa: para tudo teríamos livros explicando, desde como plantar, adubar, cultivar e colher, como manejar as máquinas, uso de defensivos, equipamentos de proteção, compostagem, doenças dos animais, enfim, em tudo teríamos o “como fazer”.

Na parte do processamento agroindustrial, forneceríamos também as pequenas agroindústrias processadoras já montadas. Um mini-frigorífico, uma mini usina de cana, mini processadora de frutas, laticínio, torrefadora de café, entre outras, todas com manuais de funcionamento.

Deixaríamos uma unidade de cogeração de energia, e um ano de suprimento gratuito de energia e diesel para as máquinas, até que a biomassa e o biodiesel fossem gerados. Galpões completos de armazenagem e estrutura para um supermercado estariam prontas para os habitantes da fazenda trabalharem.

A comunidade discutiria e escolheria quais insumos utilizaria. Se, por exemplo, as assembleias deliberarem que são contra usar os defensivos na produção da sua comida, se organizariam para a catação manual de lagartas e outras pragas e a captura de insetos, ratos com arapucas e outras engenhocas. Tudo é válido. Caso a assembleia opte pelo vegetarianismo, o rebanho poderia ser transformado em instrumento de adoração, como em outros países que conhecemos.

Uma vez pronta toda esta infraestrutura, algo que nem de perto se oferece ao produtor rural, chega o momento de levar esta ampla comunidade selecionada à FEB (Fazenda Experimental Bolivariana).

Na chegada à fazenda, estas pessoas deixariam na entrada seus pertences pessoais, desde celulares, notebooks, bolsas, automóveis, afinal se são contra o progresso tecnológico, a empresa, o lucro, a multinacional, contra o “império”, tem que ser coerentes no comportamento individual, o que frequentemente não observo nestes grupos. Não podemos ser intelectualmente contra, mas transgressores na prática do comportamento individual.

A comunidade teria que se organizar. Imagino que sairiam à frente os “movimentos sociais”, tentando botar ordem na casa, pois têm treinamento prévio, afinal, a comida vai acabar e precisam trabalhar para ter. Poderiam criar um sistema de governo, educacional e universitário com liberdade de conteúdo, bancos, partidos políticos, congressos, conselhões e verificar como pagarão estes políticos do grupo e seus assessores com o recurso de sua própria produção, pois assim são pagos no mundo real.

Deixaríamos uma gráfica para impressão de uma moeda e de uma constituição, se quiserem. Podem também criar Bolsas assistencialistas diversas, mas só depois que tiverem gerado renda para pagá-las. Afinal, para distribuir renda, alguém precisa gerar renda.

Diferentemente da situação real do produtor brasileiro, garantiríamos à FEB segurança total, sem os frequentes assaltos que acontecem nas fazendas ou invasões de outros “movimentos sociais” e daríamos uma carência de três anos, pelo menos, para aplicar a atual legislação trabalhista, ambiental e tributária. Entregaríamos com reserva legal já averbada e CAR preenchido. Não precisariam pagar impostos e nos ajudar a sustentar Brasília por pelo menos 3 anos, algo que os brasileiros comuns dedicam mais de quatro meses de trabalho por ano.

Como não há petróleo na FEB, seus habitantes estariam livres do loteamento de cargos, da corrupção e dos escândalos advindos de uma suposta petroleira que seria criada. Também é vetada a entrada de dólares, pois isto é algo que vêm do império, e desta forma não teríamos doleiros para trazer mais escândalos a FEB.

Forneceríamos o SUS e o “Mais Médicos”, e se a comunidade aceitar, casos mais graves envolvendo líderes e políticos que não quiserem o SUS, cederíamos o Sírio-Libanês, via crédito, mas para ser pago pela comunidade quando esta dispuser de renda.

Não sou contra deixarmos também estoques de cachaça e uma destilaria montada, afinal, não dá para exigir abstinência. Forneceremos também estoques e sementes de Cannabis Sativa e fósforos. Pode inclusive ser que esta cadeia produtiva seja a primeira a se organizar na comunidade pois é provavelmente onde os estoques planejados para um ano mais cedo darão os sinais visíveis de escassez.

À medida que os excedentes de produção advindos do trabalho e do esforço dos moradores da FEB fossem sendo gerados, estes poderiam ser vendidos para fora da FEB e daríamos outra facilidade: os mercados (compras) seriam por nós garantidos, com preços mínimos estipulados. Também ofereceríamos algo que os produtores hoje não têm: seguro sofisticado que proteja a produção e a renda da comunidade de intempéries climáticas.

O transporte dos produtos desde a FEB até os centros de consumo nós ofereceríamos, para evitar que passem pelo descalabro logístico que nossos produtores enfrentam, acabando com sua renda. Seguro contra os frequentes roubos de cargas, também ofereceríamos, afinal precisamos dar um impulso à FEB.

Garantiríamos o máximo esforço para utilizarmos o nosso porto em Cuba.

Com a renda criada pela venda da sua produção, fruto do seu trabalho, a comunidade poderia, aos poucos, comprar os bens de consumo essenciais para reposição (sabonete, shampoo e outros) e também os produtos supérfluos hoje existentes fora da FEB.

Poderiam importar desde carros Hyundai, BMW, motos Harley Davidson, máquinas de Nespresso, toda a parafernália da Apple, equipamentos de som Bang & Olufsen, comprar bolsas Louis Vuitton, cosméticos MAC, TV HBO por assinatura, entre outros sonhos, e inclusive materiais de construção para futuras casas individuais, que poderiam sim ser construídas em terrenos dentro da fazenda, caso vença na assembleia, a individualização das moradias.

Podemos sofisticar bem mais o nosso conto, mas parando por aqui para poupar o tempo dos trabalhadores, a missão da FEB seria esta: “ensinar a parar de reclamar e trabalhar para prosperar”.

Além dos habitantes da FEB descobrirem e reconhecerem que as coisas não caem do céu, e que tem gente suando forte para tentar produzir num país que a cada dia cria mais dificuldades, o estágio traria outros aprendizados à comunidade da FEB, evidências que carregariam ao resto das suas vidas:

Não existe distribuição de renda que se sustente, sem geração de renda;

Não existe consumo sem produção;

É difícil e custa ser contra o progresso tecnológico. Se você não gosta da tecnologia e das empresas que geram tecnologia, existem alternativas menos produtivas à disposição e podem ser usadas, mas dará mais trabalho e pode não ser suficiente;

Algumas coisas precisam de escala para serem produzidas eficientemente, então o romantismo da família, do simples, não funciona.

Para que um sistema destes (FEB) funcione coletivamente, é preciso que todos tenham ampla propensão ao trabalho, o que não se observa em todos os seres humanos. Este é o principal motivo do fracasso de modelos coletivos que não incentivam o trabalho, a produtividade individual e a meritocracia.

Quem não trabalha, ou tem labor-fobia, está sendo sustentado por quem trabalha e se aproveita do mais produtivo. Vai ficar evidente para todos na comunidade literalmente quem “não vale o feijão que come”;

Produtos são plantados, cultivados e colhidos, com muito esforço por quem fez, com muito risco. Precisamos respeitar e valorizar quem produz e agradecer, pois parte do que podemos consumir no país vem da renda da exportação gerada por estes empreendedores. Simplificando, nosso I-Phone 6 foi pago com… exportações de açúcar.

Vamos implementar a FEB e aguardar cinco anos para ver se funciona. Tenho cá um pouquinho de dúvidas se os perfis que iriam para lá têm em seu DNA a filosofia de “agarrar no batente”, necessária quando não se tem outros fazendo por você, ou com a presença de um estado assistencialista, contaminado pela política da “vitimização e da coitadização” dos seus habitantes. Mas não podemos cometer o equívoco de um pré-julgamento. Vamos aguardar e observar este laboratório a céu aberto. Acho que teremos olheiros do mundo todo observando a FEB.

Se após cinco anos a FEB der certo, minha hipótese é que a comunidade se organizou em um modelo capitalista. O sistema capitalista, com todos os seus problemas, é o melhor que a sociedade mundial dispõe, basta olhar os 20 países melhor ranqueados nos indicadores de desenvolvimento humano (IDH).

É no que acredito, um sistema que promova forte inclusão social, pelo trabalho, esforço e geração criativa de oportunidades. Se FEB der certo e for sustentável no médio prazo num modelo comunista, eu tenho que calar a minha boca e jogar fora boa parte das coisas que escrevi. Voltar a estudar, porém, outras obras.

Estou terminando o conto e esqueci de abordar o assunto fugas ou abandonos. Fugas da FEB serão aceitas após uma entrevista onde fique provado que a pessoa aprendeu valores ligados ao trabalho, à geração da sua própria renda, à noção de responsabilidade e de colaboração ativa com a comunidade e o fim do pensamento de que… é vítima, um coitado, um excluído.

A ultima pergunta, que abriria a porteira da fazenda e traria o “febiano” de volta ao mundo externo, avaliaria se o entulho intelectual, ou a alucinação bolivariana ficou para trás, enterrado na fazenda, da mesma forma como o grande sonho da comunidade de Leonardo Di Caprio em A Praia, fracassou e ficou… na praia tailandesa.

Katia Abreu sofrendo de transtorno de personalidade múltipla? Ou fisiologismo delinquente?

Todos sabem que Katia Abreu após ganhar poder e popularidade através da oposição ao governo socialista/bolivariano e por meio do capitalismo num ato de traição e muito fisiologismo aderiu ao PTismo sem nenhuma cerimônia, traindo todos valores que ela ate então professava e traindo todos os produtores rurais sérios do país, aqueles que produzem por meio do livre mercado, não a “meia dúzia” de beneficiários do Bolsa BNDES socialista.

Uma coisa é estranha, Katia Abreu continuou escrevendo artigos muito coerentes em sua coluna, defendendo o Estado de direito e a democracia da sanha autoritária Bolivariana.

O que será isso? Esquizofrenia? Transtorno de personalidade múltipla? Estado dissociativo grave?

Há poucos dias ela novamente declarou apoio ao PT nas redes sociais:

Katia Abreu

O mesmo PT que é membro fundador do Foro de São Paulo, junto a Bolívia, Venezuela, Cuba, as Farc e outros. O mesmo partido que membro que quer o Bolivarianismo no Brasil.

Ontem em mais um artigo na Folha de São Paulo, cujo titulo é “A falência bolivariana“, Katia Abreu em um momento de lucidez ala Dr. Jekyll (O medico e o monstro) discorreu perfeitamente sobre os malefícios do bolivarianismo e da cartilha marxista.

Isso poucos dias depois do seu momento Mr. Hyde de apoiar o partido que quer transformar o Brasil em uma republica bolivariana, onde o único resultado possível é a falência e a miséria para quase todos, com exceção dos altos membros do partido, assim como ocorre em Cuba.

Se o caso de Katia Abreu não for questão de saúde mental, então é um caso grave de delinquência ao apoiar justamente o que ela tão bem ilustrou no artigo como a “cova rasa” de uma nação.

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MANIFESTO CONTRA O MARINISMO

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Sarney foi o político mais deletério gerado durante o período militar, e Lula o mais deletério gerado durante redemocratização. Certamente Mariana Silva tem tudo para personificar os piores valores da política contemporânea. Que me desculpem os bem intencionados que veem na dama da floresta uma esperança de dias melhores para a probidade e para as instituições republicanas. Marina se coloca acima do ambiente de debate público, julgando a conduta de seus pares. Os outros tem interesses e fazem politicagem. Ela não. A pura e sacrossanta só pensa na transversalidade nacional, seja lá o que isso significa. Mesmo que sendo apoiadora entusiasmada de um grupo político que domina o Acre há anos, mesmo tendo permanecido no PT durante todos os escândalos do mensalão, mesmo tentando transformar o PV em espelho de sua própria cabeça, mesmo posando de vítima diante da decisão jurídica que não validou seu partido, mesmo tendo entrado no PSB exclusivamente com o interesse de utiliza-lo como hospedeiro de suas ambições, ela ainda é vista como representante do novo. É o novo com cheiro de naftalina. É o novo do tempo do epa.

O lulismo não é o fundo do poço. Esperem só Marina um dia chegar ao poder. Se os partidários do PT sempre se consideraram salvadores da pátria, ao menos jamais tentaram se por acima do ambiente político padrão. Marina não. Com aquela sua fala incompreensível para os que não tem contato direto com Tupã, ela se posta como representante de um apolitiquismo partidário. Por certo, em um eventual governo seu, se valeria de sua auto-concebida virgindade moral para atribuir aos que lhe fizessem oposição o monopólio das baixarias da politicagem mundana. É só observar sua conduta durante a votação do Novo Códio Florestal para constatar seu jeito pacifista de fazer o debate público.

Apoiada desde evangélicos até os ativistas do Greenpeace, tratada como santa pelos entusiastas de sua carreira, Marina é o retrato de um pais que pode ser ainda mais autoritário do que sob o julgo dos petistas. Um autoritarismo bonitinho, um autoritarismo bem intencionado, um autoritarismo sonhático.

Autor: Guilherme Macalossi (Colunista do Jornal Informante, Apresentador do Programa Confronto, na Radio Sonora FM. Formado em Direito pela UCS, cursa Jornalismo na Unisinos.)

Ex “ambientalista” confessa: “Ativistas anti-biotecnologia exploraram medos dos analfabetos”

Um ex ativista do Green Peace que passou a estudar os fatos sobre o que eles atacam expõe a estratégia terrorista por trás dos movimentos “ambientalistas”.

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Ativistas exploram os medos de pessoas analfabetas”. A afirmação é de Mark Lynas, um ambientalista e ex-ativista do Greenpeace, que nos últimos anos mudou sua perspectiva sobre o uso da biotecnologia.

“No meu tempo de ambientalista, eu era contra organismos geneticamente modificados (OGMs). Realmente acreditava que representavam uma ameaça para o meio ambiente”, afirmou Lynas durante sua apresentação no Congresso Maizar 2014, realizado na Argentina.

“Minha idéia começou a mudar em 2009, mas em 2013 decidi aceitar publicamente. Após vários anos de ativismo ambiental, observei evidências científicas mostrando que os transgênicos não produzem nenhum dano”, disse ele. “Antes, eu não tinha lido qualquer trabalho científico sobre biotecnologia. Hoje eu tenho alguns livros escritos. A ciência é muito clara, a melhoria da agricultura é segura”, acrescentou Lynas.

Ele conta que há alguns anos, viu que havia “fome na Zâmbia e o governo daquele país, por lobby ambientalista, se recusou a aceitar a ajuda de alimentos geneticamente modificados, enquanto as pessoas estavam famintas nas ruas. Sua visão é de que os OGMs matam seus filhos. Produtores na Tanzânia, por exemplo, se recusam a produzir milho acreditando que os meninos estavam saindo homossexuais – o que na África é um pecado”.

Na sua luta contra os transgênicos, conta Lynas, os ativistas manipulam informações. “Mostram imagens de ratos com tumores que são falsas: fazem com Photoshop”, revela Lynas. “Minha mudança foi motivada por um futuro mais otimista, que é afinal o que nossas crianças merecem. Há muitas opções para práticas agrícolas mais sustentáveis”, conclui.

 

Na Bahia, MST recebe homenagem pelos 30 anos de luta e resistência

Mais uma afronta contra a constituição por parte do desgoverno socialista, o MST é homenageado pelos 30 anos de terrorismo que vem praticando:

 

Na Bahia, MST recebe homenagem pelos 30 anos de luta e resistência

http://www.mst.org.br/node/15963

Neste ano o MST completa três décadas de luta. O enfrentamento ao latifúndio a favor da democratização da terra norteou a luta de diversas famílias assentadas e acampadas em todo o país.

Nesse sentido, a Dep. Estadual Luiza Maia (PT/BA), em parceria com o MST, realizou nesta quinta-feira (10) uma “Sessão Especial” em homenagem aos 30 anos do Movimento, na Assembleia Legislativa do estado da Bahia.

Em tempos de energia escassa, hidrelétrica é alvo de barbárie de grupo sem-terra