Alexander Hamilton: Uma Mente Conservadora Não-Ortodoxa

Por Mark DeForrest. Publicado originalmente no The Imaginative Conservative. Tradução do inglês para o português por Renan Felipe dos Santos. Para ler o artigo original, clique aqui.

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Alexander Hamilton é uma figura controversa na direita moderna. Conservadores de tendência mais libertária tendem a ver Hamilton com suspeita quando não aberta hostilidade, pois o veem como o Founding Father mais responsável pela popularização da abordagem expansiva da Constituição que eventualmente levaria a um aumento do poder do governo federal sobre os assuntos dos Estados e a economia da nação. Outros conservadores, talvez melhor exemplificados por David Brooks, veem Hamilton como um proponente, segundo uma frase do próprio Brooks, de um conservadorismo de “grandeza nacional”. A adoção por parte de Hamilton de um governo enérgico não o tornou uma ameaça ao desenvolvimento da América, pelo contrário, foi uma condição necessária para que a expansão e a prosperidade da América se tornasse possível. Como George Will uma vez pontuou, vivemos no país de Hamilton e seus monumentos estão ao nosso redor.

A disputa sobre o lugar de Hamilton dentro da tribo conservadora é um reflexo da natureza não-ortodoxa de Hamilton em abordar a política e o direito. Mesmo assim, a obra de Hamilton foi essencialmente conservadora em sua natureza, mesmo que muitos dentro dos círculos conservadores atuais sintam-se profundamente incomodados com boa parte do legado de Hamilton. A natureza conservadora da obra de Hamilton torna-se evidente no estudo feito sobre sua vida e influência pelo historiador de Princeton, Clinton Rossiter. O livro de Rossiter “Alexander Hamilton and the Constitution” ainda é um dos melhores estudos em profundidade sobre a abordagem de Hamilton à teoria política e constitucional.

Ainda que a política de Hamilton tenha sido frequentemente de um tipo único e peculiar (como diz Rossiter, “se Hamilton era um conservador, era o único do seu tipo”), nas obras de Hamilton uma abordagem genuinamente conservadora à política e questões da liberdade ordenada está presente. Como Rossiter aponta:

Ele adotava uma versão secular da doutrina do Pecado Original, valorizava muito a lei, a ordem e obediência, assumia e existência de classes e depositava uma mensurada confiança na classe dominante, falava sinceramente sobre o papel do sentido religioso no homem e da religião organizada na sociedade, e exibia a aprovação padrão do conservador à prudência.

Hamilton desprezava ideólogos, condenava a “gula por inovação”, e declarava-se mais propenso a “incorrer nas negativas inconviências do atraso do que nos estragos da expediência imprudente”. Sempre com o pé atrás com relação aos pregadores de uma “perfeição ideal”, certo de que ele nunca veria “uma obra perfeita de um homem imperfeito”,  ele estava preparado para deixar muito ao acaso, e presumivelmente ao trabalho da prescrição e do processo social. Nunca foi tão eloquente como quando discutiu sobre o tema favorito do conservador: o caráter misto de todas as benesses que recaem sobre os homens. “A verdade é que”, escreveu a Robert Morris em 1781, “em assuntos humanos, não há algo bom, puro ou isento de mistura.” “É destino de tudo que é humano”  palestrava à Rufus King em 1791, “diluir uma porção de mal com o bem.”

Diferente de Jefferson, que cativou-se com a Revolução Francesa, Hamilton entendeu imediatamente que a Revolução Francesa era nada mais que um sanguinolento ataque à própria idéia de ordem civilizada. Como nota Rossiter, “ele escreve exatamente como Burke ou Adams em seus ataques ao “Grande MONSTRO” por sua impiedade, crueldade e licenciosiadade, pela reprodução da anarquia que leva direto ao despotismo, pela sua sanha de mudança e assaltos à propriedade pela sua imposição da “tirania do jacobinismo, que confunde e nivela tudo por baixo.”

Ainda que pouco se duvide de que Hamilton sentiria-se incomodado com porções da retórica ideológica empregada pela direita moderna, o conservadorismo (confiados na observação de Russell Kirk) não é essencialmente um compromisso ideológico. É um compromisso com a tradição, a prescrição, o costume e a prudência, bem como uma convicção permanente nos princípios da religião e da justiça natural. Compare as visões de Hamilton, como explicadas por Rossiter acima, com a enunciação de Kirk da abordagem conservadora fundamental às questões de ordem política e legal. Há um entendimento entre Hamilton e Kirk. A apreciação de Kirk sobre a contribuição de Hamilton para o conservadorismo está em seu Portable Conservative Reader, que contém trechos da obra de Hamilton (e, curiosamente, nenhum da obra de Jefferson).

Isso não significa que Hamilton se sentiria em casa no Partido Republicano moderno —Rossiter aponta em seu estudo de Hamilton (impresso em 1964 durante a ascensão da ala Goldwater-Reagan do GOP) que “Hamilton não era um modelo para o conservador médio imitar”. Hamilton acreditava muito em um governo ativo, restrito por limites constitucionais mas livre para auxiliar o desenvolvimento do país através de melhorias internas e apoio à indústria americana, como Rossiter aponta. Em muitos assuntos —sua recusa em perpetuar a posição privilegiada dos agricultores escravocratas sulistas na incipiente república e seu compromisso com a industrialização da economia americana, para ficar em duas — Hamilton poderia abraçar uma posição radical também. Como Burke ou Lincoln, Hamilton é difícil de localizar em nossas categorias ideológicas —para citar Rossiter aqui, Hamilton tem a “habilidade de desafiar a classificação.” Mas como Burke e Lincoln, os princípios políticos fundamentais de Hamilton, seus instintos, eram conservadores.

Em uma época onde nosso país (EUA) encara uma polarização política crescente e uma crise econômica sem fim, uma maior apreciação dos elementos do conservadorismo que transcendem o teor ideológico do momento deveria levar aqueles na direita a estudar a visão e as idéias de Hamilton com olho atento.

A essência do conservadorismo

por Russell Kirk, tradução e adaptação de José Junio Souza da Costa. Originalmente publicado em The Intelligent Woman’s Guide to Conservatism (New York: The Devin-Adair Company, 1957). O original está disponível no Russell Kirk Center. Para ler o artigo original em inglês, clique aqui.


Nota introdutória: o presente artigo foi escrito por um americano. Dentro do contexto político americano, ou mesmo inglês, o termo liberal se desvinculou dos princípios liberais que o fundaram e passou a ser usado como um termo mais ou menos genérico para a esquerda. Por este motivo, os liberais nestes países são descritos como classical liberals (liberais clássicos) ou libertarians (libertários), ou mesmo conservatives (conservadores). O termo ‘liberalismo’, portanto, não corresponde no contexto norteamericano ou inglês ao que entendemos por liberalismo aqui no Brasil.


O conservador suspeita de todos os esquemas utópicos. Ele não acredita que, pelo poder do direito positivo, nós podemos resolver todos os problemas da humanidade. Podemos ter a esperança de fazer nosso mundo tolerável, mas não podemos torná-lo perfeito.

– Russell Kirk

Uma amiga minha, a quem chamaremos senhorita Worth, teve uma conversa com uma vizinha – senhora Williams, digamos – que, no dia anterior, havia vendido um belo prédio antigo, há muito tempo pertencente à sua família, o qual seria demolido para que muitos automóveis usados fossem postos a venda no lugar. A senhora Williams tinha certos arrependimentos; mas, disse ela em caráter definitivo, “você não pode parar o progresso”. Ela ficou surpresa com a resposta da senhorita Worth, que foi esta: “Não, muitas vezes não; mas você pode tentar”.

A Senhorita Worth não acreditava que o Progresso, com P maiúsculo, é uma coisa boa em si mesma. O Progresso pode ser bom ou mau, dependendo da direção a qual se está progredindo. É perfeitamente possível, e não raramente ocorre, de se progredir em direção à beira de um precipício. O pensamento conservador, jovem ou antigo, acredita que todos nós devemos obedecer à lei universal da mudança; mas muitas vezes está em nosso poder escolher quais mudanças aceitaremos e quais mudanças rejeitaremos. O conservador é uma pessoa que se esforça para conservar o que há de melhor em nossas tradições e em nossas instituições, conciliando o que é melhor com a reforma necessária de tempos em tempos.

“Conservar” significa “salvar”… (Considere) a maldição do cupido: “Aqueles que mudam o amor antigo pelo novo, oram aos deuses para mudá-lo para pior.”

Um conservador não é, por definição, um egoísta ou uma pessoa estúpida; em vez disso, ele é uma pessoa que acredita que há alguma coisa em nossa vida que vale a pena salvar.

Conservadorismo, na verdade, é uma palavra com um significado antigo e honrado – mas, um significado quase esquecido pelos americanos até anos recentes. Abraham Lincoln queria ser conhecido como um conservador. “O que é o conservadorismo?”, disse ele. “Não é a preferência pelo antigo e experimentado, acima do novo e do não testado?” É isso; e é também um corpo de convicções éticas e sociais. Porém, a palavra “liberalismo” tem sido preferida entre nós por duas ou três décadas. Mesmo hoje em dia, embora haja um bom número de conservadores nas políticas nacional e estadual, em nenhum grande partido muitos líderes políticos descrevem a si mesmos como “conservadores”. Paradoxalmente, o povo dos Estados Unidos se tornou a principal nação conservadora do mundo exatamente quando deixou de chamar a si mesmo de conservador em seu próprio país.

No entanto, com a nossa severa oposição ao radicalismo dos soviéticos e nosso repúdio nacional do coletivismo em todas as suas variedades, um bom número de americanos agora têm muitas dúvidas quanto ao desejo de serem chamados liberais ou radicais. Os liberais, por um bom tempo, foram derivando para a esquerda em direção a seus primos radicais; e o liberalismo, nos últimos anos, passou a significar um anexo para o Estado centralizado e para a impessoalidade sombria do Brave New World, de Huxley, ou de 1984, de Orwell. Homens e mulheres que não se consideram liberais ou radicais estão começando a perguntar a si mesmos no que acreditam e do que deveriam se chamar. O sistema de ideias opostas ao liberalismo e ao radicalismo é a filosofia política conservadora.

O que é o Conservadorismo?

O conservadorismo moderno tomou forma por volta do início da Revolução Francesa, quando homens de grande visão na Inglaterra e na América perceberam que, se a humanidade existe para conservação dos elementos da civilização que tornam a vida digna de ser vivida, algum corpo coerente de ideias deve resistir ao nivelamento e ao impulso destrutivo de revolucionários fanáticos. Na Inglaterra, o fundador do verdadeiro conservadorismo foi Edmund Burke, cujas Reflections on the Revolution in France mudaram o rumo da opinião pública britânica e influenciaram incalculáveis líderes da sociedade no Continente e na América. Nos recém-criados Estados Unidos, os fundadores da República, conservadores por formação e por experiência prática, estavam determinados a moldar a Constituição que deveria guiar a sua posteridade em caminhos duradouros de justiça e liberdade. Nossa Guerra de Independência Americana não foi uma revolução real, mas antes uma separação da Inglaterra; estadistas de Massachusetts e da Virgínia não desejavam virar a sociedade de cabeça para baixo. Em seus escritos, sobretudo nos trabalhos de John Adams, Alexander Hamilton e James Madison, nós encontramos um conservadorismo sóbrio e provado, fundado sobre uma compreensão da história e da natureza humana. A Constituição que os líderes daquela geração elaboraram tem provado ser o dispositivo conservador mais bem sucedido em toda a história.

Os líderes conservadores, desde Burke e Adams, subscreveram certas ideias que podemos demonstrar, resumidamente, mediante definição. Os conservadores desconfiam do que Burke chamou “abstrações” – isto é, absolutos dogmas políticos divorciados da experiência prática e das circunstâncias particulares. Eles acreditam, todavia, na existência de certas verdades permanentes que regem a conduta da sociedade humana. Talvez, os princípios mais importantes que têm caracterizado o pensamento conservador americano são estes:

1. Homens e nações são governados por leis morais; e essas leis têm a sua origem em uma sabedoria superior à humana – a justiça divina. No fundo, problemas políticos são problemas morais e religiosos. O estadista sábio procura apreender a lei moral e reger sua conduta adequadamente. Nós temos uma dívida moral para com nossos antepassados, que nos concederam nossa civilização, e um dever moral para as gerações que virão depois de nós. Esta dívida foi ordenada por Deus. Portanto, não temos o direito de, imprudentemente, mexer com a natureza humana ou com tecido delicado de nossa ordem social civil.

2. Variedade e diversidade são as características de uma grande civilização. Uniformidade e igualdade absoluta são a morte de todo verdadeiro vigor e liberdade na existência. Conservadores resistem, com imparcial virilidade, à uniformidade de um tirano ou de uma oligarquia e à uniformidade a qual Tocqueville chamou “despotismo democrático”.

3. Justiça significa que todo homem e toda mulher têm direito ao que lhes é próprio – às coisas que melhor se adaptam à sua própria natureza, às recompensas de sua capacidade e integridade, à sua propriedade e à sua personalidade. A sociedade civilizada requer que todos os homens e mulheres tenham direitos iguais diante da lei, mas essa igualdade não deve se estender à igualdade de condição: isto é, a sociedade é uma grande associação, na qual todos têm direitos iguais – mas não para igualar coisas. A sociedade justa requer liderança sólida, recompensas diferentes para habilidades diferentes e um senso de respeito e dever.

4. Propriedade e liberdade são inseparavelmente conectadas; nivelamento econômico não é progresso econômico. Os conservadores valorizam a propriedade para seu próprio interesse, é claro; mas a valorizam muito mais porque, sem ela, todos os homens e mulheres estão a mercê de um governo onipotente.

5. O poder é repleto de perigos; portanto, o bom estado é aquele no qual o poder é controlado e equilibrado, restringido por constituições e costumes sólidos. Na medida do possível, o poder político deve ser mantido nas mãos de instituições privadas e locais. A centralização é normalmente um sinal de decadência social.

6. O passado é um grande depósito de sabedoria; como Burke disse, “o indivíduo é tolo, mas a espécie é sábia.” Os conservadores acreditam que precisamos nos guiar pelas tradições morais, pela experiência social e por todo o complexo corpo de conhecimentos legados a nós por nossos antepassados. Os apelos conservadores estão para além da opinião precipitada do momento, pela qual Chesterton os denominava de “a democracia dos mortos” – isto é, as opiniões consideradas dos homens e mulheres sábios que morreram antes de nosso tempo, a experiência da espécie humana. O conservador, em suma, sabe que não nasceu ontem.

7. A sociedade moderna necessita urgentemente de uma verdadeira comunidade: e verdadeira comunidade é um mundo distante do coletivismo. A comunidade autêntica é regida por amor e caridade, não por força. Através de igrejas, associações voluntárias, governos locais e uma variedade de instituições, os conservadores se esforçam para manter a comunidade saudável. Os conservadores não são egoístas, mas zelosos do bem-estar público. Eles sabem que o coletivismo significa o fim da comunidade genuína, e substituem uniformidade por variedade e força por cooperação voluntária.

8. Nos assuntos das nações, o conservador americano acredita que seu país deve ser um exemplo para o mundo, mas que não deve tentar reconstruir o mundo à sua imagem. É uma lei da política, bem como da biologia, que todo ser vivente ama, acima de tudo – até mesmo acima de sua própria vida –, sua identidade distintiva, que o diferencia de todos os outros seres. O conservador não aspira à dominação do mundo, nem aprecia a perspectiva de um mundo reduzido a um padrão único de governo e de civilização.

9. Os conservadores sabem que homens e mulheres não são perfectíveis; e nem o são as instituições políticas. Nós não podemos criar um paraíso na Terra, embora possamos fazer um inferno. Somos todos criaturas nas quais bem e mal estão misturados; e, quando as boas instituições negligenciam e ignoram os antigos princípios morais, o mal tende a predominar em nós. Por isso, o conservador suspeita de todos os esquemas utópicos. Ele não acredita que, pelo poder do direito positivo, nós podemos resolver todos os problemas da humanidade. Podemos ter a esperança de fazer nosso mundo tolerável, mas não podemos torná-lo perfeito. Quando o progresso é alcançado, o é através do reconhecimento prudente das limitações da natureza humana.

10. Os conservadores estão convencidos de que mudança e reforma não são idênticas: inovação política e moral pode ser tanto destrutiva como benéfica; e se a inovação é empreendida com espírito de presunção e entusiasmo, provavelmente será desastrosa. Todas as instituições humanas, em certa medida, se alteram de época para época, pois o lento processo de mudança é o meio de conservar a sociedade, exatamente como é, para o corpo humano, o meio de sua renovação. Mas, os conservadores americanos se esforçam para conciliar o crescimento e as modificações essenciais para nossa vida com a força de nossas tradições sociais e morais. Com Lord Falkland, eles dizem: “quando não é necessário mudar, é necessário não mudar.” Eles entendem que homens e mulheres são mais satisfeitos quando podem sentir que vivem em um mundo estável de valores duradouros.

O conservadorismo, então, não é simplesmente o interesse das pessoas que têm muitas propriedades e influência; não é simplesmente a defesa de privilégios e de status. A maioria dos conservadores não são nem ricos nem poderosos. Porém, eles fazem até mesmo o mais simples deles obter grandes benefícios de nossa República estabelecida. Eles têm liberdade, segurança pessoal e de sua casa, igual proteção das leis, o direito aos frutos de sua indústria e oportunidade para fazer o melhor que neles há. Eles têm um direito de personalidade em vida e um direito de consolo na morte. Os princípios conservadores são o abrigo das esperanças de todos na sociedade. E o conservadorismo é um importante conceito social para todo aquele que deseja justiça igualitária e liberdade pessoal e todos os amáveis caminhos antigos da humanidade. O conservadorismo não é simplesmente uma defesa do “capitalismo”. (“Capitalismo”, na verdade, é uma palavra cunhada por Karl Marx, projetada desde o início para significar que a única coisa defendida pelos conservadores é a grande acumulação de capital privado.) Mas, o que o verdadeiro conservador faz corajosamente é defender a propriedade privada e uma liberdade econômica, ambas para seu próprio bem e porque elas são meios para atingir grandes fins.

Esses grandes fins são mais do que econômicos e políticos. Eles envolvem dignidade humana, personalidade humana, felicidade humana. Eles envolvem até mesmo o relacionamento entre Deus e o homem. Pois o coletivismo radical de nossa época é ferozmente hostil a qualquer outra autoridade: o radicalismo moderno detesta a fé religiosa, a virtude privada, a individualidade tradicional e a vida de satisfações simples. Tudo o que vale a pena ser conservado está ameaçado em nossa geração. A mera oposição negativa e irracional à corrente de acontecimentos, agarrando-se com desespero ao que ainda mantemos, não será suficiente nesta época. Um conservadorismo de instinto deve ser reforçado por um conservadorismo de pensamento e imaginação.

Argentina: Governo socialista versus Estado democratico de direito

Escrevi esse artigo em agosto de 2009 para um jornal local, e ele continua atualizado, PARA INFELICIDADE DOS ARGENTINOS.

Esta ultima semana evidenciou-se a crise que vem assolando os produtores de grãos argentinos, os quais sofrem com medidas impostas pelo governo da senhora Cristina Kirchner para conter os preços internos de algumas commodities.

A presidente Argentina decidiu elevar a taxa de exportação vigente de 35 para 40% a fim de conter a alta nos preços de soja, milho, trigo e seus derivados internamente, retendo esses produtos no mercado interno, aumentando assim sua oferta e reduzindo preços.

Os governos atuais na América Latina, em sua grande maioria são de esquerda, com “tendências” sócio populistas e assistencialistas, salvo raras exceções, também são um tanto avessos ao estado de direito e a democracia, apesar de terem chegado ao poder através dela. Costumam apoiar grupos Narco terroristas e ou criminosos como as Farc, o MST e congêneres ligados ao Foro de São Paulo, o qual ligou entidades e partidos afins após a derrocada do comunismo soviético na década de 90.

A questão Argentina revela as praticas evidentes que só pioram a situação em nestes casos, praticas típicas de países com governos sociais comunistas que enterraram seu setor produtivo em nome do socialismo, onde temos como exemplo Cuba, Coreia do Norte e Venezuela, essa ultima, buscam disseminar o caos pela América Latina.

Os produtores Argentinos vêm contornando dificuldades do gênero a tempos, como nos por aqui com as nossas, sendo que em certo ponto, as dificuldades se tornam crises e terminam em “confrontos”.

Esses governos populistas têm seus “currais eleitorais” e precisam manter os programas assistencialistas sob controle para agradar e conter as massas de manobra que os elegeram. Erroneamente e por ignorância de muitos indivíduos que os elegeram, esses governos tomam atitudes que só tendem a piorar as situações.

Vejamos, há um problema mundial de oferta e demanda de grãos que afetam derivados e outros produtos dependente de grãos como gado, aves e suínos acarretando altas em outros produtos indiretamente ligados, uma reação em cadeia, que é normal, pois vivemos um mercado aberto, livre e global.

Esse desequilíbrio entre oferta e demanda nos se da por motivos climáticos, técnicos, mercadológicos, políticos e econômicos. No caso, os últimos dois fatores são grandes vilões atualmente na região, pois desestimulam o investimento em produção, tecnologia e infraestrutura diminuindo a oferta enquanto a população mundial aumenta e países desenvolvidos e consolidados demandem maiores volumes dos mesmos.

O problema que Argentina passa é um resultado de suas próprias políticas que inibem o setor produtivo em pró de populismos, assim é algo auto destrutivo em médio prazo, principalmente para quem elegeu o governo populista.

Ao invés de estimular a produção com redução de carga tributaria, ou reforma que faça com que esses tributos sejam aplicados na finalidade pelas quais foram criadas, adequação de taxas de juros e ou investimentos e infraestrutura que só tende a trazer beneficies para o local, agem inversamente aumentado taxas e tributos deixando o setor produtivo ainda mais “nervosos”.

A crise por lá, acirrou os ânimos de todos, afinal todos estão sendo afetados, os produtores rurais ganharam apoio com os “panelaços” por parte da classe media e outros produtivos, logo então surgiram os militantes do governo, a tropa de choque, tornando os protestos pacíficos em confrontos violentos.

A senhora Kirchner, a principio como mandam os clichês da “nova esquerda latina” foi truculenta, negou dialogar com uma “classe que andou lucrando muito nos últimos tempos”, como se lucrar fosse um crime abominável e a classe agora seria obrigado a amargar prejuízos em nome do socialismo dos Kirchner.

O monstro foi criado pelo próprio governo, que com medidas absurdas desestimulou os produtores nas devidas proporções, tentando inibir as exportações, fechar o mercado em pleno século 21, mantendo os preços controlados internamente.

A falta de alimentos força os argentinos a fazerem dieta, faltam quase todos os produtos alimentícios nas gôndolas dos mercados, os preços inflacionaram consideravelmente caos se espalha.

Esse é o resultado do populismo… O fracasso das nações que o admitem.

Gostaria de encerrar com uma celebre mensagem de Abraham Lincoln:

Mensagem ao homem do povo
… e aos homens que dirigem o povo, para se viver numa grande nação.

Não criarás a prosperidade, se desestimulares a poupança.
Não fortalecerás os fracos, por enfraqueceres os fortes.
Não ajudarás o assalariado, se arruinares aquele que o paga.
Não estimularás a fraternidade humana, se alimentares o ódio de classes.
Não ajudarás os pobres, se eliminares os ricos.
Não poderás criar estabilidade permanente, baseado em dinheiro emprestado.
Não evitarás dificuldades, se gastares mais do que ganhas.
Não fortalecerás a dignidade e o ânimo, se subtraíres ao homem a iniciativa e a liberdade.
Não poderás ajudar aos homens de maneira permanente, se fizeres por eles aquilo que eles podem e devem fazer por si próprios.

O negro e a direita

A direita negra, ou conservadorismo negro, é um movimento político e social enraizado nas comunidades de descendentes de africanos que se alinham ao movimento conservador ou liberal. Entre os americanos, é referido como conservadorismo negro (em inglês, conservative ou conservador é um termo quase equivalente ao “direitista” aqui). O direitismo negro americano enfatiza o tradicionalismo, o patriotismo, o capitalismo, o livre mercado e um forte conservadorismo social dentro do contexto da Black Church.

I. Conceitos-chave:

Black church – Igrejas que ministram para congregações predominantemente negras nos Estados Unidos. Algumas são de denominações predominantemente negras como a Igreja Episcopal Metodista Africana (AME). A maioria das primeiras congregações e igrejas negras formaram-se antes de 1800 por negros livres – por exemplo, na Filadélfia (Pensilvânia), Petersburgo (Virgínia) e Savana (Geórgia). A mais antiga igreja batista negra fica em Kentucky.

Empowerment – Aumentar a força espiritual, política, social, educacional ou econômica de indivíduos e comunidades. Dentro de um contexto empresarial, refere-se a garantir maior poder de decisão para funcionários.

Black empowerment – Empowerment de indivíduos ou comunidades negras através do aprimoramento acadêmico e profissional, estabelecimento de fortes relações econômicas ou mesmo estimulando a responsabilidade familiar e a gestão de negócios familiares.

Welfare State – Também chamado “estado do bem-estar social”, é um tipo de organização política e econômica que coloca o Estado  como agente da promoção social e organizador da economia. Nesta orientação, o Estado é o agente regulamentador de toda vida e saúde social, política e econômica do país em conluio com sindicatos e empresas privadas, em níveis diferentes, de acordo com o país em questão.

Beloved Community – Conceito central da filosofia de Martin Luther King Jr. King o define assim o seu objetivo: “é a reconciliação, … redenção, a criação de uma amada comunidade.” Junto à SCLC, King definia: “O objetivo final da SCLC é promover e criar a ‘amada comunidade’ na América, onde a irmandade é uma realidade… A SCLC trabalha pela integração. Nosso objetivo é a genuína vida interpessoal e intergrupal — integração.” E em seu último livro ele declara: “Nossas lealdades devem transcender nossa raça, nossa tribo, nossa classe, e nossa nação…”

A visão da sociedade de King era a de uma sociedade completamente integrada, uma comunidade de amor e justiça dentro da qual a irmandade seria uma realidade em toda a vida social. Em sua mente, esta comunidade seria a expressão corpórea ideal da fé cristã.

II. Características da direita entre os negros americanos
Algumas das principais características da direita entre os negros americanos é a ênfase na escolha pessoal e nas responsabilidades acima do status sócio-econômico e do racismo institucional. Tradicionalmente, políticos negros americanos tendem a alinhar-se com o pensamento de Booker T. Washington. Para muitos direitistas negros, a missão principal é trazer sucesso à comunidade negra aplicando os seguintes princípios fundamentais:

  • A busca da excelência educacional e profissional como um meio de avançar dentro da sociedade;
  • Políticas que promovam segurança na comunidade além da típica rotulação de criminosos como “vítimas” do racismo da sociedade.
  • Desenvolvimento econômico local através da livre empresa, em vez de buscar por assistência do governo.
  • Empowerment do indivíduo através do auto-desenvolvimento (virtude), consciência e graça. (o último conceito é espiritual, e tem a ver com a Black Church)

Conservadores negros podem ter idéias em comum com nacionalistas negros dada a sua crença compartilhada no black empowerment e na teoria de que os negros tem sido enganados pelo Welfare state.

Os direitistas negros, tipicamente, se opoem às chamadas “ações afirmativas”. Argumentam que os esforços para obter algum tipo de “reparação” pela escravidão são tanto equivocados como contra-produtivos. Direitistas negros famosos são Thomas Sowell, Armstrong Williams, Walter Williams e Clarence Thomas, além de outras figuras históricas memoráveis como Frederick Douglass, Martin Luther King Jr., Booker T. Washington, etc. Os conservadores negros são a favor da integração e consequentemente entram em desacordo com nacionalistas negros, que são mais nativistas e segregacionistas. São mais inclinados a apoiar políticas econômicas de globalização, livre mercado e cortes na tributação.

O termo “Black Republican” (Negro Republicano) foi criado pelos Democratas (partido de esquerda americano) em 1854 para descrever o recém-formado Partido Republicano. Ainda que a maioria dos republicanos da época fossem brancos, o Republican Party foi fundado por abolicionistas e apoiava a igualdade racial. Os democratas sulistas usavam o termo de forma pejorativa, acreditando que a vitória de Abraham Lincoln em 1860 levaria a revoltas dos escravos. O uso do termo continuou após a Guerra Civil Americana para refletir a visão dos opositores aos republicanos radicais (uma facção do Republican Party) durante o período da Reconstrução (período da história americana pós-guerra civil que vai de 1865 a 1877).  No século seguinte o termo passou a designar especificamente os negros afiliados ou eleitores do Partido Republicano.

Republicanos negros, como Colin Powell, são adeptos de idéias sociais articuladas pelos primeiros republicanos radicais, como Frederick Douglass, ao mesmo tempo que apoiam a mensagem de auto-empowerment de Booker T. Washington. Muitos conservadores sociais negros mantém uma visão bíblica de empowerment, ainda que apreciem a ênfase de Booker na realização pessoal.

III. Pensadores

Booker Taliaferro Washington

Booker Taliaferro Washington (5 de abril de 1856-14 de novembro de 1915), educador e reformador, primeiro presidente e principal desenvolvedor do Tuskegee Normal and Industrial Institute (hoje Tuskegee University), e o mais influente porta-voz dos negros americanos entre 1895 e 1915.

Washington acreditava que os melhores interesses dos negros na era pós-Reconstrução poderiam ser realizados através da educação nas habilidades manuais e industriais e no cultivo das virtudes da paciência, do empreendedorismo, e da poupança. Incitava outros negros a cultivar suas habilidades na indústria e na agricultura para adquirir segurança econômica. Assim, a aquisição de riqueza e cultura iria gradualmente ganhar respeito e aceitação para eles. Isto levaria à derrubada das divisões entre as duas raças e levar à igualdade de cidadania para os negros afinal. No seu discurso histórico (18 de setembro de 1895) para uma audiência racialmente mista, numa exposição em Atlanta, Washington expôs sua abordagem pragmática na famosa frase: “Em tudo que é puramente social podemos estar separados como dedos e ainda assim ser um só, como uma mão, em tudo que é essencial ao progresso mútuo.”

Frederick Douglass
Frederick Douglass foi uma testemunha e uma vítima da escravidão e do preconceito. Sofreu com a separação de sua família pelo seu mestre, e foi submetido a castigos físicos como chicotadas. No sul dos EUA, antes da guerra civil, era ilegal ensinar escravos a ler e escrever, mas Douglass aprendeu de qualquer jeito, e secretamente educou outros escravos. Depois de conseguir escapar, participou exaustivamente de reuniões dos movimentos anti-escravagistas no norte dos EUA por mais de duas décadas.

Douglass adotou o ideal de liberdade igualitária. Apoiava o sufrágio feminino, confiante de que as mulheres tem o mesmo direito a tudo que os homens tem. Buscava a tolerância para imigrantes perseguidos. Além-mar, uniu-se a Daniel O’Connell na demanda pela liberdade aos irlandeses, e conferenciava junto com Richard Cobden e John Bright, discursando sobre o livre comércio.

Douglass acreditava que a propriedade privada, o empreendedorismo competitivo e a auto-ajuda são essenciais para o progresso humano. A propriedade, escrevia, produziria para nós a única condição sobre a qual qualquer pessoa pode atingir a dignidade e a verdadeira humanidade… conhecimento, sabedoria, refinamento, educação, todos são fundados no trabalho e na riqueza que o labor traz… sem dinheiro, não há tempo livre, sem tempo livre não há pensamentos, sem pensamentos não há progresso.

Martin Luther King Jr.
Destacado orador e ativista pelos direitos civis, Martin Luther King Jr. é melhor conhecido pela sua luta na igualdade de direitos para os negros americanos. Envolveu-se no movimento do boicote aos ônibus em Montgomery contra a segregação racial no transporte público, e lutou pela reforma do direito ao voto (Voting Rights Act). Evangélico da tradição batista, fez dos seus ensinamentos uma verdadeira doutrina de amor ao próximo e de como melhorar o mundo de maneira não-violenta. King, em oposição a radicais como Malcolm X, defendia que a luta pelos direitos deveria ser feita de maneira pacífica, pois a não-violência é um modo de protesto que só os homens de coragem podem enfrentar.

IV. Na cultura popular
Talvez a série de televisão que melhor apresenta personagens negros e conservadores seja Um Maluco No Pedaço (The Fresh Prince of Bel-Air). O personagem de Will Smith, um jovem malandro e irresponsável da Filadélfia, confronta uma realidade diferente quando vai morar com a sua tia, na casa da família Banks em Bel-Air (Los Angeles). A cultura da casa é conservadora e ordeira. Os residentes, em sua maioria, primam pela responsabilidade, pela coesão familiar, e pelo desenvolvimento individual de cada um. Os exemplos mais fortes:

Philip Banks (Tio Phill), um conceituado advogado de Bel-Air. Rigoroso e orgulhoso de seu trabalho, preocupa-se com sua imagem pública. É um pai e marido atencioso: preza rigorosamente pela educação de seus filhos Carlton, Hillary e Ashley.

Carlton Banks, extremo oposto do Will. Com aparência e comportamento de “mauricinho”, inteligente embora não muito esperto, veste-se, via de regra, com uma roupa social bem característica dele, e que é motivo de chacota para o Will. No entanto, é o Carlton que ajuda o Will quando este precisa. E não são poucas vezes: para estudar, para conseguir dinheiro ou até mesmo para conseguir conquistar uma gata mais “refinada”.

Geoffrey Barbara Buttler, o mordomo da casa. Acostumado a trabalhar com aristocratas ingleses, Geoffrey, mesmo em sua posição de empregado, é o mais esnobe e ao mesmo tempo o mais refinado na casa dos Banks. No entanto, Geoffrey também é um personagem sarcástico, e não perde uma boa oportunidade de tirar com a cara do Will. Devido ao fato dos telespectadores americanos não estarem familiarizados com ingleses negros, a personalidade de Geoffrey foi mudando ao longo da série para americanizá-lo. Ao longo da série ele fica mais sarcástico e bem-humorado, e menos metódico também.

V. No Brasil:
Embora hoje no Brasil a direita não esteja representada partidariamente, ela é visível em manifestações daqueles grupos a que a mídia se refere como “bancada evangélica” ou “bancada ruralista” e mais recentemente nas marchas contra o aborto e marchas contra a corrupção. Conforme pesquisas e referendos confirmam, o brasileiro é um povo bastante conservador. É a favor do porte de armas, de penas mais severas para os bandidos, da redução da maioridade penal, é contrário ao aborto, a legalização das drogas, da prostituição, etc.

Os negros brasileiros não estão de fora, embora não formem um movimento organizado como o que vemos nos EUA.

Estima-se que a população negra no Brasil represente uns 6,9% do total. Em números absolutos, seriam cerca de 13 milhões de pessoas. Estima-se também que a maioria dos negros (11 milhões) pertença a alguma denominação religiosa de cunho evangélico. No entanto, existem também grupos negros entre os católicos, como a tradicional Irmandade dos Homens Pretos que tem mais de 320 anos de existência.

A Irmandade dos Homens Pretos, associação cristã negra mais tradicional do Brasil.

Figuras Históricas que podem ser relacionadas com a direita, entre os negros, no Brasil:

Agostinho José Pereira
Agostinho José Pereira é considerado pelo Movimento Evangélico Negro como o pioneiro do protestantismo no Brasil. Fundador da Igreja do Divino Mestre, que é considerada pelo Movimento Evangélico Negro como a primeira igreja protestante no Brasil, apesar de a historiografia “oficial” não a reconhecer como tal.

Tal como muitos ativistas cristãos da época, Agostinho defendia a libertação dos escravos desde uma perspectiva bíblica. Pregava para negros e negras libertos, ensinava-os a ler e escrever, e foi responsável pela difusão do Evangelho entre os negros livres do Brasil em plena época da escravidão, e sob forte repressão do Estado à liberdade religiosa.

João Cândido Felisberto


Gaúcho e descendente de ex-escravos, João Cândido Felisberto ingressou na escola Companhia de Artífices Militares e Menores Aprendizes no Arsenal de Guerra de Porto Alegre aos 13 anos, por recomendação de um amigo da família, o capitão-de-fragata Alexandrino de Alencar. Ainda antes de ingressar nesta escola, e portanto antes mesmo de ser marinheiro, João Cândido Felisberto foi soldado sob comando do General Pinheiro Machado na Revolução Federalista, ao lado dos federalistas e em oposição aos republicanos (que defendiam  um governo mais centralizado).

O uso da chibata na Marinha, para castigos corporais, havia sido oficialmente abolido em 1889, mas continuava a ser usado a critério dos oficiais.

Em 22 de novembro de 1910, ele assume o comando do encouraçado Minas Gerais e da esquadra a ele subordinada – somando 2.379 homens, 3 encouraçados e um cruzador – na sublevação contra os castigos corporais aplicados aos marinheiros. Este episódio fica registrado na história como Revolta da Chibata.

André Pinto Rebouças

Engenheiro, inventor e abolicionista, ganhou fama no Rio de Janeiro, então Capital do Império, ao solucionar o problema de abastecimento de água, trazendo-a de mananciais fora da cidade.

Servindo como engenheiro militar na guerra do Paraguai, André Rebouças desenvolveu o torpedo, uma inovação tecnológica nunca oficialmente reconhecida e creditada a ele, mas que viria a provar seu poder como arma marítima nas guerras de tonagem da Marinha Alemã na Primeira e na Segunda Guerra Mundial.

Ao lado de Machado de Assis, foi um dos representantes da classe média brasileira com patente ascendência africana e uma das vozes mais importantes em prol da abolição da escravatura. Foi, além de articulista, tesoureiro da Confederação Abolicionista e um dos grandes financiadores da campanha da mesma no Rio de Janeiro.

André Rebouças foi integrante dos Voluntários da Pátria, participando do Cerco de Uruguaiana e fazendo amizade com o Conde D’Eu. Participa também do combate em Passo da Pátria e da defesa de Tuiuti.

Fiel à monarquia, opôs-se aos republicanos e acompanhou a Família Imperial brasileira a caminho do exílio.

Uma história a desbravar
É pouco estudada, na historiografia brasileira, o papel ativo do negro na sociedade. Via de regra, ele é sempre exibido nos livros ou como uma personagem passiva ou reativa. Dá-se pouca visibilidade ao que o negro atingiu por si e pela sua integração social, em vez daquilo que autoridades decidiam em seu nome. Nem todos sabem, por exemplo, que quando foi promulgada a Lei Áurea, mais de 90% dos negros brasileiros já eram livres – porque arranjaram meios de comprar a própria alforria ou de fugir, ou que as conhecidas “sinhás pretas” enriqueciam e prosperavam através do comércio. O que se sabe também sobre movimentos políticos organizados por negros, como a FNB (Frente Negra Brasileira) ou a Ação Imperial Patrianovista Brasileira, é muito pouco. Outro aspecto interessante, pouco mencionado: até o início da década de XX, os negros identificavam-se majoritariamente com a Monarquia, em detrimento da República. O movimento patrianovista, por exemplo, pretendia a restauração da monarquia e um Estado confessional.

VI. Conclusão
Talvez pelo fato da identificação racial não ser algo tão característico no brasileiro como é no americano, pela falta de representatividade partidária e, ultimamente, pela exposição excessiva à retórica classista da esquerda e sua ilusão sedutora de um racismo institucional benéfico, os negros no Brasil não tenham ainda se organizado em torno de um partido mais conservador para defender seus interesses na arena política.

O resultado disso é que o negro acaba sendo engolido pela retórica populista do apelo às minorias: deixa de ser agente político para ser agenda política. Diluída sua identidade dentro do discurso das minorias, ele é forçado por associação a assumir uma não-identidade: o não-branco, o não-maioria, o não-careta. A obliteração da sua real identidade e dos seus reais interesses, se dá pela política do balaião: minorias somadas são maioria. Como se fosse um preço a pagar por ser minoria, o negro é obrigado a aceitar coisas que ele repudia, porque está impelido a isso por associação com outras minorias ou grupos militantes, que pouco ou nada tem a ver com suas necessidades, interesses e valores.

Qual seria a saída? Um resgate histórico das tradições e valores que se foram perdendo ao longo do processo de “minorificação” da política e sua obliteração da identidade negra? A organização de uma nova frente negra brasileira dedicada ao empowerment de suas comunidades, através da educação e da transmissão de valores familiares? Um compromisso sério de fortalecer estas mesmas comunidades através do empreendedorismo? A dedicação individual ao estudo, à formação e o desenvolvimento pessoal? Não sei. A resposta para essas perguntas vai depender do quanto os movimentos políticos já organizados estão conscientes da importância destes brasileiros, de quão desejosos e receptivos estão para sua participação política e para sua força como agente de transformação e recuperação das instituições democráticas, tão abaladas pelo discurso maniqueísta da guerra de classes, pela política do balaião, pelo escambo de votos por cotas e pelo jogo de interesses completamente alheios aos interesses do cidadão.

A incoveniente verdade sobre o Partido Republicano

Partido Republicano, ou G.O.P (Grand Old Party ), como é conhecido no EUA. Quando a mídia brasileira o cita, ele é descrito como um partido conservador (não uma rotulação política, mas o xingamento que virou aqui no Brasil), de direita radical, com posições racistas, xenófobas, homofóbicas e também ligado ao armamentismo.  Ou seja, republicanos são o diabo na Terra. São uma coisa ruim, assim como tudo que é considerado de direita é retratado pela mídia brasileira e parte da mídia americana (encabeçada pela CNN) de maneira vilificada, para manipular as pessoas e fazer com que elas tenham visões erradas sobre a política e sobre certos partidos, como o próprio G.O.P.

Logo do GOP, ou Republican Party.

Essas pessoas tentam convencer que os Republicanos são gananciosos, fascistas e racistas, etc. Mas isso não é verdade, e vou lhe mostrar no decorrer do texto.
1º Mentira: Republicanos são gananciosos.
Verdade: Republicanos, ao contrário dos Democratas (partido da esquerda americana), defendem a redução e corte nos impostos, menores taxas e menos regulamentação do governo no mercado. Logo, defendem um mercado e uma sociedade mais livres. Todas essas medidas são benéficas a qualquer cidadão e beneficiam tanto quem compra como quem vende. O Partido Republicano defende que o dinheiro fique com o cidadão. Diferente do Partido Democrata, que deseja que o dinheiro do cidadão vá para a mão do governo em forma de impostos. E agora, quem são os  gananciosos?

2º Mentira: Republicanos são fascistas, nazistas, etc.
Verdade: Fascismo foi o regime implantado pelo Partido Nacional Fascista, que defendia um Estado forte, onde cada individuo era parte de um corpo homogêneo  guiado pelo Estado. Acreditavam que o poder deve ser ocupado e mantido pela força (alguma semelhança com as ações dos membros do Occupy Wall Street?).

Fascistas se opõem ao livre mercado, odeiam o capitalismo (olha de novo uma semelhança com o movimento OWS. Incrível não?). A máxima de Benito Mussolini e do movimento fascista italiano era: “Tutto nello Stato, niente al di fuori dello Stato, nulla contro lo Stato”, ou seja, “tudo dentro do Estado, ninguém fora do Estado, nada contra o Estado”.

Nacional-socialismo foi o regime que foi implantado pelo Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães. Assim como o partido fascista, defendia o totalitarismo, o coletivismo e se opunha ao liberalismo econômico e político. Tanto fascismo quanto nacional-socialismo nada tem a ver com as ideologias do Partido Republicano: republicanos defendem livre-mercado, propriedade privada e direitos individuais, etc. Pior é ver um movimento interno do G.O.P, o Tea Party, que é um movimento libertário, ser taxado na imprensa brasileira como um movimento fascista. O que, obviamente, é uma mentira desonesta plantada por alguns “jornalistas” que deixam suas ideologias pessoais influenciarem demais no lado profissional.

3º Mentira: Republicanos são homofóbicos.
Verdade: O G.O.P possui grupos internos dedicados aos homossexuais, como o Log Cabin Republicans, que é um grupo do partido republicano formado por gays conservadores. Eles tem como diretor executivo ninguém menos que R. Clarke Cooper, homossexual e veterano da Guerra do Iraque. O Log Cabin Republicans se inspira  em Abraham Lincoln na luta por direitos iguais a todos.

4º Mentira: Republicanos são racistas.
Verdade: O Partido Republicano foi fundado em 1854 por abolicionistas e em 1861 Abraham Lincoln é eleito presidente pelo partido republicano, sendo o primeiro republicano a assumir o cargo. Os “racistas” do partido aboliram a escravidão, que foi um dos fatores que levou os EUA à Guerra Civil, fomentada pelos estados escravistas do sul, que tinham o apoio dos democratas.

O passado racista do Democrats: a plataforma democrática é para o branco.

A União venceu a guerra e Lincoln continuou com seu mandato até ser assassinado em 1865 por John Wilkes Booth, um ativista sulista que apoiava os democratas. Outro “racista” do G.O.P era Frederick Douglass (1818-1895), negro que escapou da escravidão e tornou-se um dos mais bem-sucedidos líderes abolicionistas. Nos EUA quando se fala em abolição da escravidão, Douglass é citado com freqüência junto com Anna Murray-Douglass, que foi sua esposa por 44 anos. Uma das lutas de Anna Murray-Douglas foi também em favor dos direitos das mulheres.

Frederick Douglass, um dos mais importantes abolicionistas americanos.

Já a Ku Klux Klan, famigerado grupo racista oriundo do sul dos Estados Unidos, foi fundado por quem? Advinha, Republicanos?  NÃO, por Democratas. As Jim Crow Laws (1876-1965), conjunto de leis estaduais decretadas nos estados sulistas que segregavam as minorias, também foram iniciativa dos Democratas. Os grupos étnicos que mais sofreram com elas foram negros e asiáticos. Essas leis foram aprovadas por Democratas e abolidas pelos Republicanos “racistas”.

A amável esquerda americana…

Hoje o Partido Democrata continua querendo segregar a população. Eles querem criar cotas em universidades para negros e outros grupos étnicos (semelhante ao que se faz aqui), fomentam conflitos étnicos, criam “raças” assim como se fazia na Alemanha de Hitler e exploram o ódio entra essas “raças”. Mas, como disse o Republicano Martin Luther King Jr: “Eu tenho um sonho que um dia meus quatro filhos viverão em uma nação onde não serão julgados pela cor de sua pele, mas pelo conteúdo de seu caráter”.  Ao empregar sistemas de cota racial, não julgamos a pessoa pelo seu caráter ou inteligência e sim pela sua cor, o que é errado.

Mensagem ao homem do povo…

Mensagem ao homem do povo e aos homens que dirigem o povo, para se viver numa grande nação:

Abraham Lincoln, abolicionista e décimo sexto presidente dos Estados Unidos.

Não criarás a prosperidade, se desestimulares a poupança.
Não fortalecerás os fracos, por enfraqueceres os fortes.
Não ajudarás o assalariado, se arruinares aquele que o paga.
Não estimularás a fraternidade humana, se alimentares o ódio de classes.
Não ajudarás os pobres, se eliminares os ricos.
Não poderás criar estabilidade permanente, baseado em dinheiro emprestado.
Não evitarás dificuldades, se gastares mais do que ganhas.
Não fortalecerás a dignidade e o ânimo, se subtraíres ao homem a iniciativa e a liberdade.
Não poderás ajudar aos homens de maneira permanente, se fizeres por eles aquilo que eles podem e devem fazer por si próprios.

– Abraham Lincoln