O Sonho Americano

De 2008 pra cá, muita coisa foi dita a respeito da crise financeira, mas pouco foi explicado. Quando alguém se metia a explicar, dizia que o vilão era Capitalismo e que a culpa era do Estado não estar controlando a economia, e outras mentiras. Mentiras? Você deve estar se perguntando e eu respondo para você leitor: Sim, mentiras.

O que não mostram, talvez por ignorância ou má fé, é que a crise começou não por falta de controle Estatal na economia, e sim por excesso dele. A animação The American Dream (O Sonho Americano) explica de forma simples, bem humorada e prática o que a mídia não conseguiu desde 2008: explicar de uma forma correta como e porquê surgiu a bolha e quem a fomentou.

The American Dream foi produzido por Tad Lumpkin e Harold Uhl e lançado em 2010, mas só ganhou destaque esse ano, apesar de ser um desenho que mostra como é perigoso a relação Estado-Bancos, o mal que o Federal Reserve (Banco Central americano) faz aos EUA e quem está por trásdele. Também aponta soluções de viés libertário, fonte da qual os Founding Fathers beberam.

Parte 1: http://www.youtube.com/watch?v=UzyyUKXE_N4

Parte 2: http://www.youtube.com/watch?v=d_8SXZxPWq0

Parte 3: http://www.youtube.com/watch?v=-ot7juRuPVY

O que é a Lei? (por Frédéric Bastiat)

Frédéric Bastiat, político e economista francês.

“O que é, então, a Lei? É a organização coletiva do direito individual da legítima defesa.

Cada um de nós tem o direito natural – dado por Deus – de defender a sua pessoa (vida), a sua liberdade e a sua propriedade. Estes são os três elementos básicos da vida, e a preservação de qualquer um destes é completamente dependente da preservação dos outros dois. Pois o que são as nossas faculdades senão a extensão de nossa individualidade? E o que é a propriedade senão uma extensão de nossas faculdades?Se cada pessoa tem o direito de defender – mesmo que pela força – sua pessoa, sua liberdade e sua propriedade, segue que um grupo de homens tem o direito de organizar e manter uma força comum para proteger estes direitos constantemente. Por isto o princípio de direito coletivo – sua razão de existir, sua legitimidade – é baseado no direito individual. E a força comum que protege este direito coletivo não pode logicamente ter qualquer outro propósito ou missão que aquela pela qual age como substituta. Assim, sendo que um indivíduo não pode legalmente usar a força contra a pessoa, a liberdade ou a propriedade de outro indivíduo, então a força comum – pelo mesmo motivo – não pode legalmente ser usada para destruir a pessoa, a liberdade ou a propriedade de outros indivíduos ou grupos.

Tal perversão da força seria, em ambos os casos, contrária à nossa premissa. A força nos foi dada para defender nossos próprios direitos individuais. Quem ousaria dizer que a foça nos foi dada para destruir os direitos iguais de nossos irmãos? Uma vez que nenhum indivíduo agindo separadamente pode legalmente usar a força para destruir os direitos de outros, não segue logicamente que o mesmo princípio também se aplica à força comum, que nada mais é que a combinação organizada de forças individuais?

Se isto é verdade, então nada pode ser mais evidente que isto: A lei é a organização do direito natural da legítima defesa. É a substituição das forças individuais por uma força comum. E esta força comum é para fazer somente o que as forças individuais tem o direito natural e legítimo de fazer: proteger pessoas, liberdades e propriedades; manter o direito de cada um, e fazer reinar sobre nós a justiça.”

Capítulo II do livro A Lei, de Frédéric Bastiat. Para ler o livro todo, clique aqui.

A demência espacial e as ditaduras de esquerda

Fidel Castro, ex-senhor feudal da “democracia” cubana.

São várias as explicações que se dá à demência espacial. Uma delas é a de que o ser humano, na imensidão do espaço sideral, sente-se insignificante perto da grandiosidade daquilo que o rodeia, caso deixado muito tempo no espaço. Os sintomas podem variar, sendo um deles um impulso suicida. A existência dessa doença é questionada, mas é presente na ficção científica. E esse é apenas o primeiro ponto em comum com os delírios esquerdistas, a ficção. Mais sobre isso depois.

A implantação de qualquer regime autoritário de esquerda segue um roteiro curioso, quase sempre comum. Normalmente são insurgências contra regimes autoritários. Pode parecer bom em um primeiro momento, mas é aí que mora o maior perigo. “Em nome da democracia” a população é convocada. E ao desejo por democracia, a população responde. E em torno do ideal democrático o ideal revolucionário ganha corpo. A partir desse momento a democracia torna-se apenas um detalhe. A revolução ganha um corpo tão grande que tudo passa a ser sacrificado em seu nome: inclusive a democracia. Pode-se inferir do pensamento de Edmund Burke que o ideal democrático, se não convertido em instituições e ações sociais concretas, seria apenas uma palavra que levaria a população em direção ao caos¹. E exatamente isso acontece. Mesmo após a implantação de uma ditadura Lenin dizia que a URSS era “muito mais democrática” que qualquer nação ocidental. Fica claro que o significado da palavra se perdeu, mas mesmo assim continua sendo usado para manipular a população ao caos que se desejar.

Junto com a revolução crescem outras figuras: O Estado, o líder da revolução, os mártires da revolução. O Estado passa a interferir em cada aspecto da vida do “cidadão”, evitando assim colocar em risco a revolução. Qualquer coisa que não cheirar a revolução é duramente reprimida. Então aqueles que primeiro a trouxeram à tona passam a ser obrigatoriamente glorificados: ganham porte de gigantes. Não fosse o inconveniente, provavelmente teriam verdadeiros colossos em sua homenagem.

Mas isso não basta. Para a submissão total do indivíduo ao coletivo é necessário que o Estado demonstre poder. Marchas militares são comuns para que fique clara a força que paira sobre o cidadão. A violência do Estado, em nome da revolução, passa a ser banal, afinal de contas, o indivíduo é agora insignificante.

E, assim como o homem que por muito tempo é esquecido no espaço, o indivíduo é agora minúsculo quando comparado com as grandes estrelas da revolução e do Estado. A imensidão da coletividade o engole e, ciente de sua insignificância, ele agora está pronto para oferecer tudo em nome de seu melancólico ideal: sua vida, sua família, seus amigos. Tudo ocorrendo numa verdadeira demência coletiva, impregnada pelo medo, com apenas um destino possível: o caos.

¹ Pires Ferreira, Lier; Guanabara, Ricardo; Lombardo jorge, Vladimyr: Curso de Ciência Política – Grandes autores do pensamento político moderno e contemporâneo; 2ª edição;

A Teoria Materialista da História

Texto “A Teoria Materialista da História”, de Gilbert Keith Chesterton:

A teoria materialista da história – que afirma que toda a política e a ética são expressões da economia – é uma falácia, de fato, muito simples. Ela consiste, simplesmente, em confundir as necessárias condições de vida com as normais preocupações da vida, que são coisas muito diferentes. É como dizer que porque o homem pode andar somente sobre duas pernas, então, ele só pode caminhar se for para comprar meias e sapatos. O homem não pode viver sem os amparos da comida e da bebida, que os suporta sobre duas pernas; mas, sugerir que esses têm sido os motivos para todos os seus movimentos na história é como dizer que o objetivo de todas as suas marchas militares ou peregrinações religiosas deve ter sido a Perna Dourada da Senhora Kilmansegg ou a perfeita e ideal perna do Senhor Willoughby Patterne. Mas, são esses movimentos que constituem a história da espécie humana e sem eles não haveria praticamente história. Vacas podem ser puramente econômicas, no sentido de que não podemos ver que elas façam muito mais do que pastar e procurar o melhor lugar para isso; e essa é a razão pela qual a história das vacas em doze volumes não seria uma leitura estimulante. Ovelhas e cabras podem ser economistas em suas ações externas, pelo menos; mas, essa é a razão das ovelhas dificilmente serem heróis de guerras épicas e impérios, importantes suficientes para merecerem uma narração detalhada; e mesmo o mais ativo quadrúpede não inspirou um livro para crianças intitulado Os Feitos Maravilhosos das Cabras Galantes.

Mas, com relação a serem econômicos os movimentos que fazem a historia do homem, podemos dizer que a história somente começa quando os motivos das ovelhas e das cabras deixam a cena. Será difícil afirmar que os Cruzados saíram de suas casas em direção a uma horrível selvageria da mesma forma que as vacas tendem a ir das selvas para pastagens mais confortáveis. É difícil afirmar que os exploradores do Ártico foram em direção ao norte imbuídos dos mesmos motivos materiais que fizeram as andorinhas ir para o sul. E se deixarmos, de fora da história humana, coisas tais como todas as guerras religiosas e todas a aventuras exploratórias audaciosas, ela não só deixará de ser humana, mas deixará de ser história. O esboço da história é feito dessas curvas e ângulos decisivos, determinados pela vontade do homem. A história econômica não seria sequer história

Mas há uma falácia mais profunda além deste fato óbvio; os homens não precisam viver por comida meramente porque eles não podem viver sem comida. A verdade é que a coisa mais presente na mente do homem não é a engrenagem econômica necessária a sua existência, mas a própria existência; o mundo que ele vê quando acorda toda manhã e a natureza de sua posição geral nesse mundo. Há algo que está mais próximo dele que a sobrevivência e esse algo é a vida. Pois, tão logo ele se lembre qual trabalho produz exatamente seu salário e qual salário produz exatamente sua refeição, ele reflete dez vezes que hoje é um dia lindo, ou que este é um mundo estranho, ou se pergunta se a vida vale a pena ser vivida, ou se seu casamento é um fracasso, ou se ele está satisfeito ou confuso com seus filhos, ou se lembra de sua própria juventude, ou ele, de alguma forma, vagamente revê o destino misterioso do homem.

Isso é verdade para a maioria dos homens, mesmo para os escravos assalariados de nosso mórbido industrialismo moderno, que pelo seu caráter hediondo e sua desumanidade tem, realmente, posto a questão econômica em primeiro plano. É muito mais verdade para os numerosos camponeses, caçadores e pescadores que constituem a massa real da humanidade. Mesmo aqueles áridos pedantes, que pensam que a ética depende da economia, devem admitir que a economia depende da existência. E nossos devaneios e dúvidas cotidianos são sobre a existência; não sobre como podemos viver, mas sobre porque vivemos. E a prova disso é simples; tão simples quanto o suicídio. Vire o universo de cabeça para baixo em sua mente e você virará todos os economistas de cabeça para baixo. Suponha que um homem deseje morrer e que o professor de economia se torne um tédio com sua elaborada explicação de como ele deve viver. E todas as iniciativas e decisões que fazem do nosso passado humano uma história têm esse caráter de desviar o curso direto da pura economia. Tal como o economista deve ser desculpado por calcular o salário de um suicida, ele deve também ser desculpado por prover uma pensão de aposentadoria para um mártir. Tal como ele não precisa se preocupar com a pensão de um mártir, ele não deve se preocupar com a família de um monge. O plano do economista é modificado por insignificantes e variados detalhes como no caso de um homem ser um soldado e morrer pelo seu próprio país, de um homem ser um camponês e amar especialmente sua terra, de um homem ser mais ou menos influenciado por qualquer religião que proíba ou permita isso ou aquilo. Mas tudo isso se resume não a um cálculo econômico sobre despesas, mas a uma elementar consideração sobre a vida. Tudo isso se resume ao que o homem fundamentalmente sente, quando ele contempla, dessas janelas estranhas que ele chama os olhos, essa estranha visão que ele chama o mundo.

Gilbert Keith Chesterton

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