Atentado na Catedral em Campinas. A culpa é das armas?

Era por volta das 11h30 da manhã da última terça feira 11 de dezembro, quando o desempregado Euler Fernando Grandolpho, de 49 anos, resolveu sair de casa carregando, entre outros pertences, uma pistola calibre 9 milímetros e um revólver 38, ambos carregados, além de três pentes de munição que juntos somavam 50 cápsulas. Todo o Brasil assistiu atônito ao ocorrido em uma catedral católica de Campinas, cidade de São Paulo. Durante uma missa Euler atirou contra fiéis desarmados e, em menos de dois minutos acertou oito pessoas.Quatro morreram no local e uma veio a óbito no dia seguinte. Após ser alvejado no tórax por policiais e se ver encurralado, Euler cometeu suicídio. Essa soma trágica reacende os ataques da esquerda contra a flexibilização das previsões do Estatuto do Desarmamento. O objetivo dessa nova política é garantir o direito à autodefesa aos cidadãos que assim o desejarem. Mas muitos são contra.

            Toda vez que um novo atentado ocorre,a esquerda fica em polvorosa e se utiliza de argumentos semelhantes contra o armamento da população. Entre os mais usados figuram dois: 1) quanto mais armas à disposição, mais crimes ocorrerão. 2) As armas são as responsáveis pelas mortes de pessoas, basta ver os atentados nos Estados Unidos. Bem, sem ter degastar muito da minha massa encefálica, refutarei a esses dois argumentos e -ao final desse artigo – voltarei à conclusão sobre o atentado em Campinas.

Mais armas mais crimes?

A organização Mapa da Violência coletou dados de 1980 até o ano de 2014. Contando do ano da edição do Estatuto do Desarmamento (2003) até o ano de 2014, quando apolítica desarmamentista já era vigente, o número de homicídios praticados pelo uso de armas de fogo saltou de 34.921 para 42.291 [1]. Mas esses números deveriam ser menores, correto? Errado. Por quê? Pelo simples fato da maioria dos homicídios praticados pelo uso de armas de fogo ocorrer mediante o uso de armas ilegais. Para provar que a quantidade de armas de fogo presentes em um território nada tem a ver com o índice de homicídios, basta recorrer a estudos como o feito pelo FBI [2], o qual aponta que 11.004 pessoas foram mortas por armas de fogo nos EUA em 2016. Desse montante, 5.500 morreram por suicídio. No Brasil foram registrados 43.200 homicídios por armas de fogo no mesmo ano [3]. Lembremos que cerca de 40% da população norte-americana possui ou tem algum parente que possui armas de fogo.

Armas Matam, basta ver os atentados nos EUA.

É verdade, armas de fogo matam. Facas também matam, assim como pedras, pedaços de madeira, de ferro, automóveis, etc. Mas quem maneja as armas? São as pessoas,certamente. Logo, quem deve ser responsabilizado pela prática de crimes não são as armas, mas quem as utiliza para fins ilícitos. Seja por puro dolo, imperícia ou negligência (culpa), os responsáveis são os humanos. Armas podem matar, mas também podem ser agentes de salvação de vidas. Faz pouco tempo que um parente de um amigo meu foi morto por golpes de madeira efetuados contra a cabeça dele.Então, seguindo o raciocínio esquerdista, também se deve proibir o acesso das pessoas a pedaços de madeira? Quem não possui ao menos uma faca dentro de casa? É sabido que muitos homicídios são efetuados por armas brancas. Assim, devemos também ser privados do acesso às facas? Percebe a falácia desse argumento? As armas podem ser instrumentos de morte? Com certeza. Mas inúmeras vidas são salvas por elas. Um exemplo extremo nesse sentido é a derrubada do Nazismo. Hitler seria derrotado pelo uso de pombas da paz por seus adversários? Quantos civis são salvos de criminosos por disparos efetuados pelos agentes da Segurança Pública?

A esquerda brasileira ama papaguear o argumento da esquerda americana que se resume à culpa das armas pelas mortes  violentas ocorridas nos Estados Unidos. Refiro-me às mortes decorrentes de atentados. Aqueles que ocorrem todos os anos quando algum maluco invade um espaço público disparando tiros a esmo e, na maioria das vezes, após ceifar várias vidas tira a própria em sequência. Mascabe ressaltar um dado sobre esses atentados. De acordo com a Crime Prevention Research Center [4], em pesquisa realizada no período de 1950 até 2016, 98% dos atentados com armas de fogo nos EUA aconteceram em áreas de política de desarmamento civil, as chamadas “guns free zones”. Ou seja, os criminosos escolhem deliberadamente cometer seus crimes em áreas em que eles têm a plena certeza de que, pela proibição do porte de armas, não haverá revide ou reação contra eles. Pode-se extrair desse fato que a política desarmamentista veda apenas aos cidadãos (que cumprem as leis) o acesso às armas de fogo. Criminosos ignoram as leis do Estado, portanto continuarão armados “até os dentes”. O controle de armas em Paris, por exemplo, (que é extremamente forte) não foi capaz de impedir a consumação dos ataques terroristas que sofreu.

O Engano da Grande Mídia

Muito se alarma sobre o perigo supremo das armas. É certo que elas, quando mal utilizadas, podem matar. Mas você sabia que as estatísticas comprovam que há elementos pouco divulgados que matam mais do que as armas? Tomemos como  exemplo o número de homicídios praticados em atentados que não supera a quantidade de estudantes mortos pela prática excessiva de exercício nas atividades de educação física. Quando uma criança morre vítima de disparo acidental de arma de fogo, a imprensa logo “cai em cima” para enquadrar as armas no rol das vilãs supremas. Mas você sabia que a quantidade de mortes de crianças ocasionadas pela ingestão de produtos de limpeza é noventa vezes maior do que as mortes provocadas por armas? Mas isso pouco se divulga, por que será?

Armas salvam vidas

É bem verdade que muitas pessoas morrem em decorrência do uso ilícito das armas de fogo, mas muito mais vivem por causa delas. As armas que matam, em sua grande maioria, são as que se encontram nas mãos dos criminosos. Ou seja, as armas de fogo ilegais são as responsáveis pela quase totalidade dos homicídios. Um estudo recente da Universidade de Chicago [5] sobre o uso defensivo de armas mostrou que em 99% dos confrontos com criminosos a vítima só precisa sacar a arma para espantar o bandido e impedir o crime, e que menos de 0,1% dos crimes com armas de fogo foram cometidos por cidadãos que possuem uma arma legalizada.

Conclusão: quem foi o culpado pelo atentado em Campinas?

Como ocorre nas “guns free zones” (zonas livres de armas) O maníaco de Campinas tinha a plena certeza de que encontraria vítimas desarmadas. Alguém leva uma pistola automática para o culto ou missa? O mesmo se deu no massacre em Realengo no Rio de Janeiro, onde estudantes foram os alvos. Assim, podemos dar um ponto a favor do uso de armas para a autodefesa dos cidadãos.

O senhor Euler Fernando Grandolpho não tinha posse nem porte de arma de fogo. O nome dele não consta do Sistema Nacional de Armas (Sinarm) responsável pelo controle de armas no Brasil [6]. Assim, as estatísticas mais uma vez se confirmam contra a política desarmamentista, pois a gigantesca maioria dos crimes cometidos por armas de fogo são praticados por armas ilegais. Mais um ponto a favor do armamentismo defensivo.

Em suma, o uso de armas de fogo deveria ser restrito aos agentes da Segurança Pública. Todos gostariam de viver num mundo civil sem armas. Mas essa realidade é utópica. Enquanto se desarma a população não se retira uma pistoladas mãos dos criminosos. Sendo assim, o direito à defesa pessoal da população deve ser respeitado. Afinal, a nossa Constituição reza no caput do seu art. 5º: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza,garantindo-se aos brasileiros e estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade (…)” – grifo meu –. Essa inspiração legislativa decorre da Declaração Universal dos Direitos Humanos que versa em seu artigo III: “Toda pessoa tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.” Em ambos os diplomas se estabelece a garantia à segurança pessoal,seja por meio dos órgãos de Segurança Pública, seja pela autodefesa. A polícia não está nem estará em todos os lugares, concorda? A preocupação das autoridades deve se concentrar nas armas ilegais dos criminosos, não no uso regulamentado das armas de fogo pelos cidadãos cumpridores de seus deveres pátrios. Como bem disse Flávio Quintela: “Cidadãos de bem do Brasil e do mundo – brancos, negros,héteros, gays, homens, mulheres, jovens, idosos (caso entendam como o exercício de um direito necessário) – armai-vos!” [7] – grifo meu.

Referências:

[1] MAPA DA VIOLÊNCIA 2016. Homicídios por arma de fogo no Brasil. Disponível em: < www.mapadaviolencia.org.br> Acesso: 24/11/18.

[2] BRASIL, News. Cultura de armas nos EUA. Oito gráficos que explicam o fenômeno. Disponível em: < https://www.bbc.com/portuguese/internacional-41501743> Acesso: 14/12/18.

[3] Revista Galileu. Brasil é o país onde mais se mata com armas de fogo no mundo.

Disponível: < https://revistagalileu.globo.com/Sociedade/noticia/2018/08/brasil-e-o-pais-onde-mais-se-mata-com-armas-de-fogo-no-mundo.html> Acesso em 14/12/18.

[4] Fernandes, Fernando. Duas mentiras que a TV conta sobre a liberação de armas. Disponível em: < http://patriota51.org.br/2-mentiras-que-a-tv-conta-sobre-a-liberacao-de-armas/> Acesso: 14/12/18.

[5] QUINTELA, Flávio. É hora de falar de armas. Gazeta do Povo. Disponível em: < https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/colunistas/flavio-quintela/e-hora-de-falar-de-armas-37c2r7hhk079z2evc2fl531xe/> Acesso: 14/12/18.

[6] RIBEIRO, Aline; MARIZ, Renata. Atirador de Campinas não tinha arma em seu nome. Disponível em: < https://oglobo.globo.com/brasil/atirador-de-campinas-nao-tinha-armas-em-seu-nome-23300483> Acesso: 14/12/18.

[7] Quintela, Flávio, Ibidem.

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Autor: Elicio Santos

Escrevo por prazer e leio por curiosidade. Sou graduado em Direito pela Universidade Estadual de Santa Cruz e aprovado no XXVI Exame de Ordem da OAB.Tenho alguns livros publicados de poesia e ficção. Escrevo para três sites conservadores. Amo ler e escrever sobre teologia, filosofia política e jurídica. Sirvo a Cristo na Igreja Presbiteriana do Brasil.

2 comentários em “Atentado na Catedral em Campinas. A culpa é das armas?”

    1. Que bom que gostou, amigo. Realmente o famigerado Estatuto do Desarmamento não passa de uma manobra esquerdista voltada aos interesses dos poderosos bandidos e dos bandidos que, contra uma população desarmada, são poderosos.

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