A Nascente, de Ayn Rand: o padrão moral entre o indivíduo e o coletivo

Ayn Rand, através de frases e ideias no livro

Ayn Rand tornou-se famosa por frases, discursos e ideias ditas pelos seus personagens no contexto de suas novelas.

Frases ditas pelo anti-herói do livro “A Nascente”, revelam intenções ocultas em meio à disputa pelo poder, a realidade do debate do coletivismo contra o individualismo e a apologia na pregação da igualdade contra a liberdade.

Ficam claros os objetivos da classe dominante: prover os meios para a constituição de uma única massa de pessoas susceptíveis à dominação. Leia para não ser uma delas.

Terminei de ler “A Nascente“, o livro publicado na década de 40 do século passado que projetou a romancista-filósofa Ayn Rand. Ela hoje é mais conhecida por outra obra-prima, “A Revolta de Atlas“, seu grande best-seller que foi lançado posteriormente. Ainda farei uma resenha desse seu mais famoso romance, mas aqui, desejo escrever sobre “A Nascente”: um livro fascinante, demolidor dos mitos do ideal do coletivismo, expondo dois extremos morais durante toda a narrativa.

E é sobre um desses extremos que pretendo deixar claro como a ideologia coletivista, dominante atualmente na política e no dia a dia, pode tornar cada vez mais perigosa para nossa liberdade.


 

O indivíduo contra o coletivo

Um desses extremos morais é protagonizado por Howard Roark, a representação do verdadeiro espírito humano. Ele acreditava que o homem é uma unidade independente quanto aos seus pensamentos e ações, e não deve ter sua individualidade subjugada para atender demandas de uma abstração, de um coletivo denominado de “sociedade”, pois antes de pertencer a um grupo, ele já é uma unidade própria.

Rand dizia que o debate comum distorce os conceitos de individualismo, e não atinge o que de fato encerra o conceito de unicidade do ser humano, ou seja, que o homem é um fim em si mesmo e não um meio para o fim de outros humanos. Nesse conceito, ele existe por seus próprios propósitos, e não pode ser coagido a se sacrificar pelos outros ou beneficiado por sacrificar outros para si próprio.

Esse era o homem representado pelo arquiteto Roark, cuja luta contra três principais grupos de oponentes permeia todo o romance. Seus primeiros adversários são os tradicionalistas, representados por aqueles que não aceitam as mudanças na arquitetura que Roark propõe, acorrentados a ideias do passado. Confortáveis em suas posições, carecem de um pensamento inovador e defendem o status quo, negando qualquer tipo de debate que sugere desafiar suas certezas.

O segundo grupo são os resignados, pessoas de personalidade limitada que se sujeitam a serem meros seguidores das expectativas alheias. Para tal, anulam seus desejos e valores a fim de obter a aprovação social. Esse grupo representa a maioria das pessoas que você conhece, e seu protagonista no livro é Peter Keating, que ao final da história manifesta um intenso conflito interno por assumir crenças que não foram suas.

O terceiro grupo é o mais perigoso: são os censores do pensamento independente que vivem como parasitas e dominam os dois primeiros conforme sua conveniência. São os apologistas das causas sociais, do auto-sacrifício pessoal em prol ao coletivo, defendendo um Estado poderoso o suficiente para impor tais obrigações às pessoas.

Nessa defesa, almejam e conquistam cada vez mais poder capturando a mente de seus seguidores, destilando mentiras convenientes ao invés de verdades inconvenientes e consequentemente, consolando mentes e corações perturbados no intuito de capturar suas consciências. Dominam os idiotas úteis principalmente do grupo anterior. Qualquer semelhança com a mentalidade coletivista (ou esquerdista, se preferir) brasileira não é mera coincidência. Não é à toa que seus discursos são semelhantes a manifestações ditatoriais mundo afora.

Continuem lendo para ver a incrível afinidade.

 

O discurso de Roark em seu julgamento

Roark é a figura central do romance para onde a história converge e foi o personagem utilizado por Rand para divulgar as ideias de uma filosofia que estava em construção – o objetivismo. O livro ganhou uma versão para o cinema em 1949 e o discurso de Roark em seu julgamento resume o triunfo das ideias individuais sobre o parasitismo coletivo.

Ayn Rand, através de frases e ideias no livro
A Revolta de Atlas – clique para acessar a sinopse

Roark diz que a mente, necessária para a sobrevivência e glória da espécie humana, é um atributo individual, não coletivo. O raciocínio ocorre por conta própria e não pode ser influenciado por alguma compulsão, necessidades ou desejos dos outros. Quem converte raciocínios em ações, segue seus julgamento e deseja a conquista da independência, sem dominância perante aos demais, mas sim uma troca livre e voluntária.

Após afirmar sobre seus direitos quanto aos seus projetos e ideias e de não servir aos parasitas coletivistas sem escolhas ou recompensas, coloca seus termos ao final do discurso: o homem tem o direito de viver para o seu próprio bem. Encorajo muito ao leitor acessar o link do discurso de Roark em seu julgamento. É um trecho do filme “A Nascente” e está dublado em português.

Nesse artigo, a ênfase maior ficará, entretanto, ao discurso do Ellsworth Toohey, o supremo representante dos coletivistas que buscam a dominação da sociedade pregando a salvação do mundo e o bem comum pelo apelo do altruísmo e o auto-sacrifício. Entender esse tipo de pensamento nos ajuda a distinguir melhor qual a moral e a ética que está sendo aventada atualmente na nossa sociedade.

Possivelmente não por coincidência, é uma passagem muito menos comentada, mesmo no Google americano. Vamos a ela agora.

 

O discurso de Ellsworth Toohey a Peter Keating

Já próximo ao final do livro, um quase monólogo de Toohey para Keating revela os motivos de seu comportamento durante o decorrer da novela. Toohey sempre foi visto como uma pessoa inteligente (e era, embora imoral), mas seus propósitos nunca foram verdadeiramente conhecidos. Repleto de admiradores, era considerado como uma pessoa que desejava o bem a todos. Seus discursos, sempre competentes, pregavam o socialismo, a preocupação com a satisfação das pessoas, a igualdade dos membros da sociedade e o atingimento do bem comum.

Desdenhava a meritocracia e via nas pessoas ricas uma fonte de financiamento para terceiros. Odiava pessoas que pensassem por elas mesmas classificando-as como egoístas e impedia sua ascensão para o sucesso pessoal. O objetivo de sua igualdade era o nivelamento por baixo das capacidades individuais, de forma que ele pudesse sempre ficar em evidência. Seu ódio por Roark possui essas raízes.

Logo no início Toohey afirma que usa as massas alienadas para seus propósitos pessoais: “É para isso que eu tenho de fazer uma encenação, a minha vida toda, para pequenas mediocridades desprezíveis como vocês. Para proteger suas sensibilidades, suas posturas, suas consciências e a paz de espírito que vocês não têm“.

Toohey admite para Keating que todas suas atitudes tiveram um único propósito: poder. Porém, algo que seus tolos seguidores nunca perceberam. O poder é nefasto e até hoje as pessoas não percebem como o poder com que legitimam os políticos e burocratas, é o alimento da corrupção e a fragilização de sua própria liberdade.

Ele vê a si mesmo como um ungido para comandar as pessoas da forma que achar necessário: “Eu herdei o fruto dos esforços deles e serei aquele que verá o grande sonho transformado em realidade (…) Eu dominarei (o mundo). Se aprender a dominar a alma de um único homem, você consegue pegar o resto da humanidade, Peter. (…) Faça o homem se sentir insignificante. Faça-o sentir-se culpado. Mate suas aspirações e sua integridade. (…) Diga ao homem que ele deve viver para os outros.

Essa era sua técnica para destruir o senso de valores do homem e atribuir a cada um sua incapacidade de ser virtuoso, fazendo com que sua alma abra mão do respeito próprio. Assim “você o tem. Ele obedecerá.“. Esse é o princípio do coletivismo, ideia levada a cabo por Hitler, Stalin, Mao Tsé-Tung e o sonho dos coletivistas e esquerda latino-americanos, que tentam aqui implantá-las através de muita mentira e hipocrisia.

A pregação do sacrifício para atingir o bem comum também é citado por Toohey: “Todos os sistemas de ética que pregaram o sacrifício (…) dominaram milhões de homens. Claro, é preciso usar camuflagem (…) Use palavras imponentes e vagas. “”Harmonia Universal””, “”Espírito eterno””, “”Propósito Divino”” (…) “”Ditadura do Proletariado””. (…) A farsa prossegue há séculos e os homens ainda se deixam levar (…) O homem que lhe fala de sacrifícios fala de escravos e donos. E tem a intenção de ser o dono.

Hoje provavelmente a camuflagem tem tons diferentes. “Democracia popular”, “República Bolivariana”, “Igualdade Social”, “Ideologia de gênero”… O que tem de verdade e mentiras nesses termos? O quanto eles, proclamando uma suposta felicidade coletiva, solapam a sua liberdade individual em prol de uma fictícia maioria?

Contemporâneo de Ayn Rand, Aldous Huxley também notabilizou-se por chamar a atenção para o coletivismo em uma distopia famosa, resenhada e comentada por mim nesse artigo: “Admirável Mundo Novo: até quando uma ficção?”.

Um discurso muito usado pela esquerda hoje é que não existem verdades, como a tolerância de ações aceitas pelo relativismo cultural ou moral. Típica estratégia gramsciana para a conquista do poder pela esquerda. Toohey não a esqueceu e tratou nesses termos: “Os homens têm uma arma contra você: a razão. Portanto, você precisa certificar-se completamente de que a tirará deles. Corte os alicerces que a sustentam (…) Não a negue completamente (…) Apenas diga que ela é limitada. Que há algo acima dela (…) Que, nessa questão, ele não deve tentar pensar, deve sentir (…) Não queremos nenhum homem que pensa“.

Ayn Rand, através de frases e ideias no livro
A Nascente – clique para acessar a sinopse

É interessante quando em debates, tentamos usar a razão e outras pessoas apelam à emoção. Como a similar situação de que ter como oponente no xadrez um esquerdopata ou um pombo: ele vai cagar no tabuleiro, derrubar as peças e sair cantando vitória. “Raciocínio individual, Peter? Nada de raciocínio individual, apenas pesquisas de opinião pública. Uma média tirada de zeros, uma vez que nenhuma individualidade será permitida“.

As consequências da implantação estatal de políticas de igualdade social em países que instituíram as ideias socialistas, fazendo com que apenas a pobreza fosse socializada, não foi esquecido: “Que todos vivam pelos outros. Que todos se sacrifiquem e ninguém lucre (…) Que todos fiquem estagnados. Há igualdade na estagnação. Todos subjugados à vontade de todos (…) Um grande círculo e uma total igualdade. O mundo do futuro“.

Outra manifestação do esquerdismo, que não entende que a economia não é um jogo onde um ganha e outro perde e que somente transferir a riqueza de quem é mais apto a quem não é apenas perpetua o problema, como comentei no artigo “A ética tacanha de Robin Hood“, se não houver mudanças estruturais nas instituições.

Mais um aspecto da estratégia gramsciana fica evidente no discurso coletivista: “Dividir e conquistar, primeiro. Mas depois, unir e governar (…) Ensinamos os homens a unirem-se. Isso cria um pescoço pronto para uma coleira. Nós encontramos a palavra mágica: coletivismo (…) um país dedicado à proposição de que o homem não tem direitos, de que o Estado é tudo. O indivíduo visto como mau; a raça, como Deus. Nenhum motivo e nenhuma virtude permitidos, exceto o do serviço à raça”. Muitas das ideias expostas até então foram sementinhas plantadas por Rousseau, mais de dois séculos atrás, como comentado no texto “Rousseau e o perigo das mentes revolucionárias que desejam o bem comum“.

O final do discurso tem uma frase excepcional: “Ofereça veneno como alimento e veneno como antídoto. Dê aos tolos uma escolha, deixe que se divirtam, mas não esqueça do único propósito que você tem que alcançar. Mate o indivíduo. Mate a alma do homem. O resto seguirá automaticamente“.

Um livro que vale a leitura, não acha? Possivelmente, você entenderá melhor quem são as pessoas que eu chamei de sapos no artigo “Liberdades restritas através das intenções e práticas do Estado“.

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Se o leitor gostou do tema, leia o artigo “Subversão ideológica e Yuri Bezmenov: o atalho ao Estado totalitário, com as ideias do russo sobre dominação política.


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Esse texto foi escrito em 2014, atualizado em Setembro de 2017 e originalmente faz parte do Blog Viagem Lenta.

 

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Subversão ideológica e Yuri Bezmenov – o atalho a um estado totalitário

Como a teoria de subversão ideológica de Yuri Besmenov explica os métodos utilizados pela Revolução Cultural no despertar de um estado totalitário.

Como a teoria da subversão ideológica, relatada por Yuri Besmenov, ajuda a elucidar os métodos utilizados pelos partidários da Revolução Cultural, o despertar de um estado totalitário e a consequente asfixia das liberdades individuais.

Yuri Besmenov é um ex-agente da KGB, serviço secreto da antiga União Soviética. Sua existência sob uma outra roupagem, mais “globalista”, ainda é defendida por muitos estudiosos. Analisando-se as recentes movimentações da Rússia e uma manifestação mais evidente e crescente do movimento eurasiano, não é algo difícil de acreditar. Afinal, quanto mais poderoso e onipresente é um órgão, mais ele terá a força de negar sua própria existência.

Mas não é sobre a KGB ou o eurasianismo que escrevo hoje, e sim sobre as táticas que um Estado totalitário usa para erradicar a liberdade de seus cidadãos. A importância do tema advém do fato de que a compreensão desse processo e a vigilância constante são altamente necessárias para resguardar nossos direitos naturais. Uma condição que ninguém devia desejar perder.

Yuri Bezmenov, a subversão ideológica e a Revolução Cultural

Bezmenov, após sua deserção para o Ocidente, ficou famoso nos anos 80 por revelar tais estratégias, mas é solenemente ignorado por quase toda a mídia na análise política. Tenho insistido em meus textos nesse blog que em diversos países existem grupos no poder que não respeitam a liberdade individual e a “democracia” tal como entendemos hoje, mas agem silenciosamente na construção da Revolução Cultural. E há uma conivência assustadora da sociedade com essa situação.

Difundida no século passado por Antonio Gramsci, a Revolução Cultural semeia nas pessoas premissas como a inevitabilidade da presença permanente do Estado em suas vidas. Impede, entretanto, que elas percebam que tal crença as levarão fatalmente à supressão de sua própria autonomia. Bezmenov apresenta essas técnicas empregadas por esses grupos através do conceito de “subversão”. Independente do nome utilizado, o objetivo é a manipulação cultural e psicológica das massas propiciando o estabelecimento de regimes revolucionários.

As estratégias utilizadas pela Revolução Cultural

Bezmenov elucidou as estratégias de subversão ideológica utilizadas pelos partidários da Revolução Cultural. O conceito negativo de subversão não é percebido, entretanto, pelos seus agentes. Existe um método muito eficaz de assimilação, através da manipulação de ideias e das palavras (recordar aqui de George Orwell e de seu termo duplipensar pode ajudar tal percepção para quem se dá o tempo e o trabalho de observá-la – Besmenov considerava-se, inclusive, um novo Winston Smith, protagonista do romance 1984).

Segundo ele, os subversores principais não são os bandidos que queimam ônibus. Gramsci já havia percebido que o meio belicoso para se atingir tais fins não era o mais eficiente. Os subversores podem estar ocultos sob as atividades de um jornalista, um professor ou um astro da mídia. Tais agentes, vendidos como o lado bem-intencionado da sociedade, possuem o aparato estabelecido como moral e legal para subverter as mentes. Mentes que, a cada consentimento, reforçam ainda mais o poder do agente manipulador.

O ponto-chave do sucesso dessa manipulação, contudo, é garantir que tais agentes não possuam plena consciência do papel que representam. Talvez os leitores já tenham ouvido o termo “idiotas úteis”. Como fantoches, são, ao mesmo tempo, manipuladores e manipulados, e usam o seu capital social para canalizar as piores influências na sociedade que os venera.

Veremos como se dá esse processo.

As etapas da subversão ideológica

1. A desmoralização da sociedade

A primeira etapa compreende o trabalho através de um tempo suficiente para educar ao menos uma geração de estudantes (15 a 20 anos), estabelecendo e construindo sua mentalidade e sua personalidade, que refletirá adiante, em um modelo mental necessário à revolução.

 

Como a teoria de subversão ideológica de Yuri Besmenov explica os métodos utilizados pela Revolução Cultural no despertar de um estado totalitário.
Arrependeu-se depois, mas apoiou os black blocks 

Os “idiotas úteis” citados anteriormente, são os agentes principais utilizados para os ataques aos conceitos de auto-responsabilidade, à crença e à família.  São esses famosos “inteligentinhos”, para usar um termo de Pondé, travestidos com um senso moral dentro da sociedade, os mais efetivos instrumentos para a transformação das mentes. Para isso, utilizam vários meios como o sistema educacional ou a mídia, onde a opinião pública é formada e moldada.

O apoio ao feminismo, ao politicamente correto, a grupos como blackblocks, MST, MPL, ao desarmamento civil, o suporte à irracionalidade que se transformou a ideologia de gênero, raça e religião, enfim… Tudo isso colaborará com a transposição da lei e da ordem e a inversão da ética e da moral.

2. A desestabilização do sistema

No passo seguinte, a inversão de valores assume seu protagonismo. Com as mentes já amaciadas, é fácil criar um valor, rotulá-lo como o lado do “bem” e considerar todos aqueles que não compactuem com esse valor, como pessoas do lado do “mal”. A divisão da sociedade, em raças, classes e direitos, é intensificada. Discursos como “nós” e “eles” tornam-se populares, com grande aplauso das massas. O maniqueísmo beira à loucura. Algo soa familiar nos últimos anos de nosso país?

Inicia-se o ataque das instituições e a desorganização econômica, com a necessidade de atacar o sistema político e social clamando por “reformas”. Cria-se uma situação onde os acordos deixam de ser o objetivo final para tornarem-se confrontos, quase sempre através da agressão moral das liberdades individuais. Tais embates são vistos como necessários pela sociedade, consentidos pela etapa anterior da subversão ideológica: a desmoralização do sistema social estabelecido.

A desestabilização do sistema alcança enfim o aparelhamento das instituições, onde é criada uma estrutura de poder e corrupção com o objetivo de financiar e propagar ainda mais a Revolução Cultural, inclusive para outros Estados. Novamente, leitor, isso soa familiar nos últimos anos de nosso país?

3. A etapa da crise

Segue-se assim, a etapa de crise, onde a estrutura imoral anteriormente edificada sobre a corrupção nos órgãos de poder inicia sua degradação ética. É o momento de implantar estruturas de poder paralelas, como comitês não eleitos. Quem conheceu o Decreto 8.243 outorgado pelo PT há pouco tempo e posteriormente derrubado na Câmara percebeu a estratégia.

O custeio governamental para a Militância de Ambientes Virtuais foi uma outra forma de suporte à revolução. Se o poder total lhes é negado pela “democracia”, as autoridades principais procuram de todas as formas, estabelecer um poder paralelo. O Brasil esteve, até o impeachment, nesse terceiro estágio: o balanço de poder alternava-se constantemente.

4. A normalização

Em função da extensão da terceira etapa de crise e do imenso caldo cultural que foi implantado nas mentes das pessoas dos últimos anos, o sucesso da Revolução Cultural ainda é plenamente possível. A população dividida procura um salvador, cujo sucesso pode manifestar-se sob qualquer manto que leve palavras dóceis para as pessoas.

A implantação de uma nova ordem seria a consolidação da última etapa da subversão: a normalização, ironicamente entendida como o restabelecimento da sociedade. À força, naturalmente. E com os meios de exploração do país ampliados.

A Venezuela encontra-se exatamente nesse estágio atualmente, com o ditador tentando dar o golpe final com uma nova constituinte. Esperamos que a população resista. No Brasil, até a definição de um presidente com a força necessária para definir o rumo que seguiremos, ficaremos em estado de espera.

Sabemos, porém, quem são os agentes mais interessados na implantação de uma ditadura do povo. Semana passada, o PT e outros partidos vermelhinhos ratificaram o apoio à ditadura de Nicolas Maduro. Alcançou-se um ponto em que a implantação da revolução não é mais algo oculto. Só continua desconhecido para quem realmente não quer compreender a situação.

Yuri Besmenov e seus vídeos – Conclusão

Os vídeos completos de Besmenov estão agrupados nesse link do You Tube e são excelentes para entender a fundo como os conceitos de subversão ideológica dão suporte à Revolução Cultural. Em alguns deles, o responsável pela edição do vídeo relacionou-os com alguns momentos que vivemos há pouco tempo no Brasil. Pela internet, é fácil achar fragmentos de tais palestras e entrevistas, caso o leitor não possua muito tempo.

Porém, é revelador como ele explica a substituição da responsabilidade individual por uma tal de responsabilidade coletiva, capitaneada pelos burocratas do governo, com o aumento crescente de seu poder. Como os órgãos e as instituições públicas, que deveriam servir as pessoas, servem à consolidação de uma supremacia ainda maior. Como o relativismo cultural corrói, dia a dia, os pilares éticos da sociedade. Como a ideologia revela que os desejos de mudar o mundo não está sustentado na liberdade individual, mas simplesmente, são investidas para uma maior dominação. Como a igualdade deveria ser entendida como um direito às mesmas oportunidades e não como uma condição de existência. Como a violência não poderia justificar uma suposta justiça social.

Meu objetivo não é estender ainda mais o artigo, pois desejo incentivar a visualização do vídeo, que é uma aula de racionalidade. É um discurso realizado de forma didática e principalmente, com uma análise de ambos os lados da moeda. Sou crítico em alguns aspectos, principalmente quando ele defende algum grau de intervenção externa em países em crise e na supressão de direitos de grupos específicos, uma vez que não concordo com a generalização de rótulos.

Não atingir uma situação que hoje vive nossa vizinha Venezuela depende, entretanto, de uma absorção maior da razão no seio da sociedade. Eliminar toda essa bagagem que foi ensinada nas escolas e universidades nas últimas 3 ou 4 décadas, infelizmente, não é algo trivial. Porém precisamos oferecer informação para que ao menos, uma parte da sociedade entenda todo esse jogo político que culmina na implantação da revolução cultural, não sendo somente um fantoche ou vítima do processo. E que sempre lembrem que a base de tudo, é a preservação de nossa liberdade individual.

 

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Esse texto foi escrito em 2014 e republicado em Julho de 2017 no blog Viagem Lenta.

A participação contida dos jovens nas manifestações e o futuro

Manifestações e protestos de Março/2016 - Campinas (SP)
Manifestação em Campinas – Março/2016

A mobilização popular contra o governo petista atingiu o ápice nesse mês de março de 2016. Foi a maior que já houve na história do país. Em Campinas, participei do evento e mantive a câmera fixa em um mesmo ponto assistindo a manifestação. A bateria não colaborou para uma gravação completa (o vídeo está aqui no You Tube), mas a marcha de pessoas indignadas durou, ininterruptamente, uma hora e vinte minutos. Nunca vi tanta gente.

A lista de indignação é grande, mas nada relacionada com a rejeição ao ver “pobres” viajando de avião, um desvirtuamento infantil clamado pelos grupos desesperados. Ela tem origem, na verdade, com a corrupção institucionalizada, com a adulteração do significado de moralidade e com a pretensão de manutenção dos privilégios pelos grupos no poder. Continue Lendo “A participação contida dos jovens nas manifestações e o futuro”

A transferência de responsabilidades e a aplicação moral da nova ética

Como a situação atual compõe-se de atitudes com distorções morais resultando em uma mudança de ética e evadindo-se das próprias responsabilidades.

Etica e moral

As atitudes em tempo atuais revelam uma alteração moral e a promoção de uma nova ética, onde a responsabilidade pessoal não se faz mais presente.

 

É evidente, ano a ano, um retrocesso na concepção de ética da maioria das pessoas, que, por consequência, termina por refletir-se em seus comportamentos morais. E uma de suas revelações mais funestas é a negação pelas pessoas da própria responsabilidade nos resultados de suas próprias ações. Ao invés disso, tornou-se lugar comum a culpabilização de um fato, agente ou determinado contexto externo, para as supostas consequências de seu próprio ato individual. Ou ainda, ampliando-se essa conduta para defender suas teorias sociais, onde o obscuro ser chamado de “sociedade” carrega dentro de si, como Jesus, a culpa pelos pecados dos outros.

Esse tipo cada vez mais comum de atitude se multiplicou assustadoramente no Brasil recente, e as decisões que levam às essas ações são construídas com base em um mundo totalmente desabituado à realidade, concebendo uma verdade fundamentada puramente em suas conveniências pessoais e atribuindo constantemente o insólito aos pensamentos e atos dos outros, nunca aos seus próprios.

O brasileiro em particular vem sendo exposto a esse estado de lamúria já há tempos, mas nas últimas décadas, com o ardil da influência gramsciana e o seu apogeu, chegamos ao topo. Ou melhor, ao fundo do poço. A apoteose ocorre agora, nesse governo que somente é responsável pelos bons resultados, nunca pelos maus. Onde toda a culpa dos problemas está entre aqueles que o evidenciam.

As evidências ficaram muito mais claras quando iniciou-se a destruição da Petrobrás e de outras empresas estatais e a acusação pelo governo de que a oposição queria “destruir” tais empresas. Seguiu caminho no bárbaro estelionato eleitoral, quando a culpa da marolinha econômica era simplesmente do cenário externo. Perpassa todas as lógicas possíveis, atribuindo ao “interesse social” a afronta à lei constitucional da responsabilidade fiscal, mesmo quando essa isenção de responsabilidade mescla-se com a desonestidade, uma vez que ao menos metade do rombo fiscal deveu-se à mamatas no BNDES.

É o clímax do discurso aético que domina o debate no país, propagado por todos os seguidores dessa nova ordem ideológica, onde quaisquer consequências negativas de nossos atos tenham suas causas atribuídas a terceiros.

Essa nova forma de raciocínio ultrapassa as fronteiras do mundo real. O pensamento dominante inventou um ente, o “modelo capitalista”, para atribuir a culpabilidade de invasões e depredações ao patrimônio. Atribuiu uma relação direta à “desigualdade social” e aos casos de roubos e violências físicas, muito embora a recente história do Brasil contradiz tal tese. Conferiu à falta de “discernimento entre o certo e o errado” a atenuação dos encargos dos assassinatos cometidos pelos jovens. Quer dizer, atribui-se a uma abstração que paira acima de tudo e todos, as responsabilidades que deveriam ser dos indivíduos de carne e osso. Já faz ao menos 25 anos que estamos aplicando toda essa teoria sociológica permissiva, construtivista e relacional e quais são os resultados? Houve melhoria da educação? Violência? Consumo de drogas? Corrupção?

Tais atitudes tornaram-se no Brasil uma ferramenta inconsciente para a adaptação à ideologia que hoje nos reina, onde tal cumplicidade tolera regalias morais que não seriam permitidas sob condições lógicas e racionais, que perseveram na verdade e na realidade dos fatos. O ódio ao contraditório, a criação de maniqueísmos, de espantalhos, de acusações ad hominem criam uma atmosfera onde a razão não tem vez. Sobretudo se puder ser provada. São atitudes claramente percebidas nos discursos de seres altivos e superiores que clamam em alto e bom som “eu não leio e não discuto matérias da revista Veja”. O que dizer de tal pessoa, que abandona sua razão para sujeitar-se ao pensamento mainstream evidenciando somente o seu desejo de ser aceito pelo grupo ideológico dominante?

Estamos caminhando, passo a passo, para uma Idiocracia, a apoteose de uma sociedade medíocre.

Esse estado de espírito versa, entretanto, quando falamos de responsabilidades, de deveres. O cenário inverte-se totalmente quando o assunto são direitos. Em relação a estes, não existe essa história de coletivo ou social. Os direitos, todos querem para si, individualmente. Privativamente. Uma boa definição que li um dia, dizia algo assim: “o brasileiro é um saci existencial, que equilibra-se alegremente sobre a perna dos direitos, mas sem nunca colocar o pé dos deveres no chão.”

E assim prossegue o debate “intelectual” no país, promovendo enormes distorções morais e fortalecendo os donos do poder. Que as crises atuais e vindouras nos tragam ao menos, o estopim para mudar tal cenário.

Coeficiente de Gini e a grande falácia da distribuição de renda

A falácia do coeficiente de Gini

O índice, ou o coeficiente de Gini, é na verdade um indicador confiável para qual finalidade?

 

Restam poucas defesas a esse lamentável (des)governo que possuímos. Mas mesmo assim, ainda existem entusiastas, que procuram de alguma forma alegar possíveis avanços. Na falta de boas notícias, principalmente em dados objetivos que medem a eficiência e a eficácia dessa administração, um entusiasta progressista me apresenta, em um debate dentro de uma comunidade virtual,  um link onde o coeficiente de Gini do Brasil estava melhorando (apesar de estarmos discutindo crescimento econômico…) e assim, o Brasil estaria mais justo, com uma melhor distribuição de riqueza.

A própria contribuição da distribuição de riqueza no progresso de um país já é algo controverso, e eu, particularmente, não vejo esse assunto como primordial para tais objetivos. Não vou me alongar nesse assunto uma vez que já foi discutido mais profundamente na postagem sobre os conceitos imorais na transferência de riqueza. Para retomar o assunto, transcrevo aqui uma descrição do texto:

(…) a imposição de uma igualdade de renda demanda a supressão da desigualdade das pessoas. Mas as pessoas são naturalmente desiguais, possuem metas desiguais, possuem motivações desiguais. (…) O que precisa estar garantido, é a igualdade de direitos entre todos os seres humanos, que deve estar acima de tudo e independe de quaisquer classificações como cor de pele, preferências sexuais e afins. A real demanda é garantir as condições necessárias, como oportunidades de educação básica de qualidade a todos, de forma que suas próprias motivações internas, viabilizadas por suas capacidades intrínsecas, construam seu futuro (…)

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Rótulos políticos: necessidades e problemas

Rotulos politicos - diagrama de Nolan

 

Como os rótulos políticos, embora às vezes necessários, podem prejudicar o debate, alimentando o pensamento coletivo e reprimindo o pensamento individual.

 

Acompanho eventualmente grupos no Facebook vinculados aos ideais de liberdade e frequentemente vejo debates, muitos acalorados, que instigam aos participantes a definir a sua visão filosófica, política ou econômica. Ancap, minarquista, libertário de esquerda ou liberal clássico? Nessa mistura de conceitos associam-se ainda desde partidários do objetivismo até as insígnias rotuladas como “conservadoras” ou de “direita”. Alguns se posicionam compreensivelmente em mais de um rótulo, pois enquanto uns possuem vertentes mais fortes no campo econômico, outros reforçam suas teses nas trilhas políticas. Alguns conceitos são mais puros e não deixam margem à duvidas, como o objetivismo, mas outros, como “liberal”, podem causar confusões, principalmente em função do local de origem. Ser liberal aqui, em função da tradição do liberalismo inglês, é uma atitude bem diferente de ser liberal nos Estados Unidos, por exemplo, onde a esfera política que se denomina de “esquerda” se apropriou desse termo. Já aqui ela o abomina. Mas será que dar extrema importância para essas classificações é válido atualmente?

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Transferência de renda, riqueza e igualdade salarial: conceitos imorais

Transferência de riqueza, transferência de renda e igualdade salarial são conceitos imorais

Os motivos que revelam porque as premissas de sua luta pela transferência de renda estão recheadas de conceitos imorais.

 

Você, pessoa bem intencionada, talvez idealize um mundo onde a justiça é  construída por meios de uma intensa política de confisco da riqueza através de impostos e uma acentuada transferência de renda através de políticas sociais, com o objetivo de alcançar a sonhada igualdade econômica. Talvez você não acredite, mas é uma impraticável e uma tola utopia. Faça um pequeno exercício mental: imagine que na virada do próximo ano fosse possível distribuir toda a riqueza do mundo em partes iguais para cada cidadão. Digamos que cada um tenha ficado com 25 mil reais. Passados doze meses, o que aconteceria quando chegasse o final de Dezembro? Você ainda acha que teríamos alguma igualdade? Você acha que todas as pessoas decidiram poupar, consumir, doar, emprestar aquela quantia da mesma forma? Qual seria a nova sugestão? Redistribuí-lo novamente? Por quanto tempo duraria esse ciclo?

Quer seja seu desejo ou não, a riqueza possui um caminho natural na sociedade, fluindo aos indivíduos que são mais eficientes e eficazes em sua área de atuação. E note, leitor, que isso é bom. Bom porque a renda é uma das formas de remuneração para pessoas que oferecem algo positivo aos outros. Em um local onde não existam interferências estatais, a riqueza é meritória, isso é, as pessoas que a conquistaram, só a conquistaram porque foram recompensadas por outras pessoas que, voluntariamente, adquiriram o seu produto ou serviço. Você, que usa seu iPad, iMac ou iPhone, colaborou decisivamente aos executivos e acionistas da Apple a ficarem mais ricos. Você colaborou para essa transferência de renda. E não, esse conceito não é apenas elitista. Você que já pagou muitas prestações de seu carnê das Casas Bahia também enriqueceu a família Klein.

A inovação em um sistema livre de mercado, na qual a Apple é apenas um exemplo entre milhões, provém inicialmente do acúmulo de capital. Esse acúmulo de capital é essencial para que nossa sociedade continue em evolução e seria totalmente arruinado em um programa de transferência de renda como a descrita no primeiro parágrafo, além de extirpar o estímulo a novos empreendimentos em função da natureza imoral do ato.

Redistribuir renda por coação é algo obsceno e movido pela inveja, pois é um confisco de quem a ganhou honestamente (não estamos aqui falando de burocratas e empresários beneficiados pelos Estado, evidentemente) e solapa qualquer incentivo para que as pessoas produzam algo bom entre o grupo em que vivem. Diferentemente de ações louváveis como a filantropia direta e atividades voluntárias, a espoliação do dinheiro dos outros é mais uma forma de sustentação de poder aos políticos, gerando mais corrupção.

Além disso, a imposição de uma igualdade salarial demanda a supressão da desigualdade das pessoas. Mas as pessoas são naturalmente desiguais, possuem metas desiguais, possuem motivações desiguais. Ora, é claro que nunca serão economicamente iguais! Impor, em qualquer grau, através de uma transferência de renda forçada esse nivelamento econômico é uma imposição perversa por natureza.

O que precisa estar garantido, é a igualdade baseada nos direitos naturais entre todos os seres humanos, que deve estar acima de quaisquer classificações como cor de pele, preferências sexuais e afins (atribuir diferenças de direitos entre supostas castas é outro discurso alienado em moda hoje em dia). A real demanda é garantir as condições necessárias, como oportunidades de educação básica de qualidade a todos, de forma que suas próprias motivações internas, viabilizadas por suas capacidades intrínsecas, construam seu futuro. E que algumas exceções sejam tratadas como… exceções!

O discurso da esquerda estatista, que faz uso de ideias aparentemente dignas para legitimar atos funestos, precisa ser desmontado. Suas boas intenções são tão boas e nobres quanto às intenções dos ditadores comunistas de Cuba, Coréia do Norte e Venezuela. É irracional pensar que premiando setores improdutivos e castigando setores produtivos poderemos alcançar uma sociedade justa. Uma parte dessa esquerda sabe o que está fazendo, e deseja protelar por tempo indefinido a dependência dos supostos beneficiados, pois possui vantagens nessa situação. A outra parte são os idiotas úteis, que realmente acreditam que essa postura é um atestado de compaixão e integridade, mas que no fundo, apenas perpetua o atraso. A história do mundo é a maior referência que pode ser citada, mas infelizmente eles não são capazes de interpretá-la. Ao menos com lógica.

Enfim, a pobreza só será eliminada através de maior liberdade econômica. Transferência de renda não trará igualdade econômica, pois cada indivíduo, com suas diferentes aptidões e motivações conceberá um caminho diferente do outro. A liberdade econômica, entretanto, age em conjunto com o crescimento econômico para melhorar a renda de toda a população em geral. Dados demonstram que os países com uma economia mais livre possuem, invariavelmente, até melhores redistribuições de renda que os demais. De longe, o quintil dos mais pobres possuem uma renda muito maior do que o mesmo quintil dos países com menor liberdade econômica. Um resumo desses dados pode ser visto aqui.

Infelizmente, mesmo sendo impossível argumentar contra os dados, a mentalidade estatista ainda é preponderante às ideias liberais em terras tupiniquins. Mas já está começando a perder a grande hegemonia. Quem viver verá.

Esse texto foi publicado originalmente no blog Viagem Lenta. Para ler mais textos sobre Liberdade e Política, clique aqui.