O 15 de Novembro

Hoje é uma data emblemática para a História do Brasil e também para a história da direita política no Brasil. No entanto, a Proclamação da República que comemoramos hoje é também um ponto de controvérsia entre os direitistas. De um lado, há os que veem a proclamação da República como algo positivo e do outro os que argumentam que o Brasil “só piorou” depois do fim da monarquia.

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Em ambos os lados há excesso de ânimo. Assim como a República não representou a resolução de todos os nossos problemas do tempo da monarquia, ela também não causou todos os nossos problemas atuais. Afirmar em contrário é a estratégia mais que batida de imputar ao adversário todos os defeitos históricos e atribuir a si mesmo só os seus acertos. Não podemos nos dar o luxo de operar como esquerdistas vulgares.

As duas correntes são inconciliáveis, admito. Não quero aqui fingir que ambas as formas de governo são ou foram igualmente boas ou determinar que os direitistas devam suportar ambas (ou nenhuma contra outra). Sou republicano e escrevo o artigo de hoje para republicanos. Se você é monarquista demais e tem reações alérgicas todo 15 de novembro, minha advertência é que não leia este texto até o final e pare por aqui.


Advertência dada, dou seguimento:

Pode-se acusar o nosso primeiro período republicano (1899-1930) de muitas coisas, como não ser monárquico ou socialista, por exemplo. Certamente uma acusação de elitista seria certeira, mas deve-se reconhecer os feitos da nossa “República Velha”.

Mais do que a mera modernização e industrialização da nossa economia, a República trouxe avanços importantes no campo dos direitos civis e políticos que beneficiaram amplos setores da sociedade brasileira. Se há o que lamentar hoje, é que muitos dos princípios dos nossos primeiros republicanos hoje se perderam.

Agradeça aos republicanos e seu “complô maçom-militar” se…

  • Você desfruta de liberdade de culto e associação e não é mais obrigado a financiar através de impostos uma instituição religiosa com a qual não comunga.
  • Você pode eleger seus representantes políticos no âmbito municipal, estadual e federal.
  • Você tem direito a ampla defesa, habeas corpus, inviolabilidade de sua correspondência e privacidade doméstica.
  • Os três poderes (legislativo, executivo e judiciário) não estão mais submetidos a uma só autoridade (poder moderador).
  • O governador do país tem responsabilidade legal sobre os seus atos, e o mesmo se aplica aos governadores estaduais e municipais.
  • Você pode contrair um matrimônio civil independente de sua confissão religiosa.
  • A escravidão e o banimento como formas penais estão banidos.
  • Você não está impedido de assumir cargos públicos porque é “filho bastardo”, tem “sangue infecto” ou alguma vez na vida realizou “ofício mecânico” (trabalho braçal).

Certamente, nossa República tem muito a ser melhorado ou mesmo restaurado, mas é inegável que ela trouxe inúmeras melhorias para o Brasil e os brasileiros em matéria de direitos civis e políticos, sem mencionar o desenvolvimento econômico e social decorrente de suas políticas de industrialização, modernização urbana e viária, instrução e saúde pública. Que viva a República!

Proclamação da República, o maior golpe de estado da história brasileira: A história que seu professor não contou

 

Proclamacao da Republica - 1893 - Benedito Calixto

Diferente do que foi aprendido nos tempos de escola, a república não era uma ideia que agradava a população brasileira, pelo contrário. Já em 1884, bem próximo a sua “proclamação”, apenas três republicanos conseguiram se eleger para a câmara dos deputados e na próxima eleição somente um.

Os republicanos tentavam a todo custo disseminar suas idéias pelo país, porém era um trabalho em vão. Quando enfim perceberam que não conseguiriam por fins pacíficos acabar com o império, tiveram a grande idéia de um golpe militar. Só que para que isso acontecesse precisariam ter o apoio de um líder de prestígio da tropa militar. Foi ai que então resolveram se aproximar de Marechal Deodoro da Fonseca em busca de apoio.

O que grande parte das pessoas não sabe é que foi tarefa difícil convencer Marechal Deodoro a dar o golpe, tendo em vista que o mesmo era amigo do Imperador Dom Pedro II e era um dos maiores defensores do Monarquismo.

Entenda o cenário:

Dom Pedro II, filho mais novo do Imperador Dom Pedro I tornou-se imperador aos 5 anos de idade e teve que passar grande parte da sua infância estudando para que fizesse um bom reinado. Como já dito em artigo anterior, um rei é preparado pra reinar desde o momento de seu nascimento, logo as longas horas de estudo e preparação do nosso Imperador resultou em transformar o Brasil numa grande e potente nação emergente. Sua estabilidade política era notória e o Império do Brasil se destacava em relação as nações vizinhas. Tínhamos liberdade de expressão, respeito aos direitos civis, tendo em vista que foi durante seu reinado que foi assinada a lei áurea, pela sua filha Dona Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança e Bourbon, popularmente conhecida como Princesa Isabel.

Poucos sabem, mas desde meados de 1850, Dom Pedro II se declarava publicamente contra o regime de escravidão. Fato esse corajoso, tendo em vista que poucos brasileiros na época se manifestavam contra o regime. O nosso imperador considerava a escravidão uma vergonha nacional e tampouco possuiu escravos.

A escravidão no Brasil vinha sendo extinta de forma gradual através de várias medidas. Em 1871 veio a lei do ventre livre que ajudou bastante a diminuir o percentual de população escrava no país. Todos consideravam que esse posicionamento político de Dom Pedro II em relação a escravidão seria suicídio político, pois até os mais pobres no Brasil tinham escravos como propriedade.

Em 1888, quando princesa Isabel Decretou a Lei Áurea, os donos de escravos sentiram-se traídos pelo regime monárquico e por forma de vingança tornaram-se republicanos. Os mesmo são chamados de republicanos de última hora.

Voltando ao golpe militar, como já foi falado, os republicanos precisavam de uma forma de convencer Marechal Deodoro a dar o golpe e tanto tentaram que acabaram conseguindo.

No dia 14 de novembro de 1889, os republicanos, num ato muito “honesto” fizeram correr o boato de que o primeiro ministro Visconde de Ouro Preto havia decretado prisão contra Marechal Deodoro e o líder dos oficiais republicanos o tenente-coronel Benjamim Constant. Essa falsa notícia fez com que Marechal Deodoro decidisse se levantar contra a monarquia. Na manhã do dia 15, Deodoro reuniu toda a tropa em direção ao centro da cidade do Rio de Janeiro, capital do Brasil Império, com o intuito de decretar a demissão do ministério de Ouro Preto. Porém, ainda não tinha a intenção de proclamar a república.

No calor dos acontecimentos, os republicanos precisavam pensar em algo rápido para que convencessem de vez o marechal a fazer a proclamação. Informaram-no então que Dom Pedro II teria nomeado Gaspar Silveira Martins como primeiro ministro. Gaspar nada mais era do que um rival de Deodoro, pois os dois já haviam disputado o amor da mesma mulher na juventude. Essa foi a gota d’água para que fosse feito o rompimento total com a monarquia.

Dom Pedro não reagiu ao golpe. Passou os seus últimos dois anos de vida no exílio na Europa, vivendo só e com poucos recursos. O primeiro ato de corrupção do regime republicano foi quando os golpistas ao obrigar a família imperial do Brasil ao exílio, retiraram dos cofres públicos 5 mil contos de réis e deram a Dom Pedro II como forma de indenização pelos danos sofridos. O Imperador não só recusou como também exigiu que caso o dinheiro já tivesse sido retirado dos cofres públicos que fosse feito um documento comprobatório no qual ele o estaria devolvendo. Ele citou então a frase: “Com que autoridade esses senhores dispõe do dinheiro publico?”

Aposto que isso tudo seu professor de história não contou: Brasil, um país republicano, graças a uma disputa amorosa.

Para quem desejar se aprofundar no assunto, leia o livro “1889” de Laurentino Gomes.

Leia também: Por que eu sou Monarquista


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