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As Virtudes do Esporte na Escola

 

Apresentação

 

A finalidade deste livro, desde o início, foi oferecer propostas que não deixassem de lado as tradições da Educação Física. Desde a década de 1980, a Educação Física escolar tem sido alvo de duras críticas feitas por acadêmicos de posicionamento político progressista/marxista. Ao estudarmos a história da disciplina, verificamos que, até o fim dos anos 1970, especialmente durante o regime militar, predominaram modelos de ensino pautados em conhecimentos das áreas biológicas, cujo escopo era o desenvolvimento físico e a aquisição da técnica, mas não só biológicos como se evidencia a literatura sobre o período do Regime Militar, por exemplo, Negrine (1979a, 1979b) e Garcia (2015).

Bracht (1986), com base em Parlerbas, entende que as condições do esporte organizado ou de rendimento são simultaneamente as mesmas condições de uma sociedade de estruturação autoritária. O ensino enfatiza o respeito às regras incondicionais e irrefletidas, dá a estas, um caráter estático e inquestionável, o que não leva à reflexão e ao questionamento, e sim ao acomodamento. Todo o esporte sob a perspectiva competitiva cogita a ideia de um mundo capitalista. Entende-se, portanto, que o esporte competitivo é um mecanismo alienante.

Para Bracht (1986), a socialização deste ideal reproduz desigualdade social. No esporte escolar, ensina-se que as pessoas através das regras e normas impostas pelos dominantes, seguem as regras da burguesia. Em síntese, é uma educação que induz ao acomodamento, deixando de lado o questionamento e privilegiando o respeito às regras sem discutir se esta é certa ou errada. A discussão é extinta, pois o propósito é “vencer na vida a qualquer custo”. O autor apresenta sinais de que havia durante o regime militar uma educação física com características retóricas, onde o diálogo não era evidente. Para este autor, o ideal é que a pedagogia militar não comprometesse os interesses burgueses, onde o professor de educação física não podia dialogar com seus alunos. O que se entende até aqui, é que o autor Valter Bracht é contra os métodos ditos burgueses, e acredita que o melhor para sociedade seria o método baseado na ideologia marxista.

Estas críticas não se sustentam perante os fatos, Garcia (2015) é enfático em sua refutação:

 

Nos estudos apresentados, não foi possível verificar qualquer relação com as categorias utilizadas pelos estudos marxistas. Isto de forma pejorativa como estes autores as reconhecem. Todavia, o que se observa nos estudos da época é um total equilíbrio em benefício de uma educação física que prezasse a ética e a moral desportiva. Para isto, os aspectos biológicos e fisiológicos, bem como os aspectos relacionados ao rendimento, à eficiência e à eficácia da técnica e da competição eram essenciais para a educação física. Já os aspectos acríticos, mecânicos e alienantes não foram encontrados na literatura estudada. (Garcia, 2015, p. 55)

 

De tal modo, observamos que as críticas ao esporte não retrocedem, e apenas intensificam-se sem proporcionar algo melhor do que as ideias anteriores. É a crítica pela crítica. A Educação Física brasileira vem sendo seduzida e reduzida à pura individualização, como se o corpo dentro da sociedade pudesse por meio de uma autonomia absoluta criar milhares de satisfações aleatórias. Até pode, no entanto, qual será o resultado? Os piores possíveis. Decorrente do pensamento subdesenvolvido das correntes progressistas e marxistas, a Educação Física perde a cada dia o que possui de melhor, sua tradição, ética, e sua valorosa técnica, com isto, perde sua identidade, valores e se resume a pura vontade do indivíduo egoísta e degradante.

É com isto em mente que este livro se apresenta como uma opção valiosa para a Educação Física. Abrindo este livro, o primeiro texto, escrito por mim, trata de uma concepção histórica a respeito da técnica e sem dúvida de uma refutação implacável aos críticos desta. O segundo texto trata da Educação Física e do judô, sob uma perspectiva desenvolvimentista, apresenta soluções práticas para o cotidiano escolar e do professor. O terceiro texto discorre sobre o rugby nas aulas de Educação Física, valorizando as regras, fundamentos e as técnicas deste esporte. No último texto, o quarto artigo, sobre o atletismo, levanta-se as mazelas da estrutura material para as aulas de atletismo, porém, identificando-se positivamente o uso das técnicas de atletismo nas aulas de Educação Física, fato raro nas aulas de hoje.

 

Referências

 

BRACHT, V. A criança que pratica esporte respeita as regras do jogo… Capitalista. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, v. 7, n. 2, p. 62- 68, 1986.

GARCIA, A. B. Educação física e regime militar: Uma guerra contra o marxismo cultural. Jundiaí, Paco Editorial: 2015.

NEGRINE, A. A progressão pedagógica e o resultado da aprendizagem no ensino dos desportos. Revista Brasileira de Educação Física e Desportos, Brasília, n. 43, p. 42-47, 1979a.

______. A finalidade da educação física nos primeiros anos escolares e a atuação do professor especializado em educação física. Revista Brasileira de Educação Física e Desportos, n. 42, 69-72, 1979b.

 

Alessandro Barreta Garcia

10/02/2016

SOBRE OS AUTORES

 

ALESSANDRO BARRETA GARCIA (Org)

Mestre em Educação pela Universidade Nove de Julho. Licenciado e Bacharel em Educação Física pela Universidade Nove de Julho. Autor dos livros: Educação Grega e Jogos Olímpicos: Período Clássico, Helenístico e Romano, Aristóteles nos Manuais de História da Educação e Educação Física e Regime Militar: Uma Guerra Contra o Marxismo Cultural. Professor de Ensino Superior pela Universidade Nove de Julho.

FÁBIO RODRIGO FERREIRA GOMES

Faixa preta 2º grau de Judô graduado pela Federação Paulista de Judô; Licenciatura Plena em Educação Física pela Universidade do Grande ABC; Mestrado em Educação Física (biodinâmica do movimento) pela escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo (USP); Doutorando em Educação Física (biodinâmica do movimento) pela escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo; Professor de Ensino Superior pela Universidade Nove de Julho.

FERNANDO GARBELOTO DOS SANTOS

 

Faixa preta de Judô graduado pela Federação Paulista de Judô e ex-atleta da Sociedade Esportiva Palmeiras e do Clube Atlético Paulistano; Mestrado em Educação Física (biodinâmica do movimento) pela escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo (USP); Pós Graduação: Especialização em Treinamento Desportivo – Universidade Gama Filho, conclusão Jul/2010.

 

ANTONIO CARLOS GONÇALVES JUNIOR

Licenciado e Bacharel em Educação Física Anhanguera, Bauru/SP.

 

EVANDRO ANTONIO CORRÊA

Mestre e Doutorando em Ciências da Motricidade Humana Unesp Rio Claro/SP. Professor na Faculdade Educação Física Barra Bonita/SP (FAEFI) e na UNIARARAS (Fundação Hermínio Ometto).

 

ALLANTHÊVSON DE SÁ SAMPAIO

Graduado em Licenciatura Plena em Educação Física pela Universidade do Estado da Bahia, UNEB, Campus IV. É membro do Grupo de Estudo, Pesquisa e Extensão em Educação Física, Esporte e Lazer (GEFEL).

 

OSNI OLIVEIRA NOBERTO DA SILVA

Mestre em Educação pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Professor do Departamento de Ciências Humanas – Campus IV da Universidade do Estado da Bahia. Líder do Grupo de Estudos, Pesquisa e Extensão em Educação Especial e Educação Física Adaptada (GEPEFA) e membro do Grupo de Estudo, Pesquisa e Extensão em Educação Física, Esporte e Lazer (GEFEL).

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