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Uma boa dica para assistir é “Caminho da Liberdade”, um filme do diretor Peter Weir. O filme faz uma leve descrição dos campos de concentração comunista (os Gulags). Para aqueles que querem começar a se familiarizar com o assunto, este me parece bem interessante.

Muito mais duradouros e tão cruéis como os campos de concentração dos nazistas, os gulags foram omitidos na história geral, e ainda são na maior parte dos países do mundo. Campos de concentração são específicos para aprisionar milhares de pessoas pelas mais diferentes razões, estas razões podem ser políticas, raciais, ou simplesmente ocasionais, entre outras razões evidentemente. Nos campos nazistas é clara a razão racial, já nos campos comunistas é clara a razão política, esta última, por simplesmente se considerar inimigos todo agricultor economicamente ativo. Estes eram entendidos como “inimigos do povo” (uma explicação muito genérica, mas muito utilizada pelos comunistas).

Longe de ser um filme que descreve minuciosamente estes campos, “Caminho da Liberdade” aponta algumas informações importantes para o cidadão comum, aquele que não está familiarizado com as informações mais técnicas da história específica destes campos. A primeira cena do filme já ilustra muito bem, quando um dos condenados é denunciado pela própria esposa, esta que certamente foi torturada psicologicamente. Alexandre Soljenítsin descreveu estas técnicas de tortura psicológica de forma extremamente detalhada no livro “Arquipélago Gulag” (publicado em 1975). Ademais, fica claro para quem assiste ao filme atentamente, que uma das características mais marcantes do sistema prisional soviético era a prisão aleatória, e sem qualquer razão justificável. A única explicação observada na literatura específica é que tais presos eram tachados de “inimigos do povo”, ou seja, inimigos do comunismo (estes poderiam ser anarquistas, socialistas não radicais, burgueses, aristocratas, engenheiros, religiosos, fazendeiros e assim vai, a lista é interminável).

Outra característica observada no filme, é que os chamados prisioneiros, que de fato eram criminosos, tinham nos gulags uma espécie de vantagem. Estes, eram avaliados por Lênin como subproduto da burguesia, sendo assim, acabando com a burguesia se eliminaria seu efeito (os criminosos). Contudo, “Caminho da Liberdade”, mesmo sendo um filme que se apresenta de forma tímida em meio a um abismo de informações a respeito dos campos de concentração comunista, ele já cumpre um papel de grande relevância frente à realidade silenciosa que o assunto expõe. É bom lembrar que os campos soviéticos chegaram a um número impressionante, atesta-se que foram aproximadamente 470.

Fontes Consultadas

SOLJENÍTSIN, A. Arquipélago Gulag. São Paulo – Círculo do Livro, 1975.

Filme dirigido por: Peter Weir. Caminho da Humanidade. Califórnia Filmes, 2011.