Feliz 2014!

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Nunca foi tentado…

nunca foi tentado

Um momento critico: Por que a economia brasileira desandou?

Por Raduán Melo. Publicado originalmente no blog Atlas. Para ler o artigo original, clique aqui.

2013 é um ano que veio para nos ensinar muita coisa, e ainda falta um terço para o ano acabar. Certa vez, ouvi a seguinte metáfora: “O Brasil é como o dono preguiçoso de uma casa que está com a telha quebrada: quando faz sol ele diz que não precisa consertar a telha, pois a o buraco no teto está é iluminando o ambiente; quando chove, ele diz que não pode consertar agora por que é arriscado subir no telhado com chuva e quebrar mais telhas.” Infelizmente, não me recordo quem é o autor dessa genial comparação.

Era muito bom para ser verdade…

Em 2013 o modelo econômico brasileiro, que foi enaltecido por grande parte do mundo, ruiu. Não somos nem perto do que muitos economistas esbravejaram mundo afora. Embriagamo-nos com dívidas e estímulos ao consumo e rimos à toa com o torpor gerado. O Cristo Redentor sendo lançado aos céus como um foguete, na capa da The Economist, foi uma epifania para o povo brasileiro! Isso tudo foi há menos de 4 anos. Como tudo mudou, e rápido.

Após a crise de 2008, o governo deu início a um grandioso estímulo ao consumo. Apenas nos primeiros 6 meses de 2009, a taxa básica de juros foi reduzida em quase 40%. O crédito dos bancos públicos foi expandido em cerca de 30%, impostos foram cortados e gastos ampliados. O canhão anti-crise brasileiro foi poderoso, crescemos 7,5% em 2010 e chamamos uma crise que abalava o mundo inteiro de “marolinha”. O momento era tão bom, que se antes da crise (2006/2007) o consumo das famílias representava 63% do PIB, logo após a crise (2009/2010/2011) o consumo das famílias subiu para 66% de um PIB já maior! Conseguimos o toque de Midas, enquanto todos praguejavam contra a crise, consumíamos como nunca.

Depois vem a ressaca…

Para financiar tudo isso, uma boa dose de dívida pública foi adquirida. A Dívida Bruta brasileira, apenas de 2009 para 2012, cresceu mais de 10% sua proporção no PIB, chegando a incríveis 68,5% do PIB nacional. Para efeito de comparação, a dívida pública chinesa é de 21% do PIB e a mexicana 44%. Entre os emergentes ninguém supera a gente.

Isso poderia ser menos danoso, se boa parte dessa dívida não tivesse sido adquirida para financiar negócios empresariais no mínimo suspeitos, como as empresas do Grupo X do empresário Eike Batista, e a famosa política do BNDES de promover grandes conglomerados nacionais, algo que ficou longe de gerar os resultados esperados após um aporte de R$18 bilhões de reais.

Como se não bastasse o governo colocou em prática sua fé de que a economia pode ser pilotada, como se fosse um avião, e começou um excessivo microgerenciamento. Em uma semana cortava-se o imposto de um setor, na outra semana de outro, depois mudava-se as regras de concessão dos portos, mais algum tempo fixava-se o retorno dos investimento em algumas privatizações. Atualmente, é uma novidade intervencionista por semana. Com isso a simpatia do mundo com o Brasil foi diminuindo, e seus investimentos aqui também.

Como se não bastasse, concomitantemente adotamos uma política totalmente hostil ao capital externo, com aumento de tributações (IOF), o que freou a entrada de dólares no Brasil, reduzindo em até 40% apenas no primeiro semestre de 2012. E você quer saber o melhor? Isso não foi acidental, foi totalmente proposital. Munido do argumento da “guerra cambial”, onde os países lutam para ver quem desvaloriza mais sua moeda, o Brasil foi bloqueando como pode a entrada da moeda americana, valorizando o real.

A inflação

Todavia, o pior ainda estava por vim: a inflação. O estímulo exagerado ao consumo incomodou o dragão. Do final de 2012 até os dias de hoje, o brasileiro voltou a se preocupar com algo que há algum tempo já não lhe incomodava.

Eu tenho meu termômetro pessoal para medir a inflação. É o seguinte: qual período de cálculo da inflação é motivo para merecer as capas dos jornais. Em uma economia onde tudo ocorrer razoavelmente bem, isso ocorrer anualmente, com fechamento do exercício, justifica-se. O Banco Central trabalha como indicou que iria fazer e a inflação fica dentro da meta. Todavia, quando a o BC não trabalha correto, e essa diverge bem do centro da meta, a inflação mensal começa a ganhar uma notoriedade que antes não tinha, qualquer número acima de 0,6% (algo que parece irrisório para um leigo) já tira o sono de muita gente. Estamos chegando nesse nível, brigando com a inflação mensal. O pior patamar é quando a inflação semanal, ou até diária, passa a ter notoriedade. Nesse nível, a racionalidade econômica já passa longe.

E é nesse ponto que está o crítico momento brasileiro. O governo tentou tanto, que conseguiu: o dólar subiu no telhado e já está na casa dos R$2,40, e promete pressionar a inflação no segundo semestre.

O problema é que o estímulo ao crescimento não faz mas o efeito que fazia e o crescimento do PIB é pífio (0,9% em 2012). Como se não bastasse, e como consequência de tudo isso, o iBovespa patina em 2013, com perdas na casa de 20%. Empresários já batem na porta do governo querendo que seus setores também sejam contemplados por cortes de impostos (nessa hora todo setor vira estratégico).

O que fazer?

E agora, governo? Torrar as reservas para segurar o dólar, como fez essa semana, e deixar o país exposto? Ajudar as empresas privadas com mais crédito subsidiado e corte de impostos pontuais e mandar as favas o esforço fiscal do superávit primário? Expandir ainda mais o crédito, aumentando a embriaguez do mercado e gerando outro crescimento artificial ao mesmo tempo em que o dragão quebra o teto?

Ou seria melhor parar de achar que a economia é um avião que se pilota e deixar o mercado agir? Não precisamos de mais crédito, nem de menos, precisamos de um crédito real, respaldado em poupança. Não precisamos de um dólar mais alto, nem mais baixo, mas de um câmbio real, flutuando com o mercado. Não precisamos de empresas sendo salvas, precisamos de uma maior concorrência, para só ficarem no mercado aquelas empresas que realmente atendem bem ao consumidor. Não precisamos de um crescimento recorde do PIB, precisamos de um crescimento real e sustentável.

Desarmar quem?

Por Raduán Melo. Publicado originalmente no blog Atlas. Para ler o artigo original clique aqui.

Neste final de semana, nos Estados Unidos, mais precisamente no estado de Connecticut, 26 pessoas, 20 delas crianças, tiveram suas vidas encerradas subitamente por um ato covarde, provocado por um assassino de apenas 20 anos. O que faz alguém agir de forma tão brutal é inimaginável à razão humana. Infelizmente, somos obrigados a pensar que pessoas más existem, e cabe a todas as outras fazer algo para que elas não obtenham poder de destruição.

A pergunta é “como?”. Procuramos sempre uma solução simples e rápida, que magicamente resolveria todos os problemas. Nesse caso a preferência de grande parte da mídia, dos políticos e dos intelectuais, é culpar a ferramenta utilizada para concretizar o ato, uma arma de fogo. E não demora muito para começar a pipocar, em todos os meios de comunicação, novos apelos para desarmarmos a população civil, inclusive no Brasil. Como dizia o maior jornalista do século passado, H. L. Mencken: “Para todo problema complexo existe sempre uma solução simples, elegante e completamente errada.” Para esse grande problema, a solução errada é essa: desarmar a população civil.

Qualquer política de desarmamento simplesmente não funciona, porque privará da posse de armas apenas o cidadão de bem e isto é lógico. Existem três tipos de pessoas:

1- A que quer ter uma arma e vive à margem da lei;

2- A que quer ter uma arma, mas teme a lei (o cidadão);

3- A que não quer ter armas.

Políticas de desarmamento agem apenas sobre o segundo tipo. O primeiro, causador em potencial de assassinatos, já não respeita a lei. Qualquer obrigatoriedade legal de desarmamento, apenas retira da pessoa de bem seu direito de defesa.

O desarmamento da população civil já foi questão de referendo no Brasil, em 2005. Apesar da campanha milionária, com artistas, ONGs e tudo mais, a favor do SIM (favorável ao desarmamento), o NÃO teve uma vitória esmagadora no pleito, chegando a quase 2/3 dos votos válidos (mais precisamente 63,94%). Isso não bastou para o apetite de muitos governantes. O senador Cristovam Buarque, estimado por muitos como um defensor da educação e da cidadania, por meio do Projeto de Lei do Senado nº176/11, busca, simplesmente, revogar toda a votação feita em 2005 e “empurrar goela abaixo” do povo brasileiro o desarmamento. Senador, o Sr. deveria seguir o ordenamento jurídico e respeitar o resultado do pleito. O povo brasileiro sabe, e mostrou isso na urna, que não se pode confiar no estado para defender a sua vida e a de sua família.

Na América não existe relação entre o desarmamento e a redução de homicídios

Querer desarmar a população civil para resolver os problemas de violência, não é querer tapar o sol com a peneira, é pior do que isso. Não existe correlação nenhuma entre o percentual de uma população armada e mortes por armas de fogo. Segundo The Guardian: os Estados Unidos são de longe o país com maior população armada no mundo, com 88,8 armas a cada 100 mil habitantes, quase 60% a mais que o segundo colocado o Yemen que é seguido por Suíça e Finlândia, respectivamente. Quando observamos os dados acerca da taxa de homicídio por 100 mil habitantes vemos que o EUA ocupam a 28º posição, a Suíça a 45º e a Finlândia a 62º (o Yemen não possui dados concretos segundo a pesquisa). Para que o leitor não desprestigie os dados supracitados em virtude das boas condições de vida que esses países possuem, faz-se necessário revelar também os números do nosso vizinho Uruguai, que é o nono pais em população armada, mas só o 64º em homicídios por arma de fogo.

Na outra ponta da analise, temos os países com maior taxa de homicídio por armas de fogo: Honduras, El Salvador e Jamaica, com taxas de, respectivamente: 68,43; 39,9 e 39,4 homicídios a cada 100 mil habitantes. Seus rankings de população armada? Honduras é a 88ª , El Salvador a 92ª  e a Jamaica a 74ª.

E isso faz todo sentido! Quem assassina é o marginal, e não a arma na mão do cidadão de bem.

Falando do nosso caso, o Brasil está em 75º no ranking de população armada, e em 11º em homicídios com arma de fogo. Precisamos parar com essa simplicidade tola de querer resolver nosso grave problema de segurança com o cerceamento da liberdade individual de proteção e defesa. A defesa é um pilar básico da proteção à vida e à propriedade, o estado não possui autoridade moral para coagir o cidadão a ponto de retirar dele esse direito.

O nosso maior problema de segurança pública é a impunidade. Acompanhe qualquer programa policial e veja se grande parte das pessoas aprendidas em crimes hediondos já não foram autoras de outros crimes. No Brasil, o crime compensa: a chance de reação da vitima é cada vez menor, pela burocracia (ou futura proibição?) de se ter uma arma de fogo, e após o crime as chances dele ser solucionado são mínimas.   Temos o vergonhoso índice, segundo o Mapa da Violência 2011, de solucionar apenas 8% dos homicídios ocorridos nas glebas guaranis. Esse é o nosso maior estímulo à violência, e não armas de fogo nas mãos de cidadãos que precisam se defender. Em vez de tentar privar o cidadão de sua defesa, nossos legisladores deveriam estar mais ocupados em elaborar novos meios para colocar criminosos atrás das grades.

Não somos uma nação armada. Somos uma nação impune!