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Por em 19/02/2014

caniggia

O protótipo comportamental quotidiano do brasileiro, como diria Carlos Lacerda, é ser “tímido com os fortes e arrogante com os vencidos.” Trata-se de covardia, mediocridade e insegurança. Definitivamente não somos “a terra dos livres e a casa dos bravos”. Quando se depara com o poder ou com um conhecimento superior, o brasileiro – rico ou pobre – curva-se de forma humilhante e patética, para, em seguida, descarregar tudo no próximo fraco que cruzar o seu caminho.

Foi essa atitude desprezível, que, por exemplo, fez o empresariado se curvar docilmente diante de um governo esquerdoso que vem aos poucos solapando a nossa democracia. Salvo honrosas exceções – é claro –, a grande maioria de nossos empresários seguiu candidamente em busca de esmolas vindas do nosso dinheirinho suado, liberado pelo estado. Como digo sempre, somos todos pagadores de impostos e não contribuintes…

A ausência de coragem e bravura está incrustada em nossa história. O Barão de Mauá – grande empresário do Império – foi encurralado e praticamente destruído por Dom Pedro II. Como dizia Roberto Campos, “a inveja é o mau hábito da alma”. Inveja, mediocridade, insegurança e covardia. Ora, como se vê, temos todos os ingredientes para o subdesenvolvimento social e a estagnação. Aliás, esses elementos são fartos no brasil.

Esta miserável “terra dos fracos” precisa de uma chacoalhada profunda. Se deixarmos o estado continuar o seu crescimento, se continuarmos culpando os outros – ou as pessoas erradas (e fracas) – não vamos a lugar algum. O momento é de conter o crescimento estatal e desprezar o sujeito, que, sádica e covardemente, libera todo o seu ódio nos “soldados rasos”. Um verdadeiro falso cidadão, que, a rigor, não merece respeito.

O problema é: quem quer fazer isso? Quem quer se privar das regalias do poder? Quem quer assumir os próprios erros? Quem quer reconhecer a própria covardia, insegurança e mediocridade? Quem quer ser, de fato, liberal no Brasil? Infelizmente só vejo uma resposta para todas estas indagações: pouquíssimos. A obsessão brasileira é pela estabilidade, pela vida cômoda, por fazer parte do grupo e pela ilusão. Toda a verdade é arrastada para baixo do tapete.

Se quiser dizer algo sério nesse país, prepare-se para ser condenado como inimigo da espécie. O brasileiro gosta mesmo é de humilhar os fracos, passear na praia, assistir a programas idiotas de televisão, e, como não poderia deixar de ser, reclamar do governo que ele próprio elegeu.

Mas, considerando o caos atual, o nosso magnânimo “cidadão” omite, de forma pusilânime, a sua participação para o desastre. Sem o menor pudor ele nega ter votado nos atuais governantes. Há pessoas que, por falta de firmeza, agem como oposição sistemática. Machado de Assis escreveu, em sua obra “A Igreja do Diabo”, uma das frases mais marcantes da literatura brasileira: “há muitos modos de afirmar; há só um de negar tudo”. E assim seguiremos, negando tudo e não fazendo nada. Vai tudo para o buraco. Estamos, aparentemente, em uma futura Venezuela. Seria digno, pelo menos, assumirmos a nossa parcela de culpa.