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O fim de ano está chegando. Esta é a época de fazer votos à sua família e aos seus amigos desejando saúde, alegria e sucesso para o ano que vem. Também o momento de fazer aquela retrospectiva do ano que termina e planos para o ano que inicia. Há itens que não podem faltar: saúde, felicidade, sucesso. Este artigo é sobre o sucesso.

Sucesso é um tema complexo, rodeado de expectativas, crenças ou estigmas, muitas vezes equivocadas. Algumas crenças comuns sobre o sucesso são a noção de que nosso tempo vale dinheiro, que o planejamento minucioso é o segredo do sucesso, que para obter sucesso é necessário ter talento e motivação, ou que o único curso de ação racional para ser bem sucedido é buscar vantagem – sobretudo financeira – em tudo o que se faz. Estas crenças sobre o sucesso são infundadas, e resultam da confusão entre sucesso, riqueza e status. Ainda há quem acredite que sucesso pode ser medido pelo salário, carro e diploma de uma pessoa. Estas conquistas podem ser consideradas “efeitos colaterais” do sucesso de uma pessoa, mas podem também ser um obstáculo para o sucesso. Algumas crenças já foram desmistificadas pela ciência ou pela sabedoria dos antigos, mas permanecem no imaginário coletivo moderno.

No final deste artigo, você encontrará dois livros de referência – um sobre análise de risco e outro sobre o talento humano – e um artigo sobre as propriedades vantajosas da ação frente ao planejamento. Foram escritos, respectivamente, por Nassim Taleb – analista de risco e filósofo; Geoff Colvin – autor e palestrante sobre administração empresarial. e Kyle Eschenroeder – empreendedor e investidor em startups. São leituras recomendadas para aprofundar seu conhecimento de modo geral e entender as evidências empíricas que contrariam algumas das crenças mais antigas a respeito do sucesso.

A seguir, veremos seis verdades subestimadas pelo imaginário coletivo moderno, e que podem ajudar você a alinhar suas expectativas, valores e atitudes com relação ao sucesso.

Time Money

I. Tempo não é dinheiro
Você já deve ter ouvido muito esta frase, “Tempo é dinheiro”. Partindo do princípio que o tempo que você investe em algo produtivo dá retorno financeiro, enquanto o tempo que você desperdiça pode acarretar perda ou estagnação financeira, esta máxima é verdadeira. No entanto, esta é uma meia-verdade. Não existe uma relação linear e proporcional entre o tempo que você trabalha e o dinheiro que você ganha, sobretudo para quem trabalha como prestador de serviços ou empreendedor.

Tempo, na verdade, vale muito mais do que dinheiro: você pode obter mais dinheiro com relativa facilidade, mas não pode comprar nem um segundo a mais sobre a Terra. O tempo bem investido pode trazer a felicidade sua e da sua família, saúde física e mental. Portanto, pense muito bem antes de fazer horas-extra e mantenha um bom equilíbrio entre sua vida pessoal e sua vida profissional.

II. O talento é sobrestimado
Existe uma coisa em comum entre todas as pessoas cuja habilidade se destaca, e não é talento: pessoas com “dom nato” investem muitos anos de treinamento intenso para atingir a excelência. Mozart, por exemplo, um menino prodígio que compunha óperas aos 8 anos de idade, recebia instrução musical do pai e de professores particulares desde pequeno. Foram necessários 20 anos de prática para que ele se tornasse uma figura de destaque na música. O mesmo acontece com tantas outras pessoas talentosas no esporte, nas artes e na carreira.

Parece que há uma receita infalível para o sucesso, afinal: 10.000 horas de prática intensa e deliberada. E por prática intensa e deliberada, estamos falando de prática constante e assídua, com foco nos pontos de melhora, objetivos concretos e mensuráveis e feedback imediato.

III. Se você não sabe aonde vai, nenhum caminho serve
Para “chegar lá”, primeiro é necessário saber onde “lá” fica. Ser bem-sucedido depende de uma definição de sucesso adequada aos seus valores e objetivos, e se você não determinar os seus objetivos e como medir o seu sucesso, você reproduzirá por automatismo padrões impostos pelo ambiente.

Talvez ter o carro do ano, um MBA e um apartamento não sejam para você, e sim viajar a um grande número de países, gerenciar uma ONG que resgata animais de rua ou ver o negócio familiar crescer. Reflita sobre quais valores guiam a sua vida e quais são os seus objetivos de curto e longo prazo. Evite que o supérfluo e dispensável se coloque entre você e o seu objetivo.

IV. Fazer é melhor que planejar
O planejamento em excesso pode levar à inação ou à completa paralisia. As perguntas mais importantes não podem ser respondidas no campo abstrato: elas precisam ser testadas no mundo real. Agir permite que você planeje depois com base em conhecimento real de como as coisas funcionam. Mais do que isso, a ação cria possibilidades que não existiam – uma propriedade chamada “emergência” – ou que você não imaginava na fase de planejamento.

Por último, a ação motiva. Se você espera a motivação ou “o momento certo” para fazer as coisas, você termina desistindo ou empurrando tudo com a barriga indefinidamente. A verdade é que a motivação segue a ação: você não se sente motivado até meter a mão na massa.

V. É não perdendo que se ganha
Sabe como os melhores jogadores do mundo ganham partidas de tênis ou xadrez? Não perdendo. Eles não desperdiçam tempo sonhando acordados com a vitória, eles se esforçam para jogar o seu melhor. A vitória é apenas uma consequência da determinação e atitude daquele que está preparado para o pior, e no mundo do trabalho e dos negócios não é diferente. Ganha aquele que sobrevive.

Invista em redundâncias positivas para casos de emergência. Para a prova, estude questões mais difíceis do que as deixadas pelo professor durante o semestre. Economize para o caso de ficar desempregado com a esposa grávida. Faça cópias extras da chave da casa. Tenha plano de saúde e seguro de vida antes de precisar.

Gostaria de encerrar este artigo desejando a todos os leitores boas festas, um feliz Natal e um próspero Ano Novo. Muita saúde, felicidade e sucesso a todos vocês e suas famílias.


Referências: