BOKO HARAM passa batido pela militância?

Que tal os manifestantes pela causa afrodescendente criticarem o avanço do totalitarismo jihadista do Boko Haram na Nigéria, ao invés de ficarem enchendo o saco de quem quer assistir ao filme Pantera Negra porque é branco e “não deveria estar ali”? Quem é que deve estar onde é uma questão individual, mas quem não deve estar em algum lugar é quem ameaça e oprime a integridade alheia, como este grupo terrorista que só por ser formado por negros muçulmanos não merece o repúdio de nossos militantes idiotas e ressentidos contra a Civilização Ocidental.

CF. https://www.terra.com.br/noticias/mundo/ataque-do-boko-haram-em-escola-deixa-50-jovens-desaparecidas,3e51cd1e1e0d45ea825bcbb4d0b3046falxrsxrq.html

GRUPO TERRORISTA BOKO HARAM SEQUESTRA, OPRIME, ESTUPRA E MATA E NOSSOS MILITANTES BRASILEIROS DA CAUSA NEGRA AFRODEPENDENTE SE CALAM? PODE ISSO, ARNALDO?

Anselmo Heidrich

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Ciro Gomes, o Japão e o desarmamento

Recentemente a página do Facebook “Time Ciro Gomes” publicou um infográfico comparando a política de controle de armas e os seus respectivos resultados nos EUA e no Japão. A imagem dá a entender que a alta taxa de homicídios nos EUA se deve ao grande número de armas possuídas legalmente no país, enquanto o Japão logrou uma baixa taxa de homicídios proibindo o porte.

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Mas há dois problemas com essa comparação:

  1. Por que comparar com o Japão e não com o Brasil? No Brasil o porte de armas é restrito também. Só que este exemplo não serve pois no Brasil a taxa de homicídios é praticamente o dobro da americana, o que ficaria mal para o viés de auto-serviço e “cherry picking” da página.
  2. Países onde o federalismo é forte, como Estados Unidos e Suíça, não podem ser comparados como unidades inteiras em temas como controle de armas ou legalização das drogas, do contrário você terá uma imagem distorcida dos efeitos das leis. A melhor maneira de saber se o desarmamento civil funciona não é comparando os EUA com o Japão, é comparando os estados dos EUA onde o porte de arma é legal com o Japão ou, melhor ainda, com os estados dos EUA onde o porte de armas é ilegal. Como esta comparação demonstraria cabalmente que a correlação entre porte legal de arma e homicídios é negativa, também não servia.

Ou seja, a página apoiadora do Ciro Gomes já tinha uma opinião formada sobre a política de controle de armas, independente dos fatos, só precisava de uma imagem narrativa para reforçar a sua crença, totalmente irracional, de que desarmar o cidadão vai reduzir os crimes violentos no país.

Ditaduras e guerrilhas socialistas geram instabilidade e ameaça de guerra na América do Sul

O agravamento da crise econômica e social venezuelana gerou uma crise humanitária na fronteira entre o país e seu vizinho, a Colômbia. A Colômbia é o país que mais acolhe imigrantes venezuelanos, que fogem do seu país de origem cruzando a fronteira por terra. Atualmente o número de venezuelanos no país vizinho supera os 450.000. Boa parte dos venezuelanos, na prática, emigra em condição de refugiado. Para o ressentido governo socialista da Venezuela, porém, o país vizinho é o seu inimigo ideológico número um. Recentemente, devido ao aumento de fluxo de imigrantes, a Colômbia resolveu adotar medidas migratórias mais estritas.

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Mas a relação entre os dois países já está amargada há um bom tempo. Ao longo dos últimos anos, a Venezuela vem repetidamente violando a fronteira e realizando incursões e reconhecimentos militares em território colombiano por terra e ar, desrespeitando a soberania do vizinho. Em agosto de 2015, o ditador venezuelano mandou demolir casas de colombianos que habitavam o “seu” lado da fronteira, forçando mais de mil e setecentas pessoas a retornar à Colômbia com uma mão na frente e outra atrás. E mesmo após esta série de desaforos militares e diplomáticos, nesta última terça-feira dia 13 de fevereiro o fiscal geral da Venezuela, Tarek William Saab, em um discurso inflamado e caricato a la Hitler, acusou a Colômbia de estar planejando invadir o seu país. Ao que tudo indica, é o contrário: a Venezuela é que está ensaiando um conflito com o país vizinho, e já provou o terreno vários vezes. É a desculpa perfeita para um “ataque preventivo”.

Além de ter de lidar com a ditadura do troglodita Nicolás Maduro, a Colômbia ainda precisa lidar com outras duas ameaças militares: a interna do ELN, grupo terrorista que domina parte do seu território; e a externa da Nicarágua que está de olho no arquipélago de San Andrés e certamente aproveitaria um conflito na região para se apoderar das ilhas. Ao que parece, a “revolução bolivariana” e seus aliados pretendem derramar ainda mais sangue na região.


ADENDO:

Lista incompleta de abusos militares e diplomáticos recentes da Venezuela contra a Colômbia:

2014
Outubro – Guarda Nacional da Venezuela invade território colombiano
Novembro – Nova incursão da Guarda Venezuelana em território colombiano

2015
Agosto – Venezuela demole casas e desaloja milhares de colombianos à força
Setembro – Aeronaves venezuelanas invadem o espaço aéreo colombiano

2016
Abril – Outra invasão da Guarda Nacional Bolivariana à Colômbia

2017
Março – Mais tropas venezuelanas invadem território colombiano
Novembro – Confirmada nova incursão militar venezuelana na Colômbia
Dezembro – Ministério de Relações Exteriores da Colômbia investiga incursão militar venezuelana

2018
Fevereiro – Fiscal geral da Venezuela acusa a Colômbia de planejar uma invasão

O mito do referencial, a vida social e a ciência moderna: algumas considerações popperianas

Resumo

Este artigo terá como objetivo discorrer brevemente sobre alguns fatores relevantes para o crescimento da influência do mito do referencial na vida social e no campo da pesquisa científica. Esse mito, de acordo com Popper, é o que sustenta o relativismo contemporâneo, isto é, a doutrina segundo a qual a verdade é relativa ao nosso referencial ou formação intelectual (POPPER, 2008). Encerraremos apontando alguns perigos relacionados a essa postura relativista quanto ao status da ciência como atividade liberalizadora ou de profuso debate racional; realçando a importância da manutenção de uma noção de verdade objetiva.

Introdução

O mito do referencial, segundo Popper, constitui-se de “[…] uma falsa história amplamente aceita […]” (POPPER, 2008, p.210). Essa história afirma que uma discussão racional frutífera é impossível a não ser que os seus participantes compartilhem um referencial comum de pressupostos básicos. De fato, conforme diz o filósofo austríaco, essa visão é demasiadamente difundida no meio social e não duvido de que o leitor até a aceita, ainda que inconscientemente. Porém, veremos que ela se centra em um erro que tem inviabilizado o debate racional de ideias e que, nos dias atuais, exemplos concretos não têm faltado.

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Os relativistas colocam diante de nós padrões de entendimento mútuo que são irrealisticamente elevados e que caso não sejam atendidos, o entendimento torna-se impossível. Popper, contrariamente, argumenta que com esforço e boa-vontade é possível um consenso de amplo alcance. Além do mais, todo esse esforço pode ser bem recompensado pelo que aprendemos, numa discussão, acerca dos próprios pontos de vista que sustentamos e também acerca daqueles que estamos dispostos a entender.

Por outro lado, o mito do referencial contém uma parcela de verdade, pois embora Popper sustente que é um grande exagero dizer que uma discussão racional é frutífera apenas se seus participantes compartilham um referencial de pressupostos, a discussão entre dois indivíduos que não compartilham um referencial sequer pode ser difícil. Da mesma forma, também será difícil se seus referenciais tiverem pouco em comum e, opostamente, mais fácil quanto maior a superposição deles.

Quanto à fecundidade do mito, argumentaremos, à luz da exposição popperiana, que uma discussão entre duas pessoas que compartilham um mesmo ponto de vista pode até ser agradável, mas não frutífera. Uma discussão será, assim, frutífera, quanto menos pressupostos o interlocutor e o locutor compartilharem. Poderemos até achá-la desagradável, mas, gradativamente, também podemos aprender a gostar dela.

Assim procedendo, relacionaremos essa discussão crítica do mito do referencial ao método científico e mostraremos que apesar de os nossos pontos de vista sobre o mundo estarem impregnados de teoria, tal fato não nos impede de avançar para teorias ainda melhores; o que realça a importância da discussão crítica das teorias, tradição fundada pelos filósofos pré-socráticos. Concluiremos ressaltando a importância da noção de verdade objetiva no contexto atual de modismos e pressão social que acabam influindo no trabalho dos cientistas.

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Hayek sobre as origens socialistas do nazismo

Artigo original de Byron Chiado, publicado em inglês no seu blog. Para ler o artigo original, clique aqui.

poster nazista trabalhador

O Caminho da Servidão, de F.A. Hayek, é um dos livros mais envolventes e acessíveis na tradição econômica austríaca. A maior parte do livro constrói o argumento de que o planejamento central e o intervencionismo inevitavelmente levam ao autoritarismo, em uma linguagem clara e simples que influenciou a venda de mais de 350.000 cópias da obra.

Ao final do livro, ele se dirige aos inegáveis autoritários do seu tempo e exibe o movimento nacional-socialista como um movimento construído sobre a aversão ao liberalismo. Nascido em Viena e educado na Universidade de Viena, Hayek se apoia em uma íntima educação na tradição socialista alemã para ilustrar suas origens como fundamentalmente antagônicas ao laissez faire, e especificamente seus proponentes mercantis ingleses. Ele inclui nesta linhagem o Partido Nazista, que estava no poder na época em que o livro foi escrito.

As doutrinas que guiaram os governantes na Alemanha desde a última geração não se opunham ao socialismo no Marxismo, mas aos seus elementos liberais, seu internacionalismo e sua democracia.

Seu primeiro estudo de caso é Werner Sombart, tido por Friedrich Engels como “o primeiro professor universitário alemão a ver, nos escritos de Marx, o que Marx realmente disse”.  Tendo realizado sua dissertação sobre Marx, Sombart promoveu e contribuiu ao programa marxista até 1909.

Ele fez mais do que qualquer outro para difundir as ideias socialistas e o ressentimento anti-capitalista de todos os matizes por toda a Alemanha; e se o pensamento alemão impregnou-se de elementos marxistas de uma maneira nunca antes vista até a Revolução Russa, isto foi em boa parte graças a Sombart.

Sombart, como muitos alemães do início do século XX, foi atraído pela proposta de uma guerra entre a Inglaterra e a Alemanha tendo como fundamento a ideia de que a Inglaterra havia perdido todo o instinto guerreiro em sua busca pela felicidade individual, o que ele via como uma doença contraída por uma sociedade construída sobre o comercialismo. O laissez-faire era uma ordem anárquica e anti-natural que produzia parasitas e mercadores desonestos, enquanto o conceito alemão de Estado derivava de uma aristocracia natural e heroica jamais redutível a esta baixeza.

O Estado alemão é a Volksgemeinschaft, ou “Comunidade Popular”, onde o indivíduo não tem direitos, só deveres. Hayek credita a formação desta linha de pensamento a Johan Fichte, Ferdinand Lasalle e Johann Karl Rodbertus, entre outros notáveis socialistas alemães.

Para Sombart, a guerra é a consumação do modo de vida heroico, e a guerra contra a Inglaterra é a guerra contra o ideal antagônico, o ideal comercial da liberdade individual e do conforto inglês, que em sua visão têm sua expressão mais desprezível nas lâminas de barbear encontradas nas trincheiras inglesas.

Ele continua o estudo com outro marxista, o sociólogo Johann Plenge, e seu livro que detalha o conflito entre as “Ideias de 1789” e as “Ideias de 1914”.  No livro de Plenge, 1789 e 1914: Os Anos Simbólicos na História da Mentalidade Política, o ideal de 1789 era a liberdade, e as ideias modernas de 1914 apoiam o ideal da organização. Plenge afirma, corretamente segundo Hayek, que a organização é a verdadeira essência do socialismo. Hayek afirma que todos os socialistas até Marx compartilhavam esta ideia, e que Marx tentou em vão abrir um espaço para a liberdade na sua moderna ideia alemã de uma grande organização.

Começando com a mesma linguagem liberal de Marx, Plengue paulatinamente abandonou o uso de termos liberais e burgueses, abraçando desavergonhadamente os domínios totalitários que atraíram a tantos líderes marxistas:

Já é passada a hora de reconhecer o fato de que o socialismo é uma política de poder, porque é organização. O socialismo precisa ganhar poder: jamais destruir o poder às cegas.

Hayek demonstra em seguida como um político do Partido Social Democrata, Paul Lensch, aplica uma análise marxista às políticas de planejamento e protecionismo industrial de Otto Von Bismarck:

O resultado da decisão de Bismarck no ano de 1879 foi que a Alemanha assumiu um papel revolucionário; ou seja, o de um Estado cuja posição em relação ao resto do mundo é a de representante de um sistema econômico mais avançado e mais elevado. Entendendo isto, devemos perceber que na atual Revolução Mundial a Alemanha representa o lado revolucionário, e seu maior antagonista, a Inglaterra, o contrarrevolucionário.

Esta unidade entre a identidade nacional prussiana e o projeto revolucionário socialista guia o pensamento de figuras importantes do Partido Nazista, como A. Moeller van den Bruck.  Hayek cita e parafraseia do seu livro Prussianismo e Socialismo:

“O antigo espírito prussiano e a convicção socialista, que hoje se odeiam como irmãos, são um só.” Os representantes da civilização ocidental na Alemanha, os liberais alemães, são “o exército inglês invisível, deixado atrás por Napoleão em solo alemão após a batalha de Jena”

Hayek fundamenta mais esta versão dos eventos, antes de alertar a Inglaterra de que o “socialismo conservador” em voga na época era uma exportação alemã, a qual, por razões que ele detalha ao longo do livro, inevitavelmente se tornará totalitária. É interessante notar que a obra foi escrita antes de que os grandes crimes do Holocausto viessem a conhecimento público e o regime nazista fosse universalmente execrado.

Esta não foi uma tentativa sensacionalista de provar seu argumento. Hayek costumava argumentar e demonstrar comedidamente o tipo de governo que se poderia esperar de uma sociedade que abriu mão do liberalismo em troca do planejamento. Os alertas mais extremos de Hayek em O Caminho da Servidão terminaram se tornando realidade no caso da Alemanha dos anos 1940.


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MENTIRAM PARA VOCÊ SOBRE A EDUCAÇÃO FÍSICA NO REGIME MILITAR

Por: Alessandro Barreta Garcia; Eduardo Francisco Clementino. Professores de educação física

É patente à maioria da sociedade que há uma doutrinação ideológica na educação brasileira, mas são raras as menções das táticas e estratégias usadas pelos professores de educação física para doutrinarem seus alunos. O presente texto dispõe-se a trazer à tona tais manobras.

É patente à maioria da sociedade que há uma doutrinação ideológica na educação brasileira, mas são raras as menções das táticas e estratégias usadas pelos professores de educação física para doutrinarem seus alunos. Tal doutrinação, de viés esquerdista, ocorre no âmbito da história da educação física e chega às escolas, por exemplo, com o discurso de demonização da técnica e do esporte tradicional.

A partir do fim do regime militar em 1985 (Garcia, 2015), tivemos novas discussões concernentes à forma à qual a educação física dever-se-ia apresentar-se na educação básica. Ondas marxistas e neomarxistas vicejavam a educação brasileira e o resultado foi à entrada incisiva do marxismo cultural no esporte (marxismo cultural é a mudança do marxismo clássico que pegava em armas para um marxismo ideológico que substituiu as armas pela infiltração de intelectuais orgânicos em todas as esferas da sociedade).

A teoria crítica surgiu opondo-se ao que os autores chamam de educação mecânica, vista como uma espécie de ferramenta de controle ideológico, sendo implantada pelos militares no período do regime militar. Na lógica dos autores, como todo bom marxista acredita que toda análise histórica pode ser vista pela ótica econômica, és o que Marx e Engels chamavam de determinismo econômico, ou seja, a interpretação da história da sociedade a partir do aspecto material.

Frequentemente os autores correlacionam a educação técnica com os meios de produção, sendo o tecnicismo um meio para produzir cidadãos passivos e escravos do capitalismo. Quando se fala em didática da educação física, autores como Taborda de Oliveira, entre outros, sempre tendem a atrasar os fatos, quando não, os ignora.

Taborda de Oliveira (2003), afirma que o primeiro texto subsidiando a prática profissional da educação física escolar, surge em 1971, denominado “Programa de Educação por Temporada”; conforme o autor, este texto surge devido à necessidade do banimento da improvisação (aulas não sistematizadas, sem sequenciamento pedagógico).

O programa de Educação Física por Temporada empresta sua denominação das competições esportivas. Refere-se a uma forma de organização do trabalho pedagógico de Educação Física em que cada período de tempo (mês, bimestre, trimestre ou outros) se desenvolve determinada modalidade esportiva. Daí resultou a tradicional forma de organização da Educação Física escolar. (Taborda de Oliveira, 2003, p. 173)

Entretanto, conforme Faria Junior (2014), o programa por temporada surge para o professor de educação física na década de 60, tendo como idealizador Julio Mazzei no qual publica em 1960, o livro “Novas Concepções do Programa por Temporada”, que volta a ser publicado junto a uma coleção em 1967, coleção denominada de “Cultura, Educação, Educação Física, Esportes e Recreação”. Como continuidade do programa por temporada, surge sob o comando do professor Alfredo Gomes de Faria Junior a ideia de programa por unidades didáticas.

No período de 1975 a 1978, foi concebido o documento denominado “Segundo Plano de Educação”, nesse documento se estabeleciam os núcleos comunitários — instituições educacionais regidas por três estruturas integradas de ensino: a unidade de educação, a unidade de saúde e a unidade social (Henklein; Silva, 2012).

Segundo Henklein e Silva (2012), “neste documento pode-se notar uma política educacional mais ampla, que pretendia abarcar também a comunidade”.

Assim como Taborda de Oliveira, Henklein e Silva também atrasam os fatos, campeonatos estudantis já existiam pelo menos desde 1941, se isto não é integrar a comunidade, não sei mais o que é (Campeonato Intercolegial de Educação Física, 1941).

Após a queda de o governo militar fez-se necessário uma “renovação” da educação física escolar; podemos notar o erro inicial da renovação, conforme Henklein e Silva (2012), os profissionais de educação física não foram convocados a participar do novo referencial, mas sim pedagogos que nada entendem de motricidade humana. Para Ulrich Celeste (1977): “A Educação Física encontra-se nos movimentos planejados de um indivíduo; movimentos que são estruturados quanto à forma, sensação e resultado”.

Convocar pedagogos para debater sobre o destino educacional da educação física parece-me que as aulas desta área de conhecimento eram consideradas uma ocasião de juntar certo número de alunos, a qual qualquer adulto pode mantê-los afastados de travessuras. Desconfio que ainda sejam assim consideradas, haja vista que algumas escolas particulares optam por pedagogos ministrarem as aulas de educação física.

Ainda segundo Henklein e Silva (2012), nesse novo documento datado entre os anos de 1975 e 1985, é possível constatar uma “nova” proposta na educação básica o chamado programa de educação física por temporada.

As autoras do artigo aqui exposto enaltecem a superioridade deste novo texto em relação ao anterior salientando que é “uma sofisticação do papel da escola, que não se restringiu somente ao aluno, mas também ao meio em que estava inserido” (Henklein; Silva, 2012).

É possível notar uma grande falácia nesta argumentação, pois o programa por temporada desenvolvido por Julio Mazzei (Faria Junior, 2014) já propunha a partir da divisão do ano letivo em temporadas, ou seja, por esportes. O programa por temporada propiciava a prática dos esportes mais tradicionais do país, assim valorizando a cultura do aluno. Este programa tinha um teor mais esportivo, mas não somente esportivo, nota-se a sua superioridade em relação ao atual programa, pois o mesmo compreendia que o processo de aprendizagem é complexo e lento, “não sendo possível assim, do “nada saber” aos domínios das habilidades desejadas com uma aula, por mais “magistral” que esta tenha sido” (Faria Junior, 1969, p.206).

Em 1975 surge o “Programa de Educação Física e Recreação Orientada”, material que fora reunido por profissionais da educação física, tornou-se uma espécie de tratado da educação física, propondo um plano que abrangia todo o estado de Curitiba. Henklein e Silva (2012), afirmam que este programa teria um viés biológico, incorporado às ideias de meritocracia, da hierarquia, do individualismo, da ordem, que são características típicas do esporte, mas para as autoras isto parece ser algo nocivo no meio escolar.

Outro ponto enaltecido por Henklein e Silva (2012) é a metodologia aplicada no programa, uma formação pautada na pedagogia tecnicista dos profissionais de educação física da época refletia na escolha do melhor método a ser utilizado no processo de ensino-aprendizagem. As autoras mencionam o nome que fora atribuído ao programa “A BÍBLIA”, com certo tom de jocosidade, como se o cristianismo, assim como a pedagogia tecnicista a elas fosse um meio de controle social.

O programa por temporada, proposto por Julio Mazzei, propiciou a difusão do desporto no âmbito escolar. O programa por temporada evoluiu para o trabalho por unidades didáticas mais de acordo com a filosofia do humanismo (Faria Junior, 2014).

Mas, mesmo sendo o idealizador do programa por temporada, o nome de Julio Mazzei não é mencionado uma vez sequer no trabalho de Henklein e Silva; é uma absoluta falta de compromisso com a verdade. Uma tentativa descarada de omitir a verdade.

Segundo Faria Junior (2014), “No Programa por Temporada predominavam os desportos, enquanto que no Trabalho por Unidades Didáticas ao desporto somavam-se outras unidades, como as Danças, à Ginástica Feminina Moderna, o Folclore”.

Desta forma podemos notar que a valorização da cultura do discente, a diversidade de práticas corporais e o respeito às limitações dos alunos já estavam presentes na educação física desde a década de 60, período que antecede o regime militar.

Logo, é uma falácia pregar um evolucionismo da educação física da escola nova da década de 80, Henklein e Silva tentam atribuir qualidades de uma nova abordagem da educação física que na verdade não tem nada de novo.

REFERÊNCIAS

CAMPEONATO INTERCOLEGIAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA. Departamento de Educação: Departamento de Educação Física — Prefeitura Municipal de Santos, 1941.

CARVALHO, O. Do marxismo cultural. O Globo, 8 de junho de 2002. Disponível em:<http://www.olavodecarvalho.org/do-marxismo-cultural/> Acesso em: 10 dez. 2017.

FARIA JUNIOR, A. G. DE. Os currículos de educação física e o ensino por unidades didáticas. Corpus Sci, Rio de Janeiro, v. 10, n.2, p. 16–32, jun/dez. 2014.

GARCIA, A. B. Educação física e regime militar: uma guerra contra o marxismo. Jundiaí: Paco Editorial, 2015.

HENKLEIN, A. P, et al. Do tecnicismo ao discurso crítico: a educação física nos documentos da rede municipal de ensino de Curitiba (1968–1997). Revista Mackenzie de Educação Física e Esporte, v. 10, n. 2, 2012.

ULRICH, C. O. D. Educação Física: manual de princípios para estudantes de educação física. São Paulo: Universidade de São Paulo, 1977.

FARIA JUNIOR, Alfredo Gomes de. Introdução a Didática de Educação Física. Brasília, DF: MEC, 1969.