Tags

, , , ,

Muito se tem discutido sobre o tal “rolezinho”. Pra variar, tudo conspira para que só dois lados sejam ouvidos como se resumissem tudo que pode ser dito sobre o assunto.

image

De um lado temos aquela galera “progressista” que prefere simplesmente ignorar o que o tal do rolezinho é e focar na “guerra de classes”: da classe média para baixo estão os certos, os oprimidos representantes da cultura popular e democrática, da classe média pra cima estão os errados, os fascistas reaças e coxinhas, etc. Para estes, a segurança dos shoppings quer barrar o rolezinho porque o “templo do capitalismo” não admite que os ricos percam privilégios e os pobres entrem nos shoppings (como se já não fizessem isso há décadas).

Do outro lado, aqueles que confundem atos infracionais com o gosto musical dos seus praticantes. Se o batedor de carteira ouve funk, então quem ouve funk bate carteira. Imputam ao funk toda a decadência de batedores de carteira, tecem toda uma análise sobre o que configura música de bandido, roupa de bandido, etc. Enfim, fazem uma generalização absurda para equivaler um estilo de vida a atos infracionais. Tratam todo um coletivo como problema, exatamente como os “progressistas” fazem e querem que seus opositores façam. Tudo gira em torno das abstrações que os progressistam postulam como o centro de gravidade da discussão: classe social, cor da pele, estilo de vida. Tudo que divide entre rico e pobre, branco e preto, mauricinho e favelado. Ponto para os progressistas, que mais uma vez conseguem o monopólio do discurso.

A discussão deveria estar girando em torno de outro centro de gravidade: o direito de propriedade. Se o shopping é uma propriedade privada, suas regras de ingresso e uso são as estipuladas pela casa. Não pode correr, não pode som alto, não pode fumar, não pode entrar em grandes grupos, etc. Não importa se quem vai entrar pretende consumir ou não, o que importa é que as regras de convivência, tácitas ou explicitadas em regulamento do shopping, devem ser respeitadas.

Desviar a discussão disso para criar discurso panfletário da “guerra de classes”, ou criticar o estilo de vida dos jovens que organizam e participam do tal rolê é fugir de toda a resolução da questão e transformá-la em conflito insolúvel. Nossos esforços devem ser na direção de dissipar o clima de violência que a extrema-esquerda tenta oportunamente incutir em toda manifestação social, não o de representar o papel que ela quer que representemos no seu teatro maniqueísta. Se deixamos a extrema esquerda capitalizar em cima destas questões estamos sendo piores que os espantalhos que ela cria: estamos sendo fantoches.