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Recentemente foi publicado um artigo aqui no Direitas Já! que explica como sistema bancário e o crédito influenciam a economia brasileira. Pelo visto, o Banco Central do Brasil não concorda muito com a linha de raciocínio apresentada, e como alertado no final do artigo, os sinais de ingerência voltam a dar as caras.

No dia 25 de julho o BC mudou algumas regras que dizem respeito ao setor financeiro com o claro intuito de “estimular a economia”. Para quem se interessar pelo artigo acima que detalha melhor o processo, para se situar, é como se o Brasil estivesse em 2003 ou em 2009 novamente. Se trata do mesmo processo.

Falta crédito?

Pergunta bem simples e direta. Os números falam por si mesmos.

Evolução do crédito ao setor privado no Brasil entre 2009 e 2014.

Como os dados vão até maio de 2014, portanto, em menos de 5 anos, o volume total de empréstimos concedidos ao setor privado mais do que dobrou, e segue crescendo. Detalhe: apenas ao setor privado.

E como vão outros países?

Evolução dos empréstimos ao setor privado na Suíça entre 1990 e 2014.

A Suíça, país que não possui nem 3% de desemprego, praticamente não conhece inflação de preços – deflação é comum – e que seu PIB cresce próximo do que o brasileiro vem crescendo levou 24 anos para fazer aquilo que o Brasil fez em 5: dobrar o volume total de empréstimos concedidos ao setor privado. O sistema bancário brasileiro dobrou o crédito em apenas 5 anos, e a economia continua com problemas. O suíço, por sua vez, foi muito mais lento no processo e expande pouco a concessão de crédito, mas a economia suíça está muito melhor que a brasileira. A solução, então, é acelerar ainda mais a concessão de crédito? Os suíços não concordam.

“Mas a Suíça é um país pequeno, ganha recursos do mundo inteiro por ser considerado por muitos paraíso fiscal…” dirão alguns. Que tal falar da Alemanha, quarta maior economia do mundo?

Evolução do crédito na Alemanha entre 1993 e 2014.

O crédito na Alemanha se expandiu vigorosamente na década de 1990, mas isso não foi por meio de exponencial emissão de moeda. Os agregados monetários aumentavam lentamente, e a inflação estava em queda, sendo que em 1993 já não era nem cerca de 5%, algo que atualmente seria motivo de festa no Brasil, e que caiu até próximo de 0% por volta de 1999. Não se tratava de política monetária expansionista, se tratava de um aumento no crédito com responsabilidade monetária, e que não é o caso brasileiro. No Brasil, a quantidade de dinheiro na mesma época dobrava em poucos anos, na Alemanha o mesmo processo leva mais de uma década já faz um tempo.

E o que falar da década de 2000? O volume total de crédito estagnou durante toda a década, inclusive diminuindo recentemente. O PIB alemão, após o volume total de crédito cair, vem acelerando e apresenta resultados parecidos com o brasileiro, mas como tanto o PIB quanto (principalmente) o PIB per capta alemão são maiores que o do Brasil, 2% de crescimento na Alemanha, por exemplo, representa bem mais que crescimento em valores absolutos do que no Brasil. E tudo isso com crédito estagnado, até mesmo em queda.

Portanto, será mesmo que a solução é jogar ainda mais crédito na economia? O próprio Copom já sinaliza que a inflação tende a permanecer alta. Que tal reduzir impostos, cortar gastos do governo, vencer essa longa luta contra inflação, desburocratizar a economia, abrir mais a economia ao setor externo, entre outras medidas que outros países que estão relativamente bem realizam?