O Outro: uma instância ética para além das fronteiras ideológicas

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Faço deste meu primeiro e breve artigo de 2019 um convite à reflexão sobre um tema que muito tem intrigado aqueles que defendem a liberdade por inteiro. Atentados contra a vida e contra a democracia, como foi o assassinato da vereadora Marielle Franco há um ano, e, até mesmo, a morte de um inocente, tal como a do neto do ex-presidente Lula, no início deste mês, acometido de meningite, trazem a oportunidade de reflexão acerca de uma questão muito inquietante: até quando divergências políticas, ideológicas, religiosas ou de qualquer outro tipo continuarão a ser sobrelevadas em relação ao Outro, instância ética sagrada, não apenas fonte de valores, mas inviolável em sua dignidade e direitos, que deve ser tratado sempre como um fim em si mesmo e nunca como meio?

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Gab.ai lança Dissenter: uma ferramenta para burlar a censura nas redes sociais

A censura nas redes sociais está em todo lugar. O Facebook e o Twitter tem total controle sobre o que pode ou não ser dito dentro das suas plataformas, e você pode ter certeza de que eles usam este poder para censurar ou simplesmente “capar” o alcance das mensagens de cujo conteúdo eles discordam.

Há dois anos, Andrew Torba lançou sua rede social focada em liberdade de expressão, Gab.ai. Todo discurso que é considerado legal nos Estados Unidos pode ser postado na plataforma Gab. Ou seja, não existe um conjunto separado de discursos proibidos definidos pela plataforma e imposto aos seus usuários. Isto desencadeou retaliações das redes sociais tradicionais, que acusaram o Gab de promover “discurso de ódio”.

Agora o Gab quer dar aos seus usuários ainda mais poder para expressar suas opiniões livres de censura: ele acaba de lançar Dissenter, ou “a seção de comentários da internet”, como os seus criadores a apelidaram. Este serviço permite aos usuários comentar e ler comentários sobre cada URL a partir de um plugin externo, sem necessidade de logar ou sequer ter uma conta no site em questão. Isto significa que você pode burlar completamente a censura privada de plataformas como Facebook, Twitter ou o próprio WordPress.

Caso queira testar, visite dissenter.com

Sobre a polêmica fala da ministra Damares Alves

Por que a fala da Ministra Damares Alves, responsável pela pasta da Mulher, Família e Direitos Humanos causou tanta polêmica? Dizer que meninos vestem azul e meninas vestem rosa significa praticar algum ato discriminatório? Sim. Contra quem? Contra quem teve a coragem de dizer o óbvio. Explico. Ao se expressar metaforicamente, conforme a própria ministra afirmou em entrevista ao Jornal das Dez na Globo News [1], ela quis somente fincar a bandeira dela e a do governo Bolsonaro de combate à ideologia de gênero. Ideologia? Não seria identidade de gênero? Mas o que, conceitualmente, diferencia essas expressões? Bem, o termo ideologia de gênero é pejorativo enquanto a expressão identidade de gênero carrega uma roupagem científica. Em linhas gerais, essa pretensa identidade de gênero tem como base a Teoria do Poder do filósofo Michel Foucalt onde o binômio sexo/natureza é problematizado em uma visão histórica, a qual desemboca na Teoria Queer que tem como sentido etimológico a ideia do estranho, do esquisito que diverge ao padrão heterossexual e do binômio de gênero: masculino/feminino.

Em resumo, essa Teoria Queer brotou com força a partir do livro (problemas de gênero) da filósofa Judith Butler [2]. E o que essa teoria ensina? Segundo ela não há classificação de gênero nem de sexualidade estanque. O padrão heteronormativo e o binômio de gênero masculino/feminino são classificados pela Teoria Queer como meras construções sociais. Ou seja, alguém pode ser homem pela manhã e resolver ser mulher à tarde e vice-versa, assim como é natural se ter relações sexuais homo, bi, poli, e Deus sabe o que mais. Pode-se até aderir a gêneros novos. Quais? Pergunte a quem defende essa tese pseudocientífica oriunda da psicologia e das ciências sociais que, até onde sei, são áreas de pesquisa bem inclinadas a subjetivismos. Quando a ministra Damares se referiu metaforicamente à ideologia de gênero ela se manifestou, assim como o governo Bolsonaro, contra essa visão Queer de mundo sem qualquer unanimidade científica, muito pelo contrário. A ministra seria ovacionada e idolatrada, caso afirmasse que bebês nascem neutros e escolhem o gênero ao qual pertencerão. Gêneros que, como foi citado, não se limitam ao masculino/feminino. Mas pelo fato dela ter dito o que a genética e a biologia embasam, foi e será criticada até o último dia de exercício na função ministerial. Talvez pelo resto da vida. Não, nesse mundo esquerdista meninos não vestem azul nem meninas vestem rosa, ambos vestem vermelho.


Referências:

[1] Portal G1. Damares diz que não se arrepende da frase polêmica e que nenhum direito adquirido será retirado. Disponível em: <https://g1.globo.com/politica/noticia/2019/01/04/damares-diz-que-nenhum-direito-adquirido-sera-retirado-e-que-nao-se-arrepende-de-frase-polemica.ghtml> Acesso em: 04/01/2019.

[2] VIEIRA, Helena. Teoria Queer, o que é isso? Disponível em: <https://www.revistaforum.com.br/osentendidos/2015/06/07/teoria-queer-o-que-e-isso-tensoes-entre-vivencias-e-universidade/> Acesso em: 04/01/2019.

O que esperar de 2019? Uma abordagem bíblica.

No ano de 2018 testemunhamos acontecimentos nacionais e globais que pouco se diferenciaram dos de décadas passadas. Presenciamos inúmeras catástrofes naturais, acidentes de trânsito, homicídios, desabamentos, crise financeira, corrupção. Mas também assistimos a fatos (que se tornaram história) atípicos. Por exemplo, a sonda Insight chegou ao solo do planeta Marte, após uma viagem de sete meses, e enviou as primeiras imagens da superfície do planeta [1]. Em maio de 2018 pesquisadores descobriram um novo órgão no corpo humano: o interstício [2], que é composto por uma rede de canais microscópicos cheios de fluído que se estende por todo o corpo. Foi descoberto o fragmento mais antigo – de que se tem notícia – da Odisseia de Homero. Ele está gravado em uma placa de argila do século III D.C., encontrada ao redor do santuário de Olímpia na península do Peloponeso [3].

Em âmbito mundial, nós vivenciamos o clima de mais uma copa do mundo que não se tornou muito memorável para os brasileiros. Num contexto nacional, desenvolveu-se o processo eleitoral mais polarizado de todos os tempos que, ao fim, trouxe alguma esperança para os que anseiam por mudanças.

Bem, mas o que podemos esperar do ano de 2019? Daqui a algumas horas milhões de pessoas ao redor do mundo estarão vestidas de branco, aptas e ávidas, para dar os seus pulinhos nas sete ondas milagrosas que talvez lhes forneçam a prosperidade para o ano que começa. Outras gentes estarão comendo bebendo ou se vestindo de alguma forma predeterminada para atrair a boa sorte no réveillon – sorte que todo ser humano anseia. As religiões indicam mil e uma superstições e previsões, das mais diversas, para esse novo período que se iniciará.

Mas o que realmente podemos esperar? A paz mundial se tornará realidade? Não. O Brasil alcançará o status de um país de primeiro mundo? Sinto te informar que não. Embora seja um apoiador do novo governo, não me iludo. A política não salvará o nosso país. Mas, então, devemos adentrar aos portões do novo ano cheios de maus presságios ou apreensões pessimistas? Depende. Não sou vidente, mas sei que nem o Brasil nem o mundo se tornarão um mar de rosas por conta de uma simples mudança no calendário. Em termos ocidentais não estamos no ano de 2018, logo, não estamos “indo” para 2019. Afinal, o nascimento de Jesus Cristo delimita o início na nossa era cristã, mas esse marco histórico se deu entre 6 a 4 anos antes do ano 1. Abro esse parêntese somente para lembrar o quanto estão enganados os que baseiam a felicidade, seja pessoal ou mundial, em uma simples alteração cronológica que nada significa no resumo das contas.

Indo ao objetivo desse texto, eu afirmo que o mundo não vai se tornar um paraíso terrestre (como afirma a lógica marxista e de várias religiões) nem em 2019 nem em ano algum, porque viso transmitir um conselho baseado numa perspectiva bíblica, a qual ensina que esse mundo está morto no Maligno: 1ª carta de João 5,19 [4]. Ou seja, esse mundo vive distante de Deus por conta do pecado e está condenado a autodestruição. Parece uma visão terrível, não é mesmo? Na verdade não é. Ao mesmo tempo em que assegura a autodegradação dos valores mundiais, a Bíblia enfatiza a esperança dos crentes em Cristo, uma razão espiritual que supera –infinitamente – a todos os mais bem-intencionados desejos terrenos. O apóstolo Paulo declara que: “Se esperarmos em Cristo somente nesta vida somos os mais miseráveis de todos os homens”, 1ª carta aos Coríntios 15,19. Esse é o segredo da real prosperidade que não se atrela às circunstâncias, pois sabe em quem pode confiar. “Ora, sem fé é impossível agradar a Deus. Porque é necessário que quem se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador daqueles que o buscam”, Hebreus 11,6. Isso não significa que não devemos fazer bons planos para a nossa existência humana. Devemos planejar, sim. Além disso, devemos atuar como cidadãos conscientes dos nossos direitos e obrigações, a fim de contribuirmos na construção de uma sociedade menos egocêntrica e mais justa. Contudo, à luz das Escrituras Sagradas, sabemos que o nosso mundo decaído não vai se transformar num reino de paz e caridade, nem no ano que vem nem nunca. Por quê? Porque todos os valores necessários para a criação de um mundo pleno em igualdade e paz são valores absolutos e eternos que residem em Deus, mas os homens vivem separados dele: “Porque os nossos pecados fazem separação entre nós e o nosso Deus; (…) Isaías 59,2.

Conclusão

Quem quer ser realmente próspero em 2019 deve abandonar às superstições para esperar em Deus. Ele é o Único que pode transmitir paz no meio das maiores tribulações (Colossenses 4,7): “E a paz de Deus, que excede a todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus.” Em Deus as forças dos abatidos se renovam: “Mas os que esperam no Senhor renovarão as suas forças, subirão com asas como águias, correrão e não se cansarão; caminharão e não se fatigarão”, Isaías 40,31. Jesus disse: “Venham a mim os que estão cansados e sobrecarregados e eu vos darei alívio”, Mateus 11,28. Feliz 2019!

Referências:

[1] Revista Galileu. Sonda InSight chega à Marte e envia primeira imagem à NASA; confira. Disponível em: <https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2018/11/sonda-insight-chega-marte-e-envia-primeira-imagem-nasa.html> Acesso: 30/12/18.

[2] SPUTNIK. 7 descobertas científicas de 2018 que nos mostram um outro lado do mudo. Disponível em:  <https://br.sputniknews.com/ciencia_tecnologia/2018122813005440-7-descobertas-cientificas-2018-sistema-solar/> Acesso: 30/12/18.

[3] GAUCHAZH, Ciência e tecnologia. Fragmento mais antigo da Odisseia, de Homero, é encontrado na Grécia. Disponível em:  <https://gauchazh.clicrbs.com.br/tecnologia/noticia/2018/07/fragmento-mais-antigo-da-odisseia-de-homero-e-encontrado-na-grecia-cjjg4ut9j01rp01mwfmpj36bh.html>

[4] Bíblia Anotada. Versão Almeida Revista e Atualizada com introdução, esboço, referências laterais e notas por Charles Caldwell Ryrie, Ph.D. Editora Mundo Cristão, São Paulo.

Sobre o cachorro do episódio no Carrefour e a desumanização Nacional

De tempos em tempos, que em nossa era digital duram cada vez menos, novas polêmicas surgem para nos fazer refletir sobre a sociedade e, observando-as mais a fundo, sobre a natureza humana. A mais recente colocou, no centro do debate, a rede de supermercados Carrefour. A grande mídia e a internet têm divulgado de modo sensível e, quase panfletário, a covardia realizada por um segurança de uma unidade do grupo Carrefour localizada em Osasco na grande São Paulo. Ele é acusado de ter espancado um cachorro até a morte e de, antes disso, ter tentado envenená-lo. O animal, segundo a denúncia postada em vídeo nas redes sociais, aparece com as patas traseiras feridas e marcas de sangue no chão da loja. O cachorro chegou a ser socorrido pelo Centro de Controle de Zoonoses, mas não resistiu às agressões vindo a óbito no local.Segundo a matéria veiculada no site da Revista Exame [1] o animal estava a alguns dias na unidade de Osasco do Carrefour. Chegou, inclusive, a ser alimentado por funcionários. As denúncias alegam que o segurança agrediu o animal a pauladas após ter recebido ordens superiores para “limpar” o estabelecimento por conta da visita de executivos naquele dia. Ativistas de defesa dos animais protestaram na unidade no dia do ocorrido e, em pouco tempo,esse caso assumiu uma grande repercussão nacional que gerou enorme comoção. Até aí nada demais. Eu também defendo o respeito e a proteção aos animais. Contudo,manifesto aqui a minha discordância à desproporção e inversão de valores que me saltaram à (pouca)  inteligência, a partir desse ocorrido.

No último dia 17 de Novembro a senhora Antônia Conceição da Silva, de 106 anos, foi morta a pauladas em Feira Nova do Maranhão por um homem que invadiu a residência da idosa e, segundo a conclusão da investigação policial, realizou o crime porque foi reconhecido pela vítima. No fim, nada foi roubado. Mas, afinal de contas, onde eu quero chegar? Talvez seja essa a sua pergunta. Bem, eu quero chegar à tamanha comoção do cachorro morto na unidade do Carrefour. Quero chegar aonde não chegou a comoção da morte de uma indefesa cidadã honesta em avançada idade. Quero chegar aos quase 1.700 abortos legais praticados no Brasil [2] por ano e aos anuais 850.000 abortos clandestinos [3]. Quero chegar ao número de homicídios praticados no Brasil que supera, em trinta vezes, os números da Europa [4]. Eu quero chegar à humanização animal e à animalização humana. Como assim? Bem, sem querer generalizar, boa parte dos ativistas da causa animal também defende a descriminalização do aborto como um meio de proteção à vida das “mães”. Mas antes de pensar nas “mães” não se deveria pensar na parte mais indefesa da estória, ou seja, no feto? Qual é o sentido do veganismo que abomina comer carne, por ser contra a morte dos animais, e aplaude ao direito feminista de exterminar vidas intrauterinas? E qual é o sentido do humanismo que não se importa com a matança dos animais? E qual é alógica do amor aos animais que “passa por cima” da quantidade de assassinatos que alcançam a todos, em nome da nova “modinha” cotista que só conta a morte dos indivíduos que integram o seu círculo de interesses?

Há duas formas de se enxergar a vida. Uma com e outra sem transcendência. Essas propostas visam explicar o mecanismo do mundo e o valor que pode ser dado à existência. Não há uma terceira via nessa abordagem. Onde não há nada além da matéria, toda vida se iguala. Assim, essa visão dá aos homens (pelo acaso) o mesmo valor das árvores, dos cães ou das formigas. Mas se há transcendência no homem, há hierarquia. Imagine uma situação em que não há outra forma de sobreviver senão comendo cães e gatos como, por exemplo, ocorre na Venezuela.Você deixaria os seus morrerem à míngua para proteger à vida dos cães e gatos?Eu não. Em situações ordinárias não comemos carne humana, correto? Mas alguns já comeram para não morrer. Caso não conheça, examine o caso do avião que despencou nos Andes chilenos em 1972. O uruguaio Roberto Canessa, um dos sobreviventes, disse em entrevista sem qualquer pudor: “Comi os meus amigos para sobreviver.” [5] Mais vale um humano morto ou um vivo? Animais são maravilhosos e, com certeza, devem ser amados. Mas entre salvar à vida de um cachorro e a de um ser humano, qual seria a sua escolha caso não fosse possível salvar às duas? Em nome da visão sem transcendência, eu salvaria à vida humana a favor da preservação da minha espécie. Em nome da transcendência eu salvaria à vida humana, por ser ela a expressão máxima de um Criador.

Referências:

[1]BARBOSA, Vanessa. Morte de cachorro em loja do Carrefour gera onda de protestos. Disponível em:< https://exame.abril.com.br/marketing/morte-de-cachorro-a-pauladas-em-loja-do-carrefour-gera-onda-de-protestos/>Acesso:05/12/18.

[2] FERNANDES, Marcella. Aborto no Brasil. Como os números sobre abortos legais e clandestinos contribuem nodebate da descriminalização. Disponível em: <https://www.huffpostbrasil.com/2018/07/31/aborto-no-brasil-como-os-numeros-sobre-abortos-legais-e-clandestinos-contribuem-no-debate-da-descriminalizacao>Acesso:06/12/18.
 
[3] AUN, Heloísa. 8 fatos chocantes sobre o aborto no Brasil que você precisa saber. Disponível em: <https://catracalivre.com.br/cidadania/8-dados-chocantes-sobre-o-aborto-no-brasil-que-voce-precisa-saber/>Acesso: 06/12/18.

[4] SALGADO, Daniel. Atlas da Violência 2018: Brasil tem taxa de homicídio 30 vezes maior do que Europa. Disponível em:<https://oglobo.globo.com/brasil/atlas-da-violencia-2018-brasil-tem-taxa-de-homicidio-30-vezes-maior-do-que-europa-22747176>Acesso: 28/11/18.

[5]BRASIL, News. “Comi meus amigos parasobreviver”, relembra vítima de acidente aéreo. Disponível em:

<https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/03/160307_andes_vivos_tg> Acesso: 06/12/18.

O pluralismo do projeto Escola Sem Partido

Por Alessandro Barreta Garcia, publicado pelo Instituto Liberal

A seriedade dos projetos de lei inspirados na proposta do Movimento Escola Sem Partido é notória para qualquer criança. Já no item II da proposta do Movimento, podemos ressaltar a admirável preocupação em impedir a doutrinação dos alunos em suas escolas: O Professor não favorecerá, não prejudicará e não constrangerá os alunos em razão de suas convicções políticas, ideológicas, morais ou religiosas, ou da falta delas.[1] O intuito deste item é impedir o que Paulo Freire pregava, isto é, a lavagem cerebral e a ideologização de seus alunos.

Paulo Freire glorifica o que hoje é um ideal nas escolas primárias e secundárias:

Se, na antiga sociedade, o seu sistema educacional estava comprometido com a preservação do “status quo”, agora a educação deve se tornar fundamental ao processo de permanente libertação. Daí que não seja possível negar – a não ser por astúcia ou “angelitude” – o caráter político da educação. Daí que os problemas básicos da pedagogia não sejam estritamente pedagógicos, mas políticos e ideológicos. (Freire, 1978, p. 69)

Em recente livro organizado pelo historiador Giuliano (2017),Desconstruindo Paulo Freire, o patrono do pau oco, segundo este mesmo autor. Giuliano nos informa que Paulo Freire tinha grande simpatia por Lênin, era amante intelectual de Mao Tsé-Tung, apoiou o regime ditatorial de Fidel Castro e endossou os crimes cometidos por Che Guevara. Este é, em síntese, o patrono da educação brasileira. Para Paulo Freire, isto é se libertar!

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Com toda certeza, é isso que se quer evitar: essa permanente libertação (que na realidade é um aprisionamento e doutrinação do aluno), esse fator estritamente político e ideológico, que se lê, é ensino hegemonicamente esquerdista em nossas escolas. Em contrapartida, é preciso pluralidade nas escolas e não doutrinação. O combate à alienação nas escolas é muito claro no item I do Movimento Escola Sem Partido: O Professor não se aproveitará da audiência cativa dos alunos, para promover os seus próprios interesses, opiniões, concepções ou preferências ideológicas, religiosas, morais, políticas e partidárias.[2] Aproveitar-se dessa audiência é frontalmente contrário ao item 4 das justificativas do projeto – Liberdade de ensinar[3] – assegurada pelo art. 206, II, da Constituição Federal.[4]  Desse modo, como o aluno pode ter a liberdade de aprender com uma educação ideologizada que censura fontes diversas e vitais para o desenvolvimento de sua racionalidade? Como assegurar a liberdade de consciência e de crença dos nossos alunos? A resposta é dada pelo “Programa Escola sem Partido” [5], em seu item III:

  1. 2º. A educação nacional atenderá aos seguintes princípios:

I – neutralidade política, ideológica e religiosa do Estado;

II – pluralismo de ideias no ambiente acadêmico;

III – liberdade de aprender e de ensinar;

IV – liberdade de consciência e de crença;

V – reconhecimento da vulnerabilidade do educando como parte mais fraca na relação de aprendizado;

VI – educação e informação do estudante quanto aos direitos compreendidos em sua liberdade de consciência e de crença;

VII – direito dos pais a que seus filhos recebam a educação religiosa e moral que esteja de acordo com as suas próprias convicções.

Logo, não é possível confundir a liberdade de expressão com a liberdade de cátedra ou a liberdade de ensinar. O professor pode opinar em sala de aula, mas não doutrinar os seus alunos. Pode falar sobre várias teorias, mas não de uma só, pois do contrário, priva seus alunos do seu direito de aprender amplamente e de formar uma livre consciência, ou seja, uma consciência ao seu modo e não moldada ideologicamente pelo professor.

Aprender amplamente é justamente aquilo que o ensino esquerdista não permite, pois, como concluiu Correia (2015) em sua tese de doutoramento, Doutrinação: a influência do pensamento gramsciano na geografia crítica escolar brasileira, a doutrinação nas escolas é marcante:

“Ao encerrar este trabalho, acredita-se ter avaliado e demonstrado de maneira contundente o suposto, ou seja, A Influência do Pensamento Gramsciano na Geografia Crítica Escolar Brasileira, de inspiração marxista, sob condução do materialismo-histórico e dialético, o qual apresenta acentuada dose de doutrinação ideológica identificada na estrutura educacional nacional” (Correia, 2015, p. 190).

Para evitar esta situação, com base no item IV do documento que inspira os projetos a favor de uma pluralidade no ensino[6], cabe ao professor: “ao tratar de questões políticas, socioculturais e econômicas, apresentará aos alunos, de forma justa, as principais versões, teorias, opiniões e perspectivas concorrentes a respeito”. Sabemos que não é isso que ocorre nas salas de aulas. Daí a vital importância do Movimento Escola Sem Partido, de sua urgência para a melhoria do ensino brasileiro e de sua aprovação pela sociedade.

Diversas evidências já apontam que a doutrinação nas escolas é uma ameaça real e perigosa, visto que ameaça a capacidade de independência e de julgamento imparcial dos alunos, porque incute na mente dos jovens alunos informações enganosas e tendenciosas.

Mansur, Vicária e Leal (2007) advertem que:

“A maioria dos livros – em especial os de História – é simpática ao socialismo e apresenta o livre mercado como um modelo econômico gerador de desigualdade e pobreza. Embora a ênfase seja desequilibrada para a ideologia de esquerda, isso faz parte do jogo democrático. O dado que assusta é a quantidade de distorções que os autores fazem em nome da visão socialista. Existem dois tipos de problemas. O primeiro é a omissão. Ao tratar de revoluções socialistas, como a da China e a de Cuba, vários livros deixam de mencionar o caráter opressivo e ditatorial desses regimes. Além disso, a ideologia leva alguns autores a publicar informações erradas, como dizer que a globalização aumentou a pobreza mundial (Mansur, Vicária e Leal, 2007)”.

Além de uma ênfase dada aos escritos socialistas e comunistas, o mais assustador é a quantidade de informações ou omitidas ou desonestas. Isso é um crime contra essas crianças, pois estas recebem conteúdo distorcido, incompleto ou essencialmente fraudado. Nesse sentido, não estamos preparando nossos alunos a partir de conteúdos sólidos e verdadeiros, e sim, com base em ideologia e alienação marxista. Não há, portanto, a dialética, o contraditório, e sim um discurso unilateral e superficial.

Em uma análise histórica, Diniz Filho (2010) assinala que a doutrinação na historiografia brasileira é bem nítida dos anos de 1930 em diante. Para se garantir uma “unidade nacional” e “educacional”, Getúlio Vargas impõe as chamadas ideologias nacionalistas, tão conhecidas em países como Alemanha e Itália. Nesses moldes, tal sistema educacional viria a se consolidar efetivamente no Estado Novo. Conforme Diniz Filho (2010):

“Para além de combater o regionalismo, o sistema de ensino era visto como meio para favorecer a aceitação popular à ditadura e impedir a formação de enclaves estrangeiros dentro do país. Na época, boa parte da colônia teuto-brasileira dos estados do Sul foi influenciada pelo nazismo, tendo havido, em certas áreas, a implantação de sistemas próprios de educação básica em língua alemã e a formação de associações esportivas e culturais que visavam manter a identidade étnica do grupo e difundir o culto ao III Reich (Diniz Filho, 2010, p. 2)”.

O que observamos na ditadura de Getúlio Vargas (entre 1937 e 1945) é um verdadeiro combate ao regionalismo e uma centralização educacional por meio das escolas, rádios e cinemas. Nos padrões do nazismo e do fascismo, a doutrinação era voltada para o impedimento das influências estrangeiras, ou melhor, de certas influências estrangeiras, mas não de todas. As culturas e as tradições alemã e italiana, por exemplo, eram extremamente valorizadas.

Nos anos de 1964 a 1985, Diniz Filho (2010) assinala a luta dos professores esquerdistas contra o Regime Militar. Criava-se segundo o autor, no caso da Geografia, uma Geografia crítica e radical. Durante a redemocratização, estas correntes “críticas” se intensificaram:

“No contexto da redemocratização, esse desenvolvimento das abordagens críticas no ensino de geografia passou a ser sancionado e fortalecido pelo próprio Estado. O uso da expressão “geografia crítica” tornou-se oficial nos níveis de ensino fundamental e médio, com a reforma educacional promovida a partir da proposta elaborada pela Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas – Cenp do governo do estado de São Paulo, na gestão do governador Franco Montoro (de 1983 a 1987) (Diniz Filho, 2010, p. 5)”.

Daí para frente, a influência marxista nas escolas basicamente se oficializou por meio dos livros didáticos. Diniz Filho (2010) lembra uma pesquisa realizada pelo Instituto CNT, pela qual apresenta um assombroso índice de citações dos ícones da esquerda mundial, Che Guevara; Lênin e Hugo Chávez.

Em livros didáticos como o do professor José W. Vesentini, algumas inverdades são constatadas:

  • Desenvolvimento e subdesenvolvimento são resultados inerentes ao comércio internacional, constituindo duas faces da mesma moeda (1998);
  • O crescimento econômico e o bem-estar social vigentes nos países desenvolvidos são em parte explicados pela exploração dos países do Terceiro Mundo (1998; 2005);
  • O capitalismo brasileiro deixou os pobres mais pobres e os ricos mais ricos (1998; 2005);
  • A produtividade agrícola só aumenta nas culturas de exportação, ocasionando fome (1998).

No livro Educação Física e Regime Militar: Uma Guerra contra o Marxismo Cultural, também é possível observar tal doutrinação:

“Os livros ou artigos que discutem a educação física durante o regime militar se apresentam unidos por uma forte convicção, arrisco dizer, uma convicção meramente ideológica e parcial da história, pura doutrinação marxista” (Garcia, 2015, p. 17).

Para se ter uma ideia, atualmente é praticamente um consenso entre os “intelectuais” da área que as práticas docentes realizadas ao longo da história da Educação Física, sobretudo aquelas durante o Regime Militar, devem ser, de fato, abolidas dos livros.

Estes são alguns exemplos encontrados em livros didáticos ou artigos científicos que influenciam milhares de alunos no Brasil. De tal modo, Diniz Filho (2010) levanta uma problemática persistente na educação brasileira: a falta de um ensino de qualidade. Como ter qualidade por meio da doutrinação nas escolas?

Responder a esta questão é exatamente o que os projetos que buscam pluralidade dos conhecimentos visam cumprir com base no Programa Escola Sem Partido[7], em seu item III. “A educação nacional atenderá aos seguintes princípios: liberdade de aprender e de ensinar”, ou seja, não há nenhuma censura imposta na carreira do professor, muito pelo contrário, como bem adverte o prof. Olavo de Carvalho. Essa censura é imposta ao sistema educacional brasileiro como ele se apresenta hoje. É o que estamos acostumados a presenciar desde os bancos escolares do ensino básico até o universitário. Professores doutrinadores que só transmitem um referencial teórico – o marxista. De tal modo, os projetos inspirados no Movimento Escola Sem Partido rompem exatamente com este pseudo-consenso, proporcionando, conseqüentemente, um verdadeiro pluralismo de ideias a serem discutidas com os alunos. Muitos projetos como, por exemplo, o do senador Magno Malta, visam a acabar com o radicalismo e a doutrinação nas escolas, acabar com a censura de autores e acabar com a ditadura imposta pelo marxismo cultural.

REFERÊNCIAS

CORREIA, M. A. Doutrinação: a influência do pensamento gramsciano na geografia crítica escolar brasileira.Doctoral dissertation, Universidade Federal do Paraná, 2015.

DINIZ FILHO, L. L. A doutrinação no ensino brasileiro de geografia. Conhecimento Prático Geografia, São Paulo, p. 08 – 17, 01 nov. 2010. http://www.livrepensamento.com.br/A_DOUTRINACAO_NO_ENSINO_BRASILEIRO_DE_GEOGRAFIA.pdf

FREIRE, P. A Alfabetização de Adultos: É ela um Que Fazer Neutro? Revista Educação & Sociedade, Cortez & Moraes, São Paulo. n. 1, setembro e 1978.

GARCIA, A. B. Educação Física e Regime Militar: Uma Guerra contra o Marxismo CulturalJundiaí, Paco Editorial: 2015.

GIULLIANO, T. (Org) Desconstruindo Paulo Freire. 1ª Ed. – Porto Alegre: História Expressa, 2017.

MANSUR, A.; VICÁRIA, L.; LEAL, R. O que estão ensinando às nossas crianças? Época, n. 492, 22 out. 2007. http://revistacrescer.globo.com/Revista/Crescer/0,,EMI12698-15565,00-O+QUE+ESTAO+ENSINANDO+AS+NOSSAS+CRIANCAS.html

DOCUMENTOS CONSULTADOS

http://www.programaescolasempartido.org/anteprojeto-estadual/

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm

Agradecimentos ao Dr. Miguel Nagib, pelas observações e correções.

[1] http://www.programaescolasempartido.org/pl-federal/

[2] http://www.programaescolasempartido.org/pl-federal/

[3] http://www.programaescolasempartido.org/municipal/

[4]http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm

[5] http://www.programaescolasempartido.org/pl-federal/

[6] http://www.programaescolasempartido.org/pl-federal/

[7] http://www.programaescolasempartido.org/pl-federal/

*Sobre o autor: Alessandro Barreta Garcia é mestre em educação e autor do livro: Educação Física e Regime Militar: Uma Guerra contra o Marxismo Cultural.

Fonte: Gazeta do Povo

 

O liberalismo: um compromisso acima de qualquer envergadura ideológica

Os liberais brasileiros precisam é de uma agenda, de um programa mínimo acerca da “boa sociedade”, para usar da expressão de Walter Lippman, e não de uma “ideologia”, que não fará senão trair o liberalismo (BARROS, 1992, p.93).

A citação acima, do Prof. Roque Spencer Maciel de Barros no artigo Liberalismo e ideologia, de 1989, serve muito para que reflitamos sobre a atual situação do debate liberal dentro do nosso país. Com essa já prolongada crise, que passa pela esfera econômica e representativa, a discussão das ideias liberais muito se reavivou – algo que também aconteceu com destaque entre o final da década de 1980 e o início da década de 1990, com a queda do Muro de Berlim, o fim da Guerra Fria e a derrocada do socialismo real. Movimentos liberais mais ou menos isolacionistas dentro de seus objetivos surgiram e utilizam as redes sociais como grandes ferramentas de divulgação de suas mensagens. Porém, além de tudo o que já foi debatido: limites da atuação do Estado na esfera econômica, estímulos à atividade empreendedora e outros possíveis temas, é importante refletirmos um pouco mais minuciosamente acerca do liberalismo e do que caracteriza uma ideologia, considerados tout court. Eles se diferem ou se igualam? Quais fronteiras nós podemos traçar entre eles? Se realmente se diferem, o que os distingue em suas pretensões? Neste mês e tendo em vista também o processo eleitoral, é claro, vale a pena nos ocuparmos desse assunto bastante instigante.

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