Pisoteando o professor e “investindo” mais em educação

Este texto foi publicado originalmente no blog Mundo Analista. Para lê-lo no blog original, clique aqui.

controle aversivo na sala de aulaVamos falar sobre educação no Brasil? Vamos.

Em 99,99% das vezes em que ouço um candidato à vereador, deputado, governador, senador ou presidente falando sobre sua proposta para melhorar a educação pública (que é uma vergonha nesse país), a ideia do desgraçado é: “Vamos investir mais”. E o pior é que a maioria esmagadora do povo compra esse discurso, achando realmente que quanto mais dinheiro o governo gastar com educação, mais ela irá melhorar.

Ah, meu amigo, você precisa entender uma coisa: falta de investimento em educação não é problema nesse país. Sabe o que é problema? Vou citar um deles. É problema o professor não ser valorizado. E eu NÃO estou falando de salário. Pare de pensar em dinheiro por alguns minutos! Quando falo em valorização, falo de o professor ser uma figura que inspira respeito, de ser alguém que tem voz dentro e fora de sala, de ser alguém contra o qual a sociedade pensaria mil vezes antes de levantar a voz ou a mão.

Infelizmente, o professor hoje não é mais nada disso. Alunos podem gritar contra ele, xingá-lo, cuspi-lo, esmurrá-lo e nada acontece. Ele não é ouvido na sala, não é ouvido na direção do colégio, não é ouvido no governo, não é ouvido em lugar nenhum!

Preste atenção, amigo! Estamos vivendo em um contexto no qual se o professor dá bronca em um aluno abusado e/ou vagabundo, o pai vem ao colégio e desce o cacete – pasmem – no professor! Mete-lhe até um processo! E se o professor reprova um aluno abusado e/ou vagabundo, a direção vem cobrar-lhe, alertando que o governo não quer reprovações, que isso não é bom para a escola e eteceteras.

Amigo, atente para isso: o aluno pinta e borda um ano inteiro, ou até mais, incendiando lata de lixo, quebrando cadeiras, fazendo ameaças, arrumando brigas, praticando bullying, dormindo em aulas, tirando notas horrorosas, fazendo ameaças ao professor e o cacete A4… e o professor não tem voz nenhuma para dizer: “Nesta escola ele não coloca mais o pé”. Não, não. O aluno é intocável e permanecerá na escola até quando o Estado quiser.

O professor virou capacho, bobo da corte, palhaço. Virou mais: virou refém. Refém dos alunos (um bando de adolescentes sem limites), refém dos pais desses alunos (em boa parte mimadores ou indiferentes ao que o filho faz), da direção do colégio (muitas vezes cabrestos de emprego de políticos) e do governo. O professor, aquele que está diretamente com os alunos, aquele que enfrenta direta e diariamente a função educativa, aquele que divide com os pais a responsabilidade formar cidadãos, não pode fazer mais nada. Ele se tornou a voz mais desprezada, despeitada, ignorada. Ele agora é mero figurante e deve dar lugar ao brilho do Estado, obedecendo aos mandos e desmandos de alunos rebeldes, pais insolentes, diretores imbecis, conselhos tutelares coniventes e políticos que tratam professores como cachorros.

Onde está o zelo por este profissional?!?!? Onde está o respeito, a sujeição e o temor?

Ah, meus amigos, enquanto o professor não tiver de volta sua autoridade e voz, a educação não mudará.

Querem uma educação melhor? Lutem para que os professores se tornem tão importantes quanto juízes de direito. Lutem para que professores sejam os primeiros consultados por diretores, conselhos tutelares e políticos antes de tomarem qualquer decisão. Lutem para que o professor não seja obrigado a dar aulas para quem debocha de sua cara, para quem não tem o mínimo interesse de estudar, para quem é bandido! Lutem para que o aluno que agrida um professor seja expulso da escola, considerado um criminoso e preso. Lutem para que o professor volte a ser visto e tratado como mestre!

Essas coisas não dependem de mais investimentos. Dependem de bom senso. Pare de pensar um pouco em dinheiro. A valorização se inicia pela moral e não pelo salário. O professor não terá um bom salário enquanto não tiver voz e moral dentro e fora de sala.

Vocês entenderam? Vocês prometem não mais ignorar a terrível desmoralização do professor que se instaurou nesse país? Essa mensagem é para você, amigo ludibriado, que tem caído nesse discurso de “investir mais”, enquanto o professor é pisoteado. Agora você sabe pelo que deve lutar. Essa mensagem também é para você, esquerdista revolucionário revoltado, que adora botar mais dinheiro na mão do governo e passar a mão na cabeça de homens e adolescentes de mal caráter, enquanto ferra a vida de quem é honesto. Se você acha que dá para mudar a educação gastando mais dinheiro de nossos impostos (para encher bolso de político) e pisando diariamente na dignidade do professor, sinto dizer, mas você está compactuando com um crime. E se você continuar insistindo nisso depois desse post, eu o considerarei um criminoso.

Professores do Brasil, lutai por vossa valorização!

Sem mais.

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Autor: Davi Caldas

"Grita na rua a Sabedoria, nas praças, levanta a voz; do alto dos muros clama, à entrada das portas e nas cidades profere as suas palavras: 'Até quando, ó néscios, amareis a necedade? E vós, escarnecedores, desejareis o escárnio? E vós, loucos, aborrecereis o conhecimento? Atentai para a minha repreensão; eis que derramarei copiosamente o meu espírito e vos farei saber as minhas palavras. 'Mas porque clamei, e vós recusastes; porque estendi a mão, e não houve quem atendesse; antes, rejeitastes todo o meu conselho e não quisestes a minha repreensão; também eu me rirei na vossa desventura, e, em vindo o vosso terror, eu zombarei, em vindo o vosso terror como a tempestade, em vindo a vossa perdição como o redemoinho, quando vos chegar o aperto e a angústia. 'Então, me invocarão, mas eu não responderei; procurar-me-ão, porém não me hão de achar. Porquanto aborreceram o conhecimento e não preferiram o temor do Senhor; não quiseram o meu conselho e desprezaram toda a minha repreensão. Portanto, comerão do fruto do seu procedimento e dos seus próprios conselhos se fartarão. 'Os néscios são mortos por seu desvio, e aos loucos a sua impressão de bem- estar os leva à perdição. Mas o que me der ouvidos habitará seguro, tranquilo e sem temor do mal'" (Provérbios 1:20-33).

14 comentários em “Pisoteando o professor e “investindo” mais em educação”

  1. Olha pessoal do blog,
    Acho maravilhoso levantar o tema, e concordo 100% que o dinheiro está longe de ser a única ou principal medida para revalorizar o professor
    Mas peraí… vamos ver esse negócio melhor.
    Primeiro: antes de discutir o diagnóstico dos problemas da educação para a valorização do professor e as soluções apresentadas, quero dar uma palavrinha sobre a VISÃO DE MUNDO q o texto apresenta de como revalorizar o profissional da educação.
    Avalio que é uma visão equivocada devido a um certo anacronismo.
    Não estou criticando os valores que percebi serem pressupostos do autor do texto, um deles fundamental em qualquer tempo é o respeito. Com isso estou totalmente de acordo.
    Mas é totalmente anacrônico esperar que o respeito hoje seja demonstrado por temor e silêncio diante da figura do professor. Respeito, não só na escola mas para a vida em sociedade como um todo, continua sendo um valor humano fundamental. Mas pára e pensa: a expressão do respeito mudou completamente ao longo do tempo. Pq vem mudando a compreensão humana do que é respeito.
    Antigamente sinal de respeito era a obediência silenciosa na escola. Ir bem na prova era repetir, ipsis litteris, o que o professor tinha falado durante as aulas. Poucos alunos tinham acesso à educação formal, e com isso a maioria dos alunos eram de uma realidade muito parecida entre si, e próxima à experiência do professor. Os valores e aprendizados eram quase todos de um mesmo contexto cultural/social, então os códigos usados na escola já eram de domínio dos alunos, ou mais facilmente assimiláveis.
    Hoje em dia, e aí já saio da discussão apenas da visão de mundo e valores e começo a propor novas soluções, hoje em dia… o sinal de respeito é quase o oposto: você ser participativo, colaborativo, trazer sua contribuição pessoal e única a partir da SUA realidade, sabendo dosar na hora certa o ouvir, o falar, o criar, o fazer sozinho, o fazer em conjunto… A experiência do aluno é importante, até pq hoje a educação é um direito universal garantido constitucionalmente a todos os brasileiros.. e se um país com dimensões continentais e realidades tão diversas como o Brasil põe TODOS seus filhos na escola… imagine a imensa DIVERSIDADE de experiências e realidades presentes na escola? Será que a educação de um ribeirinho na Amazônia deve ser igualzinha à educação de uma criança paulista ? Será que essas crianças não têm tanto oportunidades quanto desafios um tanto diversos com os quais se relacionar? Será que o professor na faculdade tem o preparo para ser a autoridade absoluta, como no passado, ou será que agora ele precisa aprender a lidar com essa diversidade, conjugando sua formação inicial com um senso de humildade e curiosidade de aprendiz PARA SEMPRE?
    E aí começo a mostrar que a autoridade de hoje em dia é menos autoritária e mais solidária. Um professor, nesse novo cenário, é valorizado não pelo medo que impõe, mas pelo interesse que desperta ao apresentar questões instigantes, e ao se mostrar solidário, humano em ouvir, e inteligente ao articular o que ouviu com o que sabe, levando a turma a uma nova compreensão enquanto ele mesmo vai ampliando a sua própria.
    Não estou criticando o professor autoritário, estou falando do que percebo: antigamente o professor lidava com um contexto social/economico/cultural menos heterogêneo, por isso ainda funcionava o sistema em que o professor era o detentor do conhecimento, a fonte de saber e respostas. Mas a realidade da escola no Brasil mudou completamente, porque ao universalizar o acesso à educação, o Brasil levou PARA DENTRO DAS ESCOLAS a sua pré-existente REALIDADE DE FATO. O professor não tem mais como responder a demanda dos alunos sozinho, porque é impossível para um ser humano sozinho lidar com tamanha complexidade. O professor precisa aprender a organizar o trabalho educacional de modo coletivo e colaborativo, porque para uma realidade tão complexa é preciso que as respostas brotem da complexidade de experiências humanas ali presentes, claro que de modo respeitoso e organizado, mas um pouco de caos em alguns momentos faz parte também e o professor do século XXI precisa saber lidar com isso.
    Falei de cultura, história e sociedade brasileiras. Reconstituí de modo breve a mudança estrutural pela qual passou a educação pública no Brasil. Vamos falar agora de algo mais universal: os achados da ciência sobre o processo de aprendizado humano.
    Os avanços científicos comprovam pela neurociência que quantos mais conexões neurais você fizer, maior o aprendizado.Oras, cada dia que passa a ciência avança mais rápido, e o dever do professor e da escola é estar a par das novas descobertas. Uma delas é essa.
    Os métodos de ensino baseados na repetição, que dominavam a educação antigamente, ficam bastante relativizados para quem compreende tais descobertas. Ainda é preciso em algumas situações repetir para aprimorar, mas para criar novas conexões, aprender mais, você precisa aprender algo NOVO e estimulante. E essas conexões neurais só se formam quando você tem um papel ATIVO no seu aprendizado, e não passivo. Além disso aquilo tem que fazer sentido para você, e já falei um pouco que com a mudança de perfil da escola, não há mais sentido em o professor ser o único detentor de respostas.
    Agora vamos falar de como tem sido o desenvolvimento de crianças e jovens, e que tipo de potenciais que eles sempre tiveram estão se revelando somente agora.
    Além, e antes mesmo do fato científico citado, houve uma mudança de costumes, de acesso à tecnologia, de dinâmica de relações no perfil da criança e do jovem de hoje. Claro que ainda existem muitas desigualdades, mas de maneira geral o que crianças e jovens hoje têm em comum? Eles são ativos, têm mais acesso a diferentes informações e experiências, sem contar que vivem num mundo totalmente diferente do que viveram nossos pais ou avós.Estamos nos admirando com a capacidade que crianças e jovens têm de aprender rápido! Parece até que uanto mais jovens, mais rápido dominam a tecnologia e superam os adultos. Oras, será que temos uma geração de mutantes, ou será que essa capacidade imensa de aprender tanto e tão rápido sempre esteve aí, mas só agora está sendo explorada por causa das oportunidades que jovens de hoje têm? Eu fico com a segunda opção.
    Junto disso, está bem claro hoje em dia que o mundo muda rápido e quem só sabe fazer sempre a mesma coisa, repetir instruções e ações, repetir repetir… vai ficar de fora. Gente, a humanidade caminha, vive experiências e se transforma… Depois da 2ªguerra mundial, da terrível realidade do holocausto, em que milhões de judeus foram mortos por um sistema “eficiente”para matar e por um exército de soldados “obedientes”… ainda não deu pra perceber que sujeição, eficiência e obediência por si sós são PÉSSIMOS VALORES se de fato queremos formar SERES HUMANOS?
    O mundo se transformou, os jovens hoje têm mais agência, mais oportunidades de buscar e construir conhecimento porque têm mais acesso à informação e experiências totalmente diferentes da sua realidade de origem. Hoje um jovem conectado no Brasil pode ter um amigo na África do Sul, outro em Portuglal, pode gostar de uma banda coreana e seguir em tempo real um seriado norte americano ou acompanhar as últimas novidades de seu autor preferido, que pode ser um autor inglês…
    Será que num mundo como esse que muda rapidamente, com as possiblidades tecnológicas que temos, será que com essas descobertas da neurociência corroborando que a mudança de costumes faz com que os jovens aprendam mais e mais rápido, será que com os aprendizados históricos de como foi deletério termos pessoas obedientes em vez de ativas e conscientes…será mesmo que diante de tudo isso… a virtude mais desejável no estudante é realmente o silêncio e a obediência?
    Sim o respeito ainda é fundamental, mas ele mudou completamente sua forma de expressão.
    Não, obediência pura e simplesmente não é algo desejável nesse mundo.
    Disciplina é uma coisa, obediência é outra.
    Respeito às regras de forma consciente é uma coisa, obediência cega é outra.
    Isso tudo que eu afirmo deve ser adequado a cada faixa etária e necessidade, porque crianças bem pequenas é claro que precisam reconhecer a autoridade do educador e serem mais obedientes mesmo, já que não tem ainda senso crítico muito bem desenvolvido para tomar certas decisões por si.
    Mas o papel do educador não é tutelar para sempre o educando, mas reconhecer que ele também é fonte de conhecimento e experiência, e o papel do educador é ajudá-lo a organizar e ampliar seus conhecimentos, de modo que se torne cada vez mais autônomo e capaz de encontrar respostas para seus próprios desafios.
    Concluindo minha contribuição: o desrespeito presente na escola por parte de TODOS (e não só dos alunos, vamos ser sinceros, vai?!) é resultado de tentar CONFORMAR uma realidade viva e mutante dentro de uma forma APERTADA que não a contém e a sufoca.
    A violência é em grande parte reflexo do despreparo desse modelo educacional para lidar com as novas demandas da educação de crianças e jovens nessemomento histórico, cultural, social do Brasil. E o problema da escola não é um problema brasileiro, é um problema do mundo.
    Como educadora desse novo tempo,proponho um exercício de imaginação histórica e sociológica:
    Se um apresentador de programa de TV da época em que a TV foi criada entrar hoje num estúdio de TV, vai ficar assustado, impressionado com o seu novo ambiente de trabalho.
    Se um médico, um dentista do século passado, entrar num consultório hoje, num centro cirúrgico… provavelmente também se admirará e mal saberá como lidar com seu ofício.
    Mas se um professor da época em que a escola foi criada entrar hoje numa sala de aula… vai encontrar quadro negro, giz, livros didáticos, alunos sentados em fileiras, todos olhando para o professor, sob o teto, entre parede, com a porta fechada, janela com cortina para desestimular a “distração” dos alunos… e ali ele vai reconhecer o seu ambiente de trabalho, praticamente inalterado.
    Isso não é estranho?
    Sem entender que tipo de escola temos, e de que tipo de escola precisamos, qual escola queremos… fica difícil acertar o diagnóstico de problemas e as soluções adequadas à nossa realidade.
    Abraços e espero que q discussão continue.

  2. blog,
    Acho maravilhoso levantar o tema, e concordo 100% que o dinheiro está longe de ser a única ou principal medida para revalorizar o professor
    Mas peraí… vamos ver esse negócio melhor.
    Primeiro: antes de discutir o diagnóstico dos problemas da educação para a valorização do professor e as soluções apresentadas, quero dar uma palavrinha sobre a VISÃO DE MUNDO q o texto apresenta de como revalorizar o profissional da educação.
    Avalio que é uma visão equivocada devido a um certo anacronismo.
    Não estou criticando os valores que percebi serem pressupostos do autor do texto, um deles fundamental em qualquer tempo é o respeito. Com isso estou totalmente de acordo.
    Mas é totalmente anacrônico esperar que o respeito hoje seja demonstrado por temor e silêncio diante da figura do professor. Respeito, não só na escola mas para a vida em sociedade como um todo, continua sendo um valor humano fundamental. Mas pára e pensa: a expressão do respeito mudou completamente ao longo do tempo. Pq vem mudando a compreensão humana do que é respeito.
    Antigamente sinal de respeito era a obediência silenciosa na escola. Ir bem na prova era repetir, ipsis litteris, o que o professor tinha falado durante as aulas. Poucos alunos tinham acesso à educação formal, e com isso a maioria dos alunos eram de uma realidade muito parecida entre si, e próxima à experiência do professor. Os valores e aprendizados eram quase todos de um mesmo contexto cultural/social, então os códigos usados na escola já eram de domínio dos alunos, ou mais facilmente assimiláveis.
    Hoje em dia, e aí já saio da discussão apenas da visão de mundo e valores e começo a propor novas soluções, hoje em dia… o sinal de respeito é quase o oposto: você ser participativo, colaborativo, trazer sua contribuição pessoal e única a partir da SUA realidade, sabendo dosar na hora certa o ouvir, o falar, o criar, o fazer sozinho, o fazer em conjunto… A experiência do aluno é importante, até pq hoje a educação é um direito universal garantido constitucionalmente a todos os brasileiros.. e se um país com dimensões continentais e realidades tão diversas como o Brasil põe TODOS seus filhos na escola… imagine a imensa DIVERSIDADE de experiências e realidades presentes na escola? Será que a educação de um ribeirinho na Amazônia deve ser igualzinha à educação de uma criança paulista ? Será que essas crianças não têm tanto oportunidades quanto desafios um tanto diversos com os quais se relacionar? Será que o professor na faculdade tem o preparo para ser a autoridade absoluta, como no passado, ou será que agora ele precisa aprender a lidar com essa diversidade, conjugando sua formação inicial com um senso de humildade e curiosidade de aprendiz PARA SEMPRE?
    E aí começo a mostrar que a autoridade de hoje em dia é menos autoritária e mais solidária. Um professor, nesse novo cenário, é valorizado não pelo medo que impõe, mas pelo interesse que desperta ao apresentar questões instigantes, e ao se mostrar solidário, humano em ouvir, e inteligente ao articular o que ouviu com o que sabe, levando a turma a uma nova compreensão enquanto ele mesmo vai ampliando a sua própria.
    Não estou criticando o professor autoritário, estou falando do que percebo: antigamente o professor lidava com um contexto social/economico/cultural menos heterogêneo, por isso ainda funcionava o sistema em que o professor era o detentor do conhecimento, a fonte de saber e respostas. Mas a realidade da escola no Brasil mudou completamente, porque ao universalizar o acesso à educação, o Brasil levou PARA DENTRO DAS ESCOLAS a sua pré-existente REALIDADE DE FATO. O professor não tem mais como responder a demanda dos alunos sozinho, porque é impossível para um ser humano sozinho lidar com tamanha complexidade. O professor precisa aprender a organizar o trabalho educacional de modo coletivo e colaborativo, porque para uma realidade tão complexa é preciso que as respostas brotem da complexidade de experiências humanas ali presentes, claro que de modo respeitoso e organizado, mas um pouco de caos em alguns momentos faz parte também e o professor do século XXI precisa saber lidar com isso.
    Falei de cultura, história e sociedade brasileiras. Reconstituí de modo breve a mudança estrutural pela qual passou a educação pública no Brasil. Vamos falar agora de algo mais universal: os achados da ciência sobre o processo de aprendizado humano.
    Os avanços científicos comprovam pela neurociência que quantos mais conexões neurais você fizer, maior o aprendizado.Oras, cada dia que passa a ciência avança mais rápido, e o dever do professor e da escola é estar a par das novas descobertas. Uma delas é essa.
    Os métodos de ensino baseados na repetição, que dominavam a educação antigamente, ficam bastante relativizados para quem compreende tais descobertas. Ainda é preciso em algumas situações repetir para aprimorar, mas para criar novas conexões, aprender mais, você precisa aprender algo NOVO e estimulante. E essas conexões neurais só se formam quando você tem um papel ATIVO no seu aprendizado, e não passivo. Além disso aquilo tem que fazer sentido para você, e já falei um pouco que com a mudança de perfil da escola, não há mais sentido em o professor ser o único detentor de respostas.
    Agora vamos falar de como tem sido o desenvolvimento de crianças e jovens, e que tipo de potenciais que eles sempre tiveram estão se revelando somente agora.
    Além, e antes mesmo do fato científico citado, houve uma mudança de costumes, de acesso à tecnologia, de dinâmica de relações no perfil da criança e do jovem de hoje. Claro que ainda existem muitas desigualdades, mas de maneira geral o que crianças e jovens hoje têm em comum? Eles são ativos, têm mais acesso a diferentes informações e experiências, sem contar que vivem num mundo totalmente diferente do que viveram nossos pais ou avós.Estamos nos admirando com a capacidade que crianças e jovens têm de aprender rápido! Parece até que uanto mais jovens, mais rápido dominam a tecnologia e superam os adultos. Oras, será que temos uma geração de mutantes, ou será que essa capacidade imensa de aprender tanto e tão rápido sempre esteve aí, mas só agora está sendo explorada por causa das oportunidades que jovens de hoje têm? Eu fico com a segunda opção.
    Junto disso, está bem claro hoje em dia que o mundo muda rápido e quem só sabe fazer sempre a mesma coisa, repetir instruções e ações, repetir repetir… vai ficar de fora. Gente, a humanidade caminha, vive experiências e se transforma… Depois da 2ªguerra mundial, da terrível realidade do holocausto, em que milhões de judeus foram mortos por um sistema “eficiente”para matar e por um exército de soldados “obedientes”… ainda não deu pra perceber que sujeição, eficiência e obediência por si sós são PÉSSIMOS VALORES se de fato queremos formar SERES HUMANOS?
    O mundo se transformou, os jovens hoje têm mais agência, mais oportunidades de buscar e construir conhecimento porque têm mais acesso à informação e experiências totalmente diferentes da sua realidade de origem. Hoje um jovem conectado no Brasil pode ter um amigo na África do Sul, outro em Portuglal, pode gostar de uma banda coreana e seguir em tempo real um seriado norte americano ou acompanhar as últimas novidades de seu autor preferido, que pode ser um autor inglês…
    Será que num mundo como esse que muda rapidamente, com as possiblidades tecnológicas que temos, será que com essas descobertas da neurociência corroborando que a mudança de costumes faz com que os jovens aprendam mais e mais rápido, será que com os aprendizados históricos de como foi deletério termos pessoas obedientes em vez de ativas e conscientes…será mesmo que diante de tudo isso… a virtude mais desejável no estudante é realmente o silêncio e a obediência?
    Sim o respeito ainda é fundamental, mas ele mudou completamente sua forma de expressão.
    Não, obediência pura e simplesmente não é algo desejável nesse mundo.
    Disciplina é uma coisa, obediência é outra.
    Respeito às regras de forma consciente é uma coisa, obediência cega é outra.
    Isso tudo que eu afirmo deve ser adequado a cada faixa etária e necessidade, porque crianças bem pequenas é claro que precisam reconhecer a autoridade do educador e serem mais obedientes mesmo, já que não tem ainda senso crítico muito bem desenvolvido para tomar certas decisões por si.
    Mas o papel do educador não é tutelar para sempre o educando, mas reconhecer que ele também é fonte de conhecimento e experiência, e o papel do educador é ajudá-lo a organizar e ampliar seus conhecimentos, de modo que se torne cada vez mais autônomo e capaz de encontrar respostas para seus próprios desafios.
    Concluindo minha contribuição: o desrespeito presente na escola por parte de TODOS (e não só dos alunos, vamos ser sinceros, vai?!) é resultado de tentar CONFORMAR uma realidade viva e mutante dentro de uma forma APERTADA que não a contém e a sufoca.
    A violência é em grande parte reflexo do despreparo desse modelo educacional para lidar com as novas demandas da educação de crianças e jovens nessemomento histórico, cultural, social do Brasil. E o problema da escola não é um problema brasileiro, é um problema do mundo.
    Como educadora desse novo tempo,proponho um exercício de imaginação histórica e sociológica:
    Se um apresentador de programa de TV da época em que a TV foi criada entrar hoje num estúdio de TV, vai ficar assustado, impressionado com o seu novo ambiente de trabalho.
    Se um médico, um dentista do século passado, entrar num consultório hoje, num centro cirúrgico… provavelmente também se admirará e mal saberá como lidar com seu ofício.
    Mas se um professor da época em que a escola foi criada entrar hoje numa sala de aula… vai encontrar quadro negro, giz, livros didáticos, alunos sentados em fileiras, todos olhando para o professor, sob o teto, entre parede, com a porta fechada, janela com cortina para desestimular a “distração” dos alunos… e ali ele vai reconhecer o seu ambiente de trabalho, praticamente inalterado.
    Isso não é estranho?
    Sem entender que tipo de escola temos, e de que tipo de escola precisamos, qual escola queremos… fica difícil acertar o diagnóstico de problemas e as soluções adequadas à nossa realidade.
    Abraços e espero que q discussão continue.

    1. Prezada Luamargarida,

      Agradeço o seu comentário. Seja sempre bem-vinda ao nosso blog.

      Bom, você teve uma interpretação equivocada da visão do autor do texto (no caso, eu). De forma alguma eu defendo que os alunos estejam em todo o tempo quietos, sem qualquer liberdade e espontaneidade para brincar, falar, compartilhar sua visão de mundo, questionar, criticar, criar, enfim, se expressar. Tudo isso é essencial e não há como pensar educação sem pensar em espontaneidade e expressividade por parte dos alunos.

      Também não estou propondo aqui a criação de lotes de professores “carrascos”, “caxias” e que não interagem com seus alunos. E muito menos estou defendendo a antiga metodologia de ensino engessada que já existiu no Brasil e em todo o mundo.

      Se voltarmos à época do regime militar brasileiro, por exemplo, percebemos que a educação não tinha o problema do desrespeito ao professor. Mas tinha outros. Um deles era a metodologia de ensino, baseado em decorebas e aulas monótonas ou rígidas.

      Enfim, não defendo a volta de nada disso. Aliás, meu Ensino Médio foi justamente o oposto disso. Cursei os três anos do Médio em um colégio privado de orientação religiosa. Foram os três anos mais felizes de minha vida. A interação de minha turma com os professores era muito saudável e divertida. Tanto que desenvolvemos fortes amizades que duram até hoje. E minha turma era uma das mais “zueiras” do colégio (se me permite utilizar este termo informal). Mas era uma turma que respeitava os professores. Todo o colégio seguia mais ou menos esse perfil.

      A visão que defendo no texto, cara amiga, é que o professor possa ter mais voz dentro e fora de sala, de modo que alunos abusados sejam refreados. Acredito que crianças e adolescentes precisam muito de limites. Esses limites ajudam a fomentar a consciência e a sociabilidade. Uma vez ciente dos limites e habituados aos mesmos, crianças e adolescentes tendem a se soltar, mas com respeito. Quando não damos limites ao ser humano quando em desenvolvimento, ele se desenvolve achando-se legitimado a fazer o que lhe dá na telha. É isso que não se pode deixar acontecer.

      A visão que defendo é que o professor possa ser amigo e sociável para com seus alunos (conforme seu jeito de dar aula), mas também tenha autoridade dentro e fora de sala, o que se constitui até um mecanismo de proteção.

      Penso que hoje já não temos mais tanto o problema da abordagem e da metodologia. Os professores, em geral, estão mais abertos a dialogarem e rirem com os alunos. O problema se tornou a falta de limites dos estudantes e a desvalorização do professor. E quando falo de desvalorização, lembremos, também estamos falando fora de sala, por pais, diretores, conselhos tutelares e pelo governo. A questão não está restrita às paredes da sala de aula.

      Abraços!

      Davi Caldas.

      1. Olá Davi,
        Obrigada pela disposição em dialogar.
        É sempre uma alegria encontrar pessoas dispostas a aprofundar seus pontos, ouvir perspectivas diferentes, de modo a aprimorar nossos olhares e a elaboração de possíveis soluções para a educação.
        Desculpe as incorreções de minha resposta, principalmente o início do texto anterior, que deveria ter saído como “Olá pessoal do blog”.
        Fique à vontade pra usar coloquialismos comigo, pq usei e uso vários. E aliás… seu texto tá cheio de “licenças poéticas” até bem ousadas e bruscas, eu diria. rs… Coerentes com a indignação que o desrespeito ao professor inspira. Mas reconheço e agradeço o cuidado demonstrado nessa comunicação mais pessoal de agora.
        Lendo sua resposta, e relendo o texto, pude investigar melhor de onde tirei minha conclusão sobre o tipo de visão de mundo que acreditei embasar seu pensamento sobre educação.
        Na minha resposta anterior já fiz todo um (longo) apanhado social, histórico, cultural sobre o porquê de eu discordar da visão que atribuí a você (mas q vc esclareceu q ñ defende).
        Entendi que você se afina com pontos da visão que apresentei, e que reconhece que a educação do passado tinha suas virtudes, mas que hoje há muitas coisas superadas porque estamos num contexto social e histórico diferente.
        Portanto, desta vez já tenho um conhecimento melhor da visão da pessoa Davi, sei que você teve uma experiência feliz, mais livre e baseada em fortes vínculos humanos no seu ensino médio – que sorte! Tive uma educação cristã e hoje me inspiro muito no cristianimo e na filosofia budista. Porém estamos num estado laico, por isso a educação pública precisa ser laica não para reprimir a fé, mas justamente para garantí-la em toda sua diversidade. Desconfio até que parte da experiência positiva que você teve era porque a religiosidade oferecia um substrato de VALORES COMUNS que guiavam a comunidade escolar, entre professores, alunos e seus familiares, e os demais profissionais. E creio que uma base comum de valores é o que está faltando nas escolas, porque elas são hoje constituídas de públicos/realidades sociais/conjuntos de valores muito diversos, e em vez de essas diferenças se somarem, acho que acabam é se anulando umas às outras e tudo vira um caos. (Essa é uma conversa para um outro momento…mas que eu adoraria ter.)
        Com seu texto creio que em alguns momentos você contrói um autor que não sei se está muito fiel ao que vc realmente pensa, então vou me deter a mostrar que palavras e ideias suas me ofereceram dados para minha interpretação e que sentidos algumas palavras que você escreveu, com ênfase, despertaram em mim.
        No texto você pinta um quadro de desrespeito, violência, abusos e falta de limites que vitimam o professor nos dias atuais. Você vai construindo seu texto de modo que “nos sintamos” na pele desse professor “pisoteado”, e nesse crescente você então desabafa, indignado:
        “Onde está o zelo por este profissional?!?!? Onde está o respeito, a sujeição e o temor?”
        Como leitora, gostei do ritmo e da intensidade. Fui “me sentindo oprimida” pelo cenário pintado, depois também senti um “ufa” ao ler as perguntas, que saem como um grito de liberdade. São emoções legítimas, porque se rebelam contra uma situação de desrepeito real, não são emoções que clamam por privilégios para poucos, mas por respeito para um grupo de cujo bem-estar dependem o bem-estar de todos os outros: os professores. Embora eu goste muito de textos conceituais e densos e corretos, sinto que só somos transformados de fato quando acionados por inteiro: pensamento, emoções, alma. Não é surpresa que pessoas indignadas se sintam identificadas e contempladas no seu texto, pq ele tem apelo emocional forte. Senti isso como parte de minha experiência como leitora.
        Todos sabemos serem reais os exemplos de desmandos como os que você cita correspondem a fatos que ouvimos, seja na vizinhança, seja em terríveis notícias nos jornais. E dentro do contexto do texto, e dentro desse recorte da realidade, faz todo o sentido a indignação extrema demonstrada nas perguntas.
        Mas como você percebeu, imagino, sou uma leitora com esse corpo emocional que foi “provocado numa direção”, mas sendo inteira sou também uma leitora-crítica, além de ser educadora, e por conta dessa outra dimensão do meu ser, meu senso crítico também foi movido, mas numa direção totalmente diferente. Responder ao seu texto foi uma forma “de me reintegrar”, e como educadora eu também senti que não podia me furtar a ir além.Tanto melhor que esse seja um blog que propicie o diálogo 😉 e que esse meu exercício de me reorganizar na dissonância que o texto criou seja feito em parceria com o autor.
        Como imagino que você perceba, embora seus leitores mais leigos não atentem a isso, vc é um emitidor de opinião, talvez com intenções profissionais nesse campo, portanto você (por viver num horizonte ético, pelo que entendi) sabe que tem responsabilidades para além do efeito emocional que é capaz de provocar, também sobre a acuidade conceitual e visão de mundo que veicula com as ideias que utiliza. E vc demonstra abertura para lidar com o contraditório ou mesmo de esclarecer interpretações que ñ estejam de acordo com o que você de fato defende, sabendo me responder com bastante tranquilidade. Maravilha.
        Agora pense comigo, e creio que nisso vamos concordar:
        As suas duas perguntas trazem não só a questão, mas também respostas, com apelo emocional, certo? É um recurso interessante, de que gosto e uso em textos desse estilo.
        A sua 1a pergunta foi para mim emocional e intelectualmente coerente (zelo). Mas a sua 2ª pergunta me causou um descompasso. Você de forma indireta afirma que sente falta não só do respeito (do qual todos sentimos!) mas também sente falta da sujeição e do temor. E foi aí nesse momento que na minha leitura a visão do autor e a visão da leitora se descolaram, e então suspendi temporariamente a minha visão, para poder seguir a leitura sem ruídos julgadores, para somente no final tirar uma conclusão.
        Espero que não se sinta constragido com minha análise, sou formada em Letras, analisar textos é passatempo 😉 e creio que minha análise é um recurso valioso para a discussão, que pode estar a serviço não só da visão que defendo, mas do próprio autor que analiso, já que vc pode tirar partido de minha análise p/ rever sua própria forma de se expressar.
        Acredito que você sabe o significado dos termos “sujeição” e “temor”. Foram palavras que você usou, num momento importante do seu texto, com um recurso estilístico forte. Não estão lá por acaso, e talvez até tais palavras não sejam tão fiéis ao que você realmente PENSA sobre a educação. Mas elas apareceram, fortes, “sujeição e temor”.
        Saltou aos meus olhos a pergunta indignada citada, desejosa de respostas que considero inadequadas para nosso tempo, já que sou uma educadora que valoriza e promove a autonomia na interdependência, o que poderia ser representado por uma valiosa moeda de duas faces: liberdade e responsabilidade. Eu me identifico completamente com o valor q você colocou como centro de toda a sua argumentação: o respeito. O q nos une é mais forte do que o que nos diferencia, então haveria uma boa motivação de ambos os lados p/ dialogar. Mas as outras ideias, q identifiquei como valores q vc também colocou como destaque, eu vi q mereciam um questionamento. Supus então q concordávamos sobre a centralidade do respeito e q “apenas”discordávamos na sua forma de expressão.
        Sujeição é perigosa pq transforma o sujeitado em objeto (tolhido de sua consciência e agência, tendo que obedecer bovinamente a uma consciência legítima fora de si, a da autoridade) ao passo q temor está relacionado com o medo, e num clima de medo a liberdade de ser não aparece, somente a precaução intimidante, preocupada em afastar do amedrontado as ameaças sob as quais constantemente ele vive.
        A ideia de enfatizar alunos totalmente violentos no texto e defender q devem ser tratados “como criminosos” ajuda a compor um clima de “vigiar, controlar e punir” a ser levado para dentro da escola. Mas na minha experiência sei q dentro da escola todo e qualquer assunto DEVE TER um tratamento pedagógico, por mais que isso muitas vezes (e infelizmente) tenha que ser levado a conselhos tutelares, juizados e até delegacias. Na minha visão, não é submetendo, vigiando, punindo e criminalizando o ambiente escolar que vamos resolver algo. De fato, a falta de tratamento pedagógico ancorado em fortes e éticos valores humanos é que tem gerado esses casos tão extremados de violência.
        Não nego q há muitas vezes a necessidade de tratar assuntos da escola com autoridades de outras áreas, mas de longe essa ñ é a ideia que deve ser o carro-chefe da solução, pqela passa longe da RAÍZ o problema da violência na escola, enfatizando apenas o sintoma.
        Imagine um corpo doente que produz febre. E o médico se esbugalha todo para encontrar o melhor antifebril possível, testa vário, concentra todos os esforços p/ acabar com a febre.
        Esse tratamento será bem sucedido?
        Pois então, defender sujeição, obediência, criminalização do aluno dentro da escola, no meu entender, ñ será a solução da violência e desrespeito na educação escolar.
        É preciso sim tratar a febre, porque se não controlada, ela pode comprometer completamente a saúde e levar o doente à morte.
        Mas os maiores esforços devem ser focados na causa da doença.
        Enfim, achei que algumas das ideias que vc apresentou eram antagônica aos valores que vivo, por isso eu pincei esse aspecto do seu texto e me detive neles. Agora talvez tenha ficado mais claro para vc o que em seu texto me levou à conclusão que tive, e talvez vc possa então expor melhor o q significam as palavras q
        Acho que foi um texto com base numa ideia muito feliz sobre algo que acaba não aparecendo nos discursos que se focam na pauta do “mais verbas”: verbas para quê? Que tipo de educação? Com base em que tipo de valores?
        Não é uma discussão fácil… até porque um campo moral-religioso facilitaria a tarefa, mas já não é mais solução em nossos tempos. Cá estamos, de olho na educação, a fazer nossa parte num diálogo respeitoso, com ideias, argumentos, dúvidas e sugestões de soluções.
        Respeito, liberdade com responsabilidade, regras e sanções… sim, como você indicou e eu estou de acordo, são pontos fundamentais nessa discussão de valorização do professor e – no meu entender – em algo mais amplo e fundamental: transformação da ideia de escola que temos. Isso é que é o fundo da discussão para mim, e é com essa perspectiva que o professor vai achar seu novo lugar, bem distante desse lugar precário que ele ocupa hoje.
        Abraço e tudo de melhor!

  3. Concordo que investir mais em educação é uma empulhação,entretanto,a maioria dos professores são marxistas e estão á décadas espalhando a revolução na cabeça dos estudantes.Estão apenas colhendo os frutos da mentalidade igualitária que tanto amam sem hierarquia.

  4. Ora,ora parece que temos um espécime inusitado do blog Direitas Já: um professor marxista,ou no mÍnimo um professor esquerdista.
    Quando será que esses espécimes entenderão que não existe mundo igualitário onde todos serão elite?
    Querer e exigir que TODOS os alunos sejam médicos e não entender que existem aqueles que não querem ser e aqueles que não tem o dom,até quando esses professores esquerdistas vão precisar levar tapa na cara de aluno pra entender o óbvio?

    1. Olá Davi, eu de novo 😉
      Agora, ainda com base no seu texto, mas sobre outro ponto:
      penso q não devemos cair no vício dos discursos repetitivos q se esvaziam por serem tão automaticamente reiterados. “Mais verbas” pode ser um exemplo. “Mais verbas”para quê, para serem usadas como, quando e onde? Consciência é mais importante que jargão.
      É uma lástima do que discursos odioso e meramente combativos de épocas eleitorais fazem com o país…Que bom que aqui estamos livres disso.
      Vc diz que o respeito ao professor é uma questão fundamental. Concordo e acrescento: respeito ao professor, ao aluno, a todo o corpo funcional da escola, aos pais.
      Para mim, o ponto é rever o modelo DE ESCOLA e ver de que modo esse modelo respeita a todos, de que modo esse modelo incentiva ou inviabiliza o respeito.
      Sempre atrabalhei em lugares que felizmente tinham e trabalhavam nessa consciência: tudo que fazemos no espaço educativo, a todo momento, e qualquer pessoa independente de sua função na instituição, tem um papel educativo. O aluno mais velho dá exemplo ao mais novo. E vice-versa. O inspetor também educa. E o espaço do banheiro, suas instalações – também estão educando. Como os professores se relacionam? Afinal, estão se educando uns aos outros e dando exemplo aos alunos. O mesmo com os pais… ó, quanto desafio em encontrar um relacionamento próximo e saudável com os pais…rs…Mas puxa, como vale a pena e é gratificante!
      Enfim, partindo desse cenário mais amplo que proponho, uma escola que incentive e possibilite o respeito a todos, e voltando ao tema do professor ( que é chave nesse processo) e sobre como valorizá-lo como profissional…
      Só de entrar numa sala de aula hoje em dia eu já VEJO, de cara, uma mudança muito clara que precisa ser feita.
      E urgente: redução no número de alunos por sala.
      Porque vc quase não tem sala de aula, vc tem ali um auditório espremido. E palestra é a única coisa que o espaço e o modelo de sala de aula hoje possibilita. Sendo que… crianças ainda ñ tem sequer capacidade de concentração e quietude motora p/ seguir uma palestra, quanto mais interesse nissol…
      Os jovens têm hoje mentes inquietas, que vc precisa instigar do jeito certo em vez de tentar abafar a atividade mental intensa…(vc tenta represar um rio, a barragem explode… vc cuida do leito do rio, ele corre pro lugar certo e com fluidez;)
      Portanto, basear o aprendizado escolar SOMENTE em palestras do professor não funciona mais, e aliás é impossível.
      Aliás, não preciso nem citar razões pedagógicas p/ começar a tratar a a redução do número de alunos por sala, bastam questões de saúde: como conseguir falar e ser ouvido numa sala com 40 alunos ou mais?
      Esse modelo de escola ensina o seguinte: ganha quem leva no grito.
      É isso que queremos?
      Veja, você pode planejar a melhor aula do mundo, mas só pelo fato de ter TANTA gente, e crianças e jovens são cheios de vontade de viver (saudável!) quando um se acalmou, o outro está ansioso… Até você “harmonizar” 40 pessoas, instigar a atenção de todos… a aula já acabou e vc ñ consegue fazer metade do que tinha planejado. Se for alfabetização, fase em que vc precisa ter momentos de atenção individualizada, não dá com tanto aluno: vc ñ consegue ter um momento mais individualizado com tanta gente assim.
      Se for uma aula em que os alunos precisam participar, compartilhar uma leitura, uma opinião, também não dá: não há tempo para todos. Vc pode até “parcelar” a opinião dos alunos ao longo de aulas, mesmo assim com tanto aluno levam muitas aulas, chega uma hora que vc precisa mudar de tema e enfoque porque ficou repetitivo… enfim! Supondo que vc tenha um bom relacionamento com os alunos, um ótimo planejamento, ainda assim essas soluções que eu dei são apenas paliativo, não tem nada a ver com intencionalidade pedagógica.
      É muito produtivo a gente ñ se ater aos discursos prontos para “resolver os problemas da educação”, pq temos liberdade p/ falar de coisas TÃO EVIDENTES das quais vejo poucos falando, quanto mais transformando-as.
      Mas chega uma hora que talvez precisemos passar pela questão da verba.
      Para diminuir o número de alunos por sala de aula, precisaremos de + salas, + professores, com menos alunos.Então, num primeiro momento, mais verbas.
      Note que eu disse: num primeiro momento.
      Afinal, com uma relação mais humana (e menos “bovina” ou menos violenta) e um trabalho pedagógico de melhor qualidade desse modo, muito dinheiro usado em desperdícios e para consertar quebra-quebra certamente será economizado. Com certeza professores mais saudáveis e mais realizados no seu trabalho faltariam menos, seja por doença, seja porque está infeliz e falta pq ñ QUER dar aula.Nesses casos, o governo economizaria, pq em vez de pagar o professor licenciado/com falta abonada, mais o substituto, pagaria somente um professor.Mais economia.
      No começo, mais verba… mas depois: mais economia. Dinheiro é pra ser usado do jeito certo. E “economia porca” não vale a pena…
      Porque se o governo “economiza” em educação vai ser obrigado a gastar em saúde e segurança pra resolver o estrago de uma população mal educada.
      Enfim… é preciso não se apegar cegamente à questão da verba. Mas é preciso também não incentivar uma aversão ao tema.
      Toda providência é importante, desde que bem colocada, no momento certo e pelas razões corretas.
      No meu entender… redução no número de alunos por sala é PRA JÁ!
      Abraços.

      1. Luamargarida,

        Gostei da sua análise. Nunca tive um texto meu tão analisado e destrinchado, rsrs. Devo dizer que me senti lisonjeado. Mas vamos lá.

        As palavras que usei, “sujeição e temor”, realmente não foram colocadas no texto à toa. Eu as escolhi de maneira bem consciente e proposital, para impressionar o leitor mesmo. Entretanto, o sentido delas que eu tinha em mente era o sentido bíblico. Na Bíblia, temor e submissão (ou sujeição) geralmente não têm a ver com uma relação entre explorador e explorado, opressor e oprimido, autoritário e “pau-mandado”. Quando a Sagrada Escritura afirma, por exemplo, que devemos “temer” a Deus, não quer dizer que devemos morrer de medo dele. Quer dizer, sim, que devemos ter por ele um grande respeito, honrá-lo, reverenciá-lo.

        A mesma Sagrada Escritura nos ensina que não há nada de mal na submissão. Submeter-se ou sujeitar-se, não necessariamente é tornar-se passivo e oprimido. Pode ter o sentido de respeitar e aceitar a importância de uma pessoa como seu guia, exemplo e autoridade em determinado aspecto da vida. O próprio Jesus, a quem nós devemos submissão, provou da submissão durante toda a sua vida terrena. Foi submisso a Deus Pai, ao Espírito Santo, aos seus pais terrenos (José e Maria), às Escrituras Sagradas, às leis civis romanas da época e etc. E mesmo sendo maior que seus discípulos, lavou os seus pés e ensinou que aquele que deseja ser grande, deve agir como se fosse o menor. Em outras palavras, um deveria sujeitar-se ao outro durante sua vida.

        Quando o apóstolo Paulo recomendou que as mulheres fossem submissas aos seus maridos, também afirmou que os maridos deveriam amar suas mulheres tal como Cristo amou a Igreja, se entregando à morte por ela. Ora, e o que é a entrega da própria vida senão uma espécie de sujeição, de submissão? O ditador, em sua imponência, não se submete (não se sujeita) à dor, ao sofrimento e à morte por uma pessoa. Para o ditador, quem deve se sujeitar à morte por outro nunca é o poderoso, mas sempre o pequeno. É o servo que morre para proteger o senhor, e não o oposto. É o segurança que morre pelo empresário. Jesus, no entanto, inverte essa lógica e demonstra que todos nós devemos ser submissos a alguém em algum aspecto de nossas vidas.

        Uso, portanto, temor e sujeição no sentido bíblico de profundo respeito, honra, admiração e reconhecimento de uma pessoa como guia e exemplo. Esse tipo de temor/sujeição é saudável e nada tem a ver com medo. O medo, nessa relação, só surge no momento em que o aluno cogita seriamente a hipótese de avançar os limites que ele já conhece para agredir física ou verbalmente o professor. Aí o medo surge. Porque, uma vez que os limites foram bem impostos, o professor foi valorizado e ele sabe que não ficará impune, caso agrida o seu mestre, o estudante terá receio de ir adiante. Mas este medo não antecede o respeito. É o oposto. É o respeito exercido pelo professor dentro de sala que acaba por gerar medo no aluno que não deseja ser respeitoso. Os demais, entretanto, aqueles que não abdicam dessa relação, eles não tem medo; eles apenas honram o mestre.

        Penso que algo parecido acontece no shopping com relação a jogar lixo no chão. As mesmas pessoas que jogam lixo no chão da rua, não jogam no chão do shopping. Por quê? Porque ninguém a volta joga. A pessoa sente, portanto, receio de jogar e passar vergonha, tornar-se diferente dos outros ou até mesmo ter sua atenção chamada por um segurança ou autoridade do lugar. Muitas pessoas não vão jogar porque são respeitosas, só isso. Não jogam ali e não jogariam em outro local. Mas muitos não irão jogar por medo. Aqui não foi o medo que causou o respeito, mas foi o respeito dos outros que gerou medo nos mal educados.

        Creio que criar essa atmosfera de respeito na sala de aula é o que precisa ser feito para salvar a educação. E isso só pode ser feito valorizando o professor e dando limites aos estudantes. É só uma questão de costumes. Crianças e adolescentes estão em fase de desenvolvimento. Basta criar neles o hábito de serem respeitosos e isso se tenderá a se tornar parte do caráter deles. Dar limites é necessário e não é opressivo. Pode ser um processo chato e incômodo para os alunos mais malcriados. Mas não mata. Limites, os bons limites, não matam ninguém. A falta deles, sim, mata. E mata muito.

        Um verso bíblico que aprecio muito diz: “Eu repreendo aqueles a quem amo”. A repreensão faz parte da educação. Se mostrado o limite, o jovem o transpassa, é necessário repreende-lo, para que, pelo hábito de transpassá-lo, o mesmo não se torne um monstro.

        Com relação à redução do número de alunos nas salas de aula, eu concordo plenamente com você. É mesmo impraticável uma sala com tantos alunos! Mas ainda assim não acho que isso deva ser resolvido com mais verbas. Como você deve ter notado, este é um blog de direita. Uma das bases do nosso pensamento é que quanto menos dinheiro e coisas o governo administrar, melhor. Não acreditamos no governo como um bom gestor. Assim, minha proposta para diminuir o número de alunos em escolas públicas seria dando bolsas de estudos em colégios privados para alunos carentes com bom rendimento escolar (a escolha do colégio ficaria à cargo dos pais do aluno. O governo só pagaria as mensalidades). Outra ideia seria incentivar a criação e o crescimento de colégios privados. Essas propostas, em vez de fazerem o governo investir mais, na verdade, fazem o governo gastar menos, porém com muito mais qualidade.

        Bom, é isso.

        Abraços!

        Davi Caldas.

      2. Olá Davi,
        Demorei, mas voltei!
        Pois eu desconfiei mesmo que as palavras sujeição e temor tivessem esse sentido bíblico para você. Entendo perfeitamente que dentro do contexto bíblico que você apresentou tão bem tais valores sejam positivos e libertadores em vez de negativos e opressores.
        Mas aí mesmo onde mora a solução do “problema de sentido” que apontei, moram também outros problemas.
        Primeiro: esses conceitos e valores operam bem no contexto bíblico, dentro de uma comunidade religiosa em que seus membros se guiam pelo ensinamentos de Cristo e se autorregulam como membros de um grupo q tem sua própria agência bem fundamentada numa cosmovisão comum.
        Mas usar esses mesmos conceitos fora desse contexto me parece algo inadequado e até perigoso… Afinal, uma coisa é vc se sujeitar a Deus ou a um guia que se sujeite a Deus (melhor que você, e por isso tem algo a lhe ensinar).Outra coisa bem diferente é se sujeitar a uma pessoa q não coloca Deus acima de tudo e nem se propõe a amar o próximo como a si mesmo, a não matar, não dar falso testemunho etc e etc…
        Sabemos que mesmo dentro de comunidades religiosas ocorrem verdadeiros crimes de estelionato moral e financeiro “em nome” da legitimidade (inexistente) de tantos líderes religiosos q se apoiam na Bíblia para amealhar privilégios p/ si e os seus.
        Se essas distorções ocorrem dentro de comunidades religiosas, q ao menos buscam um horizonte ético de valores cristãos p/ regular as paixões do ego como cobiça, vaidade, luxúria… o que dizer do que ocorre fora dessas comunidades, em contexto urbanos quase “amorfos” de identidade culturais, quanto mais de valores? Onde não há sequer a tentativa de seguir um conjunto de valores pensados para um bem comum?
        Entende o que digo?
        O professor não é nem pode ser uma autoridade comparável à força de autoridade e influência do tipo que exerce um padre ou pastor.
        Isso só pode dar muito errado.O professor NÃO TEM formação nem aptidão para manejar submissões!
        O tipo de respeito e autoridade q precisam SIM ser fortalecidos na figura do professor é de natureza muito diferente, como eu estava expondo nos outros comentários.
        Em tese não discordo de q vc encontre nisso uma saída p/ as escolas confessionais: apelar para a revitalização dos valores cristãos DENTRO dessas comunidades é válido. Não acho q é isso q vc propôs no texto, mas se assim o tivesse feito, eu ñ estaria aqui levantando esses problemas.
        Os problemas q levanto na sua proposição de soluções é justamente pq vc ñ se restringe a dar soluções p/ a escola em comunidades religiosas, mas aponta caminhos que seriam para o conjunto da sociedade.
        Discordo disso pq fora de escolas confessionais é necessário q se apele a outros constructos de valores.
        Creio q a Declaração dos Direitos Humanos e a Constituição, além de outras cartas (como a de Salamanca, no que diz respeito à inclusão), são instrumentos valiosos, pq são laicos, oferecem um constructo de valores profunda e exaustivamente trabalhado de modo a oferecer um chão comum p/ as práticas sociais e escolares.
        E veja q sou favorável à boa influência das religiões, desde q saibam com humildade respeitar o livre-arbítrio dos que não as seguem. Além do quê, tais documentos q citei obviamente incorporam valores q as religiões conseguiram instilar nas culturas, o q é ñ só natural mas, ao meu ver, desejável. Veja no Japão, por ex., como diante da tragédia de Fukushima os japoneses conseguiram se organizar, lidar com a tragédia e reconstruir o q havia p/ ser reconstruído… certamente aquela civilidade num momento em q poderia haver só desespero p/ salvar a própria pele, saques de mantimentos escassos e trapaças… certamente é fruto de um tipo de valor q o Budismo conseguiu instilar na cultura japonesa ao longo de séculos: tudo é transitório, vc ñ é um ser separado de tudo e de todos, mas parte de algo maior…
        É possível sim elevar valores sem p/ toda a sociedade sem carregar com eles as cores fortes da religião, sem precisar conclamar a sujeição a dogmas religiosos que não são compartilhados por todos.
        Consegue compreender aonde quero chegar?

        Eu particularmente sou muito a favor de q as pessoas assumam e deixem claras suas posições políticas e religiosas, pq isso na realidade facilita a conversa. Ninguém tem q abrir mão ou escamotear escolhas e preferências pessoais.
        Só ñ acho razoável q no diálogo se perca a dimensão de q embora a sua escolha seja legítima, existe o poder de escolha do outro. E aí não há nada de produtivo em esperar q o outro aceite e siga o mesmo conjunto de dogmas, sejam religiosos ou políticos. O trabalho dialógico então passa a ser maior: construir pontes com base no entendimento comum, na capacidade de argumentação com base na análise da realidade, fatos, provas e valores compartilhados. (Valores esses possíveis num contexto laico, por mais q tenham base religiosa p/ um dos lados)
        Espero poder voltar aqui num outro momento p/ falar da questão do investimento. Gostaria de hj me deter nesse tópico, os valores cristãos nos quais vc se apoia e na capacidade do seu texto de atingir audiências maiores, q vão além dos leitores q compartilham um mesmo conjunto de valores religiosos.
        Deixo aqui minha sugestão: q nos próximos textos dessa natureza você encontre formas de deixar evidenciado em seu texto o horizonte de valores (cristianismo) em q vc situa os sentidos q usa no texto. Esse não é um blogue cristão, o assunto tbm não se refere a um contexto religioso, então de certo modo meus questionamentos iniciais seriam suprimidos em favor de uma discussão direto ao mérito do texto, caso vc mostrasse mais claramente seu horizonte ético cristão já de saída.
        E creio que a solução p/ recuperar o respeito ao professor, reinventando-o de acordo com o tempo presente e nossos atuais desafios, está muito ligada a essas explicação primorosas que vc deu exemplo primoroso que você deu sobre como as pessoas se comportam seja dentro do contexto religioso seja fora dele, na vida cidadã dentro de um shopping (e eu acrescentari: no metrô). Creio que a chave aí esteja mais na consciência humana e seus modos de funcionamento, nos diferentes tipo de consciência, com pessoas mais autônomas e éticas, que agem por auto-determinação, e outras pessoas mais heterônomas e menos éticas (mais suscetíveis às próprias incompletudes e vulnerabilidades na hora de tomar decisões), cujas consciências ainda seja mais próximas ao infantil, que necessita da autoridade externa p/ se autorregular com base em sentimentos como medo, vergonha e necessidade de recompensa.
        Achei que aí vc encontrou uma chave poderosa sobre como o ambiente na escola poderia ser transformado.
        Grande abraço e que a boa conversa prossiga!
        Para mim está sendo muito proveitoso e espero que para vc e quem mais estiver lendo também.

    1. Marcos 10:17-25:

      “Quando Jesus ia saindo, um homem correu em sua direção e se pôs de joelhos diante dele e lhe perguntou: ‘Bom mestre, que farei para herdar a vida eterna?’
      Respondeu-lhe Jesus: ‘Por que você me chama bom? Ninguém é bom, a não ser um, que é Deus. Você conhece os mandamentos: Não matarás, não adulterarás, não furtarás, não darás falso testemunho, não enganarás ninguém, honra teu pai e tua mãe…
      E ele declarou: ‘Mestre, a tudo isso tenho obedecido desde a minha adolescência’.
      Jesus olhou para ele e o amou. ‘Falta uma coisa para você’, disse ele. ‘Vá, venda tudo o que você possui e dê o dinheiro aos pobres, e você terá um tesouro no céu. Depois, venha e siga-me’.
      Diante disso ele ficou abatido e afastou-se triste, porque tinha muitas riquezas.
      Jesus olhou ao redor e disse aos seus discípulos: ‘Como é difícil aos ricos entrar no Reino de Deus!’
      Os discípulos ficaram admirados com essas palavras. Mas Jesus repetiu: ‘Filhos, como é difícil entrar no Reino de Deus! É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus'”.

      1. Pois é, papa hóstia. Olha só que comunista que era Jesus.

        Mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma fechadura do que um rico entrar no reino dos seus. Os 25 milionários que vc citou naquele seu texto ridículo vão para o inferno.

      2. Aprovei teu comentário só para que todos possam ver o quanto você é imbecil. Não vou nem me dar ao trabalho de refutá-lo.

    2. Olá Toma essa,
      Uma conversa civilizada entre pontos de vista divergentes – por que não?
      Vc suscitou uma questão interessante, mas parou no meio do caminho e pegou um atalho para o abismo da falta de sustentação argumentativa…lançando-se no vazio da ofensa sem rumo.
      Não é preciso concordar com tudo o que a outra pessoa pensa para manter um diálogo civilizado.
      O que vc quer dizer com a citação bíblica que fez? Vc acredita que os ideais da direita são pouco cristãos? Ou vc quer dizer q uma pessoa cristã deve abandonar o cristianismo se quiser ser verdadeiramente de direita?
      Te convido a voltar aqui e argumentar. Tenho certeza que todos sairíamos ganhando se a conversa avançasse num rumo mais agregador e frutífero.

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