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Este texto foi publicado originalmente no blog Mundo Analista. Para lê-lo no blog original, clique aqui.

controle aversivo na sala de aulaVamos falar sobre educação no Brasil? Vamos.

Em 99,99% das vezes em que ouço um candidato à vereador, deputado, governador, senador ou presidente falando sobre sua proposta para melhorar a educação pública (que é uma vergonha nesse país), a ideia do desgraçado é: “Vamos investir mais”. E o pior é que a maioria esmagadora do povo compra esse discurso, achando realmente que quanto mais dinheiro o governo gastar com educação, mais ela irá melhorar.

Ah, meu amigo, você precisa entender uma coisa: falta de investimento em educação não é problema nesse país. Sabe o que é problema? Vou citar um deles. É problema o professor não ser valorizado. E eu NÃO estou falando de salário. Pare de pensar em dinheiro por alguns minutos! Quando falo em valorização, falo de o professor ser uma figura que inspira respeito, de ser alguém que tem voz dentro e fora de sala, de ser alguém contra o qual a sociedade pensaria mil vezes antes de levantar a voz ou a mão.

Infelizmente, o professor hoje não é mais nada disso. Alunos podem gritar contra ele, xingá-lo, cuspi-lo, esmurrá-lo e nada acontece. Ele não é ouvido na sala, não é ouvido na direção do colégio, não é ouvido no governo, não é ouvido em lugar nenhum!

Preste atenção, amigo! Estamos vivendo em um contexto no qual se o professor dá bronca em um aluno abusado e/ou vagabundo, o pai vem ao colégio e desce o cacete – pasmem – no professor! Mete-lhe até um processo! E se o professor reprova um aluno abusado e/ou vagabundo, a direção vem cobrar-lhe, alertando que o governo não quer reprovações, que isso não é bom para a escola e eteceteras.

Amigo, atente para isso: o aluno pinta e borda um ano inteiro, ou até mais, incendiando lata de lixo, quebrando cadeiras, fazendo ameaças, arrumando brigas, praticando bullying, dormindo em aulas, tirando notas horrorosas, fazendo ameaças ao professor e o cacete A4… e o professor não tem voz nenhuma para dizer: “Nesta escola ele não coloca mais o pé”. Não, não. O aluno é intocável e permanecerá na escola até quando o Estado quiser.

O professor virou capacho, bobo da corte, palhaço. Virou mais: virou refém. Refém dos alunos (um bando de adolescentes sem limites), refém dos pais desses alunos (em boa parte mimadores ou indiferentes ao que o filho faz), da direção do colégio (muitas vezes cabrestos de emprego de políticos) e do governo. O professor, aquele que está diretamente com os alunos, aquele que enfrenta direta e diariamente a função educativa, aquele que divide com os pais a responsabilidade formar cidadãos, não pode fazer mais nada. Ele se tornou a voz mais desprezada, despeitada, ignorada. Ele agora é mero figurante e deve dar lugar ao brilho do Estado, obedecendo aos mandos e desmandos de alunos rebeldes, pais insolentes, diretores imbecis, conselhos tutelares coniventes e políticos que tratam professores como cachorros.

Onde está o zelo por este profissional?!?!? Onde está o respeito, a sujeição e o temor?

Ah, meus amigos, enquanto o professor não tiver de volta sua autoridade e voz, a educação não mudará.

Querem uma educação melhor? Lutem para que os professores se tornem tão importantes quanto juízes de direito. Lutem para que professores sejam os primeiros consultados por diretores, conselhos tutelares e políticos antes de tomarem qualquer decisão. Lutem para que o professor não seja obrigado a dar aulas para quem debocha de sua cara, para quem não tem o mínimo interesse de estudar, para quem é bandido! Lutem para que o aluno que agrida um professor seja expulso da escola, considerado um criminoso e preso. Lutem para que o professor volte a ser visto e tratado como mestre!

Essas coisas não dependem de mais investimentos. Dependem de bom senso. Pare de pensar um pouco em dinheiro. A valorização se inicia pela moral e não pelo salário. O professor não terá um bom salário enquanto não tiver voz e moral dentro e fora de sala.

Vocês entenderam? Vocês prometem não mais ignorar a terrível desmoralização do professor que se instaurou nesse país? Essa mensagem é para você, amigo ludibriado, que tem caído nesse discurso de “investir mais”, enquanto o professor é pisoteado. Agora você sabe pelo que deve lutar. Essa mensagem também é para você, esquerdista revolucionário revoltado, que adora botar mais dinheiro na mão do governo e passar a mão na cabeça de homens e adolescentes de mal caráter, enquanto ferra a vida de quem é honesto. Se você acha que dá para mudar a educação gastando mais dinheiro de nossos impostos (para encher bolso de político) e pisando diariamente na dignidade do professor, sinto dizer, mas você está compactuando com um crime. E se você continuar insistindo nisso depois desse post, eu o considerarei um criminoso.

Professores do Brasil, lutai por vossa valorização!

Sem mais.