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Nicolás Gómez Dávila (Bogotá, Colômbia, 18 de maio de 1913 – ibidem, 17 de maio de 1994) foi um escritor e filósofo conservador colombiano. Foi um dos críticos mais radicais da modernidade, traço notado pelo seu congênere alemão Ernst Jünger. Seu legado só foi reconhecido internacionalmente poucos anos antes do seu falecimento, graças às traduções alemãs de algumas de suas obras.

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A seguir publicamos uma seleção de alguns dos seus famosos aforismos, publicados na obra Escolios a un texto implícito.

“A maturidade do espírito começa quando deixamos de nos sentir responsáveis pelo mundo.”
“A liberdade não é um fim, mas um meio. Quem a assume como fim não sabe o que fazer quando a obtém.”
“Nossa última esperança é a injustiça de Deus.”
“Depois de toda revolução o revolucionário ensina que a revolução verdadeira será a revolução do amanhã. O revolucionário explica que um miserável traiu a revolução de outrora.”
“O burguês entrega o poder para salvar o dinheiro, depois entrega o dinheiro para salvar o pescoço; e finalmente o enforcam.”
“À medida que o Estado cresce o indivíduo diminui.”
“Não podendo realizar o que anseia, o “progresso” batiza de anseio o que realiza.”
“O vulgo admira mais o confuso do que o complexo.”
“O que renuncia é impotente aos olhos do que é incapaz de renunciar.”
“O tempo é mais temido porque desmascara do que porque mata”.
“As frases são pequeninas pedras que o escritor lança à alma do leitor. O diâmetro das ondas concêntricas que elas deslocam depende das dimensões do reservatório.”
“Nem a religião surgiu da urgência de garantir a solidariedade social, nem as catedrais foram construídas para incentivar o turismo.”
“Quanto mais graves são os problemas, maior é o número de ineptos que a democracia convoca para resolvê-los.”
“Luta contra a injustiça que não culmine em santidade, culmina em agitações sangrentas.”
“A história sepulta, sem resolver, os problemas que propõe.”
“O azar sempre regerá a história, porque é impossível organizar o estado de maneira que não importe quem mande.”
“Começamos elegendo porque admiramos e terminamos admirando porque elegemos.”
“Não é verdade que as coisas valem porque a vida importa. Pelo contrário, a vida importa porque as coisas valem.”
“A sociedade premia as virtudes escandalosas e os vícios discretos.”
“Só vive sua vida quem a observa, pensa e diz; os demais, a vida é que os vive.”
“A sabedoria consiste em aceitar o único possível sem proclamá-lo o único necessário.”
“A história não mostra a ineficácia dos atos, mas a vaidade dos propósitos.”
“Pensar como nossos contemporâneos é a receita da prosperidade e da estupidez.”
“Educar o homem é impedir a “livre expressão da sua personalidade”.”
“Toda literatura é contemporânea para o leitor que sabe ler.”
“A prolixidade não é o excesso de palavras, mas a escassez de idéias.”
“Chamamos de egoísta quem não se sacrifica ao nosso egoísmo.”
“Os preconceitos das outras épocas são incompreensíveis para nós quando os nossos nos cegam.”
“Ser jovem é temer que pensem que você é estúpido; amadurecer é temer sê-lo.”
“Civilização é o que os velhos conseguem salvar da investida dos idealistas jovens.”
“Na incoerência de uma constituição política que reside a única grantia autêntica de liberdade.”
“Nada é mais perigoso que resolver problemas transitórios com soluções permanentes.”
“O problema autêntico não exige que os resolvamos, mas que tentemos vivê-lo.”
“Que rotineiro se considere hoje um insulto comprova nossa ignorância da arte de viver.”
“A feiura de um objeto é condição prévia da sua multiplicação industrial.”
“Vencer um tonto nos humilha.”
“Todo fenômeno tem sua explicação sociológica, sempre necessária e sempre insuficiente.”
“Pensar que só as coisas importantes importam é o princípio da barbárie.”
“Por que não entende a objeção que o refuta, o tonto pensa que foi corroborado.”
“Pregam as verdades em que acreditam, ou as verdades em que acreditam que devem acreditar?”
“Quem quer educar em vez de explorar, seja um povo ou uma criança, não lhes fala imitando um linguajar infantil.”
“A perfeição é o ponto onde convergem o que podemos fazer e o que queremos fazer com o que devemos fazer.”
“O povo nunca foi festejado, exceto contra outra classe social.”
“Os preconceitos protegem das ideias estúpidas.”
“O ridículo é tribunal de suprema instância em nossa condição terrestre.”
“O sexo não resolve nem os problemas sexuais.”
“A boa vontade é a panacéia dos tolos.”
“Humano é o adjetivo que serve para desculpar qualquer vileza.”
“A liberdade não é a meta da história, mas a matéria com a qual trabalha.”
“A sociedade industrial está condenada perpetuamente ao progresso forçado.”
“Quando definem a propriedade como função social, o confisco se avizinha; quando definem o trabalho como função social, a escravidão se aproxima.”
“Os que se proclamam artistas de vanguarda costumam pertencer à de outrora.”
“Demagogia é o vocábulo que empregam os democratas quando a democracia os assusta.”
“Para explorar placidamente ao homem, convém primeiramente reduzi-lo a abstrações sociológicas.”
“O que ainda protege o homem, em nosso tempo, é a sua natural incoerência. Ou seja: o seu horror espontâneo às consequências implícitas nos princípios que admira.”

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