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Após dois terroristas jihadistas haverem matado 12 cartunistas da revista satírica Charlie Hebdo, o Facebook se dividiu entre aqueles que se identificam com as vítimas (“Je suis Charlie Hebdo” – Eu sou Charlie Hebdo) e aqueles que ou não se identificam com as vítimas ou optam abertamente por identificar-se com os assassinos (“Je ne suis pas Charlie Hebdo” – Eu não sou Charlie Hebdo). Entre estes últimos, vi desde esquerdistas radicais – que acham que a violência jihadista é uma forma de punição pelos erros do Ocidente – a católicos conservadores que pensam que a revista satírica não merece empatia por causa do seu conteúdo satírico e anti-cristão.

nous sommes tous charlieBem, “eu sou Charlie Hebdo” e vou explicar por quê: por que eu acredito que as pessoas tem o direito de falar absolutamente tudo o que elas quiserem sem ser fuziladas. Afirmar que a revista ofendia crentes (cristãos e muçulmanos), que era racista, colonialista, o que seja, nada disso justifica ou ameniza o fato de que massacrar pessoas é muito pior. Não importa o que a revista tenha publicado, não se deve aderir à inversão psicopata de culpar a vítima, em vez do algoz, pelo crime que a violenta.

Podemos discordar e até mesmo achar repugnante o que uma pessoa ou grupo de pessoas diz ou publica, mas a partir do momento que esta pessoa passa a ser perseguida e violentada por causa de sua opinião, é nosso dever enquanto humanos civilizados defendê-la: a liberdade de expressão é um direito de todos nós, e defender o direito alheio é um dever de todos nós e a única garantia de uma sociedade livre e justa.

E porque você também é Charlie Hebdo? Por que ninguém está perguntando se você gosta ou concorda com o que a revista publicava, a questão implícita é: você acha que a sua opinião em particular vale mais que a liberdade de expressão de todos os demais? Ou, em outras palavras: você seria indiferente ou se colocaria do lado do assassino, desde que a vítima do assassinato fosse alguém que você não gosta ou de quem discorda das opiniões? A empatia com as vítimas do atentado terrorista em Paris não é uma questão de opinião, mas um teste de humanidade. Se você sabe colocar-se no lugar do próximo, você vai entender que a vida humana vale mais do que a sua opinião sobre qualquer tema polêmico.

A menos que você seja imune à censura, à violência, à opressão e ao terror você é, também, Charlie Hebdo. Todos nós somos Charlie Hebdo.