Solidariedade: coisa de capitalista?

I. A Mentira.
Uma das mentiras mais incessantemente repetidas por adeptos de ideologias políticas coletivistas (internacional-socialismo, nacional-socialismo, fascismo, marxismo, etc) é a de que o individualismo da sociedade capitalista é responsável por uma dessensibilização moral que inevitavelmente leva as pessoas a tornarem-se mais “individualistas” (na verdade, egoístas, individualismo é outra coisa), menos generosas e mais “conformadas” (em vocabulário marxista: alienadas).

No entanto, basta tirar os olhos dos cenários distópicos e falsos criados pela panfletagem política das esquerdas, e olhar para a realidade para perceber que o extremo oposto é o que se verifica. É sabido que na ideologia individualista difundida pela sociedade ocidental, o indivíduo é o responsável pela consequência de seus atos – sejam elas boas ou ruins. Esta mentalidade é o que exercita nosso raciocínio na análise de riscos e oportunidades, de ganhos e prejuízos. Mas será que isto indica, necessariamente, que agiremos de maneira egoísta? Pois bem, isto é o que nós vamos ver.

II. O indivíduo: individual e individualista.
Quando falamos em individualismo logo vem na nossa cabeça aquela pessoa que não pensa nos outros, preocupa-se só com o próprio umbigo, é vaidosa, etc… nada disso poderia estar mais longe do individualismo. Isto é egoísmo.
O individualismo não é uma ideologia que busca eliminar o convívio social, nem tenta destruir as concepções de coletivo que as pessoas aceitam de bom grado. Individualismo trata dos direitos individuais: o direito de cada um. Um individualista parte do princípio que todas as pessoas tem direitos iguais, os quais não podem ser desrespeitados. A minha liberdade termina onde começa a do outro. Este é o lema.

III. E a solidariedade?
A solidariedade é considerada a expressão máxima do amor ao próximo. Solidariedade implica que você investe sua vida, sua liberdade e sua propriedade em prol do bem-estar de outras pessoas. Este é um valor que pode e deve ser cultivado em todos nós.

Mas será que um indivíduo que, podendo escolher entre doar ou não doar, será solidário?

Michael McGivney -fundador da Knights of Columbus, a maior instituição de caridade do mundo.

IV. Na hora do vamos ver…
Ao contrário do que inúmeros teóricos, sociólogos, pedagogos e mentirosos profissionais tentam pintar em seus livros de auto-ajuda e humanitarismo pastelão, sólidas pesquisas indicam que as pessoas mais propensas a ajudar são, normalmente, as mais livres. Das 20 nações que mais doam, segundo o World Giving Index de 2011, metade vive em regimes plenamente democráticos (confirmado pelo Democracy Index de 2010). O líder do índice de caridade é nada mais nada menos que Estados Unidos. Seguem Irlanda, Austrália, Nova Zelândia e Reino Unido. O que estes top 5 da caridade tem em comum?

(consulte na última seção: World Giving Index 2011, Democracy Index 2010)

William Booth – fundador do Salvation Army, um verdadeiro exército caritativo atuando em mais de 120 países.

Poderíamos dizer que estes mesmos países são aqueles que figuram entre os que mais defendem o direito de propriedade: dos 20 primeiros colocados no índice de caridade, mais da metade é considerado um forte defensor do direito de propriedade, segundo o International Property Rights Index de 2011.

(consulte na última seção: International Property Rights 2011)

Dos 20 primeiros colocados no índice de caridade, praticamente a metade também figura entre os 20 países com maior liberdade econômica.

(consulte na última seção: Index of Economic Freedom 2011)

Dos 20 países liderando o índice de caridade, 8 também estão entre os países com a maior liberdade de imprensa.

(consulte na última seção: Press Freedom Index 2010)

V. EUA: Uma nação de doadores?
Considerada a nação “mais capitalista” do mundo, os EUA figuram também com os maiores índices de solidariedade. Os americanos, além de doarem muito e fazer muito trabalho voluntário dentro do país, também fazem trabalho voluntário e doam para o exterior ajudando pessoas em todo o mundo.

VI. E o Brasil?
Neste mesmo ranking, o Brasil figura em 85º lugar. Fazendo uma comparação regional da América do Sul e do Caribe, estamos atrás de Guiana, Trinidad e Tobago, Paraguai, Chile, Colômbia, República Dominicana, Jamaica, Haiti, Porto Rico e Argentina. Ficamos à frente somente de Bolívia, Peru, Equador, Venezuela e Uruguai.

No índice de democracia, o Brasil figura no 47º lugar. No ranking de liberdade econômica, tem o sofrível 113º lugar (atrás de países como Egito, Cazaquistão, Uganda e Marrocos). No índice de defesa da propriedade, fica no 64º lugar (atrás de Marrocos, Tailândia, Gana, Arábia Saudita e até da China). No índice de liberdade de imprensa, figuramos no 58º lugar.

Alziro Zarur – fundador da Legião da Boa Vontade, uma das instituições de caridade de peso do Brasil.

VI. Moral da história
Mesmo que exista uma série fatores que contribuam para a formação de pessoas solidárias ou não, como a situação sócio-econômica, a cultura, a religião, etc.; é perceptível a forte relação entre solidariedade, liberdade e o direito de propriedade.

As provas do crime:
World Giving Index 2011
Democracy Index 2010
International Property Rights Index
Index of Economic Freedom 2011
Press Freedom Index 2010

A demência espacial e as ditaduras de esquerda

Fidel Castro, ex-senhor feudal da “democracia” cubana.

São várias as explicações que se dá à demência espacial. Uma delas é a de que o ser humano, na imensidão do espaço sideral, sente-se insignificante perto da grandiosidade daquilo que o rodeia, caso deixado muito tempo no espaço. Os sintomas podem variar, sendo um deles um impulso suicida. A existência dessa doença é questionada, mas é presente na ficção científica. E esse é apenas o primeiro ponto em comum com os delírios esquerdistas, a ficção. Mais sobre isso depois.

A implantação de qualquer regime autoritário de esquerda segue um roteiro curioso, quase sempre comum. Normalmente são insurgências contra regimes autoritários. Pode parecer bom em um primeiro momento, mas é aí que mora o maior perigo. “Em nome da democracia” a população é convocada. E ao desejo por democracia, a população responde. E em torno do ideal democrático o ideal revolucionário ganha corpo. A partir desse momento a democracia torna-se apenas um detalhe. A revolução ganha um corpo tão grande que tudo passa a ser sacrificado em seu nome: inclusive a democracia. Pode-se inferir do pensamento de Edmund Burke que o ideal democrático, se não convertido em instituições e ações sociais concretas, seria apenas uma palavra que levaria a população em direção ao caos¹. E exatamente isso acontece. Mesmo após a implantação de uma ditadura Lenin dizia que a URSS era “muito mais democrática” que qualquer nação ocidental. Fica claro que o significado da palavra se perdeu, mas mesmo assim continua sendo usado para manipular a população ao caos que se desejar.

Junto com a revolução crescem outras figuras: O Estado, o líder da revolução, os mártires da revolução. O Estado passa a interferir em cada aspecto da vida do “cidadão”, evitando assim colocar em risco a revolução. Qualquer coisa que não cheirar a revolução é duramente reprimida. Então aqueles que primeiro a trouxeram à tona passam a ser obrigatoriamente glorificados: ganham porte de gigantes. Não fosse o inconveniente, provavelmente teriam verdadeiros colossos em sua homenagem.

Mas isso não basta. Para a submissão total do indivíduo ao coletivo é necessário que o Estado demonstre poder. Marchas militares são comuns para que fique clara a força que paira sobre o cidadão. A violência do Estado, em nome da revolução, passa a ser banal, afinal de contas, o indivíduo é agora insignificante.

E, assim como o homem que por muito tempo é esquecido no espaço, o indivíduo é agora minúsculo quando comparado com as grandes estrelas da revolução e do Estado. A imensidão da coletividade o engole e, ciente de sua insignificância, ele agora está pronto para oferecer tudo em nome de seu melancólico ideal: sua vida, sua família, seus amigos. Tudo ocorrendo numa verdadeira demência coletiva, impregnada pelo medo, com apenas um destino possível: o caos.

¹ Pires Ferreira, Lier; Guanabara, Ricardo; Lombardo jorge, Vladimyr: Curso de Ciência Política – Grandes autores do pensamento político moderno e contemporâneo; 2ª edição;

A Teoria Materialista da História

Texto “A Teoria Materialista da História”, de Gilbert Keith Chesterton:

A teoria materialista da história – que afirma que toda a política e a ética são expressões da economia – é uma falácia, de fato, muito simples. Ela consiste, simplesmente, em confundir as necessárias condições de vida com as normais preocupações da vida, que são coisas muito diferentes. É como dizer que porque o homem pode andar somente sobre duas pernas, então, ele só pode caminhar se for para comprar meias e sapatos. O homem não pode viver sem os amparos da comida e da bebida, que os suporta sobre duas pernas; mas, sugerir que esses têm sido os motivos para todos os seus movimentos na história é como dizer que o objetivo de todas as suas marchas militares ou peregrinações religiosas deve ter sido a Perna Dourada da Senhora Kilmansegg ou a perfeita e ideal perna do Senhor Willoughby Patterne. Mas, são esses movimentos que constituem a história da espécie humana e sem eles não haveria praticamente história. Vacas podem ser puramente econômicas, no sentido de que não podemos ver que elas façam muito mais do que pastar e procurar o melhor lugar para isso; e essa é a razão pela qual a história das vacas em doze volumes não seria uma leitura estimulante. Ovelhas e cabras podem ser economistas em suas ações externas, pelo menos; mas, essa é a razão das ovelhas dificilmente serem heróis de guerras épicas e impérios, importantes suficientes para merecerem uma narração detalhada; e mesmo o mais ativo quadrúpede não inspirou um livro para crianças intitulado Os Feitos Maravilhosos das Cabras Galantes.

Mas, com relação a serem econômicos os movimentos que fazem a historia do homem, podemos dizer que a história somente começa quando os motivos das ovelhas e das cabras deixam a cena. Será difícil afirmar que os Cruzados saíram de suas casas em direção a uma horrível selvageria da mesma forma que as vacas tendem a ir das selvas para pastagens mais confortáveis. É difícil afirmar que os exploradores do Ártico foram em direção ao norte imbuídos dos mesmos motivos materiais que fizeram as andorinhas ir para o sul. E se deixarmos, de fora da história humana, coisas tais como todas as guerras religiosas e todas a aventuras exploratórias audaciosas, ela não só deixará de ser humana, mas deixará de ser história. O esboço da história é feito dessas curvas e ângulos decisivos, determinados pela vontade do homem. A história econômica não seria sequer história

Mas há uma falácia mais profunda além deste fato óbvio; os homens não precisam viver por comida meramente porque eles não podem viver sem comida. A verdade é que a coisa mais presente na mente do homem não é a engrenagem econômica necessária a sua existência, mas a própria existência; o mundo que ele vê quando acorda toda manhã e a natureza de sua posição geral nesse mundo. Há algo que está mais próximo dele que a sobrevivência e esse algo é a vida. Pois, tão logo ele se lembre qual trabalho produz exatamente seu salário e qual salário produz exatamente sua refeição, ele reflete dez vezes que hoje é um dia lindo, ou que este é um mundo estranho, ou se pergunta se a vida vale a pena ser vivida, ou se seu casamento é um fracasso, ou se ele está satisfeito ou confuso com seus filhos, ou se lembra de sua própria juventude, ou ele, de alguma forma, vagamente revê o destino misterioso do homem.

Isso é verdade para a maioria dos homens, mesmo para os escravos assalariados de nosso mórbido industrialismo moderno, que pelo seu caráter hediondo e sua desumanidade tem, realmente, posto a questão econômica em primeiro plano. É muito mais verdade para os numerosos camponeses, caçadores e pescadores que constituem a massa real da humanidade. Mesmo aqueles áridos pedantes, que pensam que a ética depende da economia, devem admitir que a economia depende da existência. E nossos devaneios e dúvidas cotidianos são sobre a existência; não sobre como podemos viver, mas sobre porque vivemos. E a prova disso é simples; tão simples quanto o suicídio. Vire o universo de cabeça para baixo em sua mente e você virará todos os economistas de cabeça para baixo. Suponha que um homem deseje morrer e que o professor de economia se torne um tédio com sua elaborada explicação de como ele deve viver. E todas as iniciativas e decisões que fazem do nosso passado humano uma história têm esse caráter de desviar o curso direto da pura economia. Tal como o economista deve ser desculpado por calcular o salário de um suicida, ele deve também ser desculpado por prover uma pensão de aposentadoria para um mártir. Tal como ele não precisa se preocupar com a pensão de um mártir, ele não deve se preocupar com a família de um monge. O plano do economista é modificado por insignificantes e variados detalhes como no caso de um homem ser um soldado e morrer pelo seu próprio país, de um homem ser um camponês e amar especialmente sua terra, de um homem ser mais ou menos influenciado por qualquer religião que proíba ou permita isso ou aquilo. Mas tudo isso se resume não a um cálculo econômico sobre despesas, mas a uma elementar consideração sobre a vida. Tudo isso se resume ao que o homem fundamentalmente sente, quando ele contempla, dessas janelas estranhas que ele chama os olhos, essa estranha visão que ele chama o mundo.

Gilbert Keith Chesterton

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