Capitalismo gera miséria?

Texto publicado também no blog “Mundo Analista“. Para ler o original clique aqui.

CINGAPURA

Muitas pessoas costumam associar capitalismo à miséria. Para elas, o culpado de haver pessoas miseráveis e passando fome, enquanto outras esbanjam dinheiro, é do capitalismo. Mas será que existe uma relação direta entre capitalismo e miséria? Vamos pensar um pouco.

O que chamam de capitalismo por aí, nada mais é do que o liberalismo econômico. Este sistema surgido por volta dos séculos XIII e XIX com a revolução industrial pode ser resumido, grosso modo, no seguinte: liberdade de comprar e vender. Em outras palavras, quanto mais liberdade as pessoas tiverem para comprar e vender em um determinado país, mais liberal (ou capitalista) é este país. Isso significa que em um país muito capitalista, o governo não criará muitas restrições, imposições e dificuldades para a criação e manutenção de empresas privadas. Segue-se, com isso, que teremos neste país mais empresas competindo no mercado. Com mais empresas, haverá mais empregos. Com mais empregos, haverão menos desempregados. Com menos desempregados, haverá menos miséria.

Vamos pensar por outro ângulo. O que leva uma pessoa à miséria? É a falta de emprego, certo? Como resolvemos este problema? Criando empregos. Como se cria empregos? Criando empresas. E quem cria empresas? Só existem duas opções aqui: ou o setor público ou o setor privado. Sabemos o setor público carece de boa administração. Sobra o setor privado. Resumo da ópera: quanto mais se incentivar a iniciativa privada, mais empregos teremos e, com isso, menos miseráveis.

Ainda explorando este pensamento. Por que os empregados privados de países miseráveis ganham tão mal? Dizer que é culpa do capitalismo não é coerente, pois acabamos de ver que o capitalismo gera empresas e empresas geram empregos. Ou seja, se não fosse o capitalismo, esses mesmos que ganham pouco, não ganhariam nada, pois não trabalhariam em uma empresa privada. E então?

A resposta para nossa pergunta é a seguinte: nesses países há um número pequeno de empresas e um número grande de miseráveis. Assim, o empregado não tem muita opção de emprego e precisa se submeter a baixos salários. E as poucas empresas, por sua vez, tem um número enorme de mão de obra disponível, podendo escolher os melhores à baixo custo.

MAS se aumentamos o número de empresas, temos mais empregos. Com mais empregos, o empregado tem mais opções de escolha e as empresas, por sua vez, precisam disputar entre si os melhores funcionários do mercado.

Concomitantemente, o aumento de empregos e a diminuição de preços causada pela concorrência entre as empresas torna, gradualmente, a condição financeira da sociedade um pouco melhor. Isso resulta em mais investimentos pessoais em especializações, elevando a qualidade da mão de obra disponível no mercado. O que se segue depois de alguns anos são boas economias e bons IDH’s.

Esse tipo de dinâmica não é teoria. Vê-se isso em países como Nova Zelândia, Austrália, Canadá, Cingapura, Suíça, Japão e Hong Kong. Estes são os países mais capitalistas do mundo, países que sempre figuram nas primeiras posições de rankings como o de “Facilidade de se fazer negócios” e o de “Liberdade Econômica”. E, não por acaso, os países que ocupam as piores posições desses rankings (isto é, os menos capitalistas) são os mais miseráveis. Procure pelos países africanos, só para fazer um teste.

Aí eu te pergunto: o capitalismo gera mesmo miséria?

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Autor: Davi Caldas

"Grita na rua a Sabedoria, nas praças, levanta a voz; do alto dos muros clama, à entrada das portas e nas cidades profere as suas palavras: 'Até quando, ó néscios, amareis a necedade? E vós, escarnecedores, desejareis o escárnio? E vós, loucos, aborrecereis o conhecimento? Atentai para a minha repreensão; eis que derramarei copiosamente o meu espírito e vos farei saber as minhas palavras. 'Mas porque clamei, e vós recusastes; porque estendi a mão, e não houve quem atendesse; antes, rejeitastes todo o meu conselho e não quisestes a minha repreensão; também eu me rirei na vossa desventura, e, em vindo o vosso terror, eu zombarei, em vindo o vosso terror como a tempestade, em vindo a vossa perdição como o redemoinho, quando vos chegar o aperto e a angústia. 'Então, me invocarão, mas eu não responderei; procurar-me-ão, porém não me hão de achar. Porquanto aborreceram o conhecimento e não preferiram o temor do Senhor; não quiseram o meu conselho e desprezaram toda a minha repreensão. Portanto, comerão do fruto do seu procedimento e dos seus próprios conselhos se fartarão. 'Os néscios são mortos por seu desvio, e aos loucos a sua impressão de bem- estar os leva à perdição. Mas o que me der ouvidos habitará seguro, tranquilo e sem temor do mal'" (Provérbios 1:20-33).

9 comentários em “Capitalismo gera miséria?”

  1. Chamam tanta coisa de capitalismo que o menos que podemos dizer é que estão falando de liberalismo econômico. Um debate sério sobre capitalismo pode ser trabalhoso por se ter que identificar quais espécies de espantalhos do capitalismo estão criticando.

    Agora, o que é mais importante do que muitas empresas tendo que competir por empregados e dá-los bons salários, é a quantidade variada de serviços e produtos que se terá à disposição do povo.

  2. Pois é. E, para variar, os imbecis esquerdistas que nos governam vão na contramão do que foi apresentado no texto.

    Precisamos urgentemente de um governo de Direita, aos moldes apresentado por você, Davi Caldas.

  3. Eu não achei o texto explicativo o suficiente do ponto de vista econômico. O autor do texto não expôs que a pobreza não é algo positivo, do ponto de vista econômico. A pobreza é a Situação Natural da Humanidade. Nada GERA pobreza. O que Adam Smith tentou explicar em seu livro “The Wealthy of Nations”, de 1776, foi “como as nações ficam ricas?”. Nós não devemos estudar a “causa” da pobreza, a pobreza é natural à condição humana. Nós devemos estudar a causa da RIQUEZA.

    Uma outra observação que eu tenho a fazer é em relação à explicação do autor para haver países ricos e com melhores IDHs. Ele citou que com o Liberalismo há mais empresas e, consequentemente, há mais empregos e todos ficam mais ricos. Na minha opinião, o autor deveria citar os ensinamentos de Ludwig von Mises sobre o por quê de alguns países serem mais ricos do que outros. Mises cita a maior produtividade das empresas dos países capitalistas, citando o melhor investimento de capital em bens de segunda ordem, fazendo com que cada trabalhador seja mais produtivo nesses países do que nos países não-liberais.

    Outra ressalva que eu quero fazer é que o autor citou como os exemplos dos mais liberais são países realmente bem liberais (Nova Zelândia, Austrália, Canadá, Cingapura, Suíça, Japão e Hong Kong). Porém, se fosse eu fazendo o texto, a minha lista ficaria assim: Austrália, Nova Zelândia, Suíça, Canadá, Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul). Os Estados Unidos são o país mais culturalmente liberal do mundo, apesar do recente crescimento do governo federal e de regras de governos locais. A America merece estar na lista, com certeza.

  4. Prezado Bruno,

    Obrigado pelas suas observações. De fato, não escrevi um texto amplo. Esta foi, na verdade, uma breve nota genérica que lancei no meu facebook e resolvi, depois, postar por aqui. Mas pretendo fazer um texto melhor e maior sobre o assunto assim que tiver tempo.

    Abraços. 😀

    1. Bruno Silva, sobre sua lista de países mais liberais, ela inda não condiz com a realidade. os EUA já foram o país mais liberal, mas isso ficou na história. o crescimento do governo não é recente, vide crise de 29 gerada pela expansão de crédito via FED, pelas políticas do new deal, e a implantação do welfare state. eis uma fonte confiável sobre o ranking liberdade econômica dos países, onde você pode avaliar os critérios utilizados e comparar os países entre si: http://www.heritage.org/index/

  5. Eu li um texto que diz que Margareth Tacher terminou seu governo com dados econômicos positivos mas pioras no campo social tão grandes que a Inglaterra abandonou o liberalismo (assim como outros países). Procede a informação? Pois não confirma sua tese.

    1. A Inglaterra não abandonou o liberalismo; o governo Thatcher teve muitos êxitos, mas possuía mais retórica do que ações práticas, portanto se desvirtuava em aspectos econômicos fundamentais. Sem dúvidas que foi positivo, mas se afastava um pouco do liberalismo.

      Recomendo esse artigo de Rothbard, escrito após o fim desse governo: Adeus à Dama de Ferro.

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