O elitismo velado do desarmamento civil

Como Hans-Hermann Hoppe diagnosticou em sua obra “A Produção Privada da Defesa”, e Gustave de Molinari em “A Produção da Segurança”, um dos problemas da sociedade moderna é a confusão entre segurança e justiça, que decorre do fato de que ambos os serviços foram praticamente monopolizados pelo Estado e frequentemente são fornecidos pela mesma corporação estatal. Esta confusão entre dois conceitos distintos é mais evidente quando discutimos os temas da criminalidade, da violência e da segurança pública, por exemplo as questões do desarmamento civil e da redução da maioridade penal.

Uma boa parte dos (de)formadores de opinião parece assumir que se tivéssemos um país mais justo e com mais oportunidades, a questão da segurança deixaria de ter tanta importância porque o crime reduziria drasticamente. Mas segurança e justiça não são a mesma coisa. Justiça é quando alguém rouba o seu celular, você denuncia o ladrão, ele é julgado e condenado a uma pena determinada por um juiz. Idealmente, você obtém o seu celular de volta. Já segurança é quando você adota as medidas necessárias para que o seu celular não seja roubado. A Justiça é punitiva, restaurativa ou uma mistura entre as duas. A segurança nunca tem um caráter punitivo ou restaurativo, mas sempre preventivo. Os objetos da justiça são o criminoso, a vítima e a sociedade. O objeto da segurança é a integridade e a propriedade do assegurado.

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É de fundamental importância diferenciar estas duas coisas. Todo ser humano precisa de segurança mesmo que a justiça falhe por completo, pois é seu direito individual à vida, à liberdade e à propriedade que está em jogo e é seu direito protegê-los mesmo que para isso necessite recorrer à força. Para o indivíduo, é irrelevante se os criminosos serão punidos ou recuperados se ele ou seus entes queridos estiverem mortos ou gravemente feridos, ou se lhe roubarem o patrimônio acumulado ao longo de anos de trabalho e poupança. A necessidade de proteção da sua vida, da sua liberdade e da sua propriedade vem antes da exigência da punição ou recuperação do criminoso.

Entender esta distinção e a necessidade da segurança nos ajuda a lançar um novo olhar sobre a questão do armamento civil. O cidadão necessita do direito ao porte de armas, mesmo que opte por não usufruir do direito ou jamais se veja forçado a usar uma arma, por uma questão de opcionalidade: é melhor ter a opção de usar a força e não necessitar usá-la, do que necessitar usá-la e não ter esta opção. Os bancos, as transportadoras de valores, os políticos e megaempresários (sempre bem escoltados) parecem entender a diferença entre segurança e justiça, e o valor da primeira: eles protegem suas propriedades e suas vidas com homens armados e treinados profissionalmente no manejo de armas. Eles sabem o poder dissuasivo das escoltas armadas, das cercas elétricas, dos cães de guarda e sabem que, se mesmo assim alguém tomar a decisão de invadir suas propriedades ou atentar contra suas vidas, não poderá fazê-lo sem arriscar as próprias vidas. Eles, os políticos, magistrados e milionários, não esperam que uma pessoa mal-intencionada atue até conseguir o seu objetivo para logo então chamar a polícia e recorrer à justiça. Eles não querem isso para eles, só para os cidadãos comuns e assalariados. Só os cidadãos pedestres devem ter o acesso aos meios de defesa restritos, controlados e preferivelmente proibidos. Só os cidadãos e suas famílias devem depender exclusivamente da polícia para sua proteção.

Medidas como o desarmamento civil não são mais do que um reflexo do elitismo da nossa casta política, que não consegue ver o cidadão comum como um igual em direitos, mas como um bruto, um bárbaro incivilizado a ser educado e reformado pelo Estado, guiado pela iluminada classe política. A simples ideia de que um cidadão armado é um criminoso em potencial, deixada nas entrelinhas quando se associa de maneira mentirosa o acesso legal a armas com o aumento da criminalidade, escancara este fato. O propósito alegado do desarmamento civil é reduzir a violência, mas o seu propósito real e velado é submeter o país a uma desigualdade ainda mais abissal, que é a desigualdade de acesso à segurança, à proteção da vida e da propriedade do cidadão brasileiro.

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Autor: Renan Felipe dos Santos

Indie Game Localizer.

18 comentários em “O elitismo velado do desarmamento civil”

  1. Concordo plenamente com o autor. Infelizmente aprovaram o estatuto do desarmamento na calada da noite e agora é extremamente difícil conseguirmos a sua revogação, mas não vamos parar de pressionar e vigiar, o povo brasileiro,o cidadão honesto e trabalhador não pode ter o seu direito a defesa individual castrado pelo Estado.

  2. Só verdades estava lendo sobre um senhor de 64 anos que mora na área rural 50 km da cidade foi preso por possuir duas armas de grosso calibre um pistola 380 e uma espingarda 28 uma verdadeira piada grosso calibre ??? E agora como esse pobre senhor vai se defender no mínimo falta discernimento entre o certo e o errado por parte da polícia !!

  3. Adorei a matéria explica detalhadamente o nosso sentimento de querer se defender e não poder ter esse direito.
    O que eu sempre digo em relação a esse tema é que é melhor ter não precisar do que precisar é não ter.
    Arma na mão do cidadão não dá dor de cabeça para a justiça.

  4. Bem no meu ponto de vista a segurança privada deveria ter porte de arma no qual tem que ter no mínimo, cinco anos de experiência comprovada em carteira e curso de formação de vigilante ter carteira nacional do vigilante que a polícia federal autoriza e passe pelo pisicoligo e que os vigilantes com experiência acima desse limite tenham a possibilidade de porte de arma gente o vigilante também é um cidadão porém o porte ser com aquele que tenham experiência apartir de no mínimo cinco anos de experiência e carteira comprovada esta é minha opinião

  5. Onde está o direito igual a todos as pessoas. Nossos politocos infelizmente não tem condições de cuidar do povo que os elegeram, eles só olhando o próprio rabo.

  6. EXATAMENTE, EM OUTRAS PALAVRAS OS POLÍTICOS DE ESQUERDA DESSA REPÚBLICA CLEPTOCRATA PRETENDEM O CAOS INSTAURADO E SE ARMAM E SE ESCOLTAM, MANTENDO O POVO DESARMADO PARA SUBMETÊ-LO A SUA IDEOLOGIA TOTALITÁRIA MARXISTA CAVIAR.

  7. Excelente reportagem. Retrata fielmente o pensamento e a realidade dos cidadãos que não possuem carros blindados, escoltas armadas ou qualquer outro meio que não seja a dependência do estado (falido diga-se de passagem) para protegê-lo. Tarefa está que, o Estado não cumpre e, não permite ao cidadão cumprir por conta. O maior bem que o ser humano tem é sua vida e de sua família, mas o Estado o proíbe ou dificulta o exercício de defesa deste bem e de outros.

  8. Excelente artigo! O principal sintoma da esquerdalha desamarmentista é a PSICOPATIA! POIS mais de 1 MILHÃO de mortos pelo DESARMAMENTO dos cidadaos de bem- e eles requerendo a soltura dos BANDIDOS para matar ainda mais pessoas DESARMADAS#

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