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Entrevista com o especialista em segurança Albert A. Stahel publicada originalmente no site da revista Focus. Tradução do alemão para o português brasileiro por Renan Felipe dos Santos. Para ler o artigo original em alemão, clique aqui.

ISIS-Marighella

O grupo terrorista Estado Islâmico[1] treinou 400 guerrilheiros para serem enviados à Europa. Mais ondas de ataque são planejadas em países como Alemanha e França. O especialista militar Albert A. Stahel esclarece o perigo que este pequeno exército representa.

400 guerrilheiros treinados para o Terror são enviados à Europa para realizar ataques: com este objetivo o Estado Islâmico pretende semear o medo e o o terror. A notícia foi transmitida poucos dias depois do ataque em Bruxelas. Mas o que significa este comunicado? A Focus online conversou sobre esta ameaça com o militar e especialista em segurança, o suíço Albert A. Stahel.

“Parece-me plausível, pois é bastante compatível com a conduta militar do EI”, diz Stahel em entrevista com a Focus Online. “Os guerrilheiros são muito provavelmente recrutados na Europa, e vem da França, Bélgica ou Alemanha. Eles são treinados na Síria e no Iraque para adquirir experiência em combate e terrorismo, em atividades de guerrilha ou guerra convencional. Depois de um período eles são enviados de volta a seus países como soldados profissionais para completar suas missões terroristas.”

“Eles se infiltram como refugiados”

A liberdade de movimento de potenciais terroristas em toda a Europa é demonstrada pelas viajens realizadas pelos envolvidos nos ataques de Paris em novembro e agora em Bruxelas: há casos de terroristas que chegaram com botes infláveis às ilhas gregas para logo entrar na Europa ocidental. “Resumindo: eles se infiltram como refugiados”, diz Stahel.

De volta ao seu país de origem, eles são integrados a redes compostas por pequenas células. “Um dos homens do EI age como ponto focal que entrelaça todas elas”, diz Stahel. “O modelo por trás disso foi desenvolvido pelo terrorista brasileiro Carlos Marighella[2] em 1969 em seu Mini-manual do Guerrilheiro Urbano, o qual também foi o modelo da Fração do Exército Vermelho[3]. O próprio Saddam Hussein o leu”.

“É surpreendente que os belgas estejam preocupados com as plantas nucleares”

Os terroristas tinham em vista sobretudo alvos fáceis, civis reunidos em teatros, estádios de futebol ou estações de metrô. “É surpreendente que os belgas estejam preocupados com as plantas nucleares”, pensa Stahel. “Estes são alvos difíceis de atacar, porque são vigiados e fortemente monitorados.”

“Eles usam material combustível primário como arma. Nisto a história do terrorismo não mudou em nada nos últimos 200 anos”, diz o especialista suíço. “São fáceis de produzir, baratos, mas eficientes. Somente a aquisição ou produção do detonador nem sempre é fácil.” Se as bombas são preenchidas com pregos, o efeito é ampliado.

Com exemplos históricos: “Tanto os EUA como os soviéticos também já utilizaram estes explosivos”, diz Stahel. Stahel considera possível que os terroristas usem também armamento militar, mas com uma ressalva: “Para isto é necessário mais dinheiro e implica em custos adicionais.” Stahel não acredita em um possível uso de gases letais pelo EI na Europa: “complicado demais”, dá o veredito.

“Necessitamos de uma extensa rede de videovigilância”

Como a Europa pode se proteger de ataques como os de Bruxelas ou Paris? O especialista propõe uma melhor proteção de ambientes movimentados: “Enquanto exista o Estado Islâmico e os EUA e a OTAN liderem a luta contra ele, necessitamos de uma extensa rede de videovigilância e uma polícia melhor treinada e melhor equipada, além de mais patrulhas”, afirma Stahel.

As tecnologias modernas também podem ajudar: “O meio ideal para o reconhecimento áreo de áreas com denso agrupamento de pessoas é o uso de aeronaves não-tripuladas, os chamados drones. Nos aeroportos, precisamos de fiscalização logo no portão de entrada, como na Rússia. Uma melhor defesa “custaria mais dinheiro e reduziria a sensação de liberdade” – mas somente assim podemos garantir a segurança.

Stahel alerta, entretanto, sobre o temor excessivo. O potencial do guerrilheiro estrangeiro, que vêm à Europa na condição de repatriado para conduzir ataques terroristas, deve ser conhecido de antemão pelas autoridades de segurança público. “Há com certeza mais de 400 guerrilheiros do Estado Islâmico aqui”, diz Stahel. “A propaganda dos números é parte do esforço de guerra midiático do EI. Apesar do perigo ser real, não podemos permitir que as suas bravatas e ameaças nos induzam ao pânico.”


NOTAS:

[1] O Estado Islâmico do Iraque e da Síria, ISIS ou Daesh, é a maior organização terrorista islâmica em operação na atualidade.
[2] Terrorista de extrema-esquerda que operou no Brasil de 1966 a 1969, quando foi emboscado e morto pelos agentes do DOPS.
[3] Grupo terrorista da extrema-esquerda alemã fundado em 1970 e que operou até 1998.


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