O que é o populismo

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Divulgação – 1º Encontro Conservador

Caros leitores, esta publicação vai direcionada ao público conservador do blog.

Partido Conservador BrasileiroO 1º Congresso Nacional Conservador, organizado pelo Partido Conservador, ocorrerá este mês nos dias 20 e 21, em Curitiba.

O Partido Conservador busca resgatar este histórico partido brasileiro e defende pautas conservadoras como o movimento pró-vida, o Estado Mínimo, a defesa do armamento civil e a redução da maioridade penal. É um grupo que se baseia nos valores judaicos-cristãos e busca resgatar a família como célula da sociedade. Em suma, busca representar aquela boa parte da população brasileira que não se vê representada pelos atuais partidos políticos do Brasil.

O evento contará com a participação do jornalista Paulo Eduardo Martins e do advogado Miguel Nagib, fundador do portal Escola Sem Partido, além de mesas redondas e palestras.

O quê: 1º Congresso Nacional Conservador
Onde: Hotel Estação Express. Rua João Negrão, 780 – Centro, Curitiba – PR
Quando: 20 e 21 de julho, a partir das 09:00.
Quanto: R$30 (ingressos a venda no site do partido).

Informações sobre a programação do evento podem ser lidas no site do Partido: www.partidoconservador18.com.

Como Não Fazer

Por G.K. Chesterton. Tradução por Renan Felipe dos Santos do artigo “How Not To Do It” publicado na GK’s Weekly Magazine em 16 de maio de 1935. Para ler o artigo original em inglês, hospedado no site da De Montfort University de Leicester, clique aqui.

como não fazer

Há duas formas conhecidas de discutir com um comunista; e ambas estão erradas. Há também uma terceira forma que é correta mas que não é conhecida. Agora tenho a noção de que, por um motivo ou outro, uma parte considerável do nosso tempo cedo ou tarde será consumida discutindo com comunistas. E vou descrever em poucas palavras o que considero ser a forma certa de fazê-lo. Curiosamente, as duas maneiras mais comuns de contradizer o comunismo também se contradizem entre si. A primeira consiste em acusar o bolchevista de todos os vícios. A segunda, curiosamente, consiste em acusá-lo de todas as virtudes. Consiste realmente em contrapor os nossos vícios às virtudes, ou supostas virtudes, dele.

Este é o truque mais perigoso e até suicida dos dois, e sua natureza exige uma pequena explicação. O primeiro método, ou método convencional, é bastante simples. O capitalista diz ao comunista, “Você não entrará em minha casa, pois sei que você irá destruí-la; você não falará com minha família, pois sei que você a explodiria; você é um ladrão e assassino qualquer, eu sou uma pessoa moral e respeitável. Não somo como os russos.” Eu não gostaria de falar assim com um bolchevista, porque eu não falaria assim nem com um ladrão. É portar-se como um fariseu; e o fariseu é um inimigo do cristão mais antigo que o marxista.

Eu prefiriria o outro método, o qual me parece extremamente comum entre aqueles que afirmam defender a propriedade ou o individualismo contra a heresia marxista. Consiste em dizer ao comunista que ele é um idealista, ou, em outras palavras, que ele está errado porque tem ideais. Neste segundo caso, o capitalista diz ao comunista, “Você acredita em um monte de bobagens sobre a irmandade entre os homens; mas eu digo, como um homem prático, que cada um quer obter o máximo possível para si, e agrediria o próprio irmão por um negócio se pudesse. Cada homem deve obedecer o seu instinto aquisitivo.” (Eu li exatamente estas palavras em um ataque à teoria bolchevista.) “Não se pode manter as coisas funcionando sem empresas privadas; e não se pode produzir empresas privadas sem suborná-las ou recompensá-las com os louros oriundos da propriedade privada.” As pessoas usam estes argumentos contra o comunismo como se estes fossem argumentos somente contra o comunismo, e depois se surpreendem porque um grande número de jovens entusiasmados se tornam comunistas.

Eles não percebem que, para os jovens, o capitalista em questão parece estar dizendo simplesmente, “Eu sou um patife ganancioso, e proíbo você de ser qualquer coisa diferente disso.”

Mas o verdadeiro argumento final e completo contra o comunismo é que a propriedade privada é muito mais importante que a empresa privada. Um batedor de carteiras realiza um empreendimento privado, mas não se pode dizer que ele apoia a propriedade privada. A propriedade privada não é uma recompensa que existe para manter a empresa privada. Pelo contrário, a empresa privada é somente uma ferramenta ou uma arma, que pode às vezes ser útil para preservar a propriedade privada. E é necessário preservar a propriedade privada simplesmente porque ela é um outro nome para a liberdade. Não é meramente um respeito convencional. Pelo contrário, é somente o homem com alguma propriedade e privacidade que pode viver sua própria vida livremente. E tampouco é uma simples licença comercial, e menos ainda uma licença para a fraude. Pelo contrário, toda a questão da propriedade gira em torno do fato de que ela somente pode ser nutrida com o sentimento da honra. Seria necessário mais espaço aqui para expor esta tese, e levaria mais tempo ainda para expô-la a um comunista. Mas um comunista certamente a escutaria por mais tempo do que a um homem meramente gabando-se de sua própria retidão ou a um homem que se gaba da própria avareza.


Leia também:

Os CDR em Cuba

Por que em Cuba ninguém reclama ou exige seus direitos? Porque sempre há um olho na vizinhança que te vê, te denuncia e desgraça a tua vida.

Artigo publicado originalmente, em espanhol, no site do blogueiro cubano Yusnaby Pérez. Tradução para o português de Renan Felipe dos Santos. Para ler o texto publicado no site original, clique aqui.

Há um senhor que toda semana visita a casa da minha vizinha Mercy. A única coisa que sabemos sobre ele é que depois de cada visita alguém no quarteirão recebe uma má notícia: uma vaga de trabalho recusado, uma viagem negada, uma licença não outorgada ou simplesmente um telefone fixo solicitado e jamais habilitado, etc.

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Mercy é a presidente do CDR da minha rua, uma organização criada em plena efervescência do socialismo em 1960 e cujas siglas correspondem a Comitê de Defesa da Revolução. Em cada canto do meu país há um CDR; um sistema de vigilância contínua entre vizinhos.

Na minha casa quando cozinhamos camarões precisamos fechar completamente as portas e as janelas. O cheiro pode nos delatar a Mercy. No dia seguinte, os restos de comida não podem ser jogados fora no latão de lixo da esquina: preciso descartá-los quatro quadras adiante para que Mercy não nos descubra. Assim também faz meu vizinho Luisito com o quarto que aluga à noite: espera que Mercy durma para deixar entrar os inquilinos que buscam paixões noturnas.

Todos nós tomamos cuidado com ela. Quando a vemos, sorrimos e cumprimentamos, mas sabemos que em sua mente ela está buscando cada detalhe delator de nossos sorrisos. Ela se encarrega de informar ao policial chefe do setor, aos investigadores do Partido Comunista e aos agentes do Departamento de Segurança do Estado ou G2 (polícia política) sobre nossas vidas com riqueza de detalhes. Mercy conta nossas preferências sexuais, nossa atitude ou opinião política; se trabalhamos ou estudamos, e, se não fazemos nenhum dos dois, nos denuncia e nos aplicam a lei de periculosidade. Mercy está a par de com quem nos encontramos, quem visita nossa casa e seus respectivos nomes. Se algum estrangeiro dorme em nossa propriedade, ela chama a imigração e nos multam em milhares de pesos cubanos conversíveis*.

Mercy elaborou uma lista de todo vizinho com familiares no exterior, já que este é um ponto muito investigado. Ela foi orientada a organizar atos de repúdio, ou seja, convocar a maior quantidade possível de vizinhos e ir às casas de “contrarrevolucionários” e atirar pedras, gritar lemas “revolucionários” e provocar uma violenta vexação pública. Nos dias de eleições, ela vai casa por casa verificando quem votou e quem não. Aos que não foram votar, ela os obriga e até mesmo traz a ficha de votação à sua casa para “comodidade” do eleitor. Quem se nega a exercer seu direito ao voto, Mercy inscreve na odiosa lista de “desafetos do quarteirão”.

O futuro de um estudante ou trabalhador está sujeito ao veredito de uma pessoa encarregada de vigiar, que de forma secreta colabora com órgãos públicos. A opinião de Mercy, só por declarar-se fiel aos princípios da “Revolução” está por cima de todo mérito pessoal, acadêmico ou profissional demonstrado pelo indivíduo em questão.

Esta vigilância contínua delata o idoso que vende sacolas “ilegalmente”, o professor que no seu tempo livre dá aulas particulares, o vizinho carpinteiro que não tem licença, o amigo que come carne de gado ou o cidadão que pensa politicamente “diferente”… Por isto, existe a dupla moral em Cuba. Por isto as pessoas, quando criticam o governo, o fazem em voz baixa porque sabem que alguém pode estar escutando através da parede.

Meu amigo Lachy não pode buscar carreira universitária porque o presidente do CDR “informou” que sua família era católica. Durante os primeiros 30 anos de existência desta organização, foi duramente denunciado todo religioso, homossexual ou cubano com família e amigos no exterior.

Quando fiz 14 anos, Mercy automaticamente me adicionou à lista de “cederistas”. Jamais fui consultado! Os que se negam fazer parte dos CDR são vetados e lhes são fechadas as portas em toda oportunidade cotidiana.

A efetividade da polícia política cubana e do Departamento Técnico de Investigações reside na existência dos CDR, que lhes oferece informação próxima, detalhada e permanente dos objetos de investigação.

Agora pretendem implantar na Venezuela as chamadas “comunas”; objetivo fixo para semear o medo, a autocensura, a desconfiança entre vizinhos e eliminar na raiz toda forma de oposição ou ativismo cidadão. Prática que funcionou e ainda funciona em Cuba.

Muitos perguntam: por que em meu país ninguém reclama ou exige seus direitos? Porque sempre há um olho na vizinhança que te vê, te denuncia e desgraça a tua vida. No meu caso é a Mercy, presidente do CDR e encarregada da “vigilância revolucionária” como diz o cartaz colado à sua porta.


NOTAS:

*Em Cuba circulam duas moedas: o peso cubano e o peso cubano conversível. O peso cubano conversível tem sua taxa de câmbio artificialmente pareada com o dólar e serve de substituto para o mesmo na ilha. Alguns produtos só podem ser obtidos com esta moeda, e somente cubanos com acesso a divisas -legais ou ilegais- vindas do exterior tem acesso a ela, o que lhes confere um poder de compra pelo menos 24 vezes maior do que o cubano sem acesso a divisas do exterior. Estima-se que 20% de todo o dinheiro que entra em Cuba vem de remessas internacionais por parte de cubanos residentes no exterior, o que garante que os cubanos dentro da ilha sobrevivam apesar das condições de extrema pobreza.

Comunicado – Coluna do Leitor

Saudações a todos os nossos leitores!

Para tornar mais cômoda a colaboração dos nossos leitores com o blog, todos os interessados em enviar arquivos para publicação podem fazê-lo através do e-mail leitordireitasja@gmail.com. Os artigos recebidos serão lidos e avaliados semanalmente, e aqueles selecionados serão publicados ao longo da semana na categoria “Coluna do Leitor”.

Lembre-se: se você já tem um site ou blog com conteúdo original e gostaria de publicá-lo também no Direitas Já!, basta colocar no cabeçalho ou no rodapé do seu artigo a referência e o link para o seu blog.  Aqueles que quiserem contribuir com livros para a nossa Biblioteca também podem enviar os arquivos para o e-mail.

Esperamos a contribuição de vocês!

A Direção.

 

5 Mitos Sobre a Realidade de Cuba

Por Yusnaby Pérez. Publicado originalmente em seu blog pessoal. Traduzido e adaptado para o português brasileiro por Renan Felipe dos Santos. Para ler o artigo original, em espanhol, clique aqui.

cuba
1. Armazém estatal onde compra o cubano de forma racionada uma vez por mês. 2. Loja onde compram os estrangeiros e cubanos com acesso a divisas.

 

1. Os governantes vivem nas mesmas condições que o povo

Os dirigentes políticos e seus familiares vivem em uma bolha comparados com o resto do povo cubano. A maioria dos altos cargos do país são militares, pertencentes às Forças Armadas Revolucionárias (FAR). Há membros das FAR na liderança de ministérios e grupos empresariais do país. Estas pessoas não caminham pelas ruas nem viajam de ônibus, já que possuem carros do Estado; não vivem em decrépitos apartamentos no Centro de Havana, pois possuem casas e apartamentos em complexos residenciais onde civis não podem entrar. Além disso, eles tem facilidades e acesso gratuito a determinados serviços que não tem o resto da população: acesso à internet no trabalho e em casa, hotéis em Varadero, uso de telefones celulares cujo pagamento é em pesos cubanos (24 vezes mais barato que o peso conversível** com o qual paga o resto dos mortais), televisão à cabo. Não vão a hospitais mal conservados como o povo, vão a um hospital reservado para eles, o CIMEQ (onde atenderam Chávez) caracterizado por sua limpeza, bons médicos e tecnologia decente. Os grandes dirigentes de Cuba estão completamente isolados dos problemas cotidianos do cidadão pedestre.

2. O Estado fornece os alimentos necessários à população

O Estado vende a cada cubano uma vez ao mês, de forma racionada e a preços “acessíveis”, uma quota de alimentos. Estes produtos são racionados pela libreta de abastecimento. Em um mês, um cubano pode comprar somente: 5 ovos, 5 libras (2,2kg) de arroz e 1 libra (450g) de frango. Os preços dos alimentos racionados estão em pesos cubanos e de acordo com os salários em Cuba, e isso significa um alívio para os trabalhadores estatais cujo salário médio é de U$18 (R$40,5*) por mês e sobretudo para os idosos aposentados que não tem outra forma de sustentar-se. No entanto, a comida comprada com a libreta só alcança para 10 dias. O que acontece com outros 20 dias do mês?

Em paralelo à rede de armazéns estatais, onde se compra com a libreta, em Cuba existe um mercado estatal de alimentos com preços em pesos conversíveis**. Alguns produtos, como a carne de gado, os sucos, vegetais ou peixe enlatado só podem ser adquiridos neste tipo de lojas. A rede mais importante deste tipo de estabelecimentos se chama TRD (Tienda para la Recaudación de Divisa – Loja para Arrecadação de Divisa) e nelas todos os produtos tem 240% de imposto sobre o preço de compra no exterior. Deste modo, um litro de leite pode custar 3 pesos conversíveis (equivalente a U$3 ou R$6,76), e 250g de queijo manchego*** pode custar 30 pesos conversíveis (U$30, ou R$67,60***). Em um país onde o salário médio estatal gira em torno dos U$18, nas TRD somente podem comprar aqueles cubanos com familiares no exterior ou acesso (lícito ou ilícito) a dólares. O resto “investe” no mercado negro.

3. A educação é gratuita

Certamente. A educação em Cuba é gratuita desde a pré-escolar (4 anos) até a educação secundária (18 anos). E, ainda que seja uma conquista muito importante, é necessário lembrar que isto ocorre em muitos outros países do mundo. No entanto, diferente de outros países, em Cuba não existe a educação privada, a única opção é o ensino público.

Nos tempos em que meus pais estudaram, se considerava que a educação primária era de excelente qualidade. No entanto, hoje em dia a situação deixa muito a desejar. Devido aos baixos salários em Cuba, existe um déficit enorme de professores e por isso a qualidade da educação se vê muitas vezes afetada. É comum escutar que professores cobram para dar boas notas, e já é prática habitual que algumas aulas sejam mera reprodução de vídeos previamente gravados.

Diz-se que o ensino universitário em Cuba é gratuito, mas isto é incorreto. Seria mais apropriado dizer que é de acesso universal. Qualquer cubano (dependendo da média e dos resultados nos exames de ingresso) pode entrar na Universidade; e, ainda que o estudante não tenha que pagar um único peso, a educação superior tem um preço. Uma vez graduado, o estudante deve trabalhar para o Estado, 3 anos se for mulher e 2 anos se for homem (já que o homem presta 1 ano de serviço militar). Este período é conhecido como “Serviço Social”. O Serviço Social é obrigatório, se trabalha por um salário mínimo (225 pesos mensais, uns U$9 ou R$20,31) em um posto determinado pelo governo. Se um recém graduado não cumpre o Serviço Social, o Ministério da Educação Superior invalida o seu título universitário.

4. A grande maioria dos cubanos apoia o governo

O apoio a um governo se demonstra mediante eleições, e em Cuba não ocorrem eleições presidenciais desde 1948****. Assim, deve-se buscar outros indicadores para avaliar este “apoio”. Em Cuba existe um único partido que é legalizado, o Partido Comunista, e Constituição de Cuba o define como: “…a força dirigente superior da sociedade e do Estado…”. No entanto, existem muitos outros partidos clandestinos. Os cidadãos não veem legitimado o seu direito de associação e as únicas formas de sociedade civil são parte do Estado. Isto não impede que cidadãos opositores tenham constituído grupos de forma clandestina e tratem de manifestar-se de forma pacífica. Lamentavelmente, manifestações de coletivos não reconhecidos são continuamente reprimidas por grupos organizados pela polícia política e operacionalizados através do Partido Comunista. Exemplo disto são os atos de repúdio contra opositores que em casos frequentes chegam ao extremo da violência verbal e física. As conhecidas Damas de Branco, senhoras que caminham pelas ruas com uma flor na mão, são reprimidas e presas semanalmente; só para mencionar um exemplo.

Um governo que controla a imprensa, o rádio e a televisão, também controla a opinião pública, ou ainda, a opinião que querem transmitir ao mundo e a cada um de nós. Jamais foi transmitida por televisão alguma opinião legítima de um cubano contra o governo.

Opor-se ao governo abertamente é perigosamente escorregadio. A polícia secreta pode forjar um caso delitivo e colocar você na prisão. Este terror psicológico está presente na sociedade cubana há mais de meio século. Em consequência disso, as pessoas optaram por “não pensar, não dizer e não opinar” para poder viver tranquilas. Entretanto, existe uma dupla moral. Há gente que aplaude o regime em público e logo o critica privadamente.

A solução de muitos é migrar em busca de oportunidades. Em números oficiais, 12% dos cubanos que saem do país legalmente não retornam. Um número aterrador que mostra o enorme descontentamento com o sistema vigente. A estes imigrantes legais se há de somar os que saem ilegalmente. Os mais conhecidos são os que agarram uma balsa e escapam arriscando sua vida no mar.

5. O bloqueio norte-americano impede que Cuba se desenvolva.

É certo que existe um embargo econômico, financeiro e comercial dos Estados Unidos dirigido a Cuba, que tem aplicação extraterritorial e foi condenado em múltiplas ocasiões pela ONU. O embargo é um conjunto de medidas e leis que proíbem empresas e cidadãos norte-americanos de estabelecer acordos comerciais com os cubanos residentes na ilha e o governo (existem “exceções” como diversas produtoras estadunidenses de alimentos que tem permissão de negociar com o governo cubano).

O embargo está presente desde os inícios da “revolução” e um dos seus principais motivos ao implantar-se foi a expropriação geral da propriedade privada de cubanos e muitos norte-americanos na ilha, que jamais foi remunerada por parte do Estado cubano. Desde então este embargo, rebatizado pelo governo cubano como “bloqueio”, tem sido o argumento para justificar todos os fracassos e erros de sua política econômica, social e administrativa.

Cuba não pode comercializar com os Estados Unidos (ainda que os Estados Unidos seja o principal comprador de medicamentos em Cuba), mas, 40% do comércio exterior de Cuba é mantido somente com a Venezuela. Países como China e Brasil tem fortes laços comerciais e financeiros com a ilha. O resto dos países tem toda a disponibilidade para firmar acordos econômicos com Cuba, mas exigem o pagamento em efetivo devido à reiterada inadimplência do governo cubano.

Entretanto, existe outro bloqueio que é o que verdadeiramente afeta ao cidadão cubano: é o bloqueio do governo para evitar que algum cubano progrida economicamente. Por exemplo, a nova Lei de Investimento Estrangeiro aprovada mês passado, permite a qualquer pessoa deste planeta a possibilidade de investir na ilha. No entanto, não existe uma só Lei de Investimento que permita aos cubanos residentes em Cuba investir no desenvolvimento econômico de seu país.

O governo permite a atividade de um magro setor privado (lá denominados “cuentapropistas”), mas somente se pode desenvolver 178 atividades desta forma. Entre estas atividades se contam: cabeleireiro, gastrônomo, jardineiro, cocheiro de veículo de tração animal, forrar botões e até revender CDs piratas. Os cuentapropistas veem “bloqueado” seu desenvolvimento econômico pelo próprio governo cubano. Não podem ter acesso a créditos financeiros, não podem comprar em mercados atacadistas, ao contrário das empresas estatais, não tem acesso a matérias primas para desenvolver seu trabalho (por exemplo farinha para fazer pão, somente à venda em empresas estatais), tem taxas de impostos sobre renda a níveis similares ao da Suécia e da Áustria (50% se ganha mais de U$160 ou R$360,89 por mês).

Proibições em Cuba, que limitam o progresso, estão à ordem do dia: preço dos carros, preço dos imóveis, salários miseráveis, internet proibida nas casas, acesso limitado a informação, ausência de liberdades políticas, impossibilidade de exportar e importar mercadorias…

Para finalizar, deixo uma pergunta: Por que Cuba, sendo uma ilha, não conta com uma indústria pesqueira? O “bloqueio” norte-americano sem dúvida impacta nos preços de determinados bens, mas é o bloqueio interno o que impede o desenvolvimento do país.

 


Notas:

*Conversão de dólares americanos para reais feita pelo site XE em 27/08/2014.

**Em Cuba existem duas moedas oficiais em circulação: o peso cubano e o peso cubano conversível. O peso cubano conversível é artificialmente pareado com o dólar, e serve como substituo para este dentro da ilha pois somente lá pode ser obtido e usado (os cubanos são proibidos de aceitar dólares americanos em suas transações). Quem tem acesso a dólares, e consequentemente a pesos cubanos, tem um poder de compra 24 vezes maior que o cidadão normal.

***O queijo manchego é originário da região de La Mancha, Espanha. No Brasil, 1kg deste queijo pode ser comprado por R$119,00. Menos da metade do preço em Cuba: R$270,40.

****Cuba foi governada por um governo ditatorial de 1948 a 1961 – derrubado pela Revolução Cubana, e por outro de 1961 até o presente momento – instalado pela Revolução Cubana.

Leia também:

Alexander Hamilton: Uma Mente Conservadora Não-Ortodoxa

Por Mark DeForrest. Publicado originalmente no The Imaginative Conservative. Tradução do inglês para o português por Renan Felipe dos Santos. Para ler o artigo original, clique aqui.

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Alexander Hamilton é uma figura controversa na direita moderna. Conservadores de tendência mais libertária tendem a ver Hamilton com suspeita quando não aberta hostilidade, pois o veem como o Founding Father mais responsável pela popularização da abordagem expansiva da Constituição que eventualmente levaria a um aumento do poder do governo federal sobre os assuntos dos Estados e a economia da nação. Outros conservadores, talvez melhor exemplificados por David Brooks, veem Hamilton como um proponente, segundo uma frase do próprio Brooks, de um conservadorismo de “grandeza nacional”. A adoção por parte de Hamilton de um governo enérgico não o tornou uma ameaça ao desenvolvimento da América, pelo contrário, foi uma condição necessária para que a expansão e a prosperidade da América se tornasse possível. Como George Will uma vez pontuou, vivemos no país de Hamilton e seus monumentos estão ao nosso redor.

A disputa sobre o lugar de Hamilton dentro da tribo conservadora é um reflexo da natureza não-ortodoxa de Hamilton em abordar a política e o direito. Mesmo assim, a obra de Hamilton foi essencialmente conservadora em sua natureza, mesmo que muitos dentro dos círculos conservadores atuais sintam-se profundamente incomodados com boa parte do legado de Hamilton. A natureza conservadora da obra de Hamilton torna-se evidente no estudo feito sobre sua vida e influência pelo historiador de Princeton, Clinton Rossiter. O livro de Rossiter “Alexander Hamilton and the Constitution” ainda é um dos melhores estudos em profundidade sobre a abordagem de Hamilton à teoria política e constitucional.

Ainda que a política de Hamilton tenha sido frequentemente de um tipo único e peculiar (como diz Rossiter, “se Hamilton era um conservador, era o único do seu tipo”), nas obras de Hamilton uma abordagem genuinamente conservadora à política e questões da liberdade ordenada está presente. Como Rossiter aponta:

Ele adotava uma versão secular da doutrina do Pecado Original, valorizava muito a lei, a ordem e obediência, assumia e existência de classes e depositava uma mensurada confiança na classe dominante, falava sinceramente sobre o papel do sentido religioso no homem e da religião organizada na sociedade, e exibia a aprovação padrão do conservador à prudência.

Hamilton desprezava ideólogos, condenava a “gula por inovação”, e declarava-se mais propenso a “incorrer nas negativas inconviências do atraso do que nos estragos da expediência imprudente”. Sempre com o pé atrás com relação aos pregadores de uma “perfeição ideal”, certo de que ele nunca veria “uma obra perfeita de um homem imperfeito”,  ele estava preparado para deixar muito ao acaso, e presumivelmente ao trabalho da prescrição e do processo social. Nunca foi tão eloquente como quando discutiu sobre o tema favorito do conservador: o caráter misto de todas as benesses que recaem sobre os homens. “A verdade é que”, escreveu a Robert Morris em 1781, “em assuntos humanos, não há algo bom, puro ou isento de mistura.” “É destino de tudo que é humano”  palestrava à Rufus King em 1791, “diluir uma porção de mal com o bem.”

Diferente de Jefferson, que cativou-se com a Revolução Francesa, Hamilton entendeu imediatamente que a Revolução Francesa era nada mais que um sanguinolento ataque à própria idéia de ordem civilizada. Como nota Rossiter, “ele escreve exatamente como Burke ou Adams em seus ataques ao “Grande MONSTRO” por sua impiedade, crueldade e licenciosiadade, pela reprodução da anarquia que leva direto ao despotismo, pela sua sanha de mudança e assaltos à propriedade pela sua imposição da “tirania do jacobinismo, que confunde e nivela tudo por baixo.”

Ainda que pouco se duvide de que Hamilton sentiria-se incomodado com porções da retórica ideológica empregada pela direita moderna, o conservadorismo (confiados na observação de Russell Kirk) não é essencialmente um compromisso ideológico. É um compromisso com a tradição, a prescrição, o costume e a prudência, bem como uma convicção permanente nos princípios da religião e da justiça natural. Compare as visões de Hamilton, como explicadas por Rossiter acima, com a enunciação de Kirk da abordagem conservadora fundamental às questões de ordem política e legal. Há um entendimento entre Hamilton e Kirk. A apreciação de Kirk sobre a contribuição de Hamilton para o conservadorismo está em seu Portable Conservative Reader, que contém trechos da obra de Hamilton (e, curiosamente, nenhum da obra de Jefferson).

Isso não significa que Hamilton se sentiria em casa no Partido Republicano moderno —Rossiter aponta em seu estudo de Hamilton (impresso em 1964 durante a ascensão da ala Goldwater-Reagan do GOP) que “Hamilton não era um modelo para o conservador médio imitar”. Hamilton acreditava muito em um governo ativo, restrito por limites constitucionais mas livre para auxiliar o desenvolvimento do país através de melhorias internas e apoio à indústria americana, como Rossiter aponta. Em muitos assuntos —sua recusa em perpetuar a posição privilegiada dos agricultores escravocratas sulistas na incipiente república e seu compromisso com a industrialização da economia americana, para ficar em duas — Hamilton poderia abraçar uma posição radical também. Como Burke ou Lincoln, Hamilton é difícil de localizar em nossas categorias ideológicas —para citar Rossiter aqui, Hamilton tem a “habilidade de desafiar a classificação.” Mas como Burke e Lincoln, os princípios políticos fundamentais de Hamilton, seus instintos, eram conservadores.

Em uma época onde nosso país (EUA) encara uma polarização política crescente e uma crise econômica sem fim, uma maior apreciação dos elementos do conservadorismo que transcendem o teor ideológico do momento deveria levar aqueles na direita a estudar a visão e as idéias de Hamilton com olho atento.