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Sarney foi o político mais deletério gerado durante o período militar, e Lula o mais deletério gerado durante redemocratização. Certamente Mariana Silva tem tudo para personificar os piores valores da política contemporânea. Que me desculpem os bem intencionados que veem na dama da floresta uma esperança de dias melhores para a probidade e para as instituições republicanas. Marina se coloca acima do ambiente de debate público, julgando a conduta de seus pares. Os outros tem interesses e fazem politicagem. Ela não. A pura e sacrossanta só pensa na transversalidade nacional, seja lá o que isso significa. Mesmo que sendo apoiadora entusiasmada de um grupo político que domina o Acre há anos, mesmo tendo permanecido no PT durante todos os escândalos do mensalão, mesmo tentando transformar o PV em espelho de sua própria cabeça, mesmo posando de vítima diante da decisão jurídica que não validou seu partido, mesmo tendo entrado no PSB exclusivamente com o interesse de utiliza-lo como hospedeiro de suas ambições, ela ainda é vista como representante do novo. É o novo com cheiro de naftalina. É o novo do tempo do epa.

O lulismo não é o fundo do poço. Esperem só Marina um dia chegar ao poder. Se os partidários do PT sempre se consideraram salvadores da pátria, ao menos jamais tentaram se por acima do ambiente político padrão. Marina não. Com aquela sua fala incompreensível para os que não tem contato direto com Tupã, ela se posta como representante de um apolitiquismo partidário. Por certo, em um eventual governo seu, se valeria de sua auto-concebida virgindade moral para atribuir aos que lhe fizessem oposição o monopólio das baixarias da politicagem mundana. É só observar sua conduta durante a votação do Novo Códio Florestal para constatar seu jeito pacifista de fazer o debate público.

Apoiada desde evangélicos até os ativistas do Greenpeace, tratada como santa pelos entusiastas de sua carreira, Marina é o retrato de um pais que pode ser ainda mais autoritário do que sob o julgo dos petistas. Um autoritarismo bonitinho, um autoritarismo bem intencionado, um autoritarismo sonhático.

Autor: Guilherme Macalossi (Colunista do Jornal Informante, Apresentador do Programa Confronto, na Radio Sonora FM. Formado em Direito pela UCS, cursa Jornalismo na Unisinos.)