Liberdade ou Igualdade?

Trecho de “Um discurso em mangas de camisa”, de Tobias Barreto.

tobias-barreto“Mas antes de tudo, que a liberdade e a igualdade são contraditórias e repelem-se mutuamente não milita dúvida. A liberdade é um direito, que tende a traduzir-se no fato, um princípio de vida, uma condição de progresso e desenvolvimento; a igualdade, porém, não é um fato, nem um direito, nem um princípio, nem uma condição; é, quando muito, um postulado da razão, ou, antes, do sentimento. A liberdade é alguma coisa, de que o homem pode dizer: eu sou!…; a igualdade alguma coisa, de que ele somente diz: quem me dera ser!… A liberdade entregue a si mesma, à sua própria ação, produz naturalmente a desigualdade, da mesma forma que a igualdade, tomada como princípio prático, naturalmente produz a escravidão. A liberdade é aquele estado no qual o homem pode empregar tanto as suas próprias como as forças da natureza ambiente, nos limites da possibilidade, para atingir um alvo, que ele mesmo escolhe. Onde, pois, o indivíduo é perturbado no uso de suas forças, e a respeito das ações que não se opõem à liberdade dos outros, nem às necessidades sociais, é sujeito a uma tutela, aí não existe liberdade, nem civil, nem política, nem de outra qualquer espécie. A igualdade é aquele estado da vida pública no qual não se confere ao indivíduo predicado algum particular, como não se lhe confere particular encargo. Igual independência de todos, ou igual sujeição de todos. O mais alto grau imaginável de igualdade — o comunismo —, porque ele pressupõe a opressão de todas as inclinações naturais, é também o mais alto grau da servidão. A realização da liberdade satisfaz ao mais nobre impulso do coração e da consciência humana; a realização da igualdade só pode satisfazer ao mais baixo dos sentimentos: a inveja. Que uma e outra não se harmonizam, que são exclusivas e repugnantes entre si, prova-o de sobra a revolução francesa, que, tendo começado em nome da liberdade, degenerou no fanatismo da igualdade, e reduziu-se ao absurdo nas mãos de um déspota. O povo francês assemelhou-se então a uma cidade que se submerge, só ficando de pé uma torre enorme, no meio do lago imenso: a figura de Napoleão! Estava assim, da melhor forma, o ideal de Mirabeau: ‘la monarchie sur la surface égale’. Os indivíduos, ou os povos, que esquecem a liberdade por amor da igualdade, são semelhantes ao cão da fábula, que larga o pedaço de carne que tem na boca pela sombra que vê na água do rio”.

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Autor: Renan Felipe dos Santos

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2 comentários em “Liberdade ou Igualdade?”

  1. Existe um velho ditado chamado “TUDO NA VIDA TEM LIMITES”, pois todos os extremos (carências e excessos) nos são maléficos. Isonomias são igualdades político-jurídicas de todo ser humano perante a lei, ou seja, nenhum é julgado por suas condições, como etnias, procedências, raças, religiões, sexos, socialidades e assim sucessivamente, mas exclusivamente por seus crimes e por seus graus. Injustiças sociais devem, sim, ser combatidas, pois as misérias geram crimes, mas não os justificam. Nem todo pecado é crime e nem todo crime é pecado. Exemplos: no Brasil as prostituições em si mesmas, fora os lenocínios e as infantis, não são crimes, embora sejam pecados e na China as evangelizações públicas são crimes, embora não sejam pecados.

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