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Manifestações e protestos de Março/2016 - Campinas (SP)

Manifestação em Campinas – Março/2016

A mobilização popular contra o governo petista atingiu o ápice nesse mês de março de 2016. Foi a maior que já houve na história do país. Em Campinas, participei do evento e mantive a câmera fixa em um mesmo ponto assistindo a manifestação. A bateria não colaborou para uma gravação completa (o vídeo está aqui no You Tube), mas a marcha de pessoas indignadas durou, ininterruptamente, uma hora e vinte minutos. Nunca vi tanta gente.

A lista de indignação é grande, mas nada relacionada com a rejeição ao ver “pobres” viajando de avião, um desvirtuamento infantil clamado pelos grupos desesperados. Ela tem origem, na verdade, com a corrupção institucionalizada, com a adulteração do significado de moralidade e com a pretensão de manutenção dos privilégios pelos grupos no poder.

Praticamente todos os estratos sociais estiveram bem representados, exceto um: os de jovens com idades universitárias, na faixa de 17 a 22 anos. Proporcionalmente à sua representação nacional, foram poucos. É lamentável o que décadas de revolução cultural gramsciana fizeram com essa parcela da população, expondo algo como um darwinismo social, não através do conceito da sobrevivência do mais apto, mas sim na transmissão social de falsos ideais.

Afinal, jovens são muito mais propensos a aceitarem mentiras convenientes do que verdades inconvenientes. Explorados sentimentalmente pela esquerda, são mais suscetíveis a condescenderem com discursos bonitos, e possuem um alicerce temporal ainda frágil para serem capazes de aplicarem tais sermões na vida real e avaliarem seus resultados. E infelizmente, a história é poucas vezes utilizada para subsidiar tal avaliação.

Entretanto, existe uma reforma em curso no pensamento desse grupo, a qual tenho presenciado e feito parte. E de fato, vem ocorrendo uma transformação. Mas a ilusão ainda é um combustível presente que os alimenta continuamente, principalmente pelo corpo docente universitário que prega o “bem comum” e assim, tornam-se os principais responsáveis pela manutenção desse estado deplorável de discernimentos e julgamentos que ocorre atualmente.

Ilusão através das ideias de socialismo, que tanto mal já fez (e continua fazendo) ao mundo. Ilusão pelo meio das ideias de segregação social através de raças, mesmo que sejamos todos seres humanos, com os mesmos direitos naturais. Ilusão pelas ideias de igualdade, mesmo que tenhamos recursos, capacidades e ideais diferentes, e assim nunca poderemos chegar aos mesmos resultados. Ilusão pela alimentação da inveja contra aqueles que obtiveram sucesso por méritos próprios.

Mas o principal ponto, que deve ser extirpado das mentes – e aqui não apenas as jovens, mas também da mentalidade da grande maioria da população, é a ideia de que o Estado é algo bom. O Estado serve apenas para servir a quem está no poder, para nos deixar dependentes e decepar nossa iniciativa e responsabilidade própria, e principalmente, a nossa liberdade.

Apesar de todas essas manifestações presentes serem essenciais para interromper o processo de degradação a que estamos sendo submetidos, precisamos aprimorá-las cada vez mais, ano a ano, década a década. Não acredito que viverei para ver uma manifestação de massa nesse sentido, demandando a redução do Estado a níveis mínimos. Mas a justiça que todos clamam só existirá de fato quando essa burocracia estatal tornar-se invisível no nosso dia a dia.

Esse texto foi publicado originalmente no site Viagem Lenta.