O que existe por trás da Lei Moral? (parte 1)

O QUE EXISTE POR TRÁS DA LEI MORAL?

Em resumo ao que Lewis considerou sobre a Lei Moral ou Lei da Natureza Humana, lembremos que as pedras, as árvores, os elementos da natureza em si, são regidos por leis naturais. Todavia, ao nos referirmos a essas leis naturais, nos voltamos não a leis propriamente ditas. Ou seja, ao afirmarmos que existe uma Lei da Natureza que rege os seres e o universo, estamos afirmando na verdade como a natureza de fato se comporta. Como foi explicado, ao se dizer que as pedras obedecem à Lei da Gravidade, tudo o que se está afirmando é como as pedras se comportam ao serem lançadas ao ar: elas caem.

Quando as árvores possuem formas que não beneficiam aos homens, seja porque elas não fornecem sombra o suficiente ou por qualquer outra razão, elas não são consideradas culpadas por isso. As árvores possuem determinado formato ou altura porque são assim e ponto final. Não existe a menor evidência de que elas se comportam de uma forma, mas há alguma lei que as incite a agir de outra maneira. O modo como as pedras, as plantas, os animais, o sol, a lua, as estrelas se comportam, reflete exatamente o que esses elementos são. Logo, a Lei da Natureza é apenas uma força de expressão para Lewis. Sim, porque dizer que a natureza é governada por leis significa apenas dizer que a natureza se comporta de uma determinada maneira.

Não há qualquer indício de que realmente exista uma lei independente dos fatos ligados ao comportamento da natureza. Isto é, o que observamos da natureza é tudo o que podemos extrair dela. Não podemos afirmar, nem há qualquer “rastro” da realidade da Lei da Natureza como algo acima ou independente do comportamento dos elementos naturais. Mas o mesmo não ocorre em relação aos homens. A Lei da Natureza Humana ou Lei Moral nos mostra uma realidade transcendente ao comportamento humano. Ela nos diz algo que supera o que podemos observar do comportamento dos homens. Enquanto os homens se comportam de uma forma, essa lei nos diz como os homens devem se comportar. Algumas vezes há uma harmonia entre os deveres morais impostos por essa lei e a forma como agimos, mas na grande maioria do tempo vivemos num conflito. Agimos de uma forma, mas sabemos que deveríamos ter agido de modo diferente. Nisso se resume a realidade da Lei da Natureza Humana ou Lei Moral Objetiva. Uma lei que não inventamos, mas sabemos que devemos obedecer, embora não a obedeçamos na maioria das vezes.

A esse respeito, vale destacar um trecho da obra que resumimos:

No caso das pedras, das árvores e de coisas dessa natureza, o que chamamos de Lei Natural pode não ser nada além de uma força de expressão. Quando você diz que a natureza é governada por certas leis, quer dizer apenas que a natureza, de fato, se comporta de certa forma. As chamadas “leis” talvez não tenham realidade própria, talvez não estejam além e acima dos fatos que podemos observar. No caso do homem, porém, percebemos que as coisas não são bem assim. A Lei da Natureza Humana, ou Lei do Certo e do Errado, é algo que transcende os fatos do comportamento humano. Neste caso, além dos fatos em si, existe outra coisa – uma verdadeira lei que não inventamos e à qual sabemos que devemos obedecer (LEWIS, 1997).

            Lewis aborda os dois pontos de vista a respeito das origens do universo. O materialista e o religioso. O primeiro defende a existência da matéria e do espaço por meio de combinações aleatórias, que produziram formas de vida menos complexas, as quais evoluíram mediante processos naturais até a produção das formas de vida mais complexas que conhecemos como seres humanos. Não há qualquer senso de escolha, vontade ou finalidade para a existência do universo nesse ponto de vista. Já o ponto de vista religioso defende que existe algo “por trás” do universo. Algo mais parecido com uma mente. Algo consciente. Dotado de escolhas, vontade e propósito. Essa visão defende que um ser dotado de mente criou o universo. Muitos desígnios desse ser permanecem ocultos, mas outros são totalmente claros como, por exemplo, o de criar seres semelhantes a Ele. Ou seja, criar seres que possuem mentes.

CONTINUA

Referência:

LEWIS, C. S. Cristianismo Puro e Simples. 5ª ed. São Paulo: ABU, 1997, páginas 14-15.

Autor: Elicio Santos

Escrevo por prazer e leio por curiosidade. Sou graduado em Direito pela Universidade Estadual de Santa Cruz e advogado. Curso pós-graduação em Direito do Trabalho e Previdenciário. Tenho alguns livros publicados de poesia e ficção. Escrevo para três sites conservadores. Amo ler e escrever sobre teologia, filosofia política e jurídica. Sirvo a Cristo na Igreja Presbiteriana do Brasil.

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