O mito do referencial, a vida social e a ciência moderna: algumas considerações popperianas

Resumo

Este artigo terá como objetivo discorrer brevemente sobre alguns fatores relevantes para o crescimento da influência do mito do referencial na vida social e no campo da pesquisa científica. Esse mito, de acordo com Popper, é o que sustenta o relativismo contemporâneo, isto é, a doutrina segundo a qual a verdade é relativa ao nosso referencial ou formação intelectual (POPPER, 2008). Encerraremos apontando alguns perigos relacionados a essa postura relativista quanto ao status da ciência como atividade liberalizadora ou de profuso debate racional; realçando a importância da manutenção de uma noção de verdade objetiva.

Introdução

O mito do referencial, segundo Popper, constitui-se de “[…] uma falsa história amplamente aceita […]” (POPPER, 2008, p.210). Essa história afirma que uma discussão racional frutífera é impossível a não ser que os seus participantes compartilhem um referencial comum de pressupostos básicos. De fato, conforme diz o filósofo austríaco, essa visão é demasiadamente difundida no meio social e não duvido de que o leitor até a aceita, ainda que inconscientemente. Porém, veremos que ela se centra em um erro que tem inviabilizado o debate racional de ideias e que, nos dias atuais, exemplos concretos não têm faltado.

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Os relativistas colocam diante de nós padrões de entendimento mútuo que são irrealisticamente elevados e que caso não sejam atendidos, o entendimento torna-se impossível. Popper, contrariamente, argumenta que com esforço e boa-vontade é possível um consenso de amplo alcance. Além do mais, todo esse esforço pode ser bem recompensado pelo que aprendemos, numa discussão, acerca dos próprios pontos de vista que sustentamos e também acerca daqueles que estamos dispostos a entender.

Por outro lado, o mito do referencial contém uma parcela de verdade, pois embora Popper sustente que é um grande exagero dizer que uma discussão racional é frutífera apenas se seus participantes compartilham um referencial de pressupostos, a discussão entre dois indivíduos que não compartilham um referencial sequer pode ser difícil. Da mesma forma, também será difícil se seus referenciais tiverem pouco em comum e, opostamente, mais fácil quanto maior a superposição deles.

Quanto à fecundidade do mito, argumentaremos, à luz da exposição popperiana, que uma discussão entre duas pessoas que compartilham um mesmo ponto de vista pode até ser agradável, mas não frutífera. Uma discussão será, assim, frutífera, quanto menos pressupostos o interlocutor e o locutor compartilharem. Poderemos até achá-la desagradável, mas, gradativamente, também podemos aprender a gostar dela.

Assim procedendo, relacionaremos essa discussão crítica do mito do referencial ao método científico e mostraremos que apesar de os nossos pontos de vista sobre o mundo estarem impregnados de teoria, tal fato não nos impede de avançar para teorias ainda melhores; o que realça a importância da discussão crítica das teorias, tradição fundada pelos filósofos pré-socráticos. Concluiremos ressaltando a importância da noção de verdade objetiva no contexto atual de modismos e pressão social que acabam influindo no trabalho dos cientistas.

A racionalidade e o mito do referencial enquanto obstáculo

A tese tomada como amparo por Popper na crítica ao mito do referencial é a de que a nossa civilização ocidental é resultado do choque ou da confrontação de diferentes culturas e, logo, da confrontação de referenciais.

Admite-se, portanto, que a nossa civilização possa ser tomada, ainda que de forma eufemística, como racionalista – sendo isso, em grande parte, herança da civilização greco-romana. Herdamos o alfabeto e o cristianismo não apenas a partir de choques culturais com os gregos, mas também com os judeus e com outras civilizações do Oriente.

O “milagre grego”, o surgimento da filosofia, da arte e da poesia grega, também é associado por Popper ao choque entre diferentes culturas. Quanto à filosofia, Popper nos diz que o impacto do choque cultural sobre ela é evidente desde os mais antigos relatos sobre Tales. Tendo a filosofia pré-socrática o mérito de ter inaugurado uma nova tradição que viabilizou a atitude crítica, uma vez que as escolas de pensamento surgidas nela não tinham por objetivo preservar dogmaticamente as palavras de seus fundadores, como na tradição religiosa, mas atualizar permanentemente o debate crítico sobre as teses formuladas (PEREIRA, 1993). Nas palavras do nosso autor:

Agora, continuava a haver naturalmente uma estória a ser transmitida, mas com ela se comunicava também algo como um texto de acompanhamento: “Passo-te esta tradição, mas deves dizer-me o que pensas dela. Reflete: talvez possa dar-me uma explicação distinta.” Essa tradição de segunda ordem era a atitude crítica e analítica: algo novo, que é o fundamental da tradição científica (POPPER, 1982, p. 153).

Segue-se que Popper, apesar de ter sido um admirador da tradição, era um adepto quase ortodoxo da heterodoxia, pois uma vez que o conhecimento progride por meio de discordâncias, a ortodoxia pode ocasionar a morte desse progresso. Por outro lado, por mais que a discordância possa trazer a contenda e até a violência, ela também pode levar ao caminho da argumentação, da discussão crítica e mútua de ideias. Sobre a importância prática disso, ele comenta: “Sugiro que um passo mais largo em direção a um mundo melhor e mais pacífico deu-se quando a guerra de espadas começou a ser sustentada, e às vezes mesmo substituída, por uma guerra de palavras” (POPPER, 2008, p. 210).

Contudo, não devemos esperar, diz Popper, que uma confrontação de ideias traga resultados finais com rapidez. Para obtermos a verdade, precisamos ser engenhosos tanto na crítica de velhas teorias como na invenção imaginativa de novas teorias ou de novos mitos, conforme a terminologia antiga.

Discussões críticas sérias são muito difíceis, de acordo com o filósofo austríaco, uma vez que entram em jogo elementos humanos não racionais. Participantes de uma discussão racional costumam achar muito difícil ter que desaprender o que a todo mundo é ensinado. Eles têm que aprender que a vitória em um debate não é significativa, mas que um único esclarecimento recebido, a menor contribuição em direção a um melhor entendimento de uma posição sustentada é um grande sucesso desse empenho crítico. Uma discussão vencida, mas que não ocasiona uma mudança ou um melhor esclarecimento das convicções de seu vencedor é, por sua vez, uma dura perda. Uma discussão significativa é, portanto, rara. Ela é modesta em seus objetivos e, diferentemente de uma moda ou ideologia, não visa uma conversão.

Ultimamente, porém, os tempos não têm sido bons para essa tradição. Popper lista alguns fatores que sustentam essa afirmação. A primeira já foi aqui apontada, isto é, a fácil aceitação do mito do referencial tem como resultado a forte expectativa de que toda discussão crítica leva a uma decisiva e merecida vitória intelectual da verdade. A segunda está associada ao relativismo cultural ou histórico, ou seja, ao ponto de vista de que a verdade não é objetiva ou absoluta e sim relativa ao referencial intelectual ou cultural dos participantes de uma discussão.

De acordo com Popper, os primeiros traços desse último perigo podem ser discernidos em Heródoto, o pai da história. Heródoto foi alguém cujo horizonte de expectativas se ampliou graças às suas constantes viagens. Em começo, diz o nosso autor, ele pode ter se sentido chocado pelos costumes e instituições muito estranhos com os quais se deparou no Oriente, porém aprendeu a respeitá-los e a considerar alguns criticamente. Além disso, viu outros como resultados de acidentes históricos.

Tomando esse exemplo, vemos que a cada instante de nosso desenvolvimento pré-científico ou científico vivemos no centro de um horizonte de expectativas (POPPER, 1975). Popper entende por isso a soma total de nossas expectativas, sejam elas conscientes ou subconscientes; ou, até mesmo, proferidas explicitamente dentro de uma linguagem. Esses vários horizontes de expectativas diferem não apenas por serem mais ou menos conscientes, mas também em conteúdo. Eles desempenham o papel de uma moldura de referência. Apenas nessa moldura eles conferem sentido a nossas experiências, ações ou observações.

Esse é um estado natural das coisas, diz Popper, mas que, sem a devida cautela, pode alimentar o relativismo cultural ou histórico. O ponto de vista de que não há uma verdade objetiva ou absoluta, mas uma verdade para os egípcios, outra para os gregos e outra para os romanos é o que caracteriza essa postura relativista; combinada por muitos, de acordo com o filósofo austríaco, com “uma lógica bastante dúbia” (POPPER, 2008, p.221).

Popper diferencia, portanto, duas maneiras diferentes de levarmos em conta o relativismo cultural. A primeira leva em conta convenções arbitrárias tais como as variações das regras de trânsito de um país para o outro. Um exemplo dado pelo filósofo é que enquanto na Austrália, na Nova Zelândia e na Inglaterra os motoristas têm que se posicionar do lado esquerdo da estrada, nos Estados Unidos, e em muitos outros países, eles devem se posicionar do lado direito. A escolha de um dos lados é, portanto, puramente arbitrária ou convencional. A mesma relação vale nas diferenças de grafia e pronúncia entre as palavras da língua inglesa nos Estados Unidos e na Inglaterra ou do português entre Portugal e Brasil.

Logo, caso levemos em conta somente costumes e regras convencionais como os mencionados, não há chances de o mito do referencial ser tomado seriamente. Uma discussão entre um americano e um inglês a respeito da regra de trânsito provavelmente terá um acordo em seu desfecho. O americano entenderia as razões pelas quais a Inglaterra não quer fazer uma mudança que, apesar de ser conveniente para ele, pode ser extremamente custosa. Assim, essa discussão terminará sem algum aprendizado para os dois envolvidos.

A segunda maneira aplica-se à consideração do mito do referencial relacionada a outras instituições, leis ou costumes, como aqueles associados à administração da justiça. Costumes e leis diferentes nesse campo podem fazer muita diferença para aqueles que vivem sob eles, diz Popper. Uns costumes podem ser muito cruéis e outros podem trazer alívio ao sofrimento de um determinado grupo de pessoas. Alguns países e suas leis prezam pela liberdade, enquanto outros o fazem menos ou não o fazem absolutamente. Vemos isso atualmente em países de governo tirânico, tais como Coreia do Norte e Venezuela.

Uma discussão crítica dessas questões não é apenas possível, mas urgentemente necessária. Quanto a isso, quando duas pessoas estão em desacordo, esse fato se dá ou porque elas têm opiniões diferentes ou interesses diversos ou ambas as coisas (POPPER, 1981). Não apenas isso: na vida social existem divergências de opiniões que devem ser resolvidas de qualquer forma e perguntas que devem ser esclarecidas antes que gerem uma tensão insuportável. Transfiramos agora essa discussão para o âmbito da filosofia da ciência.

O mito do referencial e o status da ciência enquanto atividade liberalizadora

Durante as grandes e acaloradas discussões após a Primeira Guerra Mundial, Popper descobriu o quanto era difícil chegar a algum lugar ao discutir com pessoas que vivem em um referencial fechado (POPPER, 2008). O filósofo austríaco refere-se a grupos de teóricos tais como os marxistas, os adlerianos e os freudianos. Nenhum deles admite ser abalado em seus pontos de vista adotados. Qualquer argumento contrário a suas concepções era julgado a partir de seus referenciais de modo a ajustar-se a esses últimos. Desse modo, era, para eles, sempre possível fazer uma análise psicanalítica ou sociológica do oponente. A crítica às ideias marxistas devia-se ao preconceito de classe, às ideias freudianas à repressão e às adlerianas à tentativa de compensar um sentimento de inferioridade. Sobre esse proceder, o nosso autor comenta:

Sempre que a própria estrutura for atacada, os seus defensores irão, regra geral, interpretar e refutar o ataque no interior da própria estrutura por eles adoptada. Mas, ao tentar traduzir argumentos críticos dirigidos para uma linguagem adequada a essa estrutura, estão dispostos  a produzir distorções fatais e mal- entendidos (POPPER, 1987, p.51).

Popper achou esse padrão estereotipado das atitudes desses pensadores deprimente e repulsiva e informa que nada disso encontrava nos calorosos debates dos físicos a respeito da teoria geral de Einstein (POPPER, 2008). A lição tirada por ele a partir disso é que as teorias são importantes e indispensáveis porque sem elas não poderíamos nos orientar no mundo e até mesmo as nossas observações são interpretadas com a ajuda delas. O marxista acaba por ver, literalmente, a luta de classes em todos os acontecimentos, enquanto o freudiano vê a repressão e a sublimação e o adleriano vê os sentimentos de inferioridade em toda ação ou em todo proferimento.

É evidente, portanto, que a nossa necessidade de teorias é imensa e, diz Popper, assim é o poder delas. Por outro lado, é de maior importância nos prevenirmos do vício em qualquer teoria particular e que não fiquemos apanhados em uma prisão mental. Apesar de ainda não conhecer a teoria do choque cultural na época, o nosso autor fez uso dos seus choques com os viciados em diversos referenciais para gravar em sua mente o ideal de libertação intelectual de uma teoria à qual uma pessoa pode ficar presa inconscientemente e em qualquer momento de sua vida.

Contra esse posicionamento, é possível a objeção de que esse ideal de autolibertação, de rompimento da prisão na qual nos encontramos, é parte de outro referencial ou prisão e que, assim, nunca podemos estar livres. O filósofo austríaco responde que a partir desse ideal, pelo menos, podemos ampliar a nossa prisão e abandonar a estreiteza de quem se encontra viciado em seus muito rígidos grilhões.

Dessa forma, apesar de os nossos pontos de vista estarem sempre impregnados de teoria, tal fato não impede de progredirmos para teorias ainda melhores. Tendo em consideração a formulação linguística das nossas crenças, podemos criticá-las e por meio dessa crítica obter teorias ainda melhores; ampliando não apenas a prisão na qual nos encontramos, mas melhorando a nossa compreensão do mundo e da nossa situação enquanto habitantes dele.

Por conseguinte, devemos exigir que qualquer teoria considerada como mais promissora que a sua anterior possa ser comparada com esta. Isto é, elas não podem ser “incomensuráveis”, para usar o termo introduzido nesse contexto por Thomas Kuhn.

Com isso, é importante distinguir entre incomensurabilidade e incompatibilidade. Enquanto a incompatibilidade é uma relação lógica, exigindo um referencial lógico, a incomensurabilidade não exige um referencial lógico em comum. Referindo-se às astronomias de Ptolomeu, Aristarco e Copérnico, Popper exemplifica a aplicação dessas relações:

Por exemplo, a astronomia de Ptolomeu está longe de ser incomensurável com aquela de Aristarco e Copérnico. Sem dúvida, o sistema copernicano nos permite ver o mundo de uma maneira totalmente diferente; sem dúvida há, psicologicamente, uma mudança de Gestalt, como Kuhn a chama. Isso é psicologicamente muito importante. Mas podemos comparar os dois sistemas logicamente. De fato, foi um dos principais argumentos de Copérnico que todas as observações astronômicas que podem se ajustar a um sistema geocêntrico podem, por um simples método de translação, ser sempre ajustadas a um sistema heliocêntrico. Existe sem dúvida uma diferença extremamente importante entre esses dois pontos de vista do universo e a magnitude do abismo entre esses dois pontos de vista pode bem nos fazer estremecer. Mas não há nenhuma dificuldade em compará-los (POPPER, 2008, p.230-31).

Logo, a comparação entre teorias ou sistemas teóricos é sempre possível. Teorias que oferecem soluções aos mesmos problemas ou a problemas estreitamente relacionados são via de regra comparáveis e a discussão delas efetivamente frutífera. Tal situação é de extrema importância para a condição da ciência enquanto atividade liberalizadora que, em conexão com a realidade sócio-política, é capaz de explicar a realidade e libertar o homem de crenças obsoletas e que o reprimem (PEREIRA, 1993).

Conclusão: modas, pressão social e a ainda relevante importância da noção de verdade objetiva para a atividade científica

Ao longo da discussão precedente, vimos que, diferentemente do que é amplamente difundido pelo mito do referencial, é possível uma discussão crítica frutífera sem que os participantes desta compartilhem pressupostos em comum. Vimos, ademais, transferindo a discussão para o estatuto do método científico, que apesar de os nossos pontos de vista estarem impregnados de teorias, é possível, por meio do debate racional, substituir essas teorias ou referenciais por outras ainda melhores. Sendo assim, o objetivo da ciência é procurar teorias verdadeiras, mas não apenas isso, ela procura verdades que sejam interessantes, isto é, verdades que oferecem soluções para problemas férteis profundos ou difíceis. Essa ideia de verdade como um ideal regulador da pesquisa científica é o que viabiliza a discussão racional, que busca ao máximo eliminar os erros (VIEIRA, 2017).

Dentro desse contexto, o cientista busca encontrar explicações satisfatórias para aquilo que nos impressiona como necessitando de uma explicação (POPPER, 1975). De acordo com o nosso autor, a explicação consiste de um conjunto de asserções através das quais podemos descrever um estado de coisas a ser explicado. Esse trabalho, o de encontrar explicações cada vez mais satisfatórias empregando o método dedutivo de teste, já nos trouxe importantes avanços que melhoraram a nossa qualidade de vida e compreensão do mundo; porém, determinadas situações, como a pressão social e os diferentes modismos podem ser ameaças à sua integridade. Vejamos como.

Os avanços científicos, recentemente tivemos a detecção das ondas gravitacionais como um emblemático exemplo, são procurados pelos cientistas incessantemente e o resultado disso são os inúmeros artigos que podemos encontrar nas atuais revistas científicas. Porém, a pressão social que pode advir tanto por parte de governos, da opinião pública e da mídia têm inviabilizado a publicação de artigos e realização de experimentos que tragam ou corroborem hipóteses e resultados relevantes. Passamos a ter sequências de publicações com a intenção apenas de “mostrar trabalho” que, por final, acabam por ter seus principais objetivos frustrados e caem no ostracismo.

Em compasso, as modas remetem novamente à questão do choque cultural e quanto mais uma cultura que se choca com outra se considera universalmente superior ou essa última assim a considera, mais o principal valor do choque, a evocação da crítica, se destrói (POPPER, 2008). Quanto mais uma parte se considera inferior, mais ela fica sujeita a uma aceitação cega similar a uma conversão ou pulo em um novo e irreparável círculo mágico. Isso traz a importância de reforçar a pertinência da tradição crítica ou científica. Uma tradição que não pode ser transplantada ou recuperada com facilidade quando perdida (POPPER, 1982). O filósofo austríaco reforça:

Penso, de facto, que a história da humanidade poderia perfeitamente ser descrita como a história da eclosão de doenças filosóficas e religiosas de moda. Essas modas só podem ter uma função séria – a de despertar a crítica. Acredito, no entanto, na tradição racionalista de uma comunidade do saber, e na necessidade urgente de preservar essa tradição (POPPER, 1987, p.41).

Portanto, vê-se que ainda é de fundamental importância uma noção de verdade objetiva como ideal regulador  da pesquisa científica, isto é, um ideal do qual podemos nos aproximar ou afastar no nosso processo de conjecturas e refutações. Apesar disso, devemos ter cuidado com análises estritamente formais ou lógicas dos enunciados científicos pois elas não podem ser capazes de solapar a velha prática de elevação de uma teoria científica a uma verdade inquestionável. Por isso, Popper, moderadamente, se preocupou com regras metodológicas em detrimento de uma postura pluralista ou relativista, criticando tanto o mito do referencial quanto afastando a noção de que o trabalho científico seja um método de produção em círculo ou um instrumento de adaptação (VIEIRA, 2017).

Referências

Brasil aumenta produção científica, mas impacto dos trabalhos diminui. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2017/10/1927163-brasil-aumenta-producao-cientifica-mas-impacto-dos-trabalhos-diminui.shtml>. Acesso em 17 de outubro de 2017.

PEREIRA, Julio Cesar R. Epistemologia e Liberalismo. Uma Introdução à Filosofia de Karl R. Popper. Porto Alegre: EDIPUCRS, 1993.

POPPER, K.R. Conhecimento objetivo: uma abordagem evolucionária. Tradução de Milton Amado. Belo Horizonte: Ed. Itatiaia; São Paulo: EDUSP, 1975.

POPPER, K.R. Conjecturas e Refutações. Tradução de Sérgio Bath. Brasília: Editora da Universidade de Brasília, 1982. 2ª ed.

POPPER, K.R. O mito do referencial. Tradução de Mário A. Eufrásio e Pedro Motta de Barros. In: Khronos: revista de História da Ciência. V.1. São Paulo: Humanitas, 2008. pp. 209-241.

POPPER, K.R. O racionalismo crítico na política. Tradução de Maria da Conceição Côrte-Real. Brasília: Editora da Universidade de Brasília, 1981.

POPPER, K.R. O realismo e o objectivo da ciência. Tradução de Nuno Ferreira da Fonseca. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1987.

VIEIRA, Daniel Mota. Popper, verdade e progresso científico: possibilidades e limites na elaboração de uma epistemologia objetiva [recurso eletrônico]. Porto Alegre, RS: Editora Fi, 2017. 

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Autor: Daniel Mota

Licenciado em filosofia pela UFRRJ. Pesquisador em epistemologia, com ênfase em Karl Popper. Defendeu a sua monografia sobre a importância da noção de verdade objetiva para a filosofia da ciência popperiana, intitulada 'Popper, verdade e progresso científico: possibilidades e limites na elaboração de uma epistemologia objetiva'. Interesses em filosofia política, física, principalmente na física moderna, e na história da ciência.

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