Say

Jean-Baptiste Say inspirou-se para escrever o Tratado de Economia Política quando, ao trabalhar num escritório de seguros, leu uma cópia da obra de Adam Smith, A Riqueza das Nações. Seu Tratado, muitas vezes descrito como uma popularização das idéias de Smith, teve como ponto de partida a típica metodologia da Economia de sua época. Esse ponto de partida tinha por base a convicção de Say de que o estudo da Economia deveria começar, não com fórmulas matemáticas abstratas e análises estatísticas, mas com a experiência real do ser humano. Tal ênfase humanística resultou no destaque dado por Say ao papel do empreendedor na Economia. De fato, essa ênfase estava a primeira contribuição de Say ao campo da Economia.

Say estava certo de que o empresário era “necessário para pôr em movimento todo o tipo de indústria, qualquer que seja. Isso corresponde a dizer, a aplicação do conhecimento adquirido para a criação de um produto para o consumo humano.” Alguns fornecem a terra, outros, o capital, outros ainda, o trabalho. Mas somente o empresário – ou o “agente principal”, como Say por vezes o descreve – pode combinar esses fatores ao trazer ao mercado produtos que vão ao encontro das necessidades e desejos humanos. Além disso, ser um empresário “requer uma combinação de qualidade morais”, tais como “julgamento, perseverança e um conhecimento do mundo, bem como dos negócios.” Ele pode ser um planejador, um avaliador de projetos e um tomador de riscos. Por fim, “ao longo de tais operações complexas, há uma abundância de obstáculos a serem superados, de ansiedades a serem suprimidas, de desfortúnios a serem remediados, e de expedientes a serem idealizados.” Em suma, o empresário é um indivíduo raro, porém indispensável, que, na verdade, faz a economia funcionar.

Ainda que fosse popular em outros países, o Tratado de Say o pôs em conflito com Napoleão, que ficou furioso com a recusa de Say de baixar o tom das críticas às desastrosas políticas fiscais francesas. Essa disputa com o ditador francês, logo forçou Say a colocar sua teoria em prática. Foi afastado do governo francês e seu livro proibido. Destemido, Say usou a última palavra em tecnologia inglesa para criar uma tecelagem, que se tornou bastante lucrativa nos dez anos em que foi seu proprietário. Nesse meio tempo, Say e o Tratado chamaram a atenção de Thomas Jefferson e de James Madison. Madison acreditava ser o melhor livro sobre Economia jamais escrito. Jefferson convidara Say para ser professor de Economia Política na nova Universidade da Virgínia. Mas somente após 1814, com o exílio de Napoleão, que o Tratado pôde ser impresso novamente na França. O próprio Say foi indicado para o cargo de professor de Economia, inicialmente no Athénée, depois no Conservatoire des Arts et Metiers, e mais tarde, no Collège de France, onde ocupou a primeira cátedra de Economia Política.

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